As emendas parlamentares e a crise econômica

 

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Imagem do Flickr da Câmara Municipal de São Paulo

 

Marcia Gabriela Cabral
Advogada, especialista em Direito Constitucional e Político,
Conselheira Participativa Municipal
Integrante do Adote um Vereador

 

O Brasil está quebrado. A economia está em recessão. A Política em ebulição. Portanto: “o Brasil está em crise!”. Esta é a frase mais dita e ouvida pelos brasileiros, na atualidade.

 

A situação política e econômica encontra-se estagnada. O Congresso Nacional está emperrado. O Executivo federal está acuado. A economia desandou.

 

Todo este dilema se dá por causa da política. Ou seria por causa da economia? Ou seriam outros fatores? Ou todos estes fatores juntos e misturados?

 

O fato é que tanto a política quanto a economia não vão bem, e por consequência, o país vai mal.

 

Embora a crise econômica seja considerada, por alguns, a maior crise já vivenciada pelo Brasil, as emendas parlamentares vão na contramão deste discurso.

 

Prova de que no âmbito federal, o imbróglio é mais político do que econômico, é o corte que houve no orçamento federal que atingiu áreas como saúde e educação, no entanto, poupou as emendas dos nobres parlamentares brasileiros.

 

As famigeradas emendas parlamentares são parte do orçamento público, destinadas aos “caprichos” e “agrados” dos senadores, deputados e vereadores, para alocarem a verba onde e como lhe convém.

 

Este instrumento de negociação entre o Legislativo e o Executivo, na esfera federal, ficou no montante de R$ 6,6 milhões para o ano de 2016. Isto mesmo, os parlamentares tem esta quantia para utilizarem a bem do “interesse particular”. Pois sabemos que o interesse público, sendo otimista, fica em segundo plano.

 

Estas emendas tratam de interesses diretos dos parlamentares. Evidentemente que a crise que estamos vivenciando não atinge os congressistas. Aliás, não atinge a classe política como um todo, não esqueçamos que o valor do fundo partidário foi triplicado, em meio à crise econômica.

 

Estes fatos, demonstram de maneira inequívoca que não há “falta de dinheiro” como é alegado, na verdade há excesso de interesses próprios, de barganha política, de má execução de políticas públicas.

 

No Estado de São Paulo, o montante das emendas dos deputados estaduais ficou em R$ 304.700.000,00 (trezentos e quatro milhões e setecentos mil).

 

No âmbito do plano local, na maior cidade do país, pasmem, o valor destinado as emendas da vereança paulistana é na órbita de R$ 165 milhões, sendo cerca de R$ 3 milhões por parlamentar.

 

Há algumas aberrações, que não podemos deixar de mencioná-las. Um vereador destinou o montante de R$ 1.500.000.00 (um milhão e quinhentos mil reais) para a “Promoção da Marcha para Jesus”, justificando tal feito por considerar que em virtude do evento ocorrer internacionalmente, visa “glorificar o nome de Jesus”.

 

Pelo meu irrisório conhecimento jurídico, adquirido nos bancos escolares, nas aulas de Direito Constitucional, entendi que a laicidade do Estado trata-se de uma posição neutra em relação à religião.

 

Assim, o Estado laico, como é o Brasil, por previsão constitucional, deve portar-se de forma imparcial a respeito das questões religiosas, não apoiando nem discriminando qualquer religião. Devo ter me equivocado no entendimento da matéria!

 

Ademais, como dizia Renato Russo, “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da Nação”.

 

Como se não bastasse, este mesmo vereador, destinou mais R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) para a “promoção da cultura do funk na cidade de São Paulo”. Vou poupar-me de tecer comentário a respeito.

 

Diante dos poucos exemplos elencados, dá para verificarmos o descompromisso dos nossos representantes, que não nos representam a contento.

 

Estamos realmente em crise econômica/financeira? O Orçamento Público, com certeza, não está.

E ainda querem que eu pague CPMF

 

Por Julio Tannus
Consultor em estudos e pesquisa aplicada

 

“Mesmo que não pense continuarei existindo,
mas então não valerá a pena existir”
Rui Rodrigues

 

Ah! Se fossemos todos assim.

 

Os desmandos, a falta de ética, o compromisso dos homens públicos e mulheres públicas voltados para esferas próprias e privadas, tornaram nossas vidas um verdadeiro suplício, algo que outrora não imaginávamos.

 

Os cargos públicos preenchidos não por competência técnica, mas sim por conchavos políticos, muitas vezes decorrente da estrutura política vigente no país, onde para governar é preciso fazer acordos espúrios. Vide os casos do PSDB se alinhando com o DEM, e o PT com o PP.

 

As decisões econômicas mal orientadas ou tomadas em benefício de poucos. Pautadas não por interesses nacionais, mas por arbítrio. Uma das consequências: em 2015, o Itaú/Unibanco teve um lucro de R$ 23,5 bilhões, 15,4% maior do que em 2014. E o Bradesco, lucro de R$ 17,19 bilhões, 14% maior.

 

Um sem-número de casos… E aqui vai mais um:
Os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo. Estudo da Organização Transparência Brasil concluiu que 1 minuto trabalhado aqui custa a nós contribuintes R$ 11.545,00. Por ano, cada senador não sai por menos de R$ 33 milhões e o custo anual de um deputado é de R$ 6,6 milhões.

 

Os valores apresentados acima causam mais espanto quando comparados a vários países ricos. A média dos custos anuais de “nossos” deputados e senadores é de R$ 10,2 milhões por parlamentar. Na Itália, R$ 3,9 milhões. Na França, R$ 2,8 milhões. Na Espanha, R$ 850 mil. E na vizinha Argentina, por mais incrível que pareça, o custo anual de cada parlamentar é de R$ 1,3 milhão.

 

O pior é que esses elevados custos se repetem nas assembleias legislativas. Em Brasília, cada um dos 24 deputados distritais custa por ano quase R$ 10 milhões.

 

E se repete também nas Câmaras de Vereadores: no Rio de Janeiro e em São Paulo, cada vereador custa pelo menos R$ 5 milhões, anualmente.

 

Com tudo isso, ainda o governo quer reeditar a CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira para cobrir custos. E a Receita Federal quer entrar em nossas contas bancárias para cobrar mais impostos e assim aumentar a renda do governo.

 

Tudo isso com o objetivo de cobrir o rombo dos cofres públicos, de cuja responsabilidade é do próprio governo.

 

Por que não é factível reduzir os custos elevadíssimos dos cargos públicos? Por que não “enxugar” a máquina do Estado?

 

Haja coração e cérebro!!!

A internet das coisas e de todos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A web dará origem a um novo sistema econômico que substituirá o capitalismo. Trata-se da internet das coisas. Ela permitirá conectar todos e tudo em um novo processo econômico, mais completo do que as revoluções industriais do passado, pois sua arquitetura é descentralizada e customizada.

 

Jeremy Rifkin, autoridade em economias do futuro,se tivesse ouvido a CBN no sábado teria mais uma confirmação da importância de sua última obra.“Sociedade com custo marginal zero, a internet das coisas, os bens comuns colaborativos e o eclipse do capitalismo”.

 

Rifkin, professor de Warton, guru de presidentes, entre eles, Angela Merkel, afirma que quando os custos de gerar, armazenar e compartilhar comunicações, energia, transportes, produtos e serviços se aproximarem de zero,uma nova matriz será criada. Pública e esperta: a internet das coisas.

 

No “Mundo Corporativo”, Armindo Mota Jr, da WAPPA, descreveu ao Mílton Jung a sua operação, que atende empresas em serviços de taxis cobrindo 300 cidades brasileiras, usando 300 cooperativas. Com o seu aplicativo, ajuda as empresas clientes a desmobilizar e economizar 30% em transportes, enquanto os taxistas têm 30% a mais de ocupação, e ele fatura 200 milhões por ano.

 

No “50 mais CBN”, Alexandre Kalache perguntou ao economista Eduardo Gianetti, se ainda mantinha a afirmação que a economia devia nos libertar, mas acaba nos escravizando. Gianetti manteve a afirmação, mas a tese de Rifkin e o programa do Mílton merecem uma reflexão.

 

A experiência da Wappa pode ser aplicada em todos os setores de transportes, e, aos produtos também evitando perdas e sobras. De outro lado, setores tradicionais terão que enfrentar as inovações da internet das coisas, como Ruy Castro já percebeu que a trajetória dos cantores que hoje ganham em shows chegará aos escritores.

 

A argumentação de Rifkin é consistente para chegar à transposição do capitalismo para o compartilhamento da internet das coisas, e, é acessível.Pelo entendimento e pelo acesso. Você pode comprar o livro em português ou baixar na internet o original de graça. Local onde pode ouvir o autor,ler seus comentários, ou investigar a opinião e a análise de professores de renomadas escolas de economia. Tudo dentro da internet das coisas.

 

É bom se preparar, para aproveitar o que virá.E, por falar nisso, dia 20 entrará no ar o PIRATAS ON LINE, o primeiro Shopping Center físico a ser replicado na web.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, as quartas-feiras

Obras de Rifkin em português:
A terceira revolução industrial
O sonho europeu
O fim dos empregos
A economia do hidrogênio
A era do acesso
O século da biotecnologia

Refugiados podem salvar a Europa de suicídio demográfico

 

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A onda de refugiados pode se transformar em oportunidade para a economia da Europa, segundo o vice-presidente do Banco Europeu, Vítor Constância. A afirmação do dirigente português foi um dos destaque na conversa de hoje com o jornalista Lourival Sant’Anna, recém-chegado a equipe do Jornal da CBN e titular do CBN Internacional, que faz parte do Time das Nove. De acordo com o nosso comentarista o argumento de Constância é que o continente europeu está vivendo um suicídio demográfico com a baixa natalidade e o envelhecimento da população. Diante desse cenário, os imigrantes podem se transformar em capital humano valioso, pois são pessoas formadas, geralmente jovens e com desejo de trabalhar.

 

 

Assim que Lourival trouxe o tema para nosso bate-papo pela manhã, lembrei de texto publicado aqui no Blog, semana passada, assinado pelo colaborador Carlos Magno Gibrail sob o título “Imigração pode gerar riqueza” quando apresentou análises que são feitas desde o início da década passada e ratificadas por diferentes economistas. Os números porém, ainda, não foram suficientes para sensibilizar dirigentes e nações, movidas, segundo Gibrail, “de um lado pela preservação de culturas locais e até mesmo pela xenofobia e, de outro, pelo aumento expressivo de refugiados”

 

Aproveito para reproduzir o texto publicado, originalmente, quarta-feira, dia 9 de setembro:

 

Em 2005, Dilip Rhata, economista do BIRD,concluiu estudo em que um aumento de 3% na força de trabalho pela imigração acarretará um acréscimo de 0,6% no PIB. O produto realizado será de US$ 356 bilhões, dos quais US$ 162 bilhões para os imigrantes, US$ 143 bilhões para os países em desenvolvimento e US$ 51 bilhões para os países ricos.

 

Paul Krugman já havia feito um trabalho em que concluiu que, inicialmente, os imigrantes pressionam os salários para baixo, mas em longo prazo há um movimento contrário, pelo retorno dos investimentos.

 

Em 2013,dezenas de renomados economistas da Universidade de Chicago foram perguntados se o americano médio estaria melhor se estrangeiros com baixa qualificação entrassem no mercado de trabalho: 50% Sim, 28% dúvida e 9% não. Entretanto, se fossem trabalhadores qualificados: 89% sim e 5% incertos.

 

Embora a teoria econômica ainda não tenha uma convergência a esse respeito, há até estudos que estimam um crescimento do PIB mundial de 20% se não houvesse barreiras à imigração. O fato é que a maioria dos economistas considera a imigração compatível com a geração de riqueza. E, essa anuência econômica, não tem sido o bastante para que as barreiras à imigração tivessem diminuindo. De um lado pela preservação de culturas locais e atém mesmo pela xenofobia e, de outro, pelo aumento expressivo de refugiados.

 

Entretanto, a foto do menino na praia, viralizada mundialmente, acelerou um processo que os economistas não tinham conseguido.

 

A emoção suplantou as ressalvas e as nações começaram a se reposicionar. A Alemanha saiu na frente, e vimos na FOLHA de ontem:
“Com sua força econômica, a Alemanha pode receber meio milhão de refugiados por ano a médio prazo, afirmou o vice-chanceler e ministro da Economia, Sigmar Gabriel.”

 

Angela Merkel anunciou que vai destinar 6 bilhões de euros para administrar o grande fluxo de migrantes e afirmou que o fluxo em massa de imigrantes mudará o país, prometendo trabalhar para que estas modificações sejam “positivas”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mercado de carros de luxo no Brasil cresce apesar da crise no setor automotivo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Mundos opostos: o mercado automotivo no Brasil vive um momento difícil com a crise econômica no país. O aperto no financiamento, principalmente para consumidores de carros populares, diminuiu ainda mais a fatia das principais gigantes do setor – General Motors, Fiat, Volkswagen e Ford. O resultado é que fabricantes estão parando sua produção e demitindo funcionários como se percebe no noticiário. Por outro lado, o mercado de carros de luxo está em pleno crescimento, alheio à crise.

 

De acordo com dados do jornal O Estado de São Paulo, BMW, Audi e Mercedes-Benz, que juntas dominam 70% do mercado automotivo de alto padrão no Brasil, venderam cerca de 14 mil unidades de janeiro a abril, o que representa um crescimento de 18% somente nesse período. São veículos com preços que variam de R$ 96 mil a R$ 960 mil reais.

 

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Com tantas incertezas que vive o país, muitos devem se questionar: quem são esses consumidores?

 

O mercado de luxo lida com um público de altíssimo poder aquisitivo, a princípio não atingido por crises econômicas ou, certamente, em menor escala.

 

É essencial ressaltar que há um questão comportamental muito importante que comanda boa parte desse consumo. Quem vive a experiência do luxo há algum tempo tende a ter um comportamento mais sutil na busca por novos produtos, principalmente em tempos de crise.

 

Ao mesmo tempo, cresce cada vez mais o número de milionários no Brasil, criando uma demanda de compradores ávidos por novidades, pelo consumo, por usufruir de seu poder aquisitivo relativamente recém conquistado. E automóvel é uma paixão nacional. Sonho de consumo de muitos brasileiros. E símbolo de status.

 

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Uma vez que parcela desses consumidores adquire condição privilegiada pode por prática esse sonho e comprar automóveis de marcas prestigiosas como BMW, Audi, Mercedes-benz, Volvo, Land Rover, Porsche ….

 

E você, com qual carro você sonha ainda possuir?

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP, MBA em Marketing pela PUC-SP e MBA em Gestão do Luxo na FAAP. É autor do Blog Infinite Luxury e escreve, às sextas-feiras, no Blog do Mílton Jung.

Previsão de economista

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No final de 2012, quando já se sabia que Lula assumiria o poder no dia primeiro de 2013, em conversa com o economista Joaquim Eloi Cirne de Toledo, PhD pelo MIT, docente da USP e Diretor de Banco, ouvi uma surpreendente previsão. Dr. Toledo garantia que as incertezas econômicas inseridas pela mídia e absorvidas por parcela da população eram totalmente infundadas. O PT iria desenvolver uma ocupação do poder planejada para mais de 15 anos, e para isso abriria mão de algumas posições conceituais.
Como sabemos, o Dr. Toledo acertou na mosca. E, veio a corrupção, e a associação de trocas.
Previsão e tanta, que até me anima, a prospectar o próximo ano, pela identificação clara dos graves problemas de 2014. Os desastres deste ano: economia, Petrobrás, falta d’água, política e copa do mundo.

 

As recentes decisões tomadas para os ministérios identificam o mesmo sistema que originou a grave situação de 2014.

 

Os 39 ministérios serão mantidos. 25 com os nomes já escolhidos tiveram o mesmo critério partidário de troca de favores. Aldo Rebelo, comunista que defendeu um Código Florestal em beneficio dos latifundiários, sai dos Esportes para a Ciência e Tecnologia, tendo sido autor de projeto proibindo avanços tecnológicos que pudessem reduzir empregos. George Hilton, o pastor PRB/IURD que foi flagrado em MG com mala cheia de dinheiro (de esmolas), ocupará os Esportes. Os “Atletas Pelo Brasil”, de Ana Moser, Raí, Oscar Schimdt, Bernardinho, Kaká, Lars Grael, Rogerio Ceni, Hortência, etc. já se manifestou contra o novo ministro.

 

De outro lado a carga tributária estará subindo. No INSS as empresas arcarão com 30 dias iniciais, quando eram 15 e os trabalhadores perderão vantagens no seguro desemprego e na pensão por falecimento.
Mudança como vemos não deverá ocorrer, pois o PSDB que não dá conta da água, outrora se filiou com o PFL e inspirou a dobradinha PT e PMDB, agora nomeia o pastor Jean Madeira PRB/IURD para secretário dos esportes, como um congênere do Hilton.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: Maurício Goldstein fala de gestão inovadora

 

 

Uma crença fundamental no ser humano, este foi o fator diferencial que os consultores Maurício Goldstein e Vicente Gomes, da Coral, encontraram nos líderes de 24 empresas identificadas por eles como adaptadas as atuais exigências do mercado. O resultado desta pesquisa está no livro “Novas organizações para uma nova economia – Um mundo onde as empresas, as pessoas e o planeta prosperam juntos”, ponto de partida da entrevista do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Goldstein destacou ainda que essas corporações geralmente têm um fundador ou um líder muito forte, carismático e um sonho mobilizador.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br), com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Com que roupa?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Se depender da opinião de Roberto Chadad, presidente da ABRAVEST Associação Brasileira do Vestuário, as roupas serão chinesas. Nestes dias em que a Tecelagem Renaux, pioneira em Brusque no ano de 1892, é notícia pela autofalência, o episódio vivido na FIESP há alguns anos, com a visita da Ministra Comercial da China veio à memória. Nessa ocasião, Chadad indagou como a China conseguia vender uma calça de jeans por US$ 7,50, ao que a ministra respondeu que era por causa dos impostos e, portanto, um problema para o Brasil, pois os tinha muito altos.

 

Na realidade, a verdade é mais ampla, pois em 1990 com a abertura no governo Collor foi estabelecida uma graduação de desagravo nas importações de têxteis e confecções. Não houve um entendimento ideal entre os agentes nacionais que fabricavam bens de capital, tecidos e roupas, como também não ocorreu a modernização necessária. Ao mesmo tempo os impostos subiram e os agravos de importação nos tecidos e nas roupas não inibiram a entrada no mercado brasileiro de tecidos e roupas importadas, enquanto o produto nativo brasileiro é hoje tributado de 38% a 41% na loja.

 

A partir daí começamos a entender o drama da Renaux, se incluir outras eventuais falhas de gestão, que certamente impediram de traçar estratégias de escape que funcionassem. Por exemplo, a da Hering ou da Santa Constância, com caminhos diferentes. Uma pela escala e posterior entrada no varejo, outra pela escolha de um nicho de moda.

 

Para chegar à verdade inteira é preciso considerar as condições oferecidas à mão de obra asiática comparativamente com a brasileira, bem como a tributação ao produto nacional. Vamos concluir que este é realmente um “negócio da China” como se dizia no tempo de Noel Rosa. Só que hoje o “negócio da China”, é para a China.

 

PS: Para ouvir a música de Noel Rosa cantada pelo próprio clique aqui. Para ouvir na voz de Nelson Rodrigues acesse por aqui.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Protestos sustentáveis, por Agostinho Vieira

 

Tomo a liberdade de reproduzir aqui a coluna Economia Verde, assinada por Agostinho Vieira, ex-colega de rádio CBN, hoje responsável pelo espaço no jornal O Globo. Anteriormente havia roubado algumas de suas ideias como leitor semanal, hoje vou além e copio da primeira a última palavra o que li no jornal de quinta-feira, quando Agostinho transcreveu suas impressões sobre este momento que o Brasil e nós enfrentamos. E o faço não por acaso, mas porque gostaria de ter sido o autor desse coluna:

 

Durante 30 dias, o país do futebol e dos milhões de técnicos preferiu falar de transportes, saúde e educação. Nada de esquemas táticos. O tema era a PEC 37. Parecia uma nação nova, renovada, cheia de energia. O Dapieve chegou a dizer que as manifestações trouxeram a libido de volta à política. É verdade. Mas será que os jovens se apaixonaram mesmo pela vida pública ou estavam apenas “ficando”?

 

Claro que não dava para manter aquele tesão o tempo todo, mas entre um casamento monótono com a pátria e o priapismo cívico há um espaço que precisa ser ocupado. Se isso não acontecer, podemos ter mais um caso grave de frustração coletiva. Como muitos outros que já vimos por aqui. Houve um tempo, por exemplo, em que o fim da ditadura era o objetivo único e óbvio. A volta da democracia resolveria todos os nossos problemas. A História mostrou que não era bem assim.

 

Depois vieram as lutas pelas eleições diretas e pela Constituinte. Se elegêssemos os nossos representantes e deixássemos claro na Constituição quais seriam os direitos e deveres de todos não haveria mais dúvidas. Seríamos, enfim, um país grande. Mas como isso podia ser possível com uma inflação de 235% ao ano? É verdade. Vamos brigar contra esse dragão e acabar logo com o sofrimento.

 

Pronto, tudo resolvido. Já temos eleições diretas, uma boa Constituição e estabilidade econômica. O que mais se pode querer? Aí algum chato lembra que somos um dos países mais desiguais do mundo. Com mais de 40 milhões de miseráveis. Como é que ninguém foi pensar nisso antes? Realmente é inaceitável. Nesse tempo, nas palavras de ordem dos jovens, educação rimava com feijão: “Arroz, feijão, saúde e educação”. Tinha também o “Fora FMI”. Uma espécie de FIFA da época.

 

Em cada um desses momentos da nossa História houve uma enorme esperança de mudança na população. Não era só o episódio de uma novela, mas o grande final. Um pênalti aos 44 minutos da decisão que teimava em continuar empatada. Agora vai, sonhavam todos. Mais ou menos como acontece agora. Ou seja, é tudo uma questão de perspectiva ou de expectativa.

 

Quem tem uma visão Tabajara da vida pode pensar que “seus problemas se acabaram” sempre que um movimento novo surge ou um candidato diferente aparece. Não é bem assim. Por mais chato que pareça, as conquistas serão sempre lentas e graduais. Um passo de cada vez. Anda-se mais rápido quando há vigilância sistemática e cobrança. Por isso, seria bom que as manifestações não acabassem. E que elas ganhassem filhotes nos diversos fóruns de decisão.

 

Com o fim da Copa das Confederações, foi junto o hino cantado à capela, o acampamento na porta do Antiquarius e a greve geral que aconteceria na última segunda-feira. Mais um dos muitos boatos que circulam impunemente pela internet. Ficou a redução de 20 centavos no preço da passagem, a rejeição da PEC 37 e a destinação de 75% dos royalties do petróleo para a educação e de 25% para a saúde.

 

Os índices de aprovação de prefeitos, governadores e da presidente Dilma despencaram. O que é muito bom para tirá-los da antiga zona de conforto. Mas não resolve nenhum problema prático. Fora isso, voltamos ao marasmo de antes. As propostas do governo, boas ou ruins, são criticadas pela oposição. Os conchavos e as picuinhas voltaram a dar o tom do debate. A Constituinte exclusiva para a reforma política foi abatida em pleno voo, e o plebiscito vai pelo mesmo caminho. Sob o estranho argumento de que o povo não saberia votar.

 

Ele não só sabe como deve votar e participar muito mais do que vem fazendo. Criar ou regulamentar essa tal de democracia participativa talvez devesse ser o grande objetivo dos protestos. Se as associações de moradores, os centros acadêmicos e os sindicatos estão ultrapassados, são coisas de velhos, que se construam outros mecanismos de discussão e participação política. A internet é apenas um meio, não é um fim. Não representa ninguém.

 

Se não for assim, vamos continuar vendo políticos, analistas e jornalistas, como eu, tentando adivinhar ou traduzir o que a voz rouca das ruas anda dizendo. Mudar realmente o país dá um pouco mais de trabalho. Para que os protestos sejam sustentáveis, no sentido original da palavra, é preciso dedicação, foco e responsabilidade. Entender que o mundo não é preto e branco. Ele é cinza, e com vários tons diferentes. Mocinhos e bandidos só existem nos desenhos animados.

Brasil perderia R$ 19,3 bi sem metrô de São Paulo

 

Viagem de Trem e Metrô

 

Chego muito cedo para trabalhar e estou distante da estação de Metrô, portanto o carro ainda é minha opção quando deixo minha casa de madrugada para apresentar o Jornal da CBN. Antes mesmo de chegar à redação, porém, já tenho informações sobre as estações de metrô da cidade – e da CPTM, também. Costuma ser das primeiras notícias que me chegam pelo Twitter: fatos contados por usuários muitas vezes revoltados devido a problemas técnicos e atraso dos trens. Há os que mandam imagens para provar o aperto que estão enfrentando nas primeiras horas do dia. Entendo perfeitamente a bronca dos ouvintes com o transporte sobre trilhos de São Paulo, são poucas linhas para a demanda que temos. São apenas 74 quilômetros e 64 estações, muito distante da infraestrutura ideal para atender os 4 milhões de passageiros que usam o sistema,

 

Por estar esmagado na estação de embarque ou pressionado dentro do vagão, o paulistano perde a perspectiva da importância deste transporte para nosso cotidiano. Ressalto, fato este plenamente justificável. A verdade, porém, é que sem Metrô e CPTM, nossas vidas seriam muito diferentes e as perdas inimagináveis. Perdão, imagináveis, ao menos a partir de agora. Estudo que será divulgado nesta sexta-feira (7/6), feito pelo professor Eduardo Haddad, da FEZ-USP, mostra que o Brasil perderia R$ 19,3 bilhões por ano ou 0,6% do PIB, caso não existissem os trilhos do metrô, na capital paulista.

 

Haddad e sua equipe se debruçaram sobre modelos econômicos de grande escala, mapearam como os trabalhadores se deslocam na cidade de São Paulo e região metropolitana, e consideraram a relação entre mobilidade, acessibilidade e produtividade do trabalho no sistema metropolitano incorporado à economia nacional. De acordo com dados divulgados no estudo, a cidade de São Paulo está diretamente envolvida em 14,1% de todos os fluxos de comércio do país. Portanto, se este fluxo para por aqui, a economia brasileira sofre como um todo.

 

Sem Metrô, a cidade de São Paulo deixaria de produzir R$ 6,15 bilhões, enquanto o restante da região metropolitana deixaria de contribuir com a economia em R$ 2,17 bilhões. Os demais municípios do Estado de São Paulo perderiam R$ 2,29 bilhões e o restante do Brasil sofreria um impacto econômico negativo de R$ 8,7 bi. “Quando você retira o metrô, o tempo de deslocamento aumenta e a produtividade cai. O PIB da cidade de São Paulo e de outras regiões do país é afetado. O Brasil perde competitividade, a arrecadação do governo é reduzida, as famílias têm menos renda e, portanto, consomem menos”, diz Eduardo Haddad.

 

Conclusão: ruim com o metrô, impossível sem ele.