Conte Sua História de SP: futebol na cabeceira da pista

 

Por Omar Ayub
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Em 1969 mudei da Alameda Barros, 164 (vizinho de fundos da Rádio Globo da rua das Palmeiras), para um bairro longe do centro: Jardim Aeroporto e me tornei o mais novo vizinho do Aeroporto de Congonhas. Para um garoto de 11 anos essa proximidade foi espetacular. Já adianto que apesar do fascínio pelos aviões  não me tornei aviador, piloto ou qualquer profissional ligado a área. Estudei na Escola Estadual de 1º Grau Congonhas (depois denominada Prof.ª Ilka J. Germano) e após na Escola Estadual de 2º Grau Padre Manuel de Paiva. Hoje, somente os edifícios existem, servindo a outras atividades pois as escolas foram fechadas, segundo as autoridades da época devido a baixa procura dos moradores do bairro. Passo pelos prédios e me lembro das salas de aula, dos colegas, da sirene, dos professores e das aventuras que vivíamos na década de 1970. Mas o que gostaria de contar mesmo é de outro lugar que não existe mais.

 

Vizinho a atual Av. dos Bandeirantes e bem “debaixo” da cabeceira da pista do aeroporto na Av. Washington Luís, existia um campo de futebol de várzea, sem um centímetro quadrado de grama, pura terra. Nós garotos que usávamos esse campo o apelidaram de Campão. Não sei se era grande mesmo ou se parecia enorme devido ao nosso tamanho. Acordávamos cedo, aos sábados, para sermos os primeiros a usá-lo, pois a procura era grande e a fila para jogar maior ainda. Enquanto corríamos atrás da bola parávamos de quando em quando para observar os aviões que passavam por cima de nossas cabeças. Parecia que bastava levantar as mãos para tocá-los. Sábados à tarde e aos domingos, o Campão recebia os times de várzea e ficávamos junto a uma torcida numerosa e animada observando e admirando aqueles jogadores uniformizados.

 

O tempo passou muito rápido, a demanda por voos também e a pista do aeroporto precisou ser aumentada. A ampliação custou os sonhos de muitos jogadores e o Campão deixou de existir. Passo todos os dias pela Av. Washington Luís, lembro-me do posto Shell, que já estava lá desde 1969 e foi atingido pelo avião da TAM. Lembro-me das chácaras do bairro que forneciam verduras e legumes e onde hoje existem casas e prédios, mas, principalmente, lembro daqueles garotos que corriam atrás da bola, vibrando, rindo, gritando, sorrindo, xingando…

 

Lá se vão mais de 40 anos e ainda hoje vejo o Wellington, o Antônio, o Paulo, o Claudio Bento, o Augusto, o Mauro Japonês, o Gladstone disputando a bola com a única preocupação de sermos felizes e aproveitarmos aqueles momentos mágicos no Campão, que já se foi.

 


Você pode participar do Conte Sua História de São Paulo enviando texto para milton@cbn.com.br ou agendado entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Avalanche Tricolor: cabeça no lugar e bola no chão

 

Vitória 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Barradão

 

 

Foi na pequena tela do Iphone que assisti à partida de sábado à noite, em Salvador. Estava em São Paulo, na casa de um amigo para comemorar mais um ano de vida. Acompanhei por um desses aplicativos de internet que atualizam o resultado com descrições que, se não ajudam muito a entender o jogo, ao menos nos mantêm informados do placar. É uma sensação curiosa, pois com nova informação a cada minuto, sempre fica a esperança de que naqueles 60 segundos anteriores – e talvez somente naqueles – seu time tenha acertado a troca de passe, os jogadores de meio tenham se movimentado com maestria para confundir os marcadores, um dos laterais tenha aparecido na linha de fundo para cruzar a bola no pé do atacante que, com um drible desconcertante, tenha superado o zagueiro e chutado de forma indefensável para nos colocar em vantagem. Assim que o novo texto surge na telinha e o placar permanece imóvel, a esperança anterior se frustra e uma nova surge, pois não se consegue ter ideia clara de quem domina as ações, qual o desempenho de seus jogadores nem o quanto o juiz atrapalha. Portanto, nunca se deixa de acreditar que o gol vai sair daqui a pouco.

 

Soube mais tarde (e fui conferir o lance em um site) que nosso ala Pará, com boa visão, virou o jogo para seu colega na ala esquerda, Alex Telles, escorar a bola para Barcos que estava acossado pelo zagueiro. O nosso volante mais avançado, Riveros, se deslocou em direção ao meio da área e chamou atenção da defesa, abrindo espaço para Kleber aparacer do lado direito livre, no ponto onde o passe feito por Barcos alcançou. O atacante poderia ter chutado forte, mas fez a melhor escolha e atravessou a bola na pequena área, onde já estava Alex Telles pronto para concluir em gol. Foi o que fez, mas o auxiliar, de quem não sei o nome (nem quero saber), viu irregularidade onde não havia e impediu que o Grêmio abrisse o placar ainda no primeiro tempo, o que poderia mudar a história contada pelo redator que atualiza as informações no serviço pelo telefone.

 

Das poucas vantagens de não assistir às imagens da partida ao vivo está o fato de não ficarmos influenciados pelo desempenho ruim de alguns jogadores e menos ainda incomodados com os passes errados que, me informaram, foram 101, somados os dois times. Nossa visão fica menos catastrófica do que a maioria, mesmo porque, convenhamos, nada do que está acontecendo foge da normalidade. Empatar fora de casa diante do bom momento do adversário não chega a ser um desastre, apesar da sequência ruim nos últimos três jogos. Campeonato com a extensão do Brasileiro sempre terá percalços, haja vista o que aconteceu na rodada desse fim de semana com alguns dos principais candidatos ao título (nós, inclusive). Portanto, só nos cabe por a cabeça no lugar, a bola no chão, precisar mais o passe, enxergar o companheiro livre e acertar o chute no gol. (se o juiz não atrapalhar, melhor ainda).

De espaço

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Espaço é um pedaço de espera a ser preenchido.

 

Esperança e espaço parecem não ter nada em comum, a não ser uma ou outra letra do alfabeto alinhada na mesma direção, mas esse olhar é o da falta de atenção. Espaço e esperança vivem por aí, de mãos dadas, independentes do tamanho.

 

Já tive muito espaço disponível que era pura esperança e tive esperança tão desmesurada que não havia espaço que a acolhesse.

 

Queria uma poltrona no meu quarto, e uma luminária que incidisse sobre a leitura, e só sobre ela. O que não aconteceu porque o espaço encolheu.

 

O espaço externo encolhe, diminui, se acanha, enquanto o interno se alarga irritante, assustadora e indefinidamente. Tão indefinidamente que me perco, e não me encontro em mim.

 

Perco-me na solidão que insiste em se apoderar do espaço, e me procuro na forma disforme, invisível e inatingível da esperança.

 

Não encontro nada.

 

Talvez porque sempre tenha mantido o olhar nas estrelas, enquanto meus pés mal tocavam o chão.

 

Já me despojei do espaço, agora só falta mandar embora a esperança.

 

Por falta de espaço.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: erros e acertos na gestão de serviços

 

 

Confundir serviço com atendimento e achar que atendimento é tudo, são erros comuns em um segmento fundamental para a economia brasileira – atualmente, 67% do PIB estão relacionados a área de serviços. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, o consultor e professor da UNP – Universidade Potiguar, Kleber Nobrega, fala dos oito erros que devem ser evitados na gestão de serviços do seu negócio. Ele é autor do livro Falando de Serviços – Um guia para compreender e melhorar os serviços em empresas e organizações.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido ao vivo pelo site http://www.cbn.com.br, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Cartão de crédito, a exclusividade transforma plástico em ouro

 

Por Ricardo Ojeda Marins

Os cartões de crédito voltados para o consumidor de alta renda são os que mais crescem no país. Segundo o Banco Central, representam pouco menos de 5% dos cartões usados no Brasil. Esses consumidores são responsáveis por cerca de 14% da quantidade de transações e 40% das receitas geradas pelos cartões. As administradoras investem, em geral, em benefícios voltados a acúmulo de milhas, seguros, serviços de Concierge, acesso a Sala Vip em aeroportos e organização de viagens. Visa, Mastercard e American Express são as bandeiras que detém o segmento no Brasil.

 

Considerado o cartão mais elitizado do país e com anuidade de R$ 1.200, o The Platinum Card, da American Express, é o único fornecido somente através de convite da bandeira. Como a operação da marca no Brasil pertence ao Banco Bradesco, desde 2006, clientes Bradesco Prime e Bradesco Private Bank são parte do público-alvo desse cobiçado cartão. É um cartão de compras, sem limite pré-estabelecido de despesas, ideal para o consumidor que realiza frequentemente viagens ao exterior e possui gastos altos. O cartão possui uma agência de viagens exclusiva – o Platinum Travel Service – equipe de consultores especializados em turismo de luxo que organiza todos os detalhes de viagens, incluindo parte aérea, hotéis, roteiros exóticos e cruzeiros. O associado recebe amenidades como café da manhã, late check-out, upgrade de acomodação mediante disponibilidade e voucher para uso em Spas ou restaurantes em exclusivos hotéis ao redor do mundo, como The Ritz-Carlton, Mandarin Oriental, Taj Hotels, Four Seasons e outros O cartão ainda oferece seguro para viagens com cobertura gratuita de até R$ 2,14 milhões, um departamento de concierge para o auxílio em reservas em restaurantes, ingressos para espetáculos no Brasil e no exterior. Clientes cadastrados no Programa Membership Rewards Turbo acumulam 2,2 pontos a cada dólar em despesas com o cartão.

 

Já a bandeira Visa no Brasil mira o consumidor Premium e Luxo respectivamente com a as versões Platinum e Infinite. O cartão Visa Platinum inclui benefícios como seguros de acidentes pessoais, seguro de viagem para países que fazem parte do Tratado de Schengen, serviços de concierge, assistência em viagens no Brasil e no exterior e outros. Sua renda mínima para ser um associado é em torno de R$ 8 mil por mês, variando conforme o banco emissor e sua taxa de manutenção anual custa em torno de R$ 240.

 

Já o Visa Infinite traz os benefícios da versão Platinum, porém com valores mais elevados nos seguros de viagem para casos de morte ou invalidez permanente: enquanto o Platinum oferece uma cobertura de US$ 500 mil, o Infinite cobre US$ 1,5 milhão. Ambos oferecem a seus associados o Visa Luxury Collection, programa que reúne benefícios de viagens, tais como late check-out e upgrade mediante disponibilidade, café da manhã em hotéis de luxo como St. Regis, Mandarin Oriental, Park Hyatt e outros. O Visa Infinite é emitido por bancos como Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander e conta com seguro de extravio e de atraso de bagagem. É exigida uma renda mensal de R$ 20 mil para se tornar um associado. Sua anuidade está em torno de R$ 800, podendo variar conforme o banco emissor. Com o Visa Infinite, cada dólar gasto no cartão é convertido em 2 pontos, podendo chegar a 2,2 pontos, enquanto no Visa Platinum o acúmulo é de 1,5 pontos.

 

A bandeira Mastercard também possui o cartão Platinum e o Mastercard Black, versão mais luxuosa da bandeira. A versão Platinum conta com serviços especiais como concierge, assistência na organização de viagens e um seguro contra morte ou invalidez com cobertura de US$ 500 mil. Sua renda mínima está em torno de R$ 7 mil mensais e anuidade de R$ 400, variando conforme o banco emissor. Já a versão Black exige renda mínima de R$ 20 mil mensais e custa cerca de R$ 800 por ano. Safra, Citibank, Bradesco, Itaú-Unibanco, Santander e Banco do Brasil são os bancos emissores do cartão. O Mastercard Black oferece benefícios em viagens, como upgrade de acomodação em hotéis de luxo como Fasano, Park Hyatt e Starwood Hotels & Resorts, um assistente pessoal exclusivo para ajuda na organização de uma viagem ou ainda escolher um presente. Seus clientes têm direito a um seguro de acidentes pessoais no valor de até US$ 1 milhão, com cobertura em caso de morte acidental ou invalidez. Clientes Mastercard Platinum podem acumular 1,5 pontos cada dólar gasto com seu cartão, enquanto o associado Black pode acumular de 1,8 a 2,2 pontos conforme seu volume de compras no cartão.

 

Ainda não emitido no Brasil e considerado um ícone do luxo, o cartão mais raro e exclusivo do mundo é o The Centurion Card, da American Express. A versão black do Amex representa o que há de mais exclusivo no segmento. Criado há mais de 10 anos e como o The Platinum Card, também é disponível somente através de convite. Porém, com uma pequena diferença: estima-se que para ser escolhido como um futuro associado é necessário ter um perfil de gastos de cerca de US$ 250 mil por ano na versão Platinum. Presente até o momento em países como Estados Unidos e Inglaterra, sua anuidade está estimada em US$ 1 mil. Estima-se que há pouquíssimos brasileiros portadores do cartão, porém emitidos fora do país, por conta de serem clientes de bancos nos Estados Unidos ou outros países.

 

Seguros com valores milionários, salas vips, mimos em hotéis e serviços extraordinários em viagens. Esses benefícios são, sem dúvida, reais e atraentes. Poder realizar um check-out tardio em hotéis luxuosos, receber upgrade de acomodação ou ainda acumular pontos representam benefício monetário ao cliente. Representam ainda conforto e a real percepção de um serviço personalizado. Afinal, ser recebido num hotel com uma garrafa de champagne solicitada por sua agência de viagens com flores e um bilhete de boas vindas personalizado é algo inesperado que fará com que o cliente sinta-se único e privilegiado. O serviço e a experiência proporcionados podem e farão a diferença.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: apesar de tudo, uma noite de prazeres

 

Grêmio 1 x 1 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

À mesa, companhias especiais, boa comida e compromissos profissionais. Apesar de trabalho, a conversa foi prazerosa. Infelizmente, a agenda para o encontro coincidia com o horário da partida do Grêmio, na Arena. Sem televisão por perto, minha caixinha mágica – o SlingBox – quebrada (nem seria gentil de minha parte tê-la funcionando no Ipad durante o bate papo), restou-me o celular com a atualização dos resultados de tempo em tempo. Embevecido pelas histórias engraçadas que ouvi dos dois parceiros de jantar e pelo vinho, não percebi que o placar parcial de 1 a 0 havia se perdido nos minutos finais. Somente ao pegar o caminho de casa é que tive a informação frustrante e, mesmo sem ter assistido ao jogo, pude imaginar nosso desempenho. Não muito diferente do que vimos nas últimas partidas.

 

Como para tornar menos amargo o fim da noite, na troca de mensagens pelo Twitter, com Deva Pascovicci, da CBN, que narrava a partida de São Paulo e Atlético-MG ouvi homenagem a Milton Gol-Gol-Gol Jung, apelido daquele que você tem a oportunidade de ler todas as quintas-feiras aqui no Blog. Para compartilhar com você este momento de alegria, reproduzo trecho da fala do Deva, gentil e brincalhão como sempre:

 

 

A homenagem ao pai e o jantar com os amigos compensaram o resultado em Porto Alegre. E mesmo com o empate é preciso celebrar o fato de que havíamos acumulado gordura suficiente para nos mantermos no G4, coisa que muita gente boa está tentando e tropeçando.

O desafio de escrever com antecedência

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Desde que assumi com o meu filho o compromisso de escrever um texto por semana para o blog que ele assina,o que venho fazendo religiosamente sempre que não estejamos ambos gozando férias,nunca havia acontecido de eu não encontrar um assunto capaz de interessar quem se dá ao trabalho de ler o que digito. Como o Mílton,também atuo no rádio,mas,ao contrário dele,não preciso,faz muitíssimo tempo,acordar de madrugada para trabalhar. Fiz isso durante meses, logo depois de passar no teste para locutor “pau-para-toda-obra”. Semana passada,ao escrever sobre os carros do meu pai,lembrei que ele me emprestava o seu Citroën a fim de que eu fosse até a vila Rio Branco,na Grande Porto Alegre,situada às margens do Rio Guaíba (existe,agora,quem entenda que o velho Guaíba não é rio,mas estuário,só que eu não engulo essa). O estúdio da Canoas ficava à beira da água e ao pé da torre que espalhava o som da emissora. A diferença entre o meu começo em rádio e o que faz o Mílton na CBN,hoje em dia,porém,embora grande em vários sentidos,em um,pelo menos,não é.

 

Depois de passar anos apresentando o Correspondente Renner,a partir do dia em que o Mílton assumiu a primeira edição do Jornal da CBN,às 6 da manhã,quando ele dá bom dia aos seus ouvintes,eu me inscrevo entre os que acompanham o noticiário. Afinal,tal qual o meu filho,mas bem mais tarde,isto é,às 13h00,apresento uma síntese informativa. Bem cedo,portanto,é necessário que vá tomando conhecimento das notícias do dia. Nada melhor,então,do que sintonizar a CBN. E unir o útil ao agradável,isto é,as informações transmitidas pelo Mílton.

 

Várias vezes recordei que os meus textos,apesar de serem postados às quintas-feiras,têm de ser enviados com antecedência. Nisso,sou exigente comigo mesmo,tanto que trato de os mandar dois dias antes. Assim,nem sempre posso abordar assuntos que,no dia da postagem do meu texto,estejam vencidos. Talvez até me atrevesse a escrever sobre o Mensalão, assunto tão importante que merece ser grafado com eme maiúsculo.Restrinjo-me a imaginar que as pessoas envolvidas nele, entre outros erros,foram egoístas,porque foram tomadas pela paixão humana fundamental,que consiste na submissão do dever ao interesse particular,em detrimento da obediência à lei moral.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

As pesquisas e os resultados de SP e Rio

 

Por Carlos Magno Gibrail

No Mundo Corporativo que assisti no sábado, aqui no Blog do Mílton Jung, pesquisa colocava o Brasil em 21º no ranking de reputação global dos países. O que, dado o grau de corrupção corrente, não chega a surpreender.

 

Questionadas por alguns, estas pesquisas podem ser úteis. Vejamos, por exemplo o recente trabalho desenvolvido este ano pelo instituto britânico IPSOS MORI, que em 24 países elencou 48 cidades e perguntou a 18.147 pessoas: “Baseado no que você sabe ou tem ouvido de outros, quais as três cidades no mundo que você pensa ser a melhor para negócios, para viver e para visitar?”

 

Nas respostas gerais agrupando as três perguntas, o pódio ficou para Nova Iorque, Paris e Londres. Com o Rio em 18º e SP em 39º. Entretanto, o ranking das melhores cidades para visitar indicou o Rio em uma invejável 8ª posição, na frente nada menos de Amsterdam, Cairo, Zurique, Madrid, Istambul, Hong Kong, Berlim e Toronto.

 

Sucesso e tanto da Cidade Maravilhosa, que não se repetiu no âmbito nacional.

 

Enquanto para os russos, o Rio está entre as três melhores cidades para visitar – com Paris e Roma – para os brasileiros não figura entre as três primeiras, que preferem Paris, Nova Iorque e Roma.

 

Ao mesmo tempo privilegiam São Paulo, pois a consideram depois de Nova Iorque a melhor cidade para negócios e a terceira melhor cidade do mundo para viver, depois de Paris e Nova Iorque. Não é a toa que a capital paulista com 11,5 milhões de habitantes possui quase o dobro da população do Rio e recebe outro tanto de visitantes.

 

A verdade é que, se o 18º e o 39º lugares não são bons, tanto o Rio quanto São Paulo têm a comemorar. SP pela realidade do desempenho obtida no mercado interno, e o Rio pela fantástica potencialidade de turismo internacional exibida na pesquisa, agregada ainda ao detalhe específico da Rússia, que a vê como destino logo a seguir de Paris e Roma.

 

Tudo indica que chegou a hora de provarmos a competência de comunicação internacional para atender os desejos aos produtos que temos em abundância. Natureza, beleza, sol, calor, praia, ritmo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Adote e Voto Consciente vão pedir fim de projetos "fora da lei"

 

 

Todo projeto de lei, antes de começar a andar na Câmara Municipal, assim como em qualquer casa legislativa, passa pela Comissão de Constituição e Justiça. Por desconhecimento, descuido ou complexidade legal, muitas propostas de vereadores não são ou da alçada do vereador ou da própria cidade. Por exemplo, não é possível aprovar lei que interfira nas forças de segurança pública, responsabilidade do Estado; assim como não se pode propor aumento de salário para professores municipais, projeto que cabe apenas ao prefeito. A CCJ é uma espécie de guardiã da constituição dentro do legislativo. Ou deveria ser. Muitas vezes, os vereadores fazem vistas grossas às irregularidades e aprovam projetos “fora da lei” para atender o pedido de um colega e até trocam favores para terem os seus projetos aprovados na primeira instância.

 

No encontro da rede Adote um Vereador, no fim de semana, ficamos sabendo que a Câmara Municipal de São Paulo, desde a gestão do presidente Antonio Carlos Rodrigues (PR_SP), entre os anos de 2007 e 2010, não apresenta mais o parecer do corpo jurídico da casa sobre os projetos de lei que dão base para a votação dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça. Se o relatório é feito – o que deve ocorrer, por ser uma norma da casa-, não é anexado ao projeto em análise na CCJ nem o cidadão tem acesso. Portanto, é trabalho desperdiçado e desdenhado pelos vereadores que fazem muito mais análise política do que jurídica, permitindo que projetos inconstitucionais continuem andando na Casa, ocupando a pauta, tirando espaço de debates importantes e, algumas vezes, despejados no colo do prefeito para que ele tenha o ônus de vetar a proposta.

 

Em mesa cheia, com gente nova e gente experiente (e tomada de garrafas de água e café), no Pátio do Colégio, a rede Adote um Vereador decidiu que vai pedir, em parceria com o Movimento Voto Consciente, ao presidente da Câmara, José Américo (PT_SP), que retome a prática de anexar os relatórios realizados pelos técnicos do setor jurídico da Câmara aos projetos de lei analisados pelos integrantes da CJJ. É importante que a Comissão, além de receber este documento e torná-lo público, leve em consideração a avaliação técnica para aprovar ou não os projetos de lei, independentemente do comprometimento político dos vereadores.

 

Outras conversas

 

No sábado, quando a rede se reuniu, em São Paulo, fomos apresentados a Henrique Trevisan, um dos integrantes do grupo que desenvolve o Monitor Legislativo, aplicativo que está em construção e pretende ajudar o cidadão a controlar o mandato dos vereadores. A ideia é colocar nas mãos do paulistano, um programa que facilite o acesso às informações do vereador e dos trabalhos da Câmara, tornando mais transparente a ação do legislativo municipal. A forma como muitas das informações estão publicadas no site da Câmara impedem, por exemplo, o cruzamento de dados. E já aprendemos que a transparência não se faz com informação publica, mas com informação acessível.

 

Lá no Pátio do Colégio, também, duas novas parceiras foram integradas ao grupo, interessadas em acompanhar o trabalho dos vereadores paulistanos. São elas, Rute e Gabriela Cabral, mãe e filha, que moram na Vila Formosa, onde vários parlamentares foram eleitos para a atual legislatura. Após ouvir a experiência de integrantes do Adote, ambas se comprometeram a monitorar, fiscalizar e controlar um desses vereadores.

 

E você está de olho no que o seu vereador faz pela cidade? Adote um vereador!

Avalanche Tricolor: por um toque de qualidade

 

Grêmio 0 x 1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foi disputando cada jogo como se fosse o jogo de sua vida que construímos nossos 110 anos de história. Mas o que é um jogo diante de tudo que já vivemos até aqui? O passe errado – aliás, vários na mesma partida -, o chutão desesperado do zagueiro que não sabe o que fazer com a bola, a falta de criatividade no meio e a incerteza dos atacantes. São todos detalhes que passam despercebidos nos arquivos da nossa memória centenária – pequenos frente ao que somos. E pequeno como sou, peço licença, caro e raro leitor, para reproduzir, nesta Avalanche, texto de quem realmente tem talento, sabe ser diferente no trabalho que exerce e fez belíssima homenagem ao Grêmio em seu blog no Lance!Net. Aproveite o toque de qualidade do jornalista Mauro Beting, a quem agradeço por ter oferecido aos gremistas o momento de maior prazer deste fim de semana:

 

Grêmio. Desde 1903.
Não importam números, embora 1983 encerra discussões.
Não importam ou exportam nomes. Mas Lara é tema eterno. Portaluppi fez o planeta mais azul. Aírton é pavilhão. Iúra foi símbolo. Scolari faz cátedra. Foguinho acalenta. Valdo esfria. Everaldo rima e é seleção. Jardel é cabeça. De León é corazón. Alcindo é bugre. Gessy é Grêmio.
Vocês são Grêmio onde ele estiver.
A pé, em pé, caído em segundas divisões, primeiro em Libertadores e Mundial, veterano copeiro, imortal vencedor de jogos eternos. Aflitos e Olímpicos, Moinho dos Ventos e Arenas, Baixada e no Humaitá, azedo na Azenha, doce e amargo, Grêmio e Tricolor.
Até ganhar o BR-81 não era visto por Rio e São Paulo. Quando fez a América e fritou o Hamburgo passou a ser mais respeitado. Mas só passou mesmo a patrola na patrulha paulista e carioca quando foi parrudo e marrento ganhando as Copas do Brasil. Quando não era favorito para a mídia. Mas foi melhor que o Flamengo em 1997, no tri. Quando foi melhor que o Corinthians em 2001, no tetra.
Ninguém dava bola ao Grêmio. Mesmo campeão da Copa do Brasil em 1989. Mesmo bi em 1994.
Ninguém dava crédito ao Grêmio. Mesmo campeão da América em 1995. Mesmo vice nos pênaltis para o grande Ajax.
Muitos davam perdido o título brasileiro de 1996 até o chute final de Aílton.
Quase todos davam perdido o acesso em 2005 no pênalti de Galatto. No gol de Anderson que nem o mais fanático gremista (redundante) acreditava no fantástico e fabuloso.
Se é que gremista nasceu para não acreditar no Grêmio.
Ele não torce. Ele acredita.
Ele é Grêmio.
Eles são Grêmio para o que der e vencer. Mesmo que não venha, eles vão.
Fanáticos e fantásticos como tantos torcedores de tantos times com mais ou menos conquistas.
Mas os que são tricolores, que são gremistas, que já sofreram com o rival figadal, que já foram fidalgos ou não, esses parecem saber de algumas coisas que não sabemos quando o time deles joga.
Eles sabem que é possível. Podem ter menos time que os rivais. Podem ter menos dinheiro. Menos poder. Menos midia. Menos gente.
Mas eles nunca têm menos torcida. Jamais têm menos fé.
O poder do Grêmio é esse.
Eles mais acreditam que torcem. Eles se acham mais predestinados. Guerreiros. Imortais. Invencíveis.
Claro que eles não são tudo isso.
Mas vá enfrentá-los! Em campo e nos bancos. Nos botecos e nos batuques. Nas bolas e nos papos. Na grama e na fama.
O tricolor não verga. Ele esgrima. Ele Grêmio.
Pode não vencer. Mas ele vai lutar.
É preciso respeitar até quando não se gosta e não se tolera e entende.
É preciso ser um pouco Grêmio para vencer o brasileiro mais uruguaio. Mais argentino. Mais alemão. Mais Grêmio.
É preciso ter um pouco dessa alma de avalanche para atropelar quem estiver pelo caminho.
Você pode não gostar do jeito, do jogo, dos modos, dos meios.
Mas você tem de respeitar essa história. Tem de entender essa glória. Tem de admirar essa gente cujo hino é de um Lupicínio que cantava a dor-de-cotovelo de corações dilacerados e compôs uma letra que poucos clubes têm: não fala de conquistas de galerias de troféus. Fala de sofrimento e encantamento de quem torce. De quem ama. De quem acredita.
De quem é Grêmio antes de ser gente. De gente que é Grêmio antes de ficar e ir a pé onde ele estiver.