Aproveito para desejar-lhe um feliz Ano Novo

 

Por Mílton Jung

 

 

Estou de volta à casa onde escrevi meu primeiro livro, na cidade americana de Ridgefield, em Connecticut, e, por coincidência, sentado, enquanto redijo este post, praticamente no mesmo espaço que ocupei naquelas férias de meio de ano, em 2004. Algumas coisas mudaram desde lá, a começar pela própria casa, ainda mais confortável, com ambientes ampliados e a cozinha deslocada mais para o fundo em uma peça redesenhada em estilo toscano. O tempo, porém, não foi suficiente para quebrar o silêncio que toma conta da vizinhança. À noite, mal se ouvem o aquecedor central estalando a madeira, o som dos pneus de carro roçando o asfalto e o murmurinho das crianças que brincam até tarde no quarto. A sensação de paz é impressionante, às vezes, assustadora para quem se acostumou com a barulheira urbana de São Paulo.

 

‘Jornalismo de Rádio’, lançado naquele mesmo ano pela Contexto, estava bem planejado quando cheguei aqui, praticamente todo material de pesquisa havia sido separado, mas era preciso acelerar a escrita para entregar no prazo da editora. Plano quase frustrado, pois o único computador da casa estava quebrado e sem previsão de conserto. Fui salvo por um palmtop que havia trazido comigo do Brasil e tinha como principal função servir de agenda eletrônica. Talvez você nem se lembre mais dessas pequenas máquinas de recursos limitados se comparados aos equipamentos eletrônicos atuais. O modelo do meu, se não me falha a memória, era o Zire 21, talvez o 31, dos primeiros da série fabricada pela PalmOne, que comprei acompanhado de um teclado dobrável, frágil e de ergonomia sofrível, mesmo porque deveria servir apenas para facilitar o registro de algumas informações, jamais foi pensado para escrever um livro. O processador de texto também não era grande coisa, mas tinha as funções básicas. O cartão de memória acoplado no palmtop foi quem me salvou de um desastre quase uma semana depois de o trabalho ter se iniciado. A máquina travou e tive de esperar a bateria descarregar para ligá-lo novamente e descobrir que apenas os textos escritos naquele dia estavam perdidos. O aparelhinho foi heróico e merecia ter sido bem guardado, mas, infelizmente, devo tê-lo passado à frente.

 

Calculo que, hoje, nesta casa, tenhamos ao menos 10 computadores, notebooks, netbooks e tablets, sem contar os telefones celulares que substituem com maestria as funções do palmtop. Vou deixar fora dessa conta, ainda, os consoles de videogame que também oferecem acesso à internet. Escrever mais um livro, tarefa que incluí nas resoluções de ano novo, não seria empecilho, se para isso eu dependesse apenas dessas traquitanas. É uma quantidade impressionante de máquinas à disposição das duas famílias que se encontram por aqui, gerando inúmeras possibilidades e acesso ilimitado às informações. Graças a esses equipamentos, o Mundo também ficou bem menor e nos permitimos estar conectados com o restante da família e amigos que ficaram no Brasil, nesta virada do ano.

 

Feliz 2014!

Férias, meninas!

 


Por Sérgio Mendes

 

As meninas encontravam se todas as tardes estudando na biblioteca, naquele tempo pouco frequentada por meninas por que não muitas delas chegavam a cursar a faculdade. Menos ainda em escolas que não fossem só para elas. Se juntaram meio que empurradas pelo instinto de proteção. Só depois, passaram a cumprimentar-se no café, na cantina, no bandejão e finalmente começaram também a freqüentar as casas e as famílias de cada uma.
Elas não foram amigas na infância, não liam os mesmos livros nem gostavam dos mesmos gostos. Partiram da vontade comum de ascender profissionalmente no mundo que até ali pertenceu só aos homens. Daí é que o tempo encarregou-se de esculpir nas quatro, laços para a vida toda. Igualzinho ao que fazem o vento e a água, moldam as pedras devagar e sutilmente.

 

Amélia ( Melinha), Corry, Júlia e Aida (Ida), sonhavam com carreiras promissoras e queriam ser mulheres independentes. Vida como a de suas mães e avós passava nem pela conversa delas. Queriam carreiras e conquistas pessoais numa época em que as mulheres ainda eram talhadas para o casamento e a submissão a seus esposos. O espaço feminino fora de casa recém era aberto por outras como elas.

 

Apesar da liberdade, a conta dos estudos, aquela era realidade incomum para moças em idade de se casar e os limites estavam bem ali às vistas. Seus pais as controlavam com horários muito rígidos. O que nunca as impediu estripulias ou de sonhar com elas.

 

Foi justamente nesse tempo que uma vez apareceu a idéia de um passeio sozinhas. Quiseram uns dias sem dar conta do que faziam a nada e a ninguém. Era a urgência de serem livres, independentes. Tudo não passava de um fim de semana na praia, complicado por aqueles dias, mas não mais impossível como teria sido uma ou duas gerações de mulheres antes delas. A aquela pausa chamaram de férias.

 

De qualquer maneira o passeio nunca aconteceu. Não antes que os ventos de muitas mudanças permeassem quase tudo na vida das quatro.

 

E eles não demoraram a soprar, mudando junto com outros objetivos tão sólidos como a vontade que eles continham, e transformaram instantaneamente as urgências de ao menos uma delas.

 

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Conte Sua História de SP: a garagem do passado

 


Por Joás Dias de Lima
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Quando vim morar na Liberdade, no centro de São Paulo, o bairro mais oriental do país, em 1990, aquele casal de idosos, residente num sobrado da Rua Tenente Otávio Gomes, ainda era razoavelmente viçoso. A consorte, uma vez por semana, a despeito do seu pequeno porte e do corpo visivelmente encurvado pelo “bico-de-papagaio”, e fragilizado pelo peso dos anos, abria a “pesada” porta da garagem para lavá-la. Como o escoamento era feito para a calçada, é óbvio, acabava esguichando água com a mangueira até onde pudesse alcançar a pressão dos seus dedos.

 

Depois de secar a garagem – que já não guardava nenhum carro, a não ser quando recebia visitas -, molhava pães “adormecidos” e colocava a massa esbranquiçada na calçada, para os pombos, que, já sabiam a hora do banquete. (Havia quem torcesse o nariz para aquele “mela-mela”, a ponto de, uma vez, quando eu por lá passava, ao ver uma porção generosa de amendoins sendo devorada, pensar: “Devem lhe ter passado um pito…)

 

A garagem, ao ser escancarada, deixava à mostra uma grande estante, de parede a parede, repleta de grossas encadernações de livros, a maioria na cor vermelho-carmim. E eu, vislumbrando-as, invejoso, sem poder lhes ver os títulos, me indagava: “Quem serão seus autores? Serão de direito, artes? Haveria muita coisa rara, como A Divina Comédia, de Dante Alighieri, ilustrado por Gustave Doré, que adquiri de um amigo que ‘gosta de mexer com tranqueiras´, como dizia sua mulher?”

 

Minhas perguntas jamais foram respondidas.

 

Há anos, a bondosa senhora saiu do mundo dos vivos, deixando ao esposo e ao seu fiel escudeiro, o velho amigo cão, a responsabilidade de tomarem conta do patrimônio e de continuarem as tarefas costumeiras, como permanecer regando as folhas das trepadeiras – devidamente acomodadas sobre uma “ponte”, feita pelos seus ramos, que atravessava, pelo alto, o passeio público, partindo de antes do portão da casa e se encontrando com a árvore que ficava a alguns centímetros do meio-fio – e, é claro, de prover (agora, com amendoins) os seus apadrinhados, embora os que torciam o nariz para a massa continuassem não aprovando aquele ato, sequer com o novo alimento, porque “os pombos transmitem doenças”.

 

Quantas vezes, ao sair do meu prédio, vi o ancião, Sr. Rafael, e seu companheiro, na rotineira caminhada rumo ao supermercado “Terra Nova” – que pertencera a japoneses.

 

O cão, a uns três metros adiante, procurava coisas no chão para comer e, vez por outra, cheirava “demarcações” de terrenos feitas por desconhecidos, que, imediatamente, eram sobrepostas, “definitivamente”, por sua urina, em todo o território, enquanto o idoso puxava para a sarjeta, com sua bengala, algumas sujeiras que os transeuntes “esqueciam” nas calçadas.

 

A cena ainda se repete, invariavelmente, na semana (aquelas idas e vindas, imaginava, deviam ser, dentre outras coisas, para comprar os sagrados amendoins!).

 

Aquilo ainda me deixa um misto de alegria e tristeza ao imaginar que um dia eles não mais passarão… E os papéis jogados nas irregulares calçadas da Liberdade deverão permanecer, incólumes, assim como os papéis encadernados voltarão a ser, simplesmente, papéis, encadernando aquela minha curiosidade…

 

Passando, ontem, defronte, vi a garagem, escancarada – molhada, como se estivesse chorando -, mostrando o vazio, como se fossem dentes ausentes e careados! -, sem a poeira do tempo lido, sem traças, sem naftalina… Sem os livros!

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no programa CBN São Paulo. Você pode participar enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou marcando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Por que gostamos de história?

 

 

Por que gostamos de história, tema do novo livro de Jaime Pinsky, editor, escritor e historiador, foi usado para provocar uma série de profissionais que gravaram depoimentos em vídeo. Tive a oportunidade de ser convidado pela Editora Contexto e gravei a fala que você assiste em coma e lê embaixo:

Sou jornalista e conto notícias, que podem ser entendidas com as histórias do nosso cotidiano. Mas uma notícia mesmo só pode ser compreendida se estiver conectada às demais histórias, aquelas que explicam o contexto, justificam ou intrigam, que nos levam a reflexão. Um fato isolado talvez diga muito pouco ao cidadão, integrado em uma história, ao que já foi e ao que pode ser, talvez provoque uma revolução. Por tudo isso, eu gosto de história

 

Aproveite a oportunidade e responda porque você gosta de história. Ou não gosta?

O meu livro dos Porquês?

 

Por Julio Tannus

Por que na República do Brasil temos reeleição?

 

Por que não prolongar os mandatos de presidente, governadores e prefeitos, ao invés de propiciarmos que os eleitos se utilizem do poder para se perpetuarem nele?

 

Por que os motoqueiros não obedecem à legislação vigente, que proíbe os veículos automotores trafegarem na faixa que divide as pistas do leito carroçável?

 

Por que temos no Brasil uma carga tributária que pesa sobremaneira no bolso da população e não temos um retorno equivalente?

 

Por que não há representação proporcional a população dos Estados da União, no Congresso Nacional Brasileiro?

 

Por que para se ter uma empregada doméstica no Brasil é necessário pagar como se fosse uma empresa?

 

E assim por diante…

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Empresa paga 14º salário para quem lê um livro por mês

 

 

Encontrei no blog “Acertos de Contas”, da Giane Guerra, no ClicRBS, este caso interessante de empresa que transforma em salário o prazer da leitura de seus funcionários. A rede de concessionárias Cometa, com sede em Cáceres, no Mato Grosso, paga 14º salário no ano para o colaborador que ler um livro por mês. A ideia é aprimorar o conhecimento e capacitar o profissional, o que resultará em benefício para a qualidade do serviço prestado e aumento de vendas. Muitas vezes a literatura é proposta pelos próprios gestores que priorizam temas que passam pela formação de liderança, gestão, relações interpessoais e publicações sobre a área de atuação do negócio. Para contar pontos e concorrer ao salário extra, o colaborador deve ler os livros da biblioteca da empresa, além de apresentar uma ficha de leitura sobre a obra.

 

“Na área de vendas, é possível perceber a relação entre o nível de leitura e a quantidade de vendas. Já na área administrativa, é perceptível que os funcionários estão mais qualificados, no contato com os clientes”, disse o presidente do grupo Cometa, Cristinei Melo.

No Reino das Biografias

 

Por Carlos Magno Gibrail

Roberto Carlos não gosta nem mesmo de caricatura

 

Essa nossa mania de chamar de “Rei” personalidades do mundo pop tinha mesmo que sair da metáfora e extrapolar ao mundo das divindades. É o que está acontecendo com Roberto Carlos, o cantor. E, com o beneplácito geral, até mesmo da mídia, que nem liga ao fato de RC não atender jornalistas. Exemplo disto é o tom da coluna da Mônica Bergamo, ontem, destacando ações dos advogados do cantor a quem usar o nome ou a imagem do “Rei”.

 

Tema antigo, mas atualizado em virtude da tramitação no Congresso, através da CCJ Comissão de Constituição de Justiça, cujo relator Alessandro Molon (PT-RJ) conseguiu aprovar, há duas semanas, em caráter conclusivo, isto é, sem necessidade de ir a plenário, o Projeto das Biografias 393/2011. Entretanto o deputado Marcos Rogério (PDT-RO), evangélico, apresentou recurso, sem data prevista para votação em Plenário. Desta forma, o Projeto não vai direto ao Senado e a parte mais importante que é a liberação para biografar pessoas com dimensão pública será ponto central das discussões. Marcos Rogério exemplifica sua preocupação: “Imagine que um adversário seu resolva fazer uma biografia para te atacar ou até mesmo que um aliado resolva te promover”. Por aí percebemos qual é a intenção do deputado que registra também a dificuldade de estabelecer a dimensão pública do biografado, obstáculos visivelmente sem consistência.

 

Diante disso, a preocupante demora na futura tramitação no Congresso recebeu um alento. Eis que o “Rei” Roberto Carlos não gostou de um desenho seu estampado em uma dissertação de mestrado e enviou uma notificação extrajudicial à autora, Maíra Zimmermann. Aluna do Centro Universitário SENAC, com o apoio da FAPESP, publicou pela Editora Estação das Letras e Cores o livro “Jovem Guarda, Moda Música e Juventude”. A obra contempla seu trabalho acadêmico que se propõe a analisar o contexto da formação do mercado consumidor jovem resultante dos novos aspectos comportamentais da década de 60, e associado ao início da sedimentação do prêt-à-porter brasileiro.

 

A sintonia fina do trabalho, a extensão estritamente acadêmica, o específico mercado potencial, nada disso inibiu o “Rei”, cujos advogados argumentaram: “a própria capa do livro contém caricatura do notificante e dos principais integrantes da jovem guarda sem que eles nem sequer fossem notificados”.

 

Nem D.Pedro II, Imperador de fato, numa época em que havia escravos, ousou usurpar o direito da caricatura aos súditos.

 

Acreditamos que a extrapolação de Roberto Carlos contribua para chamar a atenção dos parlamentares ao exagero a que a atual legislação permite chegar. Além do impedimento às informações históricas de personalidades relevantes da vida brasileira, cria-se combustível para ações doentias como esta.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Uma visita aos sebos e ao mundo da leitura

 

Por Dora Estevam

 

O centro de São Paulo oferece enorme variedade de livrarias, o que torna impossível não encontrar uma do seu gosto. As que  me chamaram a atenção, esta semana, foram os sebos, que vendem livros de segunda mão, conservados ou até restaurados. Indico três lojas para você conhecer. Se já conhece, a dica é voltar lá e ver as novidades, todas estão muito bem abastecidas.

Começo com o Sebo Central, do Alaor Júnior. É uma loucura. Pequena, mas, toda cheia de livros especializados na área jurídica: processo civil, penal, tributário, criminal … Todos com capas grossas, empilhadas de forma que enchem os olhos dos consumidores. Alaor recebe livros na loja semanalmente, na maioria das vezes vem de famílias que se desfazem das bibliotecas, outras são de escritórios de direito que se separam e vendem as coleções. Ele conta que ano retrasado recebeu uma coleção de quase 30 mil volumes que chegaram em duas carretas do Rio de Janeiro, a coleção pertencia ao ex-ministro do governo Figueiredo, Antonio Neder. Os livros chegam à loja deteriorados, mas o comerciante restaura um por um deixando-os com cara de novos. Os preços variam de R$50 a R$1.000.

Loja muito famosa é o Sebo do Messias. Entrei lá e fiquei deslumbrada com o tamanho e a quantidade de livros. O proprietário fez questão de me conduzir ao interior e mostrar como ele abastece e distribui os livros vendidos.  Haja organização. A história do Messias começou em uma lojinha na esquina e se tornou esta grandiosidade, com 150 mil livros na loja física e   160 mil na virtual. Ele trabalha com livros de todas as áreas. Tem raridades, auto-ajuda, além de CDs, DVDs e LPs, tudo em uma área 2 mil metros, com 44 funcionários treinados pelo próprio livreiro.

 

O Seu Messias veio para São  Paulo, em 1964, e foi trabalhar de garçom em um restaurante no bairro do Paraíso, depois foi ser livreiro, vendendo livros de porta em porta. Os clientes começaram a encomendar livros e Messias visitava os sebos, conseguia os exemplares e revendia aos clientes. Começou a ganhar um trocadinho, fez suas economias até conseguir comprar uma biblioteca. Era de um amigo que havia falecido e a esposa fez questão de vender para ele os 5 mil livros. Se ajeitou em uma garagem de um parente, foi vendendo aos poucos e no vai e vem resolveu alugar uma salinha no centro da cidade, na Praça João Mendes, onde começou o império que tem hoje – como ele mesmo faz questão de contar. O local foi escolhido porque inicialmente Messias só vendia livros jurídicos e a loja estaria perto do Tribunal de Justiça e no caminho de promotores, juízes e advogados.

 

Hoje, Seu Messias abastece o Brasil todo e não acanha em repetir o que as pessoas dizem sobre o site dele: é o melhor na América Latina, na área. Entre os clientes famosos, cita como destaque Jô Soares, que costuma visitar o sebo com frequência. Messias atribui o sucesso das vendas ao site de compras, no qual o cliente reserva do livro, que dura 72 horas, e pode retirá-lo na loja, além da renovação diária, resultado das compras feitas por quatro equipes que tem nas ruas. Os clientes que se desfazem das bibliotecas, abastecendo a loja do Messias, são pessoas que se mudam e não têm mais espaço para biblioteca tão ampla, estudantes que não precisam mais dos livros e famílias que perdem o seu titular.

 

Dica do Messias para conservar os livros: deixar o local bem arejado e, se estiver danificado, mandar consertar, isso é possível. É assim que ele faz na loja.

Saio dos sebos para entrar em uma distribuidora de livros novos, a Basques, loja que vende lançamentos de todas as áreas ao preço de R$9,90. Assim que cheguei, não resisti às compras. Resolvi falar com o vendedor queria saber o motivo daquele preço. Ele me explicou que isto é possível por serem distribuidores, isto é, os livros chegam a um custo baixo, eles abrem os pacotes e vendem no varejo. Marcos Tedesqui, um dos vendedores, diz que o preço da venda é o preço do livro. E pensar que o mesmo livro pode custar R$ 50 em uma loja de shopping. Para ele, o livro de 9,90 não está barato de mais, é o preço justo; o de 50 é que está caro, por conta das despesas, mas este é outro assunto. O preço atrai clientes que muitas vezes não têm o hábito de ler, eles entram na loja e se envolvem com a atmosfera dos livros. Outros compram para os amigos e parentes, e saem da loja com pilhas de livros. É um ambiente que favorece a leitura e o cliente tranfere esta sensação para a sua casa.

 

Serviço:

 

Livraria Juridica Central
Loja 01 – Rua Riachuelo, 62 – Centro – São Paulo – 11-3105-0520
Loja 02 – Senador Paulo Egidio, 25 Centro – São Paulo – SP – 11-3107-5872
www.sebocentral.com.br

sebocentral@gmail.com

 

Sebo do Messias
3104 7111
www.sebodomessias.com.br

 

Livraria e Distribuidora Basques
Rua Riachuelo, 52, centro
3106 5488

Reminiscências – O Livro dos Porquês

 

Por Julio Tannus

 

Minha infância foi pautada, entre outras leituras, por uma coleção de livros chamada Tesouro da Juventude, onde havia a seção o livro dos Porquês.

 

O livro dos Porquês apresentava mais de mil respostas sobre os mais variados assuntos, entre outros: 

 


- Como é que a Lua determina as marés?

- De onde virão as moscas no próximo ano? 

– Que é bomba atomica? 

- Por que faz mais calor na Índia que no Alasca

– Por que despertamos de manhã? 

– Que é a “Via-láctea”? 

- Onde as rãs têm os ouvidos? 

 

Ao relembrar essas leituras me dei conta que deveríamos ter a coleção Tesouro da Maturidade, com a mesma seção O Livro dos Porquês, só que voltada para o público adulto. E que apresentasse mais de mil respostas sobre os mais variados assuntos, entre outros:

 

– Por que somos tão susceptíveis às oscilações do mercado em geral?
– Por que vivemos e sobrevivemos debaixo de escândalos, desvios de dinheiro público, corrupção?
– Por que para o país ser governável é preciso fazer alianças espúrias às “ideologias” partidárias?
– Por que a representação no Congresso Nacional não é proporcional aos efetivos estaduais?
– Por que não temos políticos que representem efetivamente o interesse geral da população?
– Por que os cargos executivos – desde prefeito a presidente da república – não são exercidos como representação efetiva do interesse coletivo?
– Por que a participação de condôminos em assembleias é baixíssima?
– Por que nós, brasileiros e brasileiras, não reivindicamos de forma ativa e coletiva os nossos direitos e interesses?
– Por que vemo-nos com irresistível capacidade de nos isolarmos?
– Por que ninguém reclama, ninguém contesta, ninguém se manifesta diante de tão elevado nível de impostos sem retorno equivalente?
– Por que não nos valermos dessa ausência de representação ampla, dessa falta de participação, dessa carência de identidade, e tentarmos algo novo?

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terça-feiras

De Einstein

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

O exercício de desapego e escolha me leva a recomeçar mais uma vez. Não quero dizer com isso que vá tentar apagar a vida vivida para recomeçar do zero, porque é impossível; bom motivo para nem tentar. Gosto de cada
minuto que tenho vivido, e não pretendo virar as costas para nem um desses minutos. Nem dos claros, nem dos escuros. É a vida, dizia a mamãe, a cada acontecimento.

 

Sei que sou, também, o resultado de tudo o que vivi e de como vivi, e gosto de quem sou. A vida tem me levado a rir a chorar, e tenho aprendido com os dois movimentos dela, que às vezes são rápidos demais para eu
absorver e crescer, e outras vezes um arrastar sem fim, quando sinto que remo sem parar, e não saio do lugar. Mas, enquanto há vida, há chance de viver de peito aberto, de aprender e crescer. De aproveitar a viagem. E
assim vou atrás do estar-bem. Do meu e do mundo que me cerca.

 

Ainda envolvida com o este-vai-este-fica de papéis e livros, espirro, lavo as mãos um exagero de vezes e rasgo pilhas, em tiras e mais tiras. Não os livros, é claro. Num dos papéis encontrei um texto com minha letra de menina, escrito com tinta verde, com a caneta que ganhei do meu pai quando entrei no ginásio, sem fazer o quinto ano. Tinha um exame chamado muito propriamente de Exame de Admissão, logo depois do quarto ano primário. A gente passava por uma tensão parecida com a do vestibular, e eu passei direto. Ganhei uma Sheaffer e usei tinta verde, por muito tempo. Mas enfim, o texto era um fragmento do livro “Como vejo o mundo” de Albert Einstein, lançado em 1953.

 

Fala o mestre!

Educação em vista de um pensamento livre

Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma
máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um
sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido,
daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se
assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado
do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida.

Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas
angústias, para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus
próximos e à comunidade.

 

Se você quiser ler o texto todo, encontrei o livro inteirinho disponibilizado na Biblioteca Virtual Espírita.

 

Dá para guardar na biblioteca do seu leitor de livros. Encontrei o trecho que copiei em priscas eras, como diria minha amiga Maryur, na página 16 do livro.

 

É isso.

 

Bom domingo, bom feriado, diminue a velocidade nas curvas, e até a semana
que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung