Aposentados e renegados

 

Por Carlos Magno Gibrail

Da intrínseca cultura brasileira reverenciamos a juventude e renegamos a idade. A começar pela própria. A aposentadoria não poderia encontrar destino melhor do que aquele que vimos ontem, vemos hoje, e certamente, veremos amanhã se não se fizer algo para mudar.

Se as pessoas fossem tomadas como produtos, fato não recomendável, o ciclo de vida provavelmente teria tratamento técnico melhor do que o dos aposentados pelo INSS. O Boston Consulting Group de Harvard estabeleceu quatro etapas dentro do Ciclo de Vida de produtos: Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio. Também chamadas de Criança Prodígio, Estrela, Vaca Leiteira e Abacaxi. A ciência é prolongar a Maturidade alongando a chegada ao Declínio ou, até mesmo, descartando-o e criando diversificações.Este inevitável ciclo, como o da vida das pessoas, exige acompanhamento permanente para adaptação às mudanças do mercado, aqui considerado como meio ambiente.

Matriz_BCG

Entretanto, não é o que tem sido aplicado à vida profissional dos cidadãos brasileiros. Embora, há décadas os aposentados ocupem um proeminente espaço na agenda política nacional.

Collor e FHC postaram medidas a favor da Previdência e, aparentemente, em detrimento dos trabalhadores. Direção que Lula também tomará, quando anuncia veto ao projeto aprovado pela Câmara e que foi votado ontem no Senado. Reajuste acima de 6,14% e fim do fator previdenciário.

O balizamento essencialmente político que tem sido dado aos aposentados tem levado de um lado a uma posição homogênea de quem está no poder e, de outro a um afastamento da técnica, da demografia e principalmente da sociologia.

Há nove meses observávamos que:

“Dos 26,5 milhões de brasileiros aposentados 8,5 milhões ganham acima de um salário mínimo. Não possuem mais força competitiva no mercado de trabalho, que os rejeita. Não recebem reajustes compatíveis na pensão devida pelo Estado, que os discrimina. E são taxados no valor que recebem de aposentadoria pelo Sistema Tributário, que os assalta. Ainda assim são acusados de ameaçar o INSS, como se fossem os responsáveis pela incapacidade atuarial de Governos passados e pela frieza contábil do Governo presente”.

(leia o artigo completo, publicado em 01/07/2009)

Na sexta, o deputado Flavio Dino saiu em defesa dos 8,5 milhões em artigo que elege como justiça social o aumento de 7,7% aprovado pela Câmara e baseado em 80% do PIB de 2008. Acresce ainda que o PIB de 2010 deva crescer pelo menos 6%.

Ontem, o editorial da Folha endossou a posição do economista Fabio Giambiagi, que, há 20 anos, defende mudanças nas regras da Previdência Social propondo equilíbrio contábil e alertando contra as bases numéricas em momentos de economia positiva. A “Bomba demográfica” que intitula o artigo é provavelmente inspirada no livro de Giambiagi: “Demografia, a ameaça invisível”.

Este cenário conturbado fica ainda mais nebuloso quando se introduz a recente opinião dos candidatos Dilma e Serra. Dilma propõe intervenções especificas e momentânea. Serra endossa o que Lula decidir. Ora, Lula já avisou que veta aumentos acima de 6,14%, e a retirada do fator previdenciário. E, assim como nunca neste país, é hora de o jornalismo consciente entrar neste quadro eleitoral e pressionar a posição dos candidatos sem tangenciar para também não renegar os 8,5 milhões de aposentados.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Pauta #cbnsp: Violência traz polícia de volta ao trânsito

 

CBN SPA violência no trânsito e a falta de capacidade da CET de atender todas as ocorrências fizeram o Governo de São Paulo recriar o Comando de Policiamento de Trânsito, oito anos depois de ter sido desativado. Em entrevista ao CBN São Paulo, o comandante Hervando Luis Veloso disse que o aumento da criminalidade levou a retomada dos trabalhos de uma polícia especializada. A PM deverá atuar para permitir melhor fluidez no tráfego segundo o coronel, também.

O advogado José Almeida Sobrinho, professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo, entende que, além de realizar blitz, o CPTran deve combater alguns tipos de irregularidades que não são da competência dos agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego.

O Comando de Policiamento de Trânsito foi desativado durante o governo Geraldo Alckmin (PSDB), em 2002, sob a justificativa de que a PM deveria ter sua atenção voltada ao combate à violência urbana. Quando foi questionado sobre o fato de que a fiscalização ficaria enfraquecida, o ex-governador defendia que todos os policiais incluiriam nas suas funções o controle do trânsito. Foi criticado na época, mas se mostrou irredutível. Hoje, está claro que foi um erro da administração estadual a desativação do CPTran.

Ouça a entrevista do comandante Hervando Veloso

Conheça a opinião do advogado José Almeida Sobrinho

Acompanhe outros destaques da pauta #cbnsp:


Golpe eletrônico –
A polícia investiga “roubo” de créditos da Nota Fiscal Paulista, mas o número de casos é considerado irrisório pela Secretaria Estadual da Fazenda, em São Paulo. De acordo com um dos coordenadores da secretaria Evandro Freire os casos ocorrem apenas com contribuintes que não estão cadastrados e possam ter tido seus dados copiados. Ele explica que apesar das ocorrências a única preocupação do Governo é sobre o modo de operação dos ladrões.

Educação – Mais creches, professores melhores, dinheiro aplicado e ações inclusivas são quatro dos temas apresentados durante discussão sobre o Plano Municipal de Educação que deve orientar as políticas públicas do setor durante os próximos dez anos. Nesta semana, se encerram as reuniões nas subprefeituras e os encontros temáticos, mas o debate seguirá em frente. Após a elaboração das ideias, o Plano será enviado à Câmara Municipal para aprovação dos vereadores. Samantha Neves, do Movimento Nossa São Paulo, falou sobre o resultado deste denate até agora.

Esquina do Esporte –
A demissão do técnico Antonio Carlos Zago é mais uma demonstração da falta de controle do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Beluzzo. Concordam com esta afirmação o comentarista Leonardo Stamillo e o narrador Marcelo Gomez que participaram do debate esportivo, no CBN SP.

Não comento pesquisas

 

Comento, sim.

Então, o porquê do título acima ? Apenas reproduzo o que disseram os dois principais candidatos – que chamamos burocraticamente de pré-candidatos -, Dilma e Serra, sobre o resultado da pesquisa CNI/Sensus, que demonstra empate técnico, apesar do percentual da petista ser maior do que o do tucano.

No Ceará, José Serra sacou do livrinho de bom comportamento a explicação de que manteria postura adotada desde o início, ou seja, não falaria sobre o resultado. No Rio, Dilma Roussef usou do lugar-ainda-mais-comum da política: “pesquisa é uma fotografia do momento”. Não fosse o sorriso maroto daquele que aparece com vantagem, talvez até pudéssemos acreditar neles.

A verdade é que cada novo número divulgado, mesmo que de institutos pouco confiáveis no mercado, provoca um reboliço no quartel general dos candidatos. Seja sob a desconfiança de quem está em baixa seja na satisfação de quem está por cima, os coordenadores de campanha traçam suas estratégias a partir das pesquisas. Trocam roteiros de viagens, remarcam entrevistas que haviam sido deixadas de lado, pedem socorro a conselheiros ou programam factóides para o dia seguinte.

Nas equipes têm especialistas para desmembrar os números e identificar de onde vem a preferência ou a rejeição do eleitorado. Encomendam pesquisas internas com diferentes temas e formatos para chegar a resposta do que o cidadão quer. Preocupam-se de tal maneira que exageram na dose e pasteurizam os discursos e os candidatos. Os programas de governo são a maior prova disso. Leia sem saber quem é o partido e perceberá o que digo.

Tornam-se tão iguais que até mesmo ao comentar as pesquisas assumem o mesmo comportamento: não comentam – ou quase não.

De minha parte, prefiro prestar atenção na linha do tempo bem mais do que o número publicado. Se este nos dá uma fotografia do momento, aquela nos oferece a radiografia do comportamento do eleitor. Por isso, o trabalho que o jornalista José Roberto de Toledo realiza no Estadão é bastante significativo ao combinar os levantamentos feitos pelos principais institutos de pesquisa e apresentar a média das intenções de votos que, após a inclusão dos dados de Sensus e Vox Populi, mostram que Dilma se aproxima de Serra.

Nos próximos dias tem Datafolha a pesar sobre a cabeça dos candidatos (e sobre o emprego de seus assessores) quando poderemos identificar melhor se Dilma chegou para ficar ou Serra assim que voltar à TV descola, mais uma vez.

Seja qual for o resultado, sem comentários – dirão os candidatos.

Tremembé, pioneiro no transporte de São Paulo

 

O alemão Ewald Kruse ficou famoso por oferecer transporte alternativo à Maria Fumaça e foi proprietário de uma das primeiras linhas regulares de auto-ônibus da Capital

SANTANA TREMEMBÉ

Por Adamo Bazani
 
O que o antigo Tremembé, na zona norte de São Paulo, tem a ver com a história dos transportes na cidade? Lá rodavam jardineiras, responderão alguns. Tem razão, mas há um fato ainda mais marcante. O bairro abrigou uma das primeiras linhas regulares de ônibus da cidade.

E para falar da linha Santana-Tremembé, o “Ponto de Ônibus” conta com o apoio do colecionador e historiador Waldemar Correa Stiel, autor de vários livros sobre transporte, que cedeu a rara foto deste veículo que auxiliou no desenvolvimento viário da região norte da capital. O serviço de auto-ônibus no Tremembé foi iniciado e regularizado com este veículo Ford que pertencia a Ewald Kruse.

Nascido na Alemanha, em 1889, Kruse veio para o Brasil jovem. Foi parar no distrito de Tremembé que apesar de distante do centro, atraía imigrantes europeus, pela sua topografia, tranquilidade e o clima, próximo da Serra da Cantareira. Ao mesmo tempo, a região era um desafio para o transporte. Principalmente, para a Jardineira de Kruse.

Vendo o lento crescimento do bairro, mas um com uma visão de que a área seria populosa, o alemão inaugura o primeiro serviço de auto-ônibus da região, e um dos primeiros da cidade, no ano de 1926. Segundo contam familiares dele, as dificuldades para ligar Santana a Tremembé eram grandes e o velho Ford, na verdade um carro adaptado com carroceria artesanal de madeira, atolava quase todo o dia de chuva. O pequeno veículo tinha capacidade para transportar até 12 passageiros. Com as laterais abertas, os dias de chuva eram um martírio, mesmo com as cortininhas.

O serviço de Kruse complementava e, em alguns trechos, concorria com os trens da “Tramway da Cantareira”, conhecido comop “Trenzinho da Cantareira” que começou a operar logo no início do bairro. Sua linha foi inaugurada em 1894 para auxiliar na construção dos reservatórios de água da cidade. A estação de Tremembé era a penúltima antes da Cantareira, onde havia fontes naturais de água. Com a configuração da região em loteamentos, os trens começaram a transportar passageiros.

Vale lembrar que antes mesmo do Trenzinho da Cantareira e do ônibus de Kruse, uma tentativa primitiva de transportes já existia no bairro. Eram os bondes a cavalo de Antônio Pontes Júnior, que levavam passageiros da Ponte Grande, perto do Rio Tietê até Santana. O serviço, precário, não resistiu e seus dois veículos, dois cocheiros e 18 cavalos se aposentaram em maio de 1907.

O bairro do Tremembé, nome que em Tupi Guarani significa brejo, nasceu no fim do século 19 com o desmembramento da fazenda da família Vicente de Azevedo. O local foi divido em glebas de terra para a criação de chácaras. De acordo com levantamento histórico da Prefeitura de São Paulo, a sede da fazenda ficava na área que hoje corresponde a Avenida Nova Cantareira com a Rua Mara Amália Lopes Azevedo. A região era conhecida por Fazendinha.

No início do século 20, a procura por moradias no bairro crescia. Eram portugueses, espanhóis, italianos, mas principalmente alemães. O Tremembé sem dúvida foi um dos grandes núcleos alemães até meados do século 20.

Em 1910, vendo a procura por casas na região, os filhos de Pedro Vicente de Azevedo e Maria Amália Lopes de Azevedo criaram a Cia Villa Albertina de Terrenos, dando início ao loteamento em moldes urbanos. O distrito de Tremembé, constituído oficialmente, em 1890, começava a dar ares de que seria um bairro.

Por isso, Ewald Kruse não perdeu tempo. Ele via um crescimento de demanda de passageiros que não seria atendida pelo Trenzinho da Cantareira, pois este não ia loteamentos a dentro. Flexibilidade na época que só os ônibus poderiam ter, por isso que foram responsáveis pelo desenvolvimento de muitos bairros. A importância desta iniciativa pode ser medida pelo fato de que as primeiras ruas a serem pavimentadas na região foram aquelas pelas quais passavam o ônibus.

O desenvolvimento ao longo do Rio Tietê também fez crescer o bairro. A linha que ligava Santana a Tremembé se expandia e se tornava mais longa. O trenzinho não dava conta da demanda de passageiros e da necessidade de flexibilização dos trajetos. E operou até 1964.

A presença alemã no bairro ainda nos anos 60 era tão grande que, além dos jornais nacionais, circulava pela região o periódico “Notícias Alemãs”. Além de trazer informações do País de origem dos imigrantes, o jornal destacava em uma página dedicada a Memória, os alemães que marcavam o desenvolvimento de Tremembé.

E na edição de 24 de julho de 1966, guardada pelo historiador Waldemar Correa Stiel, o jornal lembrava a façanha pioneira de Ewaldo Kruse: “Naquele tempo, os seus modernos carros Ford eram transformados em veículos para o transporte coletivo e integrados à linha que ligava o bairro de Tremembé a Santana”.

O jornal ironizava o Trenzinho da Cantareira dizendo que ele não era concorrente do ônibus de Kruse, pois os passageiros da jardineira do alemão não precisavam se preocupar com as fagulhas pretas soltadas pela Maria Fumaça.

Nos anos 40, segundo estimativas da Prefeitura na época, a população do Tremembé mais que dobrava. Algumas pequenas fábricas apareciam na região e muitos moradores de Tremembé e loteamentos vizinhos precisavam se deslocar para a região central de São Paulo ou outros municípios para trabalhar. O bairro então foi inserido no programa de reorganização dos transportes municipais, criado pelo prefeito Abrahão Ribeiro, em 1946, ano em que instituiu a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Nesta época, pelo projeto, a CMTC, que havia herdado de Light & Power à operação dos transportes municipais de São Paulo, seria responsável pelos ônibus que ligassem os bairros ao centro e as empresas de ônibus particulares (muitas sucumbiram nesta época) fariam as ligações periféricas bairro a bairro.

Com o Tremembé não foi diferente. Entre os anos de 1948 e 1949 é inaugurada a linha 77 da CMTC, que ia até a região central de São Paulo, mas já passando por um cenário misto: meio rural ainda, com vegetação, chácaras e paisagens e meio urbano, com calçamento, pequenas fábricas e até um pouco de trânsito.

De acordo com o departamento histórico da Associação Nacional das empresas de Transportes Urbanos – NTU, o primeiro ônibus a rodar em São Paulo, foi uma jardineira Saurer, importada da França. Mas o veículo não tinha linhas e horários definidos. Já com Kruse foi diferente. Ele apresentou ao poder público uma solução compromissada, com itinerário fixo, preço e número de viagens.

Muitos outros pequenos investidores – na época não havia grandes empresários de ônibus – se inspiraram em Kruse e também elaboravam seus itinerários e horários.

Certamente, a este imigrante e ao bairro de Tremembé, a cidade de São Paulo deve muito quando se fala em história dos transportes. E Tremembé deve também aos transportes, pois foi a partir do Trenzinho da Cantareira, da jardineira de 1926, passando pela linha 77 da CMTC, que mais pessoas e empresas procuravam o bairro. Devido aos transportes, a infraestrutura, principalmente iluminação e calçamento, chegava mais rapidamente. Dos 96 distritos da cidade, atualmente a região do Tremembé é a quarta em tamanho e uma das maiores em área verde por causa da Serra da Cantareira, apesar de ter crescido e muitas construções terem se instalado no local.

Este texto nasceu de uma pesquisa feita a partir da descoberta da raríssima foto do acervo do historiador Waldemar Correa Stiel e prova que uma imagem vale mais que mil palavras: pode contar.

Adamo Bazani, busólogo, repórter da CBN, e que se ente descobridor de um tesouro quando lhe é entregue uma ligam como esta da jardineira de Kruse

Conte Sua História de São Paulo: Artista capilar e poeta

 

José Ferreira de Carvalho

Foram dois diplomas em Portugal, antes de chegar ao Brasil para abrir seu próprio negócio. Aqui, desenvolveu outra habilidade, a poesia, exercitada nos jardins do Museu do Ipiranga, no bairro em que foi morar, em 1954. O senhor José Ferreira de Carvalho, no depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo, lembra da infância na cidade portuguesa de Vila De Aguiar e fala com orgulho da sua profissão: barbeiro. Perdão, seu José, artista capilar. “E sem frescura” como faz questão de ressaltar.

Ouça a história de José Ferreira de Carvalho, em depoimento sonorizado por Cláudio Antonio

Você também pode contar um capitulo da nossa cidade. Agende uma entrevista no telefone 2144-7150 ou pelo site do Museu da Pessoa.

Pauta #cbnsp: Morte não é da Virada Cultura, diz Kassab

 

CBN SPA morte de um rapaz no centro de São Paulo não está relacionada a Virada Cultural, realizada neste fim de semana, na opinião do prefeito Gilberto Kassab (DEM). O jovem de 17 anos foi esfaqueado e a polícia ainda não sabe precisar o motivo do crime. Ouça a opinião do prefeito que foi ao ar no CBN SP

Acompanhe outros assuntos da pauta #cbnsp:

Virada muda rotina –
O repórter Victor Ferreira da Época SP conta sobre a mudança na rotina de trabalhadores do centro de São Paulo, como os garis, e de moradores de rua, devido a Virada Cultural. Ele e o Camilo Vanucchi estão morando na região para uma reportagem que será publicada na revista e postam no Blog Centroavante. Ouça a nossa conversa.

Fraude na Nota – A conta de contribuintes no site da Nota Fiscal Eletrônica foi fraudada e os créditos “roubados”. A Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo admite que o desvio tenha ocorrido, mas não deu nenhuma explicação sobre o assunto. Ouça a reportagem.


Protesto na M’Boi Mirim –
Manifestação de moradores da zona sul de São Paulo torna ainda mais complicada o trânsito da estrada do M’Boi Mirim, nesta manhã. As soluções apresentadas pela prefeitura até agora não surtiram efeito. Acompanhe a reportagem da Pétria Chaves.

Esquina do Esporte –
São Paulo e Santos não deveriam ter se poupado nesta rodada de fim de semana pelo Campeonato Brasileiro, na opinião de Deva Pascovicci e Mário Marra. Ouça nosso bate-papo sobre o futebol.

Epoca SP na CBN – Ana Fridmann está entre os destaques da música nesta segunda-feira, em São Paulo. E o Rodrigo Pereira traz duas dicas de bar e restaurante.

Pauta #cbnsp: Anistia ou licença provisória ?

 

CBN SPO prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que anistia ampla, geral e irrestrita é imperdoável. O vereador Dalto Silvano (PSDB) fala que uma coisa não tem a ver com a outra. Cândido Malta e Lucila Lacreta, urbanistas, alertam para risco de se beneficiar comerciantes que se aproveitam da falta de fiscalização.

A discussão, no ar desde sexta-feira, no CBN São Paulo, é sobre projeto de lei que pretende criar uma espécie de licença provisória para imóveis comerciais que não tenham obtido autorização de funcionamento da prefeitura. Há casos de estabelecimentos que estão irregulares e outros em que a administração municipal se mostra incapaz de dar uma solução para o caso.

O projeto de lei pode entrar em votação a qualquer momento. Semana passada não houve acordo e, por isso, a dicussão foi adiada.

Aqui, você acompanha a justificativa do vereador Dalton Silvano que pensa em “beneficiar comerciante que fica à merce da municipalidade”

Ouça a entrevista com Cândido Malta que pede tratamento diferente para pequenos e grandes comerciantes

Lucia Lacreta teme que licença provisória se transforme em permanente

“Campanha está nas ruas”, diz ministro do TSE

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

O relator das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral para o pleito deste ano, Ministro Arnaldo Versiani, afirmou na sexta-feira anterior (07.05.2010), considerar normal que a campanha eleitoral “já esteja nas ruas”, ainda que somente em julho esta ocorra “na forma da lei”. Segundo o magistrado, “A verdade é que a campanha já está nas ruas, até com a aparição de pré-candidatos. Eu, sinceramente, sou do ponto de vista de que a propaganda deveria ser permitida, e até ser estendida. O período eleitoral propriamente dito, após 5 de julho, talvez seja muito curto”, afirmou. Versiani também manifestou que “Quanto mais propaganda, quanto mais a gente pudesse conhecer os candidatos, melhor seria”.

O dedicado Ministro do TSE está absolutamente correto. A legislação pune com multa quem viola a lei, antes a partir de R$ 20.000,00, de outubro de 2009 para cá, a contar de R$ 5.000,00, podendo chegar a mais que isto. Todavia, diante de outras questões de maior relevância, isto se revela um absurdo, uma verdadeira anacronia. Uma maneira objetiva e racional para evitar deboches, inclusive por autoridades da República, seria antecipar a propaganda a partir da desincompatibilização de abril. Afinal, quem se desincompatibiliza (dos cargos), quer concorrer na eleição.

O mais contemporâneo, o mais sensato, o mais lógico, seria estabelecer ainda mais liberdade com relação ao tempo, pois os eleitores manifestam suas convicções colocando adesivos em seus carros, cedendo muros, fazendo eventos particulares, etc. Logo, estas punições que ocupam a maior parte do tempo dos Tribunais Eleitorais, inclusive do TSE, são líricas e descompassadas, não traduzindo a realidade democrática do país. Propagandas pessoais ou de mandatos não significam, necessariamente, propaganda eleitoral. A legislação eleitoral necessita ser atualizada e aperfeiçoada, arejada seria melhor. A legislação vigente é míope e hipócrita na medida em que estabelece um imenso rol de punições para propagandas tidas como extemporâneas (antes do prazo) mas não traz conceitos essenciais tais como de caixa 2 ou abuso de poder econômico.

Se a lei eleitoral, assim como as demais que vigoram no país, tem como finalidade “harmonizar relações sociais”, que esta que vigora atualmente sofra uma atualização para punir quem se elege comprando voto com distribuição de tijolos, camisinhas de vênus, de consultas médicas, fretes, promessas de empregos públicos para famílias inteiras, etc, ao invés de punir o Vereador que manda confeccionar tabelas de Copa do Mundo ou adesivos com o seu nome. Se a campanha (ou pré-campanha) está nas ruas em pleno mês de maio, se as pessoas comentam o que lêem sobre os pretendes dos cargos eletivos nos sites e jornais, isto é bom, salvo para aqueles “líderes políticos” (muitos com mandatos eletivos) que apreciam (alguns inclusive usando camisetas, bandeiras e sites) “modelos” de liberdade de expressão e comunicação como da Venezuela, Cuba, China e outros cafundós dominados por “libertários democratas”.

Eleição é hábito de povo livre e leis devem reproduzir esta situação.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Virada Cultural e os moradores de rua

 

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Virada Cultural em São Paulo

O Teatro Municipal também é muito conhecido por abrigar em suas escadarias dezenas de mendigos em dias normais. Nesta Virada Cultural transformou-se em Ilha da Fantasia, com dezenas de pessoas saudáveis deitadas na florestinha fictícia montada pela Prefeitura, algumas lendo. Bem que Mão de Onça e Mister M tentaram se enturmar. Foram abordados por agentes municipais com as seguintes palavras: “ Não levem a mal não, fiquem daquele lado ali.”Os dois moram próximo ao Km15 da Raposo, debaixo de uma passarela.

Com Ângelo Negão e seus quatro cachorros foi a mesma coisa.

Virada Cultural em São Paulo

Fabrício e Tonhão protestaram contra o barulho no Largo do Paissandú , na noite da Virada: “Os mendigos não dormiram de sábado para domingo, por causa do barulho, foi um inferno só. Chegamos da Sé agora, lá foi a mesma coisa. Todos os irmãozinhos reclamando. A cabeça tá zuuuuuuum.

Virada Cultural em São Paulo

Seu menino, não tem essa não, morador de rua, maloqueiro e mendigo, tão todos no mesmo barco, não tem diferença nenhuma. É claro que ninguém vai chegar aqui e dizer: ‘Oi mendigo’! As pessoas têm vergonha. Nóia e mendigo, aí sim tem diferença. O verdadeiro mendigo é humilde, come o que é dado, não achaca, não se mistura, não gosta de nóia. Essa gente queima o filme. Quase todo mundo gosta de mendigo. Tem um ricão que vira e mexe, passa aqui. Ele mesmo falou. O dia  que não encontra um mendigo para dar esmola, fica até doente. Espera aí,  na Sé o BO foi outro, ninguém explicou direito. A briga foi pelo dinheiro. É que os fiéis, os turistas estavam dando mais moeda pros mendigos do que pra igreja. Já imaginou o prejuízo?”