STF tem voto pra manter poderes do CNJ

 

Em fevereiro, assim que o Supremo Tribunal Federal encerrar o período de recesso, seus ministros terão tarefa importante de decidir se o Conselho Nacional de Justiça tem poderes para investigar juízes e apurar valores recebidos pelos magistrados. No fim do ano passado, duas liminares, assinadas pelos ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, suspenderam investigações da corregedora do CNJ, Eliana Calmon, gerando uma crise interna no Poder Judiciário. Com as medidas preliminares o Conselho está impedido de abrir processos disciplinares contra juízes antes da atuação das corregedorias dos tribunais de origem de magistrados – fato que tem impedido, historicamente, o avanço de investigações contra integrantes do judiciário.

A boa notícia é que, a partir de informações levantadas nesta semana, sabe-se que seis dos 11 ministros do Supremo são a favor da manutenção dos poderes do CNJ. É possível, inclusive, que mais um ministro apoie a ideia, ampliando a vitória sobre aqueles que têm a intenção de desmontar o Conselho Nacional de Justiça – um órgão que em pouco tempo de atuação demonstrou competência e causou alvoroço entre os togados.

Foto-ouvinte: Videira na Cidade

 

Por Marcos Paulo Dias
Jornalista e colaborador do Blog

Videira na Cidade

Foi seu Moacir, 52, trabalhador na área de construção civil, quem me apresentou dona Maria Nilva Bondioli Capriotti,  63, e o marido dela, Cláudio Capriotti, 71, aposentado, moradores de São Miguel Paulista, zona leste da Capital, há mais de 15 anos. O casal é atencioso e apaixonado pela natureza ,  cuida  com muito carinho de uma parreira que está logo na entrada de  casa, onde, também com muita dedicação, cultivam um pé de jabuticaba e um de romã. Seu Cláudio, um pouco tímido, contou que dona Maria aproveita cada cantinho do quintal e, em sua última investida, havia semeado abóbora e um pequeno vaso. Parreira ou videira, caro leitor da cidade grande, se já não lembra mais, é uma planta trepadeira que produz a uva. Foi dona Maria quem a plantou, há mais de seis anos, e como a colheita é farta, costuma distribuir para os parentes e vizinhos. 

Videira na Cidade

A iniciativa de preservar  ou reservar pequenos espaços  para árvores, trepadeiras e  flores contribui para o bem comum, e tudo isso é retribuído com a presença de ilustres visitantes: pássaros, besouros e abelhas. Quando os visitei, encontrei este casal de pombas rolas que construíram seu ninho sobre a parreira. O mais legal é saber que estas cenas são possíveis de serem encontradas em uma casa na cidade de São Paulo.

A Cracolândia no círculo eleitoral

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

O que fazer com os traficantes e viciados !?[humildade para ouvir]

A operação Centro Legal deflagrada pela Prefeitura e governo do Estado para ‘implodir’ a Cracolândia poderia ser chamada de Operação Maquiagem. Sem sucesso na captura de traficantes influentes, tem passado a forte impressão de luta por sobrevivência política dos principais envolvidos na operação. O tapa de Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab no visual da Cracolândia conseguiu uma vitória: mexer com o governo federal, que terá agora a oportunidade de responder sobre a viabilidade da construção do ‘Hospital do Crack’ para o tratamento dos viciados.

Vale lembrar que, há três anos, conforme registrou a imprensa, a proposta do hospital foi entregue ao ex- presidente Lula em seu tradicional almoço de fim de ano com os moradores de rua e catadores. Na ocasião, o senador Eduardo Suplicy foi o porta-voz do documento assinado por viciados em crack e álcool. A notícia é que muitos dos que assinaram o documento morreram por causa do vício..

Alertamos a senhora presidente Dilma Roussef. Cuidado com os traillers ou cabanas – consultórios para competir com as tendinhas da prefeitura. Podem dizer: ‘é só para começar’. Limitar-se a este improvisado aparato federal poderá ser um fiasco de saúde pública. Fiasco como os cometidos pela Prefeitura de São Paulo nas construções das primeiras tendas no Parque Dom Pedro II, de condições sanitárias precárias; para uma cidade tão rica! Tendas e galpões vulneráveis como a grande solução para recuperar uma legião de viciados da maior Cracolândia do Brasil. Dentro da Tenda de Santa Cecília, há pouco tempo usuáriosforam flagrados pitando crack. O que parecia ser normal para algumas pessoas quando foram questionadas.

Senhora presidente, em São Paulo uma sucessão de fiascos e improvisos levaram o povo paulistano a desacreditar profundamente da classe política. Num vazio de ideias e de gestão tudo é improvisado, desde a implosão desnecessária de um prédio na favela do Moinho a caixas tapadas com toquinhos de madeira em frente à Coordenação de Subprefeituras, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. Quando os fiascos não se apresentam de forma grave surgem de forma violenta e odiosa contra os direitos humanos: acordar mendigos na madruga fria de São Paulo com spray de pimenta. É preciso sempre lembrar, manter a chama acesa para que tais atrocidades não se repitam.

Senhora presidente, a presença do Governo Federal em São Paulo deveria superar as espectativas[…] numa dimensão social de projetos permanentes em defesa da vida de cidadãos doentes que precisam de hospital. Ah!, mas não querem se tratar. Neste sentido a Constituição Federal é cristalina. Os doentes de crack respondem ou não pelos seus atos ? Então vale o que está escrito na Constituição.

Se querem prender os chefões do tráfico do Centro, acione o serviço de inteligência da Polícia Federal. Talvez as três polícias, civil, militar e federal trabalhando na mesma direção o serviço de segurança e proteção renderá, prenderão rápido os destruídores de vidas (sem descuidar das fronteiras, por onde tem entrado com facilidade a droga), e toda sociedade ganhará.

A Cracolândia não deve se transformar num mero instrumento de disputa de poder[…].

Senhora presidente Dilma Roussef, falta aos gestores de políticas públicas a visão de futuro para enfrentar a epidemia de crack. Por que deixaram o crack tomar conta da cidade de São Paulo e do Brasil? Para que se não cometa injustiças , e a culpa recaia apenas sobre os governos atuais -, particularmente em São Paulo o crack é problema social antigo, visto com descaso por sucessivas administrações. Depois de tantos anos, tendas e galpões! Cá entre nós, falta ou não visão de futuro e vontade política para enfrentar o problema ?

Nem mesmo os mais preparados escritórios de marketing político – contratados a peso de ouro pelos candidatos – justificariam o tamanho descaso das diferentes esferas de poder com o avanço do crack em São Paulo e no Brasil.

Até quando vamos assistir aos espetáculos de política tupiniquim ? Só falta alguém ter a ideia de carregar setenta ‘traficantes’ numa jaula, em desfile, pelas principais ruas da cidade às vésperas da eleição. Afinal, o poder está em jogo e descobriram que a Cracolândia é uma mina de voto.

Querem combater o tráfico de droga e tratar dos viciados em São Paulo ? É preciso ter a humildade para ouvir os que têm posições claras e respeitáveis sobre o assunto. Converse e ouça com atenção e anote tudo o que disser Antonio Luiz Marchioni (Ticão), Drauzio Varella ,Edson Ferrarini, Flávio Gikovate, Hans Stapel, Izilda Alves, Jaime Crowe, José Vicente, Maria Rita Kel, Maria Stela Graciani, Ronaldo Laranjeira e Wálter Maierovitch.

Aziz Ab’ Sáber e Manoel Del Rio defendem que o governo Federal desaproprie o antigo quartel do Parque Dom Pedro, e faça ali um hospital-escola, um centro integrado. O prédio está abandonado e deteriorado. Todas as pessoas citatas como referência são solidárias e quando solicitadas atendem até cidadãos anônimos.

Ouvir educadores sociais de rua e ex-viciados é fundamental. Não precisa ser ex-usuário celebridade.

A ilustração do texto fica por conta da inspiração e criatividade de algum desenhista/artista plástico solidário. Um policial aponta uma espingarda calibre 12 ou fuzil para um mendigo deitado no canteiro central florido da avenida Rio Branco e diz: “Vamos , levanta.” O andarilho se levanta tossindo com o cobertor nas costas e sai sem rumo..

De Dois Mil e Doze

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Dois Mil e Doze” na voz e sonorizado pela autora

D O I S M I L E D O Z E

Lexigramei o nome do ano que acaba de chegar, para tentar senti-lo melhor, para tentar entender a que veio e me preparar para ELE. Essa história DO mundo acabar em 2012 não ME convence. Tem gente que DIZ que vai; eu não digo que vai, nem digo que não vai. Tenho a minha teoria, mas quem sabe.

Então vou deixar que o ano SE expresse aqui através do seu nome. Dois Mil e Doze. Já faz algum tempo que DOIS é o primeiro nome do ano. Sua linhagem começou no ano Dois MIL, quando a gente também acreditava que o mundo ia acabar. Assim também achavam os que aqui chegaram bem antes de nós e construíram uma penca de igrejas achando, já naquele tempo em 999, que Deus aceita suborno. Aí chegou firme e forte o ano Mil, que deu início a uma leva de anos que leva o seu primeiro nome; e passados mais mil anos o mundo não acabou.

Comecei pelo DOIS, que dá um recado de parceria, e me dei conta de que faz só DOZE anos, dos 998 que estão por vir, que acabou o reinado do um, do sozinho, do eu olhando para o próprio umbigo. E vem a esperança e me dá um empurrão. Daí foi fácil, mas fui fazendo tudo a DEDO, sem fazer corpo MOLE, que a trancos e barrancos não é MODO de lidar com coisa tão séria. Fui me infiltrando nos mistérios DELE. Encontrei bem mais de DEZ pistas, norteada pelo LEME do coração. Não encontrei DOcE, mas encontrei MEL e LODO também, como era de se esperar. Para fELIZ, faltou o F, mas encontrei ELIS, que soube ser e fazer muita gente feliz com a sua voz.

Se estou lendo com a atenção necessária, Dois Mil e Doze será o ano do DIESEL e de DOIDOS; e de DOLO vai ter DOSE. Há MEDO, mas também há MEIOS para enfrentá-LO e superá-lo. As saias voltam ao comprimento MIDI e o SEIO continua na pauta. Tudo bem que de vez em quando a vida DÓI, mas cada um vai encontrar um MODO de sair ILESO.

Há a essência de SOL e SOM, da escala musical tem DO, MI, SOL e SI, e se aproveitarmos a abundância de ZELO, se tivermos os pés bem apoiados no SOLO, encontraremos SOLIDEZ.

Será preciso descartar o MOLDE antigo, descartar a manha, sem DÓ, e ter em mente que DOZE é um número de harmonia, mágico, chame do que você quiser, mas eram DOZE os Apóstolos, DOZE as tribos de Israel. São DOZE os signos do Zodíaco, DOZE os meses do ano, DOZE as horas do dia e das noites também.

Falo do que tem e falo do que não tem. Para IDEIa falta o A, que também falta para MOLEZa e DILEMa, que será preciso descartar. Encurtando esta história, de mais de oitenta palavras, estas foram as que eu escolhi. Faz você a brincadeira e encontra o que o nome do ano tem para te dizer.

E enquanto o mundo não acabar, até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Tutorial de maquiagem

 

Por Dora Estevam

A cada dia que passa descubro mais e mais novidades (na internet) sobre os produtos de beleza. Na área de maquiagem então nem se fala. E nestas descobertas, eu fico muito alegre quando acho vídeos que mostram passo a passo como se maquiar em casa sem complicações. O último site que encontrei traz vários tutorias de maquiagem e para dividir com você estas informações separei dois para publicar aqui no blog.

A ideia de fazer o make com os dedos, técnica sobre a qual falei no ano passado, achei interessante, mas não havia provado. Confesso que agora, principalmente na correria, eu estou usando direto. É muito legal! Fica bonito e na região dos olhos o pozinho não espalha para os lados o que sempre nos obriga a fazer retoques. É claro que não podemos dispensar os pincéis, os dedos são apenas alternativas para ficar bonita e simpática.

Acha mesmo que eu já consigo usar o delineador deste jeito? Vou ter que assistir muito a este tutorial.

Vamos em frente: agora, olhe bem de perto esta foto da cantora Adele na Vogue UK:

Olhos super marcados com delineador e boca apagadona.

Aproveite os dias de janeiro em que os shoppings estão mais calmos e entre nas lojas de beauty para garimpar novos produtos. Faça maquiagens diferentes, use e abuse das cores ou encare um estilo mais básico: blush, delineador, iluminador, tudo o que é possível para tornar você ainda mais bonita, faça. Ah, não se esqueça de hidratar bem a pele e protegê-la com filtro adequado. Ouse também nos cabelos, as tranças e os rabos de pônei ficam bem nesta estação e para quem optou pela moda do curtinho, pomadas ficam bem para modelar algumas pontas. Meninas, boa sorte!


Dora Estevam é jornalista e escreve aos sábados no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: A economia da experiência

 

A Era da Convergência pede produtos multifuncionais e profissionais preparados para transitar bem por diferentes temas e áreas da organização. O consultor Carlos Hilsdorf explica que este é um momento de integração entre os modelos industriais – da velha economia – com a Era do Conhecimento – da nova economia. Em entrevista ao Mundo Corportivo, da rádio CBN, ele também alerta que para conquistar o novo consumidor é preciso praticar os fundamentos da economia da experiência na qual os produtos e serviços têm de sensibilizar seu público-alvo em todos os cinco sentidos: olfato, audição, paladar, tato e visão.

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN (www.cbn.com.br), com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

Um prefeito para chamar de seu

 

Depois das experiências em rádio, jornal, televisão e blog só me faltava esta (como diria minha mãe): escrever em revista. E logo na última página, aquela que eu sempre respeitei tanto, onde li cronistas incríveis e histórias super interessantes. Foi o pessoal da Época São Paulo quem me proporcionou esta oportunidade, quase um ano depois de ter aberto o espaço para mim no Blog Adote São Paulo. No convite feito pessoalmente pelo Camilo Vannuci não constava a enorme ansiedade que eu teria ao começar a digitar o artigo, ato que se repetiu com irritante frequência, sem que eu conseguisse ir além do primeiro parágrafo. Falo pelos cotovelos quando o microfone está aberto, solto a palavra ao publicar no blog, mas escrever em uma revista é um baita desafio. Revistas, assim como jornais e telejornais, tem um negócio que chamam de deadline -nome apropriado a medida que muitos colegas são fuzilados quando não entregam sua reportagem no prazo determinado pelo editor. O meu se aproximava a medida que o medo aumentava. E vice-versa. O texto ficou pronto com antecedência, é bem verdade. Mas li um tanto de vezes e, por sorte e por bons editores, recebi sugestões da redação da Época até chegar a versão final. Talvez você o leia e não perceba todo este esforço e apoio, mas quero deixar registrado aqui que minha sensação foi a de um parto: com sofrimento e um prazer sem tamanho. Falei de um tema que me interessa em especial, a política local. E que, tenho certeza, lhe interessará, também, em breve. Afinal, em 2012 vamos escolher um novo prefeito para a cidade de São Paulo, de preferência um prefeito para chamar de seu.

Leia a crônica “Um prefeito para chamar de seu” acessando o Blog Adote São Paulo

Viagem segura e com cinto

 

Por Milton Ferretti Jung

Mais vale prevenir do que remediar. Em se tratando de trânsito, convém lembrar, remediar nem sempre é possível. Nesse feriado prolongado, que culminou com os festejos da virada do ano, mesmo que o fato não tenha sido divulgado com destaque pela mídia do Rio Grande do Sul, a Operação Viagem Segura, realizada pela Polícia Rodoviária Federal, Comando Rodoviário da Brigada Militar e Departamento Estadual de Trânsito, foi executada com sucesso. É verdade que, apesar disso, 2012 começou com uma tragédia, cujo palco foi a Estrada do Mar. Três carros envolveram-se em acidente que provocou duas mortes. A motorista de um dos veículos estava visivelmente embriagada e não possuía carteira de habilitação. O automóvel, que ela dirigia, se chocou frontalmente contra outro veículo que, por sua vez, atingiu um táxi.

Neste réveillon, nas 60 horas em que se desenvolveu o programa preventivo criado pelas autoridades, foram aplicadas, por hora, 91 multas. Na mesma época de 2010, em que a maioria dos infratores abusou da velocidade, o número de multas foi superior: 126 por hora, em três dias de rigorosa fiscalização. Agora, falando apenas nas estradas gaúchas, controladas pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar, uma irregularidade chamou-me a atenção: foram multados 353 motoristas, porque eles ou passageiros dos veículos que dirigiam, não faziam uso do cinto de segurança. Eu imaginava que esta infração fosse das menos expressivas, mas me enganei. Ficou em segundo lugar, com 353 autuações, perdendo somente para as ultrapassagens proibidas, que levaram 484 motoristas a perder pontos na carteira de habilitação.

O motorista e o passageiro que fica ao seu lado, em geral, atam seus cintos. Os que viajam no banco traseiro, porém, porque não sabem o perigo que correm e aquele a que expõem os que estão à sua frente, não se dão ao trabalho de afivelar este verdadeiro salva-vidas. Sempre que ando de táxi, não só trato de usá-lo, mas peço a quem viaja atrás, que aperte o seu. Não quero correr o risco de ter a cervical rompida por um passageiro catapultado desse local, caso ocorra uma colisão ou, até mesmo, uma freada brusca e forte. Seja lá como for, torço para que as autoridades responsáveis pelo trânsito, em cada fim de semana, pelo menos, repitam a Operação Viagem Segura.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

BRICs: é hora de comemorar

 

Em frente e avante: líderes dos Brics já com a adesão da África do Sul

Por Carlos Magno Gibrail

Estamos diante de um início de ano pródigo em pautas jornalísticas: irresponsabilidade da Prefeitura de Guarulhos ao autorizar inauguração de novo templo às margens nada plácidas da via Dutra no dia primeiro. Voracidade da mídia social no gozo do câncer de Lula e no destempero de Luana Pirovani e Elio Gaspari cobrando o atendimento no SUS para o ex-presidente. A cara de pau de Kassab ao dar nota máxima à implosão fracassada do Moinho Central. O escancaramento da parcialidade pelo novo presidente do TJ de São Paulo, Ivan Sartori, ao defender os dois meses de férias exclusivamente para a magistratura. A priorização da mídia em geral da perspectiva à retrospectiva, diferentemente de anos anteriores. Tendência que escolho para abordar o futuro dos BRICs, de acordo com a maior autoridade no assunto. O seu criador, Jim O’Neil.

O’Neil, presidente da gestora de recursos do Goldman Sachs, em 30 de novembro de 2002 criou o termo BRICs para representar uma expansão que previa para o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, estimada em 14% do PIB global, e constatada agora em 19%. Passaram de US$3 trilhões para US$13 trilhões. Projetou a China igualando a Alemanha, mas a China dobrou e é a segunda do mundo. O Brasil poderia superar a Itália, mas alcançou-a e passou a Grã Bretanha, e é a sexta.

Entusiasmado com o acerto do sucesso imaginado e concretizado a mais, escreveu sobre os próximos anos. E o próprio O’Neil em artigo para o Estado de domingo ressalta alguns pontos de seu livro The Growth Map (O Mapa do Crescimento). Os BRICs com 8% de aumento do PIB contribuíram nestes últimos 10 anos para o crescimento global de 3,5%, pois os países desenvolvidos tiveram apenas 1,5%. Nesta nova década, os BRICs terão crescimento de 7% contra 5% dos demais países. Este mercado em desenvolvimento será importante também para os desenvolvidos, e marcas fortes internacionais como Louis Vuitton e BMW já se aperceberam desta oportunidade. Muitas outras deverão seguir o mesmo caminho.

Na área financeira poderá haver maior participação dos BRICs na movimentação e na decisão, o que trará mudanças no sistema global. Com inclusão de moedas e recursos destes países. É bom lembrar que até 2015 os BRICs terão um PIB igual ao dos Estados Unidos, a maior economia do mundo. O Brasil, como se sabe, já passou de devedor do FMI a credor.

Caberá também ao Brasil uma posição confortável, principalmente nas commodities, pois o aumento de preços propiciará desenvolvimento na inovação tecnológica, tornando sua produção mais eficiente e evitando providencialmente uma pressão sobre os até então abundantes recursos naturais.

Desejamos que Jim O’Neil mais uma vez acerte. E não precisa repetir a goleada, basta vitória simples.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

A importância da eleição municipal

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Certa vez o político e jurista Assis Brasil – infelizmente muito mais referido do que lido – bradou da tribuna da Câmara dos Deputados: “O voto deve ser a voz, não o eco”. A eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores é sempre o resultado de uma escolha que decorre da vontade livre e soberana dos cidadãos. Afinal, nas democracias sempre há uma determinação decorrente das urnas.

Aliás, nada em eleição decorre sem querer ou sobrenaturalmente. Eleição em país democrático é sempre pelo voto do cidadão. Se o voto é bom ou ruim, se bem ou equivocadamente sufragado, isto é uma outra questão. Mas é sempre voto. A surpresa – ou não – fica por conta dos eleitos. Se competentes ou incompetentes isto também é outra discussão. Mas algo sempre será certo: quem se elege Vereador, Prefeito ou Vice-Prefeito foi eleito. Portanto, votar bem é uma necessidade.

Não se pode ignorar que em alguns municípios ou regiões a desilusão e a desconfiança apresentam índices crescentes ou mesmo alarmantes. Até aí, nenhuma novidade. Todavia, como a Constituição Federal determina que os Poderes são fundamentais, existem outras possibilidades e perspectivas envolvendo o desempenho e a escolha de dirigentes. Comecemos pelo Legislativo.

O Vereador representa o povo junto à instância primeira da democracia representativa que é a Câmara Municipal. Congressistas, Deputados Estaduais, Governadores e os Presidentes Prudente de Moraes, Wenceslau Brás, Delfim Moreira, Artur Bernardes, Washington Luís e Tancredo Neves iniciaram suas trajetórias políticas pela vereança.

O Legislativo Municipal é uma instituição política dinâmica e de caráter permanente que representa a sociedade. No exercício desta representação, o Poder dispõe de competência para tratar de assuntos pulsantes vinculados ao cotidiano dos cidadãos, desde o valor das passagens do transporte coletivo ao número de andares dos prédios, passando pela fiscalização do Executivo e dos serviços públicos. Daquele com diploma ao que não concluiu o primário, do mais velho ao novato, os quase 60 mil Vereadores brasileiros exercem atribuições diversas e indelegáveis. Todos foram votados e dispõem de um voto no Parlamento.

Já o Executivo é o Poder que dispõe da maioria das competências para administrar a cidade. Ao Prefeito estão subordinadas as decisões relativas à execução das obras e atividades colocadas à disposição da coletividade, algumas sem a possibilidade de interferência da Câmara. Além disso, os 5.559 Chefes de Executivo do país dependem financeiramente da União e do Estado para completar a receita do Município, o que impõe a necessidade de menos imediatismo e mais compreensão.

Em suas decisões, estes mandatários podem agradar a cem e desagradar a mil. Além disso, inúmeras são as limitações do poder. Portanto, o seu exercício é simultaneamente glorioso e desgastante. O que não se coaduna ao Estado de Direito são críticas oportunistas ou sem fundamento, sobretudo quando se sabe que a democracia brasileira percorreu um longo trajeto até chegar onde está.

Por fim, o jovem também deve participar da escolha dos Vereadores e dos Prefeitos pois se a legislação lhe autoriza a trabalhar aos 14 anos e se filiar a um partido aos 16, nada mais coerente do que haver um estímulo para que ele escolha aqueles que fixam a tarifa do transporte coletivo, o valor do IPTU, etc.

O ato de votar – assim como o de participar e fiscalizar – é sempre nobre, especialmente porque é no Município que se vive, trabalha, etc. Além disso, é nele que a política apresenta sua face mais dinâmica e de efeitos mais imediatos. Daí a sua importância no primeiro domingo de outubro deste ano de 2012.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.