Mundo Corporativo: Guilherme Bara discute inclusão e carreira nas empresas

Guilherme Bara, consultor de diversidade e compliance
Bara no estúdio de podcast do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti CBN

“Para mim, o meu maior desafio foi eu me aceitar.”

Contratar pessoas com deficiência não garante que elas terão oportunidades de desenvolvimento e chegarão a posições de liderança. Para avançar, as empresas precisam rever práticas de seleção, preparar gestores e acompanhar quem recebe promoções e participa de treinamentos. O tema foi assunto de entrevista com Guilherme Bara, consultor e palestrante em diversidade, inclusão e compliance, no Mundo Corporativo, da CBN.

Bara ficou cego aos 15 anos, em consequência de uma retinose pigmentar, doença que provoca a perda progressiva da visão. Antes de se identificar como uma pessoa com deficiência, tentou esconder as dificuldades e evitava recursos como a bengala e o braille. A mudança veio quando percebeu que aceitar sua condição e buscar recursos lhe daria mais autonomia.

“Na hora que eu venci esse processo, a minha vida decolou tanto no aspecto profissional, afetivo, pessoal”, contou.

Para Bara, reconhecer os obstáculos é necessário, mas a conversa precisa ajudar gestores e equipes a saber como agir. Dúvidas práticas podem aparecer já na entrevista de emprego: como perguntar sobre deficiência, como oferecer suporte e quais adaptações podem ser necessárias no trabalho.

“Dificuldade é contexto, não é foco”, afirmou. Ele defende que as empresas deem orientações concretas e abram espaço para o diálogo. “Pergunte mais e deduza menos”, resumiu. A entrevista pode abordar as competências do candidato e, depois, perguntar se ele precisa de algum suporte ou recurso de acessibilidade.

O mesmo cuidado vale para quem já está na empresa. Uma organização pode observar se pessoas com deficiência participam de treinamentos, integram bancos de talentos e são promovidas. Esses indicadores ajudam a localizar barreiras e a definir ações. Segundo Bara, não basta medir a presença de profissionais com deficiência: é preciso olhar para as oportunidades oferecidas a eles.

A representatividade em cargos de liderança também foi um critério que ele considerou ao escolher onde trabalhar. Para Bara, ver pessoas com deficiência em posições de decisão sinaliza que há caminhos de crescimento. “O problema é você não ter possibilidade de crescimento de carreira em função da deficiência.”

Gestores também precisam estar abertos a aprender

O receio de cometer erros pode levar gestores a evitar conversas ou oportunidades de inclusão. Bara observa que erros acontecem dentro e fora do trabalho. O ponto decisivo, segundo ele, é a disposição para aprender e corrigir a rota.

“Você não precisa estar pronto para incluir, você precisa estar aberto para incluir”, disse. Para criar esse ambiente, recomenda conversas sem julgamento e condições para que as pessoas expressem suas necessidades. Uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, pode precisar de uma tela maior; uma pessoa com deficiência auditiva pode precisar que as câmeras sejam ligadas em reuniões por vídeo.

A entrevista também abordou diversidade de gerações. Bara mencionou programas de mentoria que aproximam profissionais mais jovens e mais velhos para a troca de experiências. Em vez de tratar as diferenças como disputa, propôs olhar para o que cada grupo pode oferecer à equipe.

Para profissionais com deficiência que estão começando a carreira, sua orientação é falar sobre desafios e sugerir soluções, respeitando o tempo de cada pessoa para abordar a própria deficiência. “Fica à vontade, fala dos seus desafios, sugere solução, mas faz isso querendo construir ponte”, afirmou.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

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