Dos meandros da ação política

 

Por Nei Alberto Pies
professor e ativista de direitos humanos

 

Não somos anjos em voo vindos do céu,
mas pessoas comuns que amam de verdade.
Pessoas que querem um mundo mais verdadeiro,
pe“ssoas que unidas o mudarão”.
(Gente, de A. Valsiglio/Cheope/Marati).

 

Em uma recente sessão ordinária ocorrida na Câmara de Vereadores de Passo Fundo, ocorreu uma discussão inusitada sobre como fazer política entre os Nobres Edis: por consciência ou por demagogia. Este tema nos oportuniza uma importante reflexão sobre a ação política, da qual todos e todas fazemos parte.

 

Muitos de nós gostaríamos que os políticos fossem anjos. Se assim fosse, estaríamos imunizados de todas as situações e oportunidades que não promovem o bem comum e a prática da bondade. Mas os políticos, assim como cada um de nós, não são anjos e sim humanos, também não perfeitos. A política não é um espaço para a ação de anjos, mas espaço de disputa dos mais diferentes interesses que estão em jogo na sociedade. A disputa destes interesses é legítima, desde que os mesmos estejam sempre bem explicitados, para que todos saibam o que move os políticos quando se propõem a representar os interesses da população.
As contradições no exercício do poder estão sempre presentes nos movimentos que operam a política. Os políticos posicionam-se a partir das conjunturas e contextos de cada momento, das articulações e negociações que são possíveis para aprovar os projetos que estão em pauta, das forças sociais que estão mobilizadas em cada momento histórico. É natural que joguem com seus interesses pessoais, mas é inaceitável, numa democracia, que estes se sobreponham aos interesses coletivos.

 

As agremiações partidárias (partidos) expressam e materializam os projetos de sociedade que estão em disputa nas cidades de nosso país. Estes projetos traduzem-se em propostas concretas de como governar, de como construir as políticas públicas, de como distribuir a renda, de como construir oportunidades de desenvolvimento das nossas cidades e da própria nação. Os interesses pessoais e a defesa de projetos coletivos andam “sempre juntos e misturados” e traduzem-se em diferentes conseqüências. É preciso, no entanto, sempre contemporizar as posições e atitudes pessoais dos políticos com os projetos que os mesmos representam, observadas as circunstâncias e as intencionalidades em que ambas acontecem.

 

Os nossos políticos não representam a si próprios, mas representam interesses em disputa na sociedade. Talvez fosse mesmo melhor sermos governados por anjos, seres sobrenaturais imunes a qualquer interesse mundano. Como não é possível, cabe a cada um e cada uma avaliar o projeto com o qual cada um dos nossos representantes está comprometido. O compromisso com a vida humana, com a sociedade, com o bem comum e com as virtudes é o bem maior que deve ser resguardado, pelos políticos e pela gente.

Empresa paga 14º salário para quem lê um livro por mês

 

 

Encontrei no blog “Acertos de Contas”, da Giane Guerra, no ClicRBS, este caso interessante de empresa que transforma em salário o prazer da leitura de seus funcionários. A rede de concessionárias Cometa, com sede em Cáceres, no Mato Grosso, paga 14º salário no ano para o colaborador que ler um livro por mês. A ideia é aprimorar o conhecimento e capacitar o profissional, o que resultará em benefício para a qualidade do serviço prestado e aumento de vendas. Muitas vezes a literatura é proposta pelos próprios gestores que priorizam temas que passam pela formação de liderança, gestão, relações interpessoais e publicações sobre a área de atuação do negócio. Para contar pontos e concorrer ao salário extra, o colaborador deve ler os livros da biblioteca da empresa, além de apresentar uma ficha de leitura sobre a obra.

 

“Na área de vendas, é possível perceber a relação entre o nível de leitura e a quantidade de vendas. Já na área administrativa, é perceptível que os funcionários estão mais qualificados, no contato com os clientes”, disse o presidente do grupo Cometa, Cristinei Melo.

De tenho saudade de mim

 

Por Maria Lucia Solla

 

Detalhes

 

Nunca pensei que um dia eu diria isso. Na verdade acho que é a primeira vez que sinto saudade de mim, mas é o que estou sentindo agora. Agorinha. Vai ver até já faz tempo que essa saudade anda por aqui, e eu é que não percebia. Não distinguia.

 

É uma saudade inebriante que tira o chão, puxa rédeas que a gente imagina ter seguras nas mãos. Pois certamente não as temos, e se quiser saber, acho que nem existem, as tais rédeas. Nem as rédeas, e quem sabe, nem as mãos. Só barras imaginárias que retardam a caminhada. Às vezes se abre uma brecha e a gente passa, mas se não passa, o tempo passa.

 

Vou trazer essa saudade de mim, mais a admiração e a saudade que sinto dos meus filhos, confessando sempre minha gratidão pelo tanto que aprendo com eles, trazendo de volta meu segundo texto neste blog, em dezessete de junho de dois mil e sete.

 

“De música e família

 

Olá,

 

Fui passar o final de semana na casa do meu filho, no extremo sul de Minas Gerais. Ele mora com a família, no topo de uma montanha cercada de vales, de outras montanhas e da natureza toda, com a qual convivem respeitosa e agradecidamente.

 

Sempre aprendo, e aprendo muito lá.

 

No final da tarde de sexta-feira estava lendo, tranqüila na sala, quando comecei a ouvir meu filho no banheiro, administrando um de sete, um de cinco e uma de três, no banho. O resultado era um quarteto afinado, composto de uma só família de instrumentos que emitiam sons completamente diferentes.

 

Ouvi de gritos de Tarzan a choro, e risadas de quase perder o fôlego. Às vezes meu filho, o primeiro violino, conseguia um solo surpreendentemente calmo e equilibrado, mas era por pouco tempo porque os outros instrumentos se atiravam literalmente em cena. Os movimentos da peça eram inesperados e surpreendentes. Tinham começado hesitantes, na entrada do banheiro, num adagio ma non troppo, e crescido até chegarem ao allegro. Tudo indicava que haveria um segundo movimento, mas não demorou para que quebrassem todas as regras e ziguezagueassem entre extremos.

 

Sem aviso prévio nem sutil indicação, um ou outro instrumento se retirava do conjunto, por espaços de tempo descompassados, e o andamento continuava surpreendendo. Havia ais, havia uis, havia sai daí que agora é minha vez, e olha ele pai! E eu, de camarote, sorria, me deliciando. Lavou bem a orelha filho? Ai pai, meu olho! Enxuga bem no meio dos dedos. Deixa eu ver atrás da orelha. Ai!

 

Quando estavam todos vestidos e cheirosos, meu filho pediu para eu secar os cabelos da criançada, e plugou o secador na tomada ao lado do sofá onde eu tinha sentado para ler.

 

Terminada a tarefa, dei graças aos céus por serem só três cabecinhas molhadas. Era o meu limite. Os cabelos da pequena, além de longos, finos e loiros, são cacheados. Bastaria um deslize para que eu perdesse pontos preciosos da sua confiança.

 

Entrei no quarteto, no meio de nova execução, quando fui à saleta de televisão onde se acomodavam todos para ver um filme, mas não demorou para eu perceber que a melodia resultante era bem diferente da que eu ouvira antes, vinda do banheiro. Saí de cena para testar e percebi que a melodia recobrava a harmonia original.

 

Tomei então a decisão de conter meu instrumento. De hoje em diante vou tocar mais baixinho, acompanhando mais do que solando. Quem tem ensaiado junto todos os dias, ano após ano, tem maestria do conjunto. Eu não. Sei que toco bem, sem falsa modéstia, mas no conjunto, sem ensaio, faço apenas o que posso, de improviso, no momento da apresentação.

 

Nunca tinha olhado para nós mesmos, através dessa lente. Gostei. Não posso dizer que vejo mais, mas seguramente vejo melhor.

 

Quem disse que vovós e vovôs não ouvem e não veem bem?”

 

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: nossa camisa tem de vestir corpo, coração e alma

 

Santos 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro (SP)

 

O caro e raro leitor que me acompanha neste blog e teve a oportunidade de ler minha coluna na revista Época São Paulo, que está nas bancas neste fim de semana – o que o tornará ainda mais raro – sabe que a dediquei à relação dos jovens com o futebol que me parece cada vez mais distante. Falei da dificuldade que foi para levar meus meninos a torcerem pelo meu time de coração, tendo ambos nascido e morado longe de Porto Alegre. Diferentemente de mim, criado e batizado nos campos de futebol, em especial no estádio Olímpico, quintal de minha casa, eles já pegaram esta época em que ir ao jogo é um comportamento de risco. Por isso, me contento em saber que são gremistas mesmo que não conservem a mesma alucinação que eu (o que de certo ponto é uma boa notícia).

 

Por conhecer o comportamento ‘low profile’ deles com o futebol e o Grêmio é que me surpreendi com a atitude dessa tarde de sábado, quando abandonaram os atrativos jogos online, no computador, para sentarem ao meu lado no sofá e assistirem ao Grêmio, na televisão. O mais velho até trouxe uma bacia de pipocas pronta para tornar o programa mais interessante. E realmente estava, graças a postura gremista em campo, com marcação firme, toque de bola preciso e chegada forte ao ataque. O gol logo cedo nos deixou entusiasmados pela velocidade com que os atacantes se movimentaram a ponto de deixarem Vargas sozinho dentro da área com a tarefa de concluir a jogada. Meu entusiasmo – e o deles – não foi até o fim do primeiro tempo quando a equipe já dava sinais de que estava satisfeita com o placar e não conseguia mais impor o mesmo ritmo na partida. Antes mesmo do intervalo, os dois já estavam dormindo ao meu lado. E assim ficaram praticamente até o fim. Nem a pipoca programada para o segundo tempo os tirou desse estado. Preferi não acordá-los, não estava valendo a pena mesmo.

 

Além da torcida dos meninos, o Grêmio desperdiçou excelente oportunidade de largar com vantagem nestas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, e abriu mão de dois pontos fora de casa importantes para quem pretende disputar o título. Bem verdade que a velha estratégia de vencer em casa e empatar fora ainda funciona nos campeonatos de pontos corridos. Temos visto, ainda, a ascensão de Vargas, cada dia melhor no ataque. E, mais uma vez, mostrou que tem talento para vencer. O que incomoda é que transforma esta qualidade em arrogância. Também confunde sentimentos, faz da necessária tranquilidade antídoto da raça, quando ambos têm de jogar juntos. Parece, às vezes, haver um sanguessuga a consumir nossa alma no vestiário. E nós apaixonados sabemos que esta camisa tricolor não é para vestir apenas corpo, tem de vestir coração e alma.

 

Mundo Corporativo: como construir rede de franquias

 

 

Antes de começar o negócio, Jae Ho Lee já tinha o modelo de negócio: queria ser franqueador. Entendia ser um sistema “muito aderente ao mercado brasileiro” e parece não estar arrependido da escolha que fez. CEO do Grupo Ornatus, Jae Ho Lee, mantém sete marcas nos segmentos de acessórios femininos e alimentação, com mais de 280 lojas, no Brasil, e prestes a lançar-se no mercado de Portugal e Estados Unidos. Nesta entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, o executivo fala de estratégias que devem ser adotadas para o crescimento da rede de franquias e os cuidados que os empreendedores devem ter ao entrar neste segmento. Lee conta ainda algumas curiosidades sobre o trabalho que desenvolve na empresa, desde a abertura da primeira loja de alimentação, na década de 1990. Hoje a Ornatus é responsável pelas marcas Morana e Balonè, referências em acessórios femininos; e Jin Jin Wok, Jin Jin Sushi, MySandwich e Little Tokyo, no segmento de alimentação; e esta à frente, também, da rede Love Brands, que trabalha com multimarcas.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Você, também, pode discutir os temas propostos no grupo Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin.

Conte Sua História de SP: a gaita de fole paulistana

 

Por Cybele Meyer
Ouvinte-internauta da CBN

 

Nasci em São Paulo por opção própria.
Achou estranho?
Então vou lhe contar como tudo aconteceu:

 

Meus avós maternos vinham frequentemente a São Paulo na década de 50. Meu avô tinha fazenda de café em Martinópolis e vinha negociar em São Paulo. Habitualmente, ficava no Hotel Fasano com minha avó que não perdia uma única oportunidade de desfrutar das iguarias servidas no restaurante do hotel. Como sua vinda ficava cada vez mais habitual resolveu comprar um apartamento em São Paulo, na Rua Augusta, para que pudessem, inclusive, receber visitas com mais liberdade.

 

Ouça este texto que foi ao ar no Conte Sua História de Sp da CBN e sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Minha mãe, que já era casada nesta época e morava em Mandaguari, no norte do Paraná, sempre, ao saber que minha avó estava em São Paulo, vinha visitá-la e aproveitava para passear sob a garoa das tardes paulistanas. Sua loja preferida era a Sears, na Paulista, que tinha como lema “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, uma das primeiras iniciativas de marketing. Adorava andar de bonde e aproveitava que o bonde 5 passava pela Bela Vista, bem em frente ao prédio de três andares da minha avó.

 

Em fevereiro de 1955, minha mãe grávida de mim de oito mês, veio passar o Carnaval em São Paulo. Apesar do meu nascimento estar previsto para março, não desperdicei a oportunidade e às 2h05 do dia 16 de fevereiro, terça-feira de Carnaval, na casa da minha avó, na esquina da Rua Augusta com a Dona Antônia de Queiroz, eu nasci não dando tempo nem da minha mãe ir para o hospital.

 

Por isso digo que sou paulistana por opção.

 

Quando tinha 4 anos meus pais se mudaram para Santos e todos os fins de semana íamos para São Paulo passear. Nosso lugar preferido era o Ginásio do Ibirapuera, pois sempre tinha grandes atrações. Íamos na UD – Utilidades Domésticas, Salão do Automóvel, Salão da Criança. Assisti a inúmeras apresentações do Holiday on Ice, Circo de Moscou, Disney on Parade e outros.
Quando não havia nenhum show novo íamos ao Comodoro Cinerama, na Rua São João, pois o filme era projetado em uma tela com uma enorme curvatura  e trazia em destaque ao lado do título a referência – “formato 70 mm”. Devido ao meu tamanho pequeno tinha a impressão de estar participando das cenas. Era o máximo! 

 

Eu estudava no Colégio “Imaculado Coração de Maria” em Santos e tocava na banda da escola. Em 1970 o colégio comprou oito gaitas de fole também conhecidas por gaitas escocesas e eu fui uma das que optaram por este instrumento. Para nos ensinar a tocar veio a Santos o sargento Fernando Werneck Teixeira, do corpo de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro. No ano seguinte, em 24 de outubro, o Colégio participou do Concurso Nacional de Bandas e Fanfarras, em São Paulo. Desci o Vale do Anhangabaú tocando Asa Branca e, na sequência, o Hino da Escócia. Concorremos com 104 bandas e fomos campeãs. Assistindo estava o governador Laudo Natel que anunciou o Colégio Coração de Maria campeão nacional de 1971, e nos entregou o troféu Comendador Siqueira. Ao retornarmos a Santos desfilamos pelas avenidas da praia em um caminhão do Corpo de Bombeiros.  O colégio ainda ganhou o diploma de “Amigos da Marinha de Guerra do Brasil.”. Pura honra e emoção!

 

Hoje, sou educadora e moro em Indaiatuba, há 90 km de São Paulo. Não há uma só semana que não esteja na cidade participando de eventos, feiras, simpósios, reuniões, Congressos ou mesmo encontrando amigos queridos que moram na capital, nos reunindo nos  inúmeros barzinhos, restaurantes ou casas de chás. Também não perco os espetáculos teatrais, exposições, Mostras e shows que São Paulo oferece.

 

Assim como São Paulo não para nunca, eu, como exemplar paulistana, compartilho do mesmo bordão, pois estou em constante movimento.

 


Conte a sua história de São Paulo em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa. Agende uma entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande um texto para milton@cbn.com.br.

Triste dia em que as telefônicas inventaram o call center

 

Por Milton Jung

 

No “Tô de saco cheio”,que li neste blog na última segunda-feira,o Mílton se queixava da TIM. E com inteira razão. Essa empresa andava cobrando-lhe dívida inexistente,eis que ele jamais foi assinante dessa telefônica. Lembrei-me do tempo em que,aqui no Rio Grande do Sul,éramos atendidos por uma concessionária apenas:a Companhia Telefônica Nacional,que somente não atuava em Pelotas e Capão do Leão,servidas pela CTMR. A CTN,mais tarde,foi encampada durante o governo de Leonel Brizola e passou a se chamar CRT – Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações,que foi a primeira companhia telefônica brasileira a ser privatizada.

 

Fiz o intróito para justificar o que vou contar a seguir e que faz parte das lembranças que ainda guardo na cabeça desde a minha mais tenra infância. Nunca esqueci,por exemplo,o número do telefone da casa paterna: telefone da casa paterna:35-11. Esse ganhou depois um acréscimo. Virou 2-35-11. Em Caxias,onde nasci,os aparelhos telefônicos ainda não haviam adquirido um mínimo de modernidade. Eram bem diferentes dos atuais. Em em armazém, que ficava pouco adiante da casa do meu avô, cujo funcionamento sequer me atrevo a explicar. Demorava-se muito para completar uma ligação,ainda mais quando se tratava de fazer contato com Porto Alegre. Seja lá como fossem as traquitanas telefônicas da época,ao recordar-me delas, sinto muita saudade. A gente era feliz e não sabia.

 

Por que sinto saudade delas? Ah,naquele tempo não se sabia que,em um triste dia,as empresas telefônicas inventariam os famigerados “call centers”. Após a criação dessas pragas,acordam a gente de manhã cedo,interrompem a nossa sesta,deixam-nos furibundos e nem sempre temos o “prazer” de ouvir, do outro lado,uma pessoa querendo nos vender um serviço da sua empresa,mas umas ligação robótica,com voz masculina ou feminina.

 

Aqui em casa,temos sido assediados pela Oi, que assinamos,várias vezes a cada dia. Não faz muito,ligavam dizendo que falar da “central de provedores” e que iriam trocar o nosso modem. Os caras que nos contatavam tiveram o peito de fazer um telefonema após outro,obrigando-nos a deixar o telefone fora do gancho. Quem possui celular também sofre com “torpedos” enviados por suas concessionárias com ofertas variadas de produtos e de serviços. Nossa privacidade vem sendo, sempre mais, invadida por telefonemas indesejáveis de toda espécie.

 

Não deixem de ler,todas as segundas-feiras,o “Tô de saco cheio”,criado pelo Mílton Jung. Ele aceita colaborações.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Afim de um programa no feriado?

 

Por Dora Estevam

 

O feriado prolongado, como este de Corpus Christi, é grande oportunidade para se assistir àqueles shows que nunca temos tempo. E muita gente gosta de aproveitar esta folga para se atualizar com as diversas opções culturais da cidade: teatro, cinema, exposições e música para todos os públicos. Por isso, passei os olhos na agenda e destaco para você algumas das sugestões que mais me agradaram, em São Paulo.

 

 

Vamos começar com música erudita. Alondra de la Parra, maestrina mexicana, comanda a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo na execução da Sinfonia nº7 em lá maior, opus 92, do compositor alemão Ludwig van Beethoven e o poema sinfônico Paraísos Artificiais, do português Luís maria da Costa de Freitas Branco. É na Sala São Paulo, praça Julio Prestes, 16 – Luz, domingo, 11 horas, entrada franca.

 

 

Tem, também, muita música popular. Laércio Ilhabela, violonista, compositor, arranjador e intérprete, se apresenta no Memorial da América Latina. O show Violão ao pôr do sol mescla ritmos como bossa nova, choro, caipira, flamenco espanhol e a música clássica – representando a musica de vanguarda brasileira. O violonista vem acompanhado do Quinteto de Cordas e no repertório algumas pérolas de composições consagradas como João Pernambuco, Som de Carrilhões; Paulinho Nogueira, Bachianinha nº1. É no dia 31, quinta-feira, às 21 horas, entrada franca.

 

 

No cinema, além dos filmes em circuito nacional, há opções atraentes também em lugares bem legais como o MIS – Museu da Imagem e do Som, que traz a Caixa de Cinema, uma invenção inspirada no encontro das antigas jukebox musicais com as cabines de foto 3×4. A ideia é fazer o público relembrar ou conhecer uma grande cena de cinema. O espectador escolhe uma cena, entra na cabine e a assiste como se estivesse numa pequena sala de cinema, semelhante às antigas salas francesas. Na programação o visitante poderá assistir ao O Mágico de Óz; A bela da tarde; A Ciência dos Sonhos e a atuação do incrível David Bowie em Labirinto, de 1986. Tudo de graça. O MIS fica na Avenida Europa, 158

 

 

Na Pinacoteca do Estado de São Paulo, a atração fica por conta da mostra Santa Fabíola, reconhecida como protetora das mulheres com casamentos infelizes. O artista belga Francis Alÿs conta a história de uma mulher romana, canonizada no ano 547 em razão de seu trabalho de caridade aos doentes e pobres, tendo fundado em Roma o primeiro hospital cristão, público e gratuito em todo o Ocidente. A mostra apresenta uma série de imagens de uma mulher coberta por um véu vermelho, expostas parecem ser todas iguais, mas o público se surpreende ao chegar perto. Os trabalhos foram confeccionados com materiais bordados, esmaltes, sementes e grãos de feijão. A Pinacoteca está na Praça da Luz, 2. Vá lá conferir!

 

Desculpe-me se falei apenas de São Paulo, mas é por aqui que estarei neste feriado. Uma busca nas agendas culturais da sua cidade certamente oferecerá excelentes opções para o feriado.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung.

Brasileirão teima em não entrar na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Essa gente que dirige o futebol é realmente coerente. Quando se trata de organização, métodos, processos e tecnologia, são todos do passado. Envelhecidos até na idade, o que neste caso é um problema, porque ao seu envelhecimento cresce simultaneamente o envilecimento. Ao mesmo tempo, quando a oportunidade de altos investimentos se apresenta, como no caso de novos estádios, surge uma surpreendente modernidade celebrada por unanimidade entre o futebol e a política. O início do campeonato brasileiro de futebol e a pesquisa com os atuais jogadores de futebol ilustram estas coerências tão incoerentes dessa tribo de “velhos” que manda no futebol.

 

Aficionado do futebol e partícipe da moda, a comparação entre estes setores me é inevitável. Em qualquer parte do mundo, o mundo da moda celebra o lançamento das coleções, mais do que o sucesso final delas, como o momento supremo desta atividade que exalta antes de tudo a criatividade e o talento. No futebol brasileiro isto não faz sentido. Muito pelo contrário, só se festeja no final e se ignora o lançamento. Por insegurança, ou pura ignorância, não sabemos. O mais provável é que ambos expliquem o que foi feito até então. Ainda mais porque este ano agregou-se o espírito de “vira-latas”. A cúpula da CBF e seus convidados abandonaram a primeira rodada do Brasileirão para assistir à final da Liga dos Campeões da Europa em Londres. Colonialismo puro!

 

Esta mesma CBF, auxiliada pela FIFA, ignorou o estádio do Morumbi para abertura da COPA. É justamente o estádio que, em recente pesquisa com os jogadores, é apontado como o preferido pelos atletas. Esta é a outra face da coerência pela modernidade de todos estes dirigentes. De clubes, de federações e de confederações. Tudo pelo maior gasto. Onde surgem números inexplicáveis, como os 350 milhões privados gastos na arena do Grêmio comparados aos 800 milhões públicos previstos para o estádio do Corinthians. E a arena gaúcha é bem maior que a corintiana.

 

Em plena época da espetacularização, o grande espetáculo do Brasileirão 2013 foi coerente a estas incoerências. O único ganhador fora da primeira rodada deu 44 passes errados, e foi impedido de levar a sua torcida por falha do mandante, que levou a própria para se auto digladiar. Enquanto no novo Mané Garrincha o também novo recorde de renda passava distante do subserviente Santos, que de R$ 7 milhões ficara com R$ 800 mil.

 

O nosso futebol está numa fria, mas parece que Nero vem aí.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Pais idosos

 

Por Julio Tannus

 

Cada vez mais a idade média da população aumenta. E surgem várias questões. Entre elas: os filhos tem obrigação de cuidar dos pais idosos?

 

Para responder a esta pergunta nada melhor do que o Estatuto do Idoso, em alguns artigos específicos:

 

Art. 1º. É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.
Art. 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
Art. 37º. O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada.
Art. 43º. As medidas de proteção ao idoso são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I – por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II – por falta, omissão ou abuso da família, curador ou entidade de atendimento;
III – em razão de sua condição pessoal.
Art. 45º. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 43, o Ministério Público ou o Poder Judiciário, a requerimento daquele, poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:
I – encaminhamento à família ou curador, mediante termo de responsabilidade;
II – orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III – requisição para tratamento de sua saúde, em regime ambulatorial, hospitalar ou domiciliar;
IV – inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a usuários dependentes de drogas lícitas ou ilícitas, ao próprio idoso ou à pessoa de sua convivência que lhe cause perturbação;
V – abrigo em entidade;
VI – abrigo temporário.

 

À medida que crescemos e que os nossos pais envelhecem, os papéis dentro da família acabam por se inverterem: os mais velhos tornam-se cada vez mais dependentes dos mais novos. Ainda assim, estima-se que 85% da população idosa quer continuar a viver na sua própria casa.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung