O universo particular do luxo

 

Por Dora Estevam

4912843080_ab3e8a24dc_z

Neste domingo, São Paulo, Jardins – Oscar Freire, Haddock Lobo, Bela Cintra e Sarandi, o quadrilátero mais chique da cidade -, será cenário do maior evento de luxo aberto ao público, do País. Os visitantes, estimam perto de 10 mil pessoas, vão receber tratamento VIP e passar momentos valiosos ao lado de pessoas que se encantam com a riquíssima variedade de lojas da região.

O cenário mais apropriado recria nestas ruas um típico e charmoso passeio pelos palácios franceses. É a quarta edição do evento no qual o público terá acesso às novidades da moda, da arte, da cultura e entretenimento – da gastronomia, também, esta não poderia faltar, são 23 restaurantes. Quem recebe a todos é a marca de champanhe Promenade Chandon, que estará presente nas 34 lojas que participam da festa e terão sua vitrines “vestidas” especialmente para o momento.

Pensando em luxo e falando nele, lembrei-me de uma entrevista que li na revista Poder, nº28, com o CEO da Louis Vuitton, Monsieur Carcelle. Ele recebeu a Poder e conversou 15 minutos sobre a marca. Entre uma pergunta e outra, o repórter quis saber qual a importância do mercado de luxo, já que a Marca Vuitton é das mais valiosas neste mundo diferenciado. É um império de 449 lojas próprias. Faz ideia? Bem, Monsieur respondeu: “Luxo para nós é traduzido por ‘treat yourself’ ” – ou seja, mime-se. Mimar-se mesmo em tempos de crise, resume o CEO.

Deve ser por isso que quando estamos chateadas saímos correndo às compras.

Vamos ao dicionário verificar o que significa luxo. Está no Aurélio:

“Luxo, vida que se leva com grandes despesas supérfluas e o gosto do conforto excessivo e do prazer. Bem ou prazer custoso.”

Vamos à prática: você acha que bom gosto e personalidade no vestir são artigos ou comportamento de luxo? Você acha que ter uma parede repleta de livros do chão até o teto é luxo? Como você vê o luxo?

4912239539_6461ea30bd_z

Este é o estúdio do estilista Karl Lagerfel em Paris, repleta de livros em todas as paredes, fotografado por Todd Selby.

É claro que se a pessoa estiver só olhando pra baixo a visão será sempre de pobreza, de miséria, de lamúrias, de gente derrotada que se se encosta nas outras. Pra estas o luxo é um absurdo, é um desperdício de dinheiro. Mas não dá para negar que o luxo existe e tem muitas, milhares de pessoas que são luxuosas, que gastam mesmo, sem dó. E com elegância.

Vai me dizer que nunca cobiçou um belo carro projetado no melhor estilo, da melhor marca, provocativo e eficiente. Ah, tá ! Então, que tal uma viagem inesquecível, sem erros. Com a bagagem toda recheada com os melhores produtos de beleza, estilo e conforto do mundo. E as joias, os relógios: impossível nunca ter desejado um sequer.

Uns dirão: o luxo não sustenta a alma, ninguém vive dele … este lugar-comum todo. Pois eu digo: você só conhece a pessoa quando ela tem dinheiro.

4912843156_750eb5603b_z

Veja a modelo Gisele Bundchen, saiu do Sul do País, com uma mão na frente e outra atrás, não tinha grana para comer, morar, a família era bastante humilde, com maneiras bem simplórias, lá da roça, e, no entanto, hoje nada no dinheiro – por, favor, no sentido figurado. Acaba de construir uma casa na Califórnia para morar com o marido e filho no valor de US$41 milhões. Imagina tudo isso. É puro luxo.

É a tendência natural de quem ganha dinheiro. Bem entendido, de quem ganha muito dinheiro. E se ganha e na bagagem leva muita cultura, ai então o luxo não tem limite.

Exemplos aqui no Brasil é o que não faltam. A começar ou comparar jogadores de futebol, cantoras e cantores populares. Assim que se tornaram celebridades, o consumo aumentou, de compras que vão desde mansões até jatos particulares. Sim, é preciso um alerta: do luxo pro brega é um erro só.

E antes que alguém critique: não estou me referindo a cafonices ou a deslumbramentos. Lembra-se do significado de luxo?

Queridos e queridas, se vocês não tiverem um compromisso neste domingo (das 17h30 às 20h30) – e estiverem aqui por São Paulo – vão até os Jardins, tomem uma taça de Chandon e tenham uma aventura com classe. Eu sei que no fundo, no fundo você é um cliente exigente e faz questão da pura sofisticação.

Dora Estevam é jornalista é escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

De Sucupira à Caratinga

 

Por Carlos Magno Gibrail

Alencar e o DNAA comédia política de Dias Gomes de tão contemporânea está virando tragicomédia, tal a quantidade de coronéis que ainda persistem no universo nacional.

Em todas as áreas.

De pequenos gestos, mas enorme significado, como o de Ricardo Teixeira ao recusar por três vezes o aperto de mão de Muricy às declarações de José Alencar a Jô Soares permeadas de preconceitos e pecados capitais.

Ações de paternidade têm ocorrido com personalidades como Collor, Lula, Fernando Henrique e Pelé.

Collor e Lula prontamente corresponderam, Fernando Henrique esperou a saída do poder, Pelé demandou muito trabalho e manchou seu nome, mas nenhum agiu como o Vice Presidente. Não satisfeito em negar e se recusar ao exame de DNA, foi ao programa do Jô e destemperou:

“Como os próprios tribunais dizem, tem de haver indícios. Se não, amanhã, todo mundo que foi à zona um dia pode ser submetido a exame de DNA”.

“Eu não estou habituado a ceder à chantagem”.

“Não há uma pessoa que tenha me visto com essa mulher”.

O que Alencar não disse é que a condenação está baseada em histórico composto de testemunhas da cidade de Caratinga e casaco de pele presenteado por ele. Além do fato da recusa ao exame, de acordo com lei assinada por Lula há um ano, significar “presunção de paternidade”.

E, por coisas do destino, está na mesa de Lula projeto de lei aprovado no momento da sua entrevista à Globo (4 de agosto de 2010), da deputada Iara Bernardi, que muda o status do significado de recusa, passando de “presunção de paternidade” para “admissão tácita”.

Este projeto de lei determina, também, que tanto o Ministério Público como qualquer pessoa pode solicitar o exame, o que derruba a soberba de Alencar afirmando não acatar o DNA para não ser chantageado.

Alencar perde a chance de encerrar dignamente uma carreira empresarial e política, num momento em que todo o país acompanha a sua brava luta contra o câncer.

Odorico Paraguaçu neste momento de relançamento cinematográfico deve estar preocupado com tantos sósias ou concorrentes.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras o Blog do Mílton Jung

A consciência do mundo através do jeans

 

Por Dora Estevam

mama jeans daddy jeans sissy jeans baby jeans

Se existe uma peça que não depende de estilista famoso para vender é o jeans. Uma exceção no mundo da moda. Usado por todas as classes sociais, todas as raças, idades e sexo, está sempre presente nos guarda-roupas.

Depois da recessão dos anos 1970, anti-moda era a palavra-chave. Com isso, tudo o que era simples e barato e não lembrava nem de longe a alta costura fazia efeito. Época em que os não-conformistas já optavam pelo jeans,

Em 1971, Levi Strauss – quem havia criado o jeans mais de um século antes – recebeu o prêmio Coty Award da indústria da moda americana. Merecido. Para onde quer que se olhasse havia alguém com a calça. Homens, mulheres, gays, pobres, ricos. Ninguém escapava.

Quem diria que o modelão feito para mineradores alcançasse tanto sucesso. Deles para os cowboys, a escalada de usuários chegou em Hollywood. E os astros Marlon Brando, James Dean e Montgomery Clift usaram e abusaram dos blues.

Joplin Dean

Após a Segunda Guerra Mundial, os soldados americanos desfilavam com umas calças estranhas e despojadas pelas ruas. Chamaram a atenção dos europeus que passaram a se interessar pela calça rústica e despretensiosa.

Romper o velho tabu, estar engajado em algum movimento estudantil e usar jeans significavam a mesma filosofia: refutar a velha imagem do passado.

Se até hoje dá vontade de chegar em casa correndo, tirar a roupa de trabalho e vestir um jeans, imagine quando havia uma filosofia a justificar a roupa.

Os tingimentos vieram a partir do anos 1980. A boa cotação dos “stonados” registrou caixas altos e as demandas por estilistas aumentou e se tornou internacionalmente grifado. Daí surgiram as peças mais sofisticadas e com qualidade atendendo público mais exigente.

Jeans Hoje

Eu mesma tenho várias calças jeans. Shorts e camisa, também. Uso com tudo, especialmente com camisas, camisetas e blazers ou jaquetas. Adoro mesmo. Às vezes, me pego usando todos os dias. E houve uma época em que não tinha uma só no meu acervo. Eram os anos de 1990. Não gostava. Não achava chique. Depois que comprei a primeira, indicada por uma amiga, não parei mais. Viraram amigas insparáveis, as calças.

Há quem se recorde das velhas calças com boca de sino, tipo Janis Joplin, em outros a imagem que ficou marcada foi a do ator James Dean, juventude rebelde dos anos 1950, ou as rasgadas dos punks.

Em constante renovação, mas sem perder a praticidade, o jeans continua sendo usado por muitos e muitos cidadãos. Os preços variam de acordo com a marca, e sempre há modelo compatível com o bolso de cada um. Fenômeno de massa, dificilmente a invenção americana será substituída. Ainda não apareceu ninguém para inventar algo melhor.

E você, caro leitor, cara leitora, tem alguma história legal para contar sobre o seu primeiro jeans?

Dora Estevam é jornalista e vestia jeans quando escreveu este artigo para o Blog do Mílton Jung

N.B: A foto que abre este artigo é do álbum de Aphasiafilms/Flickr; Janis Joplim e James Dean aparecem em imagens de arquivo; e os dois modelos são de editorial da The Artorialist

De saúde e da falta dela

 


Por Maria Lucia Solla

O assunto da saúde não se esgotou em mim, e de asas abertas aterrissei na conclusão de que os problemas não vieram para ficar; sou eu que, encantada neles, não os estou deixando ir.

Chegando lá foi fácil. Foi só olhar com atenção, que apareceu a solução. Para conquistar a saúde, e mantê-la companheira, é importante manter longe o estresse; viver expontaneamente. Entrar, aceitar, levar o que interessar. Importante deixar que a tristeza chegue, entre, cumpra a missão, e parta, retomando a estrada.

Vivemos agarrados a necessidades que nem são nossas de verdade e vamos com elas na enxurrada. Temos horror da ideia de mudar; temos medo de viver. É por isso que sofremos e esperneamos quando elas são ameaçadas: porque somos escravos delas. Não somos nós que as temos, são elas que nos possuem.

A guarda incansável delas tomam tanto tempo que nem temos tempo de sentir a segurança da própria vida; do simples existir. Nos deixamos sem tempo para amar, para exercitar a ternura no olhar. Deixamos de exercer o verdadeiro abraçar.

Por nós passa despercebida a perfeição do vai e vem da vida. Do bom que vai e vem, como faz o ruim também.

É como se uma nesga de consciência se fizesse consciente em mim. Relembrei que a vida é colcha de momento, de alento e desalento, e é assim que ela é feita; é assim que é perfeita. Tudo sempre novo de novo: encontro, desencontro, encanto, desencanto, claro, escuro, ganho perda, alto, baixo. Onde está o recomeço que eu não acho?

vi que é urgente que a gente se separe
da mágoa da dor da perda da posse e do queixume
e que faça isso ligeiro
antes que a dor se avolume

entendi que é urgente
largar mão da certeza
para arrebanhar mais saúde
mais beleza

manter domados egoísmo e ambição
para manter sadio o coração

entendi que é urgente mudar
não ser dono da verdade
e se dar conta de que sem o outro
a gente é só
metade

Saber falar e calar, reconhecer que depois de cada ação vem a reação.

e que se deve perdoar
bem antes de pedir perdão

é preciso afastar a maldade
abrir o coração de verdade
e de viver ter muita vontade

O que falta pra eu chegar lá é falar de tudo isso com mais humor, maior leveza; é de ver menos a feiúra e mais a beleza!

Quando eu mudar, a saúde com certeza vai voltar e venho aqui correndo te contar.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

De resgate do feminino

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De resgate do feminino na voz e sonorizado pela autora

yin yang

Desde o final da década de 1990, o resgate e reequilíbrio da energia feminina na mulher é pano de fundo da minha vida; cenografia do palco onde vivo drama e comédia, romance e suspense.

Nos idos dos anos 1960 e 70, as mulheres se rebelaram para valer. Saíram às ruas, exigiram direitos iguais como cidadãs, queimaram seus soutiens em praça pública, fizeram muito barulho, falaram grosso e, na realidade de hoje, 40 anos depois, suas exigências parecem estar bastante satisfeitas.

Falo delas assim, na terceira pessoa do plural, porque nunca tive nada a ver com isso. Sempre estudei, trabalhei e fui profissional respeitada nas áreas onde atuei; portanto, esse era um problema que eu não sentia na pele.

Tenho dois filhos, passei pelo aperto de ser mulher separada e divorciada, nos anos 1980, e dei conta do recado com algum sacrifício e muita satisfação. Privilégio meu.

Entendo o movimento feminista, mas sempre abordo o assunto com muito cuidado porque defender direitos não dá à mulher o direito de abrir mão da sua porção mulher.

Sair para ganhar a vida, literalmente é coisa de homem. Calma, não tem aí nem uma pitada de machismo. É a pura realidade. Poucas mulheres conseguem se dedicar ao trabalho, alcançar o sucesso, mantê-lo, regá-lo e cultivá-lo, sem deixar de fazer uma comidinha para o seu homem e para os seus rebentos.

Só para registro, vivemos num planeta dual. Tudo contem o seu oposto e é contido por ele.

aí mora o segredo do equilíbrio
da harmonia
do bem-estar
do bem-viver
e é isso que não pode faltar.

Temos descoberto e desenvolvido nossas habilidades, desde o início dos tempos.

o homem executivo da época
que só conseguia manusear um porrete
para prover o sustento
arrastava para a caverna-doce-caverna
a mulher que desejava levar
e ela ia de bom-grado
na maioria das vezes
quero acreditar

Hoje lhe dá joia, manda e-mail apaixonado e acaricia os mesmos cabelos que quase lhe arrancava do couro.

Não há ainda, que eu saiba, aparelho para medir a proporção entre as energias feminina
e masculina em nós, mas todos as temos, homens e mulheres, feministas ou não.

Animus e anima.

Anima, o lado feminino no homem e animus, o lado masculino na mulher.

Faz tempo que redescobrimos que não somos tão diferentes assim e não chegamos ao extremo de virmos de Vênus, e eles de Marte. Na verdade, o que temos em comum supera com vantagem as diferenças.

Homem que é homem…, mulher que é mulher… são expressões que se ainda não foram, já passou da hora de serem substituídas por: gente que é gente…

gente que é gente respeita
gente que é gente não mata
não rouba não estupra
não tortura o físico nem o psicologico
gente que é gente não destrói outra gente
com palavra mortal
e crítica mirada no mal

Até aí eu diria que concordamos todos.

Mas, e sempre tem um mas em toda história, é preciso dar um zoom na vida do ser mulher. Era ela a arrastada para a caverna quando o homem a desejava.

hoje é ela
a mulher
que arrasta musculosa e poderosa
o homem que ela quer


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung explorando suas múltiplas versões.

Quero só o comercial de margarina

 

Por Abigail Costa

Tirei um tempinho nesses dias para uma função diferente: pesquisadora. Nada de laboratório e ampolas. Que pena!

Diante dos meus amigos, da manicure, na fila do caixa do supermercado. Só faltou a prancheta.

“Você está se sentido cansado? Desanimado? Tem que levantar e o corpo pede mais cama?”

Quando a resposta era positiva, isso aconteceu na maioria das vezes, me sentia um pouco mais animada. Era como se eu não estivesse sozinha no mundo do não-quero-fazer-nada.

Ouvi justificativas para o caso.

“Em certos períodos isso é normal mesmo … às vezes a gente precisa de um tempo”.

Mas o que me fez pensar no que estava me incomodando veio da minha querida Maria Lúcia:

“Muitas pessoas estão focadas para um lado ruim que acaba contaminando todo o resto”.

Isso mesmo.

Pregamos o melhor e fazemos diferente.

Quer um exemplo?

Você está se sentindo de bem com a vida? Ligue a televisão no noticiário. Pronto, o terapeuta ganhará mais um paciente.

Jesus! Que coisa mais perversa! É tanto tiro que uma das balas teima em furar a tela da minha 40 polegadas!

Aí o engravatado roubou. O outro mesmo comprovado o crime não foi punido e voltou pra casa. E o sujeito está largado na maca do hospital enquanto a vinheta das eleições já começa a rolar no espaço reservado para a propaganda de margarina.

Falando em margarina. Nem gosto tanto do produto só que ADORO quando aqueles segundos vão ao ar! Adoro ver a família na mesa, aquele sol da manhã entrando pela janela, o pão quentinho saindo fumaça …

De volta as tragédia rotineiras. Outra descoberta da minha pesquisa.

Todos se queixam das notícias sangrentas. Querem a boa notícia. Mas se “eles” exibem, diariamente, o que a gente está careca de ver é porque tem mercado pra isso. Caso contrário, o Ibope registraria queda na audiência.

Entre não querer ver e assistir tem uma longa distância.

Então, mesmo que você se proponha a só prestigiar o “comercial de margarina”, tem sempre um mensageiro do apocalipse:

“Você viu? Que coisa, não, estamos perdidos”.

Pra terminar minha “terapia em conjunto”, o caos é quando o marido chega pra você todo carinhoso e diz:

“Amor, temos que economizar”.

Pronto! Aí me mundo caiu de vez! Pior que desta vez, ele tem razão.


Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

De dor II

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De dor II” falado, gravado e sonorizado pela autora

Photo 48-1

Gememos, sofremos, reclamamos.

De quê?
Rejeição, dor, injustiça.

Difícil aceitarmos que alguém não nos ame como queremos ser amados.
Difícil passarmos desapercebidos quando pensamos ter os sentidos alertas e acreditamos perceber tudo e todos.

Na verdade, nossos sentidos têm olhos semicerrados e só percebem vagamente as sombras da ilusão.
Na verdade, somos tão voltados para nós mesmos, para o nosso umbigo, para a imensa muralha que é o nosso ego, que somos, na verdade, absolutamente cegos.

Todos.

Vivemos rotulando: isto é justo, isto não é; isso está certo, aquilo não.
Chove; que droga! Não chove; que secura!
O mundo lá fora não me revenrencia; não é justo!
O outro tropica; justo!

Nossa bússola anda bêbada; louca.
Deixou de ser bússola; virou biruta.

Pois foi numa fase dessas, de bússola-biruta, que chegou a mim uma mensagem da Cabala e me fez ver um raiozinho de luz nas sombras da ilusão em que me encontro.
Trouxe alívio para a dor que me aflige.

A mensagem diz que rejeições, acontecimentos que não consideramos justos, coisas que não vão ou não vêm na direção que queremos, são a chance que temos de não alimentarmos nosso ego. São a chance de libertarmos o nosso verdadeiro Ser.

A mesagem nos convida a apreciar a rejeição; a dar-lhe as boas-vindas. Diz que a dor que sentimos, a dor que quase não suportamos, é o desacorrentar de nossa alma.

Para mim chegou na hora certa; e para você?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e organiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung com dor e paixão

Você ainda vai ter um dia de Alice

 

Por Dora Estevam

Ela está por toda parte. Pode ser vista nas embalagens de maquiagem, nas estampas de camisetas, nos editoriais de revistas de moda (as mais importantes do mundo), também em desfiles e exposições.

Já sabem de quem estou falando?

Não, não é da Lady Gaga. É Alice. Sim, ela mesma. De ”Alice no País das Maravilhas”.

Alice 1 Capa TeenVogue

Criada em 1865 e agora resgatada por Tim Burton, a personagem, interpretada pela atriz Mia Wasikowska, virou febre nos mercados da moda e beleza, a começar pelos Estados Unidos, onde o filme já foi lançado. Com agenda cheia, a atriz quase não tira o vestido azul-celeste, mesma cor do usado pela personagem no filme, como podemos ver na capa da Teen Vogue de março.

Com estreia programada para a próxima semana aqui no Brasil, a releitura deste clássico da literatura fantástica de Lewis Carroll tem causado alvoroço na moda. Estilistas enlouquecidos com as roupas e o figurino do filme fizeram versões do modelito azul.
 
Até a poderosa Anna Wintour editora-chefe da Vogue América, se rendeu e dedicou várias páginas a Alice. Anna buscou um time peso-pesado para a produção do editorial: Olivier Theyskens, Tom Ford, Helmut Lang, Marc Jacobs, Karl Lagerfeld (para Chanel Haute Couture), Jean Paul Gaultier, Viktor & Rolf, Stephen Jones (para Christian Lacroix Haute Couture), John Galliano (para Christian Dior Haute Couture), Donatella Versace (para Atelier Versace) e Nicolas Ghesquière (para Balenciaga). 

Detalhe: a movimentação começou com o início das filmagens. No ensaio, cada estilista veste a modelo com o vestido azul do filme, o que remete a cada cena e ao cenário escritos no livro. Um verdadeiro affair do cinema com a moda. A personagem foi encarnada pela top  Natalia Vodianova e as fotos feitas por Annie Leibovitz.
 
Alice 2 ensaio
 
Ao que tudo indica o filme vai dar lucro também fora das telas, são incontáveis os produtos lançados: a marca de esmaltes OPI criou quatro cores inspiradas no filme e a Urban Decau, uma edição de sombras embalada com a estampa do cenário, edição limitada. A esta altura já não deve ter mais nada nas prateleiras. 

O marketing fortíssimo da Disney contratou a estilista Stella McCartney que criou uma linha de colares e pulseiras com pingentes de cristais Swarowski e Plexiglass (tipo de cristal acrílico).
 
Alice 3 brincos-swarovski-e-broche-da-hora-do-cha-louise-buchan

Se for contar tudo o que estão fazendo por aí, você teria de rolar páginas e páginas de post neste blog. Até a nossa amiga Rihanna já fez um editorial vestida de Alice. Foi em 2009 para a Vogue Itália. O ensaio foi todo em preto e branco, apenas com destaque em uma foto justamente a imagem da cantora com o vestido azul-celeste.
 
Carol Trentini, modelo brasileira também teve seu momento Alice para a revista Numéro, só que numa versão gótica da personagem. Inspirado  também no mundo de Carrol, a princesa Paola de Orleans e Bragança foi Alice por um dia e fez  a campanha para uma marca de jóias no Brasil.

Alice 4
  
É impressionante o sucesso que o filme está fazendo no quesito figurino e cenário. Tim Burton tem ótima reputação no mercado cinematográfico. Acertou mesmo em fazer esta reprodução. Só resta saber se o filme ficou bom. O que veremos semana que vem.
 
E para entrar no clima do País das Maravilhas, vá à exposição sobre o universo dos sonhos de Carroll, no Shopping Portal do Morumbi. O espelhinho com moldura laranja foi o escolhido para ser redesenhado por 40 artistas brasileiros. E os trabalhos serão vendidos a R$ 200 cada um com renda para a entidade que cuida de crianças com leucemia, a Abrale .
 
É isso, assistam e depois nos contem como foi o filme e o que você resolveu comprar para entrar no mundo de “Alice e o País das Maravilhas”.

Dora Estevam é jornalista e escreveu este texto no Blog do Mílton Jung com um vestido longo azul-celeste

Quando o menos é mais

 

Por Abigail Costa

Das primeiras vezes que ouvi isso, as pessoas se referiam as roupas.

Muitas cores, muitos colares, muitos anéis. Tudo “over”.

Bastou um olhar mais atento para camisa branca ou o pretinho básico e as diferenças apareceram.

Das roupas para a vida nossa de cada dia, ficou mais fácil.

É natural, além de ser mulher, mãe, esposa, profissional, incorporar outras figuras.

Foi num desses momentos de múltiplas funções que me deparei com um desgaste fora do normal.

O cansaço veio acompanhado de uma sensação de ser incompleta.

Poucos minutos para o café da manhã já que o dia tem pressa.

Uma espécie de cronômetro para medir se o que foi feito estava absolutamente certo ou pela metade.

Uma cobrança invisível de sofrer.

Ninguém diz nada mas você sabe.

Poderia ter ido mais além aqui. Deveria ter brecado ali.

Era como ir para o quarto e perceber que com algumas mudanças nos móveis conseguiria mais espaço para ter um corredor.

Em alguns momentos é hora de sacar o pretinho básico do guarda-roupa para não perder tempo com as combinações de cores que estão fora de moda.

Uma dúzia de funções ficam bem para mostrar para os outros como você é ou se sente ocupada.

Ocupada, mas sem tempo de desempenhar as principais tarefas que só dependem de você.

DESCENTRALIZAR.

Estou “in love” com essa palavras.

Ando namorando, o mais é menos.

Descobrindo que posso, não preciso, andar com o cronômetro na bolsa.

Quer saber?

Me perguntaram outro dia.

– Esta fazendo o quê?

– NADA.

Do outro lado lado:

– Aí que inveja!

Eu me senti vestida de menos, o outro me viu DEMAIS.

Estou conseguindo.

Abigail Costa é jornalista e escreve às quinta-feiras no Blog do Mílton Jung

Sandália com meia é pipoca com guaraná

 

Por Dora Estevam

O que era considerado infame ou gafe no mundo da moda virou status nos desfiles das coleções Primavera-Verão 2010 das marcas mais famosas: sandália com meia. E foram muitas as grifes que aderiram ao modelito: Alexa Chung, Marni, Jean Paul Gualtier para Hermes, Christian Dior e Burberry Prorsun.
 
O caminho para o sucesso da mistura foi ostentado por famosos como Rihana e Marc Jacobs, ano passado. E algumas antenadas já haviam aderido ao estilo.

Uma coisa é usar meia com sapato no inverno, outra é fazer o mesmo modelo desfilar no verão. Tem que renovar tudo, de tecido a desenho da sandália.

Dizem os estilistas que agora é um ótimo momento para testá-las, primavera-verão.
image001

Por aqui a moda virou hit nos anos 1970 com Dancin Days, novela de Gilberto Braga estrelada por Sônia Braga. Elas eram coloridas e brilhantes.

Dancin Days
 
Eu já falei sobre a moda de sapatos para o nosso inverno – que já esta por aí. Nem de longe lembra esta proposta de sapato com meia: peep toe, scarpins renovados, salto baixo … mas se você se sentir a vontade e com vontade, fique atenta nos modelos a seguir e os use para ver como vai ficar. Não se esqueça de postar um comentário para contar o resultado.

image003
 
Uma meia com chinelão igual a este do Jacobs até que cairia  bem  neste friozinho, não acham ? Esta com cara de ser bem confortável e quentinha.
 
De uma olhada nestas sandálias. De repente você pode até mudar a sua opinião, e achar chic.

image004 

E note que as roupas são realmente mais frescas assim como as meias são finas e as sandálias abertas.
 
image005
 
Olha esta que graça, fazendo a linha esportiva chic.
 
image006
 
Esta outra combinação, que bárbara ! Realmente os modelos são de causar impacto. Este cairia bem numa baladinha, não acham?
 
O interessante é que você pode brincar com as cores das meias e dos sapatos. É uma questão de gosto. Eu diria que é uma moda que em pouco tempo ganhará espaço nas ruas brasileiras principalmente no eixo Rio SP.

Dora Estevam é jornalista e vai testar a sandália com meia (e pipoca com Guaraná) no frio deste fim de semana.