
Quase metade dos profissionais brasileiros afirma já ter enfrentado algum conflito no trabalho relacionado a diferenças de idade ou geração. O dado, de uma pesquisa sobre relações intergeracionais, foi tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.
O levantamento foi realizado pela TroianoBranding e pela consultoria de tendências Deson para a Maturi, plataforma voltada à capacitação e empregabilidade de profissionais com mais de 50 anos. A pesquisa ouviu trabalhadores de diferentes faixas etárias e procurou entender o que acontece quando várias gerações dividem o mesmo ambiente profissional.
Hoje, empresas podem reunir profissionais das gerações baby boomer, X, Y e Z. A geração Alpha também começa a se aproximar do mercado de trabalho. Essa convivência amplia a possibilidade de troca de experiências, mas também expõe diferenças de valores, expectativas e formas de encarar o trabalho.
Segundo Cecília Russo, 45% dos entrevistados disseram já ter vivido algum conflito com profissionais de outra geração. A tensão aparece especialmente nas duas pontas da escala etária.
“Quem é mais velho é considerado desatualizado. Quem é mais jovem é considerado imaturo”, afirmou Cecília.
O dado chama atenção para uma característica do etarismo, preconceito baseado na idade. Embora seja frequentemente associado à discriminação contra pessoas mais velhas, ele também pode atingir os jovens, tratados como inexperientes ou incapazes simplesmente por causa da idade.
“O etarismo na nossa sociedade é o preconceito mais bem aceito”, disse Cecília. Expressões como “velho demais” ou “jovem demais”, segundo ela, ainda circulam com naturalidade nos ambientes sociais e profissionais.
Comunicação é veículo, não causa
A pesquisa também procurou identificar o que está por trás desses conflitos. À primeira vista, muitos entrevistados apontam problemas de comunicação entre as gerações. Jaime Troiano chama atenção, porém, para uma camada mais profunda.
“Não é só comunicação, pessoal. Comunicação é apenas o veículo”, afirmou.
Segundo Jaime, quando os pesquisadores aprofundaram as respostas, apareceram questões como diferenças de valores, de percepção sobre hierarquia, de opinião e até do nível de dedicação esperado no trabalho.
Isso significa que melhorar canais de comunicação pode ajudar, mas não resolve sozinho o problema. O desafio está em criar pontos de convergência entre profissionais que foram formados em épocas diferentes e, por isso, podem ter expectativas distintas sobre carreira, autoridade, tecnologia e relações profissionais.
Propósito pode funcionar como ponte
A pesquisa aponta um possível caminho. Para 65% dos entrevistados, um propósito autêntico e legítimo ajuda a reduzir conflitos geracionais. Em outras palavras, pessoas de diferentes idades podem se aproximar quando entendem e compartilham uma razão comum para o trabalho que realizam.
Existe, porém, uma distância entre discurso e prática: 58% afirmam que as empresas falam mais de propósito do que efetivamente o praticam.
“Há claramente um espaço para trabalhar esse tema importante, o propósito, de uma forma que ele seja uma ponte verdadeira e uma ponte que integre pessoas de gerações tão diferentes”, disse Jaime.
O desafio para as empresas, portanto, não é apagar as diferenças entre gerações. É impedir que elas sejam transformadas automaticamente em estereótipos. Mais do que administrar um conflito de gerações, a oportunidade está em promover encontros entre gerações.
A marca do Sua Marca
Empresas precisam criar condições para que profissionais de diferentes idades trabalhem em torno de objetivos comuns, sem reduzir ninguém à geração a que pertence. O propósito pode ajudar nessa aproximação, desde que seja percebido na prática e não apenas no discurso. Como resumiu Cecília Russo, “empresas e marcas precisam dialogar igualmente com as gerações”.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.