50 debates para o Brasil: reforma administrativa divide opiniões sobre estabilidade e avaliação de servidores

Melhorar os serviços públicos não exige necessariamente o fim da estabilidade, mas cobra mudanças na maneira como o Estado seleciona, avalia e administra seus profissionais. O tema foi discutido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, com Tatiana Ribeiro, diretora-executiva do Movimento Brasil Competitivo, e Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores.

O debate partiu de uma questão central: para modernizar a administração pública, o país deve flexibilizar a estabilidade e ampliar a cobrança por resultados ou preservar as atuais proteções oferecidas aos servidores?

Embora representassem posições diferentes, os dois convidados concordaram em um ponto: a estabilidade não deve ser simplesmente eliminada. A divergência apareceu na definição dos mecanismos de avaliação, nas possibilidades de desligamento e nas formas de contratação.

Ricardo Patah afirmou que a estabilidade protege os servidores das mudanças provocadas pela alternância de poder. Sem essa garantia, argumentou, cada eleição poderia resultar na substituição de profissionais por razões políticas.

“Não se pode abrir mão da estabilidade”, disse. Para ele, isso não significa conservar a administração pública sem alterações. Patah defendeu uma gestão mais transparente, maior uso da tecnologia e medidas contra os supersalários, sobretudo no Judiciário.

O presidente da UGT também reconheceu que alguns municípios destinam uma parcela elevada de suas receitas ao pagamento de pessoal. Segundo ele, o desequilíbrio precisa ser enfrentado para que sobrem recursos para investimentos em saúde, educação e outras áreas.

Tatiana Ribeiro também considerou a estabilidade importante para assegurar a continuidade das políticas públicas, especialmente diante da polarização política. Sua defesa, porém, está condicionada à criação de um sistema estruturado de avaliação.

“Eu não posso ter o mesmo tratamento para um servidor que tem entregas excelentes e para um servidor que não entrega”, afirmou.

Na proposta apresentada por Tatiana, os servidores teriam metas claras e avaliações baseadas em critérios objetivos. Aqueles com desempenho insuficiente receberiam oportunidades de aperfeiçoamento. Se os resultados ruins se repetissem, poderia haver desligamento, mesmo nos casos em que o profissional tivesse estabilidade.

A avaliação de desempenho, nesse modelo, não deveria se limitar à cobrança. Também serviria para reconhecer quem trabalha bem, identificar dificuldades e colocar profissionais com as qualificações adequadas nas funções em que são mais necessários.

Contratos temporários e risco de precarização

Tatiana defendeu ainda a discussão de formas mais flexíveis de contratação. Citou os contratos temporários usados por estados e municípios, especialmente na educação, quando é necessário contratar professores com rapidez.

Ela ponderou que o país precisa de uma regulamentação nacional para essas contratações. Atualmente, estados e municípios adotam regras próprias, o que pode produzir insegurança jurídica e tratamentos desiguais.

A flexibilidade, contudo, preocupa sindicatos por poder abrir espaço para vínculos mais frágeis, redução de direitos e interferência política. Patah propôs que as mudanças sejam acompanhadas pela regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho, que trata da negociação coletiva no serviço público.

Para o sindicalista, a participação das entidades representativas permitiria que governo e servidores negociassem condições de trabalho antes que os conflitos resultassem em paralisações.

O serviço público acontece nos municípios

Outro ponto de convergência foi a necessidade de olhar além do governo federal. Tatiana ressaltou que cerca de 90% da força de trabalho do setor público está nos estados e municípios, onde são prestados os serviços que chegam diretamente à população.

Municípios pequenos, porém, costumam ter menos estrutura técnica para planejar, contratar e avaliar. Por isso, ela defendeu que o governo federal ofereça apoio institucional às administrações locais.

O debate mostrou que a reforma administrativa não se resume a decidir se o servidor deve ou não ter estabilidade. A discussão inclui critérios de avaliação, qualificação profissional, controle de gastos, combate a privilégios, negociação coletiva e proteção contra perseguições políticas. O desafio é mudar o Estado sem enfraquecer justamente quem entrega os serviços públicos à população.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: não basta ser Gigante, é preciso ser Imortal

Grêmio 3×1 Internacional
Copa do Brasil — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Grenal 454
Carlos Vinícus marcou duas vezes Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eram 56 mil pessoas lotando a Arena nesta noite mágica de quinta-feira. Uma multidão majoritariamente gremista tomou conta das arquibancadas. O 3 de setembro de 2026 entra para a história como a data do maior público desde a inauguração do estádio — sim, esta Arena é verdadeiramente nossa.

O recorde dá a dimensão do Gre-Nal que estava em disputa.

Não valia apenas uma vaga na semifinal da Copa do Brasil. Não valia somente mais uma vitória para as estatísticas dos 454 clássicos disputados desde 1909. Valia muito mais.

Os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul entraram em campo para defender a própria sobrevivência no futebol.

Uma derrota, naquele momento, diante do arquirrival, poderia representar o fim de uma história de glórias. A derrocada definitiva. A pá de cal sobre um clube que enfrenta enormes dificuldades financeiras. O risco de ver ruir um legado vitorioso, construído por gerações e transformado em motivo de orgulho para seus torcedores.

Era isso que estava em jogo.

E, se a disputa era pela sobrevivência, não bastava ser Gigante. Era preciso ser Imortal.

Empurrado pela torcida, o Grêmio correspondeu com eficiência e bravura. Marcou com firmeza, ocupou os espaços e contra-atacou ainda melhor.

O primeiro gol nasceu de um escanteio e terminou nos pés de Carlos Vinícius, o atacante redivivo. Havia oito partidas que ele não marcava. Nesta noite, matou a fome. Insaciável, voltou a balançar a rede 20 minutos depois.

O segundo gol foi resultado de uma jogada veloz, construída com passes precisos e a participação de Amuzu pelo lado esquerdo. O ponta belga, que ainda devia uma atuação à altura das expectativas, também renasceu com a camisa do Grêmio. Puxou o contra-ataque e deu a assistência para Carlos Vinícius ampliar.

Amuzu guardaria sua melhor contribuição para o segundo tempo.

Aos 23 minutos da etapa final, Tetê avançou pela direita e tabelou com o belga. Dentro da área, Amuzu deu um passe à la Ronaldinho Gaúcho: olhou para um lado e tocou para o outro. Encontrou Krovinović, que driblou o marcador e bateu para fazer seu primeiro gol desde que chegou ao clube.

Sim, o croata também escolheu um Gre-Nal para começar a escrever sua história com a camisa do Grêmio.

O time soube sofrer. Weverton voltou a se destacar. Kannemann e Walace foram valentes na defesa. Diego Caito superou a dor provocada por uma lesão no ombro. Noriega dominou a frente da área. Villasanti manteve a firmeza nos desarmes.

O Grêmio de Luís Castro jogou como há muito tempo o torcedor exigia. Com organização, coragem e entrega. Cada jogador pareceu compreender que não estava em campo apenas para conquistar uma classificação. Lutava para impedir que uma parte da história do clube se perdesse naquela noite.

Um feito dessa dimensão, em um clássico que contrariou os analistas empenhados em prever um jogo mal jogado, aconteceu justamente no aniversário de Luís Castro.

O treinador português comandou a equipe quase sempre sob a desconfiança do torcedor. Corria o risco de deixar o clube sem construir vínculos nem deixar saudades. Nesta quinta-feira, também ele renasceu. Luís Castro nasceu para o Grêmio em um Gre-Nal.

A vitória não resolve todas as dificuldades. Não apaga os erros. Não faz desaparecer as dívidas nem garante o futuro. Apenas nos lembra que há clubes que atravessam a história pelo tamanho que alcançaram.

E há outros que sobrevivem porque se recusam a morrer.

O Grêmio está vivo.

Porque o Grêmio é Imortal.

Você já abriu o APP do seu banco hoje? Cuidado!

Hoje, abri o aplicativo do banco e encontrei dois boletos que não reconhecia.

Um deles, de R$ 595, estava em nome da Sebracom Empresarial. O outro, de R$ 783,60, era da Speed Tecnet. Os dois tinham a mesma data de vencimento e apareciam na área reservada às contas que eu teria de pagar.

A primeira reação foi tentar descobrir se havia alguma despesa esquecida. Não havia. Eu nunca contratei serviços dessas empresas.

Ao pesquisar, encontrei diversos relatos semelhantes. Empresários de várias regiões do país receberam boletos nos mesmos valores, também sem reconhecer qualquer contratação.

As empresas dizem que esses documentos não representam dívidas. Seriam “boletos-proposta”: ofertas comerciais cujo pagamento é facultativo. Quem paga aceita contratar o serviço. Quem não tem interesse pode simplesmente ignorar.

O problema é a maneira como essa oferta aparece. Ela não chega como propaganda. Surge dentro do aplicativo bancário, misturada às contas de condomínio, impostos, mensalidades e serviços efetivamente contratados. Tem nome de empresa, valor e vencimento. Parece uma dívida à espera de pagamento.

E há um risco evidente: alguém menos atento pode pagar todos os boletos apresentados pelo banco sem perceber que, entre eles, existe uma proposta comercial que nunca pediu.

É importante esclarecer que a presença de um boleto no DDA — o sistema que apresenta eletronicamente as cobranças registradas em nosso CPF ou CNPJ — não significa que a dívida foi reconhecida pelo banco. Também não significa que o dinheiro será retirado automaticamente. O pagamento só ocorre com a autorização do cliente.

A regulamentação do Banco Central determina que o boleto-proposta deve ser apresentado de forma clara e que sua emissão depende de manifestação prévia do pagador sobre o interesse em recebê-lo. No meu caso, não houve pedido nem manifestação de interesse.

Por isso, fica o alerta: abra o aplicativo do banco, examine cada boleto e não pague nada apenas porque a cobrança apareceu ali. Confira o nome do beneficiário, o valor e a origem da despesa.

Se não reconhecer, não pague. Marque a cobrança como desconhecida, peça a baixa do boleto e comunique o banco.

A tecnologia ajuda a organizar as contas. O cuidado continua sendo nosso. Até porque boleto não cria dívida. E proposta que chega disfarçada de obrigação merece, no mínimo, a nossa desconfiança.

50 debates para o Brasil: mineração em terras indígenas põe em discussão renda, proteção territorial e autonomia

A mineração em terras indígenas pode movimentar bilhões de reais, mas coloca na mesma balança recursos econômicos, proteção ambiental, valores culturais e o direito dos povos originários de decidir sobre seus territórios. O tema esteve no 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, com Luis Maurício Ferraiuoli, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), e Juliana de Paula Batista, advogada do Instituto Territórios Vivos.

A Constituição admite a exploração de recursos minerais em terras indígenas, desde que haja autorização do Congresso Nacional, participação das comunidades afetadas e regulamentação específica. Essa legislação, porém, ainda não existe.

Ferraiuoli defendeu que a mineração regulamentada pode gerar recursos para as comunidades e argumentou que experiências internacionais mostram ser possível conciliar a atividade econômica com a preservação dos territórios e das tradições. Citou exemplos dos Estados Unidos e da Austrália, onde comunidades indígenas recebem receitas provenientes da mineração.

Para ele, o ponto central é garantir aos próprios indígenas a possibilidade de decidir: “A pergunta que eu acho que a gente tem que fazer é se o indígena quer a mineração ou não.” Ferraiuoli também afirmou que nem todo território deveria ser explorado e que áreas consideradas sagradas ou fundamentais para povos tradicionais precisam ser preservadas.

Juliana de Paula Batista destacou que a discussão não pode partir da ideia de liberar indiscriminadamente a atividade. Antes de chegar às terras indígenas, segundo ela, o país deveria conhecer melhor seu potencial mineral e verificar se os mesmos recursos podem ser encontrados e explorados em outras regiões.

“A mineração em terra indígena deve ser a exceção da exceção da exceção”, afirmou. Para Juliana, se determinada jazida puder ser explorada fora desses territórios, não haveria razão para levar a atividade para dentro deles.

Ela também argumentou que não basta calcular quanto dinheiro uma comunidade receberia. Existem territórios com significado religioso e cultural que não podem ser avaliados apenas pelo valor econômico do minério existente no subsolo.

Para explicar, comparou lugares sagrados indígenas à Capela Sistina. Se a existência de minerais valiosos sob um patrimônio religioso não justificaria sua destruição, o mesmo princípio deveria ser considerado diante de locais sagrados para os povos indígenas.

Quem decide sobre o território

Nesse ponto, as posições dos debatedores se aproximaram. Ferraiuoli defendeu uma consulta aos povos indígenas e afirmou que a mineração organizada pode ser benéfica em alguns locais e inadmissível em outros.

Juliana também reconheceu que não existe uma posição única entre os indígenas. Algumas comunidades podem considerar os benefícios econômicos legítimos e desejar participar da atividade. Outras podem rejeitá-la por razões ambientais, sociais, culturais ou religiosas.

“A questão mais importante dentro dessa regulamentação é o nível de autonomia que eles vão ter”, afirmou. Para ela, o primeiro passo seria identificar em quais territórios e com quais povos a mineração poderia sequer ser objeto de diálogo.

O debate, portanto, vai além de responder simplesmente “sim” ou “não” à mineração. A questão passa por definir onde ela poderia ocorrer, quais limites seriam impostos, como os benefícios econômicos seriam distribuídos e, sobretudo, quanto poder de decisão teriam as comunidades diretamente afetadas.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

50 debates para o Brasil: especialistas discutem se impostos mais altos sobre bets reduzem danos ou fortalecem sites ilegais

As apostas esportivas online movimentam milhões de brasileiros e colocam o governo diante de um dilema: como reduzir os danos sociais provocados pelo jogo sem fortalecer as plataformas clandestinas? O tema foi discutido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, com a economista Juliana Inhasz, do Insper, e Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias.

O mercado de apostas online está regulamentado no Brasil e as empresas autorizadas pagam impostos, geram empregos e patrocinam clubes e competições esportivas. Ao mesmo tempo, crescem as preocupações com endividamento, dependência do jogo e a facilidade de acesso às apostas pelo celular.

O debate, portanto, não é mais simplesmente entre permitir ou proibir as bets. A questão é definir quanto o Estado deve cobrar das empresas e quais controles deve estabelecer sobre a atividade.

Plínio Lemos Jorge argumentou que a carga tributária das empresas de apostas é maior do que costuma aparecer no debate público. Segundo ele, além da destinação incidente sobre o valor arrecadado depois do pagamento dos prêmios, as empresas recolhem tributos comuns às demais atividades econômicas.

Para Plínio, elevar essa carga reduz a capacidade das empresas legalizadas de competir com sites clandestinos, que não pagam impostos nem cumprem as regras estabelecidas pelo governo.

“Nós estamos no limite de tributação para o mercado saudável.”

Ele também contestou a dimensão atribuída ao endividamento provocado pelas apostas e defendeu que o governo ouça empresas e especialistas do setor antes de adotar novas medidas.

Tributação depende do objetivo

Juliana Inhasz concordou que impostos excessivamente altos podem produzir um efeito contrário ao pretendido e levar apostadores para plataformas ilegais. Para ela, a primeira pergunta deve ser outra: qual é o objetivo do governo ao tributar as bets?

Se a intenção for desestimular uma atividade considerada prejudicial à sociedade, uma tributação maior pode fazer sentido. Se a prioridade for arrecadar, sufocar o mercado formal pode reduzir receitas e ampliar justamente a atividade clandestina.

“Uma colocação de um tributo de uma forma pouco racional ou pouco estratégica pode fazer com que esse mercado ilegal cresça.”

A economista destacou, porém, que a discussão não pode ficar restrita aos impostos. Para ela, é preciso acompanhar o crescimento do endividamento, fiscalizar o setor e investir em conscientização.

Outro ponto levantado por Juliana foi a maneira como parte da população enxerga as bets. A aposta deveria ser compreendida como entretenimento, e não como estratégia para complementar renda ou construir patrimônio.

Essa distinção ajuda a explicar por que tributação e fiscalização precisam caminhar juntas. Cobrar mais impostos pode desestimular apostas, mas perde eficácia se o apostador migrar para uma plataforma ilegal. Cobrar menos pode preservar o mercado regulado, mas deixa em aberto a questão de como financiar prevenção, fiscalização e tratamento dos problemas associados ao jogo.

O desafio é encontrar esse ponto de equilíbrio: manter os apostadores no ambiente regulado sem tratar como secundários os custos econômicos e sociais das apostas.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

50 debates para o Brasil: gastos obrigatórios protegem direitos ou engessam o orçamento público?

O governo federal tem pouca liberdade para decidir onde aplicar boa parte do dinheiro previsto no Orçamento. Pelos dados orçamentários de 2026, cerca de 91% das despesas primárias são obrigatórias e aproximadamente 9% são classificadas como discricionárias, parcela sobre a qual existe maior possibilidade de decisão. Mesmo dentro desses 9%, porém, há recursos comprometidos com despesas que, na prática, dificilmente podem ser remanejadas.

Essa diferença entre o que é discricionário no papel e o que está efetivamente disponível para novas escolhas foi um dos pontos do episódio de hoje da série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN.

Um dos convidados, Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente, argumentou que, quando são consideradas também essas despesas rígidas, restariam apenas R$ 3 de cada R$ 100 para decisões mais livres do governo. Ele discutiu o tema com Élida Graziane Pinto, procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo e professora de Administração Pública da FGV, que defende a manutenção das vinculações destinadas a proteger políticas públicas essenciais.

Vinculação orçamentária significa reservar previamente recursos públicos para determinadas finalidades. Saúde e educação são exemplos. A Constituição estabelece pisos de gastos nessas áreas, calculados a partir das receitas públicas. A intenção é impedir que serviços essenciais fiquem sujeitos apenas às prioridades políticas de cada governo.

Para Élida, os pisos não dispensam a cobrança por eficiência, mas oferecem estabilidade financeira para políticas que precisam atravessar diferentes governos. Ela cita a expansão do SUS e da educação pública desde a Constituição de 1988 como exemplos de processos que dependem de financiamento contínuo.

“A sustentabilidade de uma agenda de universalização de acesso […] demanda estabilidade de financiamento”, afirmou.

Élida também questionou a ideia de que retirar vinculações necessariamente levaria a uma utilização mais eficiente do dinheiro. Segundo ela, experiências de flexibilização fiscal abriram espaço para despesas pulverizadas, inclusive emendas parlamentares, sem garantia de melhor aplicação dos recursos. Para a procuradora, antes de reduzir os pisos de saúde e educação, seria necessário aproximar os gastos públicos do planejamento de cada política.

Ela também rejeitou a tese de que a redução do número de crianças permita diminuir os recursos destinados à educação. Lembrou que ainda há déficit de vagas em creches, necessidade de ampliar o ensino em tempo integral e elevado analfabetismo funcional.

Pestana argumentou que a classificação entre despesas obrigatórias e discricionárias não revela toda a rigidez do Orçamento. Parte do dinheiro considerado discricionário já tem, na prática, destinação difícil de alterar. Por isso, segundo ele, a margem efetiva para novas escolhas seria ainda menor.

“De cada R$ 100, 97 vão para despesas obrigatórias ou rígidas”, afirmou.

O argumento de Pestana é que um orçamento excessivamente comprometido dificulta a adaptação às transformações do país. Ele citou a mudança demográfica: com menos crianças e mais idosos, as necessidades também mudam. Em alguns municípios pode diminuir a pressão por novas vagas escolares, enquanto cresce a necessidade de recursos para saúde e Previdência.

Para ele, a rigidez também reduz o espaço destinado a investimentos em infraestrutura, ciência e tecnologia. A proposta é permitir revisões das prioridades, em vez de reproduzir automaticamente a distribuição dos recursos dos anos anteriores.

Salário mínimo também entrou no debate

Os dois convidados discutiram ainda a vinculação de benefícios ao salário mínimo. Élida defendeu a regra como instrumento de proteção da renda e redução da desigualdade. “Não se pode falar de ajuste fiscal necessariamente sobre a população mais vulnerável”, afirmou.

Pestana reconheceu o papel da valorização do salário mínimo no combate à desigualdade, mas defendeu maior liberdade para avaliar separadamente despesas vinculadas a ele, como piso previdenciário, seguro-desemprego, abono salarial e BPC. “Eu tenho certeza que a rigidez atual não nos levará a bom porto”, disse.

A divergência expõe a escolha central do debate: como garantir recursos para direitos sociais sem retirar do governo a capacidade de responder a novas prioridades? A vinculação protege determinadas políticas das mudanças de governo e das disputas pelo Orçamento. Ao mesmo tempo, quanto maior a parcela previamente comprometida, menor a capacidade de reorganizar os gastos diante das transformações econômicas e sociais.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Ser gay aos 40: o preço da nossa longevidade

Por Diego Felix Miguel

Foto de Download a pic Donate a buck! ^ no Pexels

Prezada leitora e prezado leitor,

Nos últimos tempos, tenho revisitado as reflexões que compartilhei por aqui. Nesta semana, deparei-me com um texto que publiquei às vésperas de completar 40 anos: “É preciso rever nossos acordos com o tempo”. Dois anos depois, novamente às vésperas de celebrar mais um aniversário, parei para refletir sobre o quanto mudei depois dos 40.

Como especialista em envelhecimento, sempre desconfiei dos clichês que afirmam que, após os 40, ganhamos automaticamente mais assertividade e passamos a saber exatamente o que queremos e, sobretudo, o que não queremos para nossas vidas. Como disse Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra; logo, o pensamento crítico é nossa oportunidade de evitar generalizações que nos distanciam da realidade.

Nem todas as pessoas “quarentonas” têm as oportunidades que tive. Sou um homem branco, cisgênero (identifico-me com o gênero que me foi atribuído ao nascer) e, embora não seja herdeiro — a não ser de boletos e de muita criatividade para pagá-los —, pertenço a um grupo elitizado pelo acesso ao capital intelectual.

Reconheço que, apesar de todos os atravessamentos da homofobia, ainda ocupo um lugar confortável em razão dos privilégios que carrego desde o nascimento. Para outros grupos minorizados, como pessoas negras, pessoas com deficiência e pessoas trans — e aqui podemos pensar também na interseccionalidade entre esses aspectos —, a experiência de envelhecer em uma sociedade estruturalmente preconceituosa pode ser infinitamente mais violenta, traumática e excludente.

Contudo, ser homossexual aos 40 e, especificamente, ser um homem gay coloca-me em um lugar desconfortável diante de determinados estereótipos.

O primeiro deles, que percebi desde cedo, foi a autocobrança imposta pela expectativa social de “dar certo na vida”, um imperativo que questiono profundamente. Ser gay e carregar desde a juventude a pressão para “ser alguém”, sob a ótica de um viés capitalista tacanho, exige um bom salário e um apartamento próprio para garantir um suposto status quando a juventude e o corpo já não são atributos negociáveis nas relações superficiais impulsionadas pela homofobia.

Essa visão materialista e reducionista deposita, mais uma vez, nas costas das pessoas homossexuais a responsabilidade pelo preconceito que sofrem. Nem todas as pessoas dissidentes da norma conseguem cruzar o abismo que nos é imposto desde cedo. Reconheço que minhas conquistas até aqui tiveram um custo altíssimo, apesar de meus privilégios, sobretudo para a minha saúde mental.

Não é fácil manter-se vivo em uma cultura que tenta deslegitimar sua existência e ter de provar constantemente, para si e para os outros, que se é capaz.

O segundo ponto é o corpo. É quase impossível navegar pelas redes sociais e sair ileso, sem se sentir mal por ter um corpo que muda, engorda e envelhece. Parece que o algoritmo reproduz de forma obstinada o que já está enraizado na cultura: a ideia de que precisamos ser mais, dedicar-nos mais e nos tornar um padrão a ser seguido como resultado de um “envelhecimento bem-sucedido”.

A frustração que surge diante de uma suposta “falta de força de vontade” nada mais é do que o próprio cansaço de ter de lutar duas ou três vezes mais para ser minimamente aceito, visto e desejado e, mesmo assim, não alcançar o corpo socialmente idealizado.

Até as relações afetivas mudam nessa fase. Descobrimos que queremos mais do que os modelos superficiais que herdamos da cisheteronormatividade. Precisamos revisitar nossos prazeres, desejos e as ambições de uma vida a dois voltada para o longo prazo, apesar das dores e dos traumas causados pela homofobia. Afinal, queremos viver a velhice, mesmo sendo ela um lugar incerto, já que não temos garantias de proteção contra a homofobia institucional e social.

Recentemente, conversando com amigos que também estão na casa dos 40, notei um fenômeno curioso: a própria comunidade muitas vezes nos enxerga sob o estigma do “sugar daddy”. Para mostrar socialmente que estamos “bem na fita”, espera-se que exibamos um parceiro mais jovem, mas a um preço alto: o da suposição de uma troca puramente mercantil entre aparência e conforto financeiro.

É, minhas amigas e meus amigos, o idadismo consegue ser ainda mais perverso para os grupos minorizados. Não se trata de mensurar quem sofre mais, pois a dor e a exclusão são perversas de qualquer modo. É fato, porém, que certos grupos atravessam essas etapas sob a invisibilidade e o silenciamento impostos pelo sistema, pela ciência, pelo ativismo e pelas políticas públicas.

Não encerro esta conversa dizendo que envelhecer é ruim. Pelo contrário: chegar até aqui é uma conquista, uma grande conquista, e sinto-me profundamente motivado a continuar.

A questão central é: quando, de fato, vamos confrontar essas estruturas e entender que a velhice é plural — assim como são diversas as faces do preconceito e da discriminação —, exercendo uma escuta ativa e assumindo uma postura de aliados para torná-la digna para todas as pessoas?

Diego Felix Miguel é doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP e especialista em Gerontologia pela SBGG. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

50 debates para o Brasil: educação sexual nas escolas divide opiniões sobre conteúdo e papel das famílias

O Brasil registra seis estupros de menores de 14 anos por hora e, ao mesmo tempo, enfrenta a controvérsia sobre até onde a escola deve ir ao abordar sexualidade com crianças e adolescentes. O tema foi discutido na série 50 Debates Para o Brasil, do Jornal da CBN, por Luciana Temer, advogada, professora de Direito Constitucional da PUC-SP e diretora-presidente do Instituto Liberta, e Guilherme Schelb, procurador da República em Brasília, mestre em Direito Constitucional e especialista em infância e educação.

A discussão não se resume a ensinar ou não ensinar educação sexual. Envolve definir o que deve ser abordado, em qual idade, por quem e com quais limites. Também coloca em debate como dividir essa responsabilidade entre escola, família, Estado e sociedade.

Guilherme Schelb defende que qualquer conteúdo deve partir da legislação e respeitar o estágio de desenvolvimento de crianças e adolescentes. Para ele, a escola pode abordar questões relacionadas à sexualidade, mas precisa estabelecer fronteiras claras para evitar a exposição precoce a conteúdos próprios da vida sexual adulta.

“O ponto central é respeitar a integridade psicológica e sexual da criança”, afirmou. Schelb argumentou que crianças não devem ser tratadas como “adultos pequenos” e que os conteúdos precisam considerar a vulnerabilidade própria de cada faixa etária.

Luciana Temer prefere fazer uma distinção. Em vez de tratar todo o conteúdo sob o rótulo de educação sexual, defende prevenção da violência sexual para crianças e sexualidade saudável e responsável para adolescentes.

Ela sustentou a posição com dados sobre violência. Segundo Luciana, o Brasil dos estupros de menores de 14 anos registrados, 30% das vítimas têm até nove anos e 60% dos casos acontecem dentro da casa da vítima, praticados por familiares.

“Se a criança não tem uma preparação na escola, é (preciso) falar sobre percepções e prevenções de violência. Isso é possível? É possível”, disse.

Para os adolescentes, Luciana citou outro dado: cerca de 30 bebês nascem por dia no Brasil de mães com até 14 anos. Também mencionou pesquisa do IBGE segundo a qual muitos jovens iniciam a vida sexual aos 13 ou 14 anos. Na avaliação dela, deixar de conversar sobre o assunto não impede que adolescentes tenham contato com a sexualidade; apenas aumenta o risco de que recebam informações inadequadas ou distorcidas.

Quem decide o que será ensinado

Um ponto de aproximação entre os debatedores apareceu na necessidade de estabelecer critérios para os conteúdos.

Schelb criticou a falta de padronização. “Cada um faz o que bem acha melhor”, afirmou, ao defender regras que estabeleçam o que pode ser abordado em cada idade. Para ele, as famílias também precisam participar desse processo e ser orientadas para conversar com os filhos.

Luciana também defendeu conteúdos adequados às diferentes fases do desenvolvimento. Citou como exemplo que, com crianças pequenas, a prevenção pode ocorrer por meio de atitudes protetivas, enquanto crianças maiores podem receber orientações sobre violência digital e adolescentes podem discutir responsabilidade e sexualidade.

“O que nós não podemos mais é não fazer esta conversa”, afirmou. Para ela, a responsabilidade não deve ficar exclusivamente com a família nem exclusivamente com a escola. A Constituição estabelece que a proteção de crianças e adolescentes é dever compartilhado pela família, pela sociedade e pelo Estado.

A divergência, portanto, está menos na necessidade de proteger crianças e adolescentes e mais em como transformar essa proteção em conteúdo escolar. De um lado, há o receio de que a escola ultrapasse limites e exponha alunos precocemente a temas inadequados. Do outro, o argumento de que o silêncio também produz riscos, especialmente diante da violência sexual e do início da vida sexual na adolescência.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: o Grêmio é um caso de divã

Grêmio 3×1 Chapecoense

Brasileiro — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gremio x Chapecoense
Gustavo Martins marcou duas vezes Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio saiu atrás na partida em que enfrentava o lanterna do Campeonato Brasileiro. Permitiu ao adversário finalizar 32 vezes contra seu gol, enquanto chutou apenas 12. Precisou de Weverton para impedir que a noite se transformasse em desastre. E contou com o voluntarismo de Gustavo Martins, o zagueiro que voltou ao time para marcar duas vezes na vitória deste domingo — apesar de haver quem insista que o primeiro gol tenha sido de Enamorado.

Ganhamos por 3 a 1.

E talvez nada explique melhor o Grêmio atual do que esse contraste.

Um time que vence por dois gols de diferença e termina a partida deixando a impressão de que poderia ter perdido. Que sofre diante do lanterna, dentro de casa, e ainda assim consegue construir uma vitória que lhe dá algum alívio no Brasileiro e ânimo para o jogo mais importante da semana.

Os três pontos nos levaram aos 28 e permitiram alguns passos à frente daquela zona-que-você-sabe-qual-é. Ainda estamos distantes dos 45 pontos que, teoricamente, nos livrariam de qualquer risco maior. Ao menos deixamos para trás o arquirrival — o mesmo com quem disputaremos, na quinta-feira, uma vaga na semifinal da Copa do Brasil.

A situação do time e as circunstâncias de cada partida transformaram a vida do torcedor numa montanha-russa emocional.

Ainda no primeiro tempo, a Arena vaiava para, minutos depois, aplaudir. O gremista roía as unhas a cada ataque da Chapecoense, mesmo quando já tínhamos vantagem no placar. Desesperava-se com os erros de passe no campo defensivo, que ofereciam ao adversário oportunidades para nos atacar, e logo depois comemorava com Wallace cada corte providencial de nosso promissor zagueiro.

Weverton fazia defesas que mantinham a vantagem. Gustavo Martins, escalado para impedir gols, aparecia na área adversária para fazê-los. Pavón, tantas vezes contestado, marcou um golaço e ainda cobrou o escanteio para o terceiro. O Grêmio sofria. O Grêmio fazia sofrer. E o Grêmio vencia.

Contradições.

Quando o árbitro apitou pela última vez, a torcida fazia festa com os jogadores. A mesma torcida que havia vaiado durante a partida agora já vislumbrava a Arena cheia para o Gre-Nal decisivo de quinta-feira.

E, no meio da comemoração, uma pergunta continuava incomodando: afinal, o que Luís Castro está fazendo com esta equipe que, depois de tanto tempo, ainda parece incapaz de deslanchar técnica e taticamente?

Talvez seja justamente isso que nos desoriente.

Quando estamos prontos para desistir, o Grêmio vence. Quando começamos a acreditar, o Grêmio nos oferece 32 motivos para desconfiar. Quando parece frágil, encontra força. Quando deveria nos tranquilizar, nos atormenta.

E quinta-feira tem Gre-Nal.

O Grêmio me deixa louco.

É um caso de divã.

50 debates para o Brasil: a “taxa das blusinhas” protege empregos ou pesa no bolso do consumidor?

A cobrança de imposto sobre pequenas compras feitas em sites internacionais coloca em confronto a proteção aos empregos no Brasil e o preço pago pelo consumidor. A “taxa das blusinhas” foi discutida na série 50 Debates Para o Brasil, do Jornal da CBN, por Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, e Henrique Lian, CEO da Proteste Euroconsumers Brasil.

O debate ocorre enquanto o Congresso analisa a medida provisória que suspendeu a cobrança do Imposto de Importação sobre compras de pequeno valor feitas em plataformas internacionais. A questão vai além de decidir se uma blusa, um tênis ou um acessório comprado no exterior deve ficar mais caro. A discussão é sobre quem deve arcar com o custo de proteger a produção e o comércio brasileiros.

Jorge Gonçalves Filho defendeu a tributação como forma de reduzir a diferença entre as condições enfrentadas pelas empresas brasileiras e pelos produtos vendidos por plataformas estrangeiras. Segundo ele, a retirada do imposto já teria reflexos sobre o emprego.

“Estamos exportando empregos, estamos exportando divisas”, afirmou. Ele citou dados segundo os quais o varejo teria perdido cerca de 63,4 mil postos de trabalho, sendo aproximadamente 30 mil no setor de vestuário. Também argumentou que produtos brasileiros estão submetidos a impostos, testes e certificações que nem sempre alcançam mercadorias importadas vendidas diretamente ao consumidor.

Para Jorge, portanto, não cobrar o imposto cria uma concorrência desigual. Ele afirmou que estudo realizado com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a partir de mais de 150 mil notas fiscais, encontrou uma carga tributária acumulada de 92% na cadeia do vestuário.

Henrique Lian contestou a ideia de que a tributação produza igualdade. Seu argumento é que o Imposto de Importação não é pago pela plataforma estrangeira, mas pelo brasileiro que faz a compra.

“Essa proteção não pode nunca, em hipótese alguma, recair sobre os ombros do consumidor”, afirmou. Para Henrique, empresas e consumidores são agentes diferentes e não deveriam receber o mesmo tratamento tributário. Se indústria e comércio nacionais enfrentam custos excessivos, disse, o governo deveria buscar outras formas de reduzir essa desvantagem.

Henrique também questionou se a cobrança anterior trouxe os resultados prometidos. Segundo os dados apresentados por ele, durante um ano e nove meses de vigência da tributação, os preços do varejo brasileiro não caíram: roupas subiram 7%, calçados, 9%, e cosméticos, 17%. O crescimento do emprego nesses setores também teria ficado abaixo da média nacional.

A divergência, portanto, não está apenas em cobrar ou não cobrar imposto. Está em como equilibrar três interesses: oferecer preços acessíveis ao consumidor, preservar empregos e permitir que empresas brasileiras concorram com produtos vendidos por plataformas internacionais.

De um lado, a tese de que não tributar significa importar produtos e exportar empregos. Do outro, o argumento de que proteger empresas colocando a conta no colo do consumidor aumenta a desigualdade tributária.

É essa escolha que está agora nas mãos do Congresso.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.