De mundo colorido

 

Por Maria Lucia Solla

 

colorido

 

Olá,

 

cada dia que passa eu acredito mais fortemente que estamos mirando o alvo errado, um objetivo que nos leva sempre para mais longe do centro da questão, da tomada de consciência do fato. Do erro.

 

Estamos centrados no macro: a cidade, o estado, o país, o mundo e os mundos à volta e as pessoas que se destacam por mandarem e desmandarem, deslavada e desavergonhadamente.

 

Agora põe a mão na consciência comigo; tudo e todos os que estão aí somos nós, gente como a gente, nascida no mesmo Planeta Terra, mas é gente que está apodrecida, desconjuntada, totalmente desatinada e desorientada. Num patamar impossível de curar.

 

Esses são cartas fora do baralho.
Sem chance, como diria minha amiga Neyd.

 

Onde focar, então? No micro, ora!. Na célula. Em você mesmo em primeiro lugar, para ser um recipiente digno da alma que recebeu, e que tem tudo para deitar a cabeça no travesseiro e adormecer com um sorriso e acordar com vontade de preencher cada dia com o seu melhor. Não é assim?

 

Pois assim deve ser.

 

Mas vale lembrar-se e lembrar a quem quiser ouvir, que delicadeza faz as flores crescerem mais bonitas; gentileza e consideração evitam furacões; atenção e compaixão previnem enchentes. E por aí vai. Cada centímetro que a gente melhora no convívio consigo mesmo e com o outro, seja ele quem for, a Natureza e tudo à nossa volta muda de colorido.

 

é o mundo que a inocência da criança pinta
ela sabe que é possível

 

Assim, só posso terminar este nosso papo sugerindo colorir o mundo, ensinando aos jovens e às crianças a libertarem, da folha branca de desenho, a beleza de um convívio sadio, começando dentro de casa, numa corrente infinita.

 

Também será preciso trazer de novo à moda os amigos Muito Obrigado, Desculpa, Com Licença, A Senhora Quer Se Sentar? Precisa De Uma Ajuda Aí? Com Licença, Professora! E por aí vai, passando a só usar a buzina numa situação de emergência (que é para isso que ela existe, sabia?), dando lugar para um motorista que está esperando há seis carros que alguém lhe permita entrar no fluxo – modo de dizer.

 

Tenho notado muito disso tudo à minha volta, dos dois tipos, dos dois lados da cerca. A maioria das coisas por perto me deixam muito bem, mas o inverso está duro de roer, não é?

 

Pensa nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De Kintsugi-Patchwork

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Já me quebrei muitas vezes, na vida. Quebrei uma porção de ossos: dos pés, da testa, do nariz, do braço, até o cóccix eu quebrei, o que me levou a uma cirurgia de coluna. Sou capricorniana, ossos sujeitos a chuvas e tempestades, e faço uma porção de coisas de uma vez, pulverizo o tempo à minha disposição e me embaraço entre passado presente e futuro, de cada momento. Andam de mãos dadas, cada um dando uma pincelada na minha vida e no meu comportamento, o tempo todo; me arrastando na sua sanidade e na sua loucura, ao sabor dos mais variados e ritmados tiquetaques.

 

Também já fraturei meu orgulho, tive o coração despedaçado uns pares de vezes, já fiquei sem dinheiro, e já tive muito dele também. Privilégio. Não perdi tempo na vida. E lá vem de novo meu regente, Saturno, que é o Senhor do Tempo. Quando está de boa, me deixa passear pelo seu reino, escancara gavetas e arquivos, e eu me regalo. Me sirvo de seus guardados e me maravilho com suas revelações. Agora, quando resolve cruzar os braços, haja Deus!

 

Tenho muitas cicatrizes, como era de se esperar. E quem não as tem? A cicatriz na testa, esculpida quando eu tinha uns 6 anos, é a mais antiga e a mais aparente. Faz uma segunda sobrancelha, acima da original. Faz parte de mim. As outras, por mais escondidas que estejam, devem ser respeitadas, porque se fazem lembrar aqui e ali; cada uma a seu modo.

 

Cada fratura física, emocional, intelectual e outras das quais a gente ainda não faz nem ideia que têm nomes, fazem de mim o que sou hoje; e hoje, certamente sou melhor do que ontem. Me orgulho delas, e decidi que vou tratá-las, daqui para frente, como um recipiente japonês quebrado, recuperado e valorizado.

 

A peça quebrada e recuperada com cola e pó de ouro passa a ter um valor muito maior do que antes, quando ainda estava intacta. As rachaduras enriquecem a peça, na arte tradicional japonesa, o Kintsugi.

 

Acreditam, os japoneses que aquilo que é danificado tem uma história, que faz dele uma peça especial e mais rica. Em vez de tentar camuflar a rachadura, fazem um reparo que enriquece e enaltece os reveses.

 

Agora é só continuar agradecendo por ser o Kintsugi-Patchwork da hora.

 

Um VIVA à VIDA!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De profetas do passado

 

Por Maria Lucia Solla

 

Solla

 

Sou a favor da extinção dos profetas do passado. Nada violento, de extinção radical do tipo prisão perpétua ou cadeira-elétrica. Sou a favor da extinção deles, da minha vida; e se eu fosse você faria o mesmo.

 

O profeta do passado tem sempre razão. Não larga o osso nem por decreto. Ao menos tem sido assim desde que eu me reconheço como ser pensante. Aplausos para ele, que já está careca de velho, mas não larga o bastão. Encabeça a minha lista dos alijados.

 

Fala sério, você sabe do que eu estou falando, e aposto que tem ao menos dois na sua agenda de amigos.

 

Você cai na própria armadilha quando está triste, desanimado, derrotado e precisa desabafar. Parece que eles têm radar; estão sempre por perto e interessados pela novidade nefasta. Você se abre e está perdido, meu amigo! Se estava triste, depressivo, inconsolável por um evento qualquer, o profeta saboreia o que você disser, com senho franzido, olhar de desaprovação e um virar para a esquerda e direita da cabeça.

 

Você para de falar, enxuga as lágrimas, e ele cai em cima:

 

– Eu sabia que isso ia acontecer!

 

Isso quando não diz:

 

Eu tinha certeza de que isso ia acontecer!

 

E o hiperbólico:

 

– Eu tinha absoluta certeza de que isso ia acontecer!

 

Cai a cortina, porque você tem vontade de cortar os pulsos, de se atirar da Torre Eiffel, ou mergulhar num dos lixões da cidade. Ele acaba de estraçalhar a pessoa onde você mora, desde que aterrizou no planeta Terra, e de onde vem aprendendo tudo o que pode, na escalada da vida.

 

Na minha lista de extinção também estão os estraga-prazeres. Para qualquer ideia tua, vêm logo com:

 

– Imagina! Sem chance! Perda de tempo! A vida tá difícil. A crise tá pegando. O mercado tá recessivo, a bandidagem tá solta…

 

Eu mandaria os dois times, o dos profetas do passado e o dos estraga-prazeres, – não precisa tirar as crianças da sala porque você sabe que eu sou educada – para uma linda ilha deserta do Pacífico.

 

Teríamos que, eventualmente, mudar o nome do Oceano, mas isso seria bem mais fácil do que ter que lidar com eles.

 

Imagina o cruzamento das duas raças!?

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Da danada

 

Por Maria Lucia Solla

 

Depressão

 

Insisto e repito que é preciso ter cuidado dobrado e multiplicado com a depressão!

 

A depressão é sorrateira, mas chega chegando. Disfarçada de tudo, menos dela mesma.

 

Penetra!
Oportunista!

 

Se vale do cansaço, da solidão, de uma doença qualquer, do escoamento da reserva financeira, do que encontrar pela frente, para se infiltrar por brechas intelectuais, emocionais, físicas e metafísicas. Sem critério. Sem a mínima decência.

 

é mal-falada
de tudo rotulada
de frescura a loucura
de fraqueza a moleza

 

de amor que não tem cura

 

é ladina a depressão
leva em plena luz do dia
toda a bênção que eu pedia
sem culpa sem coração

 

contamina tudo
do tom da voz ao ritmo da vida
que vira descompasso
a cada passo

 

O que acontece? O cardápio é extenso. Alguém diz A, e entendemos B, até que o povo percebe e nos manipula pelo desentender. Entende?

 

Nada como a fraqueza alheia para fazer do covarde um forte!
E os predadores se fartam, na cara dura.

 

mas como na vida
tudo tem o seu oposto
há os que ajudam muito
e por puro gosto

 

atenção!
muita atenção!
discernimento e organização
fogem da raia no primeiro escorregão
e entendemos literalmente
o que é meter o pé pela mão

 

já posso ver mais claro
quanto ela me custa caro
mas ainda tenho na boca
seu amargo gosto
suas garras no meu rosto
e a pecha de louca

 

Leia também o texto “De pressão”, publicado pela autora no Blog do Mílton Jung

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De pressão

 

ML

 

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

Você já ouviu dizer que em menos de cinco anos a depressão será a doença mais incapacitante do mundo? É projeção feita pela Organização Mundial da Saúde que também informa que mais de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão, no mundo! (A exclamação é minha, mas pode pegá-la emprestada, se quiser.)

 

E de que tamanho é “350 milhões” de pessoas?

 

Comparando à população do Brasil – aproximadamente 203 milhões de habitantes -, mais de um Brasil e meio de gente sofrendo! Comendo o pão que o Diabo amassou com o rabo! Morrendo! E tem quem diz que é frescura, falta do que fazer, e os quetais próprios da falta de compaixão.

 

Aliás, mais um recorde vergonhoso para a nossa coleção; a maior prevalência de depressão, nos últimos 12 meses foi registrada no Brasil, A menor, no Japão.

 

Japão 2.2 X Brasil 10.4

 

Brasiuuuuuu!!!

 

Quanto a mim, estou na via de saída das teias da uma longa, bem longa depressão. A situação brota mesmo De Pressão. Sinto como se estivesse numa cabine de avião, e a Pressão do Ar, ali, ficasse oscilando feito louca. Eu, tentando achar um ritmo, ao menos para a respiração. A vida, na real, vira o Samba do Crioulo Doido! O botão do liga/desliga fica em curto, direto.

 

E não adianta dizer o que é que a gente tem que fazer, muito menos apontar o que deveria ter sido feito. Ah! os profetas do passado!

 

Estar na depressão é perder a capacidade de funcionar, de raciocinar linearmente, de agir, e menos ainda de reagir. Coerência é item de luxo. A vida fica estagnada. Vão-se as reservas. Todas! As financeiras, as da saúde, da alegria, da descontração… A pele envelhece, os olhos entristecem, e a gente adoece.

 

o que para você é chuvisco
pra mim é tempestade

 

Do lugar onde estou agora, já me dou conta de que tenho aprendido muito, e que talvez, veja bem… talvez, eu esteja começando a entender que estou cursando um intensivão que a vida me proporcionou. Fui selecionada – vinte anos em três. Poucos escolhidos. Só os fortes!

 

E se você consegue manter a amizade com alguém que está sofrendo de depressão, parabéns, você é dos fortes também!

 

compaixão sorrisos
caixa de bombons
pote de sorvete
bomba de chocolate
Coca normal
um telefonema de surpresa
um vasinho de jasmim

 

PS: E por falar em saúde, compreensão, alegria e compaixão, VIVA o AMA Paraisópolis III! Dr. Cauã, você é o máximo! Rosely, carinho na sala das inalações. Do porteiro ao doutor, vocês são os campeões! Parabéns Hospital Albert Einstein, pela qualidade. Um jardim no deserto da cidade!

 

Bom domingo a todos, boa semana, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De tentativa

 

Por Maria Lucia Solla

 

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o papel
insiste no branco puro
a palavra
no crucial momento da emissão
se perde na vida
vira a casaca

 

o bom fica babaca
a certeza perde a realeza a pose
e a casaca

 

a impermanência exige atenção
pula
se estica
faz careta
me mostra a foto da permanência
coitada
correndo na contramão
envelhecida e mofada
destruída

 

cena triste de se ver

 

insisto ainda um pouco
busco temas teoremas
que ratifiquem a minha razão

 

mas me perco no local do encontro
de mim mesma com a emoção

 

apago tudo
faço a vontade do papel
dou à palavra alforria
ao bom o seu complemento

 

e
bem

 

a certeza
não encontrei
ouvi dizer que ela e a razão
se mandaram para Canoa Quebrada
e que vivem disfarçadas
de sardinhas enlatadas

 

E voilà

 


Maria Lucia Solla escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung

De quê?

 

Por Maria Lucia Solla

 

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caramba
cada dia
uma vida inteira

 

sempre estreia
nunca meio
ou fim de temporada

 

eu
sempre estrela
que de escada
basta a que tenho em casa

 

quero sim
quero tudo quero mais
quero o melhor da vida
pra ter e dar o melhor de mim
até o fim

 

pra desenterrar
dos meus desertos
o bem-querer sem medo
e o querer bem
crescido no desapego

 

dança
música
arte
quero tudo
na minha medida
desmedida
louca
inconstante
mas minha

 

desassossego

 

mas um belo dia
o quero-tudo abriu os olhos
e se assustou com o que viu no espelho
tinha virado o quero-nada
quero-tudo virou quero-nada!
fazendo bico
chorando
se envergonhando
se desesperando

 

e além disso
eu
que andava de mãos dadas com a esperança
unha e carne
corda e caçamba
não lhe ofereço mais nem a maiúscula
me afastei dela
dei um tempo
quarentena

 

e ela que fique na dela
com sua pompa e circunstância
que eu quero mesmo
é cair na real
no tempo
no amor
na vida
na escrita
no sonho
sim porque até ele
vai se encaixar na real

 

Et voilà!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De ser assim

 

Por Maria Lucia Solla

 

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um dia atrás do outro
vida

 

um homem atrás do outro
bandido

 

Um trem atrás do outro
atraso

 

Um carro atrás do outro
São Paulo

 

um olhar atrás do outro
saudade

 

e eu o que faço agora?
conto gotas de chuva que choram no jardim
se você olhar para fora
vai pensar em mim?

 

ingênua por não antever
teu momento de ir embora
ou ficar de vez pra sempre
sem se preocupar com a hora

 

Faz tempo que quero escrever minha história. Completa. Sem corte. Para ninguém elogiar, mas para que eu mesma possa lembrar.

 

Será que me lembro de tudo? Serei injusta com olhares que não percebi, com palavras que deixei de ouvir e com tudo o que se eternizou em mim, nas rugas, na artéria interrompida, nas lágrimas que ainda escapam dos meus olhos, e que nem lembro de onde vieram nem o que fizeram para chegar, mas assim mesmo eu as deixo rolar.

 

Será que ainda me lembro de mim? História, na verdade, é um resto de saudade. Mas quem é que sabe, se nem eu mesma sei, enfim.

 

Vida é eterno começo para nunca mais terminar, o que me assusta e me encanta, e eu me entrego à loucura, onde não há ranger de dentes, mas um bouquet imaginário e lendário de muita ternura.

 

Um dia, quem sabe, agarro a caneta e digo tudo, do meu jeito. Mas para isso tem que ter muito peito.

 

Hoje, envolta na solidão, ameaçada pela depressão, não tenho mais medo de nada, não. Fiz o que pude, disse o que sabia e o que podia dizer, timidamente no início, no meio e no fim, porque só sei ser assim.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

A foto deste post é do álbum de Ana Guzzo no Flickr

De desencontro

 

Por Maria Lucia Solla

 

Desencontro

 

cada inspiração
cada batimento
do meu coração
traz você
complemento

 

chega quieto
atiça
ouriça
um quê de discreto

 

meu coração ciumento
meu corpo sedento
teu avesso
meu complemento

 

no enlace imaginário
eu ponto
você contra-dança
na semelhança
no desencontro
nem te conto

 

você surge
eu me escondo da despedida
e então me exponho
desmedidamente comedida

 

na bolha de sabão
no raio X do coração
no carro que desembesta pela contramão
na fruta madura
no desejo de ternura
que possa fazer de mim
cada vez mais
mulher

 

Et voilà!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De descuido

 

Por Maria Lucia Solla

 

Solla

 

dorme sentinela
atentada
ignora meu desatino
me larga me solta
me esquece
malvada

 

faz ouvido de mercador
ao meu grito
deixa pra lá meu jeito aflito
shhhhhh
quieta
fecha os olhos e dorme

 

me deixa perdida
liberta
ferida
aberta

 

deixa que o sangue jorre
na carne
na essência
que a dor aumente
que ensurdeça o mundo
num grito indecente

 

escancara meu peito
deixa livre a loucura
do meu sentimento
que já nem sei
honestamente
se sou eu que sinto
ele
ou se é ele que sente
eu

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung