Avalanche Tricolor: Eu vi, meninos !

 

Grêmio é bi Brasileiro Sub-20 (Foto Edu Andrade/Gazeta Press)

Da série você não me perguntou, mas eu vou falar: o Grêmio é bicampeão Brasileiro Sub-20, título conquistado nesta tarde, ao vencer por 1 a 0 o Atlético Mineiro, no estádio Passo de Areia, em Porto Alegre. Já não bastasse ter eliminado o “co-irmão” na semifinal, agora nos oferece mais esta satisfação às vésperas do Natal. Que a alegria dos meninos, registrada pelo fotógrafo Edu Andrade da Gazeta Press, contagie a temporada de 2010.

Heródoto, quantas emoções

 

Herodoto e Roberto Carlos "Fake"Depois da revelação de sua performance como apresentador de festival universitário de música nos tempos da Jovem Guarda, não chega a ser surpresa a foto recebida pelo Blog do Mílton Jung.

O remetente que pediu para não ter seu nome divulgado garante que o da direita é o jornalista Heródoto Barbeiro, da rádio CBN. Mas na camisa, o dial em destaque é o da rádio Caramelo, emissora comunitária que foi ao ar neste fim de semana, na Grande Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes-SP. Porém, como o mesmo tentou me convencer de que Heródoto está abraçado e sorridente ao lado do Rei Roberto Carlos, que também teria visitado a cidade, quem sou eu para não acreditar ?

Conto com a perspicácia do ouvinte-internauta da CBN para responder a tantas dúvidas. Afinal, quem é quem nesta foto ? O homem do topete é o Heródoto Barbeiro que conhecemos ou apenas um clone ? E o rapaz de cabelos grisalhos caídos sobre os ombros seria mesmo Roberto Carlos ?

Ouça aqui mais um sucesso exclusivo do Selo CBN SP com destaque para a voz do mestre Heródoto Barbeiro (atualizado às 12:37)

Ônibus da Metra rodam com Papai Noel a bordo

 

Por Adamo Bazani

Empresa que administra e opera o corredor das zonas sul e leste da capital, cruzando o ABC Paulista, coloca na rua três ônibus com enfeites natalinos e motoristas vestidos de Papai Noel.

Ônibus com decoração de Natal

“Para mim, toda a criança é uma bênção, quando elas sorriem, é a expressão maior desta dádiva de Deus”. É com esse espírito, demonstrado pelo motorista Isaías Martins Barbosa, 47 anos, que trabalham os condutores da empresa Metra – Sistema Metropolitano de Transporte Ltda, que todos os anos se vestem de Papai Noel para dirigir os ônibus enfeitados pela companhia.

Há seis anos, a Metra decora ônibus para o Natal. Mas neste 2009, a comemoração foi especial. De um veículo passaram para três: dois Caio Millennium II adesivados e um Urbanus Pluss, com luzes, que deixam mais natalina e alegre a rotina dos passageiros do corredor que liga São Mateus (na zona Leste de São Paulo) a Jabaquara (na zona Sul) pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, com extensão para Mauá (no ABC Paulista) e a região da Berrini (zona Sul da Capital).

Além de Isaías, há mais cinco Papais Noéis e uma Mamãe Noel, a motorista Kátia Paula Almeida Viera, que fazem uma festa com a criançada distribuindo balas e sorrisos.

“Mas não é só criança que se anima não. Tem adulto que fica maravilhado. Parece que o espírito de Natal faz a criança que existe nos passageiros nascer de novo. Tem marmanjão que pede balinha pra mim. E eu dou, pra sorrir, nesta época vale tudo” – conta Isaías.

Trabalhando no setor de transportes desde 1977, quando começou como cobrador da Viação Safira, de São Caetano do Sul, o motorista Noel Isaías tem larga experiência no ramo. Foi motorista das empresas Alpina, Humaitá, Campestre, Santa Paula e São Bento Turismo. Dos muitos fatos que marcaram a carreira dele, nenhum se compara a dirigir como Papai Noel.

A Metra faz um recrutamento interno para os motoristas interessados em participar da festa de Natal. A procura é grande. E há dois anos, Isaías participa.

“A experiência é diferente de tudo. Parece simples, se vestir de Papai Noel e dirigir um ônibus enfeitado. Mas na prática, é fascinante. Adoro crianças e quando elas brincam e sorriem quando recebem uma bala, é como se eu ganhasse na loteria. Os passageiros também veem o motorista de maneira diferente, eles reagem com felicidade, olham com alegria. Coisa que se o motorista tiver com o uniforme normal de trabalho, não acontece.”

Isaías diz que dirigir vestido de Papai Noel lhe permitiu ver o passageiro de outra maneira e lembra a primeira vez em que pode brincar com as crianças mesmo em um trabalho no qual é exigido rapidez nas ações, dedicação e atenção total, pois envolve a segurança de milhares de pessoas todos os dias. Garante que o espírito natalino é capaz de espantar qualquer mal, mesmo em um ônibus lotado de passageiros apressados e estressados.

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Foto-ouvinte: Calçada verde

 

Calçada verde em São Paulo (Paula Calloni)

Um novo conceito de calçada ecológica ? Não, apenas descaso de quem realizou o serviço de poda na esquina das ruas Jesuíno Maciel com República do Iraque, no Campo Belo, em São Paulo. Segundo a ouvinte-internauta Paula Calloni passou por lá um dia depois da foto e já havia caixas de papelão e tapetes velhos depositados na mesma calçada.

Eleitores perversos, anistias imorais e reformas

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Sejamos objetivos. A expressão “homem cordial”, corriqueira e genérica na pretensão de qualificar o brasileiro como pacato ou pacífico, se aproxima do aviltante quando analisada sob o prisma de seu comportamento eleitoral. Assim, porque a história recente registra dezenas de exemplos, não será nenhuma surpresa se parlamentares e gestores públicos envolvidos nos escândalos mais recentes forem eleitos ou reeleitos mediante expressivas votações.

Daí se entender oportuno relembrar uma frase de Voltaire do início do século XVIII: “A política tem sua fonte antes na perversidade do que na grandeza do espírito humano”.

Esta célebre assertiva do iluminista francês confere a dimensão do ambiente quando se constata, por exemplo, o cinismo nas entrevistas e manifestações de alguns acusados, embora filmados com cédulas de dinheiro em meias ou cuecas. Alguns destes patifes serão recompensados pelos próprios eleitores dos seus Estados através de votações que glorificarão o reprovável e anistiarão quem maculou o mandato anterior. Assim foi com o mensalão ou com o episódio das ambulâncias, apenas para citar uma referência próxima no tempo.

Isto é corriqueiro no Brasil. Primeiro, porque eleição é um fenômeno social à parte, capaz de prescindir de memória, coerência e razão. Na maioria das situações, os eleitores não examinam o currículo ou a vida pregressa dos candidatos. Votam supondo que “o cara é bom” ou o que é pior: “ele é inteligente”. Inteligente qualquer bicho é. Reeleger um parlamentar ativo e participativo é reconhecer trabalho; reeleger alguém porque este tem opinião mas não trabalha, não apresenta projeto e não se envolve nos grandes problemas do Parlamento é manter o sistema.

Depois, que a recondução daqueles cuja vida pregressa não é recomendável e que muito provavelmente impediria sua inscrição num concurso público, evidencia o efeito catalisador e pirotécnico das campanhas eleitorais. Cabe ao eleitor não votar em candidato maculado ou envolvido em processos escandalosos. Sempre existem candidatos dignos e confiáveis.

Por fim, reforçando as anteriores, nesta atual quadra da História, não se pode divinizar a cidadania ou tornar a representação popular algo intocável ou insuscetível de questionamentos pois quem escolhe os candidatos e vota é o eleitor. Se elegeu com caixa dois, distribuindo vantagens mesquinhas e pessoais? Que seja cassado e afastado do mandato, seja Governador, Vice, Senador ou Deputados. Os exemplos estão aí.

É bem verdade que parte desta sensação de impotência e inconformidade deve ser debitada à anacronia da legislação eleitoral que não estabelece regra decente e realista capaz de impedir a candidatura de quem, mesmo sem mínimos predicados morais mas amparado nas lacunas ou brechas legais, se apresenta ao eleitorado e alcança a Casa Legislativa para “representar” o povo. Contudo, é exatamente este último que vota e que elege formadores de quadrilha, estelionatários e ímprobos para mandatos de relevo.

Também, registre-se, que a presença de um presidente grotesco e midiático que pronuncia “merda” num discurso oficial não serve de bom modelo.

O “novo” Congresso (novo apenas porque será uma outra Legislatura, eis que nenhum índice tem ultrapassado 45%) terá o dever de reexaminar a Lei de Inelegibilidades e potencializar a moralidade como requisito para candidaturas pois, do contrário, eleitores tão ou mais perversos que os próprios vilões seguirão reconduzindo-os aos Parlamentos que outrora desrespeitaram.

O início de tudo está no voto, na escolha sensata. O eleitor elege o eleito. O Mito de Sísifo.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung dando publicidade as regras do jogo político.

Olho vivo: Câmara quer ampliar sede em SP

 

Prefeitura limpa praça da Câmara

Os vereadores de São Paulo ainda não desistiram de ampliar as dependências da Câmara Municipal, no Viaduto Jaceguai, centro da capital. Dos R$ 399 mi que serão gastos pelo legislativo municipal no ano que vem, R$ 20 mi estão reservados para a construção do edifício ao lado da atual sede. No Orçamento deste ano já havia R$ 17,8 mi separados para a obra, mas os vereadores entenderam que em meio a crise financeira e ao corte de verbas que a prefeitura adotava em seus programas, a opinião pública teria dificuldade de aceitar o início da obra.

A intenção de tocar o projeto em 2010 foi confirmada pelos vereadores José Police Neto (PSDB) e Antônio Donato (PT) que participaram de debate promovido pelo CBN São Paulo, nesse sábado. Na quinta-feira, quando o Orçamento de R$ 27,8 bi para a cidade de São Paulo foi aprovado, o vereador Milton Leite (DEM) também havia comentado sobre o assunto.

O tema preocupa Sônia Barbosa, do Voto Consciente, que esteve conosco no programa e pediu fiscalização rigorosa sobre os gastos da Câmara Municipal, principalmente em função deste projeto arquitetônico.

Tem razão em estar preocupada, pois o descontrole nas contas de obras públicas é comum no País. Não muito distante da Câmara, temos um típico exemplo: o novo prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo que deveria ter sido entregue em 2007 a um custo de R$ 12 mi somente pode receber os deputados neste ano após terem sido gastos mais de R$ 28 mi.

Na Câmara Municipal a ideia é seguir o projeto de Oscar Niemeyer que teria previsto originalmente um anexo ao prédio onde está o Palácio Anchieta.

Obra vai custar mais caro, diz repórter

Resgatei o comentário do jornalista Airton Goes que está publicado nos comentários, pois amplia a discussão e agrega informação que não havia registrado na nota original: por exemplo, quem levantou o assunto da obra de ampliação da sede da Câmara durante o debate foi Maurício Piragino, do Nossa São Paulo. Vamos ao comentário do Airton Goes que acompanha pelo Movimento Nossa São Paulo o trabalho na Câmara Municipal:

A construção de um prédio anexo à Câmara Municipal – assunto que foi levantado pelo representante do Movimento Nossa São Paulo, Maurício Piragino, no final do debate de sábado – tem que ser discutida pela sociedade. Será que os cidadãos concordam com a construção desse novo prédio, que consumirá muito mais que R$ 20 milhões? Esse novo espaço para os vereadores é realmente necessário? É prioridade para a cidade?

Alerta 1: os R$ 20 milhões reservados no orçamento da Câmara Municipal para 2010 são apenas para a fase de projeto e o início da obra, que deve demorar três ou quatro anos.

Alerta 2: depois da construção do anexo virá a contratação de funcionários (isso sempre acontece). A Câmara já tem cerca de 2 mil funcionários, entre concursados e assessores de gabinete. Dezenas deles ganham mais de R$ 25 mil reais.

O exemplo do Senado, que tem 10 mil funcionários para 81 senadores (conforme informações divulgadas pela imprensa que cobre o Congresso), é algo para deixar a sociedade paulistana vigilante em relação ao assunto.

Passagem a R$ 2,70 só em 2010 custou R$ 783 milhões

 

Transporte de ônibus em São Paulo (Foto: Marcos Paulo Dias)

E por falar em comunicação, a nota que recebi da prefeitura de São Paulo explicando o aumento no valor da passagem de ônibus tinha 25 linhas e nove parágrafos para apenas no último anunciar que a o paulistano iria passar a pagar R$ 2,70, a partir de 4 de janeiro de 2010.

O congelamento da tarifa neste ano foi promessa de campanha do prefeito Gilberto Kassab e para que esta fosse cumprida foram repassados para as empresas de ônibus R$ 783 mi – dinheiro que, lógico, saiu do cofre público. Mas isto não está na nota oficial da prefeitura.

Leia a justificativa oficial:


“A Prefeitura da Cidade de São Paulo concluiu, com o apoio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os estudos para definição do novo valor da tarifa de ônibus municipal, após três anos sem reajuste algum.

A partir dos diversos estudos, a Prefeitura optou pela aplicação da alíquota de 17,4%, que corresponde apenas à defasagem provocada pela inflação desde novembro de 2006, quando foi feito o último reajuste.

Nesse período em que a passagem de ônibus permaneceu com o mesmo valor, a Prefeitura e a SMT promoveram uma série de benefícios para os usuários do transporte público.

Renovação de mais da metade da frota, com a substituição de 8.100 ônibus por novos, mais confortáveis, seguros e maiores, o que gerou uma maior oferta de lugares, tornando-se, assim, a mais nova frota da história de São Paulo.

Aumento da frota acessível. Hoje São Paulo conta com 3.675 ônibus acessíveis distribuídos por todas as linhas que circulam na cidade;

Extensão da validade do Bilhete Único de 2 para 3 horas, possibilitando que mesmo aqueles que moram nas áreas mais distantes possam completar a viagem pagando apenas uma tarifa;

Criação do Bilhete Amigão, que permite ao usuário do Bilhete Único fazer quatro viagens de ônibus em até oito horas, aos domingos e feriados.

Na sexta-feira, dia 18 de dezembro de 2009, conforme determina a Lei Orgânica Municipal, o secretário Municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, entregou pessoalmente ao presidente da Câmara Municipal, ofício assinado pelo Prefeito Gilberto Kassab com as informações e planilhas detalhadas.

Com esse reajuste, o valor da passagem passará para R$ 2,70 (dois reais e setenta centavos), a partir do dia 4 de janeiro de 2010, O valor do Bilhete Único que faz integração com o Metrô passará de R$ 3,65 para R$ 4,00”

Não basta governar, tem de parecer e comparecer

 

Kassab no Aliás

Sempre atento ao que sua área de marketing e comunicação indicam, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) errou feio na administração da crise provocada pela enxurrada das últimas semanas. Demorou para reagir no dia do temporal que parou a cidade a ponto de ter aceitado participar de evento de lançamento do torneio internacional de futebol feminino, enquanto milhares de paulistanos eram reféns da falta de estrutura da cidade. Ao falar, já quase ao meio-dia quando boa parte dos moradores havia perdido a terça-feira, tentou negar o que as imagens escandalosamente mostravam na televisão: a cidade vivia um caos.

Dias depois, novo tropeço de comunicação. Abandonou o Jardim Pantanal a sua própria sorte e ao ser cobrado pela sua ausência justificou que havia visitado a área três vezes. De helicóptero. Pior é que olhando lá de cima, avaliou errado ao sugerir uma impossível estratégia de sugar a água que teve de ser cancelada um dia após sugerida.

“Economista e engenheiro, Kassab reagiu de acordo com os parâmetros dessas profissões e com a mentalidade de sua classe social. Ao fazê-lo, expôs o abismo que não raro separa o poder e o povo”

A opinião é do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP José de Souza Martins publicada em artigo no caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, deste domingo.

Martins também compara o comportamento de Kassab com o do presidente Lula que disse querer “tirar o povo da merda”, durante evento em São Luis do Maranhão, tendo sido ovacionado apesar de se valer de expressão pouco apropriada para o discurso do maior mandante do País .

“Kassab se revelou mau ator porque seguiu à risca o roteiro de seu desempenho como prefeito, pois não compreendeu em tempo que o cenário havia sido mudado, dominado agora pelas apreensões e emoções do desastre. Nem sempre os governantes entendem com a rapidez necessária a pauta cambiante do poder para falar e agir de conformidade com a conduta que o momento pede e a única que pode ter sentido naquela circunstância. Lula, por seu lado, revelou-se bom ator, ainda que incorreto na expressão que usou, justamente porque violou o roteiro prescrito para quem governa”.

O prefeito de São Paulo cometeu o mesmo erro de sua antecessora Marta Suplicy (PT) que no último ano de governo, em 2004, estava de férias em Paris, enquanto a cidade encarava mais um dia de enchente. Uma falha de comportamento inexplicável para a administradora que antes era elogiada por suas aparições nos cenários de crise: incêndio em favela, bairro alagado ou deslizamentos de terra.

Apenas para continuarmos em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) também foi cobrado pelo sumiço no combate a crise no Jardim Pantanal atingido pelas águas do Tietê e pela ineficiência da Sabesp. Tinha a desculpa de que estava na Conferência do Clima, em Compenhangen, Dinamarca. Não devemos nos esquecer, porém, que em seu primeiro mês de governo também pecou pela ausência durante o acidente que matou sete pessoas no Metrô, em Pinheiros. Demorou mais de 24 horas para deixar o Palácio dos Bandeirantes e descer até o local da tragédia ali pertinho.

De Feliz Natal

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Feliz Natal” na voz da autora e sonoriado por ela, também

http://www.flickr.com/photos/malugreen

Olá,

Natal é conceito; portanto contraditório, arbitrário, plural. Tem fase que aceito, tem fase que não. Nunca sei como a Festa e eu vamos nos relacionar, até o momento em que a rolha do champanhe se liberta do gargalo da garrafa, ou que sozinha em casa sinto sono e vou dormir. Meu humor não depende do formato da Festa; é o contrário. Coração em Festa dá de mil em champanhe francês.

E é na carona desse pensamento que desejo, do fundo do coração, que este Natal, do formato que tiver o conceito para você, seja reconhecido como mais uma oportunidade de reavaliação da rota da tua vida. Que seja reconhecido como marco; não um marco chato, dogmático, nova era de araque; não um marco de surto consumista e de presente cada vez mais caro, no sentido de custar muito e não de ser realmente caro.

Que seja um marco de reconhecimento; de reencontro de você com você. Um momento de se olhar, antes de olhar no espelho para se arrumar para a Festa, vendo além dos cabelos de menos e das rugas de mais. De um olhar que desvenda mistérios que, prisioneiros dos teus sonhos, estão loucos para se revelarem e serem vividos.

Um olhar que permita que você se veja de verdade. Que reconheça a luz divina que emana de você. Que te faça reconhecer a tua responsabilidade em cada respirar da Vida. Que te faça olhar em volta e reconhecer as marcas e pegadas impressas na Vida, por você.

Desejo a você e desejo a mim.

Desejo aos meus leitores, aos amigos e amores do passado, do presente e do futuro, aos filhos e netos, de ontem, de hoje, de amanhã. Aos que me antecederam na árvore brotada das raízes das famílias que me trouxeram até aqui para que eu também exercesse a oportunidade de manifestar a Vida Divina através da minha pequena centelha de vida humana.

Junto com os meus desejos, quero explicitar a minha gratidão a todos os seres que cruzaram, cruzam e cruzarão os meus caminhos. É o brilho de cada olhar cruzando o meu que me faz perceber a Vida.

Feliz Natal.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Todos os domingos cruza na nossa vida através dos textos publicados no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de São Paulo: O tempo e o Natal

 

Sérgio Bragatte
Ouvinte-internauta

Ouça o texto “O tempo e o Natal” sonorizado por Cláudio Antonio

Natal em decoração (Luis F. Gallo)

Outro dia cheguei a seguinte conclusão: sou um velho. Sou um velho carcomido pelo tempo.

Esta conclusão se deveu em razão de que ainda gosto, e preservo o sentimento de gostar, daquilo que está em desuso hoje: escrever sobre o NATAL.

Distante das agruras de adulto, lembro-me criança, quando ansiava acontecimentos mágicos de modo a mudar a dura realidade de menino da periferia sem escola, sem quadras de futebol, sem água encanada, sem luz, sem asfalto, etc, só a violência era abundante.

Lembro das brincadeiras, onde encarnávamos os super heróis, ora éramos o super-homem, ora éramos o homem-aranha, o homem de ferro, zorro, cisco-kid e assim por diante, sempre sonhávamos o que faríamos com super poderes.

Lembro-me dos amigos crianças, das travessuras, dos maus feitos, das peças pregadas nos mais velhos, dos trabalhos esporádicos, para se conseguir uns trocados, das brigas.

No entanto, sempre foi o NATAL que afugentava os medos da infância pobre e permitiam sonhar e superar aqueles problemas, que imaginávamos serem insuperáveis.

Conta-nos a Bíblia que, tempos atrás, sobre uma cidade do oriente, chamada Belém, reluziu uma estrela quando nasceu um menino chamado Jesus. Vindos da Babilônia, três reis magos, três amigos, a seguiram até chegar a um curral, onde, em uma manjedoura presentearam um menino.

Foi o reencontro da criança com a amizade.

Nessa simbologia, concluímos que é a amizade que nos conduz àquela criança.

Sem dúvida, o Natal impregna a alma de estranha de nostalgia.

Paralelamente ao nefasto consumismo, é o caráter religioso da festa me deixa com saudades de Deus, com saudades de quando estávamos mais perto Dele: quando, exatamente, éramos crianças.
Daí o sentimento de querer acordar na manhã de 25 de dezembro e encontrar, nos sapatos, um símbolo de afeto, o afago à criança que dorme dentro de mim.

“Ora (direis) ouvir estrelas!”, canta o poeta.

São Paulo ao final do século é uma metrópole sem comparação. Temos situações antagônicas sem respostas. Temos o maior centro médico da América latina, ao mesmo tempo em que falta esgoto na periferia.
Temos toda oferta de todo tipo de tecnologia, ao mesmo tempo em que centenas de molhares de pessoas vivem na rua ou moram em favelas.

Produzimos tecnologia de engendrar vida em provetas e possuir olhos eletrônicos que penetram a intimidade da matéria e do universo, sem, no entanto erradicar a fome, a desigualdade e a injustiça.
Nossa cidade nos oferece tudo, exceto o que mais carecemos: um sentido para a vida.

Em São Paulo estamos perdidos numa vida adulta. Por vezes nossos sonhos desaparecem.

Lembro que quando pequeno ficava horas parado diante de uma árvore de natal, que se repetia ano após ano, vendo um luminoso colorido que piscava incessantemente.

Ainda hoje ao ver o piscar de luzes sinto-me remetido àquela infância dos super heróis; como se afagasse a criança dentro de mim, como me conduzisse por um leito seguro até o encontro do salvador.

“E agora, José?”

Agora, cabe a nós mudar o Natal e nós próprios. Procurar a estrela em nossas inquietações mais profundas. Descobrir a presença de ambos os Meninos em nosso coração.

E, como nos conta a Bíblia, ousar renascer em gestos de carinho e justiça, solidariedade e alegria.

Fazer-se presente lá onde reina a ausência: de afeto, de saúde, de liberdade, de direitos.

Dobrar os joelhos junto da manjedoura que abriga tantos excluídos, imagens vivas do Menino de Belém.

Viver o NATAL, não este o do consumo desenfreado, mas aquele das luzes piscando, que marcou o “tempo” de nossa infância, quando tudo podíamos e nada podia contra a gente, afinal éramos os super-heróis.

Que sejamos todos felizes e tenhamos um bom NATAL.

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Envie seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br