Isto não é o caos, é uma vergonha

 

(Atualizado em 10.12, 16h04)

Jardim Romano alagados (Pétria Chaves)

Os Jardins São Martinho e Pantanal, no extremo leste de São Paulo, estão alagados desde segunda-feira à noite, quando se iniciou o temporal na capital paulista. Dois dias após a enchente a água ainda toma as ruas pobres do bairro, como mostram as imagens feitas pela repórter Pétria Chaves, do helicóptero da CBN, e Cátia Toffoletto.

Jardim Romano Pessoas Alagadas (Cátia Toffoletto)

A Subprefeitura de São Miguel Paulista que seria responsável por oferecer qualidade de vida aos moradores da região – oficialmente chamada de Jardim Romano – divulgou nota sem oferecer muita esperança a quem está no meio do problema (ou da água): “a Subprefeitura, juntamente com a Sabesp e o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) estudam a possibilidade de desenvolver um projeto de engenharia para a região”. Enquanto estudam, as pessoas levam a vida do jeito que dá.

No CBN SP desta quinta-feira, o subprefeito de São Miguel Paulista falou sobre a situação enfrentada pelos moradores nesta região:

Ouça o que disse o subprefeito Milton Roberto Persoli

Cada qual com seu paladar

 

Cachação do Corinthians

A dupla acima estava sobre a mesa do jornalista Heródoto Barbeiro e em um momento de descuido foi flagrada pela colega Cátia Toffoletto. A cachaça ‘A Corinthiana’ ainda estava intacta no momento da foto (após, não se sabe o que aconteceu). É possível que ele esteja aguardando momento mais apropriado para comemorações. Mas a mesma não deve resistir por muito tempo assim, pois se tem duas coisas que o Heródoto entende é de Corinthians e cachaça.

Banda larga popular emperra em São Paulo

 

A criação de serviço de Banda Larga Popular, dois meses após seu lançamento pelo governador José Serra (PSDB), anda em baixa velocidade. Tanto a Telefônica como a Net não apresentaram nenhum produto com preços inferiores a R$ 30, que poderiam ser beneficiados com corte de 100% do ICMS.

A Telefônica arrisca dizer que “em breve” e “no menor prazo possível” entregará o serviço. Até tentou, mas obrigava o cliente a levar uma linha telefônica pela qual pagaria a assinatura, no mínimo. Portanto, não atendia as exigências do decreto estadual.
A Net, “está estudando” e não tem data prevista.

Mesmo que consigam nos próximos meses se adaptar as normas do Estado e entregar um pacote de R$ 29,80, há uma dúvida técnica: a velocidade mínima de transmissão de dados nos pacotes populares requerida pelo Governo é de 200 Kbps, abaixo do que a União Internacional de Telecomunicações, da ONU, entende ser banda larga.

Larga ou estreita, o caso chama atenção para um fato que se repete no País. No anúncio é a melhor ideia do mundo. Muitos elogiam, rende notas positivas na imprensa, sai reportagem na televisão e comentários legais nas redes sociais, até que o dia-a-dia se encarrega de mostrar a verdade. Falo aqui em especial do programa de serviço de internet a preços populares mas poderia me referir a uma série de outros que foram destaque na mídia no último ano. Uma variedade deles ainda irá aparecer até as eleições do ano que vem.

Por enquanto, a banda larga popular está na lan-house, onde com uma moedinha de R$ 0,50 você navega 15 min.

Tem que enxugar a água porque o Tietê está no limite

 

Reflexo da Cidade (Pétria Chaves)

Reflexo do que é São Paulo em imagem da repórter Pétria Chaves/CBN

 

A chuva foi muito forte – dizem o técnicos que despencou 100 mm de água -, mas a cidade já encarou com menos prejuízos temporais bem mais intensos, nos quais o número de pontos alagados ficou longe dos 98 registrados nesta terça (08.12). É o que mostra levantamento feito pelo UOL com base em dados oficiais (leia aqui).

Os mais de R$ 1,7 bilhão investidos que rebaixaram a calha do Tietê para permitir que a vazão do rio chegasse a 1.188 m3 por segundo de vazão não são mais suficientes para a quantidade de água despejada nele. Ou seja, o rio está mais raso do que deveria, pois a manutenção não é suficiente para a quantidade de resíduos que se acumula na calha do Tietê.

Para o professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica Mário Thadeu Leme de Barros entrevistado no CBN SP a saída está em aumentar a capacidade de São Paulo “enxugar” a água da chuva. Uma das opções é investir nos parques lineares que preservariam as encostas dos córregos e riachos que desaguam no Tietê e reduziriam o volume de água despejado no rio.

Dos 23 previstos para serem entregues até 2012, segundo o Plano de Metas da Prefeitura, apenas um está concluído, no Jardim Esther, região do Butantã. Oito deveriam estar prontos neste mês de dezembro.

Haveria outras possibilidades como impedir a ocupação sem limite e sem ordem que se realiza historicamente na capital paulista, mas para tanto é preciso coragem política e restrição de privilégios. Hoje, São Paulo paga um preço muito alto pela falta de planejamento e o que a cidade sofreu nesta terça é reflexo de uma série de erros urbanísticos, muito mais do que o excesso de chuvas.

Nesta entrevista nós falamos também sobre a falha que ocorreu no bombeamento das águas do rio Pinheiros que tornou a situação do Tietê ainda mais crítica.

Ouça a entrevista do professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e sanitária da Escola Politécnica Mário Thadeu Leme de Barros

Nesta quarta, também conversamos com um economista para entender o tamanho do prejuízo calculado pela cidade em virtude dos transtornos provocados pelas enchentes.

Ouça a entrevista de Heron do Carmo, professor da FEA-USP, sobre o Custo São Paulo

Congestionamento: não saia de casa com ele

 

Por Carlos Magno Gibrail

http://www.flickr.com/photos/olhopreto/

O Movimento Defenda São Paulo, o prof. Cândido Malta e o vereador Ricardo Teixeira, tem idéias e sugestões semelhantes sobre um dos problemas principais da cidade de São Paulo. Para resolvê-lo só falta combinar com os russos.

Os russos são os cidadãos paulistanos e os governos Municipal e Estadual.

É o que depreendemos da entrevista de Ricardo Teixeira, que não é o da CBF, mas do PSDB, dada ao jornalista Milton Jung, e da conversa que tivemos com o arquiteto Cândido Malta e a arquiteta Lucila Lacreta do MDSP.

Teixeira insiste no benefício aos alternativos meios de transporte, depois de punir os automóveis com dois dias de rodízio. Última medida que efetivamente reduziu o congestionamento.

– Reescalonamento de horários; transporte solidário, faixas exclusivas para motocicletas melhorando as 600 mil viagens diárias; faixas exclusivas para bicicletas nas 300mil viagens diárias, incluindo estacionamento; tarifas mais baixa para táxis.
– Proibição de estacionamento para automóveis e aumento do rodízio de um para dois dias da semana.

Lucila enfatiza a posição do MDSP que mira nos transportes coletivos, na continuidade dos planos tipos corredores de ônibus e transportes em trilhos, bem como na desistência das obras paliativas que ignoram a demanda reprimida.

O Professor Malta lembra o trinômio problemático da cidade, ou seja, o congestionamento, as enchentes e a habitação. Além de interdependentes, bem atual, na medida em que ontem tivemos colossal paralisação da cidade revertendo no final do dia a zero km de congestionamento, graças a tragédia anunciada mais uma vez da enchente que viria e mataria mais alguns paulistanos. Enquanto Prefeito e cidadãos, míopes ou estrábicos dirigem as análises para dispersas soluções. A busca de votos por um lado e a ignorância pela ilusão de ótica e pelo egoísmo leva a uma necessidade de conscientização da população ludibriada pela propaganda do carro e dos candidatos. Senhores absolutos.

Cândido Malta enfático sobre a impossibilidade da solução pelo transporte individual traz o seguinte raciocínio aritmético usado pelos técnicos: dado os 600mil veículos vendidos anualmente na cidade e considerando 5m para cada carro, precisaríamos de 125 avenidas Paulista com quatro faixas para abrigar esta quantidade. A demanda reprimida coloca apenas 25% destes carros na rua e ainda assim precisaríamos de 31 avenidas Paulista.

A limitação é inevitável, pois o número de carros é maior do que a oferta de espaço. A solução está menos nos números que são irrefutáveis mas que por razões emocionais ou mesmo de desconhecimento não estão sendo digeridos pela população.

O pedágio urbano uma das alternativas é veementemente rechaçado pelos cidadãos que insistem no direito de ir e vir, de carro. Como se este estabelecimento democrático tivesse sido criado na época do automóvel, ou como nascêssemos de carro.

No momento em que a Economia brasileira e a paulista dão sinais de força e crescimento não é admissível apostar apenas no tempo de maturação para que população e governo se dêem conta de que congestionamentos de trânsito podem brecar o progresso. Precisamos de ordem, ordem e progresso.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, às quartas escreve no Blog do Mílton Jung e sabe que o congestionamento custa bem mais caro que o pedágio.


Visite a galeria de fotos de Olho Preto, no Flickr

Para pessoas com deficiência, São Paulo sempre para

 

Ao mesmo tempo em que milhares de paulistanos se lamentavam por não conseguirem se deslocar na cidade devido as enchentes, nesta terça-feira algumas dezenas de pessoas estavam no auditório do WTC, em São Paulo, onde discutiam temas ligados a questão da acessibilidade, no Encontro Internacional de Tecnologia para Pessoas com Deficiência.

Nos corredores, a caminho do plenário, uma série de equipamentos expostos chamavam atenção dos visitantes. Cadeiras de roda dos mais variados modelos e para distintas doenças, móveis compostos por uma complicada engenharia capaz de oferecer autonomia ao usuário com restrição nos movimentos e demais traquitanas desenvolvidas para dar mais conforto em casa ou no tratamento de pessoas com deficiência.

Todos estes produtos surpreenderam um dos convidados para o debate, Aílton Brasiliense, conhecedor dos males provocados pelos acidentes de trânsito. “Somos capazes de desenvolver estas máquinas para ajudar pessoas com deficiência assim como para deixá-las com sequelas ou matá-las”, comentou em referência ao número de motociclistas mortos no País: 10 mil, no ano passado.

No painel para o qual fui convidado a mediar, “Transformação: uma cidade para todos”, Brasiliense descreveu cenas comuns dos pedestres na capital paulista e repetiu a tragédia que se transformou nosso trânsito – não pelos congestionamentos, mas pelos assassinatos.

Calçadas sem prumo, piso irregular e todo tipo possível e imaginável de obstáculos que o ambiente urbano, da maneira como foi construído por nós, impõe ao cidadão também foram destacados. E soluções para este cenário, apresentadas. Lá estiveram, ainda, prefeito, vice e secretário de três cidades paulistas (Jaú, São José dos Campos e capital, respectivamente) que dedicaram seu tempo a mostrar tecnologia e políticas implantadas em seus municípios. Nada muito além daquilo que já conhecemos e identificamos como necessidade na busca de uma cidade inclusiva.

A vereadora Mara Gabrilli, de São Paulo, foi quem mais chamou atenção para recursos tecnológicos que podem facilitar a comunicação de pessoas com deficiência. Um microfone que a conecta com o sistema de som de qualquer plenário, a máquina que lhe permite votar na câmara apenas pelo piscar do olho e a necessidade de as emissoras de TV implantarem sistema de audiodescrição, são alguns dos exemplos.

A mim coube a tarefa de responder uma pergunta do meu colega de programa, Cid Torquato: “Uma cidade inclusiva é possível ?”. Fui o mais pessimista dos participantes ao dizer que não tenho esta ilusão, não neste momento, apesar de me orgulhar de fazer parte da geração que inicia esta construção de consciência cidadã.

Repito aqui o que disse logo na abertura do evento: o dia para o debate – apesar de muitos terem se ausentado pelos problemas no trânsito – foi simbólico. Boa parte do paulistano, ilhada, não teve acesso ao trabalho, a escola ou ao lazer por quase um dia inteiro. Direito castrado de centenas de pessoas com deficiência por quase toda a vida. Que faça desta experiência motivo de reflexão sobre o quanto precisamos investir em conhecimento e inteligência para transformarmos o ambiente urbano em um espaço para todos.

As imagens da enchente em São Paulo

 

Moto alagada na Tietê (Cátia Toffoletto)

O motoqueiro tentou cruzar a pista da Marginal Tietê alagada e não teve sucesso. Assim como ele, milhares de paulistanos sofreram nesta manhã devido as enchentes provocadas pelo transbordamento do rio Tietê. Todos os investimentos feitos para rebaixar a calha do rio desde 2002 até aqui não foram suficientes para a quantidade de chuva que se iniciou às sete da noite de segunda-feira. Para as autoridades, é muita água e nenhuma cidade seria capaz de resolver este problema. O dinheiro aplicado amenizou a situação, poderia ter sido muito pior e bla-bla-bla. Para o cidadão, resta enfrentar o que você vê nesta sequência de fotos produzidas pelos repórteres da CBN e por ouvintes-internautas.

Caminhão e motorista 'afogados' na Tietê (Cátia Toffoletto)

Caminhão e motorista ‘afogados’ na Marginal Tietê, na ponte das Bandeirais. O motorista saiu da cidade de Salto e seguia para Guarulhos, mas já estava há mais cinco horas parado no local.

Deslizamento em Sapopemba 3

Uma pessoa morreu em deslizamento de terra no parque Santa Madalena, em Sapopemba, zona leste de São Paulo. Veja mais imagens da capital e região metropolitana.

Alagamento na Presidente Wilson (Cátia Toffoletto)Alagamento na Mooca (Cátia Toffoletto)Desabamento em SapopembaRua Estados Unidos alagadaAlagamento em Mairipora (Rodrigo Amaral)Rua Havre próximo da Casa Verde (Pétria Chaves)Alagamento em São Paulo 1 (Cátia Toffoletto)Deslizamento em Sapopemba

Foto-ouvinte: Motoqueiro fantasma (?)

 

Colagem de fotos de moto

Uma moto surge abandonada em meio a congestionada 23 de Maio, em São Paulo. Os motoristas e motoboys passam no entorno dela, são obrigados a reduzir a velocidade, buzinam sabe-se lá para quem, e levam um susto quando de repente o dono corre em direção a ela, monta e sai acelerando. A sequência foi registrada pelo ouvinte-internauta Luis Fernando Lis do alto do viaduto da rua Cubatão e apesar dele ter acompanhado todos os movimentos até agora está sem entender o que aconteceu. O que teria feito de tão urgente o motoboy ‘estacionar’ no meio da avenida ?

Educação para criança surda-muda é possível

 

Gabriel com Márcia Furquin

A história de um menino surdo-mudo foi destaque na conversa de toda segunda-feira com Cid Torquato, no Cidade Inclusiva. Gabriel, 14 anos, estuda na Escola Municipal de Educação Especial Helen Keller, conhecida na capital paulista por sua habilidade em trabalhar com estudantes surdos. Ele está no terceiro ano do ensino fundamental, convivendo com crianças da idade dele e espaço adaptado para o desenvolvimento de diversos projetos que ajudam no desenvolvimento e na inclusão educacional.

Por não enxergar as gravuras, Gabriel teve a colaboração da professora Márcia Furquin e montou livros táteis com material que transmite a sensação dos ítens que estão nos desenhos. Árvores, por exemplo, surgem com cascas de tronco e folhas colados; para representar as escamas do peixe, paetês, enquanto a água é representada por gel.

De acordo com a descrição recebida por Cid Torquato, há mais material construído para tornar possível a comunicação com Gabriel. Um calendário na sala de aula ajuda o menino a acompanhar os dias da semana e a passagem dos meses; há ainda outro com o nome dos colegas e figuras que identificam se é menino ou menina.

A presença de Gabriel é um aprendizado para ele e para todos os demais que compartilham o seu desenvolvimento educacional. Segundo Torquato, a maior dificuldade para a criação de uma estratégia pedagógica para crianças surdas-cegas é a falta de experiência nesta área, a medida que são poucos os alunos – calcula-se de 250 a 300 no máximo – com esta deficiência.

Ouça o comentário de Cid Torquato no CBN São Paulo