Avalanche Tricolor: para o alto e avante!

 

 

Fluminense 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

 

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Atendendo à convite da TV Cultura, participei na noite de ontem das comemorações dos 45 anos da emissora pública de São Paulo na qual trabalhei por oito anos e forjei parte da minha visão sobre jornalismo e cidadania. Foi divertido principalmente rever personagens e programas infantis que marcaram época e divertiram a mim e meus filhos. A cerimônia que destacou o trabalho de muita gente competente que passou por lá e mostrou alguns talentos que ainda se apresentam com qualidade foi no Teatro Bradesco, que fica ao lado de onde está sendo construído o novo estádio do Palmeiras, o Allianz Arena. Foi o mais próximo que consegui ficar do futebol em noite de importante rodada do Campeonato Brasileiro, pois não me atrevi a acessar o telefone celular durante evento para conferir o desempenho gremista. Não seria de bom tom, apesar da ansiedade em saber o que estava acontecendo no Maracanã.

 

 

A noite de festa se encerrou quase ao fim da partida. Pelo aplicativo da CBN ainda consegui, no carro, ouvir a transmissão do Evaldo José e os comentários do Álvaro Oliveira, diretamente do Rio, sobre o empate que estava em andamento. Eles ressaltavam que o resultado não seria bom para nenhum dos dois times. Soube também que nosso ataque havia acertado o poste no primeiro tempo e o travessão no segundo, além de Barcos ter protagonizado bela virada que obrigou esforço redobrado do goleiro adversário. No pouco tempo que ouvi, nenhum risco para Marcelo Grohe que já teria feito antes algumas defesas importantes completando 715 minutos sem levar gols (e pensar que quase perdemos este jovem talento para investir em um veterano). Ao fim e ao cabo, na combinação de resultados, percebi que estava chegando em casa no início da madrugada e com o direito de dormir no G4, este seleto grupo no qual, parece, temos cadeira cativa.

 

 

Ou seja, o empate foi um bom resultado, seguimos invictos faz oito jogos, esquecemos a última vez que tomamos um gol e seguimos para o alto e avante, como diria Buzz Lightyear, anti-herói da série Toy Story – outro personagem com quem me diverti muito, apesar de jamais ter sido transmitido na TV Cultura. Entre personagens de desenho animado e do nosso futebol, dormi muito bem, obrigado.

Avalanche Tricolor: a melhor defesa do Campeonato Brasileiro

 

Grêmio 1 x 0 Chapecoense
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Desde antes de a partida se iniciar, ouvi os comentaristas fazendo projeções para o Grêmio. Somavam os três pontos possíveis, nos colocavam entre os cinco primeiros e na disputa pela vaga na Libertadores. Ficará a apenas três pontos do vice-líder, ressaltavam. Ledo engano. A vitória nos colocaria, como nos colocou, a dez pontos do líder, pois esta tem de ser nossa meta por mais complexa que pareça diante dos compromissos que temos e da vantagem do adversário que ponteia a competição há uma sequência invejável de rodadas.

 

Claro que para sonhar tão mais alto como proponho seria interessante aumentarmos nossa produtividade no ataque. Menos mal que na partida de hoje marcamos cedo, aos sete minutos, e diante de uma belíssima jogada. Geromel, que nos dá segurança lá atrás, em lugar de dar um chutão lá pra frente, preferiu lançar Barcos. Nosso goleador teve categoria para matar a bola e entregá-la para seu companheiro de ataque, Luan, que perdeu o drible diante do goleiro mas proporcionou a sobra para Dudu fazer o gol que procurava incessantemente. Desde abril não fazia o seu, apesar da participação intensa em quase todas as partidas que disputou. A corrida em direção a Felipão e o abraço que deu no treinador foi o agradecimento à confiança do técnico que reconhece a utilidade do baixinho da camisa 7 tanto no ataque quanto na defesa.

 

O gol logo cedo apenas inverteu o sofrimento das partidas anteriores quando deixávamos para marcar nos minutos finais. Ficamos os demais 88 minutos, incluindo nesta conta os acréscimos, desperdiçando contra-ataques e nos defendendo. Verdade que nos defendemos muito bem. Estamos a sete jogos sem perder, completamos cinco seguidos sem tomar gol e temos a defesa menos vazada do campeonato com apenas 14 gols. Têm méritos Marcelo Grohe, que chegou a marca de 626 minutos sem gols, Rhodolfo, que atua como um xerife lá atrás, e Geromel, que ganhou a posição com personalidade (fará falta no meio da semana). Mas sejamos justos, se o time funciona é porque o sistema defensivo (não apenas a defesa), do qual fazem parte todos os jogadores em campo, é um sucesso. E este sucesso se deve a tomada de espaços, a movimentação constante e a entrega de cada um dos jogadores, fatores que devem ser creditados a Felipão.

 

Para que meu sonho (quase uma ilusão) se realize, apenas a eficiência na defesa talvez não seja suficiente. Mas enquanto o ataque não marca mais, melhor que a defesa continue marcando muito.
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A foto deste post é do site Gremio.net

Avalanche Tricolor: Grêmio é o nosso grito!

 

Grêmio 0 x 0 Santos
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Grêmioooo, Grêmiooooo, Grêmioooooo!

 

Foi esse o grito que marcou boa parte do jogo desta noite de quinta-feira. Houve vaias, também. E vaias contra Aranha e contra o Santos. O goleiro entendeu que a reação do torcedor foi apoio à injúria racista da qual ele foi vítima na última passagem por Porto Alegre. Há quem pense que tenha sido apenas ato de repúdio à eliminação da Copa do Brasil, punição imposta por um tribunal de comportamento questionável – afinal, outros clubes não sofreram pena semelhante quando seus torcedores se envolveram em cenas de violência e morte. Outros dizem que o goleiro, hoje, se transformou em alvo não pela raça, mas pela pirraça. Prefiro não entrar nessa bola dividida, pois, como torcedor que sou, e não escondo esta minha faceta, temo que minha opinião nesta hora seja julgada mais pela minha paixão do que minha razão. Além disso, confesso a você, caro e raro leitor desta Avalanche, que tenho tido cada vez mais dificuldade para explicar o comportamento do ser humano, talvez pela própria complexidade das relações contemporâneas. Diante disto, peço licença para me ater ao grito de incentivo.

 

Fiquei feliz ao ouvir o torcedor cantar o nome do Grêmio, pois esta deve ser nossa verdadeira marca nos estádios por onde passarmos. Invejo as torcidas que sabem empurrar o time para cima do adversário, mesmo quando este não apresenta futebol à altura de uma vitória. E vibro ao perceber nossos torcedores dispostos a protagonizar este papel. Na época em que minha presença era frequente nos estádios – e isto foi na era do Olímpico Monumental – assisti muitas vezes ao Grêmio ser levado nas costas por seu torcedor e a arrancar vitórias praticamente impossíveis. Hoje, nos minutos finais da partida, mesmo que a impaciência já parecesse tomar conta de todos nós – eu estava que não me aguentava mais no sofá diante da televisão -, havia torcedores incentivando e acreditando em um lance fortuito que levasse a bola para dentro do gol adversário.

 

Não se espante com o fato de ter dedicado dois parágrafos desta Avalanche a falar da torcida. Prefiro isto a ter de criticar a falta de alternativas do nosso time, aos erros constantes e irritantes de passe, as poucas opções de jogadas e a criatividade limitada que marcou nosso desempenho nesta noite. Se cabem palavras positivas ao que assistimos em campo, deixo registrado meu contentamento com a forma segura com que a defesa gremista tem se comportado nos últimos jogos. Foi este setor que reduziu o risco de tomarmos gols do adversário, garantiu um ponto a mais no campeonato e a subida de uma posição na tabela de classificação.

 

A chegada ao G4 fica para domingo que vem. E com o grito que deve ser a nossa verdadeira marca: Grêmioooo, Grêmiooooo, Grêmioooooo!

Avalanche Tricolor: piano piano si va lontano

 

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Arena Independência

 

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Antes de começar a rodada, costumo passar os olhos na tabela de classificação, identificar os adversários mais próximos, projetar os resultados e calcular em que posição ficaremos ao fim dos jogos. Claro que na minha rodada imaginária, independentemente de onde e de quem estivermos enfrentando, o Grêmio soma os três pontos da vitória, sempre. Os demais perdem ou empatam. Às vezes até seria bom que todos empatassem. Afinal, se posso sonhar, e o time atual tem nos oferecido esta oportunidade, porque não sonhar com o resultado ideal. Curiosamente, apesar de o exercício que realizo, rodada após rodada, sempre acabo desistindo de acertar as combinações de resultados, não perco meu tempo secando os adversários e foco o olhar no Grêmio. Fico na torcida para que se dê um passo definitivo para dentro do G4 e nos aproximemos dos líderes, pois como bem sabe você, caro e raro leitor desta Avalanche, ainda acredito nas nossas chances.

 

Minhas projeções otimistas também revelam em parte minha ansiedade de alcançar logo o que buscamos há tanto tempo. Quero ver o Grêmio o mais breve possível entre os primeiros, quero vê-lo campeão. Tenho consciência, porém, que me cabe guardar esta impaciência e aguardar os resultados. Nossa conquista está em construção e não virá de uma hora para outra; uma caminhada na qual temos de conquistar o maior número de “três pontos” possíveis – inclusive fora de casa -, enfrentaremos alguns empates e, infelizmente, vamos amargar uma ou outra derrota. É inevitável em competição tão longa quanto o Brasileiro. Na partida que fechou a rodada deste domingo, a vitória seria o ideal, um diferencial, pois a conquistaríamos na casa de um adversário que praticamente não perde por lá. Mas nosso time e nosso técnico sabiam que a paciência seria a principal estratégia. Levar para Porto Alegre um ponto pelo empate não nos colocaria no G4, mas próximo de alcançá-lo. A maior vitória não sairia do Independência, mas do conjunto de uma obra que começou a ser construída há algumas rodadas com a reorganização do time, o reposicionamento de alguns jogadores, o equilíbrio na marcação dos zagueiros, a segurança imposta pelos três volantes e a movimentação dos homens mais à frente.

 

Ainda temos muito a crescer e alguns jogadores precisam melhorar a produtividade, mesmo assim enfileiramos quatro vitórias e um empate nas últimas cinco rodadas, e no meio da semana voltaremos para Casa para mais uma partida recheada de nuances pelo passado recente. Felipão, da família Scolari, que tem Verona em sua origem, sabe como ninguém pronunciar, com sotaque e tudo mais, um velho provérbio italiano: piano, piano, si va lontano.

 

A foto deste post é do site Gremio.net

Avalanche Tricolor: obrigado por nos fazer acreditar que sempre é possível

 

Grêmio 1 x 0 Atlético PR
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Poderia começar esta Avalanche agradecendo a Barcos que sozinho dentro da área, em meio a forte marcação adversária, matou a bola no peito, deixou-a correr para o chão e, de virada e de direita, a despachou para dentro do gol. Lance típico dos grandes atacantes. Lance que se espera de um goleador como o Pirata. Uma espera que, às vezes, pode levar mais de 90 minutos, como na noite desta quarta-feira. Quem se importa de esperar. Se esperamos até o fim é porque temos esperança. E Barcos dentro da área é sempre a nossa esperança, mesmo que antes a bola tenha escapado-lhe do pé, tenha sido chutada para fora ou sequer tenha sido alcançada pois ele ficou preso entre os zagueiros.

 

Poderia agradecer a Fernandinho que pela segunda partida seguida deu assistência para o gol salvador. Assim foi contra o Flamengo. Assim foi contra o Atlético do Paraná. E que sempre seja assim. Hoje, ele já havia corrido muito, às vezes mais do que devia; havia carregado a bola, nem sempre pelo caminho mais fácil; havia desperdiçado oportunidades raras contra uma defesa bem estruturada. E esses desperdícios podem ser fatais. Mas Fernandinho também não desiste. Sempre tem a esperança de que é possível fazer mais. Estava na intermediária quando o ponteiro do relógio (eles ainda têm ponteiros?) passava dos 46 minutos do segundo tempo e a paciência do torcedor parecia ter acabado. Desde lá, mandou a bola pelo alto e a colocou no peito de Barcos – o resto você já leu no parágrafo anterior.

 

Poderia agradecer, também, a Marcelo Grohe. Se nos últimos jogos, comemoramos vitórias (e mesmo empates), muito disto cabe ao nosso goleiro que tem feito defesas fundamentais, como quando, com uma só mão e à queima roupa, conseguiu evitar o gol na cabeçada do adversário, ainda no primeiro tempo. Marcelo sempre espera o momento certo para agir. Assim como esperou a hora de se transformar em titular absoluto e admirado do Grêmio.

 

Quero, porém, agradecer mesmo é a Luis Felipe Scolari. Nosso técnico completou apenas um mês no comando do time, reconstruiu uma equipe, mostrou coragem ao fazer substituição no primeiro tempo (ainda que sua coragem não tenha sido retribuída pelo substituto), usou de todos os artifícios para manter o time com a cabeça no lugar apesar do desespero do torcedor e, mais uma vez, aos gritos, ao lado do campo, orientou o caminho do gol. Nem mesmo os erros constantes de alguns dos seus escolhidos, tiraram-lhe a esperança de que a vitória chegaria. No momento de maior tensão, pediu calma a cada um dos jogadores e transmitiu-lhes a certeza de que seriam retribuídos.

 

Felipão nos trouxe de volta a certeza de que, independentemente da qualidade do futebol apresentado, o time jamais deixará de lutar e acreditar. Nos fez recuperar a esperança, o espírito da Imortalidade que marca a nossa história.

 

Por isso e muito mais: obrigado, Felipão!

Avalanche Tricolor: merecíamos a alegria da vitória

 

Flamengo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

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Eu merecia,

Felipão merecia,

Nós merecíamos!

 

Desculpe-me pela falta de humildade, mas foi exatamente esta a sensação que tive ao ver a bola sendo desviada para dentro do gol flamenguista, aos 48 minutos do segundo tempo. Uma jogada que se iniciou sob o comando de Luis Felipe Scolari. Não apenas porque foi ele quem colocou em campo, já no quarto final da partida, os dois protagonistas da jogada, mas, também, porque, ao lado do campo, pouco mais à frente de Pará, que se preparava para cobrar a lateral, Felipão gritava e gesticulava para Fernandinho se deslocar para a direita, onde a bola foi lançada. Com o jogo de corpo, o meio-campista deixou o primeiro marcador caído no gramado e com mais três toques de pé esquerdo se livrou de dois adversários e passou para Luan. A tarefa do jovem atacante não seria mais simples do que a de Fernandinho, pois entre ele e o gol haveria mais quatro defensores a serem batidos. E o foram graças ao talento de Luan, que sabemos existir mas nem sempre nos é entregue. Desta vez, ele tocou cinco vezes a bola antes do chute final, todas com o pé direito, fazendo com que ela fosse para lá e para cá, confundindo os marcadores e deixando o goleiro distante de uma defesa.

 

Desde a volta de Luis Felipe tem sido evidente a melhora de desempenho da equipe, a forma organizada com que os jogadores se posicionam e a existência de uma lógica de jogo. Méritos que nem sempre resultaram em placares favoráveis. Sofremos com jogadas desperdiçadas dentro da área, escolhas erradas de passes e chutes, muitos em momentos cruciais, e até gols perdidos embaixo do travessão. Coisas do futebol, eu sei, mas que não faziam jus ao trabalho que se construía no Grêmio. Provocavam frustrações e escondiam a nossa verdade, gerando cobranças injustas e ironia desproporcional. Foi assim nas três derrotas sofridas no período de um mês no qual Felipão comanda o time. Sim, caro e raro leitor, Felipão só está há um mês no comando e mudou claramente nossa forma de ser e jogar. Neste tempo, e mais uma vez peço—lhe desculpas por me despir da humildade, mesmo diante do revés, previ que iniciaríamos nossa Avalanche (no dia 22/08) e decretei seu início (no dia 24/08). A vitória fora de casa, na noite desse sábado, comprovaria esta tese calçada no sentimento gremista que compartilhamos e na razão que nosso jogo jogado demonstrava.

 

Chegamos a ter essa arrancada ameaçada, a começar pela injúria proferida por alguns dos nossos torcedores que tomaram atitude injustificável e provocaram abalo incalculável à nossa reputação. O preço que estamos pagando é caro e a forma agressiva com que torcedores adversários se dirigiram aos nossos, no Rio de Janeiro, revela o cenário que enfrentaremos a partir de agora (atitude intolerável assim como foram os intolerantes que atacaram Aranha e nos prejudicaram). Todo o drama vivenciado nestes poucos mais de sete dias tinha tudo para impactar o desempenho da equipe, provocando intranquilidade no momento em que o time se reconstrói. Nos desafiavam, também, ameaças muito mais íntimas do futebol, como um adversário embalado pela sequência de vitórias, que jogava em casa, com apoio de quase 60 mil vozes e treinado por um técnico (que não me deixou saudades) sedento de vingança; assim como desfalques importantes como o de Barcos, vice-goleador do Campeonato Brasileiro. Em campo, contudo, fomos maiores e maduros, mesmo os mais jovens. Fizemos o primeiro tempo melhor do que o adversário e tivemos o segundo marcado pela intensidade da nossa defesa e a organização estratégica de Felipão. Foi, então, que o dedo do técnico apontando para Fernandinho conduziu-nos à vitória. Merecida vitória.

 

A imagem deste post é do site Gremio.net

Livre-se dessa laia, Koff

 

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Por Milton Ferretti Jung

 

Quinta coluna: as gerações brasileiras que nasceram durante a Segunda Guerra Mundial talvez,dando tratos à memória,se lembrem dessas duas palavras. Se algum leitor deste blog se der ao trabalho de abrir o Google,com certeza,ficará sabendo o significado delas. Os sites especializados nos mais diversos tipos de pesquisa,comuns na internet e,diga-se de passagem,muito úteis para esclarecer dúvidas ou desconhecimentos,foram bondosos ao definir a expressão “quinta coluna”. Explicam que ela teve origem na Guerra Civil Espanhola. Nessa, o General (o Google,pelo menos,não esclareceu o nome do dito cujo)referia-se a sua tropa que ía para Madri,como quinta coluna. A expressão foi mais uma vez usada durante a Segunda Guerra Mundial para chamar os soldados que apoiavam a política dos nazistas e de seus aliados.

 

Nasci em 1935 e me criei ouvindo notícias e,mais do que isso,tomando conhecimento da ida daqueles que eram chamados,carinhosamente, de “pracinhas”,para combater os alemães e quem quer que estivesse ao lado dele. Muitos não voltaram aos seus lares. Durante boa parte da minha infância ouvi pessoas chamarem os seus desafetos ou,o que é mais grave,de quintas colunas quem fosse contrário a ida dos nossos soldados para a Europa e coisas do tipo. Alguém – se é que tenho quem me leia nas quintas-feiras – está intrigado com o motivo de eu ter ressuscitado o termo quinta coluna,inusitado nesta época de tantas palavras novas – e mal usadas – por parte das mídia,pode se espantar. E já explico o por quê.

 

O jogo entre Grêmio e Santos,no decorrer do qual “torcedores gremistas”,postados atrás do gol defendido pelas teias construídas por Aranha,ofenderam o goleiro santista com termos racistas,deixou o Imortal Tricolor em maus lençóis,o que era de se esperar,especialmente porque o STJD não gosta dos nossos representes. E não é de hoje. Escrevo este texto numa terça-feira.Como não sou adivinho,não posso saber o que o Tribunal, que não simpatiza historicamente conosco, decidiu.

 

Gostaria, mais ainda de saber,porém,que tipo de penalidades o Grêmio aplicará nos torcedores bem identificados,que contra a grande maioria dos gremistas,não só cometeu racismo na partida contra o Santos como fez de conta que não viu as faixas que os bons torcedores levaram para a Arena em Grêmio x Bahia. Pessoas desse nível têm de ser banidas do clube,especialmente aqueles que conseguiram,por interesses de ordem política,se transformarem – pasmem – em “conselheiros” do Grêmio. Chega de maus elementos,Dr.Koff! Ou isso ou os bons vão acabar sumindo da Arena.É evidente que o Grêmio tem os seus quintas colunas e ainda vai se dar mal caso não se livres desta laia.

 

Em tempo: na quarta-feira, o STJD decidiu excluir o Grêmio da Copa do Brasil.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O crime de injúria racial e o racismo

RACISMO

 

Tomo a liberdade de reproduzir neste blog, conteúdo do comentário de Walter Maierovitch, titular do quadro Justiça e Cidadania, que vai ao ar às quartas-feiras, no Jornal da CBN, quando falou sobre a questão do racismo:

 

O mês de agosto foi marcado por uma escalada racista.

 

No Brasil, o goleiro santista Aranha foi vítima de crime de injúria racista. Aranha foi ofendido na sua dignidade e decoro por uma torcedora gremista identificada.

 

Na Itália, o super-cartola do futebol, —Carlo Tavecchio—, perpetrou racismo ao afirmar que os estrangeiros negros comiam bananas antes de irem jogar em times italianos. E crime de racismo cometeram, também, os torcedores gremistas que entoarem, no estádio, um velho cântico a depreciar negros.

 

Atenção, atenção: o crime de injúria racial, que está no Código Penal, implica em ofensa a uma pessoa certa, determinada. A torcedora gremista dirigiu a ofensa ao goleiro Aranha.

 

No canto da torcida, o crime verifica-se quando não se tem por vítima uma pessoa certa ou pessoas determinadas. Ou seja, agride-se um número indeterminado de pessoa ao se menosprezar determinada raça, cor, etnia ou religião.

 

O crime de racismo não prescreve e não cabe fiança.

 

Já na injúria racista, o crime prescreve e cabe fiança. Cabe até prisão albergue domiciliar.

 

No crime de racismo, a ação penal depende apenas do Ministério Público. Já na injúria racial da gremista, a ação depende do querer do goleiro Aranha.

 

Num pano rápido, já temos leis criminais. Precisamos de educação e sensibilização para vivermos numa pacífica e respeitosa sociedade multicultura.

Avalanche Tricolor: uma jogada para ficar na história

 

Grêmio 1 x 0 Bahia
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foi uma bela jogada. Daquelas de dar orgulho a qualquer gremista e agradar todos nós que gostamos de bom futebol. Refiro-me ao lance que ocorreu aos 13 minutos do segundo tempo quando o Grêmio dominava finalmente a partida com a entrada de Mateus Biteco em lugar de Alan Ruiz, marcação mais forte e bola no pé. E foi com a bola no pé que desenhamos o momento que mais me agradou no jogo deste fim de domingo: a tabelinha de Giuliano e Felipe Bastos, com passes precisos e velozes, deixou os marcadores perdidos em meio ao ziguezague da bola. Merecia mesmo ser concluída da forma como foi com Giuliano cruzando do lado direito para o esquerdo, Dudu aproveitando-se de sua agilidade para desviar do goleiro e Barcos chegando para não deixar dúvidas de que era gol do Grêmio. O primeiro e único gol do Grêmio, nesta noite. Talvez o único lance realmente decente de toda a partida (pra não dizerem que sou exagerado, gostei da virada do Barcos no primeiro tempo e do chute do Zé Roberto, no segundo).

 

E daí que foi o único? E daí que foi talvez uns dos poucos bons lances de nosso time? E daí que, no restante da partida, decidimos que o melhor ataque era colocar nossos atacantes na defesa? Nos defendemos como pudemos, recuamos mais do que gostaríamos e sofremos o que não precisávamos contra um time que está na Zona de Rebaixamento. Não leia a frase anterior como uma crítica, não! É uma constatação e quase um agradecimento ao futebol que nos prega surpresas como a deste domingo tanto quanto frustrações como a do meio da semana, quando jogamos muito bem e, lamentável, botamos fora quase todas as chances de classificação na Copa do Brasil (eu escrevi “quase todas” porque estou sempre a espera do espírito da Imortalidade). O que quero dizer é que, apesar de ter ficado incomodado com a falta de solução em boa parte da partida e do recuo estratégico depois do gol, estou comemorando porque ganhamos os três pontos que precisávamos, já estamos em sexto lugar no campeonato e a quatro pontos da Zona da Libertadores. Estava cansado de assistir a jogos em que fomos melhores do que o adversário sem que esta superioridade aparecesse no placar.

 

Por mais que a jogada do gol tenha me agradado, claro que o título desta Avalanche não se refere a ela. Estou, sim, chamando atenção para outra jogada que podemos fazer e entrar para a história. Permita, caro e raro leitor, voltar ao tema que dominou o noticiário nacional na semana que passou. Hoje assisti na arquibancada a alguns torcedores com cartazes feitos à mão, mosaico de letras e faixas em manifestações contra o racismo. No painel eletrônico, vídeo produzido pelo Grêmio trazia a palavra “CHEGA” enquanto a imagem de atletas do passado nos fazia lembrar do quanto nosso clube venera a diversidade, destacando ídolos negros como Alcindo, André Catimba, Paulo César Caju, Ortunho, Paulo Lumumba e Everaldo, este homenageado com uma estrela dourada que, estatutariamente, acompanha nossa bandeira – sem esquecer de Lupicínio Rodrigues, autor de nosso hino. Os jogadores atuais também fizeram sua parte ao entrarem em campo e erguerem a faixa com os dizeres “somos azuis, pretos e brancos”, lema que tem servido de sustentação da nossa causa contra racistas que ignoram a história do tricolor. Mensagem importante de se passar em momento que o emblema do Grêmio corre o mundo manchado pelo comportamento de alguns de seus torcedores. Mas que não pode se resumir a isto.

 

O Grêmio tem a grande oportunidade de fazer talvez sua mais bela jogada. Está na hora de a diretoria tomar atitude mais efetiva e liderar, no Rio Grande do Sul, campanha permanente contra o racismo, mostrar ao país que se preocupa de maneira séria com esta questão e convocar seu torcedor a assumir este comportamento também fora dos limites da Arena Grêmio. Se for pertinente, levar o tema para dentro das demais instituições, inclusive às escolas. Somente assim provaremos que nossa preocupação não se resume a punições que possam ser adotadas no campo esportivo. Vamos substituir manifestações temporárias e de efeito fugaz por ações pedagógicas que ajudarão a construir uma geração de paz e conciliação. O primeiro dos grandes clubes do Rio Grande do Sul a receber um jogador negro – sim, foi o Grêmio, em 1923 – deve se apoderar deste pioneirismo e transformar esta luta em sua maior bandeira – azul, preta e branca.

Avalanche Tricolor: só pode ser algum tipo de provação

 

 

Grêmio 0 x 2 Santos
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

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Começo esta Avalanche antes de a partida se encerrar, não porque tenha desistido do jogo. Jamais desistirei. E espero que o Grêmio não desista, também. A tarefa é difícil, mas não impossível. E mesmo que seja impossível, está é uma palavra que não está no nosso vocabulário. Veio para frente do computador, porém, porque estou tentando entender o que acontece. Há algum tempo não assistia ao Grêmio jogar bem, ter rapidez na troca de passe e intensidade no ataque como nestas últimas partidas. Está evidente que o time é melhor neste momento do que foi durante todo o restante do ano. Em textos anteriores já escrevi sobre alguns jogadores que encaixaram melhor no time, tais como Zé Roberto e Dudu. O próprio Barcos melhorou sua participação, sem contar Giuliano que cresceu em seu desempenho (e aí me refiro ao jogo de hoje à noite), após uma fase ruim. Sem contar Marcelo Grohe com defesas incríveis. Não quero porém me estender falando de indivíduos quando o que mais tem me agradado é o coletivo. E é isso que torna mais difícil entender o resultado desta noite. Por muito tempo, nosso time foi acusado de jogar feio, uma forma de desvalorizar vitórias sofridas que tivemos. Agora, produzimos mais, jogamos melhor. Mas o gol não sai, e quando sai não é o suficiente. Será que não estamos fazendo por merecer sorte maior em campo? Será que toda provação imposta a Luis Felipe com a malfadada Copa do Mundo não foi suficiente? Sim, Felipão pelo que fez, pelo que passou e pelo que, agora, está reconstruindo no Grêmio teria o direito de ser recompensado.

 

 

Há outro motivo pelo qual decidi escrever esta Avalanche antes da hora, além da injustiça do placar diante do futebol produzido. Foi a injustiça imposta por um árbitro que não esteve a altura do posto que ocupa no quadro da Fifa (ou esteve). Permitiu jogada irregular na arrancada do segundo gol santista e impediu a nossa arrancada para a virada ao não marcar pênalti em Zé Roberto. Não bastasse a forma displicente com que agiu diante da indisciplina. Prejudicou claramente o Grêmio e com sua atuação desequilibrou o time, mais do que o adversário teria feito por seus próprios méritos (sem desmerecer a qualidade deste). Que fique claro, minha indignação com a injustiça do resultado e do árbitro, não é suficiente para me cegar diante de erros que cometemos. E gostaria muito de ver Felipão fazendo ao menos duas mudanças entre os titulares, porque há erros que têm se repetido com frequência acima da média, e escrevo isso pensando no lado direito da nossa defesa, e jogador que não têm sido capaz de entregar o que promete.

 

 

Chego ao fim desta Avalanche no instante em que a partida se encerra e, infelizmente, ficamos sabendo que algo mais triste do que o resultado e os erros do árbitro acontece no jogo. Idiotas voltaram a usar palavras e gestos racistas, uma gente que não merece vestir a camisa do Grêmio nem ocupar espaço naquela Arena. Deveriam ser extirpados do clube e mantidos afastados das nossas cores. Sinto vergonha do que fazem. E espero não precisar ouvir a voz de nenhum outro gremista defendendo este bando.