Avalanche Tricolor: De virada, de novo e sempre

 

Grêmio 3 x 1 River Plate
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

 

Marcelo Moreno comemora o primeiro gol (Gremio.net)

 

Tropeçou na bola, embolou as pernas, mas não desistiu. Marcelo Moreno fez o primeiro “empurrando” o adversário para dentro do gol. E foi assim em toda a partida, com o Grêmio promovendo uma sequência de jogadas de ataque e troca de passes que se chocavam diante de um paredão. A goleira deles parecia ter uma barreira invisível tanto que a bola insistia em não entrar, mas não era uma barreira impossível, tanto que conseguimos marcar mais duas vezes: em forte cabeçada de um zagueiro, Werley, e em um potente chute de um volante, Léo Gago. E não adianta reclamar de falta de criatividade ou erros que impressionaram, afinal já sabíamos que a caminhada até a Libertadores nos exigiria sacrifícios. Os inimigos estarão sempre disputando Copa do Mundo, enquanto nós … pensando bem, também. Afinal precisamos deste título. E tropeçaremos, escorregaremos e pisaremos na bola quantas vezes forem necessárias, mas saíremos vencedores como na estreia, de virada, e nos acréscimos, contra o River Plate; e como na noite desta quarta, de virada, de novo, contra o River do Sergipe. Que venha a próxima seleção.

Romário, o lúcido

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Política e corrupção, tanto quanto futebol e corrupção, são paixões universais absolutamente constatadas e inseparáveis. A variação é na intensidade em que aparecem e no nível de punição. Entre nós brasileiros, é sabido que a intensidade é extrema, enquanto a punição é o dilema.

 

A falta de hábito de penalizar corruptos, mesmo diante de endêmica configuração, talvez possa explicar a heterogênea gritaria em torno das demissões de ministros do atual governo. Da parte dos críticos, dos cientistas políticos e da imprensa em geral. Além, claro, da forte reação negativa dos acusados. A tal ponto que Alfredo Nascimento do PR, revoltado pela dispensa do Ministério dos Transportes, desabafa em termos nada políticos: “Acabou, chega! Ninguém aqui é moleque”. A seguir seu partido ameaça que irá para a oposição, deixando evidente que o PR é uma entidade cuja missão é buscar oportunidades. Sem conceitos e preceitos, mas aliado ao poder, qualquer que seja.

 

Até o ex-presidente Collor, memória curta, esqueceu que foi impedido pela acusação de corrupção, e entrou na orquestração crítica da forma abandonando o conteúdo, mandando recado à Presidenta Dilma: “O diálogo precisa ser reaberto. Digo isso com a experiência de quem desconheceu a importância da Câmara e do Senado”.

 

E, é nesta insensata e inexplicável reação geral, que do mundo do futebol, através de uma das suas melhores expressões, surge nas páginas amarelas da VEJA e no site do Estadão, Romário, com uma lucidez extraordinária. Um chute certeiro como nos bons tempos de goleador sobre o Congresso Nacional. E sobre a CBF, o COL e os executivos municipais e estaduais. Até mesmo sobre ele na conduta como jogador embora tenha sido melhor do mundo. Do Congresso: “Todo mundo acha que no alto clero do Congresso está a nata da nata. Pois o que mais tem no andar de cima é gente no ócio, quando não está metida em pilantragem”. Da CBF: “Eu nunca escondi minha aversão por Ricardo Teixeira. O cara não tem palavra”. Do COL e dos governos: “O pior ainda está por vir, porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Ai vai acontecer o maior roubo da história do Brasil”. Dele mesmo: “Eu era muito chato. Para começar, me achava o máximo. Passava dos limites e não estava nem aí”.

 

Esperamos que as previsões de aumento da corrupção sejam um alerta e não uma predição. Romário, de qualquer modo agiu como nos velhos tempos, aproveitou a bola quicando.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Canto da Cátia: Protesto contra o buraco do Kassab

 

Protesto no cone

 

Foi a Cátia Toffoletto quem encontrou nas ruas de São Paulo o cartaz com protesto contra os buracos na cidade. Na imagem, aparece o rosto do prefeito Gilberto Kassab (PSD) coberta pela placa de proibido e a frase: Buraco do Kassab. A pista lateral, por onde deveriam passar os ônibus, nota-se com clareza, está inviável. E não apenas pelos buracos, mas também pelas ondulações do piso.

O cidadão fez política em um dia especial na Câmara

 

Câmara Corrupção

 

Acostumado às galerias vazias, comissões esvaziadas e audiências públicas sem muito “Ibope” (desculpa, aí, não é provocação), a Câmara Municipal de São Paulo viveu um sábado especial com dois eventos populares em suas dependências. A Consocial Livre, que colheu propostas para o evento nacional de onde se pretende ter um país mais transparente e com atuação mais firme da sociedade, e o II Congresso de Combate a Corrupção, organizado pelo #NasRuas, o mesmo grupo de cidadãos que mobilizou, pelas redes sociais, manifestações pelo Brasil inteiro. Neste último, para o qual fui convidado e participei, o encontro foi no mesmo plenário em que vereadores se reúnem todas as semanas para discutir e votar projetos de lei. Em lugar de parlamentares, cidadãos estavam sentados nas confortáveis poltronas que não foram suficientes para receber todos os participantes do evento – muitos se ajeitaram em cadeiras que estavam mais ao fundo. E, lógico, por lá estiveram, também, os fieis voluntários da rede Adote um Vereador, Alecir Macedo e Cláudio Vieira. Na mesa onde os trabalhos são coordenados, estiveram juristas, advogados, cientistas políticos, procuradores, jornalistas, entre outros tantos convidados que debateram ações para tornar a política mais próxima dos anseios da sociedade. Ali se falou em impunidade, imunidade, foro privilegiado, cidadania, ética, educação política e da necessidade de se criar uma Lei Nacional de Corrupção.

 

Fiquei bastante impressionado com a organização e mobilização do grupo que está a frente do #NasRuas. Levar aquela quantidade de pessoas para dentro do plenário demonstra que é possível fazermos uma discussão séria sobre o que se pretende do País. Algumas ideias surgiram e outras foram deixadas de lado com base nos argumentos apresentados pelo elenco de especialistas. É muito cedo para sabermos quanto se avançará ainda neste processo, porém a população dentro do plenário foi de um significado e tanto para mim que – e você, meu caro e raro leitor, é testemunha disso – sempre defendeu a ideia de que cabe a nós, cidadãos, fiscalizar, monitorar e acompanhar cada passo dos políticos que elegemos para construir a política que queremos.

Avalanche Tricolor: Sai da frente que lá vem o Grêmio

 

Veranópolis 1 x 4 Grêmio
Gaúcho – Veranópois (RS)

 

Time comemora com Gilberto Silva primeira gol da goleada (Gremio.net)

 

O adversário era líder na chave, segunda melhor campanha de todo campeonato, invicto jogando em casa e se transformou em nada diante do poder de ataque gremista. Ataque que passa pela cabeçada de um zagueiro, o pé direito de um ala e o chute de fora da área de um volante – de onde saíram três dos quatros gols desta tarde de domingo. Nossos atacantes não deixam por menos e fragilizam os defensores com uma sequência de jogadas fulminantes, acompanhados da chegada de jogadores do meio de campo, especialmente quando Bertoglio entra (a propósito, porque ele ainda precisa entrar no segundo tempo e não é escalado desde o início?). Para o conjunto ficar completo, lembro da melhora incrível de nosso goleiro que se reafirma e oferece segurança a toda a equipe, com ótima colocação e defesas corajosas.

 

Há quem entenda que o futebol que apresentamos esteja ligado a presença do novo técnico. Sem tirar-lhe o mérito, acredito muito mais na evolução natural de um time que havia sido desconstruído, precisava de tempo para se ajeitar, fazer com que seus jogadores passassem a encontrar seu espaço em campo, ganhassem personalidade e, claro, retomassem a forma física. Resultado deste conjunto: em março, marcamos 14 gols em quatro partidas.

 

Ainda faltam algumas peças, mas começamos a entrar nos trilhos. E aí de quem estiver no nosso caminho.

De alma

 

Por Maria Lucia Solla

 

Alma, sol e mar

 

alma minha

 

que poetas já cantaram
cada um a sua
a seu tempo e a seu modo
à qual em engano
insisto em me dirigir
como se fosse ela fora ou dentro de mim
pois que ela sou eu mesma no meu tom
de harmonia perceptível
de brilho intenso indizível
na recusa e na oferta
no nascer e no morrer
no ir e vir
seja eu dura ou sensível

 

mistério de ser eu ela e ela ser eu mesma
o que até hoje ninguém entende
desafia minha mente que se tem tão potente
e que por um nada se rende

 

é aí que o ser estanca
desde o início de tudo
que em vez de ir à frente finca o pé na retranca

 

é aí que nos perdemos
no afã de encontrar aquilo que
desde sempre
temos

 

vamos pr’ali
voltamos pra cá
quando
piada humana
tudo que temos ou um dia teremos
somos nós
um mingau de ego e alma
de choro e riso

 

de tudo que tenho e daquilo
que penso que preciso

 

palavra demais
atitude de menos
crítica é lema
de tudo
do outro
de ação
de todo tipo de tema

 

olhar pra fora é fora de tempo
é estar atrasado nele
mas o vício
em cada dobra de mim
entranhado
me faz ainda uma vez e mais outra
copiar o outro
que cheio de certeza
se ocupa em culpar
em manter o dedo em riste
apontando defeito
pra esconder seu próprio não-feito
perdendo do minuto a beleza
e se mostrando
prepotente

 

que tristeza

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Como se faz a roupa da moda

 

Por Dora Estevam

 

Imagine o orgulho de uma filha de costureira quando vê a roupa que a mãe dela costurou nas capas e editoriais de revistas, na vitrine de uma loja ou vestindo uma cliente. Vou postar um vídeo, hoje, no qual você verá como funciona a fábrica de produção das roupas da Daslu. Com certeza, muita gente tem esta curiosidade de saber como é de produção de roupas e, poucas vezes, temos a chance de conhecê-la por dentro. Isso é como cozinha de restaurante, é legal ir até lá para ver como se faz a comida. O filme foi postado no blog da Revista da marca e está no You Tube. E a costureira, que abre este post, é uma das personagens do filme. Aperte o play e venha ver comigo:

 

 

Como se percebe, o processo é longo até a peça entrar nas araras de uma loja. Os traços e rabiscos da modelista e o cortador me chamaram muito a atenção. Já pensou se um dos dois erram, seria uma desatre total. E, claro, o trabalho fantástico do estilista Estéfano Hornhardt. Por isso, na hora de comprar suas roupas pense em todo este trajeto e pense bem antes de discutir o preço com a vendedora.

 

Outro filme que eu quero que você veja é o da Prada. Quem já viu de perto um sapato desta marca sabe que eles são caríssimos e, também, perfeitos. Este acabamento refinado só é possível graças aos artesãos habilidosos da Prada. Veja:

 

 

E para fechar nossa conversa de hoje, vamos falar de Chanel. Coco desenhou, em 1950, um casaquinho que virou peça fundamental da marca. Com os anos, Karl Lagerfeld reinventou o casaco várias vezes. Com certeza você já deve ter visto em fotos, filmes, personalidades e exposições. Para celebrar o mais icônico casaco preto, que Lagerfeld chama de “um dos símbolos que definem o estilo Chanel”, a marca fez um vídeo no qual revela cada etapa da criação da peça, a partir de um esboço de Lagerfeld. É realmente muito interessante, cativa até quem não é do ramo.

 

 

É muito bonito ver o trabalho fascinante destes profissionais. Eu espero que você tenha gostado. Eu adorei.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Resiliente ou a capacidade de encarar as crises

 

Resiliência é a capacidade que o indivíduo, um grupo de pessoas ou uma corporação têm de superar crises e graves adversidades. Foi sobre este tema que o professor da Fundação Getúlio Vargas e consultor de empresas Paulo Sabag se dedicou nos últimos anos e identificou nove fatores importantes que permitem o enfrentamento correto dessas situações: auto-eficácia, solução de problemas, temperança, empatia, proatividade, competência social, tenacidade, otimismo e flexibilidade mental. “Os noves fatores formam um sistema, eles se compõem e se ajudam mutuamente, não adiantado ter apenas um ou outro desenvolvido”, disse Sabag em entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN. Um dos assuntos que tratamos na conversa que você pode assistir no vídeo a seguir é sobre o papel dos pessimistas no ambiente de trabalho, pois, ao contrário do que a maioria das pessoas entende, Sabag defende que está é uma característica que pode ajudar no desenvolvimento de projetos profissionais.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN e tem a participação de ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e no twitter @jornaldacbn. Se você gostar deste programa, divulgue o link para seus amigos nas redes sociais.

Participe da II Conferência de Combate à Corrupção, em SP

 

O movimento #NasRuas, que mobilizou cidadãos contra a corrupção no ano passado, realiza a segunda conferência sobre o tema, nesse sábado, na sede da Câmara Municipal de São Paulo, Plenário 1º de Maio, a partir das 9 horas da manhã, com a presença de juristas, representantes do Ministério Público, cientistas políticos e sociais. Os debates ocorrerão durante todo o dia em diferentes mesas de discussão com participação direta de cidadãos. Estou entre os convidados e participarei da rodada sobre “Foro Privilegiado e Imunidade Parlamentar”, quando terei oportunidade de fazer perguntas para Marcelo Nerling, Thais Cavalcanti, Joel Formiga e Janice Ascari, a partir do meio-dia. Veja a programação e se organize para participar deste sábado cidadão, na Câmara, quando também estará sendo realizada mais uma edição da Consocial – Conferência Livre Sobre Transparência e Controle Social.

Vereadores, irritados, criticam fiscalização do Voto Consciente

 


Texto publicado, originalmente, no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Vereadores no plenário da Câmara Municipal de São Paulo (foto: Arquivo da CMSP)

 

A proximidade do período de campanha eleitoral parece estar mexendo com os nervosos dos vereadores de São Paulo que, nessa semana, protestaram em plenário contra divulgação da lista de presença deles em audiências públicas. Um dos mais revoltados era Antônio Carlos Rodrigues (PR), ex-presidente da Casa, que não se contentou em usar o microfone em plenário para reclamar, agrediu verbalmente – e aos gritos – a coordenadora do Movimento Voto Consciente, Sonia Barboza, ao encontrá-la na sede da Câmara Municipal. O comportamento de ACR assustou as pessoas que estavam próximas, algumas temiam que algo pior pudesse acontecer tal o tom da reclamação do parlamentar. A dirigente, ao se sentir agredida, não deixou o vereador falar sozinho e exigiu que fosse tratada com respeito. Durante a sessão, ACR voltou a criticar o trabalho de fiscalização da ONG e pediu que a Mesa Diretora tomasse providências contra a entidade.

 

Além de ACR, os vereadores Aurélio Miguel (PR), Chico Macena (PT), Paulo Frange (PTB) e Tião Farias (PSDB) fizeram críticas, em plenário, à lista de presença nas audiências públicas, divulgada pelo Movimento Voto Consciente, com base em informações publicadas no site da Câmara Municipal de São Paulo. O vereador Adilson Amadeu (PTB) divulgou nota contestando declaração de Sonia Barbosa de que as audiências públicas são de mentirinha, apenas para cumprir o regulamento, no entanto, no próprio texto ele afirma que de oito reuniões nas quais deveria estar presente participou de apenas três: “Levando em consideração o peso dos temas e as características dessas audiências, não acredito que tenha deixado de atender aos anseios daqueles que represento”. Amadeu sugere que os veículos comunicação e o Movimento Voto Consciente façam campanha para promover as audiências públicas e aumentar a participação popular.

 

A irritação dos vereadores aumentou porque durante a quarta-feira, integrantes do CQC, programa da TV Bandeirantes comandado por Marcelo Tas, estiveram na Câmara e com a irreverência de sempre questionaram a ausência dos parlamentares nas audiências públicas, para reportagem que vai ao ar na próxima segunda-feira.

 

Algumas considerações finais: a agressividade de ACR não espanta, quando era presidente da Câmara expulsou integrantes do Voto Consciente da galeria do plenário por que a ONG protestava contra a falta de acesso a informações da Casa; retirar os dados do site será um desrespeito ao cidadão que tem o direito de saber o desempenho de cada um dos 55 parlamentares; promover as audiências públicas e aumentar a participação popular é obrigação da Câmara Municipal que tem, inclusive, verba para publicidade; o cidadão tem todo o direito de fiscalizar o trabalho do legislativo; e, por último, mas não menos importante, cara feia pra mim é fome – como dizia minha saudosa mãe.