A FIFA encurralada

 

Por Carlos Magno Gibrail

Mexicanos reclamam erro em favor da Argentina

Em tragédia anunciada, a FIFA marcou um evento em Pretória na segunda-feira para árbitros e convidou a imprensa para conversar e também aprender a analisar impedimentos.

Na véspera, domingo, 27 de junho de 2010, os dois jogos marcados para as oitavas de final apresentaram erros gritantes, inclusive de impedimento, a olho nu. À sistema eletrônico, nem se discute.

Em Inglaterra x Alemanha depois do primeiro gol alemão com impedimento não anotado, a Inglaterra marcou seu gol de empate quando perdia de 1×2, com a bola entrando 33 cm além da linha do campo, que o árbitro não validou.

Poucas horas após, no jogo Argentina x México, Tevez assinala um gol argentino completamente impedido. Com direito a repetição no telão do estádio.

A Inglaterra, prejudicada agora, beneficiada em 1966, certamente mudará de postura, pois no International Board, órgão incumbido de discutir e aprovar os recursos eletrônicos, do qual participam o País de Gales, a Escócia, a Irlanda e a Inglaterra, os ingleses e irlandeses foram contra o uso de qualquer meio eletrônico para tirar dúvidas.

Beckham e seus compatriotas devem ir adiante, assim como o jornalista escocês Andrew Jennings está há anos denunciando as peripécias da FIFA, e que agora começam a tomar um tom mais grave dada a coerência das incoerências nas estratégias utilizadas.

Jennings, em entrevista à jornalista Flavia Tavares sugere o encurralamento em função da força do futebol brasileiro, e denuncia o motivo da chamada que a FIFA deu no Brasil sobre as futuras obras para a Copa 2014:

Uma fonte havia me dito que Valcke e Ricardo Teixeira tinham tirado férias juntos, estavam de bem. Então, o que está por trás dessa gritaria? É pressão para o governo brasileiro colocar mais dinheiro público nas mãos da CBF. Mundialmente, as empreiteiras têm envolvimento com corrupção. Dá para sentir o cheiro daqui.
…
É o que já está acontecendo com a Copa de 2014. Qualquer brasileiro com mais de 10 anos sabe que a corrupção já está instalada. Por que ninguém faz nada?

E, para a ocasião das eleições, um recado:

O que me deixa enojado é que os líderes dos países – o primeiro-ministro britânico, o presidente Lula e todos os outros – façam negócio com essas pessoas. Eles deveriam lhes negar vistos, deveriam dizer que não querem se relacionar com dirigentes tão corruptos. E tenho certeza de que, se os governantes se voltassem contra a corrupção da FIFA, teriam apoio maciço dos torcedores/eleitores”.

Tudo indica que as coisas começam a mudar, e as facilidades encontradas pela FIFA serão coisas do passado, pelo menos por parte da mídia e da opinião publica.

A revista CARTA CAPITAL, traz entrevista de Jennings feita por Paolo Manso, em que acusa e aponta provas contra Havelange, Teixeira e Blatter. Sobre João Havelange e Ricardo Teixeira, em resposta à pergunta qual o resultado da chegada de ambos à FIFA e à CBF:

Um “boom” de corrupção! A imprensa suíça escreveu que Havelange e Teixeira embolsaram a maior parte das propinas.
…
As propinas pagas pela FIFA apenas nos anos 90 são estimadas pelo Tribunal de Zug na Suíça em aproximadamente 100 milhões de dólares.

Andrew Jennings fala sobre quando tudo começou:

Em 1976, o então presidente da entidade, o britânico Sir Stanley Rous, foi deposto. Ninguém podia corromper Stanley. Em seu lugar entrou o brasileiro João Havelange, que era muito corrupto. Foi ele que inaugurou o “sistema”, recebendo propinas via ISL.

São Paulo como sede da Copa 14 provavelmente centralizará ações que irão confirmar ou não as suspeitas das interferências políticas e financeiras em benefício de poucos, e em detrimento de todos. Um dos membros de Teixeira, Marco Polo Del Nero, já voltou da Cidade do Cabo, mas parece que foram ostras estragadas que o trouxe mais cedo.

O ministro dos esportes parece confirmar as preocupações de Jennings, pois escreveu na Folha de segunda artigo defendendo a “construção de um novo estádio à altura de São Paulo”.

A competência demonstrada pela FIFA, a partir de Havelange, no aspecto mercadológico é agora colocada em cheque e em choque quanto à transparência operacional, financeira, gerencial e moral.

A Copa 2010 evidencia falha grave na bola e na arbitragem, itens básicos da base do futebol. Permitir à Adidas tudo, e não permitir à arbitragem nada, é má-dministração ou má-fé.

Fabricar uma bola em que o maior goleiro do mundo em seu primeiro contato já detecta a similaridade com produto de supermercado, é simplesmente falta de tudo. Como sabemos a USP confirmou a avaliação de Julio César, informando que as costuras a menos impedem a circulação do ar, aumentando a sua resistência e ocasionando mudança de direção.

Imprensa e torcedores/eleitores, ao que tudo indica começarão a agir. É o que começamos a fazer. E, acuado, Joseph Blatter também. Informou, ontem, ao pedir desculpas à Inglaterra e ao México, que irá reabrir o processo sobre o uso da tecnologia. Ao mesmo tempo em que se sentindo ameaçado pela interferência de Nicolas Sarkozy no futebol francês, tornando o mau desempenho na Copa assunto de Estado, advertiu publicamente o governo francês.

Quem sabe uma nova Revolução Francesa não estará a caminho?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Novo órgão de transporte terá mais poder que EMTU

 

Governo paulista quer construir rede metropolitana de transporte público em todo o Estado reduzindo a dependência do automóvel. São Caetano sai na frente.

EAOSA 816

Por Adamo Bazani

O Estado de São Paulo pretende criar um órgão para planejar e executar projetos integrados de mobilidade com a intenção de estruturar uma rede que ligue todas as cidades paulistas. Seria a AMT – Autoridade Metropolitana de Transportes com papel semelhante ao da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que tem suas ações voltadas apenas para as três regiões metropolitanas (Campinas, Baixada Santista e São Paulo) e atua nos transportes intermunicipais por ônibus e de fretamento.

A AMT integraria também os transportes intermunicipais de outras regiões e promoveria a interligação com trens e metrô, e a EMTU seria mantida com as atribuições habituais.

Segundo o Secretário Metropolitano dos Transportes, José Luiz Portella, o projeto começou a ser desenvolvido há um ano e meio e, além das linhas intermunicipais, vai contemplar também as linhas internas de cada cidade. Uma tentativa de corrigir o que o próprio secretário diz ser um erro, pois serviços intermunicipais e municipais se sobrepõem, dividem o mesmo espaço urbano, e não há ao menos uma troca de informações entre os gestores. Para isso, o projeto prevê a criação de consórcios em cada uma das regiões. As cidades não serão obrigados a participar desses consórcios.

Com o planejamento e operação em conjunto, contando com as empresas privadas, a AMT teria capacidade de oferecer estímulo para o aumento da qualidade e produtividade dos serviços e integração tarifária real.

O blog teve acesso a partes do projeto.

Em relação à qualidade, melhorias de frota, de malhas e capacitação profissional dos operadores são pontos em destaque. Sobre a questão da produtividade, a ideia é reformular, em parceria com os municípios, trajetos ociosos, privilegiando aumento de oferta nas linhas de maior demanda. A integração tarifária já leva em conta a possibilidade de uso de modais diferentes por um valor fixo. Segundo o projeto, os custos dessa integração, alvos de estudo, seriam compensados pela maior produtividade e viabilidade dos serviços.

A implantação de monotrilhos e VLTs – Veículos Leves sobre Trilhos já está inclusa no pacote de integração.

O projeto da AMT – Autoridade Máxima de Transportes – visa criar mecanismos para desestimular o deslocamento de carro., mas para isso o transporte coletivo teria de aumentar a qualidade.
Esse projeto foi inspirado em modelos de transportes integrados já existentes na Espanha, Inglaterra e Estados Unidos, este último país, no qual os ônibus são integrados até com as ciclovias.

Em relação aos consórcios das cidades, estes teriam de se reportar sempre a AMT que analisaria e aprovaria ou não os projetos locais.

A ideia, segundo fontes ligadas a área de transportes, é remodelar as operações por ônibus, trem e metrô para melhorar a mobilidade no dia a dia dos passageiros e também preparar São Paulo para receber a Copa do Mundo do Brasil de 2014, quando a demanda por transportes de qualidade será maior.

Primeiros passos

A criação da AMT depende ainda de aprovação da Assembleia Legislativa de São Paulo, mesmo assim a primeira parceria para integração de transportes entre um município e o governo estadual já foi firmada, dentro dos parâmetros de funcionamento do futuro órgão.

De acordo com informações do jornal Diário do Grande ABC, o prefeito de São Caetano do Sul, Auricchio Júnior, e o Secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, elaboraram projeto para integrar os ônibus da cidade com os demais meios de transportes de outras regiões de São Paulo, incluindo a Capital Paulista, demais municípios do ABC e outras cidades próximas a Capital. Para Portella e Auricchio foi a primeira experiência para a integração de serviços de mobilidade nos moldes a AMT – Autoridade Máxima de Transportes.

O objetivo do encontro foi expor ideias para a melhoria dos transportes intermunicipais em São Caetano do Sul e como a cidade pode ajudar, pelo seu sistema de transportes local, outras regiões ligadas a ela. Protocolo de intenções entre a Secretaria Metropolitana de Transportes e a cidade de São Caetano do Sul será assinado.

Os técnicos de transportes do município do ABC Paulista diagnosticaram os principais problemas e lacunas nos serviços por ônibus. A partir destes dados, os profissionais devem realizar estudos temáticos separadamente para depois compor um conjunto de propostas que farão parte do acordo entre Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura de São Caetano do Sul.

A população deverá ser consultada, já que estão previstas no cronograma do projeto pesquisas quantitativas e qualitativas com o usuário de transportes de São Caetano do Sul.
Em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, o prefeito José Auricchio Júnior, afirmou que essa nova parceria, já contando com a atuação da Autoridade Máxima de Transportes, vai preparar a cidade de São Caetano do Sul para a Estação Tamantuateí do Metrô e para a implantação de um sistema de Metrô Leve no território sul sãocaetanense.

Adamo Bazani, repórter da CBN, busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung

Cético e entusiasmado, o Brasil no voo para o Hexa

 

O aeroporto na Cidade do Cabo estava vazio para suas dimensões. E cheio de torcedores brasileiros a caminho de Johannesburgo. Eram 10 da manhã, e a partida do Brasil seria apenas às oito e meia da noite, hora local. Um deslocamento tranquilo e tenso, ao mesmo tempo. Com check-in sem estresse e voo na hora certa, a apreensão ficava por conta do que aguardaria a seleção no estádio Ellis Park, na disputa pela vaga nas quartas-de-final.

Para completar este cenário de contradições, eu com mala em punho seguia o mesmo caminho que eles, passaria por Johannesburgo, mas não assistiria ao jogo. Nem mesmo na televisão. Estaria a bordo de outro avião tomando o rumo que a nossa seleção só pretende seguir depois do dia 11 de julho: São Paulo.

Duas horas e meia depois de deixar a cidade em que morei nos últimos 21 dias, estava em Johannesburgo e do futebol consegui assistir apenas a alguns minutos da vitória da Holanda na Eslováquia. Suficiente para enxergar o meio-campo Arjen Robben comandando os Laranjas e tocando bola com uma categoria reservada a poucos. Fui saber da classificação holandesa pelo comandante do voo que ao anunciar em um “inglês-africano” o placar foi recepcionado com um leve murmurinho dos passageiros. Ninguém ali parecia preocupado com esta partida.

No ar, restava fechar os olho e esperar que após duas, duas horas e meia, o comandante fizesse novo anúncio. De preferência, a vitória do Brasil. Não consegui dormir. Passei a lembrar daqueles torcedores animados do aeroporto. Um grupo se organizava para vestir a enorme camisa coletiva fabricada em verde e amarelo com o nome do Brasil a frente. Três outros levavam uma imagem de Ronaldinho Gaúcho: “se o Dunga não chama, a gente convoca”. A menina que encerrara seu compromisso no Cabo e deveria voltar ao Brasil conosco ficou exultante ao saber que havia um brasileiro vendendo ingresso para o jogo por U$ 200, bastaria descer na escala em Johannesburgo, remarcar o voo e torcer para que as malas já despachadas chegassem, sozinhas, com segurança a São Paulo.

Todos repetiam o que parece ser um mantra do torcedor brasileiro: “rumo ao Hexa”.

Passavam das 10 e meia da noite, jantar servido, serviço de bordo realizado, quando meu silêncio foi interrompido pela voz no alto-falante: “Ladies and Getlemen: Brazil 3, Chile 0, Brazil qualified for the last 8 of the World Cup”. Gritos e aplausos tomaram conta do voo 224 da South Africa. E eu pude dormir tranquilo sabendo que mais uma vez se confirmava a superioridade brasileira nesta Copa.

O desembarque no Brasil foi depois das 11 e meia da noite, em um aeroporto de Guarulhos ainda mais vazio do que aquele que deixei na Cidade do Cabo. Apenas não tão bonito, muito menos moderno.

Assim que matei a saudade com abraços e afagos, passei a receber um relatório completo sobre o que foi a partida, a partir dos dois analistas mirins que tem me municiado de avaliações técnicas e emocionais durante esta Copa:

“Juan, Robinho e aquele número 9 fizeram os gols”, disse o mais velho. “Precisa ver o que o 9 (eles esquecem o nome composto de Luis Fabiano) fez, pegou a bola assim, cortou pra cá, tirou o goleiro e chutou no gol”, comentou o mais novo desenhando com as mãos toda a jogada do nosso goleador. “Gostei mais do Robinho, ele soltou a perna”. “Legal foi a barreira que os amigos fizeram para o Juan cabecear”, e eles se colocaram lado a lado para mostrar o posicionamento na cobrança de escanteio. “Foi mais de 50 quilômetros por hora a cabeceada que ele deu”. Nesta altura já não sabia mais quem contava o quê. Todos queriam mostrar seu entusiasmo com a vitória sobre o Chile de Bielsa: “o cara não parava no banco, se agachava, virava a cara, bufafa, e ele colocou três atacantes”.

Hoje pela manhã, acordei cedo pra ver os lances da vitória brasileira e ouvir a avaliação dos críticos sobre o futebol jogado pelo Brasil. Do ufanismo que cega ao pessimismo que despreza, havia um pouco de tudo à disposição na TV e nos jornais.

Na dúvida, resolvi pedir ajuda a Marcão, torcedor sofrido do Brasil que tem acompanhado o jogo com os meus dois comentaristas de plantão e que apesar de estar feliz por ter ganhado uma Jabulani de presente ficou cabreiro com a vitória: “Tô lembrando do Maguila que batia em todo mundo, mas quando pegou um cara bom mesmo, se entregou”, referência ao lutador de boxe sucesso por aqui, mas que beijou a lona quando encarou gente grande como Evander Holyfield (1989) e George Foreman (1990).

A alegria dos meninos e o ceticismo do Marcão são sentimentos que parecem uma contradição, mas que se completam e têm ajudado o Brasil a construir seus resultados nesta Copa. Que sigam juntos, assim, até o Hexa.

Árbitros, erros e trapalhadas no caminho do Hexa

Direto da Cidade do Cabo

O Brasil estará em campo na disputa por uma vaga nas quartas-de-final enquanto eu estarei em um avião no caminho de volta pra casa, duas semanas depois de ter desembarcado na África do Sul. Dunga terá todo seu time à disposição ao que parece, com o retorno de Kaká, insubstituível mesmo combalido, Elano, imprescindível neste momento, e Robinho, imbatível quando se solta a driblar. O treinador vive o melhor dos cenários, comparado a colegas de profissão, despachados mais cedo ou com times sem capacidade para ficar entre os 16 melhores.

De todas as seleções que apareceram até aqui, boa parte da crítica esportiva, fora do País, concorda que o Brasil é das mais equilibradas – outras equipes tem um ou outro setor em destaque – e segue firme e forte entre os candidatos ao título. Mesmo o baixo rendimento do jogo anterior, prejudicados que fomos pelas mudanças por suspensão ou exaustão, mostrou que o time pode segurar ataques fortes e atrevidos.

O Chile é um adversário curioso, pois apesar de seus bons momentos aqui na Copa e mesmo nas Eliminatórias sofre ao saber que terá de pegar o Brasil pela frente. Foi goleado na ida e na volta (3×0 e 4×2) na disputa sul-americana. E Bielsa terá de ter muito mais do que arrojo e competência para ganhar da seleção brasileira, apesar de alguns de seus jogadores apontarem suposta fragilidade da nossa defesa.

Hoje, vimos o que pode acontecer com uma equipe que respeita além da conta seu adversário. E me refiro ao México que, apesar de prejudicado pelo árbitro, visivelmente, temia a força argentina.

Nosso favoritismo, porém, não nos dará o direito de errar. O futebol jogado nesta Copa e a estratégia montada pelos treinadores têm demonstrado que o espaço para construir é cada vez mais escasso. O ato de destruir tem privilégio nos esquemas táticos e, assim, fica-se a espreita da bola mal cortada, do passe irresponsável, da falta próximo da área, do vacilo do goleiro ou de alguma artimanha da jabulani.

Soma-se a isto o erro dos árbitros, fundamental nos dois resultados desse domingo, a começar pela conquista alemã. A seleção da Inglaterra não tinha futebol suficiente para superar a Alemanha, mas se o gol legítimo tivesse sido sinalizado as dificuldades da equipe de Joachim Low seriam muito maiores.

Dunga e o Brasil mostraram que sabem encarar estas situações e têm dado poucas chances ao adversário. Portugal, o mais habilitado, não alcançou nada além de um empate contra uma seleção desmontada em seu meio-campo pelos motivos que já conhecemos. Por isso, não se arrisca nenhum resultado que não seja o da vitória, com direito a classificação a fase seguinte.

É provável que somente saiba do placar quando estiver a bordo do avião. Não terei o direito de torcer pela bola chutada por nossos atacantes ou secar o avanço chileno contra o gol de Júlio César. Fico com a impressão de que não terei como ajudar o Brasil neste desafio. Pura pretensão de torcedor, sem dúvida. Pois nada do que façamos lá fora é suficientemente maior do que os jogadores podem aprontar em campo. Ou o que podem aprontar com eles.

Que a seleção brasileira jogue o futebol para o qual está capacitada e foi preparada. E que esteja livre destes árbitros trapalhões no caminho do Hexa.

De todo e Todo

 

Por Maria Lucia Solla

Somos diferentes uns dos outros, diferentes a cada dia; e a equipe que nos compõe e mantem vivos tem vida mais curta que a nossa.

50 trilhões de células trabalham com um só objetivo: nos manter funcionando. E, mesmo as que nasceram ou acabaram danificadas, fazem o que podem. Estamos nas mãos delas, e elas nas nossas.

Agora, como manter satisfeito e saudável um plantel de 50 trilhões de células que vivem para nos dar vida, e que por nós morrem? Dando a nossa vida pela Vida?

As células, imagino, não têm visão global. Não veem o quadro inteiro e não intelectualizam sua função: “Agora estou transportando oxigênio para os pulmões de maria lucia, para que ela respire e continue dando a vida dela pela Vida”. Claro que não! Simplesmente fazem o que têm para fazer porque estão ali para isso.

Tem as que põem fogo na fornalha, as que transportam o combustível adequado para cada departamento, e tem as que cuidam da limpeza dá máquina. Nada pode falhar. Perfeição!

As células do coração recebem, das outras, condições para exercerem sua função. E exercem. O mesmo com as células dos intestinos, pulmões, pele, e por aí vai. Nascem, crescem, desempenham a função de manter o todo funcionando, para que esse todo cresça e desempenhe sua função, seus dons, para que um Todo maior funcione e desempenhe a Sua função…

Inimigo invade o corpo, representa ameaça, vem a equipe da defesa e dá a vida pela vida. Tua e minha.

Agora, voltando ao fato de sermos diferentes, a diferença não está na composição. As 50 trilhões de células tuas são do mesmo tipo que as minhas, só que vibram em frequência diferente. Como dois violões feitos por artesãos diferentes, de madeira nascida de árvores diferentes, têm som diferente.

nós
você eu
ele ela
preto branco amarelo vermelho
ocidente oriente
norte sul
jovem velho
feio bonito
lá cá acolá
unha cabelo pele osso
sangue suor filé mignon pescoço

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Jogadores de futebol e seus uniformes maravilhosos

 

Por Dora Estevam

Foto Colagem

Os uniformes fazem show à parte na Copa.

É impressionante a explosão de cores das camisas e shorts, da roupa dos goleiros, e das chuteiras. Estas são maravilhosas nas cores fluo: verde, amarelo, azul, laranja …

Escadalosas de lindas.

foto 2 chuteira

Quem dera se no dia-a-dia os homens saíssem assim com uma peça de cada cor no corpo. Mesmo em uma ocasião menos formal é bem difícil encontrar estas combinações. Inspire-se, pois para os jogadores do esporte mais popular do mundo elas estão caindo muito bem.

Pelé, dia desses, comentou que no tempo dele não havia vuvuzela nem chuteira cor de rosa, se referindo ao colorido que chamou sua atenção – mas parece que não lhe agradou. É que no tempo dele bastava jogar muito bem futebol.

Segundo fabricantes, a ideia é fazer a cor e o modelo da chuteira saltarem aos olhos do telespectador em close na TV, e de carona surge a marca. Uma estratégia que dá resultado em campo e retorno de marketing.

FOTO 3 GOLEIRO

Os uniformes foram desenhados de acordo com os padrões físicos dos jogadores. Teve marca que não pensou apenas em tecido fashion, mas também que desse vibração maior ao craque. Se a técnica empregada funciona não sabemos, mas que ficou bonito, ficou.

Esta fusão do esporte com moda gera muita publicidade para os jogadores (os mais belos, em especial) e para as marcas mais famosas do mundo. Cristiano Ronaldo e Kaká são modelos Armani para underwear e relógios. E até mesmo o troféu ganha mala especial, Louis Vuitton.

FOTO 5 MILÃO

Já que estamos falando de moda, se você se entusiasmou com as cores dos uniformes e acha que no próximo verão vai poder vesti-las, pode começar a guardar as camisas. A tendência apresentada na Semana de Moda de Milão, masculina, para o verão 2011, teve muito modelo colorido. 

Mesmo com todas essas cores, os estilistas apostam em propostas sóbrias com sapatos com solado branco, e paletós ajustados e com algumas estampas, também. São combinações que tem tudo para dar errado, mas vou confiar no seu bom gosto que saberá jogar uma dessas peças coloridas com um belo jeans, mistura que sempre funciona.

A regra, como diria o outro, é clara: vista uma ideia simples e usável. E, com certeza, você vai se transformar em um craque da moda.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Azar do Chile !

Direto da Cidade do Cabo

E os meninos ? Não viram o jogo ontem ?

A pergunta chegou por e-mail de um internauta pouco disposto a ler o que os comentaristas de plantão – dentro os quais este que escreve o blog – pensam sobre a seleção brasileira. Para ele, quem elogia o Dunga é puxa-saco, não entende nada de futebol. Quem critica, é uma anta que não aprendeu que o futebol atual busca o resultado. Nunca está contente. Por isso, prefere ouvir os inocentes de coração, como se estes ainda existissem.

E como me cobrou, fui procurar os dois garotos que têm me ajudado a entender alguma coisa de futebol durante esta Copa, sobre os quais já conversamos neste espaço. Fiquei preocupado logo que os consultei, pois a primeira coisa que ouvi foi que “não tenho nada pra falar sobre este jogo”, na voz de quem esperava mais.

Nada ? Gostou, não gostou ? Qualquer coisa pra me ajudar.

“Só o goleiro é que foi bem”, disse um deles em elogio ao Julio César por quem ficou preocupado quando viu aquelas ataduras protegendo as costas. Machucado ou não, ele segurou a onda lá atrás, disse o outro.

“Aquele cara de perna comprida foi legal, eles tirou uma bolas do Cristiano Ronaldo”, falou o outro se referindo ao Lúcio.

Conversa vai, conversa vem, descobri que eles gostaram também de uma outra coisa: o juiz mexicano, principalmente quando ele resolveu dar um cartão amarelo duplo. Puniu um brasileiro e sem precisar baixar a mão puniu um português, também. “Parecia minha professora quando dá bronca num colega e aproveita para puxar a orelha do outro que estava rindo fora de hora”.

O mais velho, admirador de Elano, queria mesmo é a garantia de que o meio-campista estará de volta no próximo jogo. “Quando eu vi o tanto de escanteio que os caras erraram lembrei dele”, disse ao falar, sem lembrar o nome, de Daniel Alves que assumiu a função na partida contra Portugal. “Ele não acertava uma, o escanteio sempre dava na perna do zagueiro”.

Não gostaram do Júlio Batista, também. Defenderam a ideia de que ele teria de ter saído do time no primeiro tempo. Aprendi nestes três jogos que os dois são impacientes e imediatistas. Entrou, não mostrou, substitui. É o que defendem.

Sabe do que eles gostaram? Do Felipe Melo quando devolveu a botina no Pepe. “Tinha que fazer aquilo mesmo, porque o Pepe tava muito chato e brigando com a gente”. Estão perdoados pelo desejo de revanche, eles ainda são crianças. Felipe Melo, não.

Por serem crianças, não terem compromisso com a seleção, cansados de verem a chatice que marcou este terceiro jogo do Brasil, foram pragmáticos como o futebol atual: “delisgamos a TV e fomos jogar video-game”.

Pelo tanto que o Dunga reclamou do time durante o jogo, parece que ele também teria preferido ficar diante do video-game e, quem sabe, disputar uma partida de Fifa 2010, na qual não teria necessidade de abrir mão do Kaká, Elano e Robinho, que fizeram muita falta ao nosso time.

Segunda-feira eles estarão de volta, meninos.

“Azar do Chile”, concluiu o mais jovem e atrevido.

O pebolim estava mais emocionante

Direto da Cidade do Cabo

Brasil e Portugal no pebolim

O melhor do Brasil foi Dunga.

Explico, antes que alguém pense que fiquei louco, afinal, das três substituições que fez, as duas primeiras não funcionaram e, ainda, impediram que a terceira desse certo.

Júlio Batista estava mais perdido que cusco em procissão, corria pra cá, se movia prá lá, e não sabia o seu papel em campo. Daniel Alves entrou em campo disposto a enfiar um canudo nos portugueses de qualquer jeito e esqueceu que futebol é coletivo, tem mais gente doida pra marcar e mais bem colocada para tal.

Nilmar que substituiu Robinho, poupado devido a lesão, bem que tentou fazer alguma coisa, deu o chute mais perigoso do Brasil após uma bola que o Luis Fabiano não-tocou pra ele. A ideia era outra, mas chegou no lugar certo. É o que interessa. Pena o goleiro português ter feito o papel dele tão bem

Nosso goleador e Nilmar, porém, foram vítimas do meio campo sem criatividade, que se movimentava menos que time de pebolim, apesar de algumas tentativa sem sucesso. Verdade seja dita, a defesa de Portugal que, além dos quatro de trás, ainda recebeu o reforço de mais cinco meio campistas, deixando apenas Cristiano Ronaldo para as bolas sorteadas lá na frente, também não se mexia. Resultado: nada.

Os portugueses jogaram o primeiro tempo pra garantir a segunda vaga, e o segundo pra conquistar a primeira. Os brasileiros jogaram para vencer, ou melhor, queriam jogar para vencer, mas não havia gente capacitada.

O legal foi confirmar que Júlio César é o melhor goleiro do mundo, pois todas as vezes que é exigido atende nossas expectativas. Hoje, por duas vezes, fez o que o pessoal da marcação não havia conseguido: tirar a bola dos pés dos atacantes portugueses.

Por falar nos nossos defensores, se houve uma jogada emocionante no segundo tempo foi o quase carrinho de Lúcio, dentro da área brasileira, que cortou as pretensões de Cristiano Ronaldo em uma das muitas escapadas que deu. Apesar de que o Lúcio, esse sim, poderia ter ficado cravado lá atrás como a linha de defesa em time de pebolim. Às vezes, ele resolve se mandar pra frente com a bola nos pés e fica parecendo caminhão sem freio descendo a ladeira, desgovernado.

Mas vamos a justificativa para a primeira afirmação deste texto.

Na entrevista, após o empate com Portugal, Dunga disse que Robinho fez mais falta porque é driblador e sabe aproveitar os espaços curtos, comentou que a seleção insistiu muito em tocar bola na área mais congestionada do campo e falou que o futebol do Brasil precisa evoluir em relação ao que fez até aqui nesta Copa. O que justifica sua irritação ao lado do campo. Em uma partida na qual ninguém foi além da média, ao fazer a leitura correta do jogo, Dunga cumpre bem sua tarefa.

De minha parte, vou continuar assistindo ao jogo de pebolim disputado por torcedores brasileiros e portugueses aqui no Village Terra, em Cidade do Cabo, muito mais emocionante e disputado do que o Brasil e Portugal que assistimos, nesta sexta-feira.

Uma nova dimensão para o futebol do Brasil

Direto da Cidade do Cabo

Torcedor confia na vitoria contra Portugal

Torcedor confia na vitoria contra Portugal

Uma das atrações desta Copa é a transmissão em terceira dimensão por emissoras de TV confirmando um casamento antigo no qual tecnologias inovadoras nos são apresentadas tendo como atração o Mundial de futebol. Há dois dias, tive oportunidade de assistir ao compacto da vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim em um aparelho destes, à disposição em um shopping da Cidade do Cabo. Somos obrigados a colocar um óculos, não muito cômodo, diga-se, caso contrário o que teremos é um jogo sem foco, parecido com aquelas televisões nas quais se enrolava um bombril na antena para captar melhor a imagem – ou com o futebol apresentado pelos franceses, compararia algum crítico da crônica esportiva.

Assim que nos posicionamos diante da tela e com óculos a postos, o espetáculo muda. Mais nítido do que aquele que vemos das arquibancadas dos estádios brasileiros. Nas imagens, o torcedor por trás da cena e os jogadores se deslocando parecem estar ao nosso alcance. Oferecem uma noção de profundidade que nos permite avaliar bem a distância do atacante para o gol.

O corredor que Luis Fabiano encontrou entre os zagueiros para receber o passe de Kaká e a visão que tinha para encher o pé contra o goleiro marfinense são nítidos. O duplo chapéu dele nos defensores fica ainda mais belo gravado naquele formato. Tem-se ideia da lucidez do atacante ao encontrar por cima da cabeça do marcador o caminho para deixar sua marca nesta Copa. Um gaiato ao meu lado chegou a dizer que até parecia haver alguma distância entre a bola e o braço que ele teria usado para facilitar as coisas.

Fico imaginando o que seria a imagem em 3D do terceiro gol do Japão no fim da rodada dessa quinta-feira com o drible malandro de Keisuke Honda que diante de um goleiro apavorado teve tranquilidade para servir Shinji Okazaki e deixar o gol aberto e livre para o companheiro fechar a vitória que classificou os japoneses às oitavas de final.

O chute distante do italiano Quagliarella sobre uma área congestionada de eslovacos que alcançou o gol pode não ter sido suficiente para impedir o vexame de os campeões mundiais serem desclassificados ainda na primeira fase, mas deve ter proporcionado um lindo momento para as câmeras que captam os lances em 3D.

No jogo visto nesta dimensão temos impressão que fomos convidados para a festa, mesmo longe do estádio. E, assim, nos tornaremos ainda mais exigentes em relação ao show que nos será apresentado.

Verdade que o futebol mundial evoluiu tanto quanto a tecnologia.

Para se ter ideia, as 12 seleções mais velozes desta Copa aceleram acima dos 30 km/h em uma partida. O México, segundo na sua chave e primeiro em velocidade, bate a casa dos 32 km/h, enquanto o Brasil, o quinto mais rápido, chega a marca de 30,75 km/h.

Se tiver interesse confira no site da Fifa, também, a quilometragem percorrida pelos jogadores. O alemão Sami Khedira, líder na estatística, já rodou 35 km em três jogos. Todos estes números são o dobro dos registrados na época da TV em preto e branco.

O problema é que enquanto a evolução da televisão foi na qualidade, a do futebol foi na força e velocidade.

Aprendi com meus colegas do Portal Terra que o que assistimos nesta Copa são equipes com algo que os especialistas chamam de futebol concreto. É um jogo mais objetivo, sem floreio, pois a marcação forte e veloz não dá tempo para o jogador pensar. Um, dois, três toques no máximo para que se encontre uma boa solução em campo. É preciso muita disciplina tática para atender os padrões atuais.

A criatividade tem ficado em segundo plano.

Espero que, nesta sexta-feira, a seleção brasileira, mesmo sem seu principal nome, Kaká, e com a ausência de Elano, autor de dois gols até aqui, seja capaz de mostrar novamente a sua superioridade em relação a boa parte dos adversários desta Copa. Com um futebol que respeita as regras atuais, equilibrado em seus diferentes setores, forte na marcação, disposto a chegar com a bola no chão até a área inimiga e sempre pronto a nos surpreender com um lance particular.

Um Brasil capaz de nos presentear com um futebol de outra dimensão.