O que você pediria ao próximo prefeito?

 

 

Muito rica de propostas, a edição da revista Época São Paulo chegou às bancas neste fim de semana com o perfil de 13 dos possíveis candidatos à prefeitura da capital e 50 sugestões para quem pretende governar esta cidade com cerca de 11,2 milhões de moradores e R$ 38,7 bilhões no Orçamento. Além disso, é possível identificar as prioridades de parcela da população a partir do resultado de pesquisa encomendada ao instituto Conectaí (braço on-line do Ibope) que contou com a participação de 254 entrevistados.

 

Na opinião dos paulistanos, a maior encrenca a ser resolvida pelo prefeito eleito é o transporte (40,4% indicaram este tema como o principal), o que não chega a surpreender depois que assistimos a greves em metrô e trem, há duas semanas, e congestionamento que quase bateu na casa dos 300 quilômetros, como na sexta-feira. Não tenho o detalhamento da pesquisa, mas penso que esta demanda está mais próxima da classe média e de quem ainda consegue resolver as questões de educação e saúde por conta própria. Digo isso, porque partidos políticos, em estudos de opinião pública, têm encontrado a área de saúde como a mais crítica – da mesma forma que o Ibope levantou em pesquisa encomendada pela Rede Nossa São Paulo, no início do ano. Na revista, após transporte, apareceram educação (18,4%) e saúde (14,2%).

 

Para personalidades e leitores, a revista fez a seguinte pergunta: “se você pudesse ter um encontro de 5 minutos com o próximo prefeito, o que pediria a ele?”. Falou-se de pedágio urbano, corredor de ônibus nas marginais, calçadas mais largas, fim do Minhocão, transformação de cemitério em área de lazer, menos cargos de confiança, mais e melhores bibliotecas, entre tantas outras ideias. Vou destacar duas que me chamaram atenção e deixo as demais para você ler na banca.

 

A primeira, proposta por Maria Alice Setubal, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, que prega a extensão da jornada diária do ensino fundamental para sete horas em todas as escolas municipais. Apenas os alunos de 45 CEUs – Centros Educacionais Unificados têm esta oportunidades, em 94% das demais unidades da rede, a jornada é de cinco horas, e 6% submetem parte de seus alunos ao turno da fome, os obrigado a estudar das 11 da manhã às três da tarde. “Numa cidade voltada à educação, as escolas devem estar abertas aos estudantes pelo maior tempo possível”, disse Maria Alice à revista. Candidato que se preze tem de assumir já este compromisso e dar uma solução antes do primeiro ano de gestão.

 

A segunda ideia que gostei é do psicanalista Antonio Lancetti que propõe a criação de sala de uso seguro para dependentes de crack. Fiquei feliz em ler esta sugestão pois vai ao encontro do que escrevi recentemente na coluna Adote São Paulo que assino na Época São Paulo (leia aqui). Diz Lancetti que “para a iniciativa dar certo, as salas precisam funcionar 24 horas por dia e estar vinculadas a consultórios de rua e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)”. Importante alerta para quem acreditou que a Policia Militar resolveria o problema que assistimos na Cracolândia, região central. Aliás, não sei se você teve oportunidade de ler reportagem no Estadão de domingo que antecipou resultado de estudo encomendado pela Secretaria de Assistência Social no qual 72% dos moradores de rua disseram que a operação policial não mudou em nada a vida deles, enquanto 17% que piorou. O que apenas comprova que as soluções para o crack não são fáceis nem simplistas, assim como não o são para a mobilidade urbana, para o ensino, para a saúde, para a cidade toda. Por isso, senhores candidatos, muita inteligência e criatividade serão necessárias.

 

N.B: Na edição de junho da Época São Paulo aproveitei para escrever sobre como escolher um vereador na próxima eleição. Mas sobre isso, falo com você mais para o fim da semana. Se tiver uma chance, compre a revista, leia e comente.

Vamos discutir a cidade de São Paulo

Post publicado no Blog Adote São Paulo da revista Época São Paulo

 

Nesta semana, a revista Época São Paulo que “abriga” este meu blog e a coluna Adote São Paulo me ofereceu excelente oportunidade para falar da nossa cidade ao participar do Hangout 100, promovido pelo Google +. Pela página da revista na rede social do Google, conversei por vídeo com leitores e os colegas jornalistas, Camilo Vanucchi e Daniel Salles e respondi a perguntas sobre propostas para termos uma cidade melhor e expectativas em relação a campanha eleitoral que se aproxima.

 

A coordenadora da entrevista, Soraia Yoshida, que cuida do site da Época São Paulo, de cara pediu para que eu apontasse pontos positivos e negativos da cidade. Para mim, o gigantismo de São Paulo é sua maior fragilidade, pois torna difícil a implantação de soluções que beneficiem todos seus moradores. Ao mesmo tempo é a partir deste caos provocado por suas dimensões que encontramos saídas criativas e possibilitamos melhorias em alguns setores. Por exemplo, se a prefeitura não é capaz de estender a coleta seletiva para toda a cidade, os moradores de uma rua ou condomínio se organizam e buscam pontos para entrega do material reciclável. Ou se caminhões tem circulação restrita nas vias da cidade, as empresas e os caminhoneiros desenvolvem estratégias alternativas para atender seus clientes, mesmo que isto torne o processo mais caro.

 

Apontei a área de saúde como o tema que poderá centrar o debate eleitoral, pois este é o setor que tem aparecido com mais frequência entre as preocupações dos paulistanos nas pesquisas desenvolvidas pelos principais partidos, apesar de acreditar que, mais uma vez, se tentará nacionalizar a discussão na capital. O esforço para tornar a eleição municipal em trampolim para a disputa nacional dois anos depois não me parece que terá sucesso. Vitória na capital paulista não significa vitória nacional, como ficou claro na última eleição à presidência quando o ex-prefeito José Serra não teve sucesso, apesar de ter vencido as duas eleições anteriores (para a prefeitura e para o Governo do Estado).

 

A segurança pública também foi destaque na conversa, a medida que recentemente minha casa foi alvo de assaltantes. Não estou entre os que entendem que o bairro do Morumbi se tornou mais perigoso do que outros que temos na capital. Os assaltos à residência tem ocorrido com preocupante frequência em vários distritos da cidade e as soluções não podem focar apenas um bairro. Migrar tropas para o Morumbi e esvaziar outras regiões pode ser tarefa arriscada e midiática. É preciso aumentar o serviço de inteligência e ampliar o número de homens na polícia preventiva.

 

Outros assuntos foram tratados, mas deixo o vídeo à sua disposição para continuarmos debatendo a cidade de São Paulo:

 

Caro e raro leitor,

 

Volto ao ar nessa quarta-feira após uma semana afastado para reorganizar a vida que ficou um tanto confusa depois que tive minha casa invadida por uma quadrilha, meus dois filhos e dois empregados rendidos e pertences roubados. A casa sempre considerei reduto privado de nossa família, onde compartilhamos sentimentos e intimidade, por isso tê-la invadida é uma violência moral muito mais do que patrimonial. Ver seus filhos atingidos por esta violência, assim como funcionários que há décadas têm sua confiança, provoca indignação. Há uma sensação de injustiça que incomoda muito, mas costumo dizer sempre aos meninos que quando nascemos ninguém nos prometeu um mundo justo. Cabe a nós mesmos transformar este cenário agindo com respeito, inteligência e solidariedade – nunca com a mesma violência. Fiquei afastado do programa na CBN, por gentileza da emissora que entendeu meu momento. Não atualizei o Blog nem mantive minhas conversas pelo Twitter porque me faltava vontade de dizer algo. Por alguns dias a impressão é de que tinham roubado minhas palavras e alegria. Aos poucos, ambas estão voltando, graças a Deus. Estamos traumatizados ainda, o que é de se esperar em situações como essa, mas nos recuperamos bem com o apoio de muitos amigos que nos abraçaram das mais diferentes formas. A todos vocês, nosso agradecimento.

Presidente do TJ de SP defende parentes em cargos de assessor

 

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, disse que procura uma forma de permitir que juízes possam contratar seus parentes, desde que funcionários concursados, para preencher as cerca de duas mil vagas de assistente judiciário, criadas pela Lei Complementar estadual 1.172/2012. A restrição para a contratação de parentes está no texto sancionado pelo governador Geraldo Alckmin e foi criada durante a discussão do projeto de lei, pois o texto original permitia a livre nomeação, ou seja, qualquer pessoa, funcionária ou não do tribunal, poderia ser indicada para assessorar os juízes bastando ser servidora pública e bacharel de direito. Para Sartori se não for autorizada a contratação de pessoas que tenham parentesco com juízes ou servidores da Justiça será muito difícil ocupar as vagas abertas. Como mudar a lei agora seria algum bastante complexo, se pensa na possibilidade de permitir a contratação de parentes em comarcas diferentes. Por exemplo, um juiz de São Paulo poderia indicar para assessor o parente de um servidor da Justiça de Campinas.

 

Mesmo que as mais justificáveis boas intenções estejam por trás desta proposta do presidente do TJ, a ideia desconsidera uma luta histórica da sociedade brasileira contra o nepotismo e o fato de que no Brasil, aberta uma exceção, logo esta se transforma em regra.

Novo prefeito tem de apresentar metas para os 96 distritos em SP

Texto publicado no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

 

Escola Carumbé

 

Tem sido bem interessante acompanhar as reportagens que a equipe da CBN está fazendo na série “Meu bairro, nossa cidade”, que começou semana passada com a promessa de visitar os 96 distritos da capital e mostrar os problemas que os moradores enfrentam em seu cotidiano. Nesta primeira etapa, as repórteres Cátia Toffoletto e Maria Eugênia Flores têm concentrado esforços nas zonas leste e norte. Dia desses, a Cátia mostrou que comerciantes de Ermelino Matarazzo têm de pagar pedágio a bandidos para manter suas lojas abertas, enquanto a Mage identificava a dificuldade para os 500 mil moradores de Jacarepaguá irem trabalhar devido aos problemas no transporte público. Ouvi, também, que na Casa Verde, as pessoas não têm acesso à saúde, pois faltam unidades que atendam emergências, exigindo que elas deixem a região em busca de socorro. Dos depoimentos que mais me incomodaram foi o de um cidadão que mora em um casebre à beira do córrego, no Carrão, e disse, conformado, que aprendeu a conviver com os ratos, basta colocar um rede nas entradas da casa. (você pode ver os vídeos e as reportagens aqui)

 

Desculpe-me se pareço cabotino ao abrir este post falando do trabalho da equipe de repórteres da emissora na qual trabalho desde 1998, mas o diagnóstico que fizeram das carências dos distritos visitados até aqui é capaz de mostrar o grande desequilíbrio que existe na cidade de São Paulo e como o poder público é ineficiente em suas ações. Aliás, indicadores levantados pela rede Nossa São Paulo, a partir de pesquisa feita pelo Ibope e com base em dados oficiais, também são claros ao revelar esta triste realidade. Há uma enorme quantidade de zeros em itens como hospitais, bibliotecas, teatros e outros que deveriam servir de ponto de partida para as ações do poder público. E de metas a serem propostas nos programas de governo de candidatos à prefeitura e de partidos que buscam vagas na Câmara Municipal de São Paulo.

 

A propósito, um fato que os próximos legisladores não poderão ignorar, é que a lei de metas, em vigor desde 2009, obriga a prefeitura a divulgar os objetivos a serem alcançados em todos os 96 distritos. A atual administração resumiu a Agenda 2012 a metas por setores e sem ter os indicadores de desempenho como referência. Será necessário, por exemplo, dizer o que se pretende fazer com a falta de unidades de saúde na Casa Verde ou quantas unidades habitacionais se pretende entregar para reduzir a ausência de moradia no Carrão. O grande objetivo da cidade tem de ser “zerar os zeros” ou seja oferecer a todo o cidadão seus direitos mais fundamentais. Não deixe de cobrar do seu candidato este compromisso.

Vamos falar de jornalismo ?

 

As transformações sofridas pelo jornalismo e o impacto do desenvolvimento tecnológico nos meios de comunicação são alguns dos temas que serão discutidos no debate 25 Anos – O Contexto Jornalístico, promovido pela Editora Contexto. Estarei ao lado de Milton Leite, Pollyana Ferrari e Carlos Eduardo Lins da Silva, a partir das 7 horas da noite, no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura, na avenida Paulista. Uma coleção completa da série de jornalismo da Contexto será sorteada.

 

Por bibliotecas atrativas e no fim de semana

 

Texto publicado, originalmente, no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Trabalho de Eduardo Kobra quase finalizado

 

Em casa – leia-se, em Porto Alegre – não tinha uma biblioteca enorme à disposição, mas era muito comum ver meu pai com um livro na mão. Se não me falha a memória, ele gostava de romances policiais e talvez tenha sido isso que me impulsou a ler Agatha Cristie, primeira autora que aparece em minha lembrança literária, apesar de que antes dela, além dos infantis, havia aquela série clássica de brasileiros que fazem parte da lista de leitura obrigatória na escola – mas eu detestava ser obrigado a ler. A maioria deles fui conhecer somente mais tarde quando o hábito da leitura havia se transformado em um prazer e, isto, foi, sem dúvida, lição que aprendi, muito mais pelo exemplo do que pelas palavras, com meu pai. Foram poucas as bibliotecas que frequentei, se não me engano havia uma no colégio em que estudava, o Rosário, bem servida e estruturada, mas não dependia dela, pois, privilegiado, tinha livros ao meu alcance. Sei bem, porém, quanto estes equipamentos abrem as portas para o conhecimento em uma cidade e, por isso, espanta ver que 73% das pessoas jamais tiveram oportunidade de entrar em uma biblioteca no Brasil, conforme pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo Ibope e encomendada pelo instituo Pró-Livro.

 

A cidade de São Paulo, foco de nosso olhar, apesar de ter das maiores redes de bibliotecas do País, como sempre ressalta a prefeitura em suas notas oficiais, também fica a dever a seus moradores quando o tema é acesso a literatura. Conforme o Observatório do Cidadão da Rede Nossa São Paulo, regiões como a de São Mateus e Cidade Ademar, onde vivem mais de 635 mil pessoas com 15 anos ou mais, não têm um só livro disponível à população em equipamentos públicos de cultura. Dos 96 distritos, 90 não conseguem oferecer 1 livro por morador, quando a meta recomendada pela Unesco é de, no mínimo, 2 livros por habitante adulto.

 

Bem verdade que a expansão da rede de CEUS, com seus prédios mais abrangentes e multifuncionais, permitiu que uma quantidade maior de livros estivesse ao alcance dos leitores, além de iniciativas como o ônibus-biblioteca e Bosques de Leitura, mantidos pela prefeitura, e as bibliotecas nas estações de metrô, resultado de trabalho da iniciativa privada – apenas para citar algumas ações interessantes. Mesmo assim ainda não é suficiente para tornar o paulistano um leitor apaixonado. Percebe-se, por exemplo, que as bibliotecas que existem são pouco atrativas – com as exceções de praxe – pois apesar de 67% das pessoas que responderam a pesquisa nacional do Ibope saberem da existência de uma próxima de casa, a frequência é muito reduzida.

 

Para amenizar este cenário, ao menos entre meninos e meninas do Parque Doroteia, no extremo sul da capital paulista, os criadores da Associação Esportiva Unidos Da Doze tiveram uma ideia simples e genial ao transformarem a pequena sala da entidade em biblioteca, graças a doações recebidas de diferentes instituições e pessoas dispostas a ajudar. A garotada que bate bola no campinho de futebol, enquanto descansa, estica a mão, pega um livro legal e começa a praticar um esporte ainda raro no Brasil: a leitura. Inclusive no fim de semana – informação que ressalto para chamar atenção da prefeitura que insiste em manter as bibliotecas municipais fechadas exatamente quando os jovens teriam mais tempo para aproveitar estes locais. Fico imaginando como seria bacana fazer das bibliotecas pontos de encontro e entretenimento cultural especialmente nas regiões em que são poucas as áreas de lazer.

“Que livro você está lendo nesta semana?”

 

A pergunta foi simples, mas provocou uma reação bastante interessante, transformando meu Twitter em uma rica biblioteca com sugestões dos ouvintes-internautas. Hoje, na conversa diária com Dan Stulbach, Zé Godoy e Teco, no Hora de Expediente, durante o Jornal da CBN, falamos sobre resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (Ibope/Instituto Pró-Livro), que, entre outros pontos, mostrou que os brasileiros leem quatro livros por ano, em média. Em seguida, perguntei pelo Twitter “qual o livro que você está lendo?” e recebi mais de 60 respostas. Alguns ouvintes-internautas pediram para que eu compartilhasse a opinião dos demais, criando uma enorme lista de sugestões. Aproveito para agradecer aos que tiveram a gentileza de citar “Jornalismo de Rádio” que lancei pela Editora Contexto, em 2004.

 

Veja as respostas enviadas, faça sua escolha, deixe outras sugestões nos comentários e boa leitura:

 

@ca_marcelino – Chatô, O Rei do Brasil… to na página 21 e já tô encantada!!!

@8Rosangela – A arte de ser leve de Leila Ferreira bem bacana.

@rcaldeirini – Quando é preciso ser forte DeRose

@sspyder @miltonjung Fenomenologia do Espírito do Hegel intercalado com a República.

@BaldinMP13 A Dance with Dragons – George R R Martin

@rbtravassos estou lendo Personal Branding – Arthur Bender

@analuizamarques e @30Ronaldoalves Jornalismo de rádio, Milton Jung

@ricsantos “Muito Além do nosso eu” do @MiguelNicolelis

@kelygouveia “Ficções”- Jorge Luis Borges.

@mandapraesse O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Saramgo!

@kellypassos “A menina que brincava com fogo”

@tabgiannini Beyond the bounderies – Miguel Nicolelis

@AlmirVieira Os Meninos da Rua Paulo (relendo)

@VanderAbreu China Megatrends, John Naisbitt

@TCOSTAESILVA li “o X da questão” e ao contrário da maioria, achei ruim. Uma mistura de autobiografia c/ autopromoção e uma pitada de autoajuda!

@Manfredo O Tao da Física de Fritjof Capra

@julianodip e @flamacedo O livro do Boni

@Ana_Matta O Jardineiro Fiel

@Elkeane estou lendo o “Content Strategy for the Web” de Kristina Halvorson’s

@a_magrela Biografia de Olga Benário

@SaintCoast o Cemitério de Praga do Humberto Eco!

@FlavyaPereira Antologia Poética, Carlos Drummond de Andrade.

@tommaioral 1808

@tazerldeiascom Estou lendo Steve Jobs por Walter Isaacson.

@OdilPereira Nesta semana, estou lendo “O fio das missangas – Couto, Mia”.

@leontheroad PLO Omaha poker.

@Maracard estou lendo historia da alimentação no Brasil de Luiz da Câmara Cascudo.

@sandrosepa Os Miseraveis ( Victor Hugo ) muito bom !

@kattiabasile Estou lendo “Conversas com Mies van der Rohe” de Moises Puente .. onde ele fala sobre suas ideias basicas sobre arquitetura @jornaldacbn

@oandrebelizario Em Aguas Profundas do David Lynch

@Deyver Qual e a tua obra, do Mario Sergio Cortella

@ZayraNavarro Bom dia, estou me aprimorando com: Controladoria – Uma Abordagem – de Armando Catelli

@Rogeriawerneck Millenium – A menina que brincava com fogo. Excelente!

@betelnet “Ombudsman: o Relógio de Pascal” de Caio Tulio Costa

@InsolenteTemera Eu terminei “O clã dos doze apóstolos” de Olga Behar, jornalista da Colômbia. Grande sugestão para conhecer sobe Alvaro Uribe

@drsoares A Guerra dos Tronos: Festim dos Corvos

@claudiorsouza Como mudar o mundo, eric hobsbawn.

@thiago_osantos Relendo “o mundo é plano” Thomas Friedman

@KarlaPierri De amor e de sombra, Isabel Allende

@fabiik 1Q84 do Haruki Murakami!!!

@abtfkeury Estou lendo Metro 2033

@SabrinarGomide Cavalo de Tróia 1.

@Fvet66 Planos de Negócio Vencedores, de Rhonda Abrams.

@Qvivais Pai Rico, Pai Pobre, do Robert Kiyosaki e Etiqueta sem Frescura, da Cláudia Matarazzo.

@eleonorabfruet “Dois irmãos” de Milton Hatoum.

@luiskolle Milton, estou relendo “Multiplicando o Bem-estar” de Sérgio Buaiz

@vanessavcamargo Estou lendo Memórias de Sherlock Holmes, Arthur C. Doyle, da Ed. L&PM Pocket

@isabelcampos A primavera do Dragão

@marcostwt Deus e o Estado – Bakunin

@Pr_Begnalia “O Incomparável Jesus Cristo” do Dr. Amin Américo Rodor, Unaspress.

@PadreWesley07 Cristianismo puro e simples de C. S Lewis

@quasecubano A Humilhação, de Phillip Roth. Grande autor norte-americano.

@Liddiane A força de ser mulher, Lisa Bevere.

@AnselmoAndriolo Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

@fjsp pode ser um #mangá? estamos relendo “Sandman: Caçadores de Sonhos” (1999), do @neilhimself e com ilustrações de #YoshitakaAmano

@rickaoi Bem vindo a bolsa de Valores. Marcelo Piazza.

@wandKernelpanic A menina que roubava Livros

@AndreaVecci “Sobre a China” Kissinger

@GustavoSemblano Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro

@daniel_puzzi Da Euforia à Crise

@FlavyaPereira Antologia Poética, Carlos Drummond de Andrade.

“O rádio não vai embora, vai para todos os lugares”

 

O caro e raro leitor deste blog é testemunha do esforço que faço para defender a tese de que a internet foi o oxigênio do rádio e nós jornalistas que atuamos no meio temos de estar sempre dispostos a experimentar as ferramentas que esta tecnologia inovadora nos oferece. Verdade que muitas vezes não me sinto recompensado por este exercício, a medida que o resultado que imagino alcançar ao me aproximar do cidadão quase sempre está aquém da minha expectativa. Talvez seja resultado dá má avaliação que faço do potencial de cada recurso ou da má utilização deste recurso. Mas vamos parar de choradeira se não até você, raríssimo companheiro, vai embora desta página sem nem mesmo chegar ao segundo parágrafo.

 

Nesta semana, fiquei muito satisfeito ao ler reportagem com o CEO da NPR, Gary Knell, publicada no site Nieman Journalism Lab, da Fundação Nieman de Harvard, na qual o entrevistado fala de como a National Public Radio ou rede pública de rádio dos Estados Unidos está se adaptando às novas tecnologias. Recentemente, a organização entregou seu departamento de jornalismo e de programação de rádio para Kinsey Wilson, chefe do setor de mídia digital da NPR. Esta foi a primeira grande mudança realizada por Gary Knell, que assumiu o cargo de CEO há três meses. Para o jornalista Andrew Phelps, que o entrevistou, “um sinal claro de que a NPR não é mais apenas uma rádio”.

 

Para o CEO da NPR a intenção é mostrar que não deve mais existir distinção entre as plataformas nas redações e com este trabalho alcançar o público mais jovem, além de diversificar racial, geográfica e politicamente a emissora. Um aspecto interessante na entrevista de Knell é quando chama atenção para o fato de mais da metade da audiência do rádio estar, atualmente, no carro: “os americanos estão vivendo em seus carros cada vez mais, às vezes imagino que vamos dormir e comer dentro dos nossos carros, devido ao trânsito” – isto me soa familiar, não !? Esta realidade tem levado fabricantes a investirem em carros conectados, com tecnologia digital que permita os motoristas a acessar todo tipo de informação que esteja na rede. “Se não estivermos nessas plataformas, estamos mortos”, disse Knell.

 

Sem mais detalhes, fica-se sabendo na entrevista que a NPR tem trabalhado com a Ford para explorar novos recursos a serem instalados nos automóveis e parte desta tecnologia estará abordo dos novos modelos que saem da fábrica. Com o rádio de carro na web, por exemplo, as emissoras ganham dimensão global, e o ouvinte pode acompanhar o noticiário de sua emissora preferia onde quer que esteja. Ao anunciar as mudanças no comando da NPR, Gary Knell brincou com as palavras em mensagem publicada no Twitter: “radio isn’t going away, it’s going everywhere” – algo como “o rádio não vai embora, vai para todos os lugares”.

 

Agora que terminou de ler este post no blog que escrevo na rádio CBN, ouça a nossa programação seja no computador, no telefone celular ou no tablet, esteja onde você estiver.

O impacto da vida digital na vida familiar

 

No começo da semana, Ethevaldo Siqueira, comentarista do Mundo Digital, nos apresentou parte dos resultados de pesquisa mundial feita pela Ipsos Public Affairs, encomendada pela fabricante de biscoitos Oreo, que mostram que o convívio entre crianças e adultos está praticamente desaparecendo e um dos fatores que mais influíram nesta mudança radical na vida familiar e no isolamento das pessoas é, em grande parte, o uso intensivo da tecnologia digital. Meninas e meninos estão conectados na internet, nos celulares, nos games e na televisão, enquanto pais vivem obcecados pelos dispositivos e aplicativos que lhes oferecem aumento de produtividade e ganhos financeiros. Nas palavras do próprio Ethevaldo: a vida em família pode entrar para a lista de espécies ameaçadas de extinção.

 

A maioria dos pais pesquisados acredita que as crianças estão crescendo mais depressa do que as das gerações anteriores, diz que seus filhos deveriam ter mais tempo para simplesmente serem crianças, e confessa que não se diverte diariamente com eles.

 

Enquanto escrevo este post, estou em uma mesa redonda na qual há três computadores conectados, ocupados por mim e meus dois filhos, em uma sala que combina espaço de trabalho, estudo, som e televisão. Sempre preferimos manter os terminais longe dos quartos para evitar o isolamento e garantir, de alguma forma, nossa interação. Um deles está jogando em rede com amigos e o outro aproveita a máquina, em um chat, para estudar para a prova do dia seguinte. A todo momento trocamos impressões, tiramos dúvidas e mostramos uns aos outros aspectos interessantes que encontramos na internet. Costumamos nos levantar para fazer um lanche juntos – agora há pouco, demos uma bela colherada em um brigadeiro que minha mulher deixou pronto antes de ir trabalhar -, às vezes apenas conversamos, e quando o assunto na televisão está mais interessante nos jogamos em um sofá e fazemos uma sessão coletiva. É bem provável que a internet, em especial, nos tome mais tempo do que deveria, nos emaranhando nas interligações digitais; além disso, tem a caixa de correio sempre me chamando, a troca de informação nas redes sociais e outras demandas que surgem a partir do computador. Tenho certeza, porém, que não fosse o acesso que este me oferece não seria possível realizar a maior parte do meu trabalho em casa e isto me afastaria deles, me levando a chegar tarde, desperdiçar tempo no trânsito, na fila do banco e na visita a lojas e casas de serviço.

 

A diretora global da Oreo, Sheeba Philip, com os dados da pesquisa em mãos, comentou que “precisamos restaurar e reconquistar o espírito da infância em todo o mundo”, contou-me Ethevaldo, em nossa conversa na CBN. Concordo com ela, mas não devemos nos enganar e fazer das máquinas bode expiatório de um problema que, me parece, é mais da vida humana do que digital: a dificuldade dos pais de definirem prioridades, e colocarem no topo desta lista a sua família.