Os programas de fidelidade há muito distribuem pontos, sendo os mais famosos os das companhias aéreas. Em lojas de remédio, de livros, de presentes, de qualquer outro tipo de coisa basta fazer a primeira compra e a oferta para um cartão que acumulará pontos aparecerá diante de seus olhos como a coisa mais maravilhosa do mundo. Gaste tantos reais, sempre no mesmo lugar e isto irá se transferir em benefícios para o senhor – é o que costumo ouvir. Nunca me contam como deve ser feito o resgate, e quando contam parece ser a coisa mais simples do mundo.
Com três bocas animais a alimentar – Eros, o labrador, Ramazzotti, o shitzu, e Bocelli, o persa – e o preço da ração em alta, sempre é bem-vinda uma promoção, portanto não deixei de aproveitar o cartão oferecido pela Cobasi, uma das maiores lojas do setor, em São Paulo. Em pouco tempo se descobre como falta inteligência no gerenciamento e no sistema eletrônico que controla estes programas. Depois de acumular cerca de 1.500 pontos em compras, fui pedir o resgate que somente é permitido mediante a apresentação do cartão da loja que tem o mesmo número do meu CPF. Como perdi minha carteira recentemente, tive de solicitar novo cartão e para isso pagar R$ 15, imagino que seja o custo para sua confecção, ou uma espécie de punição por ser tão esquecido (neste caso, merecida). Com o cartão em mãos pedi para descontar os pontos acumulados do total da conta, e fui obrigado a apresentar minha carteira de identidade, afinal precisava provar que eu sou eu. Documentação entregue e aliviado por não ser necessária firma reconhecida em cartório, fiquei no caixa a espera da autorização da gerente da loja. Sem que esta passasse o seu cartão em um leitor óptico, não teria como a atendente dar o desconto – talvez porque não confiem em seus funcionário, ou em seus clientes. Antes de fechar o negócio, ainda tive de assinar um papelzinho amarelo, daqueles que a impressão não dura mais de uma semana na sua carteira, confirmando o resgate. Além de toda a burocracia que o sistema digital foi incapaz de resolver, ainda soube que apesar da atendente ter passado meu cartão na máquina, esta não registra o CPF para emissão da nota fiscal paulista. Ou seja, é preciso pedir o número para o cliente e digitar mais uma vez, desperdiçando tempo e paciência que podem fazer falta para os demais clientes que estão na fila. Ao cabo de tudo, ganhei R$ 50 por ter gastado muito mais do que R$ 1.000 no decorrer de um ano.
Deixo claro que não estraguei meu penteado nem ganhei uma ruga sequer pelo tempo de espera, mas fiz questão de registrar esta operação por perceber que os métodos de gerenciamento não avançaram como a tecnologia e, assim, ao implantá-la sob a justificativa de agilizar o processo acabam emperrando-o com regras redundantes. O erro no sistema aplicado na Cobasi tornou-se mais evidente horas depois quando fui fazer compras na Livraria Cultura, que também tem seu programa de “milhagem”. Ao pagar, informei o número do CPF, soube que tinha direito a desconto, o resgate foi imediato, não houve necessidade de autorização prévia, apresentação de cartão do programa nem qualquer outra burocracia, e meu CPF já estava na máquina a espera da confirmação da emissão da nota fiscal paulista. Simples, assim. Mas para isso é preciso ser inteligente, também.















Paulistanos, os de nascença e os que se aprochegaram, querem deixar a cidade. Ao menos mais da metade deles disse isso em pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo (