Mundo Corporativo: Beatriz Joaquim Ribeiro, da Diamante, explica como empresas podem atuar com as comunidades

Beatriz Joaquim Ribeiro Diamante Energia
Beatriz Joaquim Ribeiro no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN

“O social hoje precisa sim de grandes parceiros, mas precisa também dessa escuta ativa, desse planejamento para entregar um resultado concreto, não uma coisa abstrata.”

Mais de 50% das mulheres atendidas pelo programa Mulheres Empreendedoras são mães solo, não concluíram o ensino médio e vivem com um salário mínimo. A iniciativa oferece cinco meses de capacitação e apoio para que elas possam buscar autonomia financeira e ingressar no mercado de trabalho. A relevância de as empresas desenvolverem programas como este foi um dos temas da entrevista com Beatriz Joaquim Ribeiro, gerente de responsabilidade social e governança da Diamante Geração de Energia, ao Mundo Corporativo, da CBN.

A Diamante Geração de Energia produz eletricidade em usinas termelétricas a carvão e atua no Sul e no Nordeste. A empresa opera o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, em Santa Catarina, e a usina Energia Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Segundo Beatriz, a companhia tem capacidade instalada de 1,82 gigawatt e, com a cadeia produtiva do carvão, movimenta cerca de R$ 6 bilhões na economia catarinense.

Projetos sociais começam pela escuta

Por atuar em duas regiões tão distantes do país — Santa Catarina e Ceará –, a empresa procura conhecer as necessidades de cada território antes de definir projetos. Para isso, conversa com lideranças e instituições locais e faz diagnósticos sobre o perfil das comunidades.

“Os desafios do Sul são completamente diferentes dos desafios do Nordeste”, afirma. Por isso, as iniciativas precisam respeitar as características de cada região e ser planejadas com quem conhece a realidade local.

O programa Mulheres Empreendedoras nasceu da busca por caminhos para ampliar a autonomia financeira de mulheres em situação de vulnerabilidade ou que tiveram direitos violados. A empresa reuniu prefeituras, serviços de assistência social e Polícia Civil para desenhar a iniciativa.

A formação inclui cursos, apoio psicológico e atividades voltadas ao empreendedorismo. O transporte também foi incorporado ao programa depois que parceiros apontaram que a falta de recursos dificultava a presença das participantes nas aulas. Ao fim do percurso, segundo Beatriz, sete em cada dez mulheres ingressam no mercado de trabalho.

Para o sucesso do programa, o acompanhamento das alunas é feito diariamente. A equipe procura entender por que elas faltam e quais condições podem ajudá-las a permanecer no curso. “É muito mais que um programa de capacitação”, diz Beatriz. Ela descreve a iniciativa também como um processo de autoconhecimento e de fortalecimento da confiança para buscar trabalho.

Relação com a comunidade e licença social

Uma ex-aluna da primeira turma, que tinha dificuldade para falar em público, identificou-se com as aulas de educação financeira. Depois de se capacitar, passou a dar cursos profissionalizantes nessa área e apresentou uma proposta para ensinar outras participantes.

Para Beatriz, empresas interessadas em desenvolver ações sociais devem começar com uma pessoa de referência para conversar com a comunidade, conhecer dados locais e estabelecer parcerias. A contribuição pode incluir recursos financeiros, voluntariado ou mão de obra. “Cada empresa conhece a sua realidade até onde ela pode atuar”, afirma.

A gerente também chama atenção para a relação entre a empresa e as pessoas que vivem no entorno. Na avaliação dela, essa relação influencia a reputação da organização e a forma como suas atividades são recebidas.

Beatriz define licença social como o apoio da comunidade à atuação da empresa naquela região. Para construir esse vínculo, afirma, é preciso entender as atividades da companhia, ouvir os moradores e manter diálogo com instituições locais.

Uma trajetória ligada à usina

A história de Beatriz com a região também passa pela empresa. Nascida em Tubarão, ela conta que a família paterna veio do Rio Grande do Sul para trabalhar na usina. O avô chegou como terceirizado; depois, outros familiares também se mudaram para a região. “Eu sou um grande exemplo disso, né? Os meus pais vieram por causa da usina”, diz.

Formada em Direito, Beatriz trabalhava com execução fiscal e área tributária quando surgiu uma vaga ligada a projetos sociais incentivados. Ela começou nessa frente e, com o tempo, passou a atuar também no desenvolvimento local e no diálogo com as comunidades.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

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