A economia mundial entre otimistas e pessimistas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Gostaria de saber de que lado ficou o leitor da Folha no domingo, ao ler as colunas de Carlos Heitor Cony e Elio Gaspari. Ambas abordando a Economia e o futuro do mundo.

 

Em “Um mundo que acabou”, Cony, nas raias do pessimismo, culpa Breton Woods e tudo que veio depois pela má situação econômica internacional. ONU, Banco Mundial, FMI. E concluiu pela piora das condições econômicas e sociais atuais em relação ao passado. Pleiteia novas regras que se adaptem à evolução tecnológica.

 

Em “O homem dos BRIC está otimista”, Elio Gaspari comenta a onda de previsões negativas dos economistas em geral e comemora a ênfase de O’Neil no início do maior processo de transferência jamais ocorrido na história da riqueza dos países, reafirmando ainda que os BRICs terão papel fundamental.

 

O desalento de Cony nem pode ser atribuído, como ele próprio se conceitua, a um teimoso desinformado que apesar das críticas continua se metendo em temas que não lhe é familiar. Afinal de contas, uma série de “notáveis” economistas tem ganhado a vida anunciando tragédias. E todos sabem que a Economia também se faz das expectativas delineadas.

 

Até hoje a “marolinha” de Lula é lembrada sarcasticamente, enquanto efetivamente não foi nenhum “tsunami” como se previa.

 

Elio Gaspari lembra também que Lula ao encontrar O’Neil cumprimentou-o pela sorte do México não soar bem. MRICs é ruim. O B de Brasil foi providencial. Recebeu como resposta que na verdade o futebol brasileiro foi definitivo para ganhar a primeira letra.

 

Brincadeiras à parte, a transferência de capital é uma realidade que vemos interna e externamente. Além disso, houve uma evolução visível. Dentre os avanços ficou claro que não será através do comunismo que se resolverá a questão da transferência de recursos. Ontem na conversa com Mílton Jung a Miriam Leitão reportou que um jornalista de o Globo, Chico de Gois, identificou em Cuba a quota de uma lata de cerveja por fim de semana, o uso da praia exclusivamente para os turistas e outras restrições inacreditáveis para quem vive nestas terras de cá.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Rua Augusta e a Moda

 

Carlos Magno Gibrail

 

 

São Paulo assistiu à plenitude da Rua Augusta nos preparativos para a festa de Natal de 1973. A Lage & Damman, agência dos premiados publicitários Ronie Lage e Hans Damman exibia uma de suas artes ao acarpetar o asfalto para a campanha natalina com a frase: “O nosso visitante é tão ilustre que acarpetamos a rua”. Enquanto saudavam Cristo, personalidades da época eram frequentadores assíduos. Roberto Carlos, Wilson Simonal, Ronie Cord, Wanderléa, Ronie Von e Hervé Cordovil, autor da música “Rua Augusta”.

 

Definitivamente era um shopping center ao ar livre, pelas lojas de marcas famosas de moda, pelos restaurantes e lanchonetes, pelos cinemas e, principalmente, pela gente que circulava. Sem falar no auge dos sábados à noite, na tradicional subida e descida dos carros à procura de companhia, que sempre era recompensada.

 

A Augusta tinha desbancado a Rua Barão de Itapetininga, ícone da moda nas décadas de 50 e parte de 60, que abrigou a Casa Anglo Brasileira, posteriormente Mappin; a Galeria Califórnia projetada por Niemayer, local onde circulavam os astros do cinema nacional como Helio Souto e Aurora Duarte, que gravavam nos estúdios da Vera Cruz; e uma série inigualável de tradicionais lojas de moda.

 

A migração das butiques multimarcas da Barão de Itapetininga para a Rua Augusta, talvez para se aproximar dos moradores dos jardins, ou para centrarem as ofertas de moda em local mais nobre, fortaleceu a imagem da região. Além das lojas, incluindo a Galeria Ouro Fino, tínhamos o Ca’d’Oro primeiro hotel de luxo da cidade, que hospedou reis e presidentes, inclusive com a frequência de Tom Jobim, apreciador de seu restaurante com o especial Bolito servido pelo competente Ático, e a mesa permanentemente reservada aos Ermírio de Moraes; o sorvete de pistache da Bologna; o cine Astor com as imensas poltronas; a lanchonete Longchamps com um choppinho recomendável; o Frevinho com o insuperável beirute; o Flamingo do sorvete com farofa; e o Yara dos chás da tarde. Além de alfaiates e camiseiros dos mais habilitados.

 

A força como centro comercial de moda e de diversão para a classe abastada da cidade era tanta que os lojistas da Augusta não se interessaram pelo pioneiro projeto de Alfredo Mathias, que em 1966 abrira o Shopping Center Iguatemi, o primeiro no Brasil. A tal ponto que de forma pouco sagaz anteviam o insucesso para o empreendimento de Mathias: “Como alguém poderá encontrar prazer em comprar em um caixote fechado?”.

 

Talvez por isto, mas também pela crescente implantação de locais de diversões noturnas de menos qualificação, principalmente na parte mais central, as ruas transversais como a Oscar Freire, a Lorena e a Haddock Lobo começaram a receber novas lojas de moda. Já dentro dos modernos sistemas de monomarcas. Surgiram também as primeiras grifes internacionais.

 

Ao iniciar a década de 80, com a valorização das lojas de marca única e o avanço das marcas internacionais, o Shopping Iguatemi foi roubando o status da Rua Augusta. A excelência em Moda ganhava um novo endereço. O Iguatemi passava a receber a atenção da classe A de São Paulo, do Brasil e de todo o mundo. Hoje, boa parte dos grandes nomes da Moda está presente no Iguatemi, que embora no topo, divide as honras com a Rua Oscar Freire, o Shopping Cidade Jardim, e já esteve em ferrenha disputa com a Daslu.

 

À Rua Augusta resta esperar uma recuperação que São Paulo com toda sua pujança econômica ainda não viu. A cidade consegue reavivar o Mercado Municipal, a estação Sorocabana, a estação da Luz, mas quando depende da ação geral descarta o antigo e parte para o novo.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas, no Blog do Mílton Jung

 

A coragem de Eike

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Eike Batista, mineiro de nascimento, carioca por opção, rico por determinação. É definitivamente um brasileiro raro. Não por ser milionário, mas por ser e parecer ser.

 

Desde o Império, na figura do Barão de Mauá, a história do Brasil jamais apresentou cidadão equivalente em fortuna e desenvoltura em alardeá-la. De D. Pedro II à presidenta Dilma, a primeira explicação para justificar a inibição dos ricos em parecer como tal foi a predominância do catolicismo em nosso país em detrimento do protestantismo. A ponto da Veja desta semana, que estampa na capa a foto de Eike, apresentasse a origem da palavra latina que pode significar empobrecimento ou enriquecimento. “Lucrum” como “logro” para o Catolicismo e “profecius” como “progresso” para o Protestantismo, do estudo desenvolvido pelo respeitado sociólogo alemão Max Weber.

 

Em 2010, o embate da TV Record com Eike não endossa esta tese. Outra explicação pode estar no medo dos ricos em se tornar alvo de bandidos ou de autoridades fiscais ou policiais. Como sabemos, as investigações que as empresas de Eike absorveram da Polícia Federal, sob a alcunha de “Toque de Midas”, segundo a revista Carta Capital, redundaram nos dias subsequentes numa perda de valor em bolsa de 5,3 bilhões de reais. Montante significativo, até mesmo para quem possui a fortuna pessoal avaliada em 50 bilhões de reais, ou aproximadamente 30 bilhões de dólares.

 

Ainda assim, Eike, depois de ter antecipado a sua liderança no ranking brasileiro das revistas especializadas em economia, arrisca-se novamente. Seu prognóstico agora é que até 2015 deverá ser o homem mais rico do mundo. Pelas notícias de ontem sobre o comunicado à Comissão de Valores Mobiliários da BOVESPA pela OGX, empresa 100% dele, foi encontrado petróleo a 102 km da costa fluminense com profundidade de 155m com estimativa de até 3 bilhões de barris. Uma “benção” não despercebida pela cotação das ações da companhia, que teve alta de 5,3% no dia. Parece que independente da cor, branca, dourada ou negra, está endossando o “Toque de Midas”, transforma tudo em ouro.

 

Eike, 43 anos, é um currículo e tanto para uma extensa e independente biografia. Enquanto a lei não permite, é aconselhável ler a autobiografia recém-lançada. Vale a pena confirmar algumas premissas, tais como recordar que a função de vendas é primordial, assim como fazer o que gosta nem sempre é o possível. Portanto o melhor é atuar no possível. Com prazer.

 

Se Irineu Evangelista de Souza , o Barão de Mauá, não conseguiu segurar o séquito de D.Pedro II, batendo de frente com os escravagistas, Eike Batista, talvez melhor vendedor, ficou amigo do rei e tornou-se o maior doador de Lula. Faz parte.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Lentes e vozes da mídia

 

Por Carlos Magno Gibrail

Na segunda feira, o ministro da saúde Alexandre Padilha respondeu ao Mílton Jung, que na reunião preparatória ao encontro com a presidenta Dilma sobre as últimas enchentes, realizada domingo das 18hs às 21hs, em nenhum momento se falou de Bezerra.

Ora, mais fácil e mais inteligente era ter respondido que não poderia entrar no assunto. Mas a sinceridade não tem sido muito usada. Por ausência de inteligência ou por desconsideração com ouvintes e eleitores.

A verdade é que a escola de Maluf está ultrapassada. Aquela velha técnica de ignorar as perguntas que não interessam. Grosseria e tanta. Todavia, menos maniqueísta e simulada do que o modelo de Kassab. O alcaide responde com avaliação que pode levar incautos à loucura, dando nota máxima para erros que considera acertos.

Tudo indica que será uma tendência. O ministro do interior, o pernambucano Fernando Bezerra, já a adotou. Acusado pelo Ministério Público de proteger seu nicho eleitoral levando 80% das verbas nacionais e também praticado fisiologismo, está negando tudo. Ao mesmo tempo em que avalia sua administração como de alta performance.

É uma nova escola política cujo antídoto não será a melhora da economia e nem da educação nacional, mas da ética e do controle pela mídia, com lentes e microfones. É o que nos diz o premiado jornalista Nicholas Kristof do New York Times, sobre os fatos políticos da maior economia do mundo e uma das nações mais bem formadas.

E Kristof desabafa: “Nós jornalistas, às vezes saímos de uma entrevista coletiva de um político sentindo a necessidade urgente de um banho”.

Enquanto Congressistas e demais figuras políticas não fazem nada produtivo, estudantes e astros de Hollywood têm dado exemplos de maturidade e conexão com problemas sociais globais da mais alta significância.

Angelina Jolie dirigiu e está apresentando um filme sobre as atrocidades na Bósnia. Bem Afleck é hoje um especialista sobre o Congo. George Clooney tem seguido o caminho de Darfur no Sudão assim como Mia Farrow tem feito viagens no deserto para atender e entender os aflitos da região.

Entretanto, as lentes e as vozes da mídia norte americana, segundo Kristof, tem preferido dar espaço a republicanos e democratas se acusarem diante de espectadores e ouvintes. Afinal sai mais barato e talvez dê mais audiência, do que cobrir as exemplares atividades dos astros. Quando não fazem pior, ao darem mais destaque a separação de George Clooney do que às suas proezas assistenciais.

Como vemos, lá como cá, a solução está nos leitores e eleitores, que através da mídia poderão pressionar a ética necessária.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

BRICs: é hora de comemorar

 

Em frente e avante: líderes dos Brics já com a adesão da África do Sul

Por Carlos Magno Gibrail

Estamos diante de um início de ano pródigo em pautas jornalísticas: irresponsabilidade da Prefeitura de Guarulhos ao autorizar inauguração de novo templo às margens nada plácidas da via Dutra no dia primeiro. Voracidade da mídia social no gozo do câncer de Lula e no destempero de Luana Pirovani e Elio Gaspari cobrando o atendimento no SUS para o ex-presidente. A cara de pau de Kassab ao dar nota máxima à implosão fracassada do Moinho Central. O escancaramento da parcialidade pelo novo presidente do TJ de São Paulo, Ivan Sartori, ao defender os dois meses de férias exclusivamente para a magistratura. A priorização da mídia em geral da perspectiva à retrospectiva, diferentemente de anos anteriores. Tendência que escolho para abordar o futuro dos BRICs, de acordo com a maior autoridade no assunto. O seu criador, Jim O’Neil.

O’Neil, presidente da gestora de recursos do Goldman Sachs, em 30 de novembro de 2002 criou o termo BRICs para representar uma expansão que previa para o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, estimada em 14% do PIB global, e constatada agora em 19%. Passaram de US$3 trilhões para US$13 trilhões. Projetou a China igualando a Alemanha, mas a China dobrou e é a segunda do mundo. O Brasil poderia superar a Itália, mas alcançou-a e passou a Grã Bretanha, e é a sexta.

Entusiasmado com o acerto do sucesso imaginado e concretizado a mais, escreveu sobre os próximos anos. E o próprio O’Neil em artigo para o Estado de domingo ressalta alguns pontos de seu livro The Growth Map (O Mapa do Crescimento). Os BRICs com 8% de aumento do PIB contribuíram nestes últimos 10 anos para o crescimento global de 3,5%, pois os países desenvolvidos tiveram apenas 1,5%. Nesta nova década, os BRICs terão crescimento de 7% contra 5% dos demais países. Este mercado em desenvolvimento será importante também para os desenvolvidos, e marcas fortes internacionais como Louis Vuitton e BMW já se aperceberam desta oportunidade. Muitas outras deverão seguir o mesmo caminho.

Na área financeira poderá haver maior participação dos BRICs na movimentação e na decisão, o que trará mudanças no sistema global. Com inclusão de moedas e recursos destes países. É bom lembrar que até 2015 os BRICs terão um PIB igual ao dos Estados Unidos, a maior economia do mundo. O Brasil, como se sabe, já passou de devedor do FMI a credor.

Caberá também ao Brasil uma posição confortável, principalmente nas commodities, pois o aumento de preços propiciará desenvolvimento na inovação tecnológica, tornando sua produção mais eficiente e evitando providencialmente uma pressão sobre os até então abundantes recursos naturais.

Desejamos que Jim O’Neil mais uma vez acerte. E não precisa repetir a goleada, basta vitória simples.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Brasil: bom na produção, mau na distribuição

 

Por Carlos Magno Gibrail

Dim Dim!

Vaidade e humildade são tudo que precisamos neste momento em que passamos a ocupar a sexta posição no ranking mundial do PIB. Estar atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França na produção de riquezas é tão importante quanto ter preenchido o lugar do Reino Unido – potência econômica e política mundial que liderou globalmente de 1820 até a primeira Grande Guerra, quando apresentava um PIB 12,4 vezes o brasileiro.

Previsto inicialmente pela EIU Economist Intelligence Unit da revista The Economist e pelo CEBR Centre for Economics and Business de Douglas Mc Williams, o avanço nacional foi ratificado pelo FMI ao informar que o PIB do Brasil atingirá US$ 2,51 trilhões e o britânico US$ 2,48 trilhões.

É um feito inédito que merece ser olhado como tal. O fato da concentração de renda fica mais visível e mais premente à solução. Se levamos 92 anos para tirar uma diferença de mais de 12 vezes, vamos certamente precisar de tempo menor para empatar uma distância de 3,2 vezes. É o que indica os US$ 39 500 de PIB per capita britânico contra US$ 12 500 de PIB per capita brasileiro. Como o aumento per capita não garante a distribuição mais humana, vamos precisar encarar a tarefa com humildade e determinação.

Corrupção, corporativismo, incompetência administrativa, terão que ser combatidas com educação, saúde, habitação. É hora de agir, mesmo porque o ano de 2015 está aí e o FMI sinaliza que até lá seremos a quinta potência econômica do mundo. 2011 fica na história do nosso país quando a economia ocupa o lugar do futebol, ainda que não percebida por Douglas Mc Williams, o CEO do CERB. Ele ainda nos vê derrotando os europeus.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung


A imagem deste post é da Galeria de CRLSE (Carlos Eduardo), no Flickr

Sorte que Steve Jobs não era brasileiro

 

Por Carlos Magno Gibrail

Se fosse, provavelmente o mundo não teria conhecimento da vida e obra de Jobs através do meio mais convencional e didático. Sua biografia. Através das lentes mais diversas. Até mesmo das adversas, o que para a cultura geral democrática é bem recomendável.

O cantor Roberto Carlos e a família de Mané Garrincha são brasileiros e, portanto, corremos um risco enorme de não deixarem à posteridade os feitos e os fatos relevantes de ambas as trajetórias. Que poderiam servir para futuras gerações como estímulo, alerta e cultura efetiva, mas a lei está beneficiando o poder destas e demais personalidades nacionais.

Se não houver mudança na lei e nem na interpretação dos juízes, a biografia total do “Rei” e do “Mané” não ficará para a história. E as riquezas de todas as demais biografias também estarão fora da pauta das principais editoras nacionais.

O Código Civil diz que sem autorização de herdeiros ou biografados a publicação de informações ou imagens pode ser proibida se “atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade de retratados”.

É uma anomalia, e para não ir longe podemos imaginar a biografia da Sra. Roriz excluindo a parte quando, ao vivo e a cores, recebia propina.

Felizmente dia 7 foi aprovado na Comissão de Educação e Cultura o projeto de lei de Newton Lima (PT-SP) para mudar esta parte do Código Civil, e ao texto foram agrupados dois projetos semelhantes e encaminhado a CCJ Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado, seguirá para o Senado.

A boa notícia não para aí, pois o SNEL Sindicato Nacional dos editores de livros está constituindo uma associação para levar ao STF esta disputa, pois anteriormente um “drible já na prorrogação” barrou proposta semelhante na CCJ.

As editoras farão uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o artigo 20 do Código com o argumento do conflito com a liberdade de expressão contida na Constituição.

Para Roberto Feith, presidente da SNEL, o artigo é um “acidente”. “Estavam preocupados em preservar a privacidade do cidadão comum, mas esqueceram de que esse mesmo texto poderia ser aplicado a grandes figuras da vida nacional.”

Como vemos, os poderosos e famosos sempre levam vantagem, até mesmo quando se intenciona proteger os cidadãos anônimos. Esperamos que a lei e sua correta aplicação destravem este bloqueio. A história não pode ficar só com estórias.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung
 

Os salários da Justiça

 

Por Carlos Magno Gibrail

Foto P&B de Brasília

Desembargadores usam vantagens agregadas aos rendimentos oficiais e chegam a ganhar mais de cem mil reais em determinados meses. É o que estampa em matéria de capa no domingo o Estado. Informa ainda, que juízes “driblam” o teto salarial e passam a usufruir salários de cinquenta mil reais. E, embora exigido pelo CNJ, alguns TJs não revelam os ganhos totais dos magistrados.

Num contexto em que o Executivo se vê obrigado a uma “faxina” para expulsar ministros consultores ou distraídos que confundem o público com o privado; o Legislativo absolve corruptos por calendário, aceita lobbies duvidosos, bem como legisla em causa própria; o Judiciário, teoricamente, seria a última trincheira para julgar e condenar atos contra a Nação. Principalmente agora que a liberdade de imprensa e expressão tem permitido inclusive desmascarar a infiltração do crime no poder de polícia de alguns estados.

Este cenário de busca de fortuna a qualquer preço, por parte de ocupantes de funções de poder, é tão mais desalentador quanto identificamos que bastaria controlá-los como se faz com a população.

O cidadão comum assalariado paga imposto de renda, água, luz, energia, plano de saúde, pois se não o fizer fica automaticamente na malha fina no caso do IR, ou sem os serviços essenciais para o dia a dia. Além disso, precisa ficar atento para os pagamentos de impostos veiculares, a ponto de ficar sem o carro no meio da estrada.

Se não pagar pensão alimentícia, mesmo que não tenha recurso e a ex esteja bem alimentada e casada novamente, vai para a cadeia.
Tendo a infelicidade de alguma dívida com Banco e afins, o juiz entra em sua conta bancária sem avisar e bloqueia todo o dinheiro depositado.

Qualquer restrição ao crédito pessoal proíbe o cidadão de fazer seguro. Pois o lobby das seguradoras conseguiu que o nome “sujo” seja considerado bandido. E, como tal, potencial suspeito de, por exemplo, por fogo no carro para receber o seguro.

O que há em comum nesta disparidade de tratamento é o poder corporativista e a força das grandes corporações. Alguns juízes, parlamentares, executivos, estão voltados para si e somente para si. A receita é deles, a despesa é nossa.

Somos todos iguais perante a lei?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A imagem deste post é do álbum digital de Thiago Martins, no Flickr

SOS Casas

 

Por Carlos Magno Gibrail

Há cem anos, a Cia. City iniciava um novo conceito urbanístico para as cidades de Londres e São Paulo: “Harmonizar o urbano com o humano”. Era a ideia da cidade jardim, onde o homem pudesse viver em residências construídas em ruas exclusivas, que limitassem pelo seu traçado o tráfego de veículos. Assim surgiu, vigoroso e formoso, o Jardim América na capital paulista. Pacaembu, Alto de Pinheiros e, posteriormente, Morumbi receberam o mesmo tratamento urbanístico.

Primeiro o automóvel, o inimigo aparente, depois o crime inimigo transparente e, agora, a especulação imobiliária, inimiga camuflada, são as grandes ameaças ao protótipo original. A novidade mais recente: o apoio da mídia. Talvez até com lobby e patrocínio das construtoras e imobiliárias paulistanas.

A revista Veja São Paulo do dia 30 não se fez de rogada e com a manchete “Duro de vender” utilizou duas páginas a dedurar com fotos algumas residências “invendáveis”. Uma delas há dez anos à venda. A segurança é um dos fatores determinantes alegados pela reportagem. O Estadão de domingo não deixou por menos e atacou de caderno imobiliário: “Preço de casa de alto padrão despenca”. Alegando que o alto custo de manutenção e as ondas de assaltos são as causas da queda.

Entretanto, toda esta cantoria está mais para o fator COPA 14 do que para uma abordagem policial.

De um lado, o aspecto da segurança é efetivamente crescente. Porém não é exclusivo de casas em bairros residenciais. Edifícios e condomínios horizontais apresentam conhecidas vulnerabilidades.

De outro lado, é visível a carência de áreas na capital para novos empreendimentos verticais ou mesmo horizontais. Os tão “populares” condomínios de luxo. Galinha dos ovos de ouro dos construtores da cidade.

Igualmente, o cidadão urbano atual, tende a se enclausurar cada vez mais em condomínios e abdicar do “urbano humano” preconizado pelos ingleses da Cia. City.

A continuar nesta tendência, São Paulo abdicará da ultima área verde, mantida pela região residencial. Com o apoio das incorporadoras, do governo, da população cada vez mais urbana e menos humana. E com o meu protesto. Aqui e agora.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Mulheres que compram

 

Por Carlos Magno Gibrail

Na sexta-feira, o varejo norte-americano mudou os rumos da economia mundial, ao apresentar movimentação altamente positiva na tradicional promoção “Black Friday”. Quando após o dia de Ação de Graças apresenta descontos significativos.

Esta é uma medida vital para as previsões econômicas, refletindo o papel importante do sistema comercial no contexto global.
Ao observador atento cabe lembrar a personagem que aciona este mecanismo de compra. A mulher. Compradora absoluta deve ser permanentemente ouvida sobre seus desejos.

Das pesquisas qualitativas de mercado*, que encomendei à OUT OF THE BOX, sobre o comportamento de compras das mulheres, das quais desenhei estratégias e reconsiderei conceitos, destaco alguns ensinamentos:

– Todas admitem que tem seu “dia de perua”, embora reprovem em princípio: “Tem dias que eu penso assim: hoje eu vou de perua! Por exemplo, eu tenho um par de sapatos cheio de coisas, que eu gosto muito de usar, mas não uso com uma roupa emperiquitada, e sim com uma roupa básica – uma perua básica!”

– Produtos precisam sempre levar em conta o “feminino”. “A executiva não é muito inspiradora, não “anima” muito, as mulheres não tem muito que falar dela”.

– A roupa é o produto mais importante para a mulher. “A primeira coisa que penso quando acordo é na roupa que eu vou vestir”. “Por melhor que tenha sido à noite”.

– O brinco é a peça essencial. “A peça mais importante é o brinco”. “Já esqueci a calcinha e não voltei para colocá-la, mas com o brinco já voltei”.

– O aspiracional é o produto a ser vendido. “A mulher atual não quer comprar o “uniforme” da profissional, ela quer a roupa que se identifica com o aspiracional da mulher bonita, bem cuidada, bem resolvida de nossos dias”.

Neste universo, destaco a hegemonia da moda do vestuário. A inovação dos produtos regida pela natureza – primavera, verão, outono, inverno – sabiamente apreendida pelas roupas, é o grande diferencial. Atingirá certamente os demais produtos de consumo. Já acostumados à velocidade de Steve Jobs, teremos que nos adaptar a dinâmica das tendências de moda. Para a felicidade geral das mulheres que compram. Que tal automóveis de verão e de inverno para acompanhar os últimos lançamentos do SPFW (São Paulo Fashion Week)?

Bem, para quem quiser discutir pessoalmente sobre este tema, estarei abrindo o Seminário FASHION LAW em São Paulo dia 8, falando mais um pouco em Moda.

*Pesquisa realizada na cidade de São Paulo através de 1 Discussão em Grupo, junto a mulheres de classe A1/A2, na faixa dos 30/55 anos. E, através de 2 Grupos de Discussão de mulheres classe A/B, entre 25 e 45 anos.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung