Subprefeito reconhece falhas na Ilha do Bororé

 

A casa na Ilha do Borore

A esperança é pouca para quem mora na Ilha do Bororé e arredores. É o que constato após ouvir o subprefeito da Capela do Socorro Valdir Ferreira falar das carências não apenas do local, mas de todo o bairro do Grajau, extremo sul de São Paulo. Sem verba e sem poder, tem pouco o que fazer – foi o que deixou claro na entrevista ao CBN SP. Se o assunto for creche municipal, iluminação pública, construção de vias para acesso entre outras melhorias necessárias, os moradores terão de esperar uma decisão da prefeitura.

Ouça a entrevista com o subprefeito de capela do Socorro, Valdir Ferreira.

Sobre a varrição, Valdir Ferreira disse que só é feita em vias com calçamento. E no Bororé existe apenas uma. O restante da Ilha tem serviço de limpeza mas sem a frequência que a região exige, principalmente por ser uma área de preservação.

Nem mesmo o número de moradores é conhecido pelos administradores. O subprefeito diz que devem ser 7 mil pessoas por lá, mas confessa ser difícil acompanhar o crescimento por ser área de grande adensamento. Tem muitos locais ocupados irregularmente e, segundo Ferreira, isto atrapalha as negociações para construção de creche, escola e equipamentos públicos.

Não concorda que os moradores do Bororé estejam abandonados. O Grajau, está. Não por esta administração, tenta nos convencer. Foram anos sem investimento, comenta.

E a creche ?
Ainda depende da secretaria de educação – diz o sub

E o calçamento da estrada que dá acesso à Ilha ?
Ainda depende da Secretaria do Verde – diz o sub

E as pessoas ?
Estamos conversando – diz o sub

E a Bororé?
Vai continuar esperando – digo eu.

Tomei um chapéu no caso do Duque de Caxias

 

Era alto demais para alcançar. Mas por que desconfiar da habilidade de jovens em busca de um “tesouro” ? Vimos tantas coisas nessa cidade acontecer. Por vezes me surpreendi, por exemplo, com incompreensíveis grafites que surgem em pontos aparentemente inalcançáveis. Além disso, ver o patrimônio ser depredado por quem vive aqui não chega a ser novidade para ninguém. É triste.

Foi neste embalo que tomei o chapéu do Duque de Caxias, homem forte, venerado pelos militares brasileiros e de muitas batalhas, homenageado em monumento que está na Praça Princesa Isabel, região central de São Paulo. E com base em informação e foto passadas por e-mail noticiei o sumiço do que nunca houve.

O patrono do Exército usou chapéu em suas inúmeras batalhas. Aparece com o adereço na homenagem feita na cidade que leva seu nome, no Rio de Janeiro.Tem também em duas imagens dele que estão na base do monumento aqui em São Paulo, que representam a Batalha de Itororó, e a presença em Bagé, no interior gaúcho. Porém, o chapéu nunca esteve na cabeça do Duque que monta o cavalo no alto da criação de Vitor Brecheret.

A estátuta em Duque de Caxias e o detalhe da Batalha de Itororó

Quem me alertou foi o ouvinte-internauta Samuel Oliveira que fez pesquisa de imagens no Google e não encontrou nenhuma com o adereço sobre a cabeça de Caxias, ao menos na estátua inaugurada em 1960. Informação confirmada pela assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Cultura que, por e-mail, pediu para que a correção fosse feita.

É o que faço substituindo o post que você vê na imagem abaixo por este pedido de desculpas ao Duque – que, assim, não teve sua honra atingida -, aos Nóias que vivem no entorno da praça, mas não cometeram este desrespeito, e a você, caro e raro leitor deste blog, induzido ao erro.

Existe, atualmente, um projeto desenhado pelo engenheiro e general reformado Euclydes Bueno Filho em parceira com a Fundação Brecheret para recuperar o monumento de 40 metros de altura, retomando as cores originais e oferecendo novo brilho ao bronze e granito que o compõem.

Quem sabe eu não sugiro a inclusão do chapéu no novo projeto ?

N.B 1: As imagens da estátua de Duque de Caxias em São Paulo são do álbum digital Artexplorer, no Flickr

N.B 2: As mensagens de 1 a 11 foram escritas com base na informação errada que publiquei no Blog.

Ministério Público investiga falta de creche no Bororé

 

A falta de creche municipal para as cerca de 300 crianças que moram na Ilha do Bororé, extremo sul de São Paulo, será investigada pelo Ministério Público. A promotora de Justiça da Infância e Juventude da capital, Luciana Bergamo Tchorbadjian, disse que passou a acompanhar o caso, nessa terça-feira, após ouvir entrevista no CBN São Paulo sobre a inexistência de vagas para os filhos das cerca de 3 mil famílias que vivem na região.

Ela explicou que a demanda por vagas em creches na cidade de São Paulo chega a 130 mil, sendo que o distrito do Grajaú, onde está a Ilha do Bororé, é um dos que mais sofrem com este problema. A promotora comentou que entende as dificuldades da prefeitura – entre estas, a falta de espaço para construção da creche -, mas que é uma obrigação do poder público, prevista em lei, resolver o drama dessas mães.

Ouça a entrevista com promotora de Justiça da Infância e Juventude da capital, Luciana Bergamo Tchorbadjian

Ações na justiça teriam garantido a abertura de ao menos 4 mil vagas na cidade de São Paulo, mas a prefeitura tem entrado com recursos nas instâncias superiores para ganhar tempo e conseguir construir creches ou assinar convênios com entidades privadas.

A prefeitura de São Paulo segue se negando a tratar da falta de estrutura oferecida aos moradores da Ilha do Bororé que não sofrem apenas pela falta de creches.

Controle de ruído ajuda o próprio motorista

 

A exposição constante ao barulho excessivo do motor do veículo pode provocar problemas de saúde no próprio motorista. Por isso, é preciso atenção redobrada no caso de motoristas profissionais, em especial os que dirigem caminhão e ônibus, além de motociclistas – que muitas vezes usam o escapamento de maneira irregular.

O alerta é do médico Sérgio Garbi, otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas, ao comentar sobre a inspeção veicular em vigor em São Paulo que passará a controlar a emissão de ruídos dos motores, além da de gases que é feita desde 2008.

Em alguns pontos da cidade, e Garbi citou a avenida Paulista, o som passa da marca dos 100 decibéis que podem causar danos à audição. O mesmo ocorre em algumas estações de metrô e próximo de fábricas.

Ouça a entrevista com o doutor Sérgio Garbi, do Hospital das Clínicas, ao CBN São Paulo

Avalanche Tricolor: Um jogo de injustiça e respeito

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Fluminense 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

Um bom jogo de futebol não termina sempre com o resultado que você mais espera. Há vezes em que o placar é injusto, nem premia quem teve o melhor desempenho em campo nem reproduz o equilíbrio dos adversários.

Quando a bola começa a rolar, existe o imponderável. O detalhe que muda o percurso dela e da partida. O passe que deveria ter sido para a direita mas foi para a esquerda, o cabeceio que não alcança o gol e o chute que desvia quando parecia ter rumo certo são fundamentais, apesar de muitas vezes passarem despercebidos pelos comentaristas de futebol – para muitos a análise depende, única e exclusivamente, do que está escrito no placar (não precisariam sequer ver o jogo).

Dentre as interferências possíveis está a do juiz que, no caso de hoje, mesmo bem próximo dos acontecimentos foi incapaz de enxergar as evidências de uma irregularidade que teria levado a partida para um placar justo (confira no replay). Um placar que respeitaria o fato de estarem em campo o time de melhor campanha neste segundo turno e um dos líderes do campeonato.

Ao errar, desequilibrou o jogo e os jogodores, além de si próprio.

Se o juiz não é justo, porque o placar seria ?

Coisas do futebol poderia dizer para simplificar esta Avalanche. Talvez sejam mesmo. Mas de uma injustiça que só não dói mais porque, mesmo com o resultado, vimos, novamente,o Grêmio jogar bola de gente grande, com destaque para a ala direita ocupada por Gabriel. E Vílson que tem feito às vezes de volante em um time que se arriscou, hoje, ao entrar em campo sem nenhum de ofício (algo, aliás, a se pensar).

Injustiças à parte, sabemos que nem sempre sairemos de campo vitoriosos e nossas metas continuam sendo tão difíceis quanto o foram desde o início desta competição. Neste momento, porém, ao fim da partida nossos jogadores são aplaudidos pela torcida. Pois, se o placar e o juiz podem ser injustos, o torcedor não; este tem de reconhecer quando os que vestem nossa camisa o fazem com orgulho e respeito.

Biquíni está proibido no parque Buenos Aires

 

Com biquíni não pode, sunga também

O calção de cós alto e bainha raspando o joelho com estampas coloridas acompanham os passeios diários do professor Heródoto Barbeiro pelas alamedas de Higienópolis e combinam com o sandalião de couro que cobre os dedos marcados pelo tempo. Morador antigo da região, não deve causar constrangimento aos vizinhos quando passa por dentro do parque Buenos Aires. Mas que ele não se atreva a vestir a sunga que costuma usar nos banhos de mar, lá no litoral sul. Correria o risco de ser assediado pelos vigilantes da moral e dos bons costumes que trabalham na praça.

É que neste recanto do bairro, forrado de verde, com espaço para passeio tranquilo, cercadinho para animais de estimação e gramado relaxante, existe uma regra. Está lá na Portaria 28/02, artigo 5º, inciso 17: é proibido “tomar sol de biquíni ou sunga”. Principalmente biquíni, dado que até hoje não se registrou nenhum caso de medida punitiva aos frequentadores adeptos da sunga (mas é bom não exagerar, Gabeira).

De acordo com notícia publicada em página cheia da Folha (leia aqui), uma mulher de 58 anos foi convidada a manter a compostura sob o risco de ter de deixar o ambiente. Ela cometeu deslize grave, segundo as normas aprovadas pelo conselho que representa, em última instância, os frequentadores: vestia um biquíni. O artigo não diz se fio dental, asa delta ou outro modelo qualquer, mas o vigilante que abordou a senhora se referiu a “roupa íntima”.

A culpa é da sociedade conservadora, explicou o administrador do parque Eduardo Panten em defesa da proibição que pode ser estendida a outros trajes (ou falta deles), pelo que percebi nas declarações dadas ao jornal. Consta que as babás que levam seus clientes ao parque têm reclamado, também, dos “idosos sem camisa”, especificou um dos oito vigilantes que circulam na Buenos Aires. Isto, sim, algo que pode atrapalhar o passeio do meu amigo Heródoto, apesar de que ele prefere mesmo a camisa do Corinthians que constrange apenas pelas marcas encardidas pelo centenário.

Pelas dúvidas, preferímos conversar com um advogado: ouça a entrevista do coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP Martim de Almeida Sampaio. E deixe sua opinião.

Câmara de SP não informa voto de vereadores

 

O cidadão tem o direito de saber como o vereador votou nos projetos de lei em debate na Câmara Municipal. É uma informação importante para que se possa avaliar a coerência do discurso com os atos dele. Apesar disso, o legislativo paulistano segue escondendo estes dados do público.

Desde agosto, o Movimento Voto Consciente aguarda a lista com o nome dos 55 vereadores e como cada um deles votou em plenário. Apesar destas informações serem públicas até agora são mantidas em segredo.

Falta organização ou transparência ? Para Sônia Barboza, do Voto Consciente, é falta de interesse mesmo. “Há um mês disseram que o veredor Chico Macena (PT), primeiro secretário da mesa diretoria, iria passar as informações, mas todas as vezes que eu cobro só recebo promessas”, disse ao CBN São Paulo.

Ouça a entrevista com Sônia Barboza, do Movimento Voto Consciente

O curioso é que os próprios vereadores prometeram divulgar estes dados no site da Câmara que foi lançado em setembro mas até hoje não está no ar: “Eles fizeram a festa mas não levaram o bolo”, ironizou Sônia Barboza. Ela lembrou, ainda, que no Orçamento do legislativo municipal estão destinados à área de comunicação R$ 36 milhões, além de R$ 17 milhões para publicidade.

“Preciso que alguém ajude” diz moradora da Bororé

 

Ilha do Bororé

Na Ilha do Bororé desde 1994 e em São Paulo desde 1970, Dona Zinha tem uma batalha neste momento: terminar a creche para as cerca de 300 crianças que vivem no afastado bairro da zona sul da capital. Para chegar lá é preciso pegar a balsa na região do Grajaú e isso pode levar até cinco horas nos fins de semana quando aumenta o número de pessoas que vão aproveitar a represa de Guarapiranga e os sítios que têm na região.

Para quem está lá todos os dias, como Antônia Batista Santos, nome de batismo, há pouco para ser apreciado. Não dá tempo. É preciso cuidar do prédio da associação comunitária, pedir dinheiro para ampliar o salão da creche, se preocupar com a sujeira que fica após a passagem de turistas e os problemas na única escola – estadual – que tem na região.

Ouça a entrevista de Zinha, ao CBN SP

Nessa segunda-feira, alertamos para os problemas da Ilha do Bororé, no CBN SP, e no Blog, inclusive com uma sessão de fotografias (veja aqui). Desde lá esperamos uma resposta da prefeitura de São Paulo, ou da subprefeitura de Capela do Socorro, ou de qualquer autoridade pública interessada em atender às reclamações da comunidade.

Em três dias de buscas, ficaram claros os motivos que levam à carência na Ilha do Bororé. Nenhuma resposta até agora, nenhuma intenção em dar entrevista sobre o tema, nenhum respeito aos cerca de 3 mil moradores da Ilha. Uma vergonha para a maior cidade do País.

Barulho não é sinal de potência, diz engenheiro

 

Andar com a “descarga aberta” como se dizia antigamente, faz barulho, polui mais e não melhora o desempenho do motor. É o que alerta o engenheiro mecânico e professor de sistemas mecânicos de propulsão veicular da FAAP Eduardo Polati sobre o ruído emitido pelos motores de veículos que será verificado na inspeção veicular a partir do ano que vem.

Polati explica que problemas no sistema de escapamento podem gerar mais barulho do que o permitido por lei e, por isso, é importante que se esteja atento a manutenção do equipamento. O professor chamou atenção, porém, para um hábito de motoristas – de carro e moto – que modificam o sistema com a intenção de aumentar o ruído do motor para transmitir a sensação de potência. “Em alguns casos, a mudança causa problemas no próprio motor”, disse ao CBN SP.

Ouça a entrevista de Eduardo Polati na qual falamos sobre a causa dos ruídos acima do permitido por lei e as diferenças em motores de acordo com o combustível, entre outras dúvidas.

Nesta semana, publicamos dois textos no blog falando sobre o efeito da poluição sonora provocada pelos automóveis na saúde do cidadão. Sugiro a leitura que complementa a entrevista com o engenheiro e professor Polati.

Crime e aborto eleitorais

 

Por Carlos Magno Gibrail

A criminalização do aborto em 1966 custou ao ditador Nicolae Ceausescu da Romênia, 23 anos depois, uma revolta encabeçada pela juventude, que em boa parte não teria nascido se o mesmo não tivesse sido proibido. Ceausescu foi o único líder comunista do colapso soviético que teve morte violenta. As eliminações do aborto e do controle da natalidade contribuiram para o aumento da população, e as crianças nascidas a partir daí tiveram menos educação e mais pobreza.

A descriminalização do aborto em 1973 nos Estados Unidos gerou 20 anos depois e, até hoje, uma queda significativa no índice de criminalização do país. “Quando o governo dá a uma mulher a oportunidade de escolha quanto ao aborto, ela em geral pondera corretamente se está ou não em condições de criar bem o bebê”.

Estes fatos estão contidos no “Best-Seller” do economista Steven Levitt e do jornalista Stephen Dubner: “Freakonomics” lançado em 2005. Embora embasados em argumentos correlacionados com dados estatísticos e lógica estimulante, as conclusões sempre poderão ser questionadas. O que não se contrapõem é o fato do tema ser mais bem esmiuçado à luz da técnica, da ciência e da crença individual.

O coletivo, o público e, principalmente, o oportunismo eleitoral sempre serão um empecilho para a coerência das conclusões em temas pessoais, envolvendo liberdade e cidadania.

É por isso que jornalistas e analistas políticos estão criticando Dilma e Serra pela falsidade e oportunidade de retroceder na maturação do processo eleitoral brasileiro.

Fernando de Barros e Silva lembrou o episódio de Boris Casoy inquirindo FHC: “Senador, o senhor acredita em Deus”?

Ruy Castro em “Conversões Tardias” declinou-se condenado às labaredas do inferno ao comparar a postura dos candidatos com a ficha religiosa que possui.

Claudio Abramo ressaltou a proeminência dos temas homossexuais e do aborto em detrimento dos grandes assuntos públicos, chamando atenção pela inversão: “O que é privado se discute em público e o que é público se discute em privado”.

Ricardo Melo em seu artigo “Império da mentira” louva as formalidades eleitorais, pois revela pessoas, porque ambos os candidatos foram ateus e eram a favor do aborto, mas hoje ou mentem ou converteram-se momentaneamente.

Benjamin Moser, norte americano, apela para copiarmos a Argentina e Portugal (que vergonha!), que atribuem igualdade para todos no casamento e opina que os atuais candidatos não estão demonstrando a coragem necessária para enfrentar preconceitos.

Entretanto esta contemporânea dramaturgia eleitoral que nos aflige talvez não fosse tão ruim se tivéssemos escolhas reais com diferenças perceptíveis.

Esperamos que a velha máxima do futebol que treino é treino e jogo é jogo possa prevalecer e qualquer dos candidatos que vencer possa crescer.

Mesmo porque, como escreveu José Eli Veiga, Professor FEA USP, seis por meia dúzia, Dilma e Serra nem isso tem de diferente. É seis por seis ou meia dúzia por meia dúzia.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung