Passarelli: Da indústria de móveis à dos automóveis

 

Por Adamo Bazani

Sebastião Passarelli, empresário do setor de ônibus, assistiu a transição entre duas fases importantes da indústria no ABC Paulista e a expansão da região metropolitana. Temas deste segundo capítulo da história deste empresário de ônibus, de 81 anos.

No início dos anos 60, a região do ABC Paulista era um dos principais centros de fabricação de móveis do Brasil. Devido a proximidade de Santos, o principal porto comercial da América Latina, e a vasta plantação de eucaliptos, a região, principalmente São Bernardo do Campo, fabricava todo o tipo de mobília, que não só era vendida no Brasil, como no exterior.

A indústria moveleira demandava na época mão de obra mais simples e menor. E os transportes para São Bernardo do Campo refletiam esta realidade, tendo crescido para atender essa segmento. Mantinha linhas de ônibus mais curtas para transportar número restrito de operários.

Com o advento da indústria automobilística, a realidade mudou. As fábricas eram maiores, a mão de obra mais qualificada e abundante. Segundo Passarelli, isto influenciou ativamente os transportes urbanos. Com mais gente para transportar, e gente que exigia maior qualidade no serviço, o empresário de ônibus teve de investir pesado na modernização do sistema.

O serviço, até o início da indústria moveleira quase artesanal, teve de se profissionalizar para atender as necessidades que surgiam de maneira muito rápida: bairros eram criados da noite para o dia, as distâncias entre trabalho e casa aumentavam. O poder público, de diversas cidades da região, principalmente de São Bernardo do Campo e Santo André, teve de intervir para organizar o sistema de transportes. A relação entre empresários e autoridades foi pautada muito mais por questões técnicas. Não se criava linhas por simpatia com determinado empresário ou apenas de forma experimental, como ocorria até então. Teve de haver planejamento.

Sebastião Passarrelli lembra os principais passos dessa transição. O serviço tinha ainda de atender aos trabalhadores da indústria de móveis, mas também aos que iam atuar nas fábricas de carros e peças de veículos. Algumas linhas, que serviam os centros moveleiros tiveram de atender, num primeiro momento, uma grande mão de obra da construção civil, formada por migrantes, principalmente das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Esse trabalhadores atuavam na construção dos parques das indústrias de carros. Depois, era necessário atender aos operários que atuavam diretamente na industria automobilística.

Passarelli ressalta que essa mudança não aconteceu da noite pro dia. “Fabricação de móveis e de carros conviveram de maneira intensa no ABC Paulista, por alguns anos, na década de 1960. Uma crescia e outra diminuía. Não podíamos, no entanto, simplesmente abandonar as linhas que serviam pólos moveleiros, mas também não podíamos perder a oportunidade de atender a demanda da indústria automobilística, que era o futuro da demanda dos transportes. Tivemos de resolver rapidamente equações de demanda/número de carros/número de linhas. As vezes tínhamos de priorizar algumas linhas em detrimento de outras. Foi necessário dar uma nova cara aos transportes no ABC Paulista e remanejar linhas e veículos”.

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Hugo Possolo fala de assalto aos Parlapatões

 

HugoPossolo

A violência no espaço Parlapatões na praça Roosevelt foi considerada um caso isolado por um dos fundadores do grupo de artistas que mantém o local. Hugo Possolo disse que o assalto que deixou o companheiro dele Mário Bortolotto gravemente ferido pode ocorrer em qualquer ponto da cidade. O importante para ele é que o cidadão não se torne refém desta situação e saiba reagir com inteligência, como fizeram cerca de 400 pessoas na noite de domingo que se reuniram no mesmo local em que Bortolotto foi baleado (leia sobre o encontro no Blog São Paulo Urgente, onde você encontrará uma série de fotos na homenagem ao diretor artístico).

Hugo Possolo explicou a importância do trabalho cultural no entorno da praça Roosevelt e está confiante de que o projeto de recuperação da área, de responsabilidade da prefeitura, possa avançar nos próximos meses:

Ouça a entrevista de Hugo Possolo, dos Parlapatões

Uma das ironias deste caso de violência é o fato de Mário Bortolotto, que está hospitalizado e em coma induzido, manter um blog com o nome “Atire no dramaturgo”.

Reforma da Roosevelt tem 20 anos e obra não começou

 

O assalto que feriu gravemente o diretor artístico Mário Bortolotto, na madrugada de domingo, chamou atenção para a praça Roosevelt, no centro de São Paulo, que está a espera de um interminável programa de revitalização prometido desde 2005 pela prefeitura. Na entrevista que foi ao ar no CBN São Paulo, a gerente de intervenções urbanas da Emurb Rita Guimarães Silvestre Gonçalves disse que os planos já existem há 20 anos e a demora se deve a burocracia para liberação de parte dos R$ 40 milhões que vem de bancos internacionais.

Há três anos, ouço no CBN São Paulo autoridades da prefeitura sobre a obra de revitalização da Roosevelt. O último que havia falado sobre o tema foi o ex-secretário das Subprefeituras Andrea Matarazzo que no fim do ano passado disse que as obras seriam entregues em 2010. Hoje, não há sequer processo de licitação aberto para contratação da empresa que tocará a obra.

Ouça a entrevista de Rita Gonçalves, da Emurb

Cuecas e mudanças eleitorais

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Dinheiro em cuecas, nas meias. Os acusados, previsivelmente medíocres e disléxicos, se valendo de um português sofrível, processam suas habituais negativas estúpidas, em nítido deboche da inteligência das pessoas. Impeachment? Depende de política, de relação maioria x minoria. Pode se consumar? Depende de maioria x minoria. Maioria x minoria? Depende da maioria.
Conviria lembrar que essa vergonhosa cronologia de escândalos que assola o país foi antecedida de episódios que, embora afastados no tempo, não podem ser relegados.

Sem compromisso com rigores cronológicos, vale localizar aquele que se converteu num clássico: o caso dos deputados pianistas, flagrados por fotógrafos em 13 de junho de 1985 quando votavam por seus colegas de Plenário. Depois vieram todos aqueles das décadas de 80, 90 e os anos do terceiro milênio. O episódio do Mensalão deveria se constituir num ponto de inflexão para determinar novas posturas. Contudo, isso não aconteceu, vez que os casos de corrupção seguem espoucando por todo o país.

Ante tais antecedentes, o episódio do Distrito Federal foi apenas mais um na contabilidade. Eliminar a corrupção é tarefa impossível. Todavia, qualificar parlamentos e Governos é possível. Como? Votando melhor, com mais lucidez e menos tolerância aos despreparados e oportunistas.

A cada eleição, especialmente em vista da próxima, para o Congresso Nacional, esta possibilidade efetivamente se renova. Afinal, “Infelizmente, vivenciamos tempos muito estranhos, em que se tornou lugar-comum falar dos descalabros que, envolvendo a vida pública, infiltraram na população brasileira – composta, na maior parte, de gente ordeira e honesta – um misto de revolta, desprezo e até mesmo repugnância. São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de um fosso moral e ético que parece dividir o País em dois segmentos estanques – o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura, e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir”, já dizia o Ministro Marco Aurélio em discurso de posse no TSE.

Como se vive num país constitucionalmente organizado, somente por meio de alterações constitucionais e legais é que se poderá vislumbrar a modificação deste sistema que tolera abusos e acintosas prerrogativas a políticos irresponsáveis e imaturos, alguns verdadeiros psicopatas e delinqüentes.

Sugestões? Tenho várias.

As 10 primeiras:

Eliminação da reeleição para todos os mandatos executivos (Presidente, Governadores, Prefeitos e seus vices);
Limitação dos mandatos parlamentares a apenas 3 legislaturas;
Redução drástica das publicidades institucionais dos Poderes Públicos, verdadeiros gastos de dinheiro público em pedagogias inúteis;
Diminuição da Câmara dos Deputados (a PEC 280/08, sob convincente Justificação, reduz a atual composição de 513 para 250 parlamentares, ou seja, praticamente à metade);
Eliminação do Senado Federal e aproveitamento de sua estrutura e servidores para outras finalidades prementes;
Conversão das milhagens aéreas dos parlamentares num fundo de passagens do Congresso Nacional, disponível via controle pela internet e sob relatórios mensais ao TCU;
Introdução de um critério estabelecendo o exame da vida pregressa para as candidaturas, em todos os níveis;
Eliminação do Fundo Partidário gerenciado pelo TSE a partir do Tesouro Nacional (mais de 1 bilhão de Reais foram repassados aos partidos políticos nos últimos 13 anos);
Introdução de um mecanismo constitucional e outro na Lei das Eleições permitindo a investigação e condenação de infratores por práticas de doações e financiamentos ilícitos e criminosos de campanhas eleitorais a partir do momento da descoberta do fato e não apenas nos 15 dias após a diplomação, como vigora hoje;
Regulamentação e profissionalização dos lobbies.

Isto para começar.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung dando publicidade as regras do jogo político.

Nicomedes e Sérgio são personagens da nossa cidade

 

Sérgio Vaz na Época

Uma dupla satisfação neste fim de semana. Duas das pessoas que admiro pela forma como encaram a vida e pelo tanto que influenciam a dos outros (para o bem) foram destaque na mídia. Sérgio Vaz que teve seu nome apresentado na seleção dos 100 brasileiros mais influentes em 2009, pela revista Época. E Sebastião Nicomedes que conta a reconstrução de sua história na revista Mente Aberta.

De Vaz, criador e criatura da Cooperifa, lembro que aqui esteve inúmeras vezes com seus textos e provocações. Na Época, foi apresentado pela escritora e professora da faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Heloísa Buarque de Holanda:

Sergio nasceu, foi criado e vive em Taboão da Serra, na Zona Sul de São Paulo, onde bem cedo descobriu o potencial político da palavra. poeta e leitor apaixonado, ele viu que, além de prazeroso, o trabalho com a poesia poderia ser um fator de transformação social. Sérgio pôs mãos à obra e criou a Cooperifa, um dos mais fascinantes laboratórios de tecnologia social de que temos notícia”.

…

Em meio ao entusiasmo que dá o tom na Cooperifa, descobre-se a palavra como poder, o livro como carta de alforria, o sarau como quilombo. Não se volta para casa incólume quando se assiste a um sarau na Cooperifa. Isso é Sérgio Vaz.

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De Tião, que morou na rua, tive o prazer de conhecer em entrevistas ao CBN São Paulo, primeiro, e com textos que encaminhava por e-mail para publicação no Blog, depois. Em Mentes Abertas, o jornalista Paulo Gratão, traça a caminhada dele desde que nasceu em Assis, a queda de um prédio em obras que o levou ao abandono, a fome que teve de enfrentar e a forma como se ergueu na arte e no aprendizado:

Entramos em uma sala, onde algumas pessoas manuseavam tinta, papel, latas e outros objetos descartados pela sociedade. Tião nos recebeu e pediu que aguardássemos, com uma seriedade de professor, enquanto mantinha a atenção voltada a um brinquedo que era construído por um de seus alunos. Todas as obras surgiram das mãos que víamos ao nosso redor. Mãos calejadas que todos os dias matam leões de fome, miséria e preconceito. Mãos que abatem as lágrimas que rolam quando a necessidade grita. Mãos que constroem a miniatura do Pátio do Colégio com jornais velhos.

Tião nos olhou com um largo sorriso e chamou-nos para o salão vazio à frente, com uma janela de fundo que vez ou outra mostrava o trem e seu evidente barulho, interrompendo a conversa, mas contribuindo para revelar muita coisa que era dita no silêncio

Tião e Sérgio são daquelas pessoas que nos ajudam sempre a acreditar que vale a pena investir no ser humano.

Tecnologia ajuda a cidade a ser inclusiva

 

centro de Libras em subprefeitura

Para facilitar a comunicação com o cidadão surdo, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida lançou o projeto Celig (Central de Libras, Intérpretes e Guias-Intérpretes). A Central tem terminal de computador e webcam para que a pessoa possa conversar à distância, pelo monitor, com intérpretes Libras que estarão preparados para transmitir todas as informações que, atualmente, estão disponíveis ao público ouvinte pelo telefone 156. Por enquanto, apenas as subprefeituras da Sé, Mooca e Lapa terão o serviço à disposição.

O uso da tecnologia para facilitar a inclusão das pessoas com deficiência será discutido nesta semana em encontro internacional promovido pela secretaria estadual que trata do tema, no governo paulista. Haverá painéis de debates e exposição entre os dias oito e dez de dezembro, no WTC Convention Center.

Logo na abertura, terei a oportunidade de mediar discussão que tem como foco a cidade inclusiva – assunto que é nossa pauta toda segunda, no CBN SP, nas conversas com Cid Torquato. A proposta do encontro é falar de ações que transformem o meio urbano “em um ambiente onde todos, independentemente de sua condição, possam usufruir do transporte, da saúde, da educação do simples ir e vir”

Estarão no debate o psiquiatra Jacob Goldeberg, o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos Ailton Brasiliense, o secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da capital paulista Marcos Belizário, os prefeitos Eduardo Cury de São José dos Campos e Osvaldo Franceschi Jr de Jaú, e a vereadora paulista Mara Gabrilli.

“Transformação: Uma cidade para todos” será nesta terça, 08.12, das duas e meia às quatro da tarde.


A programação completa do Encontro você encontra aqui
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Avalanche Tricolor: Dignidade se aprende de menino

 

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Flamengo 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

Foi uma semana difícil. Houve quem falasse em dignidade, mesmo com interesses nada dignificantes. Havia aqueles que apelavam para a ética, apesar de sequer saberem bem o que isto significa no seu cotidiano. Tiveram de recorrer ao dicionário, provavelmente. Jogavam nas costas do Grêmio uma responsabilidade que – verdade seja dita – era da incompetência dos seus.

Havia me comprometido a não assistir ao jogo de hoje. Temia pelo que a paixão inconsequente pudesse fazer do meu time de coração. Assim que a bola começou a rolar no Maracanã, lá estava eu descumprindo minha promessa. Não havia como me tornar impassível diante da camisa que aprendi a respeitar desde menino. E bem no fundo queria espiar a atitude do time que vestiria esta camisa.

A diretoria havia encomendado para este jogo uma equipe de jovens, muitos dos quais que nasceram dentro do clube. Provavelmente, a maioria deles, assim como eu, comemorou os primeiros gols gremistas da arquibancada do estádio Olímpico. Gente que conheceu a história do futebol pela ótica tricolor, aprendeu que a vitória não se conquista derrotando o adversário, mas superando a si mesmo.

Em campo, no gigante do Maracanã, todos eles, sem exceção, mesmo os nem tão jovens assim, mostraram que havia algo por lutar, e foi na busca deste algo que se superaram. Pela hombridade, pela dignidade, jogaram bola de gente grande, mostraram que não iriam se entregar, não se intimidaram diante de 84 mil torcedores e saíram na frente de um time que havia preparado a festa para ser campeão.

O esforço não foi suficiente para conter a força do adversário que precisou de um gol irregular para iniciar a virada no placar. Mas, para mim, foi o bastante para saber que estes meninos respeitam a camisa que vestem.

Quanto aos arautos da moralidade que continuem a espernear e aprendam uma velha lição que sempre ouvi da boca do meu pai: os incompetentes que não se estabeleçam.

Até o ano que vem.

De vergonha do meu país

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De vergonha do meu país” na voz da autora

vergonha1Olá,

Sinto vergonha de ser brasileira.

O sentimento foi crescendo, enquanto eu estava distraída. Chegou de mansinho como fazem alguns, e quando me dei conta dele, senti vergonha de perceber que sentia vergonha. Tentei ignorar e pensei: isso é coisa passageira, é dificuldade de aceitar a dificuldade; mas me enganei. Não era coisa passageira, era um sentimento que já tinha raiz e que crescia independente da minha vontade.

Cresci aprendendo a amar a Pátria e a respeitar a autoridade. Comecei em casa, onde respeitar pai e mãe não era opcional. Eu não conhecia outra realidade. Meu pai ditava as regras, e o seu dizer não dava margem para discussão. Ele era autoridade no ninho que mantinha para nós. Eu era a sua filha, morava na sua casa, comia da sua comida, era educada porque ele me proporcionava condição de aprender e de espiar pelas janelas dos livros, para ver o que acontecia nos lugares que as minhas pernas ainda não podiam alcançar.

Não era fácil, mas era assim.

Aprendi a respeitar pai, mãe, irmão, vizinhos, amigos, colegas de escola, professores. Aprendi a falar quando o espaço do silêncio me dava a deixa. Aprendi a ser civilizada, como me diziam os mais velhos.

Aprendi muito também fora de casa.

Observava como viviam as famílias dos meus amigos, e me fascinava perceber que havia diferenças, mas que elas só pincelavam um colorido diferente daquele do meu ninho.

Não nasci em berço de ouro, mas a mim nunca faltou nada. Aprendi a levantar de manhã e a lutar, desbravando o caminho do qual, muito pequena, já percebia o traçado.

Aprendi que se pisasse no pé do outro, era óbvia a necessidade de dizer: foi sem querer; me perdoa.

Aprendi a gostar do meu país, da língua falada aqui e da sua cultura. Cultura de um povo de raça, de garra, de alegria, de música, de festa e poesia. Aprendi que estava entre iguais. Havia os iguais mais iguais e os nem tanto, mas que eu seria sempre acolhida nas voltas dos meus voos mais corajosos por este mundo afora.

O bairro, a cidade, o estado, eram extensão fascinante da casa dos meus pais, e minha curiosidade se aguçava a cada aventura. Já não acreditava mais no Homem do Saco que poderia me levar embora, porque eu já não caberia nele. Eu tinha crescido.

Hoje tenho medo de homens e de mulheres do meu país, e sinto vergonha. Muita vergonha. Um sentimento que cresceu, tomou conta dos meus espaços e se mostra enorme, monstruoso, feio, gosmento, fedido. Sinto medo e vergonha dele.

Não posso deduzir que você sinta o mesmo, mas peço que ao menos pense nisso, antes que seja tarde demais.

Até a semana que vem

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, ministra curso de comunicação e expressão, escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung e, antes de mais nada, é brasilera.