O que não tem remédio, remediado está

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Depois de escrever inúmeros textos em diversas versões do Windows, fui obrigado a passar para o número 10. A Microsoft me deu um ultimato: ou usava a novidade ou os computadores aqui de casa estariam superados e, portanto, tão inúteis quanto as romãs que nasciam atrás do muro dos fundos da casa paterna,isto é, as que roubávamos do vizinho e não tínhamos como saboreá-las:não prestavam para comer. Minha avó,em um caso como o que estou vivendo,prontamente dizia:meu neto,o que não tem remédio,remediado está. Já me dei conta de que este é um caso que não tem remédio. Então…remediado está. O diabo é que o primeiro texto que comecei a escrever para o blog desta quinta-feira,envergonhado por deixar passar uma semana sem dar o ar da minha graça para o Mílton, era,ao mesmo tempo,o primeiro texto que brotaria do Windows 10. Estava chegando à segunda parte quando,ao tentar corrigir uma batida errada no teclado do meu HP e o que eu já escrevera desapareceu como em um passe de mágica do tipo daquele que eu assistia no circo comandado pelo Orlando Orfei,que lembro com saudade.

 

Saudade estou sentindo,igualmente,dos Windows anteriores a este que me obrigaram a utilizar. Não reparem os leitores,se é que tenho algum,para a súbita diminuição das letras. Não encontrei onde as ampliar em nenhum lugar,mesmo depois de ter lido as instruções ou sei lá como chamam o que fica acima do texto. Peço aos deuses dos escritores para que me mantenha escrevendo. Não sei se esses deuses piscam os olhos ou,o que seria bem melhor,fechem completamente os olhos e façam de conta que não viram a minha falha. E ainda pedindo o auxílio dos deuses para que os erros deste vivente sejam desculpados,passo para assuntos imensamente mais sérios.

 

Por falar em seriedade,a dor que sentirá pelo resto de sua vida com a trágica morte do seu jovem filho,agredido que foi por 14 bandidos,4 deles menores de idade. Lembro,se é que nem todos conhecem a triste história,que o pai do menino,que temia festas longe da casa paterna,foi,como era o seu hábito,buscar o garoto ao final da festa. Não adiantou. Os facínoras, só a muito custo foram espantados,não antes de quebrar uma garrafa na cabeça do menino que já estava sentado no carro do pai. Roney Wilson chora e me levou a chorar também,ao dizer aos repórteres que perdeu o seu compnheiro,o seu guardião, culpando-se por não ter conseguido ajudá-lo. O jovem chegou a ser trazido para Porto Alegre,mas não resistiu ao ferimento. No Dia dos Pais,também em Charqueadas,presos fizeram reféns 112 familiares. Por falar no local onde ficou ferido de morte o filho de Roney,o policiamento é precário:um PM pela manhã,outro à noite.

Dia dos pais: “obrigado por suas palavras”

 

Desnecessário tecer aqui a importância de um pai na vida de seus filhos, menos ainda o papel que o meu teve, já que, entre tantas coisas, somos parceiros de blog e, muitas vezes, ele ou eu já escrevemos sobre nossa relação. Toda semana, ou quase toda, ele nos dá o privilégio de escrever suas crônicas por aqui. Nesta, preferiu mandar-me e-mail para agradecer a dedicatória que escrevi no exemplar do livro ‘Comunicar para liderar’ que reservei com carinho para lhe entregar em mãos no último fim de semana, em Porto Alegre. Confesso que, fosse um editor qualquer de blog, talvez não abrisse espaço para publicar apenas uma nota de agradecimento pelo que realizamos, mas esta não é uma nota qualquer nem eu sou apenas o editor deste blog: a nota foi escrita pelo meu pai e, convenhamos, como negar tal pedido às vésperas do Dia dos Pais.

 

Então, vamos lá! Atendendo a pedidos de meu pai, eis o post da semana escrito por ele:

 

“Obrigado por suas palavras”

 

Oi,este texto eu gostaria de ver postado no teu blog desta sexta-feira. O meu texto começa como o teu:

"Sua correção me guiou,
 Sua carreira me inspirou;
 E aqui você encontra um pouco daquilo
 Que aprendi na estrada da comunicação
 Que foi aberta por você.”

Neste obrigado que se lê acima, o Mílton escreveu para mim a sua dedicatória no dia em que ele e sua parceira, Leny Kyrillos, lançaram o livro “Comunicar Para Liderar”. Demorei um pouco – ou,quem sabe,muito – para postar este texto e agradecer a você o elogio feito ao seu “Velho”. Não fiz mais do que minha obrigação de pai,orgulhoso pelo sucesso do seu filho,radialista de escola e também escritor.

Escuto o vento fazendo das árvores bailarinas doidas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Estou escrevendo o texto para o blog do Mílton bem cedo e me atrevo a falar do tempo. É noite. As previsões não pareciam ser melhores do que nos últimos dias.Assim,porém, como os leigos se enganam quando tratam de temperatura e quejandos,os formados neste assunto também, apesar de todas as traquitanas que usam para não perderem a credibilidade. Eles estão prevendo para amanhã,terça-feira,mais chuva. Ouço, aqui da sala do computador,vento forte como um lutador de boxe em plena forma,soprar com o seu característico ruído. Olho para a rua e vejo as árvores se sacudindo feito bailarinas doidas. Há muitos dias,muitos mesmo,a única coisa que se escutava,ultrapassando com o seu som portas e janelas bem fechadas. Chuva no verão,às vezes, quando não vira temporal,é bem-vinda. Somos,no inverno,principalmente no Rio Grande do Sul,castigados pelo frio. Somente as lojas não se queixam. Vendem roupas quentes,as mais caras. Quem detesta calor,diz que prefere as baixas temperaturas. Seja o gosto que o meu leitor – se é que possuo algum – tem,seja o calor ou o frio,duvido que não tema as chuvas invernais (e infernais) do inverno gaúcho.

 

As cidades próximas de Porto Alegre são as que mais sofrem quando rios e córregos,esses pacatos no verão,rompem as suas margens. Alvorada é uma das mais atingidas pelo mau tempo. O tempo ruim mantinha 1,6 mil pessoas fora de suas casas. O Rio Guaíba,que alguns insistem em chamar de lago (jamais aceitarei este neologismo),contribuiu negativamente com a sua água ao sair do seu leito,embora sem exagero. Exagero foi o que ocorreu em lugares mais distantes do Guaíba,tanto que 25,8mil pessoas ficaram flageladas nos últimos dias. Os jornais noticiavam que várias cidades interioranas,tais como Santa Cruz do Sul,Passo Fundo,Erechim,Caxias do Sul e Porto Alegre estavam até esta segunda-feira ameaçadas de serem castigadas por enchentes.Os rios Gravataí,Sinos e Uruguai,costumam subir quando chove em demasia. A Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil solicitam ação imediata para ajudar desabrigados pelas cheias. A sugestão da Regional Sul 3 é que as 18 dioceses do Estado coletem roupas,alimentos e material de higiene,visando a aliviar o sofrimento dos que necessitaram abandonar as suas casas.

 

Olhando-se ou se pensarmos em todas as pessoas sacrificadas,neste ano mais do que em outros tempos,não perderam apenas suas moradias,mas os objetos domésticos que haviam comprado com enormes dificuldades. Faço um exame de consciência e me sinto mal porque reclamo disso e daquilo,queixo-me quando algo não dá certo,se não posso comprar um automóvel zero quilômetro e assim por diante. Temos de agradecer a Deus e a todos os nossos Santos por não estar sofrendo com enchentes ou obrigados a morar em locais fisicamente perigosos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A alarmante estatística de jovens assassinados, em Porto Alegre

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Zero Hora publicou, na última segunda-feira,alarmante estatística. Como nem todos leem jornais diariamente,copiei a manchete com seus números assustadores:

 

Homicídios de crianças e adolescentes crescem 61% na Região Metropolitana

 

Na sua página 5, acrescentou que levantamento de ZH e Diário Gaúcho demonstra que, a cada três dias,um jovem com menos de 18 anos é executado. Foram 50 nos cinco primeiros meses deste ano.

 

Tento imaginar quantas famílias ficaram enlutadas em razão dessa verdadeira carnificina,mas não consigo.Na abertura da matéria dos dois jornais da RBS,há outra informação que lembra qual foi a data da primeira vítima do morticínio em 2015: 1° de janeiro. Michael Wesley Cacildo Alves,de 16 anos,foi ainda baleado e,não bastasse isso,atropelado na Avenida Doutor João Dentice,no mal afamado bairro Restinga. As mortes,claro,não param aí.

 

Outro trágico detalhe:pelo menos,notem bem: os números estampados nos dois jornais indicam que 50 crianças e adolescentes morreram só nos primeiros cinco meses do ano. Trata-se de aumento de 6l,2% em relação às 31 vítimas do mesmo período de 2014. A primeira vítima deste ano,Michael Wesley,era estudante,vivia com a mãe e a irmã,sem nunca se envolver com algo ilícito. Morreu por ter cruzado com integrantes de uma gangue da Restinga. Esse bairro é considerado o mais violento da cidade.Imagino que a polícia,por mais que tente impedir a mortandade na região maldita, não consegue e é superada pelos maus elementos. Prova disso é o número de quadrilhas 20 – conforme levantamento da Brigada Militar.Aliás, autoridades tais como os Secretários de Segurança, chefes de polícia,comandantes da BM, valem-se do que chamam de áreas conflagradas visando a sua incapacidade de produzir resultados positivos para acabar com mortes como a de Brenda (exemplo dado pelos jornais da RBS)que perdeu a vida quando ia a caminho de sua casa.É muito triste que as pessoas tenham de morar na perigosa região da Restinga.

 

É uma pena que não haja estatísticas referentes ao número de menores de 18 anos que integram gangues. Esses “meninos”,muitas vezes,juntam-se aos escolados bandidos com o propósito de aprender a assaltar alunos de colégios como o Protásio Alves,onde estudam várias vítimas desses bandidinhos e dos seus “professores”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O cerco ao parque da Redenção

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Em Porto Alegre há um área imensa – escrevo para quem não é daqui – chamada Redenção. Seu nome falando-se,por exemplo,em teologia,lembra o resgate do gênero humano por Cristo, o ato de soltura de um escravo e mais uma série de sinônimos como purgação e remição,todos tratando de coisas positivas. A nossa Redenção é um parque arborizado,com um auditório no qual se apresentam shows variados,sempre acompanhados por bom público,há um lago piscoso com carpas que encantam adultos e crianças,uma piscina grande, que não é usada e,por muito tempo,um local especial para macaquinhos,que recebiam alimentos servidos pelo público. Embora a Redenção ficasse longe das casas onde morei,volta e meia,levava os meus filhos para que se divertissem ali. Creio que os meus netos,por falta de hábito dos seus pais, nem chegaram a visitar o aprazível local. Já eu,por alguns anos,quando trabalhei em uma agência de propaganda que ficava bem na frente da Redenção – a Standard – aproveitava para visitá-la.

 

Tenho saudade do meu trabalho de redator. Lembro-me que Pedro Pereira, me levou para a Standard.Trabalhávamos na Rádio Guaíba. Saíamos,cada um no seu carro,correndo para a Emissora,nosso segundo emprego.Lamentavelmente,Pedrinho,como ele era chamado por todos os seus conhecidos,adorava correr no autódromo de Tarumã,pista na qual ele nos foi roubado por um terrível acidente entre a sua “carreteira” e a de um corredor rival. Tristezas para lá,volto à Redenção. Quem sabe em um próximo texto para o blog do Mílton,conto essa parte da minha vida como radialista e redator de propaganda.

 

Retorno a um assunto que,faz muito tempo,vem sendo discutido em nossa Porto Alegre:o futuro da Redenção. Está decidido que um plebiscito definirá se a Redenção será ou não cercada por uma grade. Esse plebiscito vai ocorrer juntamente com as eleições municipais. A legislação federal recomenda a coincidência de data a fim de economizar custos operacionais. Vou poupar os leitores,caso esses me deem a honra de passar os olhos pelo meu texto,dos detalhes da história do cercamento que vai provocar, provavelmente,amplas discussões entre os que desejam ver o velho parque cercado de ferro ou aberto como está desde que foi chamado de Redenção.

 

Atualmente,o local,à noite,expõe a quem quiser cruzar por ele que corra ao risco de ser assaltado ou coisa pior do que isso. Seria interessante que algumas providências sejam tomadas pela nossa Prefeitura porque as árvores que embelezam o parque podem matar. Foi o que já se viu com um enorme galho que de podre tombou e matou um cidadão que costumava passear na Redenção.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O rádio onde narrei minhas primeiras partidas de futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Aldo,meu irmão, não faz muito,postou no Facebook a foto do rádio que substituiu o Wells na casa dos meus pais. Esse,produzido nos Estados Unidos,foi o primeiro receptor que conheci. Traz lembranças que,aos poucos,o tempo vai engolindo.

 

Christian, meu filho mais moço,guardou-o com muito carinho. Graças a ele,que adora lidar com antiguidades e coisas do tipo,do alto de uma prateleira,o Wells nos espia. Como funcionava com válvulas e ninguém,creio eu, possui para vender velharias do tipo destas, o rádio,hoje, é apenas motivo de curiosidade dos que visitam a casa na qual o velhíssimo aparelho dorme o sono dos inesquecíveis objetos colecionados pelo meu caprichoso caçula. Não fosse um rádio valvulado que, como já disse,era o que o fazia funcionar em ondas médias e curtas,falta-lhe somente um botão,cuja função não recordo.

 

O Wells Radio não era usado apenas para que se ouvisse música. Na mocidade, os meus avós, que moravam conosco -a vó Luiza e o vô Adolfo – usavam-no para realizar um trabalho interessante: eles controlavam – imagino que para a Rádio Farroupilha,mas posso estar enganado – os comerciais que a emissora punha no ar durante parte do dia. Se não fossem ao ar, os meus avós informavam à emissora, que não podia deixar de veiculá-los. Confesso que não sei quem os contratou, mas ponho a mão no fogo por eles: ouviam a rádio com muita atenção.

 

Já contei isso no blog do Mílton. Permitam-me repetir.A rua onde a gente morava – a 16 de Julho – à certa altura, se reunia com a Zamenhoff. A conjunção se dava bem na frente da casa paterna, por meio de uma pracinha. Bem antes de passar muito tempo ouvindo o Wells, jogávamos no triângulo que unia as duas ruas, todas as espécies de jogos. Bom era que nenhum dos vizinhos reclamava. Aproveitávamos também, ao ficar um pouco mais velhos,a brincar com as meninas,antes mal vistas. Houve até quem namorasse e, bem mais tarde, claro,acabasse casando com uma das moças. A preferida de todos os rapazinhos era a Valderez. Essa acabou casando com um piloto da Força Aérea, nosso vizinho. Ele veio a ser comandante do 5º Distrito da Aeronáutica,em Canoas.

 

Depois dessa digressão,volto ao assunto rádio. Após brincar de locutor nas quermesses da igreja que frequentávamos, na que chamávamos de Voz Alegre da Colina, porque ficava no alto de um morro que, no futuro, seria a nossa paróquia. Foi então que o menino que ouvia rádio desde pequeno, que fazia de conta que transmitia futebol narrando jogos de botão, após descobrir que podia falar por meio de um fone de ouvido acoplado ao Wells. Isso tudo era brincadeira de adolescente.

 

Tudo, porém, mudou rapidamente quando, ouvindo uma rádio nova, que chamava para testes com quem se achasse capaz de ser locutor, arrisquei-me e fiz o teste. Três passaram. Fui um deles. Não imaginava que trabalharia em rádio 60 anos. Talvez pensasse que me eternizaria como Correspondente Renner, narrador de esportes e várias outras funções que exerci durante este mundão de tempo.

 

Quando visito o Christian, não deixo de dar uma boa olhada no Wells Radio para agradecer-lhe por ter, de certa forma, me levado ao Rádio. Não posso esquecer também que minha primeira emissora foi a Canoas. Essa, depois de conseguir licença para instalar uma FM, mudou de nome e virou Rádio Clube Metrópole.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai e, pela história que conta, “culpado” por me fazer gostar tanto de rádio. Toda semana, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Comissão especial aprova redução da maioridade penal para crimes hediondos

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Nossa Presidente e o PT, ultimamente, estão “levando uma fumada”por dia,como se dizia nas  antigas.  Agora, perderam, ao menos parcialmente, a guerra que faziam para evitar a vitória dos defensores na questão da maioridade penal. Unidos, o presidente da Câmara,Eduardo Cunha e o PMDB,conseguiram convencer os que ainda resistiam,querendo que somente dos 18 anos em diante o sujeito fosse considerado maior. Isso acontecerá para quem tiver 16 anos e cometer crimes hediondos (como latrocínio e estupro), homicídio doloso (intencional), lesão corporal grave, seguida ou não de morte, e roubo qualificado. Pelo texto aprovado em comissão especial da Câmara dos Deputados, jovens entre 16 e 18 anos cumprirão a pena em estabelecimento separado dos maiores de 18 anos e dos adolescentes menores de 16 anos. Decisões que ainda precisarão passar pelo plenário da Câmara e do Senado e serem sancionadas pela Presidente antes de virarem lei.

 

Se já estivesse em vigor a diminuição,nos moldes que foi aprovada em comissão, lembro o que vi na televisão nessa quarta-feira. O Datena,cujo programa na Band trata de escabrosos assuntos,pôs o foco nos assassinatos de jovens,em uma cidadezinha do interior de Terezina. As mocinhas, depois de estupradas,eram jogadas em uma pedreira. Uma delas, com ferimentos gravíssimos no rosto e em outras parte do corpo,não resistiu. Imaginem a dor dos familiares dessas mocinhas,principalmente o sofrimento do pai da jovem, que ele acompanhou no hospital até morrer. 

 

Não consigo pensar nas pessoas que defendem a permanência da maioridade penal em 18 anos e,para tal, são padrinhos dos “coitadinhos”,sem dar-se conta de que também podem,mais dia,menos dia,ficar à mercê dos facínoras mirins. Não só esses cometem os mesmos crimes praticados pelos adultos (os de 18 anos para cima),sem dó nem piedade,como descobriram que havia outros meios de ferir e matar. Os bailes “funks”,normalmente um divertimento para pessoas de todas as idades,em especial no interior dos estados,onde o policiamento é precário ou inexistente,transformaram-se em locais escolhidos pelos bandidinhos e os seus “professores”,mais velhos e espertos. Inúmeros desses bailes deixaram famílias órfãs ou pais de filhos que perderam os seus nas brigas pós bailes.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai – o que não significa que ele concorde com as minhas opiniões. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele – o que não significa que eu concorde com as suas opiniões)

Sobre todos os tipos de gananciosos

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

A ganância me impressiona. Trata-se de um sentimento destrutivo, capaz de levar às últimas consequências os melhores propósitos…ou os piores. Há gananciosos de todas as espécies: os que, em nome dela, se vendem por pouco e por muito; os que se fazem de santo para se aproveitar do próximo; os trouxas que a trocam por pouco; os que se dão por sabidos e pensam enganar os tolos; afinal, gente de imensa fortuna ou pessoas que querem enriquecer de uma hora para outra. E daí para a frente ou para trás. A grande maioria dos gananciosos acaba mal. Existem poucos os que se saem bem, mas mesmo esses, se bobeia, imaginam que estejam enganando alguém que, assim como os mal intencionados, não passam de grandes idiotas.E acabam perdendo para os que são mais espertos do que eles.

 

A mídia desses últimos meses está cheio de exemplos sobre todos os tipos de gananciosos. Parece que os mais atuais brotaram do chão como flores do mal. Não há manhã em que o caro leitor não abra os veículos midiáticos para tomar conhecimento dos nomes dos gananciosos do dia,do mês ou do ano. Existem os que exageram e vão mais longe. Fartam-se tomando o dinheiro dos governos, assembleias, câmeras de vereadores ou onde mais existam os espertos, os que pensam serem espertos e os que descobrem como foram idiotas ao aceitar os diversos tipos de angústia que, por exemplo, sacode o Brasil atualmente. Os gananciosos não se assustam. Ouvem falar que um ou vários do tipo estão livres de cair nas mãos de quem se capacita para trancafiá-los, mas não acreditam.

 

Estou escrevendo hoje sobre um parlamentar. Esse se diz iludido por um funcionário, um daqueles que se faz de inocente tão pronto é flagrado cometendo um delito. Quem, por acaso, não leu as reportagens ou viu o “gananciozinho” ser entrevistado pelo famoso programa Fantástico, terá de escutar que o seu assessor foi exonerado do gabinete dele por “mau uso do dinheiro público”. Já o assessor que, por acaso, atende pelo nome de Neuromar Gatto, foi ao Fantástico, e contou que se demitiu, e acusou o parlamentar de extorquir salários de funcionários e um golpe para aumentar o valor da indenização por uso de veículo particular em serviço. O deputado Basegio, defendendo-se, e atacando, afirma que demitiu-o, porque diariamente, realizava mais de 50 telefonemas que não tinham qualquer relação com a Assembleia.

 

Falta muito, entretanto, para o “gato” da nossa assembleia chegar perto do que fizeram os gananciosos da Petrobras.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Barulho no ouvido do vizinho é refresco

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Minha sobrinha Cláudia Tajes resolveu,na última Donna,fazer um texto sobre o barulho. E escolheu como a hora mais silenciosa do dia, a que se situa entre às 12h e 13h. A explicação que ele dá para eleger esta hora como a mais silenciosa do dia aí vai:por que,escreve ela,os operários da obra param a fim de almoçar e oferecem um breve descanso,com isso. Ela entendeu,também que uma obra esteja em construção nas proximidades da sua casa,o que aumenta o barulho.Isso ocorre porque se trata de uma obra gigante,coisa de gente rica.

 

A hora do silêncio passa ligeiro. Tudo o que é bom passa depressa,não é? O ruim é que tão pronto os operários mudam para outro setor da construção,algo pior entra em ação: o especialista começa a operar uma perfuratriz,que arrasa até mesmo os tímpanos de surdos. A Cláudia cita ainda outras fontes dos mais diversos ruídos. O coitado de um Chevette sofre,no dizer dela,produzindo,imagino, um som horroroso. Afinal,nem todos os motoristas possuem carros com alto-falantes poderosos e de som límpido. No Rio de Janeiro você pode descansar os ouvidos com música de qualidade,se é que música em carro com som altíssimo pode ser ouvido sem causar algum mal aos tímpanos.

 

A Claudia se queixa igualmente do menino que estuda guitarra,não lembro se no andar de cima ou onde o capeta busca inspiração para suas músicas. É aí que entram os eletrodomésticos de todos os tipos. Ah!Tem um cara na frente da nossa casa no comando de uma máquina de cortar grama que já viu dias melhores,tamanho é o ronco que produz. Esse desgraçado tem a mania de fazer o seu trabalho aos sábados. Nada pior do que estragarem de alguma forma o soninho que pretendíamos fazer.E chega o domingo. E o torcedor de futebol se acorda. Isso é o de menos:o nosso televisor possui som muito mais do que o dele.

 

Cláudia deve ter esquecido um dos tantos barulhos que recordou neste curto espaço de um dia,principalmente um dia de fim de semana. Esqueceu,porém,o pior:o cachorro do vizinho para quem odeia cães de qualquer raça,sejam os grandalhões,sejam os pequenos ou os diminutos. Fomos premiados com um Pastor que tem mania de latir na garagem. Quando enxerga a nossa gata,enlouquece e se transforma em um Pastor elétrico.Felizmente,entretanto,ela é bem mais esperta do que ele e nos vinga:sabe que o cão não pode atravessar a cerca de ferro e fica tirando sarro do abobado.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O tráfico de drogas e a morte de crianças

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Minhas colunas que,explico,tratavam quase sempre de histórias do meu passado,tanto as da época da adolescência,da juventude,dos casos e peripécias que vivi ou me contaram sobre colegas,essas muita vezes acerca de episódios cômicos,inclusive os com a minha participação,terão um assunto capaz de deixar-me não só preocupado como profundamente entristecido. Refiro-me às mortes de crianças de idades diversas,vitimadas por traficante. Esses bandidos mais do que nunca passaram a se digladiar e cometem todo o tipo de estrepolias:disputam pontos de tráfico de drogas,fazem-se de amigos em um dia e,em outro,dependendo das circunstâncias, transformam-se em inimigos figadais. A partir daí,num ápice,deixam de ser amigos e promovem,como aconteceu na época de veraneio em Tramandaí,um ataque com toda espécie de armas visando a mostrar ao ex-companheiro quem detém o comando da tráfico na região. Nesse episódio,os que enfrentaram aqueles que estavam em uma residência praiana,tinham até um guarda-costas, que era policial e preposto de um Secretário Estadual,cujo nome prefiro não revelar.  

 

De lá para cá tivemos um aumento da violência. A batalha entre as facções criminosas só fizeram aumentar. Há dois bandos disputando os pontos de tráfico. Aqueles que chegaram“ser amigos”depois do ataque à casa de Tramandaí,piorou consideravelmente após o assassinato de Crisitiano Souza da Fonseca,o Teréu. Esse foi morto por asfixia em um dos refeitórios da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (me engana que eu gosto). A cerimônia fúnebre ficou parecendo o enterro,para não exagerar,de um governador ou outra autoridade pública,jamais a de um traficante dos piores que atuavam em Porto Alegre.Foi necessária a presença da Brigada Militar,que monitorou a movimentação dos “enlutados” companheiros de Teréu. Após o assassinato desse, é dw se perguntar como se vingarão os seus ex-sócios (…)

 

A polícia – desculpem o lugar comum – terá de fazer das tripas coração se quiser enfrentar em condições mais próximas das do inimigo que cada vez mais aumenta o seu arsenal mortífero.Não basta somente evitar conflitos de gangues de traficantes,mas superar os malditos em armamentos. Seria ainda mais lamentável se esta disputa por pontos de tráfico matasse crianças com balas perdidas,dentro ou fora de suas casas,como vem acontecendo ultimamente. O Governo do Estado que trate de municiar quem precisa defender o seu bom nome.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)