“O social hoje precisa sim de grandes parceiros, mas precisa também dessa escuta ativa, desse planejamento para entregar um resultado concreto, não uma coisa abstrata.”
Mais de 50% das mulheres atendidas pelo programa Mulheres Empreendedoras são mães solo, não concluíram o ensino médio e vivem com um salário mínimo. A iniciativa oferece cinco meses de capacitação e apoio para que elas possam buscar autonomia financeira e ingressar no mercado de trabalho. A relevância de as empresas desenvolverem programas como este foi um dos temas da entrevista com Beatriz Joaquim Ribeiro, gerente de responsabilidade social e governança da Diamante Geração de Energia, ao Mundo Corporativo, da CBN.
A Diamante Geração de Energia produz eletricidade em usinas termelétricas a carvão e atua no Sul e no Nordeste. A empresa opera o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, em Santa Catarina, e a usina Energia Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Segundo Beatriz, a companhia tem capacidade instalada de 1,82 gigawatt e, com a cadeia produtiva do carvão, movimenta cerca de R$ 6 bilhões na economia catarinense.
Projetos sociais começam pela escuta
Por atuar em duas regiões tão distantes do país — Santa Catarina e Ceará –, a empresa procura conhecer as necessidades de cada território antes de definir projetos. Para isso, conversa com lideranças e instituições locais e faz diagnósticos sobre o perfil das comunidades.
“Os desafios do Sul são completamente diferentes dos desafios do Nordeste”, afirma. Por isso, as iniciativas precisam respeitar as características de cada região e ser planejadas com quem conhece a realidade local.
O programa Mulheres Empreendedoras nasceu da busca por caminhos para ampliar a autonomia financeira de mulheres em situação de vulnerabilidade ou que tiveram direitos violados. A empresa reuniu prefeituras, serviços de assistência social e Polícia Civil para desenhar a iniciativa.
A formação inclui cursos, apoio psicológico e atividades voltadas ao empreendedorismo. O transporte também foi incorporado ao programa depois que parceiros apontaram que a falta de recursos dificultava a presença das participantes nas aulas. Ao fim do percurso, segundo Beatriz, sete em cada dez mulheres ingressam no mercado de trabalho.
Para o sucesso do programa, o acompanhamento das alunas é feito diariamente. A equipe procura entender por que elas faltam e quais condições podem ajudá-las a permanecer no curso. “É muito mais que um programa de capacitação”, diz Beatriz. Ela descreve a iniciativa também como um processo de autoconhecimento e de fortalecimento da confiança para buscar trabalho.
Relação com a comunidade e licença social
Uma ex-aluna da primeira turma, que tinha dificuldade para falar em público, identificou-se com as aulas de educação financeira. Depois de se capacitar, passou a dar cursos profissionalizantes nessa área e apresentou uma proposta para ensinar outras participantes.
Para Beatriz, empresas interessadas em desenvolver ações sociais devem começar com uma pessoa de referência para conversar com a comunidade, conhecer dados locais e estabelecer parcerias. A contribuição pode incluir recursos financeiros, voluntariado ou mão de obra. “Cada empresa conhece a sua realidade até onde ela pode atuar”, afirma.
A gerente também chama atenção para a relação entre a empresa e as pessoas que vivem no entorno. Na avaliação dela, essa relação influencia a reputação da organização e a forma como suas atividades são recebidas.
Beatriz define licença social como o apoio da comunidade à atuação da empresa naquela região. Para construir esse vínculo, afirma, é preciso entender as atividades da companhia, ouvir os moradores e manter diálogo com instituições locais.
Uma trajetória ligada à usina
A história de Beatriz com a região também passa pela empresa. Nascida em Tubarão, ela conta que a família paterna veio do Rio Grande do Sul para trabalhar na usina. O avô chegou como terceirizado; depois, outros familiares também se mudaram para a região. “Eu sou um grande exemplo disso, né? Os meus pais vieram por causa da usina”, diz.
Formada em Direito, Beatriz trabalhava com execução fiscal e área tributária quando surgiu uma vaga ligada a projetos sociais incentivados. Ela começou nessa frente e, com o tempo, passou a atuar também no desenvolvimento local e no diálogo com as comunidades.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.
