Adrenalina é cartão de crédito na 5a. Avenida

 

Por Abigail Costa

Geralmente o tempo é muito curto. Com sorte pode chegar a quatro, cinco minutos, se o assunto for interessante. Caso contrário não se segura no ar. Como eles adoram falar: “Não paga o tempo gasto”.

O “menor” tempo não siginifica jogo rápido. A reportagem pode durar míseros 1 minuto e 30 segundos – dá um trabalho! O que faz muita gente pensar que esse “emprego” é dos bons: “Imagina a maioria trabalha pouco, aparece na TV e ganha bem”.

Foi isso que o Paulo, zelador do prédio, perguntou à minha mãe: “Como o serviço da sua filha é bom! É só um pouquinho”.

Nesse “pouquinho” você, literalmente, roda a cidade quando não sai dela.

100, 150 quilômetros na estrada. Até pegar a dita cuja, até conseguir se livrar do trânsito, lá se foram algumas horas.

Certo dia saímos do asfalto para encontrar o entrevistado. Ainda tinha pela frente uma outra estrada de terra vermelha. “A poeira você tira de letra. Fecha os vidros, liga o ar e relaxa”, dirão. Impossível !

Se é estrada de terra tem buraco, se tem buraco o pneu entra e sai, e você vai junto, vai pra esquerda, volta pra direita, feito aqueles bonecos de posto de gasolina. Só que o boneco é de plástico, não tem quadril, não tem nervo ciático.

Os humanos (eu) têm.

Vou me queixar com quem? Mas tenho que falar, isso dá uma aliviada.

Como é que tem gente que faz raly ? E as costas?, disse alto

Imagine pegar um fim de semana pra isso? Solavancos!

Ao lado, meu companheiro de “serviço” que também pulava revelou que esse era seu esporte preferido: “Adrenalina na veia!” – gritou entusiasmado.

Isso te faz sentir o sangue correr mais rápido? Pois eu prefiro um cartão de crédito.

Quinta Avenida, Manhatan, Loja Channel, bolsa 2.55. Pede para a vendedora. Sente o cheiro do couro. Passa os dedos sobre a corrente dourada gelada. Próximo passo: é MINHA!

Entrega o cartão pra moça…. Espera ela digitar o valor. Coloca os quatro números da senha.

Isso é adrenalina pura. Sem poeira, sem buraco, sem dor nas costas.

Ok, um peso maior na consciência. Mas passa, assim que a fatura é paga. Simples assim.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung, adora esportes radicais

Sul e Sudeste elegeram Dilma, também

 

O preconceito e a má-informação têm induzido pessoas ao erro e colaborado para ampliar as diferenças que existem no Brasil. Refiro-me a origem dos votos que elegeram Dilma Roussef em detrimento de José Serra. Em mensagens curtas pelo Twitter e textos ilustrados que me chegam por e-mail a todo momento – e por isso resolvi falar sobre o assunto neste blog -, eleitores do norte e nordeste são “acusados” de serem os responsáveis pela vitória petista em uma tentativa de diminuir o resultado relacionando-o ao voto de pobres e analfabetos.

Antes de irmos aos números, ressalte-se que das coisas mais belas que tem na democracia é o fato de o voto do Barão valer o mesmo que o do peão – seja ou não alfabetizado. É dos poucos momentos em que o cidadão vale a mesma coisa diante da lei, raro em um país que costuma julgar conforme a posse.

Importante lembrar, também, que o voto que vem de Oiapoque (AM), Jaicó (PI) ou Caiçara (PB) são de eleitores brasileiros assim como os depositados (teclados) na urna em São Paulo e Rio de Janeiro. Representam o mesmo país. Assim, se Dilma tivesse sido eleita apenas pelo apoio do Norte e Nordeste, já teria sua vitória legitimada. Mas nem isso é verdade.

Somados os votos da região Sul e Sudeste, Dilma chegou a 29,7 milhões, enquanto Serra fez 29,4 milhões. Estaria eleita assim mesmo.

A vitória dela em Minas (16 p.p) e Rio de Janeiro (20 p.p) foi acachapante . O tucano se deu muito bem no Paraná (10 p.p) e Santa Catarina (14 p.p) e foi pouca coisa melhor no Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

Lembre-se, também, de que Paraná e Santa Catarina somam pouco mais de 9,3 milhões de votos, enquanto apenas o Rio tem em torno de 8 milhões. E Minas é o segundo maior colégio eleitoral do País, depois de São Paulo, com cerca de 14 milhões.

Puxando o traço: a avaliação de que o Nordeste, os pobres e os analfabetos elegeram Dilma, não bastasse ser de um preconceito irritante revela ignorância.

Controlar quer mais fiscalização contra poluição

 

Moto usa cortina de fumaça

A empresa contratada pela prefeitura para fazer a inspeção veicular pede mais fiscalização nas ruas contra a poluição do ar. O diretor presidente da Controlar, Harald Peter Zwetkoff, disse que é preciso aumentar o cerco contra os motoristas que fazem mudanças no motor ou no veículo após serem aprovados nos postos de controle.

Ouça a entrevista de Harald Zwetkoff, da Controlar, ao CBN São Paulo

Com este comentário, o executivo chama atenção para um problema que deve se acentuar a partir do ano que vem quando a emissão de ruído também será analisada na inspeção veicular. Motociclistas, em especial, costumam mudar o escapamento aumentando o barulho dos motores. Com mais fiscalização seria possível, ainda, coibir a frota “pirata” que circula na cidade, formada por carros sem licenciamento e qualquer outro tipo de controle, seja de emissão de poluentes e ruído seja do uso de equipamentos de segurança.

Os automóveis são responsáveis por boa parte da poluição que causa doenças e mortes no Estado de São Paulo. Relatório do governo paulista mostra que a queima de combustíveis fósseis, como diesel e gasolina, aumentou 39% em 18 anos. (leia reportagem do Estadão) http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,emissoes-por-combustiveis-fosseis-aumentam-39-em-18-anos-no-estado,634002,0.htm.

Na foto que ilustra este post, uma motocicleta que faz entrega para o Pão de Açucar é flagrada soltando fumaça enquanto roda na Marginal Pinheiros, em frente ao Parque do Povo. A imagem foi feita pelo ouvinte-internauta Paulo Ribeiro.

Avalanche Tricolor: Em alta velocidade

 

Goiás 0 x 2 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada (GO)

Em uma acelerada típica dos carros de fórmula 1, o Grêmio chegou ao gol em 13 segundos e oito toques.

Mérito de Vítor – ele sempre tem méritos – que não apenas interrompeu o ataque adversário como repôs a bola com a rapidez necessária para fazer Gabriel acelerar da intermediária ao campo contrário.

Os marcadores foram ficando para trás e sem tempo de pensar viram a bola correr até Jonas que soma o fato de ser goleador e solidário. Nosso atacante não teve dúvidas, virou o corpo para o lado onde seus olhos já miravam e viram Lúcio aparecer como uma flecha pelo lado esquerdo.

A televisão não mostrou, mas o ala/meio-campo gremista estava dentro da área onde a jogada havia começado pelas mãos de Vítor e estava dentro da área onde se encerrou nos pés de André Lima – do outro lado do campo.

Coube a nosso outro atacante repetir o que havia feito nos primeiros minutos de jogo, agora, porém, sem a interferência do árbitro. Correu em direção a bola, transformou velocidade em força e estufou a rede.

Verdade, foi um raro momento nesta partida, mas que já havia se feito presente em outros jogos deste segundo turno, quando passamos a atropelar nossos concorrentes em uma avalanche de gols, pontos e vitórias que nos aproximam dos líderes.

Faltam cinco jogos, teremos mais 15 pontos em disputa, adversários complicados, alguns motivados, outros desesperados. E muita gente ainda para ultrapassar. Mas no embalo que estamos por que não acreditar nesta arrancada final.

Nosso histórico é nossa certeza de que somos capazes. E velozes.

O uso do celular no avião

 


Carlos Magno Gibrail

O vôo Porto Alegre – São Paulo, na quinta-feira, permitiu e estimulou os passageiros a usarem seus celulares para contatos familiares e profissionais. No Air Bus A312 a TAM passa a disponibilizar o uso através dos Smartphones para ligações telefônicas, SMS, internet e demais conexões eletrônicas, até então apenas possíveis em terra. É a primeira companhia brasileira a utilizar a aprovação da ANAC para os serviços de telefonia e internet nos aviões com SMP serviço móvel pessoal.

De acordo com a Diretoria de Marketing da TAM na palavra de Manoela Amaro: “O uso de celular a bordo foi uma demanda detectada por meio de pesquisas com nossos passageiros que desejam estar conectados ao trabalho, à família e a amigos enquanto viajam”.

A percepção que se tem é que o Comandante Rolim buscava sempre a diferenciação com base no conforto dos passageiros. A questão é saber que público dentre os principais segmentos de estilo de vida dos passageiros da TAM , que a Manoela Amaro está atendendo, ao liberar o uso do celular. O seu pai, pelo feeling, talvez nem precisasse de sistemas de pesquisa, pois diuturnamente estava atendendo em Congonhas os passageiros até o embarque, na escada dos aviões, em cima do tapete vermelho, ao lado do comandante e da chefe de serviço da aeronave. “Boa viagem, Gibrail” foi o que ouvi inúmeras vezes.

A ANAC certamente ao promulgar a liberação do uso do celular levou em conta fundamentalmente o aspecto tecnológico, já testado e aprovado. A OnAir , fornecedora da TAM, aplicou em 135 mil vôos em 356 cidades e 83 países. O serviço permite que apenas oito passageiros utilizem os celulares para ligações telefônicas ao mesmo tempo. Não há restrições para envio de torpedos nem no número de passageiros acessando a internet por meio de smartphones.

Esqueceram apenas de perguntar aos passageiros. Ou, com a “barriga no balcão” como Rolim fazia, ou com a metodologia que permitiu que 0,004% do universo de eleitores brasileiros pesquisados pudesse projetar o resultado de mais de 130 milhões de votos.
Nos Estados Unidos, alerta dado pelos comissários de bordo através do sindicato de classe, levou o Congresso a proibir o uso dos celulares em função da liberdade individual dos cidadãos. Ao mesmo tempo inúmeras pesquisas demonstram que os americanos apoiam a manutenção da proibição.

A FCC Comissão de Comunicações dos Estados Unidos em Washington proíbe o uso de celulares em aviões, em parte devido a algumas preocupações não resolvidas sobre possíveis interferências nos sistemas de telefonia e demais equipamentos de navegação das aeronaves.

O presidente da OnAir, Benoit Debains rebate: “Nos Estados Unidos a situação tem um aspecto emocional forte”, porque segundo ele o ruído normal do vôo não deixa os demais passageiros ouvirem o usuário falando.

As restrições de poucas aeronaves, poucos usos simultâneos e tarifas altas, logo deverão ser ultrapassadas e certamente estaremos diante de um ambiente insuportavelmente poluído.

Como historicamente no embate entre as grandes corporações e os indivíduos, as primeiras sempre vencem, há duas saídas para os que querem sossego nos voos. Separação entre usuários e não usuários ou chegada dos novos consumidores, hoje em fase de gestação. Aqueles que Nizan Guanaes descreve em artigo de ontem na Folha como “os escritores de celulares”. O escrito se sobrepondo sobre o falado no aparelho destinado originalmente à fala.

O torpedo não interrompe reuniões, exige menos firulas, propicia linguagem direta, é mais eficiente, serve mais, incomoda menos. A tese de Guanaes tem coerência, ressência, é contemporânea e pode se adiantar a massificação do celular em aeronaves. E estaremos protegidos.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve as quartas no Blog do Mílton Jung




Fui presidente por dois dias

 



Carolina Marcelino

Repórter da CBN

Aos 18 anos, tirei meu título de eleitor com a plena certeza de que contribuiria para as mudanças da minha cidade e do meu país. Mas minha participação foi mais além, três anos se passaram e agora, em 2010, fui convocada pela primeira vez a ser Presidente de Mesa Receptora de uma das salas da Emeb Prof. Kazue Fuzinaka, no Rude Ramos, em São Bernardo do Campo.

No primeiro turno, a falta de experiência fez com que minha sala atrasasse a abertura em oito minutos. Ontem, a história foi diferente. Às 7h30, a urna já estava ligada a espera do primeiro eleitor.


Logo no início da manhã, duas notícias me chocaram. A primeira foi que a segunda secretária da seção não havia sido convocada para o segundo turno.
A coitada não foi avisada e acordou cedo no domingo para ir trabalhar nas eleições. Assim que soube do engano do Cartório, que simplesmente esqueceu de comunicá-la desse pequeno detalhe, votou e foi embora.


O outro choque foi quando soube que a Presidente da Seção ao lado havia sido condenada a pagar uma cesta básica por mês durante um ano à Justiça, pois no primeiro turno um dos seus mesários entregou o comprovante de votação de uma pessoa para outra. Sim, ela respondeu pelo erro de um outra pessoa. Nesse momento, implorei pela atenção redobrada dos meus novos amigos, que provavelmente verei com certa frequência nas próximas eleições.


De 231 eleitores, apenas 200 apareceram para votar na seção. A votação em meio a um feriado prolongado pode ter sido um fator determinante para a ausência de algumas pessoas. Não foi o caso da aposentada Maria de Lourdes, de 63 anos. Ela foi votar bem cedo e em seguida pegou a estrada rumo ao litoral. “Temos que exercer nosso papel antes de aproveitarmos o feriado”, disse Maria. 


A dúvida em quem votar ainda estava no ar. A “minha” urna registrou 21 votos nulos e dois brancos.

Transições pós-eleitorais

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

O pleito presidencial e os estaduais estão definitivamente concluídos. Em 2009, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal aprovou o Relatório da Proposta de Emenda Constitucional nº 60, de autoria do Senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) estabelecendo a formalização de transições pós-eleitorais.

Esta medida, a par de oportuna, é de inquestionável relevância ao instituir e disciplinar uma relação organizada de responsabilidade entre o governante e o seu sucessor, especialmente porque o primeiro assegurará ao outro, previamente à posse, o acesso aos dados, informações e situações oficiais sobre o ente público.

A PEC 60/2004 merece ser impulsionada e convertida em norma jurídica porquanto resguarda a continuidade administrativa e os serviços públicos, impedindo que mesquinharias eleitoreiras, ressentimentos ou quireras paroquiais desviem tanto a finalidade quanto a rotina das instituições. E isto é bastante comum, especialmente após campanhas acirradas e vitórias de adversários ferrenhos. Com freqüência, os veículos de comunicação referem episódios de sonegação de documentos, sabotagens, danificação de arquivos e até furtos de equipamentos no período que antecede a passagem do poder.

Trata-se da necessária adequação, nos demais planos federativos, do que consta disciplinado ao federal através da Lei nº 10.609/02.

Dita regulamentação elevará todas as transições pós-eleitorais a um patamar institucional, impedirá a sonegação ou obstrução de informações e o que é mais essencial deste conjunto: protegerá a moralidade e a eficiência públicas, valores administrativos que devem ser preservados independentemente da orientação partidária que estiver no poder. Além de eleitor, o cidadão é contribuinte, portanto merece respeito e tranqüilidade neste momento de troca de gestores públicos estaduais.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Educação e meio ambiente, a hora é agora

 

Votar é um ato simples, a complexidade está na escolha. Em poucos minutos, entrei e sai da seção eleitoral sem pressa nem congestionamento, fatores comuns para quem vive em São Paulo. Milhares de brasileiros repetiram este gesto no domingo, talvez nem todos com a mesma tranquilidade que encontrei em meu caminho, mas tomando a mesma decisão pelo que entendiam ser melhor para o Brasil. Nem sempre meu pensamento vai no mesmo sentido que o seu, mas todos tem de estar voltado para a mesma direção: o bem do país em que vivemos.

Houve os que abriram mão da escolha, se ausentaram – a abstenção chegou a 21% -, mas nem por isso deixaram de ter uma atitude política.

Se mais não foram as urnas, mesmo que o voto seja obrigação, cabe aos partidos e políticos compreenderem o recado enviado. Talvez não tenham sido suficientemente convincentes em suas ideias. E convenhamos, o que temos assistido anos a fio na política brasileira não é mesmo de transmitir muita confiança.

Sem contar que a própria campanha eleitoral pecou ao não tocar em pontos fundamentais para o desenvolvimento do País. Mesmo pautado pelas pesquisas de opinião, os candidatos preferiram tratar de maneira rasa temas como educação que aparecia no topo da preferência do eleitor. As questões ambientais, com toda a influência da candidatura de Marina Silva, também se restringiram a comentários simplistas. Trocaram-se propostas por máximas imprecisas como “valorizar o professor” e “acabar com o desmatamento”.

Na cobertura da eleição deste domingo, na CBN, tive oportunidade de conversar com dois especialistas, um em educação, outro em meio ambiente. Interessante notar que os assuntos estão interligados. Sem conhecimento não se tem uma economia sustentável, capaz de atender as demandas do país e, ao mesmo tempo, preservar seus recursos naturais, por exemplo.

O oceanógrafo David Zee lembrou que foi com pesquisa (e pesquisadores, claro) que o setor agropecuário aumentou sua produtividade sem ter de derrubar mata. Sim, isto é possível, apesar de setores da economia rural não entenderem desta maneira e seguirem pressionando o parlamento a permitir a aprovação de um Código Florestal que pode se transformar em enorme risco à nossa sobrevivência.

O educador Mozart Neves Ramos, do Movimento Todos Pela Educação, entende que a qualidade do ensino somente terá avanços consideráveis se houver mais investimento e uma gestão profissionalizada nas escolas, além de faculdades de pedagogia capacitadas a qualificar o professor. Nem todos os temas são de responsabilidade direta do Governo Federal, mas o tem como indutor das políticas que permitam estes avanços.

Ambos concordam que as medidas para uma mudança qualificada do País na educação e meio ambiente não podem esperar. E este será dos grandes desafios da nova presidente Dilma Roussef, assim que assumir a função, em 1º de janeiro. Melhor ainda, assim que se iniciarem os trabalhos de composição do seu Governo, pois terá de encontrar pessoas comprometidas com estas ideias e não apenas com as cores partidárias.

Dilma poderia ler a edição da Revista Época deste fim de semana, na qual está pesquisa que trata dos valores mais apreciados pelos brasileiros. Fica evidente que o cidadão deseja viver em um Brasil no qual sejam satisfeitas as suas necessidades físicas e financeiras, mas também que existam condições que garantam a paz, justiça e qualidade de vida. Para tanto é preciso encarar os problemas estruturais e combater a corrupção, um dos aspectos mais citado pelos entrevistados.

E nada disso se constrói sem investimento na educação. Quando isto ocorrer, provavelmente os candidatos não terão mais de se preocupar com o índice de abstenção do eleitor. Por outro lado, terão de se esforçar para mostrar na campanha mais do que simples jargões e ideias vazias.

De comunicação e expressão

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De comunicação e expressão na voz da autora

A linguagem humana está tão distante da original, da linguagem da natureza, da vida, que não surpreende o caos que toma conta de nós. Em todas as áreas. Dentro, assim como fora.

Linguagem pressupõe: herança e lógica da fonte onde nasce, ordem, estratégia, coerência, gesto, ritmo, melodia, e tem que ter um quê de permanência. Mesmo que hoje palavras brotem de provetas, às dúzias, todos os dias, e mesmo que tenhamos dezenas de termos para uma só idéia, a idéia original não pode se perder no processo, senão instala-se o caos ali também.

mancebo rapaz
moço menino
gato bofe
guri mino
pão avião
ficante amigo
amante rapagão
cara mano
chefe irmão
deus homem

A linguagem dos deuses é a mitologia. Nós a esquecemos? abandonamos? As histórias dos mitos são a literatura do espírito, mas estamos interessados na cena inteira? Não, é mais fácil não ver.

focamos no aparente
no imediato
no que já está na rede
e perdemos o cardume dourado
que passa logo ali, do nosso lado

Arremedamos a natureza, de dentro e de fora de nós, de forma tão excepcional, que perdemos a capacidade de distinguir entre o original e o pirata. Em tudo. Padronizamos em nome do tempo; da produtividade.

medimos ideias e sentimentos
com a mesma fita métrica descartável
com que medimos o metro quadrado
de livro encadernado
na prateleira do escritório
empoeirado

No dia em que nos interessarmos em aprender que o vocábulo sociedade é símbolo para um grupo reunido de forma organizada, pelo bem de todos, num espaço/tempo determinado, e que não se refere a uma só parcela desse todo, então começaremos a nos entender. Voltaremos a olhar-nos nos olhos, a dizer o que verdadeiramente sentimos, e, nesse impulso de pura vida, nos voltaremos para a natureza e ouviremos o que ela tem a dizer. Veremos que ali que estão escritas as regras que nos levam a gozar as delícias dos jardins das mesmas: da modernidade, tecnologia, inovação, superação, conforto, beleza, saúde, desenvolvimento de mentes e corpos e etc. As delícias da Ciência e as delícias da Filosofia. A verdadeira religião.

Voltar a compreender essa linguagem, é um caminho para a harmonia. E, se começar é preciso, é também simples; há que andar, dançar, voar, amar, pedalar, plantar, colher, perdoar, aceitar, perseverar, criar, brincar, rir, rir de si mesmo, de guarda baixa, acreditar, deixar-se envolver por mitos; ouvir o que eles têm a dizer.

Tente, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

O feminino usa saia

Por Dora Estevam

Com tanta correria hoje em dia, as mulheres acabam optando por roupas mais práticas. Calças, camisas, blazers e sapatos fechados, fazem parte do figurino de boa parte delas.

Você diria que este dresscode é masculino? Sim, aparentemente sim. Mas é a realidade, mulheres com calças e blazers, roupas consideradas discretas para uso em trabalho. Principalmente nos escritórios. Por toda a cidade se você observar na hora do almoço é um verdadeiro batalhão de mulheres de escritório com as roupas convencionais.

Sem dúvida que uma calça alfaiataria fica muito bonita se combinada com uma bela camisa. Passa um ar mais sóbrio e não deixa de ser feminino se as produções estiverem ao alcance. Uma bela bolsa, um par de sapatos modernos, tudo isso favorece o visual, deixando mais leve, bonito e moderno.

O fato é que tenho visto em todos os desfiles de moda, nacionais e internacionais, modelos de vestidos e saias muito longos. Nos mais variados tecidos e padronagens.

Como eu gosto muito de vestido e saias longas separei alguns modelos de streetstyle para vocês se animarem, e, quem sabe, já começar a usar nos próximos dias. Lembrando que não é só no verão que usamos saias.

Para as que trabalham em escritórios formais as cores neutras ficam melhor. Neste caso, os acessórios podem dar um toque particular e quebrar um pouco a sobriedade. Cuidado com as alças, não se esqueça de combinar um spencer, casaquete ou cardigãn, além de te proteger ficará estiloso e sóbrio. Cuidado também com os pés, não é porque está usando um vestido que vai colocar uma sandália rasteira. É deselegante. Procure usar sandálias fechadas e com pouco salto.

Para as mais despojadas, vestidos e saias coloridos, estampados. Nos pés as opções vão desde os mais variados tipos de tamanco, ancle boot, sandálias mais grossas, até as minibotas. Tudo proporcional ao seu estilo.

Eu adoraria ver a saia comprida virar febre de verão. E não se preocupem com os tecidos: jeans, seda, algodão, todos leves e próprios para a estação.

Opções é que não faltam. Não tenha medo de ousar, você ficará linda e charmosa. Toda a família dirá que você está encantadora.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre estilo e moda, aos sábados, no Blog do Mílton Jung


A fonte destas imagens é o site Stockholm StreetStyle.com