Mundo Corporativo: empresas precisam derrubar rótulos para aproximar jovens do mercado de trabalho, defende Daniela Redondo, do Instituto Coca-Cola

Daniela Redondo, Instituto Coca-Cola

Daniela Redondo em entrevisa online no Mundo Corporativo Foto: Débora Gonçalves/CBN

“Tira o rótulo. A gente está ouvindo tanto que essa geração não quer trabalhar. Tira isso da frente, que vai abrir um mundo com muita gente querendo trabalhar.” — Daniela Redondo

O mercado de trabalho muda rapidamente. As empresas assistem à essa transformação acontecendo agora ao mesmo tempo que olham para o futuro sem ter certeza do que será do amanhã. Pensam qual será a próxima tecnologia a influenciar a forma de produzir e trabalhar e se esquecem de que será preciso ter pessoas preparadas para os próximos desafios. 

Nesse cenário, uma das contradições identificadas no mercado de trabalho é a dificuldade de as empresas contratarem profissionais, enquanto há uma legião de jovens em busca do primeiro emprego. Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Daniela Redondo, diretora executiva do Instituto Coca-Cola Brasil, alertou que o debate sobre o futuro do trabalho costuma concentrar-se na inteligência artificial, mas o maior desafio permanece humano.

“A tecnologia acelera mudanças, mas a conexão entre as pessoas continua sendo determinante para construir equipes, desenvolver talentos e criar oportunidades.”

À frente do Instituto, Daniela lidera programas voltados principalmente para jovens entre 16 e 29 anos em situação de vulnerabilidade social. O objetivo, além da qualificação profissional, é conectar esses jovens a vagas reais de emprego. Na avaliação da executiva, existe um desencontro entre empresas e candidatos. Enquanto muitos empregadores afirmam que faltam profissionais preparados, milhares de jovens relatam dificuldade para conquistar a primeira oportunidade. Parte dessa distância, segundo Daniela, está nos processos seletivos.

Ela explica que muitas empresas estabelecem exigências incompatíveis com quem está iniciando a carreira. Ao mesmo tempo, os jovens precisam desenvolver competências relacionadas à comunicação, ao relacionamento e ao entendimento do ambiente profissional.  

O Instituto Coca-Cola Brasil decidiu ampliar o alcance de seus programas a partir de 2019. Daniela conta que, alguns anos antes, eram atendidas cerca de 30 mil pessoas por ano. Em 2025, esse número chegou a aproximadamente 250 mil. Ao longo da história do programa, mais de 860 mil jovens foram capacitados em mais de 4 mil cidades

Aumentar o número de participantes, porém, não é suficiente. Para saber se a formação produz uma mudança concreta na vida dos jovens, o Instituto acompanha também a entrada deles no mercado de trabalho. Segundo Daniela, seis em cada dez participantes conseguem emprego depois de concluir o programa

O impacto pode chegar à renda de toda a família. A maioria dos participantes pertence a famílias que vivem com até dois salários mínimos. Nesse caso, explica Daniela, a contratação de um jovem por um salário mínimo pode representar um acréscimo equivalente a 50% da renda que aquela família tinha até então. Se o emprego oferece remuneração maior e possibilidade de crescimento profissional, o efeito tende a aumentar. 

Foi justamente a busca por alcançar mais pessoas sem perder de vista esses resultados que levou o Instituto a desenvolver uma metodologia de crescimento em escala. O modelo, denominado “exponencialidade para impacto”, reúne ferramentas, dados e formas de organização que podem ser aplicadas por outras empresas, organizações sociais e governos. O material é disponibilizado gratuitamente pelo Instituto.

Ao falar diretamente aos gestores, Daniela fez um convite para rever preconceitos sobre a nova geração. Segundo ela, muitos jovens querem trabalhar, aprender e crescer profissionalmente. O primeiro passo é abandonar generalizações e construir processos seletivos mais abertos à diversidade de experiências.

Para quem procura a primeira oportunidade, a recomendação também é clara: continuar estudando, ampliar a rede de contatos e buscar diferentes perspectivas.

“Conecte-se. Expanda a perspectiva para além do seu grupo, porque é essa diferença de perspectiva que vai fazer você ser visto e se destacar.”

Assista ao Mundo Corporativo

Assista à entrevista completa com Daniela Redondo no canal da CBN no YouTube. Você também pode ouvir o Mundo Corporativo no Spotify ou no podcast de sua preferência. Colaboram com o programa Carlos Grecco, Letícia Valente, Priscila Gubiotti, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

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