São Paulo: Cidade Limpa deve ser referência para Cidade Linda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Há 10 anos, São Paulo era uma das raras cidades grandes do mundo em que a comunicação visual excessiva e desordenada lhe atribuía uma singularidade. Mas, extrapolava. Quase a sufocava.

 

Naquela época eu ainda guardava na memória as observações favoráveis dos professores europeus doutores na ECA USP, sobre a fantástica cultura paulistana exibida nas ruas, nos muros, nos prédios. Alguns edificados especificamente para servir de painel.

 

O desordenamento intenso e extenso, não importa se expressava a vida e cultura das pessoas que ali viviam, teve um antídoto do mesmo calibre. O prefeito Gilberto Kassab insuflado com a energia da arquiteta Regina Monteiro passaram a limpo toda a cidade. Não se detiveram pelo cultural, ou econômico, ou o social.

 

A ordem era limpar a cidade.

 

E veio a surpresa geral, o projeto CIDADE LIMPA, após um breve período de contratempos, foi um sucesso. Empresas cerraram atividades, escritórios de criação, gráficas, operários de colocação de anúncios, transportadoras, etc. deixaram de existir instantaneamente.

 

São Paulo passou de raridade de comunicação desordenada em exemplo de organização visual. Regina Monteiro até hoje é uma celebridade mundial nesta área.

 

Desde então a cidade tem conseguido manter o princípio mestre da CIDADE LIMPA, blindando-se de uma forma geral aos eventuais ataques do poder econômico, ou de interesses corporativos menores, como no caso das bancas de jornal.

 

O prefeito João Doria, recém-empossado, talvez pela eficácia da CIDADE LIMPA, deve ter se surpreendido com a retaliação à CIDADE LINDA do grupo de pichadores, das gangues de “pixadores” e de alguns grafiteiros. Afinal, está apenas indo contra os ilícitos e não está mexendo com o poder econômico.

 

Quem sabe não seria bom chamar os “universitários” ou a experiente Regina Monteiro?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Arte na Igreja do Calvário

 

A Igreja é de 1926; o grafite, obra recente, assinada por Eduardo Kobra. Para a ouvinte-internauta Tina Kalaf, a “Igreja do Calvário emprestando sua face para o novo” é a Cara de São Paulo aos 459 anos, série fotográfica promovida pelo Blog do Mílton Jung. A reunião destes dois tempos em uma mesma cena pode ser encontrada na rua Cardeal Arcoverde, 950, bairro de Pinheiro.

 

Veja o álbum de imagens coma Cara de São Paulo aos 459 anos.

 

PS: Por descuido deste blogueito, ao publicar o post, troquei o nome do autor da foto, que já está corrigido, o que não me exime de culpa.

Foto-ouvinte: os macacos estão soltos na praça

 

Macaquinho gente

 

Texto e foto de Devanir Amâncio

 

Grafite de saguis com mãos e pés de humanos chamam a atenção na recém-batizada praça Rio+20,na rua Ana Cintra,ao lado do Metrô Santa Cecilia, centro de São Paulo. O belo grafite em meio ao lixo é assinado por Sub X Tu. Nesta semana, crianças do bairro comparecem ao local para uma aulinha de biologia.

                         

Foto-ouvinte: Chafariz “revitalizado” na Nove de Julho

 

Por Marcos Paulo Dias

 

Chafariz

Já que a prefeitura não passou por lá, o artista foi.

O recado foi dado aqui no Blog do Mílton Jung, em 28 de maio de 2010, no post “Nove de Julho desrespeitado”:

O Túnel 9 de Julho pode ser considerado um patrimônio? Lancei a questão no Google e, logo, veio a resposta, no sítio da Prefeitura: ”Com 460 metros de extensão, foi o primeiro túnel da cidade e, durante muito tempo, considerado em símbolo da modernidade da metrópole.” Hoje, o que se vê por lá é muita sujeira, resto de alimentos, descaso e abandono. O chafariz permanece desligado, além do vazamento em um dos canos na parte interna. Acumula lixo e, também, água da chuva, o que facilita a proliferação de insetos. Moradores de rua usam o espaço como dormitório.

Voltei lá semana passada (21/09/11), um ano e quatro meses depois e a situção é a mesma, nada mudou. Melhor, pouca coisa mudou. Encontrei dois grafites, talvez com a intenção de contribuir com a revitalização do local ou chamar atenção para o descaso. Infelizmente não posso dizer o nome do artista, pois não tive a sorte de encontrá-lo. O que eu ainda não consigo entender é o descaso da Prefeitura com o patrimônio da nossa cidade.

Memória nos muros de São Paulo

 

O muralista e artista plástico Eduardo Kobra fez uma nova obra de seu mais antigo projeto em São Paulo, o “Muro das Memórias”. O trabalho, na av. Hélio Pelegrino, mostra uma cena da década de 30. Segundo Kobra, alguns dos personagens do mural olham para fora, “como que cobrando as pessoas de hoje sobre as transformações sem planejamento que prejudicaram a cidade de São Paulo”. Além de Kobra, participaram do trabalho outros três artistas do Studio Kobra: Agnaldo Britto Pereira, Marcos Rafael dos Santos e Andressa Munin Duarte.

“O Estrangeiro” vai resistir a renovação do Anhangabau

 

Estrangeiro

Por Marcos Paulo Dias
jornalista e ouvinte-internauta

Acabei de ler a informação publicada no Diário Oficial do Município de São Paulo, de 08/04/2011, que o prédio do Sindicato dos Comerciários na Rua Formosa , Vale do Anhagabau, foi desapropriado e será demolido pela Prefeitura. Na lateral deste prédio há um personagem batizado “O Estrangeiro” que parece estar só e perdido. É um grafite gigante, pintado pela dupla Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como Os Gêmeos.

O prédio começa a ser demolido neste mês, manualmente, como o foram o São Vito e o Mercúrio. Desconstrução que pode levar até três meses e não deve oferecer risco aos prédios tombados nas proximidades. O objetivo da prefeitura fazer ali o Complexo Praça das Artes, com mais de 28,5 mil m², conjunto de espaços culturais ligados por um boulevar, oferecendo novo visual ao Vale do Anhagabaú.

De imediato veio na memória, o registro que fiz no ano passado do personagem criado e pintado pelos Gêmeos. Segundo informação publicada no Diário Oficial, a prefeitura pretende manter a fachada do prédio onde funcionava o antigo Cine Cairo, edifício vizinho. A opção da prefeitura em manter a fachada do prédio onde foi o cine, embora ele não seja tombado, foi por conta da importância dele para cidade.

Paz no lixo

 

Por Devanir Amâncio

Mensagem no lixo

 
A mensagem de paz: ” Se todos derem as mãos … Quem sacará as armas ?”, grafitada numa parede,  na Rua Terra Portugalense, altura do número 22, no Jardim Irene , Zona Sul.

                                             

Muros de São Paulo pintados em defesa da natureza

 

Greenpincel de Eduardo Kobra

“Denunciar e combater artisticamente as várias formas de agressão do Homem à natureza”. Assim Eduardo Kobra, artista e grafiteiro, explica o primeiro de uma série de trabalhos que realizará nos muros e paredes da cidade de São Paulo. Na Domingos de Morais, em frente a estação do metrô, no bairro de Vila Mariana, zona sul da capital, o artista de renome internacional inicia a série “Greenpincel” alertando para a matança de baleias.

Na imagem acima, Kobra se distancia para enxergar melhor parte do trabalho que será entregue nessa quinta-feira, dia 17: “É uma obra crua e forte, baseada em uma cena da caça de uma baleia pelo navio Yushin Maru. Todas as tragédias naturais que têm acontecido em nosso planeta mostram que proteger os animais e a natureza como um todo é também uma forma de protegermos o ser humano. Particularmente, sou um apaixonado por plantas e animais. São temas que namoro há muito tempo e, por isso, decidi que já era hora de colocá-los também dentro do meu trabalho como artista”

Foto-ouvinte: Se tem lixo, tem ratos

 

DSC00029

“Passo todos os dias pela Av. Almirante Delamare, em Heliópolis, zona sul de São Paulo, e sempre gostei desse grafite, onde se lê “Se tem lixo, tem ratos”. No dia em que o semáforo me deu a chance de tirar uma foto havia essa equipe da prefeitura tentando recolher a montanha de entulho e lixo permanentes no local. Pelo visto não deram conta, pois ainda tem muito lixo por lá. Nenhuma crítica ao trabalho deste pessoal, pois várias vezes eu vi pilhas de entulho serem recolhidas em um dia e reaparecerem logo depois” Texto e foto do ouvinte-internauta Victor Zamora