Por Carlos Magno Gibrail

Política e corrupção, tanto quanto futebol e corrupção, são paixões universais absolutamente constatadas e inseparáveis. A variação é na intensidade em que aparecem e no nível de punição. Entre nós brasileiros, é sabido que a intensidade é extrema, enquanto a punição é o dilema.
A falta de hábito de penalizar corruptos, mesmo diante de endêmica configuração, talvez possa explicar a heterogênea gritaria em torno das demissões de ministros do atual governo. Da parte dos críticos, dos cientistas políticos e da imprensa em geral. Além, claro, da forte reação negativa dos acusados. A tal ponto que Alfredo Nascimento do PR, revoltado pela dispensa do Ministério dos Transportes, desabafa em termos nada políticos: “Acabou, chega! Ninguém aqui é moleque”. A seguir seu partido ameaça que irá para a oposição, deixando evidente que o PR é uma entidade cuja missão é buscar oportunidades. Sem conceitos e preceitos, mas aliado ao poder, qualquer que seja.
Até o ex-presidente Collor, memória curta, esqueceu que foi impedido pela acusação de corrupção, e entrou na orquestração crítica da forma abandonando o conteúdo, mandando recado à Presidenta Dilma: “O diálogo precisa ser reaberto. Digo isso com a experiência de quem desconheceu a importância da Câmara e do Senado”.
E, é nesta insensata e inexplicável reação geral, que do mundo do futebol, através de uma das suas melhores expressões, surge nas páginas amarelas da VEJA e no site do Estadão, Romário, com uma lucidez extraordinária. Um chute certeiro como nos bons tempos de goleador sobre o Congresso Nacional. E sobre a CBF, o COL e os executivos municipais e estaduais. Até mesmo sobre ele na conduta como jogador embora tenha sido melhor do mundo. Do Congresso: “Todo mundo acha que no alto clero do Congresso está a nata da nata. Pois o que mais tem no andar de cima é gente no ócio, quando não está metida em pilantragem”. Da CBF: “Eu nunca escondi minha aversão por Ricardo Teixeira. O cara não tem palavra”. Do COL e dos governos: “O pior ainda está por vir, porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Ai vai acontecer o maior roubo da história do Brasil”. Dele mesmo: “Eu era muito chato. Para começar, me achava o máximo. Passava dos limites e não estava nem aí”.
Esperamos que as previsões de aumento da corrupção sejam um alerta e não uma predição. Romário, de qualquer modo agiu como nos velhos tempos, aproveitou a bola quicando.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung