Avalanche Tricolor: fizemos a lição de casa com elegância e muito frio

 

Grêmio 2×0 Cruzeiro
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Douglas comemora com o time o segundo gol, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Um jogo de aparente tranquilidade no qual a bola esteve quase sempre sob nosso domínio. E quando não esteve, foi logo recuperada por uma marcação eficiente que impediu riscos de gol.

 

Até demoramos para chutar, mas quando o fizemos fomos definitivos, como no fim do primeiro tempo no cabeceio de Luan que abriu o placar após cruzamento preciso de Everton, em jogada, aliás, iniciada pelo próprio Luan.

 

No segundo tempo, sequer foi preciso aquecer muito, pois aos seis minutos já havíamos ampliado para 2 a 0 após mais uma jogada de muito talento com a participação de Luan e conclusão de Douglas, também de cabeça.

 

Até a sorte esteve ao nosso lado, pois o pênalti marcado com atraso pelo árbitro, na rara oportunidade de gol do adversário, foi para fora.

 

Com a vitória na mão, a troca de passe foi ainda mais segura sem jamais perder a elegância. O torcedor deu-se até o direito de ensaiar um olé … fazia tempo que não ouvia este grito.

 

Com todo o respeito que o adversário e sua tradição merecem, nesta noite de domingo o maior desafio foi enfrentar o clima. O termômetro marcou de seis a sete graus celsius e uma forte névoa embaçou a imagem durante todo o jogo.

 

E foi o frio, pelo que pude perceber, que impactou a condição física de nossos jogadores e nos levou a perder Geromel, Walace e Michael, todos lesionados e jogadores que podem fazer muita falta nas próximas partidas, especialmente em um momento no qual estamos beirando a liderança.

 

A despeito das lesões, o importante é que fizemos a lição de casa e seguimos na briga pelo título do Brasileiro.

Avalanche Tricolor: muitos gols, boas jogadas e algumas falhas

 

Chapecoense 3×3 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá/Chapecó-SC

 

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Jaílson comemora com Everton em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Pra quem curte futebol, foi um baita jogo. Mudança constante no placar, viradas e empates, vantagens e desvantagens. Os dois times olhando o tempo todo para a frente e visando o gol a qualquer custo. Verdade que, às vezes, a ansiedade atrapalhou-se com a bola. E a pressa tropeçou na precisão. Em nenhum momento, porém, a busca pela vitória foi abandonada.

 

O ataque gremista – e não me refiro apenas aos nossos atacantes – funcionou bem com a tradicional troca de passe e jogadores se deslocando com rapidez. A maior surpresa foi Jaílson, outro volante que aparece bem na frente a ponto de ter marcado o gol de empate, no fim do primeiro tempo. Um garoto que, assim como muitos que estão no time, tem personalidade suficiente para arriscar quando necessário.

 

Outra novidade foi a presença de Negueba no segundo tempo. A falta de entrosamento fez com que o atacante saísse antes do passe ou chegasse depois da bola em alguns momentos. Foi, porém, decisivo no gol do empate final: escapou com velocidade pela direita e colocou a bola dentro da área em condição de Giuliano completar de cabeça.

 

Permita-me falar, também, de Giuliano que na minha parca visão futebolística, sempre contaminada pela paixão clubística, tem sido muito importante na equipe com sua movimentação intensa e participação decisiva nos gols.

 

Pena que com tudo isso (e com nossas falhas na bola aérea), deixamos de somar mais dois pontos na tabela de classificação e corremos o risco de terminar a rodada uma posição abaixo daquela que estávamos quando a iniciamos.

 

Porém, como sou um otimista contumaz e antes que alguém comece com discursos derrotistas, devemos lembrar que a partida de hoje foi a segunda seguida fora de casa sem perder. Por este ponto de vista, somamos dois pontos. Que venham mais três no fim de semana.

Avalanche Tricolor: cuidado com as palavras e apuro na bola jogada

 

Fluminense 1×1 Grêmio
Brasileiro – Volta Redonda/RJ

 

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Bobô na disputa pelo alto, em foto de Nelson Perez/Gremio.net

 

O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe bem o cuidado que tenho com as palavras. Tanto porque aprecio as benditas assim como tenho medo do poder das malditas, aquelas que proferimos na emoção de um lance, no momento de explosão do gol ou diante da injustiça imposta pela autoridade em campo.

 

Pensei bem antes de escrever esta Avalanche, mesmo assim por várias vezes me peguei digitando algumas linhas tortas e as apaguei em seguida.

 

Desde que deixei as quadras de basquete, e isso faz muitos anos, decidi controlar meus gestos e emoções. Naquela época, explodia de alegria, de raiva, de choro e de indignação. Fui guerreiro mas fui injusto e descontrolado muitas vezes. Os árbitros eram meus alvos principais. E seria o árbitro meu alvo nesta Avalanche se insistisse em escrevê-la ainda sob o impacto da partida de sábado.

 

Convenhamos, aquele cidadão agiu de maneira um pouco estranha. Se por um lado enxergava pouco por outro ouvia demais. Os olhos toleravam o que o ouvido não aceitava; o que talvez explique não ter enxergado duas mãos na bola em um mesmo lance – e, portanto, deixado de marcar pênalti a favor do Grêmio – nem visto falta em um “carrinho temerário” quando Edílson escapava pela direita, o que provocou a reclamação de Ramiro. Seu ouvido sensível, porém, foi ultrajado com as palavras de nosso volante e, sem dó nem advertência prévia – que resultaria em um cartão amarelo – colocou-o para fora causando mais um grave prejuízo ao Grêmio.

 

Como disse anteriormente, porém, não quero aqui me ater a influência do árbitro nem aos motivos que o levaram a cometer tantos erros contra o Grêmio – apesar de já tê-lo feito no parágrafo anterior (eu não consigo me conter).

 

Prefiro olhar nossos méritos. E que méritos: lá atrás Bruno no gol, Geromel e Wallace dentro da área, Edílson e Marcelo Hermes pelas laterais, apesar do gol sofrido, foram gigantes para suportar a pressão do adversário. Lá na frente, a troca de passes que nos proporcionou o gol, mesmo quando já estávamos com “dois a menos” (se é que você me entende), foi lance de alta categoria.

 

Diante da área e da defesa adversária, com velocidade e precisão, Giuliano passou para Bobô que, sem pestanejar, encontrou Marcelo Hermes entrando por trás da defesa. Nosso menino da lateral esquerda deu um toque elegante embaixo da bola, fazendo-a cair dentro do gol. Coisa linda de se ver, que mostra bem o nível do futebol que temos jogado.

 

Neste fim de semana, ganhamos um ponto e nos tiraram dois. E quem nos tirou os pontos, levou junto a possibilidade de encerrarmos esta sétima rodada na liderança.

 

Se me permitem uma sugestão: independentemente das injustiças proporcionadas pelo apito, dentro de campo, vamos esquecer o árbitro e seguir jogando a bola que sabemos. A performance de nossa equipe é suficiente para nos oferecer a esperança de que logo estaremos na ponta novamente. 

Avalanche Tricolor: uma vitória com fé, dor e sofrimento

 

Grêmio 1×0 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Justa comemoração, em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

Foi um fim de semana intenso. De emoções variadas, sentimentos diversos e espiritualidade. Confinado por três dias em uma casa de retiro aqui próximo de São Paulo, tive acesso a pouca informação. Muito mais uma opção do que restrição tecnológica. Havia outros objetivos nesses dias todos de oração, silêncio e reflexão.

 

Das poucas notícias que surgiram, e não foram pelos meios tradicionais de comunicação, veio a apreensão em relação a saúde de um personagem que esteve nesta Avalanche algumas vezes. Refiro-me ao padre José Bertolini, conterrâneo, nascido em Bento Gonçalves, e, claro, gremista. Que por coincidência passou a rezar missa na capela perto de casa.

 

Bertolini esteve, por exemplo, na crônica do histórico 5×0 como você pode conferir neste link. Também foi visionário na estreia que tivemos na edição do ano passado no Campeonato Brasileiro quando assistimos ao empate com a Ponte Preta, mesmo adversário desse domingo.

 

No sábado, padre Bertolini sentiu uma dor no peito pouco antes de iniciar a missa das 18 horas. Apesar da recomendação para que fosse ao hospital, fez questão de cumprir compromisso assumido com os fiéis e presidiu a celebração até o fim. Muitos devem ter ficado incomodados com a insistência dele, pois, como se provou pouco depois, o padre teve um infarto no coração e está internado na UTI de um hospital paulistano.

 

Pelo que conheço dele, porém, não me surpreendo com a decisão. Padre Bertolini é daqueles que não se entrega fácil, insiste em contrariar as previsões médicas, é incapaz de admitir que uma dor, seja qual for, vá lhe tirar o direito de cumprir sua missão. Nem mesmo uma doença crônica impede que ele trabalhe com vitalidade e inteligência. Aliás, é esta mesma façanha dele que me dá esperança de que logo estará de volta à sacristia, firme e forte.

 

A outra notícia que havia sido reservada para mim, neste fim de semana, viria logo depois que deixei o retiro. Ainda na estrada, a caminho de casa, acessei a Grêmio Rádio Umbro pelo aplicativo no celular, imaginando que a partida havia se encerrado pelo adiantado da hora. Ledo engano. Naquele exato momento, aos 49 minutos do segundo tempo, Luan acertava em cheio, com o pé esquerdo (e com dores como revelou mais tarde), um chute fatal no gol adversário. Gol que foi resultado da perseverança e crença de que a vitória sempre é possível. 

 

Soube depois que havíamos desperdiçado muitos ataques, enfrentado um time retrancado que teve um jogador expulso ainda no primeiro tempo, perdido Lincoln com um cartão vermelho no segundo e levado uma bola no poste já nos acréscimos. Ou seja, penamos e sofremos até a vitória que nos levou de volta à liderança do Campeonato e diante de um daqueles times que colocamos na categoria de “touca”, assim como Coritiba, Goiás e algum outro de Santa Catarina.

 

Ao tomar conhecimento de tudo o que nos aconteceu nesse jogo, só tenho a agradecer mais uma vez aos que me proporcionaram os três dias de retiro, silêncio e reflexão. Além de todos os benefícios que esses momentos trouxeram à alma, ao espírito e à mente, também evitaram que eu sofresse um ataque diante da televisão. Pois não creio que minha fé e meu coração sejam tão resistentes quanto o meu querido e gremista Padre Bertolini que, certamente, vai vencer mais esta batalha.

Avalanche Tricolor: pé no chão e bola pra frente

 

Palmeiras 4×3 Grêmio

Brasileiro – Pacaembu/SP

 

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Edílson teve mais um ótimo desempenho, foto de LEO PINHEIRO/GrêmioFBPA

 

Alguém aí imaginava que seria fácil? Pensava que jamais tomaríamos gol, tiraríamos ponto de todos os adversários e a liderança era algo permanente? Acredito que não.

 

Temos consciência das necessidades de nossos time e das dificuldades impostas pelos outros, especialmente quando estivermos jogando fora de casa.

 

Portanto, sem frustração, desespero ou caça às bruxas.

 

Vi gente saindo de cabeça baixa e se esquivando pra não encontrar o amigo temendo ouvir uma flauta, como se estarmos em segundo lugar no campeonato fosse vexame pra alguém.

 

Em competição desta dimensão, o importante é estar sempre ao alcance dos lideres, o que mantemos e temos mantido desde a primeira rodada.

 

Lembre-se ainda que fizemos uma sequência de cinco clássicos, dentro e fora de casa. Só pegamos campeões nesta caminhada. Apenas na sexta rodada – no próximo domingo – nos foi reservado o direito de enfrentarmos um time que ainda não levantou o troféu.

 

Além disso, sem ilusão, temos um time com feitos e defeitos. Jogadores de qualidade superior a média e outros tantos de quem o técnico precisa tirar 100% da sua capacidade. Esquema tático que agrada há muitos – eu, inclusive – e falhas defensivas que vinham sendo corrigidas, mas voltaram a se apresentar na partida de ontem à noite.

 

Fomos superiores em boa parte do jogo e estivemos com a vitória nas mãos até tomarmos um gol espírita. Os sete gols marcados mostraram o tamanho da partida e do desempenho das duas equipes. Infelizmente, tinha um árbitro para atrapalhar e errar (para os dois lados).

 

Quero ainda destacar a participação de Edílson na lateral direita que fez uma das mais bonitas jogadas da partida, no lance que deu início ao segundo gol, e marcou o terceiro em jogada construída por ele desde o início. Tem feito diferença no time.

 

Domingo tem mais e a liderança está logo ali… bola pra frente!

Avalanche Tricolor: líderes, invictos e felizes!

 

Grêmio 2×0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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A felicidade de Everton, na foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

Quatro campeões brasileiros nas quatro primeiras rodadas. Três vitórias e um empate. Seis gols marcados, nenhum tomado.

 

Ser líder do Campeonato Brasileiro não é obra do acaso. É obra de Roger e sua equipe. Uma gente que decidiu responder as críticas ouvidas após as desclassificações do início da temporada trabalhando duro a cada treino, acertando o que estava desacertado e levando para campo o futebol qualificado que começou ser desenhado no ano passado.

 

O passe, na partida de hoje, demorou para entrar. Mas quando entrou, não havia retranca capaz de segurar nosso ataque. Everton tentou uma primeira vez pegando a bola sem deixar cair no chão. E foi muito feliz na segunda, quando se antecipou ao zagueiro e marcou o gol que abriria nossa vitória.

 

Foi feliz, Everton, sim. E somente o foi graças ao trabalho de equipe, pois nas duas jogadas foi a troca de passe precisa e o deslocamento dos jogadores pelo lado esquerdo que colocaram nosso ataque em condições de gol.

 

E a felicidade foi ainda maior quando o mesmo Everton misturou velocidade e técnica para dar duas meias-luas em seus marcadores e provocar o pênalti, no segundo tempo. Pênalti cobrado com muita tranquilidade pelo goleador Luan.

 

E se nosso ataque foi feliz, foi porque nossa defesa soube segurar as tentativas do adversário. Aquela mesma defesa da qual muitos de nós reclamamos – e muitas vezes com justiça – acertou a passada, a despeito de ter de buscar sua formação no banco de reserva nos últimos jogos.

 

E se o ataque e a defesa foram felizes, nós estamos felizes, é lógico.

 

Felizes e conscientes de que a maratona do Brasileiro cobra preço alto das equipes de ponta e esta corrida está apenas se iniciando. Outros campeões cruzarão nosso caminho, e azarões também estarão dispostos a nos surpreender.

 

Agora, independentemente do que possa acontecer daqui pra frente, e quero crer que este Grêmio tem muita coisa boa para fazer ainda, hoje é momento de aproveitar e curtir as alegrias que Roger e sua equipe nos oferecem.

 

Sejamos felizes!

Avalanche Tricolor: uma noite de gala e com direito a traquinagem

 

Atlético MG 0x3 Grêmio
Brasileiro – Independência BH/MG

 

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torcida do Grêmio em BH, foto: reprodução da SporTV

 

Darei-me a liberdade de cometer uma traquinagem daquelas, algo que jamais tive coragem de fazer nestes anos todos de Avalanche.

 

Justifico-me: apesar de hoje ser feriado, amanhã não o é (perdão pelo excesso de ênclise, temo estar contaminado pelas falas do presidente em exercício).

 

Hoje, como sempre, o jogo terminará tarde. E amanhã acordo cedo, ainda de madrugada.

 

Apesar da sexta servir de “ponte” para muita gente, a minha está com a agenda lotada, da manhã à noite. Ou seja nem o recurso de escrever mais tarde e no dia seguinte, teria à disposição.

 

Poderia simplesmente não cumprir a tarefa de falar do desempenho gremista sempre após nossa participação em campo – obrigação a qual me impus desde 2008, se não me falha a memória. Mas nunca deixei de fazê-la mesmo nos piores momentos. Imagine em uma noite como essa. Noite de gala (sem trocadilho, por favor).

 

Claro que você já deve imaginar sobre qual traquinagem me refiro: escrever esta Avalanche antes de a partida se encerrar. Mais do que isso: escrevê-la no intervalo do jogo. Sim, logo que o Grêmio marcou o seu terceiro gol, após um futebol arrasador de toque de bola veloz, movimentação inteligente de seus jogadores e precisão nos chutes.

 

Por mais que o adversário tenha boa fama de virador e guerreiro – valores que respeitamos muito nesta Avalanche e lá pelos lados de Humaitá, também – a impressão que tinha é que nada poderia dar errado nesta noite. Como não deu.

 

Desde o início deste campeonato, viu-se que a bola voltou a rolar a nosso favor. A defesa acertou a passada. Os passes começaram a dar certo, novamente. E, hoje à noite, até os gols, que vinham fazendo falta saíram com uma tranquilidade impressionante.

 

Nem mesmo as ausências antes da partida e as três substituições que tiveram de ser feitas ainda no primeiro tempo devido a lesões pareciam fazer diferença para o Grêmio.

 

Prometo que não repetirei esta “brincadeira” em outras oportunidades, pois sabemos que se o Grêmio passou invicto as três primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, mesmo tendo três clássicos no seu caminho,e sem tomar gol, o fez graças a humildade de enxergar seus defeitos, treinar duro para corrigi-lo e jogar de forma séria.

 

Mas, hoje, por favor, não me cobre tanta seriedade: hoje é feriado, amanhã cedo tem trabalho duro e o meu Grêmio deu um show em campo.

Avalanche Tricolor: dois clássicos, quatro pontos

 

Grêmio 1×0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Fred comemora o nosso gol em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

A tabela do Campeonato Brasileiro impôs ao Grêmio dois clássicos logo na abertura. Um fora e o de hoje em casa. Clássicos costumam ser jogos difíceis por seu próprio histórico: no caso dos nacionais, reúnem equipes que disputaram finais de competição, ganharam títulos e construíram com o tempo rivalidade.

 

Diante das dificuldades que a tabela proporcionou, saímo-nos bem e deixamos registrado no placar dois resultados que também podemos chamar de clássicos: 0x0 fora de casa; 1×0 dentro de casa.

 

E saímo-nos bem a despeito do desempenho coletivo da equipe. Não que tenhamos feito partidas ruins, mas alternamos bons e maus momentos dentro do próprio jogo.

 

No desta tarde de domingo, isso ficou evidente. No primeiro tempo, equilibramos as forças e tivemos mais chances efetivas do que o adversário. A novidade na equipe, o lateral Edílson, cumpriu seu papel, defendendo com segurança e atacando de maneira produtiva. A persistirem os sintomas iniciais, o lado direito do campo estará bem resolvido com ele (e Ramiro a subistuí-lo quando necessário).

 

No segundo tempo, vimos nos primeiros dez minutos, o Grêmio que Roger nos ensinou a gostar. Movimentação rápida dos jogadores, deslocamentos inteligentes e próximos, bola de pé em pé, rodando com velocidade e para a frente, e chutes a gol. O goleiro defendeu um, dois, erramos o terceiro, quase chegamos lá … Dava prazer torcer!

 

Até que veio o escanteio para Fred fulminar de cabeça, a ponto de a bola explodir no “fundo do poço” (como diria nosso Milton Gol-gol-gol Jung), e dar a oportunidade do nosso zagueiro comemorar com a emoção de quem é contestado e esperava a chance sorrir para ele. Sorriu para ele e para nós, também. Foi o único gol da partida.

 

Dali pra frente, foi um sofrimento só, na bola jogada e no risco do empate. Até um incrível quase-e-raro-frango de Marcelo Grohe fomos obrigados a assistir nos minutos finais da partida. As poucas oportunidades que criamos foram desperdiçadas no passe errado, no chute no travessão ou na defesa do goleiro.

 

Um parêntese, por favor: é impressão minha ou a dupla Geromel-Fred, desde a partida anterior, acertou seu posicionamento e não deixa mais nada passar por cima, menos ainda por baixo?

 

Ao fim e ao cabo, somamos mais três pontos na tabela. Já ganhamos quatro, em dois clássicos.

 

Na semana que começa, no feriado de quinta-feira, teremos o terceiro clássico seguido – isso mesmo, a tabela do Campeonato Brasileiro nos premiou com esta sequência de jogos logo no seu início. Mais uma prova de fogo, fora de casa e contra adversário que nos tem entalado na garganta desde o ano passado quando marcamos o mais belo gol da Era Roger.

 

Mais uma decisão no nosso caminho!

 

Avalanche Tricolor: foi bom, meu amigo!

 

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Brasileiro – Arena Corinthians

 

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Roger em foto de arquivo (LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)

 

Foi oxo mas foi bom, meu amigo!

 

Foi bom porque vimos o Grêmio marcando alto e pelo alto, quase sem nenhuma falha. Nossos atacantes não se furtaram de impedir que o adversário saísse jogando com tranquilidade ao pressionar a saída de bola. Enquanto a turma que ficava na nossa área foi testada o jogo todo com cruzamentos e bolas lançadas por cima. E, amigo, digo sem pestanejar: nossa turma lá de trás passou no teste.

 

Foi bom, também, porque, ao contrário do que um dos jogadores deles disse ao fim da partida, não fomos (ou viemos) a São Paulo na retranca. É curioso, meu amigo, como ainda tem quem entenda ser retranqueiro o time que marca bem e no campo todo. O Grêmio marcou bem e no campo todo. E não foi retranqueiro. Foi eficiente.

 

Foi bom, ainda, porque vimos Roger investir em nova escalação com dois jogadores que atuam mais avançados: Bobô e Bolaños. Tinha ainda Luan, Giuliano e depois Everton (sem contar Henrique Almeida), que também gostam de jogar próximo da área do adversário. E, saiba amigo, mesmo com esta gente toda acostumada ao ataque, Roger conseguiu dar consistência na marcação, graças a intensa movimentação e dedicação deles.

 

Eu sei, amigo, que poderia ter sido melhor: se aumentasse a precisão do passe, especialmente quando nos aproximamos da área adversária; se Luan atuasse à altura do futebol que lhe é peculiar; se nossos atacantes acertassem o pé no chute final.

 

Mesmo assim, insisto, foi bom. Até porque você não tem ideia da quantidade de amigo corintiano que me cerca no trabalho, aqui em São Paulo. Um tropeço contra eles e a vontade que tenho é de sumir no dia seguinte. Porque você sabe, quando o assunto é futebol, os amigos não perdoam.

 

Portanto, digo e repito, meu amigo: foi oxo, mas foi bom!

Avalanche Tricolor: reflexão, conserto e recuperação

 

Rosário Central 3×0 Grêmio
Libertadores – Rosário (ARG)

 

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Ramiro briga pelo alto em foro de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Lá se foram quase 24 horas desde que o Grêmio começou a disputar sua última partida pela Libertadores 2016. Desde então, já dormi, já madruguei e já trabalhei. Também já rezei (e não foi pelo Grêmio, não.) Entrevistei deputado, jurista e especialistas em política, economia, cultura e mais uma variedade de temas. Assisti ao Cunha fora da Câmara; e à aprovação do relatório aceitando a abertura do processo de impeachment contra Dilma. Diverti-me em mesa redonda promovida pelos estudantes da FEA e da Poli, em São Paulo, onde falamos sobre carreira e negócio com executivos e diretores de grandes empresas.

 

Como se percebe, fiz muita coisa mas ainda não havia me atrevido a parar para escrever esta Avalanche. Talvez por falta de tempo e, com certeza, por falta de ânimo.

 

Começa que gosto pouco de falar mal do Grêmio, e o caro e raro leitor desta Avalanche já deve ter percebido isso. Prefiro deixar este papo chato para nossos adversários, que são especialistas em encontrar defeito no Imortal; e ofereço espaço aqui no blog para que exerçam essa tarefa àqueles torcedores que têm a crítica (quando não os ataques pessoais) como seu esporte favorito.

 

Mesmo quando ocupava as cadeiras azuis do Estádio Olímpico, e fiz isso desde de os duros anos de 1970, época em que os títulos eram escassos e nossas pretensões não iam além da fronteira gaúcha, me incomodava os torcedores que vaiavam no primeiro passe errado. Tinha gente que dava a impressão de ir aos jogos para descarregar no time todas suas frustrações.

 

Lembro quando trabalhava de “pombo correio” (acho que já contei isso nesta Avalanche) para meu “padrinho” Ênio Andrade. Exercia a função de gandula ao lado da casamata e levava instruções para o time no gramado sempre que Seu Ênio entendesse necessário. Naquele tempo, não era permitido que o técnico deixasse o banco de reservas.

 

O Grêmio tinha Picasso no gol, Anchieta na defesa, Iura no meio de campo e Loivo na ponta esquerda. Eram todos meus ídolos, especialmente Loivo. Fomos eliminados de um Campeonato Brasileiro e a torcida revoltada soltava rojões no banco de reservas. Cheguei no vestiário e chorei de raiva, não pela desclassificação mas por não entender como o torcedor era capaz de despejar seu ódio em alguém que tanto amava.

 

De volta aos dias de hoje: entendo plenamente a indignação dos torcedores diante de mais um título desperdiçado, mesmo levando-se em consideração que esse era, certamente, o mais difícil a ser conquistado na temporada. Mas, também, era o que mais sonhávamos ganhar. Permita-me um parênteses: não esqueçam jamais de que se um dia alguém ousou sonhar em ser campeão da Libertadores no Sul do Brasil este alguém tem nome e história: é o Grêmio.

 

Especialmente nas duas últimas partida, gostei de poucas ou quase nenhuma das coisas que vi em campo. E tenho certeza de que Roger e boa parte de nossos jogadores também não gostaram. Temos consciência de que nos deixamos dominar por um adversário de futebol qualificado, mas não imbatível. Desejávamos ver em campo um time que expressasse esta mesma gana pela conquista que o torcedor exerce. Algo, porém, não deu certo. Muita coisa não deu certo.

 

Isso contudo não deve ser razão para transformarmos o Grêmio em terra arrasada. É preciso, sim, reflexão, conserto e recuperação, a partir daquilo que vem sendo construído desde o ano passado com a chegada de Roger. Precisamos de reforços, é claro. Ao mesmo tempo, há jogadores qualificados com potencial para render muito mais. Torná-los bode expiatório é perder duas vezes: no campo e na razão.

 

Posso ter visto o Grêmio perder mais um campeonato, mas não perco jamais minha esperança de vê-lo campeão.

 

Que venha o Brasileiro! Que venha a Copa do Brasil! Que venha de volta o espirito do Imortal Tricolor!