Por procuradores e poderes independentes

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Ao não acatar a eleição de Felipe Locke Cavalcanti como Procurador do Estado no próximo biênio, o Governador de São Paulo sinaliza poder político que evidencia e minimiza a esfera do Ministério Público.

 

Eleito democraticamente pelo voto, Geraldo Alckmin decidiu não dar a sequência natural no processo eleitoral para escolha do Procurador. Agiu de forma ditatorial, seguindo Covas há anos quando empossou Marrey ou, mais recentemente, quando outro correligionário, José Serra, optou por não colocar como reitor da USP o mais votado. É um artifício bem antigo, pois o Império Bizantino dominou a Igreja através de expediente semelhante, chegando séculos depois a D.Pedro II, que controlava o Senado desta maneira.

 

Após a democratização, tivemos poucos episódios iguais, o que deve levar esta exceção a repercutir favoravelmente no andamento da PEC 31/2009 que propõe acabar com a nomeação política para os Procuradores Gerais pelos governadores. Esta proposta de autoria do deputado Francisco Praciano – PT AM foi aprovada no dia 3 pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

 

Felipe Cavalcanti, em depoimento ontem, a par da situação de ganhar sem levar, nos disse que o aborrecimento pela perda sem derrota, é efetivamente uma frustração inigualável. Entretanto ao mesmo tempo em que não abrigará expectativa de mudança na lei, continuará trilhando o mesmo espaço com a independência que o caracterizou. Como membro do CNJ ou do MP. Mesmo considerando que esta postura possa ter custado o cargo que ganhou e foi impedido de ocupá-lo.

 

A separação dos poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, é a forma mais salutar e a maneira mais eficaz de manter o sistema de poder fortificado e equilibrado. As democracias refletem este cenário, tão abatido pelas ditaduras.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Monotrilho: silêncio nos trilhos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Domingo, 11hs. Cinco horas antes de Guarani e Santos, defronte ao estádio do Morumbi, o silêncio do poder executivo de São Paulo, diante das reprovações ao Projeto, foi condenado pelo grupo de moradores que protestavam. Contra o Monotrilho e quanto à manipulação das audiências públicas. O movimento se estendeu até às 13hs defronte ao Palácio dos Bandeirantes, quando o grupo residual com 800 pessoas composto de adultos e crianças classe média e classe média alta se dispersou.

 

De Maluf à Alckmin foi um avanço, afinal com Maluf não houve discussão, estávamos na “Revolução”. Apenas a homenagem ao Presidente Costa e Silva, que virou Minhocão. Convenhamos, valia um protesto e tanto.

 

Rosa Richter, coordenadora do movimento que reúne varias entidades representativas dos moradores da região, que se caracteriza por possuí-las em quantidade, aponta uma série de insatisfações no contato Governo do Estado e contribuintes. O traçado inadequado ora passando por áreas residenciais adensadas, ora por reservas ambientais, ora desrespeitando as Z1. A menor capacidade do monotrilho em relação ao trem subterrâneo. O silêncio do Metrô e do Governador diante dos argumentos apresentados.

 

Julia Titz de Rezende, presidente do Conseg Morumbi, ressalta a manipulação do governo com as audiências públicas. Realizadas obrigatoriamente para cumprir a lei, elas são desrespeitadas, pois as decisões vitoriosas não são cumpridas. Nos contatos diretos, como na reunião com o governador Geraldo Alckmin, o silêncio foi quebrado com a justificativa de que não havia mais nada para fazer, pois o antecessor, Goldman já tinha assinado. Como se Goldman não tivesse sido sucessor de Serra, que PSDB também, quase demoliu o Minhocão em sua passagem pela Prefeitura.

 

E da ausência de argumentos passa-se agora para a fuga dos debates pela imprensa. A TV Gazeta mais uma vez está convocando governo e moradores para debater o Monotrilho, devido ao não comparecimento do governo às chamadas anteriores.

 

Dentre tantos questionamentos, focados nas comparações entre metrô aéreo e subterrâneo contidos inclusive no volante distribuído (leia abaixo) é pertinente ressaltar a possibilidade de lobby do poder econômico nacional e internacional. Construtoras, incorporadoras e demais agentes têm comparecido em situações políticas. Por que não estariam presentes agora?

 

 

Leia mais sobre o assunto no artigo “O Minhocão do Morumbi”


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Na contramão do Ficha Limpa

 

Os deputados estaduais do Rio de Janeiro aprovaram projeto de emenda constitucional que institui a exigência de ficha limpa para ocupar cargos comissionados (nomeados) nos três poderes do estado. Estas vagas não poderão ser assumidas por quem foi condenado pela Justiça em segunda instância. A Câmara de Vereadores do Rio e o estado de Minas também aprovaram projetos com o mesmo objetivo.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin perdeu boa oportunidade de demonstrar seu interesse em qualificar os quadros do Estado e implantar o projeto Ficha Limpa. Conforme nota publicada no Painel da Folha, escrito por Renata Lo Prete, Alckmin desistiu de incluir em pacote sobre transparência um decreto que instituiria a Ficha Limpa para o funcionalismo paulista. A medida forçaria o afastamento de José Bernardo Ortiz, aliado histórico do governador na Fundação para o Desenvolvimento da Educação, pois ele tem condenação em segunda instância.

Se Alckmin tivesse tomado a mesma precaução que os deputados do Rio não pagaria este mico. Lá, a lei só vale para quem for nomeado a partir da sua promulgação, portanto não pega quem já garantiu seu emprego.

Emendas parlamentares têm de ser públicas

 

A denúncia de que deputados estaduais vendem emendas parlamentares na Assembleia paulista expôs outra faceta da falta de transparência, no Estado de São Paulo. De repente se descobre que as informações sobre liberação de dinheiro público para atender os pedidos dos deputados não são públicas. Foi necessário surgir o interesse dos jornalistas em identificar para onde seguia o dinheiro das emendas para o Governo reagir, mesmo assim de forma parcial.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) alegou, durante feriado de Nossa Senhora Aparecida, que já liberou parte das emendas e, em breve, pretende divulgar todos os dados. Não é nenhum milagre nem favor ao cidadão, pois é um direito da sociedade ter acesso a estas informações. O absurdo é até hoje isto não ter sido apresentado com nome e sobrenome na internet.

Não surpreende, porém, as restrições. A própria Assembleia Legislativa esconde até agora a lista com o nome e o salários de seus funcionários. A Associação de Defesa da Harmonia da Ordem Constitucional teve de entrar com ação na Justiça para pedir que a relação dos funcionários nomeados nos últimos cinco anos fosse publicada no Diário Oficial.

A democracia digital se faz necessária em estados que se querem modernos. Esta prática torna possível o controle de cada medida e passos dados pelos funcionários públicos, tornando a fiscalização mais eficiente pela sociedade. O livre acesso à informação pública, discutido no Congresso Nacional e emperrado pelo ex-presidente Fernando Collor, impõe que os sites tenham dados sobre despesas das instituições, contratos e negócios fechados.

Infelizmente, os Governos e seus servidores ainda entendem, na maior parte das vezes, de que tornar públicas estas informações fragiliza o sistema. Começa que não cabe aqui discutir se há risco à segurança – mesmo que eu considere que não -, o que se quer é apenas que se a coisa é publica tem de estar publicada. Ao mesmo tempo, sabe-se por experiência em outros países que a divulgação de todos os dados de maneira aberta, democrática e com linguagem acessível a máquinas e pessoas tende a trazer benefícios econômicos para o Estado, pois possibilita planejamento apropriado e construção de gestões de pessoal e negócio mais competentes.

Aqui, aliás, temos mais um caso daqueles de que a aprovação de legislação específica sobre o tema seria apenas uma redundância, pois bastaria aplicar a Lei do Bom Senso – aparentemente revogada há alguns anos pelo poder público.

São Paulo não pode pagar a conta da Copa 2014

 

Texto escrito para o Blog Adote SP

Estádio do Corinthians

Semana que vem começam as obras do estádio do Corinthians, única alternativa paulistana para a abertura da Copa do Mundo de 2014. Ao menos esta é a última promessa feita pelo presidente do clube Andrés Sanchez. Bem verdade que ele já havia anunciado o início dos trabalhos para abril – aquele, do Dia da Mentira (coincidência ?) – depois maio e, agora, junho.

Desta vez tem o aval da prefeitura que autorizou o uso da área em Itaquera, na zona leste, a título precário.

Calma lá ! O precário do título nada tem a ver com as condições pelas quais foi feito o acerto entre o Corinthians e a Odebrechet, empreiteira que vai tocar as obras. De acordo com o site JusBrasil, “título precário” é o modo de conceder, usar ou gozar alguma coisa por mero favor ou permissão, sem constituir um direito.

O documento publicado em Diário Oficial diz que o terreno somente poderá ser usado para a construção do estádio e prevê a conclusão para dezembro de 2013, daqui a dois anos e sete meses, período que o Corinthians terá para barganhar com a construtora ou passar o chapéu entre parceiros e arrecadar R$ 1.070.000.000,00. Para você não se perder nos zeros: R$ 1,07 bilhão – é quanto vale o estádio da Copa.

A persistirem os sintomas, São Paulo terá o estádio mais caro do Mundial 2014. E isto não deve ser motivo de orgulho, principalmente se soubermos que parte deste dinheiro virá dos nossos impostos. Gilberto Kassab, o são-paulino mais amado de Andrés Sanchez, já garantiu R$ 300 milhões em Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento. CID é um mecanismo pouco usado até hoje para incentivar investimentos na cidade oferecendo em troca abatimento de impostos e tributos.

O prefeito nega que isto seja dinheiro dos cofres da prefeitura para o estádio do Corinthians. Através do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Cintra, defende que o CID é uma isenção sobre impostos e tributos que não seriam arrecadados se a obra não fosse feita.

Mesmo com este repasse fiscal no “ponto futuro”(apenas para manter-me no jargão futebolístico), o Corinthians ainda precisará de mais dinheiro para fechar a conta. E para piorar as coisas para o clube, a tentativa de levantar a grana no Palácio dos Bandeirantes ainda não deu resultado.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin insiste em não colocar um só tostão nas obras do estádio do Corinthians. Tem sido pressionado mais do que deveria, mesmo assim resiste aos pedidos que chegam a casa dos R$ 370 milhões. E não é resistente porque torce para o Santos. É porque tem ao seu lado boa parte do torcedor paulista. Pesquisa encomendada pelo Governo mostra que 70% das pessoas entrevistadas são contra o uso de dinheiro público no estádio, mesmo que isso signifique não ser sede da abertura da Copa.

Mantenha na retranca, Governador, pois mesmo sem este recurso, São Paulo já é a cidade que mais dinheiro público investirá nas obras de infraestrutura para a Copa, conforme números levantados pelo Tribunal de Contas da União e publicados pela Folha, nesta semana:

1- A conta da cidade subiu de R$ 3,41 bilhões para R$ 5,49 bilhões, entre maio de 2010 e fevereiro de 2011. O crescimento é de 61%

2- O gasto na organização da Copa em São Paulo é R$ 2 bilhões mais alto do que o do Rio, que está em segundo lugar no ranking”.

3 – Dos gastos, R$ 5,4 bilhões são do setor público e R$ 90 milhões, da iniciativa privada

Ao caro contribuinte resta usar das ferramentas que tem em mãos para proteger seu dinheirinho. Pressionar o poder público, cobrar transparência nas contas e, se for o caso, denunciar irregularidades aos órgãos competentes.

Comece por pedir explicações ao prefeito Gilberto Kassab, mande um e-mail para o gabinete dele (gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br). Mostre sua opinião ao governador Geraldo Alckmin, no Fale Conosco do Palácio dos Bandeirantes. Reclame ao Ministério Público Federal (pfdc@pgr.mpf.gov.br). E não esqueça de cobrar do seu vereador, na Câmara Municipal, é obrigação dele fiscalizar como o dinheiro da cidade está sendo gasto.

Alckmin diz que “briga” com Serra é pimenta da imprensa

 

À uma sequência de manchetes que contrapõe Alckmin a Serra, o governador de São Paulo respondeu: “isto é pimenta da imprensa”. Aproveitei a conversa para saber se não seria resultado da relação dele com o ex-candidato à presidência estar apimentada: “Posso falar por mim …” E a entrevista nesta manhã no CBN SP, transmitida, também, pela internet, foi em frente.

Acompanhe aqui a entrevista do Governador Geraldo Alckmin para o CBN São Paulo.

O Governador que volta ao Palácio dos Bandeirantes tem habilidade com as palavras, evita usar expressões fortes e desconfortos mesmo com opositores. Por isso, não era de se esperar que fizesse alguma declaração bombástica, principalmente em consideração a um colega de partido. Mas que o tema tem pautado conversas nos corredores do palácio e da política não tenha dúvida.

Para ser justo, Alckmin usou apenas uma palavra mais forte: “frouxa”, para definir a política cambial do Banco Central, que anunciou nesta manhã algumas medidas para conter a desvalorização maior do dólar. Porém, prefere o tom mais ameno para falar sobre suas relações com a União. Conversou, ontem, com o ministro José Eduardo Martins Cardoso, e conversaria logo após a entrevista com o vice-presidente Michel Temer, também presidente do PMDB. Conversas protocolares, disse.

Sobre planos de governo, reforçou as promessas de campanha na área de transporte, rodovias, educação e saúde. Tem os dados e nomes na ponta dos dedos. Apenas não prometeu aumento salarial para ninguém, o que certamente desagradou a série de ouvintes-internautas que enviaram perguntas sobre o tema. Eram, especialmente, professores e policiais que reclamam da falta de valorização da categoria.

Por falar em policiais, não conseguiu explicar por que o Detran não funciona nas mãos da polícia, a ponto de determinar a mudança do departamento de trânsito para secretaria distante da Segurança Pública. Se depender dele, vai para a Secretaria de Gestão. Ainda não bateu o martelo. Nem respondeu a pergunta, preferindo falar da metade cheia do copo em vez da metade vazia: “teremos mais policiais atuando na sua função, nas delegacias e investigando”.

Da Copa, Alckmin praticamente descartou plano B e depositou confiança no estádio do Corinthians para a festa de abertura: “sem dinheiro do estado”, garante. De qualquer jeito, anunciou encontro com o presidente da CBF Ricardo Teixeira, nos próximos dias.

O governador Geraldo Alckmin parecia bem mais à vontade desta vez do que na época em que esteve no estúdio como candidato ao governo. Àquela foi entrevista tensa, preocupada, apesar de liderar as pesquisas com folga. Chegou a tirar a gravata azul assim que chegou à rádio, logo após tomar café em padaria de Santa Cecilia. Vendo às câmeras, se arrependeu, pediu para um assessor trazê-la de volta, mas o programa estava no ar (e as imagens, também). Foi sem gravata mesmo.

Após uma hora de entrevista, com participação de ouvinte-internautas, por e-mail e Twitter, se despediu de todos, agradeceu a oportunidade, pegou seus assessores, um número razoável de seguranças e subiu no helicóptero rumo ao Palácio.

Próxima conversa (protocolar, lógico): Michel Temer.

Alckmin é o entrevistado do CBN SP, no rádio e na internet

 

Alckmin do PSDB na CBNAs negociações com o Governo Federal, a revisão das contas do Governo Serra, as mudanças na educação e os planos para o transporte são alguns dos temas da entrevista, ao vivo, com o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira, no CBN SP. Das 9h45 às 10h45 da manhã, ele estará no estúdio de internet da CBN e responderá perguntas enviadas por ouvintes-internautas.

Um dos assuntos que mais motivam a participação do público é o da educação. Nesta semana, após entrevistar o secretário-adjunto João Cardoso Palma Filho vários e-mails chegaram relatando preocupação com a qualidade de ensino e as dificuldades que os professores enfrentam em sala de aula. O mesmo tem ocorrido desde ontem quando anuncie a entrevista com o Governador.

Desde que assumiu o Governo, Alckmin tem retomado ideias de sua administração anterior e chamou atenção ao anunciar que iria rever os contratos assinados por José Serra. Falou-se em auditoria, expressão negada pelo tucano. Com certeza, pretende reestudar os contratos com as concessionárias das rodovias com a intenção de reduzir o valor dos pedágios – conforme prometeu durante a campanha eleitoral.

Logo após a entrevista, Alckmin segue para o Palácio dos Bandeirantes onde se reunirá com o vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB Michel Temer. Oportunidade em que poderá discutir parcerias do Estado com a União e tratar da presença do partido na administração paulista, a medida que o PMDB perdeu espaço na gestão dele.

O que vai mudar na educação de São Paulo

 

O modelo de progressão continuada nas escolas de São Paulo vai mudar, mas não será extinto; o exame de avaliação implantado no Governo Serra não vai retirar professor com mau desempenho da sala de aula; alunos serão submetidos a provas anuais ou semestrais para se identificar a qualidade do ensino; diretores de escolas continuarão sendo indicados e não eleitos; e o Estado pode, finalmente, ter um Plano Estadual de Educação.

De forma simples e direta, é o que entendi da entrevista com o novo secretário adjunto da Educação do Estado de São Paulo João Cardoso Palma Filho, no CBN SP. O esforço dele foi acabar com o mal estar que a manchete da Folha de São Paulo ( “Alckmin muda progressão continuada”) gerou na equipe que somente assumirá nesta quarta-feira.

Ouça a entrevista do secretário-adjunto Palma Filho ao CBN SP.

Palma Filho tentou mostrar que ainda não há uma decisão final do Governo Alckmin sobre estes temas, pois todos serão discutidos com o magistério ao longo de 2011. Conversar com os professores parece ser prioridade na próxima gestão.

A dificuldade de dialogar com a Apeoesp, sindicato da categoria, que teria prejudicando a implantação de programas na área da educação, inclusive com a decretação de greve no ano passado, teria pesado na decisão do Governo Alckmin de substituir Paulo Renato Souza, apesar de José Serra ter pedido a permanência do colega de partido no cargo.

Além de não manter Paulo Renato, o governador ainda ouviu a opinião do desafeto de Serra, o deputado federal e ex-secretário Gabriel Chalita. Tanto o novo secretário Herman Voorwald como João Cardoso Palma Filho, o adjunto, teriam sido indicados pelo parlamentar do PSB. Chalita sempre se orgulhou de durante o mandato dele na Secretaria de Educação jamais ter havido uma greve de professores.

Aliás, outra promessa da gestão que assume vai ao encontro das propostas do deputado do PSB. Foi Chalita quem enviou o Plano Estadual de Educação, em 2003, que depois de aprovado em várias instâncias na Assembleia Legislativa acabou engavetado. O texto previa aumento do investimento em educação de 30% para 35% do Orçamento do Estado e restringia o número de alunos por sala de aula (leia sobre o assunto aqui)

Neste item, tem razão o novo secretário: São Paulo não pode prescindir de um plano estadual de Educação. Somente assim se terá condições de limitar os efeitos negativos das constantes mudanças na política educacional, comuns mesmo em um Estado que há 16 anos é comandado por um só partido.

A dúvida que ainda se tem é se tudo isso que se discutirá mudará o que é mais importante: a qualidade do ensino na rede pública.

Alckmin, do PSDB, entre cafezinhos e estatísticas

 

Cafezinho, número, debate, estatística, cazefinho de novo, mais debate, mais dados, e um cafezinho, por favor ! Assim tem sido o cotidiano do candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, apontado como favorito na disputa pelo Governo de Estado de São Paulo.

Na noite passada, estava em um debate. O quarto de seis que se realizarão até o fim do primeiro turno. “Com seis participantes fica cansativo”, confidenciou. Hoje cedo, saiu de casa para a rádio CBN e pouco antes de entrar na emissora, atravessou a rua para mais um cafezinho. É sempre oportunidade para ganhar o apoio de um eleitor que esteja no caminho.

Interrompeu o trajeto para cumprimentar o jornalista Heródoto Barbeiro que deixava a rádio naquele momento. “Fui aluno dele” contou aos mais próximos. E seguiu para o cafezinho. Abraços, foto, um sorriso contido.

Apesar de aparecer com chances de ganhar a eleição no primeiro turno, Alckmin não perde um minuto de sua agenda. Sabe que qualquer descuido é suficiente para ter de encarar mais uma etapa nesta corrida, o que significaria mais cafezinho, número, debate, estatística …

Chega no estúdio acompanhado de alguns assessores, fotógrafos e um cinegrafista da TV Globo que grava imagens para reportagem do dia. A propósito: Alckmin faz parte dos candidatos de gravata, e usa uma azul. Será retirada assim que voltar às ruas.

Antes disso, porém, mantém a pose de candidato na televisão (é no rádio e na internet nossa entrevista, mas é como se fosse na TV). Senta com a coluna ereta, não encosta na cadeira, usa as mãos de maneira sincronizada com a fala e mantém um hábito de políticos antigos: fala olhando para a lente da câmera, se esquecendo que ao lado dele tem um jornalista a fazer pergunta.

Da primeira a última pergunta tenta disparar dados, estatísticas e propostas de governo, mesmo que a questão tenha outro sentido. Se não é forçado a interromper a resposta, dá a impressão de que falaria sem errar os 30 minutos que tem à disposição. Este hábito torna a entrevista quase um embate. Posso perguntar, por favor ?

Falou muito de educação, metrô e segurança, sempre apoiado em uma quantidade enorme de dados, alguns dos quais difíceis de serem confirmados. Comentou sobre o Efeito Lula na eleição estadual e de denúncias durante seu governo quando foi acusado de estar beneficiando deputados da base aliada com verba de publicidade da Nossa Caixa.

 

Apesar de gostar tanto de números e dados (e cafezinho), Alckmin abre mão de usá-los quando o tema é transparência na campanha. Diz que não vai divulgar o nome dos financiadores antes da eleição, pois cumpre a lei rigorosamente. Se cadastrar no site do Ficha Limpa nem pensar: “daqui a pouco vem uma ONG e vai querer que a gente atualize as contas diariamente”, reclamou. Sugeriu que transformem a obrigação em lei. Deve ter esquecido que ONG na cria lei, deputados (inclusive os da base alida) é que têm este poder.

Seja como for, a entrevista termina e lá vai o candidato para mais um cafezinho, números, debate, estatística, cazefinho de novo … Ele torce para que dia 3 de outubro esta maratona acabe, seus oito concorrentes esperam que não.

Perguntômetro

Líder nas pesquisas e no número de mensagens, também. Entre perguntas, críticas e sugestões foram 78 as que contei em minha caixa de correio.

Alckmin é o entrevistado do CBN SP, na rádio e na internet

 

CBN SP painelFavorito nas pesquisas eleitorais, antes mesmo de se iniciar a campanha, Geraldo Alckmin do PSDB tem a oportunidade de vencer a eleição no primeiro turno, apesar da redução da diferença entre ele e Aloizio Mercadante do PT. É o que mostram pesquisas dos principais institutos, casos do Ibope e Datafolha. O ex-governador será o entrevistado desta quinta-feira, no CBN SP, com transmissão simultânea na internet.

Alckmin responderá perguntas feitas com base em entrevistas realizadas com especialistas em seis áreas – educação, saúde, transporte, meio ambiente, segurança e gestão pública e transparência -, além de sugestões envidas por ouvintes-internautas nas últimas duas semanas. O público poderá participar também, durante a entrevista, enviando e-mail para milton@cbn.com.br. Todas as perguntas serão repassadas, após a entrevista, para a assessoria do candidato.

A série com os Governadores, que se iniciou semana passada, vai ao ar das 10 e meia às 11 da manhã.

Acompanhe o calendário dos candidatos decidido por sorteio:

Dia 08.09 – quarta – Paulo Skaf (PSB)
Dia 09.09 – quinta – Celso Russomano (PP)
Dia 10.09 – sexta – Paulo Roberto Bufalo (PSOL)
Dia 13.09 – segunda – Luiz Carlos Prates, Mancha (PSTU)

Dia 14.09 – terça – Aloizio Mercadante (PT)

Dia 15.09 – quarta – Anai Caproni (PCO)
Dia 16.09 – quinta – Geraldo Alckmin (PSDB)

Dia 17.09 – sexta – Fábio Feldmann (PV)

Dia 20.09 – segunda – Igor Grabois (PCB)