Cartão de crédito, a exclusividade transforma plástico em ouro

 

Por Ricardo Ojeda Marins

Os cartões de crédito voltados para o consumidor de alta renda são os que mais crescem no país. Segundo o Banco Central, representam pouco menos de 5% dos cartões usados no Brasil. Esses consumidores são responsáveis por cerca de 14% da quantidade de transações e 40% das receitas geradas pelos cartões. As administradoras investem, em geral, em benefícios voltados a acúmulo de milhas, seguros, serviços de Concierge, acesso a Sala Vip em aeroportos e organização de viagens. Visa, Mastercard e American Express são as bandeiras que detém o segmento no Brasil.

 

Considerado o cartão mais elitizado do país e com anuidade de R$ 1.200, o The Platinum Card, da American Express, é o único fornecido somente através de convite da bandeira. Como a operação da marca no Brasil pertence ao Banco Bradesco, desde 2006, clientes Bradesco Prime e Bradesco Private Bank são parte do público-alvo desse cobiçado cartão. É um cartão de compras, sem limite pré-estabelecido de despesas, ideal para o consumidor que realiza frequentemente viagens ao exterior e possui gastos altos. O cartão possui uma agência de viagens exclusiva – o Platinum Travel Service – equipe de consultores especializados em turismo de luxo que organiza todos os detalhes de viagens, incluindo parte aérea, hotéis, roteiros exóticos e cruzeiros. O associado recebe amenidades como café da manhã, late check-out, upgrade de acomodação mediante disponibilidade e voucher para uso em Spas ou restaurantes em exclusivos hotéis ao redor do mundo, como The Ritz-Carlton, Mandarin Oriental, Taj Hotels, Four Seasons e outros O cartão ainda oferece seguro para viagens com cobertura gratuita de até R$ 2,14 milhões, um departamento de concierge para o auxílio em reservas em restaurantes, ingressos para espetáculos no Brasil e no exterior. Clientes cadastrados no Programa Membership Rewards Turbo acumulam 2,2 pontos a cada dólar em despesas com o cartão.

 

Já a bandeira Visa no Brasil mira o consumidor Premium e Luxo respectivamente com a as versões Platinum e Infinite. O cartão Visa Platinum inclui benefícios como seguros de acidentes pessoais, seguro de viagem para países que fazem parte do Tratado de Schengen, serviços de concierge, assistência em viagens no Brasil e no exterior e outros. Sua renda mínima para ser um associado é em torno de R$ 8 mil por mês, variando conforme o banco emissor e sua taxa de manutenção anual custa em torno de R$ 240.

 

Já o Visa Infinite traz os benefícios da versão Platinum, porém com valores mais elevados nos seguros de viagem para casos de morte ou invalidez permanente: enquanto o Platinum oferece uma cobertura de US$ 500 mil, o Infinite cobre US$ 1,5 milhão. Ambos oferecem a seus associados o Visa Luxury Collection, programa que reúne benefícios de viagens, tais como late check-out e upgrade mediante disponibilidade, café da manhã em hotéis de luxo como St. Regis, Mandarin Oriental, Park Hyatt e outros. O Visa Infinite é emitido por bancos como Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander e conta com seguro de extravio e de atraso de bagagem. É exigida uma renda mensal de R$ 20 mil para se tornar um associado. Sua anuidade está em torno de R$ 800, podendo variar conforme o banco emissor. Com o Visa Infinite, cada dólar gasto no cartão é convertido em 2 pontos, podendo chegar a 2,2 pontos, enquanto no Visa Platinum o acúmulo é de 1,5 pontos.

 

A bandeira Mastercard também possui o cartão Platinum e o Mastercard Black, versão mais luxuosa da bandeira. A versão Platinum conta com serviços especiais como concierge, assistência na organização de viagens e um seguro contra morte ou invalidez com cobertura de US$ 500 mil. Sua renda mínima está em torno de R$ 7 mil mensais e anuidade de R$ 400, variando conforme o banco emissor. Já a versão Black exige renda mínima de R$ 20 mil mensais e custa cerca de R$ 800 por ano. Safra, Citibank, Bradesco, Itaú-Unibanco, Santander e Banco do Brasil são os bancos emissores do cartão. O Mastercard Black oferece benefícios em viagens, como upgrade de acomodação em hotéis de luxo como Fasano, Park Hyatt e Starwood Hotels & Resorts, um assistente pessoal exclusivo para ajuda na organização de uma viagem ou ainda escolher um presente. Seus clientes têm direito a um seguro de acidentes pessoais no valor de até US$ 1 milhão, com cobertura em caso de morte acidental ou invalidez. Clientes Mastercard Platinum podem acumular 1,5 pontos cada dólar gasto com seu cartão, enquanto o associado Black pode acumular de 1,8 a 2,2 pontos conforme seu volume de compras no cartão.

 

Ainda não emitido no Brasil e considerado um ícone do luxo, o cartão mais raro e exclusivo do mundo é o The Centurion Card, da American Express. A versão black do Amex representa o que há de mais exclusivo no segmento. Criado há mais de 10 anos e como o The Platinum Card, também é disponível somente através de convite. Porém, com uma pequena diferença: estima-se que para ser escolhido como um futuro associado é necessário ter um perfil de gastos de cerca de US$ 250 mil por ano na versão Platinum. Presente até o momento em países como Estados Unidos e Inglaterra, sua anuidade está estimada em US$ 1 mil. Estima-se que há pouquíssimos brasileiros portadores do cartão, porém emitidos fora do país, por conta de serem clientes de bancos nos Estados Unidos ou outros países.

 

Seguros com valores milionários, salas vips, mimos em hotéis e serviços extraordinários em viagens. Esses benefícios são, sem dúvida, reais e atraentes. Poder realizar um check-out tardio em hotéis luxuosos, receber upgrade de acomodação ou ainda acumular pontos representam benefício monetário ao cliente. Representam ainda conforto e a real percepção de um serviço personalizado. Afinal, ser recebido num hotel com uma garrafa de champagne solicitada por sua agência de viagens com flores e um bilhete de boas vindas personalizado é algo inesperado que fará com que o cliente sinta-se único e privilegiado. O serviço e a experiência proporcionados podem e farão a diferença.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: apesar de tudo, uma noite de prazeres

 

Grêmio 1 x 1 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

À mesa, companhias especiais, boa comida e compromissos profissionais. Apesar de trabalho, a conversa foi prazerosa. Infelizmente, a agenda para o encontro coincidia com o horário da partida do Grêmio, na Arena. Sem televisão por perto, minha caixinha mágica – o SlingBox – quebrada (nem seria gentil de minha parte tê-la funcionando no Ipad durante o bate papo), restou-me o celular com a atualização dos resultados de tempo em tempo. Embevecido pelas histórias engraçadas que ouvi dos dois parceiros de jantar e pelo vinho, não percebi que o placar parcial de 1 a 0 havia se perdido nos minutos finais. Somente ao pegar o caminho de casa é que tive a informação frustrante e, mesmo sem ter assistido ao jogo, pude imaginar nosso desempenho. Não muito diferente do que vimos nas últimas partidas.

 

Como para tornar menos amargo o fim da noite, na troca de mensagens pelo Twitter, com Deva Pascovicci, da CBN, que narrava a partida de São Paulo e Atlético-MG ouvi homenagem a Milton Gol-Gol-Gol Jung, apelido daquele que você tem a oportunidade de ler todas as quintas-feiras aqui no Blog. Para compartilhar com você este momento de alegria, reproduzo trecho da fala do Deva, gentil e brincalhão como sempre:

 

 

A homenagem ao pai e o jantar com os amigos compensaram o resultado em Porto Alegre. E mesmo com o empate é preciso celebrar o fato de que havíamos acumulado gordura suficiente para nos mantermos no G4, coisa que muita gente boa está tentando e tropeçando.

O desafio de escrever com antecedência

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Desde que assumi com o meu filho o compromisso de escrever um texto por semana para o blog que ele assina,o que venho fazendo religiosamente sempre que não estejamos ambos gozando férias,nunca havia acontecido de eu não encontrar um assunto capaz de interessar quem se dá ao trabalho de ler o que digito. Como o Mílton,também atuo no rádio,mas,ao contrário dele,não preciso,faz muitíssimo tempo,acordar de madrugada para trabalhar. Fiz isso durante meses, logo depois de passar no teste para locutor “pau-para-toda-obra”. Semana passada,ao escrever sobre os carros do meu pai,lembrei que ele me emprestava o seu Citroën a fim de que eu fosse até a vila Rio Branco,na Grande Porto Alegre,situada às margens do Rio Guaíba (existe,agora,quem entenda que o velho Guaíba não é rio,mas estuário,só que eu não engulo essa). O estúdio da Canoas ficava à beira da água e ao pé da torre que espalhava o som da emissora. A diferença entre o meu começo em rádio e o que faz o Mílton na CBN,hoje em dia,porém,embora grande em vários sentidos,em um,pelo menos,não é.

 

Depois de passar anos apresentando o Correspondente Renner,a partir do dia em que o Mílton assumiu a primeira edição do Jornal da CBN,às 6 da manhã,quando ele dá bom dia aos seus ouvintes,eu me inscrevo entre os que acompanham o noticiário. Afinal,tal qual o meu filho,mas bem mais tarde,isto é,às 13h00,apresento uma síntese informativa. Bem cedo,portanto,é necessário que vá tomando conhecimento das notícias do dia. Nada melhor,então,do que sintonizar a CBN. E unir o útil ao agradável,isto é,as informações transmitidas pelo Mílton.

 

Várias vezes recordei que os meus textos,apesar de serem postados às quintas-feiras,têm de ser enviados com antecedência. Nisso,sou exigente comigo mesmo,tanto que trato de os mandar dois dias antes. Assim,nem sempre posso abordar assuntos que,no dia da postagem do meu texto,estejam vencidos. Talvez até me atrevesse a escrever sobre o Mensalão, assunto tão importante que merece ser grafado com eme maiúsculo.Restrinjo-me a imaginar que as pessoas envolvidas nele, entre outros erros,foram egoístas,porque foram tomadas pela paixão humana fundamental,que consiste na submissão do dever ao interesse particular,em detrimento da obediência à lei moral.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

As pesquisas e os resultados de SP e Rio

 

Por Carlos Magno Gibrail

No Mundo Corporativo que assisti no sábado, aqui no Blog do Mílton Jung, pesquisa colocava o Brasil em 21º no ranking de reputação global dos países. O que, dado o grau de corrupção corrente, não chega a surpreender.

 

Questionadas por alguns, estas pesquisas podem ser úteis. Vejamos, por exemplo o recente trabalho desenvolvido este ano pelo instituto britânico IPSOS MORI, que em 24 países elencou 48 cidades e perguntou a 18.147 pessoas: “Baseado no que você sabe ou tem ouvido de outros, quais as três cidades no mundo que você pensa ser a melhor para negócios, para viver e para visitar?”

 

Nas respostas gerais agrupando as três perguntas, o pódio ficou para Nova Iorque, Paris e Londres. Com o Rio em 18º e SP em 39º. Entretanto, o ranking das melhores cidades para visitar indicou o Rio em uma invejável 8ª posição, na frente nada menos de Amsterdam, Cairo, Zurique, Madrid, Istambul, Hong Kong, Berlim e Toronto.

 

Sucesso e tanto da Cidade Maravilhosa, que não se repetiu no âmbito nacional.

 

Enquanto para os russos, o Rio está entre as três melhores cidades para visitar – com Paris e Roma – para os brasileiros não figura entre as três primeiras, que preferem Paris, Nova Iorque e Roma.

 

Ao mesmo tempo privilegiam São Paulo, pois a consideram depois de Nova Iorque a melhor cidade para negócios e a terceira melhor cidade do mundo para viver, depois de Paris e Nova Iorque. Não é a toa que a capital paulista com 11,5 milhões de habitantes possui quase o dobro da população do Rio e recebe outro tanto de visitantes.

 

A verdade é que, se o 18º e o 39º lugares não são bons, tanto o Rio quanto São Paulo têm a comemorar. SP pela realidade do desempenho obtida no mercado interno, e o Rio pela fantástica potencialidade de turismo internacional exibida na pesquisa, agregada ainda ao detalhe específico da Rússia, que a vê como destino logo a seguir de Paris e Roma.

 

Tudo indica que chegou a hora de provarmos a competência de comunicação internacional para atender os desejos aos produtos que temos em abundância. Natureza, beleza, sol, calor, praia, ritmo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Adote e Voto Consciente vão pedir fim de projetos "fora da lei"

 

 

Todo projeto de lei, antes de começar a andar na Câmara Municipal, assim como em qualquer casa legislativa, passa pela Comissão de Constituição e Justiça. Por desconhecimento, descuido ou complexidade legal, muitas propostas de vereadores não são ou da alçada do vereador ou da própria cidade. Por exemplo, não é possível aprovar lei que interfira nas forças de segurança pública, responsabilidade do Estado; assim como não se pode propor aumento de salário para professores municipais, projeto que cabe apenas ao prefeito. A CCJ é uma espécie de guardiã da constituição dentro do legislativo. Ou deveria ser. Muitas vezes, os vereadores fazem vistas grossas às irregularidades e aprovam projetos “fora da lei” para atender o pedido de um colega e até trocam favores para terem os seus projetos aprovados na primeira instância.

 

No encontro da rede Adote um Vereador, no fim de semana, ficamos sabendo que a Câmara Municipal de São Paulo, desde a gestão do presidente Antonio Carlos Rodrigues (PR_SP), entre os anos de 2007 e 2010, não apresenta mais o parecer do corpo jurídico da casa sobre os projetos de lei que dão base para a votação dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça. Se o relatório é feito – o que deve ocorrer, por ser uma norma da casa-, não é anexado ao projeto em análise na CCJ nem o cidadão tem acesso. Portanto, é trabalho desperdiçado e desdenhado pelos vereadores que fazem muito mais análise política do que jurídica, permitindo que projetos inconstitucionais continuem andando na Casa, ocupando a pauta, tirando espaço de debates importantes e, algumas vezes, despejados no colo do prefeito para que ele tenha o ônus de vetar a proposta.

 

Em mesa cheia, com gente nova e gente experiente (e tomada de garrafas de água e café), no Pátio do Colégio, a rede Adote um Vereador decidiu que vai pedir, em parceria com o Movimento Voto Consciente, ao presidente da Câmara, José Américo (PT_SP), que retome a prática de anexar os relatórios realizados pelos técnicos do setor jurídico da Câmara aos projetos de lei analisados pelos integrantes da CJJ. É importante que a Comissão, além de receber este documento e torná-lo público, leve em consideração a avaliação técnica para aprovar ou não os projetos de lei, independentemente do comprometimento político dos vereadores.

 

Outras conversas

 

No sábado, quando a rede se reuniu, em São Paulo, fomos apresentados a Henrique Trevisan, um dos integrantes do grupo que desenvolve o Monitor Legislativo, aplicativo que está em construção e pretende ajudar o cidadão a controlar o mandato dos vereadores. A ideia é colocar nas mãos do paulistano, um programa que facilite o acesso às informações do vereador e dos trabalhos da Câmara, tornando mais transparente a ação do legislativo municipal. A forma como muitas das informações estão publicadas no site da Câmara impedem, por exemplo, o cruzamento de dados. E já aprendemos que a transparência não se faz com informação publica, mas com informação acessível.

 

Lá no Pátio do Colégio, também, duas novas parceiras foram integradas ao grupo, interessadas em acompanhar o trabalho dos vereadores paulistanos. São elas, Rute e Gabriela Cabral, mãe e filha, que moram na Vila Formosa, onde vários parlamentares foram eleitos para a atual legislatura. Após ouvir a experiência de integrantes do Adote, ambas se comprometeram a monitorar, fiscalizar e controlar um desses vereadores.

 

E você está de olho no que o seu vereador faz pela cidade? Adote um vereador!

Avalanche Tricolor: por um toque de qualidade

 

Grêmio 0 x 1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foi disputando cada jogo como se fosse o jogo de sua vida que construímos nossos 110 anos de história. Mas o que é um jogo diante de tudo que já vivemos até aqui? O passe errado – aliás, vários na mesma partida -, o chutão desesperado do zagueiro que não sabe o que fazer com a bola, a falta de criatividade no meio e a incerteza dos atacantes. São todos detalhes que passam despercebidos nos arquivos da nossa memória centenária – pequenos frente ao que somos. E pequeno como sou, peço licença, caro e raro leitor, para reproduzir, nesta Avalanche, texto de quem realmente tem talento, sabe ser diferente no trabalho que exerce e fez belíssima homenagem ao Grêmio em seu blog no Lance!Net. Aproveite o toque de qualidade do jornalista Mauro Beting, a quem agradeço por ter oferecido aos gremistas o momento de maior prazer deste fim de semana:

 

Grêmio. Desde 1903.
Não importam números, embora 1983 encerra discussões.
Não importam ou exportam nomes. Mas Lara é tema eterno. Portaluppi fez o planeta mais azul. Aírton é pavilhão. Iúra foi símbolo. Scolari faz cátedra. Foguinho acalenta. Valdo esfria. Everaldo rima e é seleção. Jardel é cabeça. De León é corazón. Alcindo é bugre. Gessy é Grêmio.
Vocês são Grêmio onde ele estiver.
A pé, em pé, caído em segundas divisões, primeiro em Libertadores e Mundial, veterano copeiro, imortal vencedor de jogos eternos. Aflitos e Olímpicos, Moinho dos Ventos e Arenas, Baixada e no Humaitá, azedo na Azenha, doce e amargo, Grêmio e Tricolor.
Até ganhar o BR-81 não era visto por Rio e São Paulo. Quando fez a América e fritou o Hamburgo passou a ser mais respeitado. Mas só passou mesmo a patrola na patrulha paulista e carioca quando foi parrudo e marrento ganhando as Copas do Brasil. Quando não era favorito para a mídia. Mas foi melhor que o Flamengo em 1997, no tri. Quando foi melhor que o Corinthians em 2001, no tetra.
Ninguém dava bola ao Grêmio. Mesmo campeão da Copa do Brasil em 1989. Mesmo bi em 1994.
Ninguém dava crédito ao Grêmio. Mesmo campeão da América em 1995. Mesmo vice nos pênaltis para o grande Ajax.
Muitos davam perdido o título brasileiro de 1996 até o chute final de Aílton.
Quase todos davam perdido o acesso em 2005 no pênalti de Galatto. No gol de Anderson que nem o mais fanático gremista (redundante) acreditava no fantástico e fabuloso.
Se é que gremista nasceu para não acreditar no Grêmio.
Ele não torce. Ele acredita.
Ele é Grêmio.
Eles são Grêmio para o que der e vencer. Mesmo que não venha, eles vão.
Fanáticos e fantásticos como tantos torcedores de tantos times com mais ou menos conquistas.
Mas os que são tricolores, que são gremistas, que já sofreram com o rival figadal, que já foram fidalgos ou não, esses parecem saber de algumas coisas que não sabemos quando o time deles joga.
Eles sabem que é possível. Podem ter menos time que os rivais. Podem ter menos dinheiro. Menos poder. Menos midia. Menos gente.
Mas eles nunca têm menos torcida. Jamais têm menos fé.
O poder do Grêmio é esse.
Eles mais acreditam que torcem. Eles se acham mais predestinados. Guerreiros. Imortais. Invencíveis.
Claro que eles não são tudo isso.
Mas vá enfrentá-los! Em campo e nos bancos. Nos botecos e nos batuques. Nas bolas e nos papos. Na grama e na fama.
O tricolor não verga. Ele esgrima. Ele Grêmio.
Pode não vencer. Mas ele vai lutar.
É preciso respeitar até quando não se gosta e não se tolera e entende.
É preciso ser um pouco Grêmio para vencer o brasileiro mais uruguaio. Mais argentino. Mais alemão. Mais Grêmio.
É preciso ter um pouco dessa alma de avalanche para atropelar quem estiver pelo caminho.
Você pode não gostar do jeito, do jogo, dos modos, dos meios.
Mas você tem de respeitar essa história. Tem de entender essa glória. Tem de admirar essa gente cujo hino é de um Lupicínio que cantava a dor-de-cotovelo de corações dilacerados e compôs uma letra que poucos clubes têm: não fala de conquistas de galerias de troféus. Fala de sofrimento e encantamento de quem torce. De quem ama. De quem acredita.
De quem é Grêmio antes de ser gente. De gente que é Grêmio antes de ficar e ir a pé onde ele estiver.

De tempos difíceis

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Toda dor passa? Passa, mas deixa cicatriz.

 

Não acredito em dor grande, média ou pequena. Já tive dor de todo tipo, uma danada dor de dente que levou a intervenção no seio da face, uma cirurgia na coluna e, ai que dor! morfina por três dias. Tive dor de parto e de partida, de fratura e contratura, de incompreensão e solidão. Toda dor é simlesmente dor. Material e imaterial.

 

Já tive muita dor de amor e pouca dor de cabeça, sofri a dor da insegurança, das duas faces do ciúme, da indiferença, de maus-tratos e preconceito. Sofri a dor da traição, tanto de amor quanto de amigo, a do desdém, da descrença, da maledicência e do abandono.

 

Agora, levando em conta a tradição céu-terra-inferno, ou a dor passa aqui na terra, ou a gente perde a parada para ela e se joga, não na vida, mas para fora dela. Fica pulando entre inferno e terra, cada vez mais longe do céu.

 

O que fazer? Onde se apoiar? Na comida, na bebida, nos amigos, nos amores, na promessa do céu? Não. O apoio não está longe e muito menos fora. Está dentro. Mas onde? Como deixar irem as crenças embaladas desde o berço? Virar tudo de cabeça para baixo? Aceitar a situação em que o mundo se encontra, vivendo desencontros e desencantos?

 

Não sei. Confesso. Enquanto se está neste lugar de dor, fica tudo turvo, sem sentido.

 

Diz-se que é preciso dar valor a cada dia que costura os viezes da existência, que é preciso ter fé, é preciso meditar, comer bem, malhar, tomar vitaminas e regulador de humor, não descuidar dos afazeres nem dos amigos verdadeiros, aceitar as falhas alheias e as nossas, com uma boa pitada de humor.

 

Será?

 

Freud diz que humor é preciso, porque é o princípio do prazer que combate a crueldade das circunstâncias reais, mas o fato é que a cada dor que passa, outra chega, como se estes tempos estivessem mais inclinados à dor do que ao amor.

 

E então? Qual a saída quando a dor insiste em não dar trégua?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: o ranking de reputação das empresas no Brasil

 

 

São três as variáveis que levam as pessoas a formar a reputação de uma empresa: as ações e o comportamento, ou seja aquilo que ela faz; a comunicação e o marketing, portanto aquilo que ela diz; e o que dizem dela. A afirmação é de Ana Luiza Almeida, da Reputation Institute Brasil, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN, que apresenta o resultado de pesquisa sobre a reputação das empresas brasileiras em 21 setores da economia. A seguir o quadro com as empresas que ficaram no topo de cada setor:

 

Brasil Reputation Pulse 2013

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Marcas de luxo aderem ao e-commerce

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

O e-commerce no segmento do luxo ganha cada vez mais relevância. Hoje, são evidentes e inúmeras as oportunidades para esse mercado na internet. Apesar de ter uma demanda bem maior nos Estados Unidos e Europa, o Brasil vem aumentando sua presença online com diversas marcas nacionais aderindo a esse formato.
Nos Estados Unidos e Europa, grifes como Ralph Lauren, Tiffany&Co., Louis Vuitton, Gucci, Prada, Armani e outras, há alguns anos, aderiram ao comércio eletrônico e vêm obtendo êxito. A Ralph Lauren, além do mercado americano, já possui loja online em nove países da Europa, Japão e, em breve, atenderá também a Coréia.

 

No Brasil, o e-commerce se amplia em segmentos como moda e acessórios, decoração e homeware. A Trousseau, especializada em homeware, por exemplo, tem mix de produtos oferecidos na internet que apresenta o mesmo requinte de suas lojas físicas. Pode-se comprar desde um sabonete à sua luxuosa linha de lençóis em algodão egípcio. A renomada boutique Mares Guia, loja multimarcas que reúne moda feminina de grifes de luxo, também possui ambiente de compras online, onde pode-se encontrar peças como saias, casacos ou, até mesmo, vestidos para festas.

 

A Boutique Daslu, um ícone no segmento do luxo no Brasil, desde os tempos áureos sob o comando de Eliana Tranchesi já apostava no comércio digital. Sua loja online disponibiliza itens da Daslu Casa, linha de homeware da grife, além de peças de roupa feminina, masculina, teen e bebê. De olho no público masculino, a grife Sergio K. também tem na internet peças-chave de suas coleções, como as cobiçadas pólos, camisas e sapatos da grife.

 

No site da dinamarquesa Bang&Olufsen, referência na produção de televisores, sistemas de som, caixas acústicas e produtos multimídia pode-se encontrar produtos como aparelhos de som, caixas acústicas e acessórios da marca. Admiradoras dos icônicos sapatos da grife Schutz também podem vivenciar experiências adquirindo seus produtos online. Sapatos, sandálias e bolsas estão entre os itens comercializados ali. Já o segmento de joias não ficou de fora. Grifes exclusivas como Silvia Furmanovich, Jack Vartanian e Carla Amorim também proporcionam a seus clientes online algumas peças de suas coleções.

 

O segmento de beleza e cosméticos é fortemente presente na internet. A Sephora, maior rede de produtos de beleza do mundo e que desde 2010 adquiriu o portal brasileiro Sacks, aposta na venda de produtos de beleza das melhores e mais desejadas marcas do mundo, como Chanel, Dior, Salvatore Ferragamo e outras, além de uma marca própria, a Sephora Collection. Também forte no segmento, o website ShopLuxo, que pertence à rede de lojas Suil, composta por Calèche, Vent Vert e Suil Parfumerie, aposta na venda de cosméticos de grifes desejadas.
Com uma proposta mais exclusiva, o site Umimo tem foco no mercado do luxo e premium, e une elegância e beleza com produtos de marcas prestigiosas. A prestigiosa grife Chanel já está no e-commerce brasileiro, disponibilizando a seus clientes itens de sua linha de beleza, como maquiagens, perfumes masculinos e femininos, esmaltes e outros.

 

O e-commerce de luxo no Brasil recebeu, em agosto deste ano, uma grife tentadora: a francesa Louis Vuitton, uma das mais desejadas e copiadas do mundo. Disponível para todo o país, a loja online da grife oferece produtos das linhas feminina e masculina de desejados acessórios, como suas icônicas bolsas, malas de viagem, óculos, cintos, lenços, relógios e sapatos. A LV online é uma forma de atender a seus consumidores residentes de cidades que ainda não possuem loja física da marca, além de poderem comprar produtos, por exemplo, para presentear alguém, o que online certamente lhes proporcionará uma economia de tempo. Afinal, ter tempo tornou-se um dos principais objetos de luxo do mundo contemporâneo.

 

Muitas marcas de luxo temiam que a venda pela internet afetasse sua aura de exclusividade, além de certo receio em provocar uma possível banalização das mesmas. No entanto, existe uma demanda do próprio consumidor pelos endereços eletrônicos das marcas de luxo. Para as marcas o maior desafio é, no mundo digital, oferecer a seu consumidor todo o luxo e experiência de compra já oferecidas em suas lojas físicas. É imprescindível investir em tecnologia, logística e uma comunicação eficaz entre a loja online e seu cliente. Um layout simples e elegante aliado a um atendimento de qualidade e agilidade de entrega certamente colaborarão para o sucesso da marca na internet. Os produtos de luxo já trazem em si o alto valor agregado, porém a percepção deste também é fortalecida no momento de experiência da compra. Vale lembrar que muitos consumidores utilizam a loja digital para se atualizar das novidades e conhecer peças de coleções novas, podendo decidir efetuar a compra pela internet ou até mesmo ir a uma loja da grife.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O seguro morreu de velho

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O meu pai, seu Aldo, como preferia ser chamado, comprou o seu primeiro carro em 1937. Como nasci em 1935, não posso dizer que lembro desse automóvel. Conheci-o em fotografias, lamentavemente desaparecidas na poeira do tempo. Tenho uma vaga ideia de que o carrinho, com os seus dois cilindros, recusou-se a subir uma lomba em uma estrada de terra. Faltou-lhe força. A Segunda Guerra estava por começar quando papai trocou o DKW por um Chevrolet 1939, zero quilômetro, importado, como todos os automóveis daquela época, dos Estados Unidos. Desse tenho, até hoje,boas lembranças fotográficas, guardadas com saudade. Em uma dela, apareço já grandinho, junto com minha irmã, sentada sobre o capô.

 

Não sei qual era a quilometragem do Chevrolet quando o meu pai decidiu o colocar na garagem da nossa casa, sobre quatro cavaletes. Houve que preferisse usar o que chamavam de gasogênio, uma traquitana danada que substitua a escassa gasolina. Já o motor do carro do meu pai era ligado seguidamente a fim de evitar que sofresse danos com a longa paralisação. O meu querido velho acreditava piamente que, ao final da guerra, o preço dos automóveis não fosse subir. Mas aumentou de maneira considerável. Não tenho a mínima ideia de quanto obteve com a venda precipitada do Chevrolet.

 

O Citroën, terceiro carro do meu pai, veio da França, de navio. Era para ser negro brilhante. Aliás, como os primeiros Ford, nunca se viu um Citroën que não fosse, originalmente, preto. O revendedor da marca, explicou que a mão definitiva de tinta seria dada tão pronto o produto desembarcasse em Porto Alegre. Isso acabou caindo no esquecimento. Fosse hoje em dia e, no mínimo, a revenda iria se incomodar com o PROCON. Pintura à parte, o Citroën foi o primeiro automóvel que dirigi. Papai o adquiriu quando eu estava internado no Colégio São Tiago, em Farroupilha, na Serra gaúcha. Fui surpreendido com a visita do meus pais que foram me apresentar o francesinho. Ele acabou sendo o meu primeiro carro, depois de passar vinte anos na casa paterna. O seu Aldo o vendeu para mim em um negócio de pai para filho, isto é, sem juros. Precisei reformá-lo de cima para baixo. Saiu caro.

 

Após o Citroën, o meu pai passou a trocar de carro com mais frequência. Teve uma coleção de Fucas. O último, um 1966, quem herdou foi o meu caçula, o Christian. Hoje,ele tem um Fusca apetrechadíssimo. Já eu, sempre que papai comprava um Fusca zero km, ficava com o usado. E era um excelente negócio. Todos tinham baixa quilometragem. Só não consigo recordar a partir de qual automóvel passei a fazer seguro. A propósito de seguro-auto, fiz todo o intróito que se viu acima (se é que alguém enfrentou tal sacrifício), vou relatar a surpresa que tive ao renovar, faz uma semana, o do meu Beetle.

 

Depois de saber qual o preço do seguro, o moço do BB, que me ligou para acertar a renovação, disse-me que eu teria direito, em saídas noturnas, se houvesse ingerido bebida alcoólica ou, simplesmente, não estivesse disposto a dirigir, bastava ligar para determinado número de telefone para pedir que um táxi me buscasse. Tratava-se de um serviço gratuito, uma cortesia inesperada. Aí, o moço do Banco do Brasil lembrou-se de perguntar o ano do meu nascimento. Disse-lhe que era 1935. O rapaz ficou sem jeito e titubeou ao tentar explicar que, lamentavelmente, a cortesia valia somente para quem tivesse até 70 anos. Minha primeira reação foi dar uma risada. Desliguei o telefone e cai em mim. Por que será que pessoas com mais de 70 anos são discriminadas pela seguradora? Creio que os mais idosos teriam, inclusive, mais direito de se valer da “cortesia”.