Avalanche Tricolor: vencemos, mas o que interessa é quarta-feira

 

Grêmio 1 x 0 Cerâmica
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ceramica

 

Jogo é jogo e treino é treino, diz uma das máximas do futebol. Se me permitem, vou estender a frase que tenta explicar os motivos que levam jogadores e times a se comportarem de forma diferente de acordo com as circunstâncias: Libertadores é Libertadores. É por isso que querer adivinhar o que acontecerá na próxima quarta-feira quando estaremos diante de mais um desafio na temporada com base no que fizemos nesses últimos jogos do Campeonato Gaúcho é quase impossível. Ânimo, disposição e receios são diferentes conforme o objetivo que se pretende alcançar. O esforço para impedir que a bola escape pela lateral é maior; busca-se no fundo da alma a respiração que pode fazer falta para impedir que o adversário chegue para o cruzamento; e da mesma forma a precisão no chute e no passe se diferencia, podendo até ser prejudicada de acordo com a capacidade de cada um de lidar com a pressão.

 

Ganhamos na noite de sábado de um adversário sem expressão e de campanha acanhada em um campeonato ainda mais limitado. E, mesmo assim, precisamos que um zagueiro atrapalhado desviasse a bola para dentro de seu próprio gol. Houve instantes de apatia em que o futebol foi esquecido, mas também momentos que me entusiasmaram pela iniciativa do time de se movimentar com velocidade e trocar passe de forma qualificada. Foram poucas as chances de ampliar o placar, apesar do domínio que tivemos. E as poucas foram desperdiçadas.

 

Se nem tudo se desenvolveu em campo como gostaríamos, nada diminuiu meu entusiasmo para a partida decisiva que teremos. O time com esta formação, sem invenção e mesmo sem Elano, tem maturidade e se entende bem. Há vacilos na defesa que podem ser resolvidos com a mesma disposição imposta na partida contra o Fluminense, no primeiro turno da Libertadores. E há insegurança de alguns jogadores que pode ser substituída a partir do grito do torcedor. Aqui está um ponto fundamental: a força de nossa torcida, sem a impaciência que temos demonstrado. Marco Antônio tem sido o alvo preferido pois é inferior a Elano e não convenceu até hoje. Vanderlei Luxemburgo aposta nele e diz que o jogador era escalado na posição errada. Espero que tenha razão. Torço para que nosso meio-campo cale os críticos (eu entre eles) e o vejo marcando o gol que nos dará a vitória. Foi assim que escrevemos nossa história: com superação.

 

Veja o caso de Pará, lateral que teve de migrar da direita para a esquerda em toda temporada passada, sem nunca se transformar em um diferencial. Está melhorando a cada partida, surge na linha de fundo com coragem, faz cruzamentos decisivos e retorna para a defesa com o mesmo vigor. Até aquele corte de cabelo estranho tem me parecido mais interessante. Só a alma tricolor explica estes fenômenos, esta mesma que, tenho certeza, vai se expressar no gramado da Arena na próxima partida da Libertadores. Até lá.

De meditação

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

Você medita? Não sou meditante modelo, mas tenho experiência na Meditação Transcendental para afirmar que se meditasse duas vezes por dia, como recomendado, metade dos meus problemas estourariam feito bolhas de sabão; aquela metade que contem ansiedade, enfermidade, medo, criticismo, e outros venenos. Então por que não medito regularmente para me livrar do que me traz rugas mais profundas, olheiras mais escuras, taquicardia, urubus no plexo solar… Pelo mesmo motivo que tomava refrigerante mais do que devia, que como chocolate muito mais do que devo, que ainda me sento torta no sofá, com o iPad no colo e a cabeça enterrada no peito. Pelo mesmo motivo que ainda penso negativo durante mais tempo do que devia, que me irritava no trânsito, que ainda sou escrava de alguns apegos, que estudo menos do que gostaria, que sou muito menos tolerante do que um dia pretendo ser, que sou uma pessoa pior do que aqueles que me rodeiam gostariam que eu fosse.

 

Auto-sabotagem.

 

Tem fases em que consigo meditar livre e mansamente, mas preciso confessar que essa disposição não tem feito parte do meu dia a dia, há tempo. Ou não medito ou, se medito, não consigo ficar quieta por muito tempo. O pé cheio de manha não para quieto, e a cabeça enreda enredos mascarados de realidade. É quando mais preciso, eu sei. E daí? A gente sabe coisa demais e põe em prática coisa de menos. Medida certa? Como boa anarquista de coração, acredito que a medida certa seja diferente para cada um. Somos perto de sete bilhões de pessoas sobre a face da terra e, portanto, o mesmo número de receitas diferentes. Todos feitos dos mesmos ingredientes, com dosagem diferente. Se você tem noção do que se faz numa cozinha além de abrir a geladeira, entende o que quero dizer. Tem receita que não aceita um ingrediente, que cai feito luva em outra.

 

E isso me leva a pensar no equilíbrio que a gente persegue, tentando dosar a vida que leva, minuto a minuto. Sem trégua. Pois hoje, na minha sentada para meditar, no processo de acalmar a mente, enquanto ela dava guinadas circenses e derrapava nas curvas de meus neurônios neuróticos, percebi o peso do meu corpo no assento do sofá. Aqui está o exemplo de equilíbrio perfeito, pensei. Meu corpo não exerce pressão maior do que meu peso, sentada assim feito índio fumando cachimbo, sem tentar um braço de ferro (se bem que a expressão não se encaixe nesse caso) com o assento do sofá que também faz o que pode. Me suporta. Equilíbrio e respeito. Cada um na sua. Ah, sonho…

 

E vinte minutos depois, sem tirar nem pôr, abri os olhos e tinha meditado como fazia tempo que não conseguia.

 

A meditação não é ensinada na escola porque não paga imposto, não cobra dízimo e não dá lucro para comando de laia nenhuma.

 

A meditação, ao menos a minha, não tem sido praticada antes do dia começar com a abertura da agenda, porque o caos é o regente da vez e, portanto, tudo o que traz paz deve ser eliminado e, se isso não for possível, ao menos coberto com o véu do ridículo. Assim que eu, ridiculamente, continuo buscando paz, útero gerador de equilíbrio e cidadania. Faço parte, com muita honra, da tribo dos loucos, dissidentes do caos.

 

Para você, paz durante a semana que começa, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: práticas para conquistar consumidores fiéis

 

“A gente se relaciona com homens ou com amigos? Você é casado com uma mulher ou casado com a sua esposa? Você precisa de marcas, você se relaciona mais profundamente com pessoas que você confia. A mesma relação você estabelece com as marcas. Você se relaciona com marcas que você confia, com marcas que você tem experiências. A gente sempre experimenta, mas ao longo dessas experimentações, a gente vai mantendo na nossa vida as marcas que fazem diferença, que se identificam com a gente de alguma forma”. Esta é uma das recomendações de Leonardo Lanzetta, sócio-diretor-executivo da Dia Comunicação e vice-presidente de agências do Popai Brasil, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.  Ele lembra que existe uma infinidade de ferramentas na busca da fidelização, mas o importante é estabelecer conexões entre marcas e pessoas “se colocando nos sapatos das pessoas”.

 

 

Na entrevista, Leonarto Lanzetta fala de casos de sucesso na construção de um relacionamento saudável com os clientes como os desenvolvidos para a Coca-Cola que precisava trabalhar a marca Guaraná Jesus, no Maranhão, e para a Drogaria São Paulo, em projeto que colocou no mercado um cata-pilhas que se transformou em sucesso de comunicação.

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: amor pela Vila Nova Cachoeirinha

 


Por Alecir Macedo
Ouvinte da CBN e do Adote Um Vereador

 

Ouça aqui esta história sonorizada pelo Cláudio Antonio

 



Minha história em São Paulo teve início em meados de novembro de 1978. 
Em dificuldades financeiras, com 20 anos, recém-casado e 
filho de quatro meses, morando em cidade pequena com empregos escassos, 
resolvi tentar a sorte na cidade grande como tantos outras pessoas 
recebidas por aqui com os braços abertos. A esposa e o filho ficaram na 
casa de minha mãe.

 

Sem nenhum conhecimento, apenas um convite de um cunhado que conhecera 
alguns meses atrás, em visita a minha sogra, para que viesse tentar a 
sorte por aqui. Como referência apenas uma orientação: pega o ônibus na 
praça Princesa Isabel com destino ao Jardim Peri. Pede ao cobrador que 
lhe avise quando chegar perto da maternidade Vila Nova Cachoeirinha, 
disse ele. Desça e atravesse a avenida, vá a um bar na esquina e 
procure por mim. Caso não encontre ninguém no bar, atravesse uma avenida nova e larga que acabaram de construir (era a Inajar de Souza) e procure uma casa verde no 
alto de um barranco. É a quarta casa.

 

Usei a segunda opção pois era por volta das seis da manhã e o bar estava fechado, Encontrei a casa que ficava na divisa com a favela da Divinéia e lá morei com ele por uns seis meses junto com sua família – a esposa e quatro filhos. Era uma casa de três cômodos.



 

Encontrei meu primeiro emprego na  capital paulista, como auxiliar de 
Depto. Pessoal, em uma transportadora na Av. dos Emissários – hoje 
Marques de São Vicente- e lá trabalhei por 12 anos chegando a Gerente de 
Filial. Sofri muito com as enchentes que persistem até hoje por lá.
Mas quero mesmo é falar do orgulho que tenho em morar na Vila Nova 
Cachoeirinha, por 35 anos, lugar onde sem ter a mínima ideia de onde 
estava me metendo me acolheu. Por aqui acompanhei o desenvolvimento do 
bairro e, aquela avenida larga recém-construída (ainda existia a 
cahoeirinha que deu nome ao bairro) foi avançando e hoje chega ao Jd. 
Vista Alegre no extremo norte da periferia. Na parte mais alta do 
bairro, olhava em direção ao Bairro do Limão e só lá enxergava os 
primeiros prédios que estavam sendo construídos na altura do nº 1200 da 
Deputado Emilio Carlos.

 

Hoje os arranha-céus estão por toda a região, mudou a paisagem mas continua morando por aqui aquela gente simples e carente lutando a seu modo pelo pão de cada dia. Falta muita coisa para chegar ao lugar ideal, mas tenho 
muito orgulho daqui, e faço minha parte tentando ajudar na melhoria 
das condições de vida na região, missão quase impossível.

 

De uma coisa tenho certeza: amo a Vila Nova Cachoeirinha e São Paulo que 
com carinho soube me acolher e dar condições para que eu continuasse por 
aqui todos estes anos.

 


Agende uma entrevista em audio e video no Museu da Pessoa. Ou mande seu texto para milton@cbn.com.br.

Presos usam pombas para receber celular e droga

A imaginação não tem limites. Presos e visitantes foram flagrados tentando usar pombos para transportar droga e celulares para dentro da prisão, durante o feriado de Páscoa. A descoberta foi feita por agentes do Centro de Detenção Penitenciária de Mauá, região metropolitana de São Paulo, após receberem informações de como funcionaria a estratégia. Os pombos, com pequenas bolsas adaptadas para transportar drogas e celulares, seriam levados para a área externa pelos visitantes; do lado de fora, os produtos seriam colocados na bolsa e, em seguida, as pombas seriam soltas, devendo voar de volta ao local de origem. No dia 29, uma pomba-teste foi vista pelos guardas pousando em uma das ventanas de ventilação das celas de inclusão. Na bolsa que carregava havia restos de papel alumínio que simulavam em tamanho e peso aparelhos de celular. Nos dias seguintes, foram encontrados de posse de visitantes dois pombos que seriam usados para o transporte. As informações são da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.

Leis de trânsito tem de ser ensinadas na escola

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Fazia já algum tempo que eu não tratava, nesta coluna, das mazelas do trânsito. Nesses últimos dias, no entanto, notícias acerca do assunto chamaram-me a atenção, não por serem auspiciosas, bem pelo contrário, porque mostravam números assustadores. Zero Hora, jornal gaúcho, em matéria divulgada sábado, dia 30 de março, referindo-se ao feriado prolongado de Páscoa, então recém iniciado, acentuou, em manchete, que na largada dele, feriadão (detesto,no caso,o aumentativo),as infrações cresceram 83,7%. Referia-se às primeiras 24 horas da Operação Viagem Segura. Lembro que aqui no Rio Grande do Sul milhares de pessoas aproveitam a Páscoa para retornar às praias do litoral gaúcho, a exemplo do que ocorre com os paulistanos em relação a Santos e a outras cidades de São Paulo situadas à beira do mar. Polícia Rodoviária Federal, a Brigada Militar, Polícia Civil e demais órgãos ligados ao trânsito, entre a zero hora de quinta-feira e a zero hora de sexta, fiscalizaram 20.541 veículos. O número dos que sopraram o bafômetro aumentou 539,3% em relação ao ano passado.

 

As infrações de trânsito, porém, cresceram 83,7%,repito. Isso demonstra que os nossos motoristas, mesmo que o número dos que dirigem sob efeito alcoólico,tenha diminuído, está distante de fazer o que se poderia considerar pilotagem sem mácula. É grande a quantidade de ovelhas negras, pessoas que desafiam leis que são, de certa forma, ainda muito brandas. Concordo com o chefe de comunicação da Polícia Rodoviária Federal gaúcha, Alessandro Castro. Ele entende que os valores atuais não servem para conter a sanha dos maus condutores. A possibilidade de recorrer das multas aplicadas, acrescenta Alessandro, amplia a possibilidade de o infrator ficar impune. Para que não tenhamos de ficar horrorizados com episódios funestos no qual se envolveu, por exemplo, Hélio Claudio De Camillis, 73 anos. Na noite do último domingo, ele atropelou duas pessoas que – e isso também tende a ser erro fatal – atravessavam a BR-290, em local não adequado para cruzar a pista de alta velocidade da freeway, na qual a velocidade máxima permitida é de 110 km/h. Suas vítimas sofreram morte instantânea. O atropelador não se feriu. Para não me estender, escreverei apenas que esse ex-vereador de Tramandaí, cometeu, pelo menos, 76 infrações de trânsito, 62 delas por excesso de velocidade.

 

Enquanto nossas escolas, a partir do ensino primário, não possuírem entre as suas matérias, aulas de trânsito, o seu currículo estará incompleto. Talvez me considerem exagerado, mas essa matéria não perde em importância para nenhuma outra.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Trabalho escravo prejudica o Brasil e suas marcas de moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Desde a denuncia contra a NIKE, em fins da década de 90, da existência de trabalho de crianças na confecção de seus produtos, notícias similares têm surgido até hoje. A mais recente atingiu o GEP, empresa brasileira de 57 anos, das marcas Cori, Luigi Bertolli, Emme e Lab. Portfólio que, a partir de setembro, contará com a americana GAP.

 

A acusação do Ministério do Trabalho, do Ministério Público e da Receita Federal é que 28 bolivianos estavam confeccionando roupas das marcas Luigi Bertolli e Emme em uma oficina fechada de aliciadores bolivianos, em regime ilegal, trabalhando o dobro e ganhando a metade.

 

Na verdade os bolivianos estavam prestando serviço para a Silobay, empresa com atestado de participação da ABVTEX, entidade fiscalizadora do setor, e por isso contratada pelo GEP. Ainda assim o GEP não refugou a solicitação das autoridades e, rapidamente, atendeu o chamamento, cumprindo com todos os requisitos administrativos e pecuniários, independentemente da evidente responsabilidade da Silobay. Fato que mereceu destacado elogio publicado na FOLHA, da desembargadora Ivani Contini Bramante, do Tribunal Regional do Trabalho e representante do CNJ, e da juíza Patrícia Therezinha de Toledo, da Vara Itinerante de Combate ao Trabalho Escravo, que acompanharam a fiscalização: “A GEP deu um exemplo aos empresários do setor ao assumir sua responsabilidade social diante da situação dos trabalhadores”.

 

Entretanto, as engrenagens do sistema de mão de obra intensiva, como é o caso da moda, vão além da exploração do homem no trabalho. Os impostos excessivos, os custos de ocupação em permanente elevação, a concorrência predatória asiática, podem levar empresários a contratar preços de mão de obra muito abaixo de mercado para a sobrevivência. Os bolivianos, por exemplo, chegam a oferecer R$ 5,00 para fechar um blazer cujo preço normal é de R$ 18,00. Os chineses, bem esses podem fazer “negócios da China” e espantar potenciais e promissoras oficinas brasileiras de costura intensivas de mão de obra. É uma situação que exige tomada de posição e decisão dos setores envolvidos.

 

Do governo esperamos a estratégia para não exportar empregos ao deixar de propiciar as condições necessárias de competitividade às empresas brasileiras e facilitar a importação de roupas.

 

Da Nike temos a experiência com o fato e a solução encontrada, dita por Mark Parker, CEO mundial, em entrevista à Veja: “Criamos uma divisão de sustentabilidade corporativa, na qual há gente dedicada exclusivamente à inspeção das fábricas e dos fornecedores dos quais compramos”.

 

Do GEP, empresa que participei durante 40 anos, certamente teremos o fortalecimento da firme estratégia operacional e a visão sustentável que seu principal executivo nunca abriu mão.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Sobre a fábrica de leis que assola o País

 

Vereador discursa e plenario não presta atenção

 

Foi com satisfação que li o artigo intitulado “O joio legislativo” do jornalista e consultor político de comunicação Gaudêncio Torquato, publicado na página 2, da edição dominical do Estadão. O texto trata dos critérios usados pelos parlamentares brasileiros para a tarefa legislativa levando em consideração a quantidade de projetos de lei apresentados e aprovados nas diferentes casas. Diz que de 2000 a 2010 o País criou 75.517 leis, média de 6.865 por ano, enquanto na Alemanha a aprovação de 20 leis, em 2012, foi suficiente para uma enxurrada de críticas (pelo excesso, esclareça-se). O autor chamou esta intensa e, na maior parte das vezes, inútil produção dos parlamentares tupiniquins de Produto Nacional Bruto da Inocuidade Legislativa (PNBIL).

 

Além de listar uma série de barbaridades aprovadas por senadores, deputados federais e estaduais e vereadores brasileiros, Torquato chama atenção para a desobediência da sociedade às leis que caem no esquecimento ou ferem a Constituição. Das 3 mil ações diretas de inconstitucionalidade, nos últimos dez anos, 20% foram consideradas procedentes pelo STF. Ou seja, cerca de 600 leis estavam fora da lei.

 

O artigo de Gaudêncio Torquato me trouxe satisfação particular pois – com muito mais talento – corroborou pensamento que, no mesmo fim de semana, defendi na coluna mensal que escrevo na revista Época SP (ainda não disponível na internet, mas já nas bancas), com o título “É proibido ideia de Jerico na cidade”. Algumas leis e projetos, inclusive, foram citados nos dois textos, em uma demonstração do tamanho do absurdo que seus autores cometeram. Casos como o do estojo de primeiros socorros em automóveis, dos cachorros proibidos de latir e o das pessoas de morrer na cidade.

 


Leia o artigo completo de Gaudêncio Torquato no jornal O Estado de São Paulo

Reminiscências – De minha mãe

 

Por Julio Tannus

 

… Aos 94 anos de idade:

 

Comecei a vida estudando e acabei estudando para viver.
Aquele que não sabe que não sabe: é um tolo, evita-o. Aquele que não sabe e sabe que não sabe é simples: ensina-lhe. Aquele que sabe e não sabe que sabe: está dormindo, acorda-o. Aquele que sabe e sabe que sabe: é sóbrio, segue-o.

 

Somos todos estudantes na escola da vida.

 

O sorriso custa menos que a eletricidade e dá mais luz.

 

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas deve ser vivida olhando-se para frente.

 

A vida é como uma bicicleta, você cai se parar de pedalar.

 

Se você quiser algum lugar ao sol, precisa saber enfrentar algumas queimaduras.

 

Quem sabe muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe.

 

Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fossemos de ferro.

 

Quem viaja na garupa não dirige a rédea.

 

Agir sem pensar é como atirar sem fazer pontaria.

 

Colha a alegria de agora para a saudade futura.

 

Hino à Paraty:
Paraty quanta saudade.
Paraíso a beira-mar.
Permita Deus que eu não morra, sem para lá eu voltar.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung