República feminina dos pampas

 

Por Carlos Magno Gibrail

Lucia Hippolito, segunda feira no programa da rádio CBN pela manhã, cumprimentou Mílton Jung pela presença gaúcha, catarinense e paranaense no poder central, denominando-a de República dos Pampas.

Imediatamente, pela importância do setor da Moda e diante da semana da SPFW São Paulo Fashion Week, ao ouvir a animada saudação de Lucia, veio um link natural com o celeiro que é a região sul de modelos internacionais, e, não menos espetacular, sede de um globalizado centro têxtil, de confecção e de acessórios.

Com uma dose de Marketing na República Feminina dos Pampas poderíamos juntar este acervo de moda característico da região sulina e faturar para o negócio do vestuário.

A senhora Obama, segundo a revista VEJA e, de acordo com estudos realizados pela Universidade de New York, contribuiu para aumentar o faturamento das marcas que usa e planejadamente as divulga, em mais de US$ 3 bilhões de dólares.

Por sua vez, os ingleses estão apostando na Duquesa de Cambridge, a esposa do Príncipe William. Que já está colaborando, pois no primeiro baile de gala vestiu Jenny Packham de US$ 10 mil, mas teve o cuidado de usar um sapato de L. K. Bennett, bem mais barato. Kate, ao que tudo indica, não irá decepcionar a moda inglesa.

Dilma Rousseff, Ideli Savatti e Gleisi Hoffman como Presidenta da República, Ministra Chefe da Casa Civil e Ministra das Relações Institucionais, certamente, se acentuarem o feminino no ser e no parecer ser poderão dar grande contribuição não só ao setor de moda nacional, mas também à imagem da mulher brasileira na sua polivalência, competente no trato do conteúdo e da forma.

Dariam uma lição de Marketing sob os aplausos das escolhidas, talvez Renner, Grandene, Arezzo, Hering, Colcci, para ficar só nas do sul.

Carlos Magno Gibrail é especialista em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

“Olha bem para minha cara”

 

Foi surpreendente a coragem da mulher que denunciou e encarou policiais militares que executaram um homem, no terreno de um cemitério, em Ferraz de Vasconcelos, região metropolitana de São Paulo. A fala dela ficou gravada no sistema de comunicação da PM e revelou atitude pouco comum na sociedade brasileira.


Ouça a reportagem que foi ao ar no Jornal da CBN

Impulsionada pela indignação, não teve medo de narrar ao policial que a atendeu por telefone o que havia assistido, nem mesmo de peitar os PMs que tinham recém cometido o crime: “olha bem para minha cara”, ameaçou ela ao ouvir de um deles que a pessoa assassinada tinha reagido à prisão.

“Viu só que mulher burra?” – foi o que acabei de ouvir de alguém que discorda da atitude pois entende que ela teve morte decretada a partir da denúncia feita. Ela e parentes dela que serão ameaçados pelos policiais agora presos ou por comparsas da dupla.

Muito pior, com certeza, foi a reação de gente que condena o comportamento da mulher por dar razão aos policiais-executores. Parcela de uma sociedade que defende o Esquadrão da Morte como forma de combater a violência no País. Como se isto já não existisse e com os resultados que conhecemos muito bem.

Há alguns meses foi uma câmera que testemunhou um garoto de favela sendo baleado covardemente por policiais, no Amazonas. Desta vez, uma mulher. Amanhã, pode ser você. Qual será a sua reação ?

As opções são poucas e definitivas: a coragem da mulher que denunciou, o medo do cidadão que não crê na segurança pública ou a covardia daquele que defende o assassinato.

De todas as poucas certezas que tenho neste caso, a última jamais terá meu aval, mesmo que isto vá na contramão do que pensam muitos dos que se pronunciam. Toda a sociedade que se pauta pelo desejo de vingança e ódio tende a pagar muito caro por isso.

O “olha bem para minha cara”, dito por esta mulher vítima e heroína, soa como uma tabefe na nossa cara.

As mulheres e o vinho

 


Por Dora Estevam

Quem pensa que as mulheres têm visão diferente da dos homens com relação aos vinhos está enganado. Hoje, mulheres e homens competem de igual para igual em vários setores e no vinho não é diferente.

É o que diz o Diretor de Degustação da Associação Brasileira de Sommeliers de SP, prof. Nelson Luiz Pereira. “Aliás, você pode ofender uma mulher oferecendo um vinho doce ou um moscato d’asti tentando agradá-la”, alerta.

Não existe uma fórmula pronta para a mulher começar a apreciar o vinho. O contato pode ser familiar, entre amigos ou em encontros corporativos. No geral, elas costumam ter preferência por sapato, marca de cosmético, de produto em supermercado. E com o vinho não fica distante.

Para o prof. Nelson, existem vinhos de estilo que eles chamam de “feminino”, elaborados com uvas Pinot Noir ou Merlot, por exemplo. Mas as preferências de um modo geral são bem ecléticas. Com isso, mulheres podem se agradar de vinhos com aromas florais e de frutas bem maduras. Sem generalizar, não costumam gostar de vinhos tânicos (aquele que amarra a boca, sensação de banana verde) nem muito alcoólicos.

Na apuração de gosto para vinhos, Nelson enfatiza que não há distinção entre homens e mulheres. Elas costumam ser mais detalhista, porém emocionalmente são mais instáveis, ou seja, adoram um vinho hoje, e não gostam tanto assim dele amanhã.

Como todo mercado intitulado masculino, no vinho não é diferente. Às vezes, o degustador tenta direcionar vinhos espumantes, champagnes e tintos mais leves para as mulheres – o que para Nelson é uma bobagem: a mulher pode tomar um vinho encorpado, sim.

E se falamos em bobagens, vamos a outra:

Garrafa masculina e garrafa feminina. A França ainda hoje dita regras de vinho para o mercado, e as garrafas borda lesas (mais estreitas e ombros mais retos) são chamadas de masculinas, pois o Bordeaux é um vinho mais viril. Já a Borgonha costuma fazer vinhos delicados e suas garrafas são largas na base com ombros mais suaves, explica Nelson.

Então, amiga, nem se preocupe se você nunca escolheu uma garrafa considerada feminina – nada disso revelará tendências. Comigo sempre acontece isso e prefiro as mais viris.

O brasileiro consome per capita mais de dois litros de vinho por ano. Não é muito. Nesta conta entram as mulheres que não ultrapassam um quarto deste volume. De qualquer forma já fazemos parte deste crescimento no país.

Geralmente, em uma saída a um restaurante quem escolhe o vinho são os homens. Só que isso, hoje em dia, está bem fora de moda. As mulheres estão mandando bem e, portanto, devem dividir a carta com o companheiro.

Acerte nos pratos e nos vinhos. O jantar ficará muito mais agradável e a conversa poderá girar em torno da carta de vinhos e da experiência de cada um.

Para as mulheres que estão começando a apurar vinho hoje, o diretor da ABS-SP, dá dicas importantes. Inicie-se pelos mais simples para depois provar os de sabores mais complexos – geralmente mais caros. Participe de degustações e faça um curso básico para aproveitar melhor este mundo fascinante (o da Associação Brasileira de Sommeliers é o mais completo do Brasil).

Se você tiver um grupo de amigas e amigos com o mesmo espírito, monte uma confraria sugere Nelson. As reuniões podem ser mensais, quinzenais ou semanais.

Agora, mulheres, a parte mais gostosa da história. Nosso amigo passou uma relação incrível e deliciosa de vinhos para comprarmos e consumi-los nos próximos dias. E uma excelente oportunidade e começar agora no Dia Internacional da Mulher, em oito de março.

Anote na agenda, são dicas das principais uvas facilmente encontradas em nosso mercado:

• Um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia (vinho branco muito aromático)

• Um Chardonnay chileno da região de Casablanca (vinho branco encorpado)

• Um Pinot Noir da Nova Zelândia (vinho tinto delicado)

• Um Cabernet Sauvignon chileno da região do Maipo (vinho tinto encorpado)

Além destes, para aquelas que não dispensam um espumante, podem partir para os brasileiros, são muito confiáveis – diz Nelson.

Não deixe de conhecer o Blog Vinho Sem Segredo, do Diretor de Degustação da Associação Brasileira de Sommeliers Nelson Luiz Pereira, você pode encontrar muitas outras dicas legais. E se quiser conhecê-lo pessoalmente, Nelson é sommelier do restaurante La Cucina Piemontese em Alphaville.

Amei todas as dicas e já estou morrendo de vontade de tomar uma boa taça de vinho.

Dora Estevam é jornalista e, aos sábados, escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

A foto que abre este post é da galeria de Ale J. Ven, no Flickr (veja mais aqui)

De semente


Por Maria Lucia Solla

Zeus at Versailles

Ouça De Semente na voz e sonorizado pela autora

Estamos muito afastados do divino, e é urgente que esse elo seja restabelecido. Eu não saberia dizer como nem quando começamos a nos afastar, mas tenho pistas do afastamento, e pistas da reaproximação.

Para começar, há muito ignoramos os mitos; a ponto de lançarmos olhares enviesados, quando alguém fala de Afrodite, Atena, Cronos ou Hermes. Desprezamos o passado como se fosse bagaço, sem perceber que é na estrada esculpida por ele que eu e você caminhamos aos tropeços, por não conhecer seu traçado.

Atena é intelectual; mais cabeça do que corpo. Afrodite, ou Vênus, tem o cetro do amor e da beleza, enquanto Apolo é um deus artista que se guia pela intuição. Só para dar uma provinha do que é o Panteão.

Deletamos os deuses e usurpamos seus atributos, como crianças mimadas que roubam o Ferrari do papai e se esborracham na primeira curva. Substituímos os deuses que nos serviam de bússola, por máquinas e outras traquitanas.

Conhecendo deuses, seus mitos, suas histórias encontramos as pistas que procuramos para compreender os nossos homens, e eles podem entender a que viemos, nós as mulheres, se conhecerem um pouco das deusas.

A mulher esqueceu que representa a vida, para onde ela traz o homem, e quer ser reconhecida por algo que nem mesmo sabe o que é. Assim segue cambaleando, batendo a cabeça, feito galinha-sem-cabeça zanzando pelo terreiro, antes de mergulhar na panela. Segue sem decidir se se orgulha de ser o que é ou se quer parecer ser o que não é.

Os povos que nos precederam criaram mitos e os presentearam de geração em geração, como mantras, como oração; e nós, com toda a modernidade, esquecidos do Paraíso, em vez de abraçarmos uns aos outros, espalhamos pela Terra incompreensão e ganância, desde a mais tenra idade. Sonegamos amor; e amor é como água, se não deságua inunda, e se inunda mata.

Ah, Zeus, pai de deuses e homens, aí do teu trono no Olimpo, olha por nós que nos colocamos assim, de próprio desejo, em total abandono.

Ah, Cronos, deus do tempo e da responsabilidade, faz que percebamos da vida a finalidade.

Netuno senhor dos mares, faz que entendamos que a turbulência é só na superfície; nas profundezas de mares e amares há mais beleza que tristeza.

Somos universos em miniatura; contemos tudo, o universo inteiro, o mesmo celeiro que encontraríamos, se tivéssemos acesso aos universos fora de nós.

e na chegada do natal

agradeço pela vida

pelas vidas que gerei

pelas geradas por elas

e por todas as que fisicamente

não conhecerei

as vidas que geraram a minha

quero também agradecer

pelo que desde o início dos tempos

me permitiram perceber

Παν = todo – θεοσ =deus – Pan + Téos = Panteão.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

It girls

 

Por Dora Estevam

Elas estão regularmente nas páginas de revistas de moda, nacionais e internacionais. São inspiração para jovens blogueiros/as que seguem os seus passos. São as “It Girls”, as garotas mais modernas e copiadas do mundo.

De acordo com o Wikepedia: – “It Girl” é um termo utilizado para se referir às garotas cheias de atitude, que criam tendências, despertam o interesse das pessoas em relação às suas roupas, seu modo de vestir. Se comportam de um jeito irreverente e despertam a curiosidade das pessoas sobre o seu modo de vida.

Atualmente, a musa de Karl Lagerfeld é Alexa Chung, modelo e fenômeno da cultura pop. Tudo o que ela faz chama atenção. Segundo a reportagem no The New York Times, na coluna Fashion & Style, ela se tornou a Kate Moss da nova geração.

Houve um tempo em que todas as jovens queriam ser como a supermodalo britânica, gritavam Kate, kate, kate. Agora, elas dizem Alexa!

Alexa Chung clicada por onde anda

É a “It Girl” da América. Apesar de ela ser uma grande estrela na Inglaterra, sua estreia na televisão americana, da MTV, “It’s On With Alexa Chung, foi cancelada no ano passado após duas temporadas.

Tudo que ela põe a mão ou usa vende milhões. Ajudou a J Crew a criar produtos que os investidores da empresa ficaram pasmos com os valores. Os produtos esgotaram-se rapidamente das prateleiras: vestidos, camisolas e bolsas.

A multidão de mulheres na faixa dos 20 anos que a segue fica enlouquecida e não tira os olhos da moça. Cada olhar para a “It Girl” vale milhões. O que deu impulso na carreira da modelo foram as capas das edições britânicas da Vogue, Elle e Jarper’s Bazaar, tendo sido identificada, ano passado, como uma das 100 mulheres mais poderosas na Grã-Bretanha, pelo The Sunday Telegraph.
Alexa Chung e conhecida na Inglaterra como modelo, apresentadora de moda e espetáculos de música. É, também, a namorada de Alex Turner, o vocalista da banda Arctic Monkeys.

Seu estilo a diferenciou na televisão. As figurinistas da TV não encontravam roupas para a modelo-apresentadora, dai Alexa começou a usar suas próprias peças vintage, como shorts jeans Levi com cintura alta, botas Chanel, novas t-shirts e camisolas.

“Ela marcha na batida de seu próprio tambor de moda”, diz Corim Nelson, produtor executivo da banda.

Alexa tem um tipo Lolita, veste delicados vestidos e tem habilidade para combinar as peças. Tem personalidade fresca, não é agressiva. É a antítese do olhar das deusas guerreiras como Beyonce e Lady Gaga.

Olivia Palermo no foco das lentes

Uma concorrente de Chung é Olívia Palermo. Figura constante nos desfiles das semanas de moda, atrai todas as lentes, e todas as fotos fazem o maior sucesso. Virou queridinha das fashionistas. As blogueiras a amam.

De acordo com a biografia da moça, Olívia é filha de um milionário do ramo imobiliário. Entretanto, ficou famosa com o programa The City, no qual a socialite mostra o seu dia-a-dia como relações públicas da Revista Elle.

O estilo marcante do clássico misturado com romântico ganhou admiradores do mundo inteiro, com isso se tornou uma das “It Girls” mais famosa do mundo.

Pelo Brasil, as I.G estão, também, nas capas das revistas. Elas costumam ser atrizes e modelos, muitas vezes as duas coisas: Débora Secco, Vanessa Camargo, Daniella Cicarelli e Gabriela Duarte. Tem, ainda, as garotas da alta sociedade: Natalie Klein, Luiza Setubal e Ana Paula Junqueira … numa lista muito grande.

Ana Paula Junqueira, Gabriela Duarte e Natalie Klein

Elas frequentam os salões de beleza mais badalados, e, atualmente, o mais conhecido e querido pelas Its Girls brasileiras é o salão do hair stylist Marcos Proença. Andam com roupas de marcas de luxo e mudam o cabelo conforme a tendência da moda, ditada pelo profissional.

E também estão na mira das blogueiras que clicam cada passo delas.

Então, vamos atrás delas ou fazemos nosso próprio caminho ?

O feminino usa saia

Por Dora Estevam

Com tanta correria hoje em dia, as mulheres acabam optando por roupas mais práticas. Calças, camisas, blazers e sapatos fechados, fazem parte do figurino de boa parte delas.

Você diria que este dresscode é masculino? Sim, aparentemente sim. Mas é a realidade, mulheres com calças e blazers, roupas consideradas discretas para uso em trabalho. Principalmente nos escritórios. Por toda a cidade se você observar na hora do almoço é um verdadeiro batalhão de mulheres de escritório com as roupas convencionais.

Sem dúvida que uma calça alfaiataria fica muito bonita se combinada com uma bela camisa. Passa um ar mais sóbrio e não deixa de ser feminino se as produções estiverem ao alcance. Uma bela bolsa, um par de sapatos modernos, tudo isso favorece o visual, deixando mais leve, bonito e moderno.

O fato é que tenho visto em todos os desfiles de moda, nacionais e internacionais, modelos de vestidos e saias muito longos. Nos mais variados tecidos e padronagens.

Como eu gosto muito de vestido e saias longas separei alguns modelos de streetstyle para vocês se animarem, e, quem sabe, já começar a usar nos próximos dias. Lembrando que não é só no verão que usamos saias.

Para as que trabalham em escritórios formais as cores neutras ficam melhor. Neste caso, os acessórios podem dar um toque particular e quebrar um pouco a sobriedade. Cuidado com as alças, não se esqueça de combinar um spencer, casaquete ou cardigãn, além de te proteger ficará estiloso e sóbrio. Cuidado também com os pés, não é porque está usando um vestido que vai colocar uma sandália rasteira. É deselegante. Procure usar sandálias fechadas e com pouco salto.

Para as mais despojadas, vestidos e saias coloridos, estampados. Nos pés as opções vão desde os mais variados tipos de tamanco, ancle boot, sandálias mais grossas, até as minibotas. Tudo proporcional ao seu estilo.

Eu adoraria ver a saia comprida virar febre de verão. E não se preocupem com os tecidos: jeans, seda, algodão, todos leves e próprios para a estação.

Opções é que não faltam. Não tenha medo de ousar, você ficará linda e charmosa. Toda a família dirá que você está encantadora.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre estilo e moda, aos sábados, no Blog do Mílton Jung


A fonte destas imagens é o site Stockholm StreetStyle.com

Vereadores vão pedir vagão só para mulheres

 

A Câmara Municipal de São Paulo vai sugerir ao secretário estadual de Transportes Metropolitanos que reserve para as mulheres um vagão em cada composição do metrô e da CPTM. A proposta foi enviada pelo Movimento Voto Consciente e aceita pelos vereadores da Comissão de Constituição e Justiça. A intenção é proteger as mulheres que reclamam de assédio sexual e moral devido a superlotação dos trens.

Várias iniciativas já foram realizadas com o objetivo de conter os abusos. Em Brasília, tem projeto de lei querendo impor vagões femininos em todo transporte ferroviário. Em Pernambuco e no Rio, as assembleias legislativas aprovaram lei reservando um vagão para as mulheres, a falta de fiscalização, porém, e o excesso de passageiros levaram ao desrespeito da determinação.

Mesmo na capital paulista, em 2007, a Câmara Municipal chegou a aprovar projeto de lei que obrigava as empresas de ônibus a terem carros exclusivos para as passageiras, medida que não foi a frente. No metrô se ensaiou esta determinação, sem sucesso. Como este modelo de transporte é do Estado, o legislativo municipal tem pouca possibilidade de interferir, por isso aceitou a proposta da ONG e vai apenas levar ao secretário José Luiz Portella o pedido.

Hoje, o público feminino é maioria no metrô, segundo pesquisa da própria companhia.

De resgate do feminino

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De resgate do feminino na voz e sonorizado pela autora

yin yang

Desde o final da década de 1990, o resgate e reequilíbrio da energia feminina na mulher é pano de fundo da minha vida; cenografia do palco onde vivo drama e comédia, romance e suspense.

Nos idos dos anos 1960 e 70, as mulheres se rebelaram para valer. Saíram às ruas, exigiram direitos iguais como cidadãs, queimaram seus soutiens em praça pública, fizeram muito barulho, falaram grosso e, na realidade de hoje, 40 anos depois, suas exigências parecem estar bastante satisfeitas.

Falo delas assim, na terceira pessoa do plural, porque nunca tive nada a ver com isso. Sempre estudei, trabalhei e fui profissional respeitada nas áreas onde atuei; portanto, esse era um problema que eu não sentia na pele.

Tenho dois filhos, passei pelo aperto de ser mulher separada e divorciada, nos anos 1980, e dei conta do recado com algum sacrifício e muita satisfação. Privilégio meu.

Entendo o movimento feminista, mas sempre abordo o assunto com muito cuidado porque defender direitos não dá à mulher o direito de abrir mão da sua porção mulher.

Sair para ganhar a vida, literalmente é coisa de homem. Calma, não tem aí nem uma pitada de machismo. É a pura realidade. Poucas mulheres conseguem se dedicar ao trabalho, alcançar o sucesso, mantê-lo, regá-lo e cultivá-lo, sem deixar de fazer uma comidinha para o seu homem e para os seus rebentos.

Só para registro, vivemos num planeta dual. Tudo contem o seu oposto e é contido por ele.

aí mora o segredo do equilíbrio
da harmonia
do bem-estar
do bem-viver
e é isso que não pode faltar.

Temos descoberto e desenvolvido nossas habilidades, desde o início dos tempos.

o homem executivo da época
que só conseguia manusear um porrete
para prover o sustento
arrastava para a caverna-doce-caverna
a mulher que desejava levar
e ela ia de bom-grado
na maioria das vezes
quero acreditar

Hoje lhe dá joia, manda e-mail apaixonado e acaricia os mesmos cabelos que quase lhe arrancava do couro.

Não há ainda, que eu saiba, aparelho para medir a proporção entre as energias feminina
e masculina em nós, mas todos as temos, homens e mulheres, feministas ou não.

Animus e anima.

Anima, o lado feminino no homem e animus, o lado masculino na mulher.

Faz tempo que redescobrimos que não somos tão diferentes assim e não chegamos ao extremo de virmos de Vênus, e eles de Marte. Na verdade, o que temos em comum supera com vantagem as diferenças.

Homem que é homem…, mulher que é mulher… são expressões que se ainda não foram, já passou da hora de serem substituídas por: gente que é gente…

gente que é gente respeita
gente que é gente não mata
não rouba não estupra
não tortura o físico nem o psicologico
gente que é gente não destrói outra gente
com palavra mortal
e crítica mirada no mal

Até aí eu diria que concordamos todos.

Mas, e sempre tem um mas em toda história, é preciso dar um zoom na vida do ser mulher. Era ela a arrastada para a caverna quando o homem a desejava.

hoje é ela
a mulher
que arrasta musculosa e poderosa
o homem que ela quer


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung explorando suas múltiplas versões.

De onde vem esta força ?

 

Por Abigail Costa

Uma das maiores recompensas da minha profissão de jornalista é conhecer pessoas. Em todos os lugares, gente interessante com histórias para contar. Isso, histórias. Conhecimento.

Nem sempre você vai para uma reportagem de entrega de Oscar. Nem tudo são flores, ainda mais morando e trabalhando nesta cidade chamada São Paulo.

Esses últimos dias tem sido de um enorme aprendizado. Tenho conhecido mulheres, mães. Diferentes do que tinha visto antes.

Entro na casa delas para ouvi-las. Elas falam de dor, de perda. Choram, pedem justiça, não cruzam os braços. E num dado momento a conversa ganha um rumo diferente. A voz continua embargada, mas decidida.

Encontrei com Márcia numa manifestação no centro. Ela veio do Rio de Janeiro para contar que o filho foi morto. Vítima de uma “troca de tiros com policiais”.

Márcia passou quatro anos trabalhando para mostrar a inocência do garoto de 16 anos. Conseguiu provar que os assassinos do filho eram dois PMs. Hoje, condenados e expulsos da corporação.

Já Maria Aparecida, mãe de Alexandre, descreve o que aconteceu: o filho foi morto no começo do mês na frente da família. Apesar dos apelos da mãe, do irmão de 13 anos, a cena de espancamento só parou quando Alexandre já não oferecia mais “resistência”. O crime dele: a moto estaca sem placas, disseram os policiais.

Ouvir essas histórias tristes contadas por quem mais sofreu e sofre pela falta dos filhos é difícil. Mas no meio de tanta tristeza, elas têm uma força inacreditável. No caso da Márcia, incansável. Lutaram para provar que os filhos que criaram não são bandidos.

Elas são mulheres simples.
Elas são mulheres fortes.
Elas são mães.

Abigail Costa é jornalista, mãe de dois meninos e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

De lua

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De lua na voz e sonorizado pela autora

Galeria de Eduardo Amorim no Fliuckr

Mulher é lua, tem fase. Incha, fica plena, regozija, depois murcha, murcha, diminui. Muda a forma: escurece, emagrece, emudece, quase desaparece.

Um dia, invadida pelo calor solar, volta aos poucos a inchar.

Só me parece importante lembrar que tudo isso – fase, forma, luz, escuridão – é ilusão.

eu mulher
eu lua
lua mulher

tenho fase de alegria
colorida como fantasia
onde o riso brota fácil sem regar
tudo vai e vem
em pacote envolto em linda fita

tenho outra porém
de tristeza infinita
dura seca escura maldita
lágrimas rolam
feito folhas no outono
e me vejo sozinha
no amargo abandono

É mais fácil falar de tudo isso quando se está no quarto-crescente porque é aí mesmo, é desse lugar que a gente pode perceber uma nesga da realidade, um vislumbrar da sanidade.

“Na verdade, somos tão voltados para nós mesmos, para o nosso umbigo, para a imensa muralha que é o nosso ego, que somos, na verdade, absolutamente cegos.

Todos.”

Eu disse isso na semana passada, e ouvi bem o que eu mesma disse. A velha história dos ouvidos que estão mais próximos da boca que fala ou, a gente só tenta ensinar o que precisa aprender.

Pois agora, na fase ascendente, percebo ainda melhor que não são os grandes acontecimentos, os presentes caros, os momentos de fogos de artifício e de champanhe francês que vêm nos resgatar da escuridão da dor, do breu da solidão.

São coisas prosaicas: pequenos sorrisos que só arqueiam os cantos da boca, a mão que se estende e os braços que se abrem no gesto que te aconchega, que oferece conforto, que alivia tanto a descida quanto a subida. É o brilho intenso do olhar que vem certeiro na tua direção, a palavra quase dita, o telefonema inesperado, o doar-se, o oferecer de si mesmo, um pedacinho que seja, que dão o impulso para o passar de fase.

é cada pequeno evento que faz que eu
mulher que anseia
trilhe de novo a via que leva
a mais uma fase cheia

eu mulher lua
vestida nua
no quarto na rua

é cada pequeno gesto
percebido reconhecido recebido
que me ajuda a recolher
os fragmentos da fase vazia
que me deixa
contente
e me faz de novo
gente

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão e escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung em todas fases da lua


Imagem da galeria de Eduardo Amorim, no Flickr