Você ainda vai ter um dia de Alice

 

Por Dora Estevam

Ela está por toda parte. Pode ser vista nas embalagens de maquiagem, nas estampas de camisetas, nos editoriais de revistas de moda (as mais importantes do mundo), também em desfiles e exposições.

Já sabem de quem estou falando?

Não, não é da Lady Gaga. É Alice. Sim, ela mesma. De ”Alice no País das Maravilhas”.

Alice 1 Capa TeenVogue

Criada em 1865 e agora resgatada por Tim Burton, a personagem, interpretada pela atriz Mia Wasikowska, virou febre nos mercados da moda e beleza, a começar pelos Estados Unidos, onde o filme já foi lançado. Com agenda cheia, a atriz quase não tira o vestido azul-celeste, mesma cor do usado pela personagem no filme, como podemos ver na capa da Teen Vogue de março.

Com estreia programada para a próxima semana aqui no Brasil, a releitura deste clássico da literatura fantástica de Lewis Carroll tem causado alvoroço na moda. Estilistas enlouquecidos com as roupas e o figurino do filme fizeram versões do modelito azul.
 
Até a poderosa Anna Wintour editora-chefe da Vogue América, se rendeu e dedicou várias páginas a Alice. Anna buscou um time peso-pesado para a produção do editorial: Olivier Theyskens, Tom Ford, Helmut Lang, Marc Jacobs, Karl Lagerfeld (para Chanel Haute Couture), Jean Paul Gaultier, Viktor & Rolf, Stephen Jones (para Christian Lacroix Haute Couture), John Galliano (para Christian Dior Haute Couture), Donatella Versace (para Atelier Versace) e Nicolas Ghesquière (para Balenciaga). 

Detalhe: a movimentação começou com o início das filmagens. No ensaio, cada estilista veste a modelo com o vestido azul do filme, o que remete a cada cena e ao cenário escritos no livro. Um verdadeiro affair do cinema com a moda. A personagem foi encarnada pela top  Natalia Vodianova e as fotos feitas por Annie Leibovitz.
 
Alice 2 ensaio
 
Ao que tudo indica o filme vai dar lucro também fora das telas, são incontáveis os produtos lançados: a marca de esmaltes OPI criou quatro cores inspiradas no filme e a Urban Decau, uma edição de sombras embalada com a estampa do cenário, edição limitada. A esta altura já não deve ter mais nada nas prateleiras. 

O marketing fortíssimo da Disney contratou a estilista Stella McCartney que criou uma linha de colares e pulseiras com pingentes de cristais Swarowski e Plexiglass (tipo de cristal acrílico).
 
Alice 3 brincos-swarovski-e-broche-da-hora-do-cha-louise-buchan

Se for contar tudo o que estão fazendo por aí, você teria de rolar páginas e páginas de post neste blog. Até a nossa amiga Rihanna já fez um editorial vestida de Alice. Foi em 2009 para a Vogue Itália. O ensaio foi todo em preto e branco, apenas com destaque em uma foto justamente a imagem da cantora com o vestido azul-celeste.
 
Carol Trentini, modelo brasileira também teve seu momento Alice para a revista Numéro, só que numa versão gótica da personagem. Inspirado  também no mundo de Carrol, a princesa Paola de Orleans e Bragança foi Alice por um dia e fez  a campanha para uma marca de jóias no Brasil.

Alice 4
  
É impressionante o sucesso que o filme está fazendo no quesito figurino e cenário. Tim Burton tem ótima reputação no mercado cinematográfico. Acertou mesmo em fazer esta reprodução. Só resta saber se o filme ficou bom. O que veremos semana que vem.
 
E para entrar no clima do País das Maravilhas, vá à exposição sobre o universo dos sonhos de Carroll, no Shopping Portal do Morumbi. O espelhinho com moldura laranja foi o escolhido para ser redesenhado por 40 artistas brasileiros. E os trabalhos serão vendidos a R$ 200 cada um com renda para a entidade que cuida de crianças com leucemia, a Abrale .
 
É isso, assistam e depois nos contem como foi o filme e o que você resolveu comprar para entrar no mundo de “Alice e o País das Maravilhas”.

Dora Estevam é jornalista e escreveu este texto no Blog do Mílton Jung com um vestido longo azul-celeste

Quando o menos é mais

 

Por Abigail Costa

Das primeiras vezes que ouvi isso, as pessoas se referiam as roupas.

Muitas cores, muitos colares, muitos anéis. Tudo “over”.

Bastou um olhar mais atento para camisa branca ou o pretinho básico e as diferenças apareceram.

Das roupas para a vida nossa de cada dia, ficou mais fácil.

É natural, além de ser mulher, mãe, esposa, profissional, incorporar outras figuras.

Foi num desses momentos de múltiplas funções que me deparei com um desgaste fora do normal.

O cansaço veio acompanhado de uma sensação de ser incompleta.

Poucos minutos para o café da manhã já que o dia tem pressa.

Uma espécie de cronômetro para medir se o que foi feito estava absolutamente certo ou pela metade.

Uma cobrança invisível de sofrer.

Ninguém diz nada mas você sabe.

Poderia ter ido mais além aqui. Deveria ter brecado ali.

Era como ir para o quarto e perceber que com algumas mudanças nos móveis conseguiria mais espaço para ter um corredor.

Em alguns momentos é hora de sacar o pretinho básico do guarda-roupa para não perder tempo com as combinações de cores que estão fora de moda.

Uma dúzia de funções ficam bem para mostrar para os outros como você é ou se sente ocupada.

Ocupada, mas sem tempo de desempenhar as principais tarefas que só dependem de você.

DESCENTRALIZAR.

Estou “in love” com essa palavras.

Ando namorando, o mais é menos.

Descobrindo que posso, não preciso, andar com o cronômetro na bolsa.

Quer saber?

Me perguntaram outro dia.

– Esta fazendo o quê?

– NADA.

Do outro lado lado:

– Aí que inveja!

Eu me senti vestida de menos, o outro me viu DEMAIS.

Estou conseguindo.

Abigail Costa é jornalista e escreve às quinta-feiras no Blog do Mílton Jung

Sandália com meia é pipoca com guaraná

 

Por Dora Estevam

O que era considerado infame ou gafe no mundo da moda virou status nos desfiles das coleções Primavera-Verão 2010 das marcas mais famosas: sandália com meia. E foram muitas as grifes que aderiram ao modelito: Alexa Chung, Marni, Jean Paul Gualtier para Hermes, Christian Dior e Burberry Prorsun.
 
O caminho para o sucesso da mistura foi ostentado por famosos como Rihana e Marc Jacobs, ano passado. E algumas antenadas já haviam aderido ao estilo.

Uma coisa é usar meia com sapato no inverno, outra é fazer o mesmo modelo desfilar no verão. Tem que renovar tudo, de tecido a desenho da sandália.

Dizem os estilistas que agora é um ótimo momento para testá-las, primavera-verão.
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Por aqui a moda virou hit nos anos 1970 com Dancin Days, novela de Gilberto Braga estrelada por Sônia Braga. Elas eram coloridas e brilhantes.

Dancin Days
 
Eu já falei sobre a moda de sapatos para o nosso inverno – que já esta por aí. Nem de longe lembra esta proposta de sapato com meia: peep toe, scarpins renovados, salto baixo … mas se você se sentir a vontade e com vontade, fique atenta nos modelos a seguir e os use para ver como vai ficar. Não se esqueça de postar um comentário para contar o resultado.

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Uma meia com chinelão igual a este do Jacobs até que cairia  bem  neste friozinho, não acham ? Esta com cara de ser bem confortável e quentinha.
 
De uma olhada nestas sandálias. De repente você pode até mudar a sua opinião, e achar chic.

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E note que as roupas são realmente mais frescas assim como as meias são finas e as sandálias abertas.
 
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Olha esta que graça, fazendo a linha esportiva chic.
 
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Esta outra combinação, que bárbara ! Realmente os modelos são de causar impacto. Este cairia bem numa baladinha, não acham?
 
O interessante é que você pode brincar com as cores das meias e dos sapatos. É uma questão de gosto. Eu diria que é uma moda que em pouco tempo ganhará espaço nas ruas brasileiras principalmente no eixo Rio SP.

Dora Estevam é jornalista e vai testar a sandália com meia (e pipoca com Guaraná) no frio deste fim de semana.

Me dá um dinheiro aí !

 

Por Abigail Costa

Experimente contar um problema pra alguém.

– Isso não é nada!
– Imagine que….

Como se problema tivesse dimensão de mais ou menos, maior ou menor.
É problema e pronto.
Simples ? Não.

Fulano tem uma dívida, você ganha um pouco mais do que ele.
Logo, você vai dar uma força para cobrir a conta bancária do camarada.
Isso é o que ele espera, claro o teu salário é maior!
Mas e as suas despesas ? Elas também não são maiores ?

Tenho vivido fases parecidas.
Não se iluda, não falo de “gordos rendimentos”, mas dos que ainda acreditam que a obrigação é sempre dos outros.

Esse era um assunto que realmente não me incomodava. Deixava rolar.
Passou a incomodar quando começei a perder amigos e dinheiro.

É assim:

– Preciso da sua ajuda. No fim do mês, eu pag….

Sempre no fim de um mês que nunca chega.
Ele fugindo de você, e você sem jeito de cobrar.

E vem o pensamento:
– Por que não apliquei esse dinheiro na bolsa, lá se perdesse sabia do risco.

Passei por uma saia justa outro dia.
Eu e ele.
Quando desliguei o telefone, fiquei com raiva de mim.
Repeti em alto e bom som:
– Eu não aprendo !

Do fim do mês vai ficar para o dia 15.
Você acredita?
Quer apostar?
Não faça isso.
Corremos o risco de perder.
De novo.

Abigail Costas é jornalista, escreve às quintas-feira no Blog do Mílton Jung e, que fique claro, nunca me emprestou dinheiro.

De condicionamento

 

Por Maria Lucia Solla

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Não acreditei quando encarei o voraz condicionamento que domina meu comportamento. Aí me perguntei: como pode?! eu que vivo furungando os modos de não mofar, não embolorar por dentro e por fora, me percebo contaminada desse jeito!

Esta semana, quem me deu a cutucada foi a geladeira, que de fria, pelo jeito, só tem o interior

Ela morava, originalmente, na cozinha – como manda o figurino. Acontece que sou avessa a figurinos, e a minha saiu de lá para morar no quartinho dos fundos, que faço de despensa. Para chegar nela eu saía da cozinha, dava seis passos atravessando a área de serviço, entrava na despensa e ela ficava ali, do meu lado direito.

Saiu da cozinha para que eu pudesse instalar, no seu lugar, uma bancada para amassar a massa de pão.

Detalho o trajeto dela para demonstrar a gravidade do caso.

Aqui em casa as coisas se movimentam bastante. Meu quarto já foi na sala de cima porque eu queria curtir o amanhecer, o sol, a lua, o céu, as estrelas. Já foi no quarto de hóspedes e agora se instalou onde deveria ter se instalado desde o começo. Importante dizer que quando o quarto desceu, a sala de jantar subiu. E vou parar por aqui.

Toda essa informação faz parte do dossiê que compõe a minha defesa. Vem ajudar a provar que não sou apegada a hábitos. Gosto da mudança e vivo, há muito, aninhada em seus braços.

Faz quinze dias, pouco mais, pouco menos, que tirei as máquinas de lavar e de secar, da área de serviço e instalei as ditas cujas no banheiro da despensa. Na realidade negociei com a pia do banheiro, tipo o Chaves da Venezuela: as máquinas entraram e ela dançou!

Isso feito, a geladeira ocupou o lugar das máquinas.

Não se estresse que eu chego lá. A geladeira, as máquinas, a despensa, a pia e a bancada para amassar a massa do pão vêm explicar meu comportamento de cachorro de Pavlov.

Durante esses quinze dias eu saía da pia, passava batido pela geladeira, entrava na despensa e me surpreendia com a falta dela. Ene vezes por dia. Tudo bem que quando cozinho fico mergulhada nos mistérios da alquimia, mas não tinha noção de que eu podia funcionar assim no piloto automático!

eu me pensava livre, senhora da própria vida
que nada!
sou toda condicionada
de pura decisão não tenho nada

e é bom que eu perceba isso logo
para não sair por aí
cheia de pompa e circunstância
dando e vendendo arrogância

eu pensava ter as rédeas
em toda situação.
que nada!
quando penso ser cabeça
me percebo inteira coração

até o ortopedista se enreda
e o raio X então lhe segreda
que osso que nada
você procura na porção errada

olho para trás, para os lados
e o que vejo da minha vida
é um colar de situações
de drama, humor e paixões
que tem um pingo ou outro
das minha próprias decisões

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e organiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung com a intenção de tirar nossos móveis do lugar

Táxi ! Por favor, com elegância

 

Por Dora Estevam

Taxi, na galeria de Stephen Geyer

Esta semana, observei alguns pontos de táxis.  O que me chamou a atenção foi a roupa dos motoristas. Notei que, atualmente, eles estão mais sociais na maneira de se vestir, e isso me causou uma boa impressão.

Quando estão em grupo, é fácil identificar o que estão vestindo, parece uniforme mesmo: calça bege ou preta, camisa branca e sapato social. Barba bem feita e carro limpo … Para combinar, é claro.

“Esta é uma das nossas preocupações, além da ética no atendimento com o cliente”, diz Natalício Bezerra Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas de SP. “Nosso compromisso com o passageiro vai  desde o relacionamento até o bem estar dele em toda a viagem. Imagine se um passageiro entra no carro e da de cara com um motorista todo sujo e mal cheiroso”.

Eu jamais pegaria um táxi se o motorista estivesse cabeludo, barbado e de óculos escuros, isso depõe contra o profissional. “E se eu fosse um cliente me manteria longe deste tipo”, ensina Edson Lamonica, motorista com ponto no Real Park, em SP.

“Aqui no ponto, nós trabalhamos durante a semana com roupas sociais, somente no sábado partimos para o casual, mas sempre bem arrumado. Procuramos estar com o rosto sempre a mostra, o carro limpo e organizado e, em todos os pedidos, descemos do carro para abrir a porta para o passageiro, seja ele uma empregada doméstica ou um grande executivo” – conta.

Edson trouxe na bagagem a experiência de 12 anos como motorista de empresa particular. Assim, foi mais fácil a adaptação. Ele até passa dicas para os amigos.

Estar barbeado e asseado faz parte do compromisso com o passageiro, a regra é fiscalizada e cobrada pelos coordenadores das praças.

“Assim como a roupa, o motorista tem de ser discreto: Não podemos falar mal da cidade de São Paulo nem tampouco dos passageiros, seja ele turista ou morador.” Discrição, também, em relação ao cliente, explica Natalício: “não podemos sair por ai contanto tudo o que ouvimos ou vimos dentro do táxi”.

O carro é como se fosse uma empresa. O motorista precisa se vestir adequadamente, falar bem e ter educação. O perfil dele indica a maneira com que conduz o carro. Um motorista bem arrumado causa boa impressão.

Ao pegar um táxi, espero que o motorista seja discreto, limpo, tenha bom senso, não ouça rádio com som alto e não encha minha viagem com histórias tristes, sobre a vida dos outros ou reclamando da própria. Espero que ele saiba me ouvir e me compreenda, além de chegar ao destino pelo melhor caminho.

Assim, certamente, ele fará parte da minha agenda, tão discreta e elegante.

Dora Estevam é jornalista, escreve aos sábados no Blog do Milton Jung e anda de táxi na cidade de São Paulo

Ando devagar

 

Por Abigail Costa

Começo de abril de 2010. Não é falta de assunto, mas tudo está andando tão rápido que quando paro pra pensar nisso tem que ser rápido.

Ainda outro dia reunimos amigos em casa numa função gostosa para brindar a chegada do ano, depois uma viagem planejada, início das aulas.

Tudo já faz parte do passado.

Tenho encarado essa “passagem rápida” do tempo, dia a dia, bem-vivida ! Aproveitado mesmo.

Jantar em família é pra eles. O prato preferido de um filho, a massa recheada do outro, a bebida que nós gostamos. De sobremesa,  as gargalhadas – a parte deliciosa da noite.

Depois, um encontro com uma amiga – ouvir, falar, reforçar as palavras de carinho. – Até um outro dia !

E assim vamos nós. Sem a obrigação de correr paralelo ao tempo.

Pela manhã, os compromissos. Se entra algum extra, algum tem que sair. Não dá para espremer as horas. Caso contrário eles vão se somando, você se esgotando.

Compromisso de hora em hora fica bonito na agenda do médico. Reparou?   Tudo enfileirado, das oito às oito. Agora, o seu doutor cumpre o horário?

Se cumpre passa pra mim. Os meus, não!

O nome do seriado não sei, mas me lembro que  alguém dizia:

– “Perceba como as pessoas se apropriam de várias vidas e acabam deixando de viver a dela”.

Numa vida é impossível não cumprir várias  tarefas. Carregá-las  depende da vontade de sofrer.

Pode ser uma opção.

A minha é aproveitar as horas desta quinta-feira, 1º de abril de 2010.

Único dia, mês e ano.

Se fez, fez. Se não deu, vire a página. Vá para a outra tarefa.

Carregar tudo nas costas é uma opção.

Abigail Costa é jornalista e, às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung, sem pressa

D’aqueles dias

 

Por Maria Lucia Solla
Ouça D’aqueles dias na voz da autora

Ontem foi mais um daqueles dias.

“Aqueles dias” têm enredos diferentes, mas elementos comuns: balbúrdia e tsuname de emoção, sensibilidade à flor da pele, incoerência, derrame lacrimal, incapacidade de realizar tarefa dita normal e dificuldade de concentração. Esse é o sintoma mais grave num mundo onde eficiência é fundamental, e a falta dela, condenação; ponto final.

você pode não ser agradável sociável inteligente
mas se não for eficiente
é considerado socialmente doente

pobre do poeta sonhador
que sofre do mal de amor
pobre de quem tem saudade
e que para tudo por um momento de amizade
que dá o que tem pela fé
e não abre mão da verdade

O fato de não fazer o que deve, sem ter muito claro o que é que deve fazer, é para ser escondido de todos. Dito à boca pequena. Não é falta confessável. É para ser guardada no cofre onde moram a dor de amor, da saudade e a fome de cumplicidade.

quem não tem eficiência de verdade
não anda no ritmo marcado pela sociedade
não ostenta o oficial carimbo
não encaixa a própria vida em planilha do Excel
é condenado a passar seus dias no limbo
Santo Deus do Céu!

Há rótulo e oficina para cada caso, no entanto; pílula mágica vendida na farmácia, legal ou ilegalmente – tanto faz – na drogaria, na academia, na clínica de estética e de dieta frenética. O objetivo é fazer você caber no modelo da hora, e se você atrasa ou adianta, meu filho, é simplesmente largado do lado de fora.

só o poeta sonhador que acolhe e respeita a dor
consegue escapar das teias da eficiência
com arte e com rima
com esperançca e paciência

o homem não tem mais tempo de ser poeta
atrofia o coração e esquece a grandeza do perdão

Mas eu não quero te levar a perder tempo, a deixar as tarefas de lado, a perder a distribuição da senha da eficiência. Nem quero que franza o teu senho pensando na dor que eu tenho, porque amanhã certamente, depois desse expurgar de algo que era preciso deixar, vou sorrir como nunca, vou cantar e desafinar sem medo, sem pudor de mostrar também o avesso da dor.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

O defeito dos homens, por elas

 

Por Dora Estevam

Falar da celulite, do rosto enrugado, da barriga que teima em se mostrar e do bumbum caído da mulher é fácil. E como se fala. Mas quando nós fazemos comparações com homens tipo David Beckham – o abdome mais sarado do mundo – aí é covardia. A comparação é injusta, dirá alguém. E quem está falando em justiça ?

David_Beckham

Dos defeitos no físico e na personalidade. Se é para é falar do que não gosta neles, as mulheres não perdoam: barriga caída, barriga estufada, barriga de cerveja. Não faltam adjetivos. E qualquer um desses é insuportável.

Vamos a lista:

Ø    Dentes amarelados ou a falta de um deles
Ø   Horas diante do computador sem dar a mínima para a família
Ø  Adoração pelo futebol somada a mania de vestir a camisa do clube quando recebe visita em casa. É do time dos cafonas.
Ø    Barulhinho com a colher do café, mexendo o açúcar
Ø    Preguiça de tudo, não levanta por nada      
Ø    Pintar os cabelos brancos ou (tentar) esconder a careca.
Ø    Senhores de idade avançada com look de bad boy
Ø   Nunca reparar na roupa nova da mulher e quando repara pergunta se custou caro.

O comportamento do homem se estende da casa para o trabalho, e a aparência é capaz de indicar que ele é megainteligente na atividade profissional mas em casa não passa de um Ogro. Não dá !

Eu, particularmente, não gosto quando vou ao restaurante com a família e tem lá uma mesa cheia de homens falando bobagens em alto e bom som, é muito desagradável. 

Alguns defeitos você tolera, mas quando superarm as qualidades, aquele abraço.
 
Mulher não tolera falta de educação, falta de higiene, falta de asseio. Não tolera que o seu marido fique olhando para o traseiro ou derrière da menina que passa … apenas para lembrar algumas dentre muitas reclamações, pois para todas não haveria espaço suficiente aqui.

Tudo bem, você não precisa ser um lorde Inglês (ou um craque inglês como Beckham) , mas tem alguns cuidados que não custam caro e podem melhorar muito a sua aparência física e intelectual com reflexos na sua auto-estima. Vá por mim:
 
Ø    Comece praticando algum exercício;
Ø    Se tiver os dentes amarelados, opte por fazer um clareamento;
Ø    Deixe sempre a barba bem feita;
Ø    Mantenha os cabelos bem cortados e limpos;
Ø    Faça de vez em quando uma limpeza de pele;
Ø    Procure usar um filtro solar e creme;
Ø    Na roupa, procure as cores da estação para não destoar dos outros;
Ø    E, acima de tudo, tenha educação em qualquer situação da sua vida.

A ideia não é fazer de você um homem obsessivo pela beleza, levá-lo a torrar o dinheiro com produtos caríssimos nem tão pouco transformá-lo em um jovenzinho sem idade para tal. É, sim, a de criar uma imagem interessante e bacana, para ser respeitado pelas pessoas que o rodeiam, no trabalho, em casa, entre os amigos.
 
A ala feminina agradece.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve no Blog do Mílton Jung sobre moda e estillo de vida.

Mulher trabalhadora, homem ciumento

 

Por Dora Estevam
Tais e Marcos, Viver a Vida

É impressionante como ainda tem muito homem que não deixa a mulher trabalhar fora. As promessas são sempre as mesmas: fique em casa e eu te darei tudo.

A mulher que fica em casa se dedica aos filhos, casa e marido.Esquece que dentro dela tem um potencial que aos poucos se esconde, perde espaço. Sem trabalhar, sem pensar, sem se motivar; no mínimo o cérebro atrofia Depois de alguns anos – quando a vida a dois já está desgastada pela rotina – a mulher tenta se recolocar no mercado. O resultado você pode imaginar, enormes e várias dificuldades.

A menina, 22 anos, engravidou aos 17, resolveu quebrar a rotina, enfrentar o marido e procurar emprego. Encontrou: um mês depois, incomodado com as saídas da esposa, o marido exige que ela deixe o emprego. Sim, para ela trabalhar tem todo um ritual de beleza e arrumação que incomoda o sujeito.

A outra pula de casa em casa. De 40 em 40 dias está numa casa diferente porque o marido é quem sempre decide, a palavra é sempre dele: saia para cuidar das suas filhas.

Na Paraisópolis, comunidade popular de São Paulo, no Dia Internacional da Mulher, a porta da floricultura estava cheia de homens. A florista ficou na expectativa de boas vendas, mas, nada aconteceu. Eram somente maridos falando mal das mulheres, relata uma moradora.

São empregadas domésticas, babás, faxineiras, vendedoras….

Todos estes casos são de pessoas, de mulheres que moram na Paraisópolis e segunda-feira passada não tiveram o que comemorar.

Do outro lado do universo – o lado fantasioso – também existe um machista que não aceita a condição da mulher exercer a profissão dela. Eu falo do personagem Marcos, que tem José Mayer como protagonista, da novela “Viver a Vida”, da Rede Globo. Helena, a modelo, esposa, [mega-über] famosa fica entre o casamento e a profissão.

O empresário Marcos é o tipo que dá tudo pra mulher, do luxo ao glamour. Mas impede a moça de exibir a liberdade que conquistou há anos, com muita luta.

O que explica este comportamento? Que machismo é esse que acontece em todas as camadas sociais?

Sabemos que com a revolução sexual a mulher deixou de ser Amélia e conquistou o mercado de trabalho. Há mulheres com altos cargos nas empresas, mulheres que ganham uma fortuna, que dirigem grandes corporações. Há um mercado todo voltado para elas. Sem dúvida, enfrentaram e enfrentam um longo caminho para a conquista da dignidade pessoal, social e profissional.

A mulher é capaz de dar conta do recado, sim, cuida da casa, dos filhos, do marido, do trabalho, e ainda sobra tempo para se cuidar, se tratar – esteticamente falando. Sem contar as muitas que estudam sem parar, mestrado, doutorado, o que exige muito tempo de leitura.

Nada contra as que preferem ficar em casa, nada contra as que optaram por exercer as tarefas domésticas. Sei que esta opção exige muito trabalho delas, além da conta, muitas vezes.

Falo é dos homens ciumentos que impedem o crescimento profissional e intelectual da mulher, que exigem que ela fique em casa por puro machismo.

O Dia Internacional da Mulher foi criado para lembrar a morte de mulheres que, em frente a uma fábrica em Nova York, lutaram pela redução da carga de trabalho para dez horas, equiparação de salários com os homens e tratamento digno no ambiente de trabalho.

Foi-se o tempo em que as mulheres eram criadas para procriar e embelezar o marido. No século 19, as mulheres eram consideradas probleminha para a sociedade; hoje, o probleminha pode ser você, homem ciumento.

Dora Estevam é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung aos sábados sobre moda e estilo de vida