Uma visita aos sebos e ao mundo da leitura

 

Por Dora Estevam

 

O centro de São Paulo oferece enorme variedade de livrarias, o que torna impossível não encontrar uma do seu gosto. As que  me chamaram a atenção, esta semana, foram os sebos, que vendem livros de segunda mão, conservados ou até restaurados. Indico três lojas para você conhecer. Se já conhece, a dica é voltar lá e ver as novidades, todas estão muito bem abastecidas.

Começo com o Sebo Central, do Alaor Júnior. É uma loucura. Pequena, mas, toda cheia de livros especializados na área jurídica: processo civil, penal, tributário, criminal … Todos com capas grossas, empilhadas de forma que enchem os olhos dos consumidores. Alaor recebe livros na loja semanalmente, na maioria das vezes vem de famílias que se desfazem das bibliotecas, outras são de escritórios de direito que se separam e vendem as coleções. Ele conta que ano retrasado recebeu uma coleção de quase 30 mil volumes que chegaram em duas carretas do Rio de Janeiro, a coleção pertencia ao ex-ministro do governo Figueiredo, Antonio Neder. Os livros chegam à loja deteriorados, mas o comerciante restaura um por um deixando-os com cara de novos. Os preços variam de R$50 a R$1.000.

Loja muito famosa é o Sebo do Messias. Entrei lá e fiquei deslumbrada com o tamanho e a quantidade de livros. O proprietário fez questão de me conduzir ao interior e mostrar como ele abastece e distribui os livros vendidos.  Haja organização. A história do Messias começou em uma lojinha na esquina e se tornou esta grandiosidade, com 150 mil livros na loja física e   160 mil na virtual. Ele trabalha com livros de todas as áreas. Tem raridades, auto-ajuda, além de CDs, DVDs e LPs, tudo em uma área 2 mil metros, com 44 funcionários treinados pelo próprio livreiro.

 

O Seu Messias veio para São  Paulo, em 1964, e foi trabalhar de garçom em um restaurante no bairro do Paraíso, depois foi ser livreiro, vendendo livros de porta em porta. Os clientes começaram a encomendar livros e Messias visitava os sebos, conseguia os exemplares e revendia aos clientes. Começou a ganhar um trocadinho, fez suas economias até conseguir comprar uma biblioteca. Era de um amigo que havia falecido e a esposa fez questão de vender para ele os 5 mil livros. Se ajeitou em uma garagem de um parente, foi vendendo aos poucos e no vai e vem resolveu alugar uma salinha no centro da cidade, na Praça João Mendes, onde começou o império que tem hoje – como ele mesmo faz questão de contar. O local foi escolhido porque inicialmente Messias só vendia livros jurídicos e a loja estaria perto do Tribunal de Justiça e no caminho de promotores, juízes e advogados.

 

Hoje, Seu Messias abastece o Brasil todo e não acanha em repetir o que as pessoas dizem sobre o site dele: é o melhor na América Latina, na área. Entre os clientes famosos, cita como destaque Jô Soares, que costuma visitar o sebo com frequência. Messias atribui o sucesso das vendas ao site de compras, no qual o cliente reserva do livro, que dura 72 horas, e pode retirá-lo na loja, além da renovação diária, resultado das compras feitas por quatro equipes que tem nas ruas. Os clientes que se desfazem das bibliotecas, abastecendo a loja do Messias, são pessoas que se mudam e não têm mais espaço para biblioteca tão ampla, estudantes que não precisam mais dos livros e famílias que perdem o seu titular.

 

Dica do Messias para conservar os livros: deixar o local bem arejado e, se estiver danificado, mandar consertar, isso é possível. É assim que ele faz na loja.

Saio dos sebos para entrar em uma distribuidora de livros novos, a Basques, loja que vende lançamentos de todas as áreas ao preço de R$9,90. Assim que cheguei, não resisti às compras. Resolvi falar com o vendedor queria saber o motivo daquele preço. Ele me explicou que isto é possível por serem distribuidores, isto é, os livros chegam a um custo baixo, eles abrem os pacotes e vendem no varejo. Marcos Tedesqui, um dos vendedores, diz que o preço da venda é o preço do livro. E pensar que o mesmo livro pode custar R$ 50 em uma loja de shopping. Para ele, o livro de 9,90 não está barato de mais, é o preço justo; o de 50 é que está caro, por conta das despesas, mas este é outro assunto. O preço atrai clientes que muitas vezes não têm o hábito de ler, eles entram na loja e se envolvem com a atmosfera dos livros. Outros compram para os amigos e parentes, e saem da loja com pilhas de livros. É um ambiente que favorece a leitura e o cliente tranfere esta sensação para a sua casa.

 

Serviço:

 

Livraria Juridica Central
Loja 01 – Rua Riachuelo, 62 – Centro – São Paulo – 11-3105-0520
Loja 02 – Senador Paulo Egidio, 25 Centro – São Paulo – SP – 11-3107-5872
www.sebocentral.com.br

sebocentral@gmail.com

 

Sebo do Messias
3104 7111
www.sebodomessias.com.br

 

Livraria e Distribuidora Basques
Rua Riachuelo, 52, centro
3106 5488

Reminiscências – O Livro dos Porquês

 

Por Julio Tannus

 

Minha infância foi pautada, entre outras leituras, por uma coleção de livros chamada Tesouro da Juventude, onde havia a seção o livro dos Porquês.

 

O livro dos Porquês apresentava mais de mil respostas sobre os mais variados assuntos, entre outros: 

 


- Como é que a Lua determina as marés?

- De onde virão as moscas no próximo ano? 

– Que é bomba atomica? 

- Por que faz mais calor na Índia que no Alasca

– Por que despertamos de manhã? 

– Que é a “Via-láctea”? 

- Onde as rãs têm os ouvidos? 

 

Ao relembrar essas leituras me dei conta que deveríamos ter a coleção Tesouro da Maturidade, com a mesma seção O Livro dos Porquês, só que voltada para o público adulto. E que apresentasse mais de mil respostas sobre os mais variados assuntos, entre outros:

 

– Por que somos tão susceptíveis às oscilações do mercado em geral?
– Por que vivemos e sobrevivemos debaixo de escândalos, desvios de dinheiro público, corrupção?
– Por que para o país ser governável é preciso fazer alianças espúrias às “ideologias” partidárias?
– Por que a representação no Congresso Nacional não é proporcional aos efetivos estaduais?
– Por que não temos políticos que representem efetivamente o interesse geral da população?
– Por que os cargos executivos – desde prefeito a presidente da república – não são exercidos como representação efetiva do interesse coletivo?
– Por que a participação de condôminos em assembleias é baixíssima?
– Por que nós, brasileiros e brasileiras, não reivindicamos de forma ativa e coletiva os nossos direitos e interesses?
– Por que vemo-nos com irresistível capacidade de nos isolarmos?
– Por que ninguém reclama, ninguém contesta, ninguém se manifesta diante de tão elevado nível de impostos sem retorno equivalente?
– Por que não nos valermos dessa ausência de representação ampla, dessa falta de participação, dessa carência de identidade, e tentarmos algo novo?

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terça-feiras

De Einstein

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

O exercício de desapego e escolha me leva a recomeçar mais uma vez. Não quero dizer com isso que vá tentar apagar a vida vivida para recomeçar do zero, porque é impossível; bom motivo para nem tentar. Gosto de cada
minuto que tenho vivido, e não pretendo virar as costas para nem um desses minutos. Nem dos claros, nem dos escuros. É a vida, dizia a mamãe, a cada acontecimento.

 

Sei que sou, também, o resultado de tudo o que vivi e de como vivi, e gosto de quem sou. A vida tem me levado a rir a chorar, e tenho aprendido com os dois movimentos dela, que às vezes são rápidos demais para eu
absorver e crescer, e outras vezes um arrastar sem fim, quando sinto que remo sem parar, e não saio do lugar. Mas, enquanto há vida, há chance de viver de peito aberto, de aprender e crescer. De aproveitar a viagem. E
assim vou atrás do estar-bem. Do meu e do mundo que me cerca.

 

Ainda envolvida com o este-vai-este-fica de papéis e livros, espirro, lavo as mãos um exagero de vezes e rasgo pilhas, em tiras e mais tiras. Não os livros, é claro. Num dos papéis encontrei um texto com minha letra de menina, escrito com tinta verde, com a caneta que ganhei do meu pai quando entrei no ginásio, sem fazer o quinto ano. Tinha um exame chamado muito propriamente de Exame de Admissão, logo depois do quarto ano primário. A gente passava por uma tensão parecida com a do vestibular, e eu passei direto. Ganhei uma Sheaffer e usei tinta verde, por muito tempo. Mas enfim, o texto era um fragmento do livro “Como vejo o mundo” de Albert Einstein, lançado em 1953.

 

Fala o mestre!

Educação em vista de um pensamento livre

Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma
máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um
sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido,
daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se
assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado
do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida.

Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas
angústias, para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus
próximos e à comunidade.

 

Se você quiser ler o texto todo, encontrei o livro inteirinho disponibilizado na Biblioteca Virtual Espírita.

 

Dá para guardar na biblioteca do seu leitor de livros. Encontrei o trecho que copiei em priscas eras, como diria minha amiga Maryur, na página 16 do livro.

 

É isso.

 

Bom domingo, bom feriado, diminue a velocidade nas curvas, e até a semana
que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Para onde vão os livros?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Mílton Jung, ontem no jornal da CBN iniciou a sua conversa com Viviane e Cony informando que o livro digital passava a ser usado por 23% dos americanos, subindo 7% em relação aos 16% do ano anterior. O livro impresso caía de 72% para 67%. Enquanto Viviane explicitava o uso pessoal de ambos em ocasiões pertinentes, em função do ambiente ou da velocidade a ser executada, Cony também externava a sua crença nas duas hipóteses, mesmo não sendo usuário do digital, e ainda lembrou o abandono aos papiros e pergaminhos quando surgiu a imprensa.

 

A pauta é das mais atuais e relevantes, pois no momento em que assistimos ao sucesso das mudanças nas grandes livrarias, ao atrair o público para o lazer em suas lojas, terão agora que competir com as novidades do mundo digital.

 

Será uma briga entre os grandes. Já está clara a concentração de títulos no ambiente das lojas, quando se nota a repetição de exposição dos livros mais promovidos. Em detrimento de lançamentos menos robustos. Segundo a FOLHA de segunda, as livrarias justificam a locação de espaço de exposição para melhorar as condições de negociação com as editoras. Entretanto, a variedade ficou reduzida e abre espaço para o mundo digital, justamente quando a Amazon e a Livraria Cultura disputam os leitores com os e-books.

 

Interessante notar que a batalha ora iniciada tem objetivos diferentes entre os contendores. A Amazon não ganha no Kindle ou nos livros vendidos para o iPad ou nos tablets Android, mas nos demais produtos de sua extensa linha. A Apple está neste mercado para vender iPad e seu interesse é apresentar uma completa biblioteca que alavanque o seu produto. A Livraria Cultura, com o Kobo, visa provavelmente uma posição preventiva e de atendimento a um novo hábito de leitura.

 

E as editoras? Bem, estão sendo forçadas a baixar preços, enquanto há torcida para que sejam pressionadas em virtude da democratização do meio eletrônico. Ao mesmo tempo, os best sellers deverão ficar com elas, pois seu investimento é alto.

 

Então, para onde vão os livros?

 

Considerando os papiros e pergaminhos do Cony, a menina que lê um livro por dia no iPhone, e mesmo amando os meus 2.000 livros, concordo com William Uricchio do IMT que diz sobre o livro:

Não precisa de luz, não precisa de internet, não fica sem baterias, é reciclável, e o mais importante: o compramos só uma vez.

 

Entretanto, ao imaginar o mundo sem esta geração e dentro da inovação que certamente ocorrerá, fico com o paradigma dos papiros e pergaminhos. O livro deixará de existir. Ao menos com a função atual.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Livros são distribuídos de graça no centro de São Paulo

 

Por Devanir Amancio
ONG Educa SP

 

Livro na praça

 

                                                                        
Dois caminhões de livros grátis, centenas de mãos e muita vontade de ler – mesmo debaixo de chuva. Livros de todos os gêneros para todos os  gostos no centro de São Paulo, na sexta-feira, 21/09. A festa da leitura lembrou o poema de Castro Alves: “Oh! bendito o que semeia/Livros, livros, à mancheia/E manda o povo pensar…”

 

 
A distribuição de 8 mil obras, levadas em duas viagens, começou na Praça Bandeira para os garis. A parada literária no Largo de São Francisco reuniu pessoas de todas as classes sociais.

 

 
O GCM que protege o ‘Largo dos Mendigos’ pegou feliz o “Código do Processo Penal Anotado”. Alunos do segundo ano do SENAC – Consolação aguardavam com sacolas a chegada dos livros, desde às 10 horas, em frente à Faculdade de Direito. O advogado Antonio Fernando da Silveira levou cinco livros; Maria do Socorro Alves, acompanhada de Tertuliano, 8, e Igor, 10, levou nove volumes. O professor Tiziu (Carlos Alberto), da PUC, do alto do caminhão gritava: “Escolha à vontade! Leve apenas o que vai ler.”

 

O artista de rua, Enahha, com sua bicicleta enfeitada com um cartaz “O futuro passa por aqui, bikes!”, foi o locutor do ato, tendo como fundo musical “Plante uma árvore”, de sua autoria. Dizia sem parar:  “espalhar livros para colher cultura, no Dia da  Árvore leve um livro para a sua casa, a semente do conhecimento. Sua família vai gostar!” Realização: “ONG  Educa São Paulo, Núcleo de Trabalhos Comunitários da PUC – SP, Grupo de Escoteiro ‘Lobo Solitário’/ Itaquera,Zona Leste. Árvore é vida, livro é cultura, não temos mais aqui o livro de Augusto dos Anjos. Essa iniciativa não tem nada a ver com a Prefeitura.”

 

 
A próxima distribuição  móvel de livros (3 mil títulos diversos) acontecerá no dia 28 de setembro,  sexta-feira, no Largo Treze de Maio e Praça Floriano Peixoto, em Santo Amaro, Zona Sul – das 10 às 14 horas, possivelmente com a colaboração da Subprefeitura de Santo Amaro .

 

  
Vale registrar que os livros foram doados pelo Clube Paineiras do Morumby, ONG Reviver Capão ( Capão Redondo/zs) , comunidade Nossa senhora de Fátima, Creative Mix  e Bazar Imirim ( Imirim/zn).
 
 
               

O poder de polícia do Governo e o chip nos automóveis

 

Faz muito tempo que li o livro que George Orwell, seu autor, chamou de “1984”. Foi a última criação literária daquele que o jornal americano Observer considerou “o maior escritor do século XX” e foi publicado em 1949, pouco antes da sua morte. Na sinopse lê-se que “Winston, herói do romance, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio no sentido histórico”.

 

Fiz esse nariz de cera, pensando no “poder de polícia”. Em sentido amplo, o “poder de polícia” significa toda e qualquer ação restritiva do Estado em relação aos direitos individuais. Lembrei-me do livro de George Orwell. Talvez meus raros leitores, se é que os possuo, caso tiveram a oportunidade de ler “1984”, entendam que comparar certas iniciativas do nosso Estado com o que se lê no romance é um tanto exagerado. Não lhes tiro a razão. Ocorre, porém, que existem, pelo menos, alguns motivos para que o “poder de polícia”, existente, hoje, no Brasil, se aproxime do enredo da obra.

 

Irritou-me, por exemplo, saber que, por decisão do Conselho Nacional de Trânsito, todos os veículos fabricados aqui, até agosto de 2013, terão, entre os seus acessórios obrigatórios,nada mais nada menos que rastreador e bloqueador. Não bastasse isso, que encarecerá o preço final dos veículos, o pior da decisão do CONTRAN está no fato de que a privacidade dos motoristas será invadida, uma vez que um dos sistemas prevê a presença de um chip no para-brisa do carro, capaz de fornecer informações para uma central de dados sempre que o veículo passar pelas antenas colocadas em ruas. Vejam só o que pode provocar o chip bisbilhoteiro: pagamento de pedágio por quilômetro rodado, limitar áreas de circulação (como em São Paulo) e multas quem não as respeitar, traçar políticas viárias. Ah,o chamado Siniav vai flagar quem estiver com o licenciamento vencido.

 

Tanta tecnologia não prevê, entretanto, ao que eu saiba, melhorias na fiscalização das ruas e rodovias por meio do aumento de efetivo das forças policiais, sejam federais ou estaduais, visando a diminuir o número de acidentes fatais. No Rio Grande do Sul, morreram, até junho, mais de mil pessoas, número igual ao registrado no primeiro semestre de 2011. Somente no fim de semana do Dia dos Pais 25 pessoas perderam a vida em acidentes. Seria interessante que o Governo brasileiro, ao contrário de inventar moda, aumentasse a remuneração do pessoal da Polícia Federal que, na terça-feira, dia em que escrevo este texto, que será lido na quinta, estava disposto a entrar em greve de protesto por melhores salários.

"Um lugar para todos"

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Há muitas coisas sem as quais, hoje em dia,não conseguiria viver. Claro que não me criei usufruindo as satisfações e os benefícios que elas me trouxeram ao longo da minha vida. Já escrevi neste blog, por exemplo, que considero indispensável o telefone celular. Para mim, as facilidades oferecidas aos seus usuários por este aparelho, cada vez mais sofisticado, são infinitamente superiores aos incômodos que provoca. Antes que a telefonia móvel estivesse à nossa disposição, tudo era mais difícil. Como, porém, nem só de criações tecnológicas se sobrevive no dia-a-dia, existe um invento bem mais antigo que preenche as minhas horas de lazer e têm ainda muitas outras utilidades. Refiro-me aos livros. Minha vida não seria a mesma sem eles.

 

Comecei a ler muito cedo. No quarto da minha avó paterna, onde eu dormia na minha infância, meu pai mantinha um armário cujo conteúdo me atraía.Entre os que li com tenra idade,lembro-me até hoje, estavam alguns que papai jamais imaginara que pudessem chamar a minha atenção: O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós; |Zadig,novela escrita pelo filósofo Voltaire…e Minha Vida Sexual. Agora, entretanto, prefiro ler livros policiais e, não se espantem, de terror. Sou fã, entre outros autores, de Frederick Forsyth, Stephen King, Scott Turow, Ken Follett, Thomas Harris, James Patterson, Tom Clancy. Essa gente me acompanha no almoço, na janta e em diversos outros momentos.

 

A biblioteca que Maria Helena e eu montamos em nossa casa está recheada de livros. Não foi uma nem duas vezes que compramos obras que já possuíamos. Agora, enquanto aguardo a chegada de uma encomenda, resolvi ler um livro de uma escritora sobre a qual nunca ouvira falar: Thrity Umrigar. Ela é indiana, cresceu em Bombaim, mas mora atualmente nos Estados Unidos. O título original do livro que recém comecei a ler é Um Lugar para Todos ou, no original inglês, Bombay Time. Como está claro, a história tem Bombaim por ambiente. O primeiro personagem a surgir é um empresário que vai ao um casamento com sua mulher “A bem da verdade – escreveu Thrity Umrigar – ele nem queria ir ao casamento. Os mesmos convidados de sempre, as mulheres cravando seus olhos penetrantes nos dois…” Mais adiante, lê-se o que pensava o empresário sobre a sua cidade: “Quanto mais velho ficava, menos lhe agradava sair de casa, a não ser para ir à própria fábrica. A Bombaim da sua juventude – ao menos aquela que ele guarda na lembrança – dera lugar a uma cidade fétida, apinhada e sufocante, que lhe insultava os sentidos. Pôr os pés na rua equivalia a enfiar uma meia suja, malcheirosa, suarenta e pútrida. Quase em sequência, o homem continua pensando: “E, cada ves mais, a cidade – o barulho, a violência, a poluição, a sujeira – invadia sua casa. Diariamente o jornal aterrissava como um míssil na sua porta. Professora idosa morta em assalto. Ministro envolvido em escândalo financeiro. Ladrões Armados fogem depois de assaltar banco.”

 

Bombaim – lembro eu – em 2011 abrigava 12.478.447 habitantes. Esse número, hoje, deve ter crescido muito. O que Thrity Umrigar usou no seu romance “Um Lugar para Todos” vale para São Paulo, para o Rio de Janeiro, para a minha Porto Alegre e todas as grandes cidades do mundo. Se não forem buscadas soluções visando, pelo menos, a diminuir os nossos problemas, não sei aonde isso nos levará.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o pai dele)

Um aplicativo para ler Machado de Assis de graça

 

 

O Domínio Público, site que oferece livros, música e documentos de graça para baixar, gerou um incrível interesse desde que tratamos do assunto no bate-papo com o Ethevaldo Siqueira, no Mundo Digital, há cerca de um mês, e voltou a mexer com as pessoas nesta semana quando falamos do Projeto Gutenberg (leia post). Fiquei muito satisfeito em saber que motivado pela nossa conversa no Jornal da CBN, a empresa MobiDevel Ltda desenvolveu um aplicativo, que está na Itunes Store, pelo qual é possível baixar toda a obra de Machado de Assis, disponível no site Domínio Público. Nem preciso dizer que para baixar o aplicativo é de graça, também.

Conheça aqui APP Machado de Assis – Obra Completa.

Livro digital de graça

 

Hoje, o comentarista do Mundo Digital Ethevaldo Siqueira voltou a falar sobre portais que oferecem livros digitais de graça na internet. Há um mês, ele havia sugerido o site Domínio Público, do Governo Federal, já nesta segunda, falou sobre o Projeto Gutenberg, que oferece também obras em língua portuguesa.

 

É acessar, escolher, clicar, baixar e ler

 

Projeto Gutenberg

 

http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal

 

Dominio Público

 


http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp