Os urubus paulistanos vão pousar no cinema

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Urubu

 

Poucos momentos são tão incômodos para mim quanto o que aguardamos, sentados na poltrona do avião, a torre de controle autorizar a decolagem. As portas já estão fechadas, o avião saiu do lugar, mas não partiu. A ordem de desligar o celular ou o tablet aborta qualquer chance de disfarçar a ansiedade com uma das operações mais arriscadas do vôo. Não sei se você sabe, mas boa parte dos acidentes acontece na aproximação dos aeroportos, quando o avião está subindo ou descendo. Não lembro nunca de pegar um livro de papel que seria a salvação nesta hora, e o digital está lá no iPad com suas páginas fechadas. Nem sempre gosto das revistas amassadas que estão disponíveis no encosto da poltrona da frente, mas acabo sempre recorrendo a estas depois que meu restrito elenco de orações se encerra.

 

Foi nesta situação, para disfaçar, que comecei a folhear a edição “TAM nas Nuvens” que tem o artista plástico Tunga na capa. Lá dentro me deparei com a reportagem com o cineasta Peter Greenaway, que participou recentemente do ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, em São Paulo. O inglês, que vem investindo em experimentos no cinema, conta à repórter Adriana Carvalho que tem em mente a ideia de fazer um filme de vampiro, tendo como cenário a cidade de São Paulo. Achei curiosa a inteção, pois a capital paulista não costuma ser protagonista de filmes estrangeiros e, mesmo que os vampiros estivessem à solta por nossas avenidas, seria boa oportunidade de mostrar São Paulo ao mundo. Foi, então, que descobri o que motivava Greenaway: “a inspiração veio de uma visita que fiz à cidade há cerca de dez anos. Fiquei hospedado em um hotel muito luxuoso e ao olhar pela janela do quarto, vi urubus e pensei nessas criaturas como vampiros”. O diretor explica que, para ele, os vampiros são as mulheres que não sugam o sangue, mas consomem a energia dos homens pelo sexo.

 

Fiz questão de olhar pela janelinha do avião e prestar atenção no entorno, pois sei que os urubus costumam ser um estorvo para os pilotos, e métodos rudimentares, como a explosão de foguetes, são usados pelos administradores para espantar os bichos que rondam o local. E se estão lá não é por se identificarem com os aviões, mas devido ao lixo acumulado nas áreas próximas, fonte de sua alimentação. Aliás, a população de urubu na capital não tem outro motivo a não ser a sujeira, restos de comida e carcaça de animal à vontade no ambiente urbano. É possível encontrá-los sobrevoando as árvores do Parque do Ibirapeura, por exemplo.

 

Soube por um administrador de um dos hospitais da zona Sul de São Paulo que ele foi obrigado a contratar pessoal especializado para espantar os bichanos do teto do prédio. Não que eles causassem algum risco à higiene mas todas as vezes que sobrevoavam diante da janela dos pacientes provocavam um tremendo constrangimento. Apesar de transmitirem imagem de mau-agouro, os urubus não trazem azar, ao contrário, ajudam a cidade ao limpar a sujeira que nós espalhamos.

 

Agora, só nos resta esperar os urubus paulistanos estrelarem no cinema internacional.

Palmeiras e a arrancada histórica, há 70 anos

 

José Renato Santiago
www.memoriafutebol.com.br

 

Manhã de 20 de setembro de 1942.

 

Dentro de alguns instantes Palestra de São Paulo e São Paulo se enfrentariam em partida decisiva para o título do campeonato paulista daquele ano. Pelo menos era o que indicava a tabela da competição.

 

O Palestra de São Paulo tinha assumido este nome de forma oficial em 27 de março daquele ano uma vez que um decreto de lei assinada pelo presidente Getúlio Vargas, em janeiro, proibira o uso de termos e denominações referentes as nações inimigas.

 

Sendo assim caiu o nome o Palestra Itália em favor do Palestra de São Paulo. Ainda assim o nome continuou sendo visto com restrições, sobretudo pelos rivais, que usavam de argumentos, supostamente, patrióticos para denegrir o Palestra.

 

Foram muitas as pressões políticas, até mesmo com ameaças de perda de seu patrimônio e retirada imediata do campeonato em disputa, que, aliás, liderava. Diante disso, as vésperas da partida decisiva frente ao São Paulo, no dia 14 de setembro, em uma reunião tensa, os dirigentes palestrinos decidiram mudar novamente o nome da equipe.

 

A história diz que por sugestão do jornalista Ary Silva, foi escolhido o nome Palmeiras. Para a torcida: “…seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões…”.

 

Conforme o grande Oberdan confidenciou anos atrás em entrevista, a equipe palestrina estava hospedada em uma chácara em Poá, concentrada para a partida, quando os jogadores foram informados que “…Palestra acabou, agora somos Sociedade Esportiva Palmeiras…”.

 

Sendo assim, embora oficialmente na tabela ainda fosse o Palestra de São Paulo, foi o Palmeiras que entrou em campo em 20 de setembro de 1942.

 

Conduzindo uma bandeira brasileira, sob o comando do capitão do Exército Adalberto Mendes, os jogadores entraram no gramado do Pacaembu para fazer, e porque não dizer, começar uma nova história.
O técnico Del Debbio escalou o novo Palmeiras com Oberdan, Junqueira e Begliomini; Zezé Procópio, Og e Del Nero; Cláudio, Valdemar, Villadoniga, Lima e Etchevarrieta.

 

Coube a Cláudio Cristovam de Pinho ser autor do primeiro gol do Palmeiras, uma enorme ironia, uma vez que ele seria um dos maiores ídolos justamente do maior rival, o Corinthians.

 

A história do Palmeiras começou com uma convincente vitória por 3 a 1 frente ao São Paulo, cuja equipe abandonou o campo logo após marcação de penalidade.

 

Em poucos dias, um novo nome e o título de campeão.

 

Nas arquibancadas, uma faixa: “Morreu líder e nasceu campeão!”…
…e um episódio que entrou para a história como “A Arrancada Heroica”.

Até a Santa Inveja foi roubada

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Muitos moradores de grandes cidades possuíam santa inveja dos que habitavam as pequenas. Viver em metrópoles tem lá suas vantagens, quem não sabe. Seria ocioso citá-las. Elas, no entanto, enfrentam, hoje em dia, alguns problemas que tendem a crescer. Um deles é o trânsito cada vez mais movimentado e, consequentemente, complicado. Até as classes menos favorecidas conseguem, hoje em dia, por força do alongamento dos prazos de pagamento, possuir veículo próprio, tanto os chamados “carros de passeio”(detesto essa expressão) quanto os usados para outras utilidades. Problema bem maior do que os motoristas enfrentam no trânsito, por pior que esse seja, diz respeito à falta de segurança. Afinal, é uma carência que, não faz muito, afetava mais os habitantes de cidades grandes. Já os moradores de cidadezinhas do interior – isso justifica o que chamei de santa inveja que temos dos interioranos – viviam tranquilos, sem medo de qualquer tipo de violência. Roubos ou furtos eram raríssimos. Assaltos a bancos, então, somente eram vistos no cinema.

 

Os – como sempre diz o Mílton – caros e raros leitores dos meus quintafeirinos textos talvez se perguntem por que digitei “possuiam santa inveja” na primeira linha do parágrafo inicial. Ocorre que a tranquilidade em que viviam, no Rio Grande do Sul, os moradores dos pequenos municípios, já não existe mais. Não sei, por exemplo, se aí em São Paulo os assaltos a bancos são tão rotineiros quanto se tornaram aqui. Estou postando estas linhas, como de hábito, numa terça-feira. É bem possível que a relação de crimes da citada espécie já seja mais ampla do que a elencada pelo jornal Zero Hora em suas edições dos dias 17 e 18 do corrente mês.

 

O primeiro do ano foi levado a cabo no dia 21 de janeiro, em Triunfo. Nesse, um policial morreu e outro foi baleado, numa ação contra o Banco do Brasil. Foram visitados também por facínoras os municípios de Ipê, Sapucaia do Sul, Santa Maria, Caxias do Sul, Canoas (duas vezes), Tapes, Dom Feliciano, Uruguaiana, Bento Gonçalves, Feliz, São Francisco de Paula, Torres, Picada Café, Tio Hugo e Nova Bassano. Algumas das cidades citadas, saliente-se, não podem mais ser consideradas pequenas. No último dessa estatística, que dispensa adjetivo – o décimo oitavo de 2012 – os bandidos utilizaram explosivos para detonar terminal de autoatendimento do Banco do Brasil, a instituição mais visada pelas quadrilhas, em Fagundes Varela.

 

A Polícia Civil e a Brigada Militar (a nossa PM),fazem das tripas coração para coibir esse tipo de crime que, muitas vezes, começa com o roubo de um carro em Porto Alegre. É fácil para os bandidos, entretanto, praticarem seus roubos, em especial, nos municípios menores, nos quais os efetivos policiais são pequenos, embora, repito, o atrevimento dos quadrilheiros não poupe, também, cidades mais populosas. Imaginei que, um dia, ao deixar de trabalhar, poderia estender até fins de março minha estada em Tramadai, praia marítima gaúcha, onde parte da família veraneia. Nessa, porém, se não há assaltantes que usam explosivos, existem gatunos oportunistas, sempre dispostos a invadir as casas de veranistas até mesmo quando esses estão presentes.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Apple, a crítica e o “UAU”

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A expectativa para o lançamento do iPhone 5 da Apple não decepcionou. A atenção foi grande, mas a recepção pela crítica especializada foi diferente dos bons tempos de Steve Jobs. A revista Wired avaliou o iPhone 5 como “completamente incrível e totalmente tedioso”, e considerou que agora na Apple “revolução se torna evolução”. O Wall Street Journal intitulou assim o artigo sobre o aparelho: “O iPhone 5 é entediante?”. A revista Veja usou a frase da Wired: “evolução sem revolução”, que a atribuiu aos corredores da Apple.

 

Tim Cook, o substituto de Jobs, ao optar por uma cenografia semelhante a do antecessor, com direito a jeans e camiseta preta, ainda que focado na melhoria do produto, estratégia básica da Apple, foi lida como um evolucionista e não um revolucionário pelos jornalistas do ramo. Uma das raras interpretações diferenciadas foi de Ronaldo Lemos, colunista da Folha, que associou o sistema da Apple similar ao da Moda, ao acelerar a obsolescência e estabelecer faixas de preços hierárquicas, como alta costura, prêt-à-porter e fast fashion, na medida em que baixou os preços dos produtos já existentes.

 

Com a certeza de que a ausência de Steve Jobs não deveria ser sentida agora, pois empresas inteligentes possuem planos para no mínimo cinco anos, busquei a opinião de quem entende de Apple.
Sergio Miranda, jornalista e editor da Mac+. Ele também crê que a ausência de Jobs poderá ser sentida somente depois deste período. Ao mesmo tempo em que lembra a pressão da mídia procurando antecipar as novidades, tendo chegado às vésperas do lançamento sabendo praticamente tudo o que seria mostrado. Daí a impressão de tédio ou falta de emoção. O “UAU” não veio. Miranda registra que já era de Steve a orientação para o produto, pois considerava que o consumidor não sabia o que queria. Por isso na sua volta à Apple procurou centrar a atenção em poucos produtos e lançar novidades depois de exaurir em qualidade e aplicação os existentes. Ainda segundo Miranda, há novidades previstas planejadas por Jobs, tanto em termos de hardware como de software para os próximos quatro anos, porque um já se foi.

 

A verdade é que ontem as informações reais sobre a reação do mercado consumidor atestam a assertiva da Apple e contestam a dos especialistas. Tal qual no cinema, na moda e em muitas outras áreas. Os filmes dos críticos não dão bilheteria, a preferência dos estilistas não vende para o grande público. Foram encomendados dois milhões de iPhones 5 em 24 horas, batendo todos os recordes anteriores.

 

O “UAU” veio. De quem interessa.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Onde está nossa segurança?

 

Por Julio Tannus

 

Nem sempre uma matéria jornalística consegue cobrir a realidade total dos fatos.

 

Neste último domingo, dia 16/09/12, o jornal Folha de S. Paulo publica em sua primeira página a matéria “Revista elege 30 praças para relaxar, malhar e esperar a primavera”. E inclui na lista a Praça Pôr do Sol (Praça Cel. Fernandes Pinheiro) no bairro de Alto de Pinheiros. Não pude me esquivar de rememorar a epopeia minha e de minha família nesse local.

 

Moramos, eu e família, de 1973 a 1986, na Rua Haiti no Jardim Paulista. Uma rua bucólica, totalmente habitada por residências, até que começaram a derrubar casas e construir edifícios. Fui um dos “últimos moicanos”. Assediado insistentemente por corretores, só faltava minha casa para viabilizar a construção de um edifício. Eu resistia e argumentava que compramos a casa para morar e não para comercializar. Até que não houve mais jeito. Vendi a casa e mudamos para Alto de Pinheiros, em uma casa em frente à Praça do Pôr do Sol.

 

No primeiro domingo lá, cerca das 21 horas, ouvi um barulho e me dirigi à sacada em frente à praça. E vejo a seguinte cena: um homem apontando um revólver na cabeça de um jovem, e atirando em seguida. De súbito, minha reação foi correr imediatamente para a porta a fim de socorrer o jovem. E aí me dou conta da minha imprudência. Volto, entro em contato com a polícia que, ao chegar, verifica que o jovem está morto.

 

Sento frente ao computador e redijo uma carta endereçada aos moradores. Distribuo cerca de 150 cópias convocando-os para uma reunião em minha residência. Resultado: fundamos a Associação Amigos da Região da Praça do Pôr do Sol.

 

A Praça, até então chamada por alguns de Praça dos Namorados, era um verdadeiro paraíso durante o dia, com exceção da presença de um carro, que ficava estacionado junto a um telefone público. Com o tempo, descobri que se tratava de um traficante de drogas que ficava aguardando pedidos de compra. Durante à noite era um inferno; dezenas de carros estacionados, em cujo interior ficavam casais namorando. E, nas calçadas, traficantes vendendo drogas e aficionados se drogando. A algazarra era tanta que eu passava várias noites “em vigília”.

 

A partir de um determinado momento passei a procurar meios para solucionar essa situação. Prefeitura, Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana, CET-Companhia de Engenharia de Tráfego. Cheguei a levantar fundos entre os moradores a fim de cercarmos a Praça. Nada feito. Segundo a Prefeitura, seria necessário transformá-la em Parque, e para isso só com a aprovação da Câmara Municipal.

 

Consegui me reunir com o Presidente do CET para a colocação de placas com “proibido estacionar”, e fui atendido. Só que a situação continuou a mesma, pois ninguém obedecia à sinalização e não havia nenhum policiamento para coibir a desobediência.

 

Então nossa reivindicação (moradores, escolas, paróquia) passou a ser “um posto da polícia na Praça”. Tivemos uma reunião na própria Secretaria, mas resultou em vão.

 

Cansado de tanto tentar sem resultado, resolvemos (apesar de ser contrário) contratar um esquema de segurança particular, com viatura percorrendo 24 horas a vizinhança da Praça. Todos em casa, ao chegar à noite, ligávamos para a viatura que ficava nos aguardando na porta de entrada para nos garantir um mínimo de segurança. Para minha casa em particular, contratei um sistema de segurança com a Siemens, que incluía, além de cerca elétrica, uma comunicação permanente com a central.

 

Resolvi também recorrer à imprensa. Em um domingo à tarde, juntamente com uma jornalista, fomos à residência do então Secretário de Segurança Pública. Ao chegar, coincidentemente, o próprio Secretário estava chegando com a família. Sua mulher, ao tomar conhecimento, nos disse “nem aos domingos vocês nos dão descanso!”. Ao que a jornalista retrucou “e os bandidos nos dão sossego aos domingos, dondoca?”.

 

Passei a noite de sábado, 27/02/2004, para domingo, com repórteres do jornal Diário de S. Paulo, na minha residência. Na segunda-feira, dia 1/03/2004, sai a seguinte reportagem na primeira página do jornal:

 

“Veja como o tráfico age em praça de bairro nobre”, com a foto de um carro da PM e traficantes vendendo drogas.

 

Nessa mesma segunda-feira, à noite, uma coronel da PM toca a campainha de casa. E me diz “por que o senhor está denegrindo nossa corporação? Qual a sua fonte na imprensa?” E eu respondo “por que a senhora ao invés de nos propiciar segurança vem me ameaçar?”.

 

No fim dessa semana, viajei com minha mulher para Ilha Bela. Na época o celular não tinha sinal na Ilha. No domingo à noite, ao chegarmos à balsa, havia vários recados no celular, alertando que nossa casa tinha sido assaltada. Espalharam todas as nossas roupas, derrubaram muros, etc. Chamei a polícia científica e verificaram que foi “coisa de profissional”. Não localizaram nenhuma impressão digital.
Para finalizar: vendemos a casa e mudamos para um apartamento. E, no início deste ano de 2012, a três edifícios do nosso, houve um arrastão.

 

Onde está nossa segurança!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: um abraço monumental

 

Flamengo 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

 

Abraço ao Olimpico from Fuca79 on Vimeo.

 

Acabo de assistir a mais um capítulo de FDP, seriado da HBO que tem um juiz de futebol no centro da trama, e mais uma vez o Grêmio é lembrado no roteiro de José Roberto Torero. Dia desses apareceu nossa torcida em sua avalanche e hoje um dos alunos, ao ser perguntado para que time torcia, disse que era gremista, único clube fora do eixo Rio-São Paulo a ser citado na sala de aula. As referências ao Imortal Tricolor apenas reproduzem na tela a percepção que temos do Grêmio na vida real, e a mobilização desse sábado, em Porto Alegre, confirma nosso sentimento. Na comemoração dos 109 anos, reunimos cerca de 25 mil torcedores, de acordo com informações do site Gremio.net, para dar um abraço no Olímpico Monumental, estádio do qual nos despediremos este ano. E o abraço foi muito além das expectativas, pois para um dia sem futebol no gramado, nossa torcida mostrou sua força ao comparecer em número que é mais do que o dobro da média de pessoas que têm visto os jogos do Campeonato Brasileiro. Não pude estar lá, mas a família esteve bem representada pelo Christian, Vitória e Fernando que fizeram questão de compartilhar conosco o vídeo acima.

 

Antes do seriado da HBO, assisti ao Grêmio enfrentar o Flamengo e empatar partida na qual tínhamos todas as oportunidades para vencer e encostar nos líderes, preparando o bote final à liderança. Fizemos um golaço após troca de passe que deixou clara a qualidade técnica de alguns de nossos jogadores e nosso potencial. E deixamos de fazer muito mais porque, às vezes, tenho a impressão de que falta uma fagulha para acender a alma de cada um dos que estão em campo. Aquela chama que o torcedor é capaz de provocar quando invade o Olímpico Monumental. Também não quero ficar aqui cobrando de uma equipe que tem se mantido em posição privilegiada nesta competição há muitas e muitas rodadas. Mesmo porque – e já escrevi sobre isso na edição anterior da Avalanche – temos de ter muita paciência para darmos o passo (ou seria o passe?) na hora certa, atingirmos o topo na rodada final, no jogo que marcará a real despedida do nosso estádio, na Azenha, quando, então, daremos um abraço monumental, um abraço campeão.

Um luxo que atende pelo nome de João Braga

 

Por Abigail Costa

 

João Braga

 

Era o meu primeiro dia de aula no curso de Gestão do Luxo, na Faap.
Este é o professor de História da Moda. Assim João Braga me foi apresentado.
Suas primeiras palavras: desliguem seus iPads, iPhones; minha aula é diferente. É GLS – giz, lousa e saliva.

 

Logo pensei, ele é diferente!
Com o tempo percebi que João Braga era mais do que isso.
Ele é o luxo em pessoa.
Tem cultura invejável sobre o assunto, e sabe como ninguém passá-la a diante.

 

João é um contador de história, e a faz com maestria.
Lembro-me de sair de suas aulas, terças-feiras, mais pesada, carregada de conhecimento.
Com ele o assunto ganha ainda mais importância.

 

Por meio da história da moda, João demonstra as suas linhas de desenvolvimento, bem como as interações existentes entre a sociedade, a arte, a história e sua multidisciplinaridade. Relaciona os fatos da vida social, econômicos, cultural e política, associando visualidades ao fazer correlação dos acontecimentos com as silhuetas representativas de cada período.

 

As palavras acima são de Vera Lima, museóloga e pesquisadora, que escreve na apresentação do livro “História da Moda – uma narrativa”, publicado por João Braga. Ele ainda lançou Reflexões sobre moda, em quatro volumes – deliciosamente devorados em poucos horas!

 

Aqui não quero apenas dizer que ele é estilista e professor de História da Moda, História da Arte, História da Joalheria, Estética e Cultura de Moda da FAAP, Faculdade Santa Marcelina, IBModa e Casa do Saber. Quero espalhar que João Braga é uma dessas pessoas que passam pela vida da gente como um furacão, cheias de novidades!

 

Tive a oportunidade de fazer um curso de Arte e Moda, guiado por ele, em Paris, recentemente. João já levou centenas de interessados à capital Francesa. Uma cidade que conhece como a palma de sua mão. Ter a sua companhia pelos museus, ateliês de alta costura, restaurantes, passear pelos Jardins de Monet… é uma volta à história. Conheci uma Paris diferente, que se fez única ao lado dele.

 

Simples nas palavras, mestre no conhecimento.
João Braga é uma joia que guardo com muito carinho na lista dos meus luxos pessoais.

 

Termino com uma de suas frases preferidas: “e assim as coisa vão acontecendo…”
Depois de conhecer João Braga as coisas sempre acontecem…. Para melhor!

 


Abigail Costa é jornalista, faz MBA de Gestão de Luxo e escreve no Blog do Mílton Jung

Enviado via iPad

O que você está vestindo?

 

Por Dora Estevam

 

Esta é uma pergunta comum entre as repórteres e fotógrafos de street style. Eles passam o dia perguntando para as pessoas o que elas vestem, como se sentem, quais as marcas prediletas, no que se referem ao compor o look. Enfim, é muito legal e curioso ver os diversos estilos e composições das pessoas, sejam elas do ambiente da moda ou não. Aliás, até quem não está propriamente relacionado com a moda gosta do assunto, tem uma preocupação em estar vestido adequadamente e passar a imagem desejada. Hoje, eu vou mostrar um vídeo e algumas fotos de profissionais que trabalharam na semana de moda de Nova Iorque. As entrevistas aconteceram do lado de fora do evento, na rua mesmo, a diversão está em ver como as pessoas inventam moda.

 

Vem dar uma espiada neste primeiro vídeo da Glamour fashion.

 

 

Outro fotógrafo que consegue captar a atmosfera da moda de rua é Tommy Tom, veja as fotos clicadas durante a Fashion Week NY.

 

 

E já que estamos no clima “do que achou” … vamos dar um pulinho lá dentro do evento e assistir à entrevista do repórter de moda Tim Blanks, da Style.com. Ele entrevistou várias editoras e editores de moda, que avaliaram as coleções. Em resumo, pessoas que sentam na primeira fila do show.

 

 

Agora um pouco da passarela. Vamos assistir a alguns desfiles da semana de moda de NY, na qual o verão 2013 foi a sensação. Pelos olhos da francesa, escritora e fotógrafa de moda Garance Dorè vamos assistir ao desfile da marca Proenza Shouler. As roupas e as produções estão maravilhosas.

 

 

Definitivamente, espetáculo é com a moda. Veja este desfile incrível da marca Anna Sui no qual o colorido e as produções artísticas reinaram. Moda para quem quer ser diferente.

 

 

Para as leitoras mais básicas que gostam do estilo casual (eu) o desfile e a entrevista com a ex-Spice Girl Victoria Beckham. Ela explica a coleção ao som de Oblivion, Grimes.

 

 

Para as leitoras que adoram novidades, os bastidores da marca Tory Burcher, ao fundo o som Bongo Bongo, Manu Chao.

 

 

Coleções super femininas, estilistas importantes, muita moda, tudo para você escolher a sua produção favorita e sair pelas ruas bem à vontade. Agora me fala, qual destes desfiles você gostou mais, ou se viu em outro site, escreva nos dizendo qual a sua marca predileta.

 

Um bom fim de semana

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: como ser feliz no seu trabalho

 

A satisfação no trabalho é uma utopia possível no século 21 e depende muito mais do propósito que você tem no emprego do que do salário. O jornalista Alexandre Teixeira, entrevistado no programa Mundo Corporativo da CBN, diz que “o componente chave é o proposito, é a pessoa saber porque ela faz o que está fazendo, é achar sentido no trabalho; e propósito é coisa mais difícil de encontrar do que , simplesmente, a remuneração no final do mês”. No livro Felicidade S.A, o autor, através de pesquisas e casos corporativos, lembra que é estratégico para as empresas ter trabalhadores satisfeitos pois, neste cenário, há aumento da produtividade, diminuição da rotatividade de funcionários e redução nos investimentos com marketing.

 

Considerando que salário não é tudo, quanto um trabalho precisa ganhar para se sentir feliz? Assista à entrevista, pois falei com Alexandre Teixeira sobre este assunto, também.

 

 

O livro Felicidade SA será lançado, nesta terça-feira (18/09), na Livraria da Vila do Shopping JK/Iguatemi.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, apenas no site da rádio CBN, quando você pode participar por e-mail (mundocorporativo@cbn.com.br) ou pelo Twitter (@jornaldacbn). O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN

Incoerências da política paulistana

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

A nomeação de Marta Suplicy, do PT de São Paulo, para o Ministério da Cultura chamou atenção para algumas das muitas distorções do processo político e eleitoral do Brasil.

 

A saída temporária dela do Senado abre espaço para seu suplente assumir o cargo. Você deve lembra, os candidatos a senador quando concorrem ao cargo têm dois suplentes, muitas vezes quem financia a campanha, um parente mais próximo ou alguém para compor um acordo político. Hoje, no Senado, parte das cadeiras é ocupada por estes senadores sem voto, que lembram os biônicos nomeados durante o Regime Militar.

 

No caso da chapa de Marta, o PT, para ter o apoio do PR de Waldemar da Costa Neto a candidatura de Aloysio Mercadante ao Governo do Estado, em 2010, cedeu a vaga de primeiro suplente para Antonio Carlos Rodrigues, vereador paulistano das antigas e ex-presidente da Câmara Municipal, casa que tocou com mão de ferro. Carlinhos, como é conhecido entre os parceiros, tem 60 dias para assumir o cargo no Senado, portanto pode seguir sua campanha à reeleição, garantir vaga na Câmara Municipal, e depois de levar o voto de parcela do eleitorado paulistano, pedir licença do cargo, fazer as malas e ir para Brasília.

 

Como as coligações partidárias não têm nenhuma coerência, a situação, neste caso, fica ainda mais complicada. Marta antes de deixar o Senado era relatora do projeto de lei que criminaliza a homofobia e defende a legalização do aborto e do casamento gay. Antonio Carlos Rodrigues, seu parceiro de chapa, tem o apoio de alas conservadoras da Igreja Católica, é contrário ao aborto e crítico de projetos como o que autoriza o casamento de homossexuais, a tal ponto que é taxado de homofóbico por ONGs que defendem os direitos dos gays.

 

Quer ver como as coisas podem ficar ainda mais complicadas? Se você ligar a televisão, hoje, vai perceber que no horário eleitoral obrigatório, Antonio Carlos Rodrigues, que virou senador graças aos votos de Marta do PT, aparece no programa de José Serra, do PSDB. Isto porque o presidente do PR Waldemar da Costa Neto, um dos réus do mensalão, decidiu apoiar o tucano, que, por sinal, tem feito críticas aos mensaleiros do PT.

 

Para dar um nó ainda maior na sua cabeça, veja a situação na campanha eleitoral em São Paulo: Haddad do PT critica Russomano do PRB, partido que apoia Dilma do PT, que é defendida por Chalita do PMDB, que diz ser próximo de Alckmin do PSDB, que apoia Serra, que está ao lado do PR, envolvido no Mensalão.

 

E depois de tudo isso você ainda quer que o eleitor seja coerente na hora de votar e eleger seus representantes para a prefeitura e para a Câmara Municipal.