Dos meninos* da CBN

Dos meninos* da CBN

A turma é pequena mas bate um bolão. Fala da frente do telão, corre para a praça, entrevista brazuca e atualiza as informações no rádio, na internet e no blog. A imagem logo acima está no blog olímpico da CBN, onde você encontra uma série de fotos como esta que mostra como a beleza da abertura dos Jogos foi capaz de tirar a atenção mesmo do mais rígido sistema de segurança.

* meninos – no vocabulário olímpico dos narradores brasileiros todo e qualquer atleta, por mais velho que possa parecer

Preconceito pega fogo ?

?

Sérgio Vaz
Criador e criatura da Cooperifa

No país das Favoritas, dos Mutantes e do Pantanal, nós que não somos bobos nem nada passamos a noite juntos, no Sarau da Cooperifa. E o que é melhor, vivendo a nossa própria história, capítulo por capítulo, sem ninguém dirigindo nosso destino. Sem vilão. Sem mocinhos nem mocinhas. Só gente de verdade. De todas as quebradas e de todos os lugares. Desse, e de outros mundos. Numa só corrente. Numa só sintonia. Sem interferências. Sem chiado. Sem intervalos comerciais.

Uma noite maravilhosa no seio farto da periferia, mas que poderia perfeitamente ser também em qualquer outro lugar desse mundo, até porque, gente maravilhosa não é só uma prioridade da periferia. A César o que é de César. E a nós o que é de nós (pode ser?). E a gente quer. E a gente vai pegar.

Será que eu posso gostar da minha quebrada como Tom e Vinícius amaram Ipanema, sem que ninguém me encha o saco com preconceito barato? À benção Vinícius e a Antônio Carlos Jobim.

Uma noite na quebrada com mais de trezentas pessoas ouvindo e falando poesia, para nós é muito mais que o “fino da bossa”, é ninguém perdendo o trem de Adoniran, “que sai agora às onze horas, só amanhã de manhã”, e que faz final em Piraporinha, Zona Sul de São Paulo. Bem longe da casa do Ernesto.

Peço licença para o poeta Geraldo Filme, mas “quem nunca viu a poesia amanhecer, vai na Cooperifa pra ver”. À benção Adoniram Barbosa e a Geraldo Filme que amaram a periferia do centro em prosa e samba. Lá no “Brás”, e com a “Bexiga” sempre cheia.

Aliás, as noites no sarau da Cooperifa parecem que foram compostas por Cartola ou escrita por Plínio Marcos, porque nelas “há dor, mas sem perder o lirismo jamais”.

Dizem por aí que querem construir uma nação, mas se somos nós que vamos colocar os tijolos, porque também não deixam a gente cimentar o alicerce? É, quem sabe assim a casa não cai, e não haja barraco pra desabar… mas se ninguém quer falar sobre isso, a gente fala insistentemente, toda quarta-feira, porque agora é a nossa vez. Agora
é a nossa voz.

Nesta noite maravilhosa em que a poesia de Dona Edite ecoava pelos becos claros da quebrada, que Priscila Preta clamava por direitos iguais ao povo preto, que seu Lourival sonhava acordado com um novo amor, que o Cocão e o preto Will apresentaram a sua versão popular, que Lú Souza e Rose Dorea rasgaram o silêncio com a ternura de suas
vozes, que Helber Ladislau segurava o leme do navio Negreiro de Castro Alves, e que tantos guerreiros e guerreiras de poemas em punho, com uma dignidade espartana peitaram o marasmo, ainda teve o reforço do Mensageiro da verdade da Cidade de deus, MV Bill, que nessa noite de luta e glória, assim como todos os outros, foi só mais um… um dos nossos!

E como para nós loucura pouca é bobagem, coube ao Fernandinho Beat Box encerrar os trabalhos literários com uma pequena mostra do seu talento musical. Quem não conhece, não sabe, mas ele é o instrumento. Tem gente tentando entender o que aconteceu até agora. Que noite!

Ninguém por aqui quer profanar a intelectualidade brasileira, mas Literatura para nós é festa. É roda poética no bumbo das idéias. É Samba do crioulo doido, mais doido do que nunca. Quem está de fora não conhece o compasso, por isso erra na letra, tropeça no passo. Quanta deselegância…

Quem não estiver gostando que reclame com a Academia Brasileira de Letras, eu não posso fazer nada, o incêndio já se alastrou, e ninguém mais quer chorar a palavra derramada.

– Aí, preconceito pega fogo? Então fodeu.

São Paulo no muro

O painel está na Avenida Morumbi, próximo da ponte, e mostra a cidade em que os pedestres ainda eram prioridade. A imagem foi feita pelo ouvinte-internauta Flávio Knopp que aproveitou o trânsito complicado da avenida para apreciar de dentro do carro esta cena: “Não sei se é propaganda, não sei se é apenas artístico, não sei qual é a intenção da pintura, mas é um trabalho fantástico”

Como é difícil ganhar um voto

Candidato que se preza chega na CBN dizendo que pegou o metrô. Só tem a ganhar: faz média com a população, bate-papo com eleitor e na caminhada da rua das Palmeiras até a estação ainda para para tomar-café-tirar-foto, exercício típico destes tempos eleitorais.

A quem pensa que a vida desta turma que precisa do seu voto é fácil, veja a imagem feita pelo ouvinte-internauta Daniel Aveiro dentro de um dos vagões do metrô da capital paulista: “olha o que eles tem de enfrentar para chegar a CBN”.

De bastidor: Café frio e entre amigos


Cafezinho frio só para quem sai da prefeitura

Servir café frio é a senha de que o chefe está desprestigiado e o poder dele chegando ao fim. Um servidor de carreira que trabalha há anos na sede da prefeitura disse que no fim da gestão o café já sai gelado da cozinha para a mesa do prefeito. Ou seja, ninguém mais respeita o homem.

O que esta história tem a ver com o candidato que se apresentou aos ouvintes-internautas do CBN SP, nesta sexta-feira ? Muito pouco, talvez. Mas lembrei dela quando vi a produtora Fabiana Boasorte servindo cafezinho para Renato Reicheman (com i e não y como escrevi mais embaixo), do PMN, antes da entrevista se iniciar. A xícara ficou sobre a mesa durante os 25 minutos de conversa e ao se encerrar o tempo regulamentar ele ensaiou dar uma bicada. Não deixei. Café frio só no fim da administração e como provavelmente o ex-correligionário do saudoso Doutor Enéas (meu nome é Éneas, lembra ?) jamais terá a oportunidade de testar suas idéias na prefeitura, não quis lhe proporcionar este dissabor logo na CBN.

Quais idéias ? As que integram o plano de governo discutido com os amigos da época da faculdade ou conquistados durante a carreira profissional, hoje dedicada ao mercado editorial. Publica livros didáticos e científicos. Alguns do falecido Doutor Enéas, amigo da família. Quem, aliás, o incentivou a entrar na vida político-partidária. Saudades do Prona, pensa em voz baixa.

Qual plano de governo ? Aquele que será divulgado pela internet em um site que até agora não conseguiu colocar no ar devido a inabilidade dos técnicos contratados para realizar o trabalho.

Reichman é simpático dentro do terno e da gravata que veste. Fora do ar mostra-se mais natural do que quando faz pose para falar no microfone. Não dá para reclamar. Conforme ele próprio lembrou, a estréia no rádio foi há dois anos lá mesmo na CBN quando concorreu ao governo do Estado pelo Prona, partido que acabou com a morte do seu líder.

Mudou de sigla, mas manteve o discurso nacionalista ilustrado pelo pin na lapela do terno: uma bandeira do Brasil.

Antes de deixar o estúdio ainda lembrou da frase de seu avô: “tem três coisas que quando saem não voltam mais: bebida, rolha de champagne e idéias”. Sorriu, se despediu e deu uma bicada no café. Quente, por favor !


Participação no Twitter foi pequena desta vez

Perguntômetro

Foram dez mensagens entre críticas e perguntas na caixa de correio. No blog, apenas três e a turma do Twitter não se entusiasmou com a discussão do programa. Uma pergunta apenas. Boa pergunta para nos servir de consolo.

O que você achou da entrevista com Renato Reichman (PMN)

O que você achou da entrevista com Renato Reichman (PMN)

O quinto candidato à prefeitura de São Paulo foi Renato Reichman, do PMN. Como lembrou, é a segunda vez que veio ao CBN SP. Há dois anos, foi candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo Prona. Daqui a pouco você terá a entrevista à disposição no site da CBN ou aqui mesmo no blog. Se já ouviu, deixe seu recado. Se ainda não, ouça e diga o que você acha das idéias apresentadas por ele.

Renato Reychmann do PMN é o entrevistado do CBN SP

A rádio CBN encerra a primeira semana de entrevistas com os candidatos à prefeitura de São Paulo conversando, ao vivo, no estúdio, com o empresário Renato Reychmann, do Partido da Mobilização Nacional. A entrevista que se inicia às 11 e cinco da manhã tem duração de 25 minutos e participação dos ouvintes-internautas.

As perguntas e comentários podem ser feitos aqui no blog, pelo e-mail milton@cbn.com.br e pelo Twitter.

Renato Reychmann, tem 55 anos, é paulistano do Itaim-Bibi, empresário do ramo editorial, casado, um filho, estudou Engenharia Mecânica. Milita na política desde 1989. Concorreu em 2004 a Vereador, em 2006 a governador. Neste ano, tem como candidato a vice o colega de partido Lucas Albano.