Presos usam "Super Mário" pra transportar celular

 

Pipa do Super Mário

 

Dia desses contei aqui no Blog sobre a tentativa de presos usarem pombas para transportar telefone celular e droga, hoje soube pela assessoria de comunicação da Secretaria de Assuntos Penitenciários de São Paulo que foi descoberta outra estratégia. Uma pipa com a imagem do Super Mário, herói dos videogames, de aproximadamente 90cm X 85cm, foi apreendida com telefone celular desmontado, bateria e carregador colados. Os agentes penitenciários desconfiam que crianças que estavam do lado externo tenha sido usadas para soltar a pipa que foi encontrada nos fundos do Centro de Progressão Penitenciária de Hortolândia, no interior paulista.

Uma obra “grávida de pintura”

 

Por Julio Tannus

 

Tenho me referido aqui a questões institucionais, políticas, sociais e artísticas. E também a vivências pessoais. Não poderia deixar de me referir ao trabalho artístico da Camila.

 

 

Gianni Nappa, crítico italiano, assim escreveu sobre o trabalho de Camila Tannus, para uma exposição na cidade de Roma/Itália:

L’emotivo segno di un ricordo filtrato dal tempo si evidenzia in forma reale come segni di una natura incontaminata, una pittura istintiva che segue l’eco di un sogno evocativo e pieno di suggestioni. Essenza cromatica espressa per toni e colori primordiali con labili segni di una vita tutta da ricostruire, rifondare su basi più pure, non aggredite da un reale sconosciuto. La natura e il sogno di una pittrice che richiama a se le forze di una purezza formale che sappia dialogare con la purezza dei cuori.

Tradução livre:

O emotivo aceno de uma lembrança filtrada pelo tempo se evidencia como sinal de uma natureza não contaminada, uma pintura instintiva que segue o eco de um sonho evocativo e pleno de sugestões. Essência cromática expressa por tons e cores primordiais com delicados sinais de uma vida toda a reconstruir, refundar sobre bases mais puras, não agredidas por um real desconhecido. A natureza e o sonho de uma pintora que reclama a si as forças de uma pureza formal que saiba dialogar com a pureza dos corações.

 

João Frayze, membro da Associação Brasileira de Críticos da Arte (ABCA) e da Association Internationale des Critiques d’Art (AICA), assim se refere a ela:

 

Camila Tannus é uma pintora talentosa. No contexto da arte contemporânea, sua produção pode ser vista como bastante corajosa, sobretudo se pensarmos que na arte dessas últimas décadas tem se tornado um lugar comum trabalhos que tematizam questões relacionadas ao feio e à morte.

 

Bastaria lembrar que a noção psicanalítica de trauma, segundo alguns críticos influentes, tornou-se significativa para interpretar tal tendência artística contemporânea que apresenta ao espectador objetos não-simbolizados, imagens que envolvem violência e abjeção.

 

Nas quatro últimas décadas do século XX, com efeito, pode-se verificar que o imaginário artístico exacerbou essa tendência cruel para denunciar as formas sinistras da finitude humana.

 

Representariam tais manifestações um indicativo da perda do sentido do belo numa época desesperada em que a existência humana tornou-se cada vez mais marcada pelo horror?

 

Essa é uma interpretação possível. No entanto, é bom lembrar que, desde o segundo pós-guerra, alguns artistas circulam pelo mundo, trabalhando plasticamente também em outras direções.

 

A pintura de Camila Tannus situa-se, precisamente, no campo contrário ao dessa tendência mortífera.

 

São construções plásticas que emocionam a visão, mas que, ao mesmo tempo, encantam o pensamento e transmitem certa inquietação.

 


Para conhecer o trabalho da artista, visite o site de Camilla Tannus


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung.

De meditação

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

Você medita? Não sou meditante modelo, mas tenho experiência na Meditação Transcendental para afirmar que se meditasse duas vezes por dia, como recomendado, metade dos meus problemas estourariam feito bolhas de sabão; aquela metade que contem ansiedade, enfermidade, medo, criticismo, e outros venenos. Então por que não medito regularmente para me livrar do que me traz rugas mais profundas, olheiras mais escuras, taquicardia, urubus no plexo solar… Pelo mesmo motivo que tomava refrigerante mais do que devia, que como chocolate muito mais do que devo, que ainda me sento torta no sofá, com o iPad no colo e a cabeça enterrada no peito. Pelo mesmo motivo que ainda penso negativo durante mais tempo do que devia, que me irritava no trânsito, que ainda sou escrava de alguns apegos, que estudo menos do que gostaria, que sou muito menos tolerante do que um dia pretendo ser, que sou uma pessoa pior do que aqueles que me rodeiam gostariam que eu fosse.

 

Auto-sabotagem.

 

Tem fases em que consigo meditar livre e mansamente, mas preciso confessar que essa disposição não tem feito parte do meu dia a dia, há tempo. Ou não medito ou, se medito, não consigo ficar quieta por muito tempo. O pé cheio de manha não para quieto, e a cabeça enreda enredos mascarados de realidade. É quando mais preciso, eu sei. E daí? A gente sabe coisa demais e põe em prática coisa de menos. Medida certa? Como boa anarquista de coração, acredito que a medida certa seja diferente para cada um. Somos perto de sete bilhões de pessoas sobre a face da terra e, portanto, o mesmo número de receitas diferentes. Todos feitos dos mesmos ingredientes, com dosagem diferente. Se você tem noção do que se faz numa cozinha além de abrir a geladeira, entende o que quero dizer. Tem receita que não aceita um ingrediente, que cai feito luva em outra.

 

E isso me leva a pensar no equilíbrio que a gente persegue, tentando dosar a vida que leva, minuto a minuto. Sem trégua. Pois hoje, na minha sentada para meditar, no processo de acalmar a mente, enquanto ela dava guinadas circenses e derrapava nas curvas de meus neurônios neuróticos, percebi o peso do meu corpo no assento do sofá. Aqui está o exemplo de equilíbrio perfeito, pensei. Meu corpo não exerce pressão maior do que meu peso, sentada assim feito índio fumando cachimbo, sem tentar um braço de ferro (se bem que a expressão não se encaixe nesse caso) com o assento do sofá que também faz o que pode. Me suporta. Equilíbrio e respeito. Cada um na sua. Ah, sonho…

 

E vinte minutos depois, sem tirar nem pôr, abri os olhos e tinha meditado como fazia tempo que não conseguia.

 

A meditação não é ensinada na escola porque não paga imposto, não cobra dízimo e não dá lucro para comando de laia nenhuma.

 

A meditação, ao menos a minha, não tem sido praticada antes do dia começar com a abertura da agenda, porque o caos é o regente da vez e, portanto, tudo o que traz paz deve ser eliminado e, se isso não for possível, ao menos coberto com o véu do ridículo. Assim que eu, ridiculamente, continuo buscando paz, útero gerador de equilíbrio e cidadania. Faço parte, com muita honra, da tribo dos loucos, dissidentes do caos.

 

Para você, paz durante a semana que começa, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Presos usam pombas para receber celular e droga

A imaginação não tem limites. Presos e visitantes foram flagrados tentando usar pombos para transportar droga e celulares para dentro da prisão, durante o feriado de Páscoa. A descoberta foi feita por agentes do Centro de Detenção Penitenciária de Mauá, região metropolitana de São Paulo, após receberem informações de como funcionaria a estratégia. Os pombos, com pequenas bolsas adaptadas para transportar drogas e celulares, seriam levados para a área externa pelos visitantes; do lado de fora, os produtos seriam colocados na bolsa e, em seguida, as pombas seriam soltas, devendo voar de volta ao local de origem. No dia 29, uma pomba-teste foi vista pelos guardas pousando em uma das ventanas de ventilação das celas de inclusão. Na bolsa que carregava havia restos de papel alumínio que simulavam em tamanho e peso aparelhos de celular. Nos dias seguintes, foram encontrados de posse de visitantes dois pombos que seriam usados para o transporte. As informações são da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.

Reminiscências – De minha mãe

 

Por Julio Tannus

 

… Aos 94 anos de idade:

 

Comecei a vida estudando e acabei estudando para viver.
Aquele que não sabe que não sabe: é um tolo, evita-o. Aquele que não sabe e sabe que não sabe é simples: ensina-lhe. Aquele que sabe e não sabe que sabe: está dormindo, acorda-o. Aquele que sabe e sabe que sabe: é sóbrio, segue-o.

 

Somos todos estudantes na escola da vida.

 

O sorriso custa menos que a eletricidade e dá mais luz.

 

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas deve ser vivida olhando-se para frente.

 

A vida é como uma bicicleta, você cai se parar de pedalar.

 

Se você quiser algum lugar ao sol, precisa saber enfrentar algumas queimaduras.

 

Quem sabe muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe.

 

Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fossemos de ferro.

 

Quem viaja na garupa não dirige a rédea.

 

Agir sem pensar é como atirar sem fazer pontaria.

 

Colha a alegria de agora para a saudade futura.

 

Hino à Paraty:
Paraty quanta saudade.
Paraíso a beira-mar.
Permita Deus que eu não morra, sem para lá eu voltar.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

A burocracia da nova lei das domésticas

 

Fumar é perigoso

 

De volta às novas regras para as domésticas, que serão promulgadas nessa terça-feira, pelo Congresso Nacional. Recebi mensagem do advogado e contador Valmir Jerônimo dos Santos, na qual demonstra preocupação em relação a burocracia gerada pela proposta de emenda constitucional aprovada por deputados e senadores. Reproduzo a seguir a mensagem com algumas das sugestões que faz para que a relação patrão e empregado doméstico seja a mais saudável e produtiva possível:

 


Estou muito feliz pela conquista da categoria, pois, agora as nossas domésticas (os) do Brasil possuem os mesmos Direitos dos demais trabalhadores. Afinal de contas qual a diferença nos serviços realizados? A resposta é: nenhuma diferença. Praticam horário determinado, subordinação, remuneração, dedicação a sua atividade como qualquer outro trabalhador, portanto, chegou tarde o reconhecimento para essa grande classe de trabalhadoras e trabalhadores. Quando faço referência no texto ao masculino, é porque existem várias atividades exercidas por homens, e, assim, sendo considerados empregados domésticos, os quais foram beneficiados também pela Lei.

 



Mas uma questão importante e que está passando despercebida pela mídia em geral, é o fato que antes de aprovar esta medida, o governo precisa pensar em propostas para desburocratizar a forma com que os benefícios serão tratados pelos empregadores. Pois bem, dar garantias como Seguro-Desemprego, Multa do FGTS, etc, no atual sistema, quer dizer que o empregador doméstico, que pode ser uma Dona de Casa da classe média, terá que ter conhecimentos técnicos para elaboração da GFIP, RAIS, compensação de GPS, possuir certificado digital (e-CPF), etc, ou seja, quase impossível de se fazer.

 



Claro que na minha condição de contador, admito que será vantajoso para os profissionais, porque os empregadores terão que nos contratar para fazermos este trabalho, ou seja, fazer a folha de pagamentos de domésticos. Isso significa mais um custo extra que não está sendo computado no resultado final da lei, acredito ser um reflexo negativo que pode gerar um aumento da informalidade para a classe.



 

Um grande abraço.

 




Valmir  Jerônimo  dos Santos


 


Sobre a nova lei:

Governo desonera empregador empesarial e onera, domiciliar

Novas regras, novas músicas para as domésticas

De caminho

 

Por Maria Lucia Solla

Hoje assisti a Colegas. Quinta-feira à tarde, cinema e Shopping praticamente vazios, boa companhia, bom chocolate, a receita ideal para eu ir ao cinema hoje em dia. Já fui rato de cinemateca quando ainda era no centro da cidade, se não me engano, na 7 de abril, Não tinha tempo ruim que me segurasse em casa, nem esperava ter companhia. Ia atrás da Nouvelle Vague, Godard, Fellini e outros gênios da Nova Onda, arte contestadora e transgressora.

 

Hoje quase não há mais o que transgredir. A minha geração alcançou vitória na maioria de seus anseios. Lutamos bravamente, encaramos preconceito de homens que não gostavam nem um pouco que ‘suas’ mulheres se relacionassem com uma divorciada, e havia mulheres que simplesmente se esqueciam de convidar a divorciada para as festas em que os maridos estivessem presentes. Almoçavam com a divorciada, mas a mantinham a distância segura. Usamos mini-saia, fumamos, bebemos, fomos à luta quando foi preciso manter a família.

 

Tinha luta, eu estava envolvida a meu modo, mas hoje, quando finalmente aceitei que não sou imortal, que não posso tudo, que luto diariamente para poder conviver comigo mesma, dentro de mim, em momentos favoráveis ou não, continuo, percebendo a urgência em entendermos a mensagem do filme Colegas. Cada um do seu jeito, que é só como se pode ser.

 

De todo modo, qualquer caminho na vida passa pelo esvaziar-se, cada um no seu ritmo, e deixar-se completar cada vez em novo formato, com diferente capacidade de percepção do que realmente é a vida e de como somos diferentes entre diferentes. Todos. Ou será que você pensa que só os outros são diferentes.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Moda masculina para o verão 2013/14

 

Por Dora Estevam
Instagramm e twiteer: @DORAESTEVAM

 

A moda brasileira que será entregue nas lojas em setembro, moda Verão 2013/14, acaba de ser lançada para a imprensa especializada e compradores. As coleções foram apresentadas (algumas) no São Paulo Fashion Week. Apesar de haver muitas marcas para as mulheres, hoje vou me dedicar à moda masculina. Vamos ver o que os estilistas prepararam para vestir os homens na próxima temporada.

Começando com o estilista Lino Villaventura. A coleção foi inspirada no acervo mental e ele buscou imagens guardadas na memória dentro de um pensamento próprio. Uma espécie de viagem ao imaginário. Me entende? Quer viajar junto com ele? Então, aprecie o painel de fotos abaixo ou assista aqui ao vídeo com imagens que revelam o desfile inteiro.

O proximo destaque é da Cavalera que trouxe a soul music para a passarela. Veja nas fotos e no vídeo a postura da marca diante da sociedade. A história que eles contam e a causa que eles defendem, tudo através do comportamento da moda, arte e música. Vá lá! Ou veja aqui.

Agora vamos para uma outra estação, a da Ellus. Muito conhecida por suas calças, jaquetas e saias jeans, a marca vem acrescentando detalhes a cada estação. Nesta por exemplo, a inspiração é uma viagem de moto pela Índia. Para dar esta cara e cor do Oriente foram usados os tecidos chamoix, seda metalizada, organza metalizada, denim, couro perfurado, cetim, algodão com testura de ráfia. Lembrando que estes materiais foram usados nas coleções masculinas e femininas. Já pensou em uma viajem de moto pela Índia? Bom, a marca contratou a top Lindsey Wixson para abrir o desfile, o styling carregou nas estampas e nos acessórios. Vamos lá, desperte o seu espírito aventureiro e acompanhe o desfile aqui em vídeo ou nas fotos abaixo.

Saindo dos “exageros”, vamos ver o que o estilista João Pimenta preparou para o cliente da marca, e para os novos, também, é claro. Normalmente, João apresenta grandes shows e uma moda para poucos com os seus exageros nas produções e silhuetas, mas, desta vez, a voz da consciência o alertou e ele resolveu fazer uma coleção “normal” para homens “normais”. A tradução é que tanto o cliente da marca quanto os novatos vão poder ir ao escritório vestidos de João Pimenta sem se sentirem estranhos, fora do normal. A moda mais comercial você vê agora em vídeo ou nas fotos, como preferir.

A coleção da Osklen é uma verdadeira festa. A inspiração no design das pedras preciosas e semipreciosas, nas lapidações e cores das pedras. Os materiais sustentáveis: seda, couro e algodão. Verde, laranja, azul e vermelho, cores que saíram das pedras preciosas. Uma coleção para se apreciar e usar. “O Rio vai viver agora um período longo de festas. Eu acho um luxo viver no Rio de Janeiro nesse equilíbrio do sofisticado com o despojado, mas como são as nossas festas, como é a maneira de se vestir? O que é esse luxo do Rio?”, pergunta Oskar. Divirta-se e se inspire no luxo tropical da marca nas fotos ou no vídeo que mostra o desfile completo.

Bem, queridos e queridas leitoras, por hoje é isso. Uma boa Páscoa e até a próxima semana.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung.

Brasil, meu Brasil brasileiro

 

Por Julio Tannus

 

Nada como um artista para expressar nossa realidade.

 

 

De qualquer forma, como diz Sylvia, aos 94 anos de idade:
Tudo muda tudo passa
Neste mundo de ilusão
Vai para o céu a fumaça
Fica na terra o carvão

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

De borborleta

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Todo mundo que fala português usa, usou ou vai usar, a expressão matar a saudade. Pois eu, que tenho precisado dar conta dela em muitos dos seus nuances, de diferentes ângulos, me dou conta de que matar a saudade não traduz realidade, mas sonho.

 

saudade é impalpável
invisível incontrolável
imortal
não há como
matar

 

saudade
é o não perceber
presença
na
ausência

 

Bom seria não sentir saudade, para não ter que ficar espantando a danada o tempo todo. Ela chega chegando e entra em atrito com os pensamentos da gente e manda fagulhas ao contrário, do telhado para a fornalha, da cabeça para o estômago. Não dá para evitar a saudade, mas também não dá para resistir a chocolate, e a gente até resiste de vez em quando. O bom seria não sofrer com ela, mas ouvir o que tem a dizer e para que caminho aponta. Apesar de que noventa e nove por cento das vezes ela aponta para o caminho errado, do passado, do previsível matematicamente, sem saída. De qualquer modo, decidi mudar a expressão para espantar a saudade, em vez de matar. Nem que seja só para diminuir a violência expressa no pacote.

 

a gente
cai na real
e entende
finalmente
que ela é imortal
e que
não adianta
tentar
a saudade matar

 

E seguindo a pista do matar a saudade, encontro matar a sede e matar o tempo. Nesses casos vou manter o matar.

 

não vejo razão nenhuma
para
da sede arrancar
a morte
é evitar
que cresça
firme
e forte

 

quanto ao tempo
quem sou eu
para emitir opinião
nem sei
se
sou eu que vivo nele
ou
ele é que vive em mim

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung