Morumbi quer segurança e Paraisópolis, respeito

 

Contraste Morumbi/Paraisópolis

Tem Casas Bahia, tem Correios e tem Banco do Brasil. O que não falta é loja de construção. Não é difícil encontrar farmácia por ali. Tem CEP em algumas ruas e a luz elétrica (oficial) chegou faz pouco tempo. A Maria mora lá. O Zé, também. Os meninos e meninas deles estudam bem pertinho. Não é no CEU, mas um CEU foi entregue em 2008. São 13 escolas, para meu espanto. Tá certo que duas delas estão entre as piores da cidade. Campo de futebol, quadra de esporte e jogador de rugby fazem parte do seu patrimônio. E uma das primeiras rádios comunitárias da capital está no ar desde o ano passado.

Na zona sul de São Paulo e na borda do Morumbi, Paraisópolis, que ganhou o status de comunidade mas não perdeu o estigma de favela, só não tem posto da polícia. Lá dentro, a PM costuma aparecer correndo atrás de algum suspeito. E correndo sai de lá para não se machucar. Nos últimos anos, por duas vezes, ocupou espaços, a última foi em 2009, após rebelião de algumas pessoas provocada pela morte de um conhecido em troca de tiros com policiais. Mas a Operação Saturação tem data de validade e assim que os policiais e suas viaturas luminosas deixam o lugar, a população fica a deus-dará.

Neste domingo, moradores do Morumbi e todos os demais bairros que receberam este nome por adoção se encontrarão na Praça Vinícius de Moraes, bem pertinho do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo. Às 10 e meia, com hino nacional, pompa e circunstância se darão as mãos e depois passarão abaixo-assinado pedindo que a PM coloque uma base comunitária fixa, funcionando 24 horas, dentro da Paraisópolis. Querem, também, elevação no número de policiais civil e militar, adaptando-o ao crescimento da população.

Leia o texto completo no Blog Adote São Paulo, no site da revista Época São Paulo

SOS Morumbi: “Policiamento não é suficiente”, diz Conseg

 

O Governo de São Paulo se antecipou a manifestação de moradores do Morumbi por mais segurança na região e anunciou a instalação de uma base da Polícia Militar ao lado da rua Doutor Francisco Thomaz de Carvalho, o Ladeirão, onde ocorrem assaltos com frequência. Além disso, o secretário de Segurança Antonio Ferreira Pinto disse que o policiamento será reforçado para coibir os roubos a residências. Na noite passada e neste madrugada era possível ver uma quantidade significativa de viaturas da PM paradas em pontos estratégicos da avenida Giocanni Gronchi. E para não haver dúvida de que estavam lá, todas com o giroflex ligado.

As ações, porém, não são suficientes para reduzir os índices de criminalidade na região, disse o diretor do Conseg Portal do Morumbi, Agnaldo Oliveira, em entrevista ao Jornal da CBN. Para ele, não bastam medidas pontuais, é necessário a criação de uma política planejada e permanente de segurança pública. “De acordo com o Censo 2010, o crescimento populacional da Vila Andrade foi de 73%, na última década, nem a infra-estrutura nem o efetivo policial aumentaram neste ritmo”, justificou assim os motivos que levarão os moradores a participar do SOS Morumbi, na Praça Vinícius de Moraes, no domingo, dia 28, a partir das 10 e meia da manhã.

Para o Conseg Portal do Morumbi, não adianta construir uma base policial no Ladeirão, é preciso instalá-la dentro da Comunidade de Paraisópolis “para gerar segurança inclusive para as pessoas que moram lá dentro que são reféns da criminalidade”, disse Agnaldo Oliveira.

Ouça a entrevista com o diretor do Conseg Portal do Morumbi, Agnaldo Oliveira, ao Jornal da CBN

Conte Sua História: Agente da cidadania

 

Claudio Vieira

Uma incrível enchente no caminho do emprego e a solidariedade de paulistanos que jamais havia conhecido foram duas das experiências vividas por Cláudio Almir Vieira já nos seus primeiros momentos na capital paulista. Ele foi o personagem do Conte Sua História de São Paulo.

Nascido em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, chegou em São Paulo, em 1990 e se transformou em um agente da cidadania. Hoje, é casado tem uma filha, mora na região do Morumbi e participa de associações de bairro e da rede Adote um Vereador.

Ouça o depoimento de Cláudio Vieira, gravado pelo Museu da Pessoa e sonorizado pelo Cláudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no programa CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade agendando um depoimento ou enviando um texto para o site do Museu da Pessoa.

Morumbi para muitos e para poucos

 

É Morumbi: Casa de Vidro, Oscar Americano e Praça Vinicius de Morais


Por Carlos Magno Gibrail

Muitos têm destacado Paraisópolis e sua imensidão; o estádio possível de abrir a Copa e as controvérsias com a FIFA, o SPFC e os moradores; o monotrilho; a explosão imobiliária vertical; a discussão em torno da possível saída da sede do Governo Estadual do Palácio dos Bandeirantes; as festas em casas de aluguel temporário e também a criminalidade.

Poucos sabem ou fingem ignorar os benefícios advindos das características urbanas e florestais da região. Uma invejável área onde as construções estritamente horizontais e arborizadas propiciam uma qualidade de vida exemplar. Bom para os moradores e benéfico para toda a cidade.

É um balanço desfavorável, mas ainda assim a notoriedade da marca Morumbi não só permanece como potencializa acontecimentos negativos sem a contra partida dos positivos.

Em 2010 ocorre uma concentração de ameaças às qualidades do bairro. Prefeitura e Estado se esmeraram em colocar na berlinda os encantos da área Oeste (ou Sul?) do município. Além dos políticos eleitoreiros e das construtoras.

Estas fazem parte dos poucos que conhecem as vantagens e fizeram com os 8mil apartamentos comercializados nos 3 últimos anos o maior crescimento da cidade. Não ignoraram inclusive a renda média familiar de 14mil reais, como também não ignoram que a predominância de casas e mansões residenciais ainda existentes será em breve transformada. Exatamente pela verticalização que tanto explora as características originais de casas e mansões para vender apartamentos.

Esta preocupante tendência começa a tomar corpo quando a imprensa propõe matéria sobre o que há de melhor no Morumbi e, ao destacar o crescimento vertical esquece-se da Fundação Oscar Americano, da Casa de Vidro, da Casa da Fazenda, da Praça Vinicius de Moraes, mas destaca Paraisópolis com seus 74% de moradores que trabalham ali mesmo, e os apartamentos que invadiram e invadirão o bairro. É só conferir nas bancas a Veja SP.

Entretanto, o Morumbi poderá ter mais sossego, na contribuição aleatória de Andrés Sanchez, levando para Itaquera a abertura da Copa e a VEJA SP informando a Goldman e Kassab que 74% de Paraisópolis não precisam do monotrilho.

Uma sorte e tanta, pelas mãos do inimigo declarado e da rala matéria sobre tão nobre bairro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve toda quarta no Blog do Mílton Jung

Morumbi em choque

De Pitta à Kassab, passando pelo Governo, a defesa de novo Minhocão


Por Carlos Magno Gibrail

Morumbi, marca urbana das mais respeitadas do país, vê sua população mais tradicional em choque, e em rota de colisão com os trilhos aéreos do Metrô paulistano.

O monotrilho anunciado efetivamente coloca em risco a categoria e os atributos de sua marca, através da ameaça à qualidade de vida da região, cujos moradores planejam colocar em xeque o poder municipal e estadual, para reverter a demolição florestal e concreta que se anuncia. Justamente por parte dos políticos que tanto apoiaram e acabam de eleger. O futuro governador em entrevista à CBN afirmou que apóia e executará o projeto. Embora reportagem da Folha sinalize mudanças em várias Secretarias.

O atual governador ao lançar o edital da linha ouro disse: “Eventualmente o metrô aéreo pode afetar a paisagem de quem vai estar na beira da avenida, mas não é justificativa suficiente para deixar de fazer um metrô que vai custar um terço ou 40% em relação ao metrô que custaria duas vezes e meia a mais”.

Goldman apenas deixou de citar os alertas da própria companhia do Metrô, no estudo de impacto ambiental, que dentre outros itens já tínhamos destacado em artigo anterior:

O morador que não tiver seu imóvel demolido deve sofrer outro impacto negativo de ALTA RELEVÂNCIA: a mudança da paisagem devido à presença de vigas de até 15 metros de altura …

Será um grande causador de incômodo à população vizinha, que pode ter uma redução da qualidade de vida. A obra será usada por mais de 200 mil passageiros por dia …

Haverá ainda impacto sonoro. É sugerida uma proteção com barreira acústica para minimizar a propagação do ruído …

Nas vias de baixo tráfego haverá aumento significativo do movimento devendo atrair também camelôs e desvalorizando alguns espaços do entorno…

O padrão residencial vertical faz com que o impacto visual do monotrilho seja intensificado, pois alguns domicílios ficarão no mesmo nível que as estruturas permanentes.

Isto é, não escapará nada, nem casas nem apartamentos.

A tarefa de reversão que os moradores terão que executar não é das mais fáceis, pois a preservação de casas de alto padrão e de vigorosa área verde não é eleitoreira. Pelo contrário, pode parecer elitista e protecionista à cidadãos abastados pelo restante da população paulistana, se não enxergarem as vantagens da manutenção de área tão qualificada como visual e pulmão verde, essencial para toda a cidade. Aliás, região considerada como “área de preservação ambiental permanente” pelo poder municipal, e endossado por lei.

Foi um dos objetivos da reunião que aproximadamente 100 participantes de entidades representativas de moradores da região realizaram segunda-feira. Unindo especialidades jurídicas, técnicas econômicas e sociais através das entidades locais: a SMM Sociedade dos Moradores do Morumbi, a SAJM Sociedade amigos do Jardim Morumbi, a SAVIAH Sociedade amigos da Vila Inah, o CONSEG Morumbi e o Movimento Defenda São Paulo propõem uma abertura de negociação com Prefeitura e Governo de São Paulo. Almejam alertar para a questão ambiental, que acreditam pode ser preservada através de mudanças a serem realizadas.

De contato agendado com o líder do Prefeito, vereador José Police Neto PSDB, estarão a seguir buscando o atual e o futuro Governador, assim como o Ministério Público.

Que a técnica e a civilidade proposta pelas respectivas entidades enumeradas possam receber a mesma receptividade do poder público paulista, visando apenas o interesse público. Principalmente quando estão envolvidas gigantescas corporações, a começar pela estrangeira Bombardier, acirrada competidora da verde amarela Embraer.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

O Minhocão do Morumbi

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Monotrilho

 

A Bombardier faturou ano passado US$ 9,4 bilhões em aviação e US$ 10,0 bilhões em trens, a divisão maior e mais rentável.

 

Nesta área está à frente das gigantes Siemens e Alstom, tanto que já ganhou em preço a licitação para o primeiro monotrilho brasileiro, faltando ajustar a proposta: o Expresso Tiradentes, na zona sul paulistana, com a oferta de R$ 2,9 bilhões, inferior em quase dois bilhões à outra proposta.

 

Desde 2001 no Brasil, a canadense Bombardier Transportation, começou em Hortolândia reformando trens para a CPTM e recentemente fechou contrato de R$ 238 milhões com o Metrô SP, e está interessadíssima no Projeto Morumbi de 23,8km e R$ 3,1 bilhões, que deverá ligar o aeroporto de Congonhas à estação 17 do São Paulo passando pelo estádio do Morumbi.

 

Camargo Corrêa e Odebrecht se associaram a Hitachi e estarão se habilitando para os três projetos paulistanos de monotrilho existentes e estimados em mais de seis bilhões de reais.

 

A recente proliferação dos monotrilhos é devido ao custo e o tempo de construção serem metade do metrô. E, evidentemente, possibilitar resultados financeiros atraentes Além de outros dividendos…

 

O que falta enfatizar é que há contra-indicações relevantes.


A linha, 17-ouro que ligará Congonhas à rede de trilhos terá trens a 15 metros de altura, irá desapropriar área de 132 mil metros quadrados na qual serão derrubadas 2.300 árvores e onde 36 mil metros quadrados são ocupados por residências de alto e médio padrão. As demais estarão recebendo impactos ambientais ressaltados no relatório apresentado, que dentre outros aspectos enfatiza:

 

O morador que não tiver seu imóvel demolido deve sofrer outro impacto negativo de ALTA RELEVÂNCIA: a mudança da paisagem devido à presença de vigas de até 15 metros de altura …

 

Será um grande causador de incômodo à população vizinha, que pode ter uma redução da qualidade de vida”. A obra será usada por mais de 200 mil passageiros por dia …

 

Haverá ainda impacto sonoro. É sugerida uma proteção com barreira acústica para minimizar a propagação do ruído …

 

Nas vias de baixo tráfego haverá aumento significativo do movimento devendo atrair também camelôs e desvalorizando alguns espaços do entorno…

 

O padrão residencial vertical faz com que o impacto visual do monotrilho seja intensificado, pois alguns domicílios ficarão no mesmo nível que as estruturas permanentes”. Isto é, não escapará nada, nem casas nem apartamentos.

 

Paulo Maluf deve estar morrendo de inveja do Kassab.

 

O Morumbi deve estar morrendo de raiva e, plagiando antigo correligionário do Prefeito, manda recado:

 

Morumbi, AME-O OU DEIXE-O em paz.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feira no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Democracia e futebol

Moro na borda do Morumbi, bairro que nesta quarta-feira viveu uma noite especial.

Desde o fim da tarde – fria como tem sido todas desta semana – havia uma agitação saudável pelas principais avenidas, que causava um murmurinho capaz de alcançar as ruas mais calmas da região. Havia muito congestionamento, também, de onde se podia perceber uma mistura de ilusão e confiança que tomava conta dos militantes que seguiam para a sede da TV Bandeirantes; e dos muitos torcedores que caminhavam para o estádio.

Democracia e futebol dominavam o ambiente. E assim que os dois jogos se iniciaram o esforço de cada partido e equipe para conquistar a vitória se evidenciava. Alguns dissimulados, outros nervosos. Gente que batia acima da canela, pessoas que tiravam de letra. O do estádio me parecia mais instigante do que o do estúdio, apesar de que este não deixou de ser esclarecedor.

Houve vacilos, como a bola que teimou em escapar das mãos do goleiro, como os dados estatísticos usados de maneira incorreta. Houve grandes lances, como a pergunta capciosa respondida de forma assertiva, como o chute de lado de pé que quase enganou o adversário, mas que gerou uma bela defesa.

De casa, ouvi a torcida se lamuriar quando o atacante perdeu a chance de gol e se vangloriar na hora do gol. Era uma barulho mais sincero do que aquele que vazava do estúdio onde assessores – os pagos e os partidários – tentavam demonstrar entusiasmo e intimidar o adversário (convenhamos, o futebol também tem disso).

No paralelo dos dois embates, destacaram-se até mesmo as lágrimas ao final. Ou tentativas de lágrimas, no caso dos políticos.

Tentar assistir a estes espetáculos ao mesmo tempo – com duas televisões ligadas a minha frente – talvez tenha prejudicado minha avaliação. Mas não me impediu de ver que tanto os candidatos no debate como os jogadores na decisão lutavam pelos objetivos que haviam traçado no início da disputa, suaram a camisa (ou o tailleur) para defender seus ideais, não deixaram seus torcedores/eleitores envergonhados.

No futebol, o vencedor ficou bem claro; na política ainda tem muito jogo pela frente, apesar de o nome dos favoritos serem bastantes conhecidos.

Foi uma noite especial esta no Morumbi – já não posso dizer o mesmo daquela que vi, mais cedo, também pela televisão, no Serra Dourada, onde meu time do coração empatou em 1 a 1 com o Goiás, pela Copa Sul-Americana.

Conheça ônibus para corredor Diadema-Morumbi

 

A implantação da via segregada, esperada há mais de 20 anos pela população, ganha mais um passo com a aprovação dos veículos adaptados com porta esquerda para embarque e desembarque dos usuários

Por Adamo Bazani

A ligação por corredor de ônibus exclusivo e segregado entre Diadema, na Grande São Paulo, e a região do Brooklin e Morumbi, zona sudoeste da Capital, é esperada pela população há mais de 20 anos. O tempo se passou, promessas e mais promessas foram feitas. E, no entanto, nada de corredor. Parece, porém, que o projeto deixará o campo das expectativas.

Além do anúncio pelo Governo do Estado de início das operações para este primeiro semestre, o “Ponto de ônibus” soube, em primeira mão, que a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – já aprovou a adaptação feita pela empresa operadora Metra de portas à esquerda nos veículos que operarão os cerca de 12 quilômetros do corredor. Tivemos acesso ao trabalho de adaptação e registramos imagens dos veículos.

Buscar Urbanuss Pluss adaptado

Trata-se de um Buscar Urbanuss Pluss, Mercedes Benz O 500 M. Todo o serviço foi idealizado e feito pelo setor de funilaria da Metra – Sistema Metropolitano de Transportes Ltda. E seguiu os padrões de conforto, segurança e qualidade exigidos pela EMTU. Com a aprovação dos padrões do carro, outros veículos também serão submetidos à mesma mudança.

O objetivo é atender o corredor que, a exemplo dos sistemas mais modernos em operação, terá parte do trajeto com embarque e desembarque feitos pelo lado esquerdo do ônibus. Isso agiliza as operações dos ônibus e adapta o novo corredor às vias que serão servidas, sem a necessidade de grandes intervenções viárias.

Buscar Urbanuss Pluss adaptado

Entramos no veículo que teve alterações internas como o posicionamento de alguns assentos. O ônibus também terá duas catracas, uma bem na frente, ao lado do motorista, para embarques do lado direito, e outra quase na metade do veículo para os acessos à esquerda.

Está prevista, num segundo momento, a entrada de veículos novos nas operações.

O corredor deve facilitar a locomoção dos usuários do ABC Paulista e das zona Sul e Oeste de São Paulo.

A EMTU atualizou para o blog as informações sobre o andamento das obras. De acordo com a Empresa, 90% do serviço já foram concluídos, dentro do prazo contratual previsto. E garantiu que após a conclusão da Estação de Transferência Morumbi será possível a conexão dos usuários com os trens da linha 9 Esmeralda da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

O serviço de ônibus em corredor exclusivo, que terá embarque em paradas especiais no mesmo nível do assoalho do ônibus, pretende ser mais uma opção para os moradores das áreas atendidas, inclusive, para que muitos deixem o carro em casa, com um transporte mais rápido na via segregada. O trajeto engloba importantes avenidas, como Avenida Pres. Kennedy, em Diadema, além das Avenidas Cupecê, Vereador João de Luca, Professor Vicente Rao e Roque Petroni Júnior, na Capital.

A acessibilidade é uma das prioridades do novo serviço, segundo a EMTU.

“ Estão sendo instalados 18 pontos de paradas duplas, plataformas elevadas de embarque, rampas de acesso, comunicação visual, sinalização de alerta, paisagismo, bancos e lixeiras. Também estão sendo construídas as Estações de Transferência Jardim Miriam, Washington Luiz, Vereador José Diniz, Santo Amaro e Morumbi, além de intervenções no Terminal Metropolitano Diadema para adequação do acesso de entrada e saída dos veículos e preparação da plataforma de embarque.  As obras envolvem, ainda, o pavimento rígido no trecho próximo ao Shopping Morumbi, complementando a faixa exclusiva à esquerda de aproximadamente 12 km, além da execução da sinalização viária horizontal, vertical, semafórica e dutos, travessias de pedestres, recapeamento das faixas adjacentes e paisagismo” – conforme informações oficiais da EMTU.

O custo para a implantação do corredor de 12 quilômetros chega a R$ 22,9 mi, inferior ao custo de qualquer modal ferroviário, se fosse instalado no mesmo percurso, tanto pelas menores intervenções civis como pelo preço mais elevado dos materiais necessários para a implementação de trens e metrô. Importante: com resultados bem semelhantes.

Quanto ao ônibus adaptado, o veículo segue as determinações da NBR 15570 e da Resolução 316 do Conselho Nacional de Trânsito sobre acessibilidade, segurança e conforto. O espaçamento entre os assentos evita apertos semelhantes às de classes econômicas de aviões. As dimensões do corredor do ônibus permitem fácil movimentação interna dos passageiros. Há assentos preferenciais demarcados para idosos e pessoas com deficiência.

Andamos no veículo, fabricado originalmente em 2006. Mesmo sendo adaptado, o ônibus parecia ter saído de fábrica. As portas novas não bateram e o conjunto de assentos também ofereceu um bom nível de conforto para transporte urbano.

Adamo Bazani, busólogo, repórter da rádio CBN e escreve no Blog do Mílton Jung

Cochichos e recados nos caminhos do Morumbi 2014

 

Direto de Roma/Itália

Toda vez que o presidente Lula abre a boca pra falar de Copa, o projeto Morumbi’14 sai da gaveta novamente, onde está guardado com pastas e documentos importantes que podem decidir o destino do estádio de São Paulo.

No lançamento do estranho logo para o Mundial do Brasil, Lula passou recado ao prefeito da capital paulista Gilberto Kassab (DEM), que está na África sob a alegação de que precisa conhecer programas e soluções desenvolvidas por aquelas cidades.

Kassab foi, na verdade, fazer política, não planejar.

As constatações do prefeito de que São Paulo não deve nada ao sistema de transporte de Johannesburgo e seria impossível construir um Soccer City com dinheiro público poderiam ser feitas de dentro do gabinete dele, no Viaduto do Chá. Haja vista que ao planejarem a Copa da África, as autoridades sul-africanas foram a São Paulo, especificamente na região do ABD paulista, passaram por Curitiba e esticaram viagem a Bogotá, na Colômbia, para entender como transportar passageiros com qualidade. Devem ter ficado presos em congestionamentos na cidade de São Paulo, onde não se investe em corredores de ônibus, há bons anos.

E como Kassab foi fazer política, voltará da África com o recado do presidente lhe coçando a orelha: “Continue a brigar pelo Morumbi” – está no Blog de Cosme Rímoli, em 08/07/10.

Há pouco mais de um ano, em outro cochicho nem tão baixo assim, Lula falou ao Ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, durante cerimônia no estádio do Morumbi: “Diga ao Ricardo (Texeira) para parar de falar m…. . É preciso baixar a crista dele. O Morumbi é o estádio de São Paulo para a Copa” – descreveu Juca Kfouri em 24/06/09

Pode parecer uma contradição (mas só a quem mantém a visão ingênua de que tudo é uma questão de preferência clubística), o corintiano Lula tem sido o “Embaixador do Morumbi” desde o primeiro minuto de jogo e seu esforço aumentou após encontro com o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio – o mesmo que ao assinar nota em resposta a exclusão do estádio da Copa, ameaçou: “A Justiça é filha do Tempo. O Tempo é o Senhor da Razão. O Tempo dirá. E nós também” (16/06/10). Dirá o quê ?

Há quem não consiga dissociar a frase final daquela nota com o comentário presidencial, na cerimônia africana, de que o Brasil é feito de gente que não desiste nunca. Disse isso em uma das três vezes nas quais citou nominalmente Ricardo Teixeira, durante a cerimônia. Mais do que um slogan, um alerta ?

Destacou, também, o necessário combate a corrupção na Copa 2014. Quando, aliás, não será mais presidente do Brasil: “pode contar comigo no que for necessário” – fez questão de avisar a Teixeira.

Terça-feira (07/07/2010), já em solo africano, em outra das suas frases, Lula não foi descuidado na fala: “Se a CBF adotasse o que eu adotei quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, a cada oito anos a gente trocava a direção da CBF. No sindicato a gente trocava”.

Quanto a Kassab, não-alheio a discussão, voltará a São Paulo talvez com a bagagem vazia de projetos urbanísticos, mas com um aparente alívio: poderá reaproximar seu discurso pró-Morumbi ao do Palácio dos Bandeirantes, de onde se ouvia dos corredores críticas pesadas contra o alcaide. E, ao mesmo tempo, costurar com investidores a construção do Plano B, ou P, o Piritubão.

Desembarcará em São Paulo, com um pé em cada estádio.

Por enquanto, vizinho do Palácio, Juvenal Juvêncio só abre a gaveta de seu escaninho, cheia de pastas e documentos, pra remexer no projeto de reforma do estádio do Morumbi.

É das conversas ao pé de orelha, bate-papo nos bastidores e recados indiretos que se constrói o caminho para São Paulo ser sede da abertura da Copa do Mundo de 2014. Ou qualquer outra coisa que tenha o mesmo valor.