Avalanche Tricolor: Diversão garantida !

 

Grêmio 2 x 0 Corinthians
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Há 22 anos morando em São Paulo, alguns sentimentos construídos no Rio Grande do Sul mudam de dimensão, outros aprendemos no caminho e provocam diversas reações – os forjardos na arquibancada em especial. Sabe-se que historicamente o Grêmio tem um arquirival e na oposição dessas forças é que o futebol gaúcho se transformou em referência mundial com seus dois representantes conquistando títulos no exterior. Mesmo quando nos afastamos do Estado, os efeitos deste confronto não desaparecem, mas ao menos a segunda-feira após o clássico gaúcho, quando seu time é derrotado por lá, é mais suportável por aqui. Em compensação, o enfrentamento com os adversários paulistas se torna mais perigoso e, dependendo o placar, pode estragar o bom humor no dia seguinte. Principalmente, quando este adversário se chama Corinthians. A quantidade de corintianos na redação e na audiência é impressionante e todos eles aparecem saltitantes e provocantes quando meu time sofre um revés. Assim, encaro jogos como o deste domingo quase como um clássico regional que, você sabe bem, tem potencial muito mais explosivo do que os clássico nacionais. E a vitória representa mais do que três pontos, é a certeza de uma segunda-feira feliz.

 

Hoje, o Grêmio venceu com autoridade o Corinthians e, a despeito dos interesses de cada um no Campeonato Brasileiro, mostrou que chega forte na competição, conforme chamou atenção o comentarista Caio, durante transmissão da Tv Globo. Parece, porém, que alguns colegas meus ainda não enxergaram o que está sendo construído nesta última temporada do estádio Olímpico Monumental. Ouvi na narração do clássico paulista pela rádio CBN meu amigo Deva Pascovicci desprezar a qualidade do Imortal ao colocar São Paulo e Coritiba com mais chances e times para conquistar a Copa do Brasil. Que se danem ! O importante é saber que a cada partida surgem méritos a serem destacados, como a paciência com que nosso time manteve a bola no pé depois de o placar resolvido; a volta de Vitor que aprendemos a admirar; a segurança no futebol de Marco Antonio; o bom desempenho de Souza; a personalidade de Fernando; e, aqui apenas uma esperança por enquanto, o retorno de Kléber, o Goleador. Uma união de fatores que nos levou a vencer neste domingo e garantiu a diversão na segunda-feira.

 

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De susto

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

A vida é assim, por vezes um lago calmo, por outras um mar revolto; e o segredo para sofrer menos é manter a calma e não perder a esperança. Fácil dizer difícil fazer, mas com treino se consegue quase tudo.

 

Segunda-feira passada, dia quatro de junho, íamos meu filho e eu pela Marginal Pinheiros. Meu filho dirigindo o carro dele, e eu de carona ao seu lado. Íamos quietos. Exauridos pela pressão de dias difíceis, em busca de alívio. O tráfego era denso, mas ainda sem congestionamento. Não chovia, não ventava, e o sol ainda não tinha terminado a tarefa de brilhar neste canto do mundo. Fazia a sua parte, como sempre faz desde o começo dos tempos, e nós fazíamos a nossa, cada um na sua medida, segundo sua capacidade.

 

À nossa frente ia um carro pequeno, vermelho, dirigido por uma moça. Trafegávamos na pista da esquerda da via expressa. Nosso destino, a Marginal do rio Tietê. Pedi ao meu filho que ligasse o rádio e sintonizasse na 90.5 para ouvirmos as notícias na CBN. O assunto era o de todos os momentos nos últimos tempos, a bandalheira generalizada entre os dirigentes, que escolhemos para cuidar do interesse social, e seus tentáculos egocêntricos, gananciosos e criminosos. Bandidos. Verdadeiras quadrilhas. Eu ouvia atenta, de coração apertado, sentindo que minha esperança insistia em me abandonar, na força contrária do meu esforço para mantê-la viva e por perto. Estava triste e sonolenta. Tínhamos saído mais cedo para evitar o sufoco do congestionamento, mas a fila de carros já se adensava.

 

Os carros foram brecando, até que o carro vermelho à nossa frente parou. Meu filho, atento, parou também. Foi aí que o mundo virou de cabeça para baixo, a tristeza tomou forma de dor, e a sonolência virou desespero. Atrás de nós, uma ambulância transportava um menino de quinze anos, que tinha sofrido uma cirurgia num hospital de São Paulo, acompanhado de seus pais, Voltavam para Catanduva, cidade onde moram. Além deles, conduzindo a ambulância, apenas um motorista desatento e apressado. Não havia um médico acompanhando o paciente. Essa ambulância, que vinha em alta velocidade, não parou e nos atingiu violentamente, nos atirando contra o carro da frente. O baque foi forte demais. Meu corpo frágil foi projetado para frente como se tivesse sido arremessado por um estilingue e, com a mesma violência, voltou para trás. Uma dor lancinante se apossou de mim. Meu peito, apertado pelo cinto de segurança, queimava e me apresentava a uma dor que eu nunca sentira.

 

Quatro e cinquenta. Meu filho ligou para 190. Pediu socorro policial e uma ambulância. Um carro da CET chegou rapidamente e fechou todas as pistas, para remover os carros acidentados até a faixa zebrada que separa a pista expressa do acesso à pista local, que tem entrada para a Avenida Rebouças. Desimpediram o tráfego que engordava em ritmo acelerado. E nós? Ali ficamos. Eu, gemendo pela dor insuportável, mal conseguia respirar. Meu filho, desesperado, assistia ao meu sofrimento, fazendo o que podia. Ligava insistentemente para a polícia e para amigos que tinham contato com policiais que também tentavam ajudar por telefone. Cada um apelando aos contatos possíveis e aos que porventura estivessem por perto. A moça do carro vermelho era dentista. Pediu para ver a minha boca e mediu meus batimentos cardíacos, dizendo que iria embora porque o carro dela estava bem. Só tinha amassado um pouco o pára- choque, e ela tinha pressa. Algo nos dizia que a documentação dela ou a do carro não estivesse em ordem e ela preferiu ir embora. Disse que também iria tentar falar com a polícia no 190, para que viessem nos socorrer.

 

Cinco e meia. Seis horas. Sete, sete e meia. Oito horas. A noite caía e a dor subia. Por volta das oito e meia chegou a ambulância do Samu. Dra. Naira e o motorista me imobilizaram com perícia e rapidez admiráveis, me instalaram na ambulância e me levaram ao hospital mais próximo. A dor foi comigo. Se apegara a mim. A polícia, no entanto, só deu o ar da graça por volta das nove e meia da noite. O carro foi rebocado pelo guincho da companhia seguradora, e meu filho foi à delegacia para o procedimento necessário nessas situações. O caso era de lesão corporal grave. Meu filho pediu a um amigo que fosse ao hospital e me acompanhasse. Enzo não saiu do meu lado nem por um instante. A polícia também esteve no hospital para verificar os fatos e a minha situação. Fui parcialmente imobilizada devido a contusões graves no osso esterno e na musculatura que o suporta, e ganhei um colar cervical que protege a medula espinhal e imobiliza o pescoço. Meu filho só foi liberado da teia burocrática, à uma e meia da manhã.

 

É importante dizer que, apesar da demora inimaginável do socorro, a equipe do Samu me atendeu com perícia e carinho. No entanto eu, apesar de pagar alta mensalidade por um plano de saúde, precisei esperar na maca da ambulância, num dos corredores do hospital que transpirava sofrimento e dor. Enfermeiros e médicos cansados e apressados corriam para lá e para cá. A dra. Naira precisou correr atrás de um médico para que me atendesse. Ela dizia que não podia entender a demora do pessoal do 190 em chamá-los. Disse também que deram a eles a posição errada de onde estava o nosso carro, e que por isso tiveram que rodar um bocado até nos encontrarem.

 

Hoje, aqui estou, felizmente pra mim, viva e de volta ao jogo da vida. As dores insistem em não me abandonar, apesar dos remédios fortíssimos para driblá-las. O colar mantém meu pescoço onde deve estar. Meu filho fica atento a tudo, dia e noite. Me ajuda a deitar, a sentar, a levantar e a me alimentar. Inverteram-se os papéis. É ele quem cuida de mim.

 

E nós dois, o que temos a dizer? Só podemos agradecer à vida, pela vida, e aos amigos que torcem por nós e que têm mantido contato diário. Ao Dr. Cristóvão Colombo dos Reis Miller, amigo querido que nos orienta na sequência dos procedimentos legais e pelas orações dos que estão longe.

 

Durante esse tempo todo, quatro dias e dezenove horas, não me sai da cabeça a oração que diz:

 

Senhor, dá-me serenidade para aceitar o que não pode e não deve ser mudado. Dá-me força para mudar tudo o que pode e deve ser mudado, e sabedoria para distinguir uma coisa da outra.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

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Sapato para homens

 

Por Dora Estevam

 

Como escolher um sapato masculino?
Eu não me atrevo!
Escolher um feminino com tantas opções de cores, estilos, tamanhos e modelos já é difícil. Imagina escolher um masculino que não tem tantas opções assim. Marrom, preto e .. o que mais mesmo ?

 

Vamos tentar novamente.

 

Tenho andado pelos corredores dos shoppings e as opções não fogem muito dos neutros, pois estamos em uma estação mais fria que pede uma cor mais quente. Hum ! Acho que esta explicação não funcionou.

 

A ousadia em usar modelos coloridos fica mais para os jovens, bem jovens, e os mais formais para as ocasiões que as etiquetas e regras exigem: trabalho, restaurante, casamento, etc.

 

No dia-a-dia os mais informais ficam bem com jeans ou cargo; na parte de cima as variações entre camisetas, camisas e blazer sem gravata ficam bem charmosas com os sapatos de solado emborrachado em couro ou camurça.

 

 

Há um modelo no mercado que eu diria nada comercial que são os creepers. Eles são gigantes e foram criados na década de 80 para os punkeiros, hoje, renovados, estão nas ruas e em passarelas, mas é muito específico, veja o modelo da foto.

 

 

Melhor deixar para eles mesmo, o que você acha?

 

Vou tentar de novo. Vamos assistir ao vídeo da marca Dsquarede2, no qual aparecem botas clássicas usadas com jeans e alfaiataria, além das produções com jaquetas que são ótimas reFerências para o homem brasileiro.

 

 

Agora, contrarindo o inicio do meu post, vou fazer uma whish list que separei pra vocês, especialmente para o dia dos namorados, espero que gostem.

 

 

E ai rapazes, aprovaram?

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

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Mundo Corporativo: você é um vendedor

 

Seja um médico, um jornalista ou um engenheiro, seja lá qual for a sua profissão, você precisa ser um bom vendedor para ter sucesso na carreira. É o que ensina o médico e presidente do laboratório Moksha8 Mário Grieco, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. No livro “Você, Vendedor”, ele fala de técnicas e atitudes que devem ser adotadas para o profissional que tem produtos, serviços, negócios ou ideias para oferecer. “Algumas vezes a conversa dura menos de dois minutos, daí a importância do vendedor estar preparado para entregar logo a mensagem principal”, diz Grieco. Outro aspecto que considera fundamental: “vendas é uma relação de amor, o representante de vendas tem de desenvolver um relacionamento muito bom com o cliente, isto facilita o processo de vendas”

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, às 11 horas, com transmissão ao vivo no site da rádio CBN e participação de ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: Em reforma e feliz

 

Atlético GO 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada GO

 

 

Foram quase cinco meses de reforma na casa em que moro, período no qual ouvi palavras consoladoras de amigos e conhecidos. Houve até quem nos prevenisse para a possibilidade de separação do casal, disseram que o índice de divórcio é enorme devido aos transtornos provocados por marteladas e afins. Nunca soube disso, mas se são os amigos que estão falando, melhor reforçar os votos de confiança feitos há quase 20 anos. Principalmente porque iríamos continuar morando no mesmo ambiente da obra. Ninguém apostou que o projeto estivesse entregue antes de cinco meses, mesmo que eu reforçasse a informação de que minha previsão já tinha a margem de erro, natural quando se pretende, por exemplo, trocar o telhado no verão chuvoso de São Paulo. Entendo a preocupação,

 

Du-vi-de-o-dó !
Isso é coisa lá para o segundo semestre.
Pode colocar mais um mês, com certeza. Eles nunca entregam nada em dia.

 

O “eles”, que aparece na frase acima, uma das muitas que ouvi neste tempo todo (quando as marretadas nas paredes permitiam), são pedreiro, marceneiro, eletricista, pintor, arrematador, telhadista, decorador, gesseiro, calculista, engenheiro e arquiteto – apenas para citar algumas das muitas profissões com as quais convivi nesta primeira metade do ano. É um time completo que precisa estar muito bem afinado, pois um depende do outro, e qualquer tropeço aqui vai atrapalhar logo ali. No meu caso, esta equipe funcionou com perfeição, a ponto de me permitir nessa quarta-feira, estar sentado no sofá da nova sala de televisão, assistindo tranquilamente ao Grêmio vencer seu adversário, no Campeonato Brasileiro.

 

Claro que nosso time ajudou neste clima de tranquilidade, pois apesar de um placar magro, como dizem os locutores de futebol, o desempenho foi interessante para uma equipe que teve de passar por uma reforma com a temporada já iniciada e os campeonatos em curso. Percebe-se que têm peças se encaixando na posição, haja vista a melhora de Marco Antonio no meio de campo, a defesa mais equilibrada, com todos as ressalvas que possamos fazer, e um ataque com o fundamental reforço de Kleber, retornando do estaleiro. Seria injustiça não citar Miralles que fez um gol daqueles que esperamos que o centroavante faça quando a marcação esta dura e o espaço é pequeno. E Fernando, disparado o melhor jogador deste grupo.

 

Longe de mim achar que está tudo pronto, sei que sempre tem alguma coisa a fazer e, no caso do time, precisamos ainda ajustar alguns reforços. Mas você sabe que me entusiasmo muito facilmente com o Grêmio, pois sou incapaz de ver seu desempenho com o olho da razão, deixo que o coração fale por mim sempre (ou quase sempre), por isso fico pensando se não devo agir com o time da mesma forma que meus amigos têm me recomendado em relação a casa, desde que anunciei o fim da reforma. Eles pedem para que eu não festeje antes da hora, pois sempre aparece algum probleminha, um vazamento de cano, um telhado mal colocado, um piso que entorta ou uma pintura que borra.

 

Quer saber !? Por mais que goste de todos eles, vou tapar os ouvidos desta vez e aproveitar o momento. Se não me divertir agora, curtir o prazer da obra feita e dos resultados conquistados pelo time em reforma, vou sorrir quando ? Hoje, tenho o direito de ser feliz.

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Mais uma boa história do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

‘’Estou com o seu texto editado. Amanhã publico. Espero que sempre lhe falte assunto para a coluna. Assim você encontrará espaço para estas boas histórias de rádio”.

 

Este foi o teor do e-mail que o Mílton me enviou na última quarta-feira. Na verdade, quando sentei diante do computador para redigir o texto de quinta-feira estava em dúvida: trataria de um crime praticado com requintes de crueldade num município vizinho de Porto Alegre ou escreveria uma história de rádio. Elegi – e quem me leu sabe disso – escrever acerca de uma experiência vivida por mim na época em que a Seleção Brasileira se preparava para a Copa do Mundo de 1966. Creio que não tratar, nesta coluna, de um assunto escabroso, ultimamente muito explorado por todos os veículos midiáticos, valeu a pena. E tem mais: sugestão de filho, principalmente quando este é o responsável pelo blog, o pai aceita de muito bom grado. Sei que o Mílton, pelo menos,vai gostar. Então, vamos à história.

 

O comentarista Ruy Carlos Ostermann, este seu criado e o Celso Costa, técnico de áudio e, hoje, o mais antigo funcionário da Guaíba, uma vez que começou a trabalhar nela antes mesmo da sua inauguração, fomos escalados para fazer a cobertura de uma partida de futebol, em Minas Gerais, no Estádio Raimundo Sampaio, mais conhecido como Independência. Acompanharíamos o Grêmio que enfrentaria o Atlético Mineiro. Nossa viagem começou numa terça-feira em Porto Alegre, havia uma escala no Rio de Janeiro e trocaríamos de avião, no Aeroporto do Galeão, antes de seguir para Belo Horizonte. Tivemos,entretanto, que mudar de plano. A Cidade Maravilhosa estava coberta por névoa seca e nenhum avião decolaria naquele dia. O que fazer? Escolhemos pegar o Vera Cruz, magnífico trem que saía à noite do Rio e nos levaria numa viagem agradável até a capital mineira. Viajei muito de trem, na minha infância, entre Porto Alegre e Caxias, mas sempre durante o dia. Dormir numa cabina do Vera Cruz foi uma nova experiência, que eu gostaria de repetir. Isso, porém, é impossível. O trem com esse nome e as ferrovias são coisas do passado. Lamentavelmente.

 

Chegamos a Belo Horizonte na manhã do jogo. No fim da tarde, fomos para o Independência. Na época, a operadora que nos daria (?) condições de transmitir Atlético Mineiro x Grêmio era a RADIONAL. A EMBRATEL viria bem depois. A primeira providência que a gente toma ao chegar a um estádio é instalar a aparelhagem e, isso feito, entrar em contato com a rádio. A operadora, todavia, não conseguiu estabelecer a conexão. Tentamos utilizar a onda curta de 25 metros. Começamos a temer pelo insucesso da nossa cobertura. Os times entraram em campo. Não ouvíamos a Guaíba nos nossos fones. Em tais circunstâncias costumamos ligar o microfone e, na esperança de que estejam nos ouvindo na central técnica, avisamos que, após contar até dez, abriremos a transmissão. E foi o que fizemos. Realizamos a abertura habitual, anunciando as escalações das equipes, etc. A partida começou, o primeiro tempo terminou, começou o segundo e nada de ouvir-se o retorno nos fones do que se falava no microfone. Em voo cego narrei a partida até que, quando faltavam cinco minutos para o seu encerramento eis que uma voz, ouvida pela onda curta antes silenciosa, chegou aos nossos ouvidos. Não era, porém, a minha ou a do Ruy e sim a do colega Marcos Aurélio, em plena leitura do Jornal da Noite. O nosso voo não tinha apenas sido cego, mas mudo também.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

 

N.B: Quer ler outra boa história do rádio contada pelo Milton Ferretti Jung, clique aqui

Pedágio urbano já existe

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Pedágio urbano em Estocolmo
Pedágio urbano foi solução para o trânsito em Estocolmo, Suécia

 

 

“A população tem de compreender que a cidade é fruto dela própria, a população não é vítima da cidade”. Bem dito por Brito Cruz, presidente do IAB/SP na Folha, e bem anotado por Mílton Jung aqui no blog. De vítima à protagonista, é um passo e tanto para a correta percepção do trânsito pela população de São Paulo, como seu mais grave problema, de acordo com pesquisa publicada agora pela Época. Até então o Ibope e os partidos políticos tinham a saúde como a primeira na lista dos maiores desafios da cidade.

 

Esta mudança de prioridade detectada, originada talvez por universos diferentes considerados, como observou Mílton Jung, mas possível também pelos recentes acontecimentos. Tais como greves ilegais nos transportes públicos, falhas técnicas e operacionais em trens e metrô, ou congestionamentos monumentais se aproximando de 300 km sem nenhum fato excepcional.

 

E, neste panorama de surpresas, surge o Secretário de Transportes do Município, Marcelo Cardinale Branco, em artigo na Folha, lembrando que o custo do congestionamento anual da cidade é equivalente aproximadamente ao seu gigantesco orçamento de 38 bilhões de reais. O que equivale a dizer que o pedágio urbano já está implantado. Assustadora e compulsoriamente distribuído, pois transportes individuais, coletivos, de cargas, quer pobres e ricos, pagam sem se dar conta.

 

Branco sugere então que copiemos os europeus, criando o poluidor pagador. O pedágio urbano sem camuflagem. Direto e planejado para canalizar seus recursos para equilibrar a distorção que vivemos entre a locomoção privada e pública. E abrir um generoso espaço urbano, que higienizará a capital, melhorando todas as relações cidade-cidadãos.

 

Sob o aspecto operacional, a relação entre o transporte coletivo e individual saudável padrão é de 70% para o transporte público e 30% para o privado. Em São Paulo esta comparação está com 55% e 45% respectivamente.

 

A solução, Marcelo Branco recita e receita:
– Favorecer a utilização do espaço pelo transporte público
– Aperfeiçoar e ampliar o transporte de massa
– Disciplinar e restringir o tráfego inclusive com cobrança do pedágio urbano
– Retirar da região central os veículos pesados

 

Tema dos mais importantes para a campanha que se inicia. Esperemos que ao menos a mídia não se deixe levar pela manipulação dos candidatos que não tem programas ou que tem esdrúxulas propostas, como a de matar rios. Verdadeiros “Serial killers”.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Pedágio urbano pode render 3km de metrô por ano

 

Uma mesa com convidados que não andam de carro ou se o fazem, tentam deixá-lo cada vez mais estacionados na garagem. Foi o jornalista Leão Serva e o empresário Alexandre Lafer Frankel que conseguiram a façanha no almoço dessa terça-feira, no Spot, restaurante próximo da congestionada avenida Paulista, para comemorar a edição do guia “Viver Bem Em São Paulo Sem Carro”, no qual contam a história de 12 pessoas que se tornaram mais felizes ao aposentar o automóvel, ou em alguns casos, reduziram seu uso – e foi nesta categoria que me encaixei entre os convidados. Ao contrário de mim, adepto da bicicleta nas horas vagas, a maioria prefere andar a pé e se socorre do trem, metrô ou táxi, dependendo a distância a ser percorrida. Fui privilegiado no almoço ao sentar ao lado da autora de novelas e pedestre Maria Adelaide Amaral. Para ela o carro é meio de transporte somente para viagens fora da cidade ou em ocasiões muito especiais, gosta bem mais de caminhar e de preferência sozinha, diz que depois dos passeios é outra pessoa e escreve melhor. Ir aos cemitérios da vizinhança na Vila Madalena, zona oeste, é fonte de inspiração.

 

Falo deste compromisso aqui no Blog para registrar uma informação que me foi passada pelo urbanista e arquiteto Cândido Malta, que também prefere caminhar a andar de carro e adoraria viver em uma cidade mais compacta, na qual os bairros se sustentassem, com emprego próximo de casa ou a curtas distâncias. Malta é um veterano defensor do pedágio urbano para conter o crescimento da frota de carros e aumentar a velocidade do transporte público. Contou que, a partir de ensaios feitos em computador, foi possível identificar que com a cobrança de R$ 4 por dia, se reduziria em 30% o número de carros nas ruas, índice semelhante ao que deixa de rodar nos feriados, em São Paulo. Seriam arrecadados pelo poder público cerca de R$ 600 milhões por ano, dinheiro com o qual daria para construir ao menos 3 quilômetros de metrô subterrâneo. Para se ter ideia do que isso representa, o Governo de São Paulo consegue tocar, em média, de 0,5 a 1 quilômetro por ano.

 

Nesta semana, o presidente da Fecomércio Abram Szajm, em artigo, provocou os candidatos a prefeito a discutirem o pedágio urbano durante a eleição e criticou os políticos que “se elegem com os votos das pessoas, mas governam para motores e pneus” (leia o texto completo). Em editorial, a Folha de São Paulo entrou no debate. Enquanto o ex-presidente da CET-SP Roberto Scaringela propôs o pedágio em reportagem na revista Época SP, sobre a qual já tratei aqui no Blog.

 

Aos que odeiam a ideia do pedágio urbano, uma notícia tranquilizadora: São Paulo não tem gestor com coragem e disposição para enfrentar este desafio. E enquanto isso não acontece, mesas ocupadas por pessoas que não usam carro serão raras nos centros urbanos.

 

Em tempo: “Viver Bem Em São Paulo Sem Carro” será lançado no museu Emma Klabin, na avenida Europa, em frente ao MIS, no dia 28 de junho. Quem for de bicicleta terá valet service à disposição.

Foto-ouvinte: motoqueiro movido à álcool

 

Motoqueiro bêbado

 

Na imagem e no texto, a colaboração de Devanir Amâncio, sempre atento aos flagrantes da cidade:

 

“Um motoqueiro completamente embriagado caiu debaixo da própria moto e foi socorrido por um pedestre, na esquina da rua Conselheiro Ramalho com a rua Fortaleza, na Bela Vista, região central da cidade, sábado, 2/6, por volta das 16 horas. Sem ferimentos, levantou dizendo que caiu sozinho e estava ‘sentimentalmente’ estressado. O homem não aceitou ajuda para chegar em casa e a Polícia Militar foi acionada pelo 190 às 16h20. Não se sabe o desfecho dessa história”

Por que o mundo não acabou em 11 de agosto de 1999

 

Por Julio Tannus

 

Esta é uma questão que certamente nos incita a pensar, e um sem-número de hipóteses poderia ser levantado. Uma explicação científica poderia ser dada pela própria Física atual. De acordo com a teoria da probabilidade de ocorrência de fenômenos, nenhum acontecimento no tempo referido ocorreu que pudesse causar tal destruição, o que, diga-se de passagem, tem uma probabilidade tendendo à zero.

 

Entretanto, ao lado das inúmeras explicações possíveis, existe outro aspecto desta afirmação que nos chama a atenção. Por que se pensou que o mundo poderia acabar em 11 de agosto de 1999? Uma boa hipótese não seria o fato que nessa mesma data ocorreu um fenômeno de eclipse total solar?

 

Diríamos que essa resposta seria plausível se estivéssemos vivendo há cerca de 1.000 anos atrás, onde as consciências, instrumentais e percepções eram de tal ordem que a simples percepção de um fenômeno de eclipse solar poderia causar a sensação de fim de mundo.

 

Mas o que nos instiga a continuar pensando sobre o tema é que, “sensações de fim de mundo” estão cotidianamente presentes em nossa vida. Com todo o arsenal de recursos que temos hoje somos não raramente surpreendidos com essa “sensação de fim de mundo”.

 

E aqui indagamos:

 

Será que nossa sina é caminhar contra o vento?
Por que somos tão susceptíveis às oscilações do mercado em geral?
Por que vivemos e sobrevivemos debaixo de escândalos, desvios de dinheiro público, corrupção?
Por que para o país ser governável é preciso fazer alianças espúrias as “ideologias” partidárias?

 

Pensamos que uma boa chance que temos para nos livrarmos dessas sensações seria termos instituições que efetivamente nos represente. Instituições que, em seu significado prático, dêem conta de nosso coletivo, nas suas mais variadas formas: Governo, Política, Trabalho, Segurança, Cidadania. E que além de mudança na forma de democracia que vivemos – passar da representação para a participação – deveríamos mudar o modelo de governança, viabilizando as práticas ideológicas prometidas nas campanhas políticas.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças, escreve no Blog do Mílton Jung