Ainda sobre Educação (e empreendedorismo)

 

Por Julio Tannus

 

Citei aqui na semana passada Edgar Morin e seu livro Os Sete Saberes sobre nossa Educação. Retomo ao assunto tomando a liberdade de reproduzir um texto de Eder Luiz Bolson, autor de “Tchau, Patrão”, da Editora SENAC:

 

A máquina educacional está lenta e enferrujada. Ela funciona da mesma maneira e anda sobre os mesmos trilhos desde o início da revolução industrial. Ela foi concebida pelas elites para transformar os indivíduos em bons e fiéis empregados. Os conhecimentos e habilidades são ministrados para construir pessoas que, depois de formadas, só funcionarão razoavelmente quando ligadas na tomada do emprego. Infelizmente, o desemprego é crescente e irreversível em todo planeta. Infelizmente o sistema de ensino continua sem perceber que o cenário já mudou. Continua sem perceber que é preciso mudar o enfoque. Que o emprego é importante, mas não é o único meio de aplicar os conhecimentos e habilidades recebidos pelos alunos. Que é necessário forjar atitudes empreendedoras nos estudantes. Que é preciso valorizar mais o individuo que gera seu próprio sustento, sem ter um patrão. Que é necessário e urgente começar a desenvolver pessoas dotadas de visão de futuro, perseverantes e preparadas para o processo de sonhar, planejar e construir seu próprio caminho.

 



O potencial empreendedor das pessoas e, dos brasileiros em particular, é enorme. Pena que ele só aflore na necessidade. A maioria não parte para o negócio próprio porque vê uma oportunidade. Isso é coisa de primeiro mundo. A maioria dos pequenos e médios empresários brasileiros não entra espontaneamente para o mundo dos negócios. Ela é empurrada, forçada a empreender. A perda do emprego e a remota possibilidade de achar uma nova vaga fizeram surgir milhares de empresas informais, caseiras ou de garagem. São indústrias caseiras de salgados congelados, pizzas, pães de queijo, doces, massas, polpas de frutas, sucos, bonés, camisetas promocionais, roupas, calçados, bolsas, cosméticos, etc. Muitas conseguem sobreviver e fazer a passagem para o mundo das empresas reais. Outras naufragam depois que alugam uma área maior, tomam empréstimo bancário, contratam contabilista, passam a recolher impostos, taxas e contribuições. Quando essas pequenas iniciativas crescem, aflora o despreparo, a falta de capacitação dos brasileiros para a gestão de empreendimentos próprios. Isso é normal que aconteça, afinal, nenhum desses “empreendedores forçados” recebeu na escola qualquer ferramenta ou treinamento para ser patrão.

 



O ensino do empreendedorismo para crianças é fundamental. Ele é o suporte para o início de uma mudança cultural. É preciso começar, desde tenra idade, a forjar atitudes empreendedoras e mentes planejadoras nas pessoas. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar os espíritos acomodados, típicos de grande parte da população brasileira. Poderia modificar também o pensamento de origem espiritual, determinista, de muitos brasileiros. São aqueles pensamentos que imobilizam, que roubam a pro-atividade, que jogam o futuro nas mãos de um destino previamente desenhado, ou então, nas forças de alguma divindade que, pretensamente, a tudo e a todos conduz. Poderia ajudar a valorizar mais a figura do empreendedor individual. O brasileiro cultua o antiplanejamento, o “deixa a vida me levar”. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar esse hábito de deixar tudo por conta do acaso. O empreendedorismo formaria jovens dotados de mentes mais atentas nas oportunidades, com visão de futuro e muito mais planejadoras.



 

A educação é o único caminho para criar uma sociedade mais empreendedora no Brasil. O processo é lento. O potencial empreendedor é enorme, mas está latente. É hora de criar novos motores para os negócios. É tempo de despertar os jovens para uma nova maneira de viver. É hora de formar uma nova geração de brasileiros. É tempo de disseminar a educação empreendedora desde o ensino fundamental, até o superior. 




 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.

Pompeia reúne moradores, hoje, por boas ideias para o bairro

 

Texto escrito originalmente para o Blog Adote São Paulo

 

 

Conversamos aqui no Blog Adote São Paulo, semana passada, sobre a construção do Plano de Bairro para a Pompeia, zona oeste da capital. O trabalho está em seu primeiro estágio com a coleta de ideias para, em seguida, serem colocadas em consulta pública e as mais votadas fazerem parte do documento final que ajudará a construir um bairro ainda melhor.

 

Henrique Parra, morador do bairro e um dos incentivadores da ação, destacou em mensagem quatro propostas que já foram apresentadas e podem ajudar a entender um pouco melhor o que se pretende fazer. Uma delas pede que os prédios da Pompeia passem a captar água das chuvas e, com isso, se recupere área permeável no bairro. Outra, alerta para o fato de que a futura estação Metro Pompeia está prevista para terreno muito próximo do Córrego Água Preta, que costuma alagar as ruas e avenidas vizinhas sempre que chove forte na cidade.

 

As calçadas também estão na mira dos moradores, e uma das propostas é que estas passem a ser construídas, principalmente nas ruas mais íngrimes, dando prioridade aos pedestres e não aos carros como ocorre atualmente. A quarta ideia passa pela transparência nos dados públicos, com a solicitação de que os moradores tenham acesso ao potencial construtivo do bairro: “ou seja, (queremos saber) o verdadeiro estoque disponível para se demolir (ou não) as casas existentes para a construção de edifícios residenciais e comerciais” – explica o autor em texto publicado no site Cidade Democrática.

 

Para participar desta campanha não é necessário morar na Vila Pompeia, pois esta é uma região de toda a cidade. Amanhã, dia 5 de março, às sete da noite, está marcado um encontro de co-criação, na Semente Una – Avenida Pompeia, 984. Oportunidade para levar projetos e discutir ideias com os demais participantes. Haverá mais duas reuniões, dias 12 e 18 deste mês, mas caso você tenha dificuldade de ir até lá (alguém aí tem uma boa ideia para melhorar o trânsito?) pode registrar seus pedidos no site Cidade Democrática.

O equívoco das eleições simultâneas

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

Toma fôlego no Congresso Nacional – ou alguns fazer assim crer – o debate em torno da unificação das eleições como a solução mais eficaz possível para revestir de economicidade e lisura as disputas eleitorais. Em 2012, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou um parecer visando a coincidência dos mandatos federais, estaduais e municipais.

 

Esta pretensão legislativa, recorrente no Parlamento a cada legislatura, sensibiliza a opinião pública e torna-se simpática em função da alegada contenção de gastos públicos. Os argumentos invocados em prol da sua aprovação são os mais diversos. O ano eleitoral impõe diminuição do ritmo de atividade das administrações públicas, exige dispêndio de tempo dos ocupantes de cargos executivos nas atividades das campanhas eleitorais e o custo dos pleitos seria reduzido com eleições simultâneas para todos os cargos. “Não é possível que o País viva sempre em clima de eleições”, sustenta um projeto. “A coincidência de mandatos vai dar racionalidade ao processo”, defende outro.

 

Já a manutenção do formato vigente, com eleições a cada dois anos, é defendida sob a invocação de que a substituição simultânea de todos os dirigentes e legisladores ocasionaria ampla desorganização administrativa, implicaria em confusão por parte do eleitor no momento da escolha de tantos cargos e tornaria algumas das disputas mais relevantes que outras, sem se falar no conflito entre as transições, o engessamento das publicidades institucionais e a vedação de atos de gestão entre os governos.

 

A Federação brasileira não comporta estas eleições simultâneas. Unificar pleitos sob o argumento da economia pública não é algo convincente num país estruturado em 27 Estados e mais de 5 mil Municípios. Eleger Presidente da República e Vereador no mesmo dia é simplificar uma realidade institucional demasiadamente complexa.

 

Diante da liberdade e disparidade das coligações, dificilmente o eleitorado compreenderia todos os ajustes possíveis, de presidente a vereador. Afinal, é pouco provável que uma coligação nacional se reproduza na eleição estadual e tampouco na municipal. Os debates de projetos e propostas ficariam sobrepostos e certamente alguns cargos em disputa seriam preteridos da atenção do eleitor.

 

O horário eleitoral gratuito – o qual, aliás, não foi objeto de adequação –, necessitaria de uma readequação radical, eis que seriam no mínimo doze (12) os cargos em disputa (fora no ano de eleição de duas vagas ao Senado): Presidente da República (e Vice-Presidente), Governador de Estado (e Vice-Governador), Senador (e dois Suplentes), Deputado Federal, Deputado Estadual, Prefeito Municipal (e Vice-Prefeito) e Vereador.

 

Razoável supor que o horário de votação – também não examinado pelo projeto – deverá ser ampliado, eis que as filas de eleitores seriam as mesmas mas o tempo de espera maior. As seções eleitorais, também se imagina, deverão funcionar mais tempo para poder absorver a demanda de cada eleitor, o qual deverá teclar mais de três dezenas de vezes entre os números de vereador a presidente e as confirmações de voto.

 

Outro fator relevante mas que também preterido, diz quanto às atribuições da Justiça Eleitoral. Uma eleição simultânea exigirá a atuação conjunta de todas as suas instâncias. Ora, se hoje já é sabido que os Tribunais Regionais Eleitorais de todo o país ficam com as suas pautas sobrecarregadas durante as eleições estaduais apenas com os julgamentos de pedidos de propagandas e registros das candidaturas, o que se dirá com os recursos dos juízes eleitorais dos municípios pelos mesmos temas. E obviamente que boa parte desta demanda vai desaguar no Tribunal Superior Eleitoral, responsável pela eleição presidencial.

 

Portanto, embora legítimo e respeitável, o projeto de unificação dos pleitos de Presidente a Vereador expressa descompasso à realidade, não aperfeiçoa e tampouco racionaliza o processo eleitoral brasileiro.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

De comunicação

 

Por Maria Lucia Solla

 

No transito

 

Olá,

 

sou encanada com buzina. Na rua de trás do apartamento onde eu morava até o mês passado tem um laboratório de análises clínicas daqueles ‘mega’, sabe? Gente que não acaba mais, chegando para ser virada do avesso de manhã à noite, de domingo a domingo. A entrada para pedestre, ave rara na região, fica numa rua originalmente secundária, e que hoje tem mais trânsito, proporcionalmente, do que a Giovanni Gronchi. Entrada e saída do estacionamento também são ali, no mesmo portão. Carros que entram e saem, muitas vezes em fila indiana. Tudo isso a uma quadra de um shopping center. Aí eu me pergunto, será que os administradores do ‘dito’ laboratório têm todos os carimbos necessários – batidos por funcionários de órgãos públicos responsáveis e irresponsáveis pela normatização, supervisão de estabelecimentos e por estudos do impacto ambiental de intenso deslocamento de veículos, entrando e saindo por uma porta só, numa rua só, de duas mãos – para manterem funcionando um negócio desse porte? Ufa! é de perder o fôlego.

 

Por tudo o que temos lido, ouvido e visto, nos últimos tempos, quase ninguém tem os carimbos em dia. Parece que aqui, nesta terra egóica por natureza ‘quase tudo’ é construído assim como um casebre em cima de um córrego, na calada da noite, coberto pela invisibilidade patrocinada pela conveniência de poucos. Mudam-se as regras, os conceitos e a casaca, conforme o tamanho e a força da bolada. Ora, mas não é este o país do futebol?

 

Na frente do laboratório vira e mexe tem buzinaço. Fui até a janela do quarto que dá para a rua de baixo, algumas vezes, para observar a situação. Dito e feito! O de sempre. Alguém quer estacionar no laboratório vindo na mão oposta, ou quer sair dele também na mão oposta, é claro. Na maioria das vezes os dois casos são sincrônicos. Você sabe do que eu estou falando. Andar mais um quarteirão e voltar na mão certa para, no mínimo, sair do congestionamento elegante e educadamente? Nem pensar. A situação é ir pela direita, numa rua de duas mãos e exigir que os carros que vêm no sentido contrário lhe dêm espaço para fazer uma conversão irresponsável. Pois é aí que o bate-boca esquenta, protagonizado por buzinas. Ricas e pobres, novas e velhas, afinadas e roucas, de todas as raças, e todas se desentendendo perfeitamente. No tempo das carroças o carreteiro parava e dizia, ‘dia! tira essa carroça daí, seu Zé!’, mas hoje se reza o terço de trás para frente: ‘tira essa €^*#} daí seu…’, e garanto que a expressão, hoje, está longe de terminar com ‘seu Zé’. A boca do homem da mulher e dos miúdos, hoje, são mais sujas do que o rabo do cavalo do seu Zé.

 

E o falatório continua, por todos os lados, por todas as ruas; todas gritando ao mesmo tempo, como nós. Todos interessados na própria voz, no próprio umbigo, desdenhando a expressão do outro. Somos a sociedade-do-eu-primeiro. ‘Sai da minha frente’. ‘Sabe com quem está falando?’ ‘Deixa de ser besta seu babaca.’ ‘Vai esperar eu passar, e estamos buzinados! Grrr*x##%@(&)

 

De vez em quando vem uma exclamação delicada de uma buzina mais educada que diz respeitosamente: ‘passa, passa, mas vê se se emenda!’ Agora raro mesmo, raridade de leilão, é ouvir simplesmente ‘passa’, dito por um simples aceno de mão e um sorriso do cidadão que está de bem com a vida, mesmo que doa.

 

Comunicar é expressar quem somos.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A semana da moda em Paris

 

Por Dora Estevam

 

PARISFASHIONWEEK

 

O Paris em destaque é para dizer que a Semana de Moda Parisiense está no ar desde o dia 26 de fevereiro, com a apresentação das coleções de outono-inverno 2013-14, pret-à-porter, dos estilistas franceses renomados e dos novos talentos, a estes dedicado o primeiro dia do calendário, que termina dia seis de março.

 

Vamos começar com a marca Isabel Marant. Nota-se nitidamente a presença do estilo masculino na coleção de inverno dela. A subversão nasceu de uma despreocupada parisiense com espírito boêmio livre, com pegadas rock and roll. Nas coleções da Isabel sempre aparecem estas jaquetas e calças skinnings para as meninas práticas. As saias curtas e justas, os blazers e casacos com ares de despreocupados. As cores escuras no ardósia, preto, marinho, alguns tons de areia, cores que todas as mulheres mantém no guarda-roupa. Na foto você vê melhor como ficou tudo isso. No final as produções revelam o embelezamento na dose certa das peças.

 

 

Na Dior o novo diretor criativo, Raf Simons, ainda não fez um ano de casa, entrou lá em abril de 2012, vem construindo a sua própria marca com sucesso e raça. Explorando o patrimônio da Dior e a identidade. O código criado através dessas combinações se vê nas coleções que estão mais próximas do pop. E esta é uma delas, distinta de cocktails e mais a favor das mulheres que amam Dior e querem a marca mais próxima e mais street. Um novo olhar que Simons vem aplicando desde a série de lojas pop-ups mais elegantes do mundo. Roupas práticas e femininas, vindas de um designer que gosta de estar em contato com a cultura, o jovem e o novo. Vem ver alguns modelos da coleção dele.

 

 

Agora um pouco do estilo de Rick Owens, estilista americano. As meninas entraram na passarela com os cabelos frisados e pálidas, em roupas que se sozinhas poderiam sair andando em linha reta. Os casacos grandes, longas fendas, muito cru e cheia de detalhes. Da uma espiada nas fotos abaixo para ver alguns detalhes do show.

 

 

A fast fashion H&MParis apresentou a coleção de inverno no clima da semana de Paris, sob a direção de Ann-Sofie Johansson, no Museu Rodin. O cenário foi todo decorado como se estivessem em um grande apartamento de luxo. A coleção foi imaginada para as meninas que gostam de andar em grupo, juntas, e que gostam de se divertir emprestando roupas do armário das tias e avós para misturá-las às roupas descoladas delas. Veja o resultado nas fotos.

 

 

Para finalizar este nosso encontro semanal em grande estilo quero que você veja as fotos do desfile da Balmain, um arraso. Um desfile que foi realizado no Hotel de Ville, que serviu de cenário para a apresentação. Bem característico da marca os ombros aparecem carregados, cheios de glamour e pegada rocker. As jaquetas metálicas em couro. Cintos largos, sobreposições, tudo o que uma mulher que gosta de carregar no visual admira. Destaque para os acessórios, brincos enormes e cintos suntuosos. Luxo e ousadia, confira!

 

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

 

Mundo Corporativo: como começar uma startup

 

Para você pensar em uma empresa no mínimo tem de saber o que está querendo fazer, mas o ideal é que esta ideia não surja de um produto, surja de uma necessidade, daquilo que o mercado e os consumidores estão precisando. A sugestão é do consultor de empresas e negócios Nei Grando, que falou sobre estratégias para a criação de uma startup, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Grando é o organizador do livro Empreendedorismo Inovador, lançado pela Editora Évora, e ensina “criar uma startup de tecnologia no Brasil”.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da Rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br, pelo Twitter @jornaldacbn e no grupode discussão Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Proposta democrática para o plano de bairro da Vila Pompeia

 

 

“A Pompeia Que Se Quer” é uma iniciativa de construção colaborativa de Plano de Bairro, que visa contribuir com os moradores da Vila Pompeia, ampliando seu alcance de voz e dando forma a seus desejos coletivos.

 

Tanto moradores e frequentadores da Pompeia, como quem mais tiver interesse em participar poderá criar suas propostas, comentar e apoiar outras propostas, propor atividades, participar das oficinas, mobilizar suas redes e construir a relevância dos seus temas de interesse.

 

São 4 etapas:

 

1. PROPOSTAS – Registro das ideias em propostas que também poderão ser comentadas e aprimoradas.
2. APLAUSO – Em seguida, as propostas recebem votos na forma de apoios.
3. UNIÃO – As propostas mais parecidas poderão se unir para aumentar seu poder de influência.
4. ANÚNCIO – As propostas mais apoiadas e comentadas serão premiadas de acordo com os prêmios oferecidos pela própria comunidade do bairro.

 

O conjunto das propostas (não apenas as premiadas), organizadas por temas e territórios, constituirão um documento a ser entregue pelos moradores da Vila Pompeia como uma primeira versão do Plano de Bairro da Vila Pompeia, a ser entregue ao prefeito e aos vereadores de São Paulo para apoiá-los na revisão do Plano Diretor da Cidade.

 

Programação Completa – Estão marcados três Encontros para Criação de Propostas, abertos a todos os interessados, que buscam envolver moradores, movimentos sociais, poder público e outras pessoas capazes de contribuir com ideias criativas. Também estão sendo programados Expedições Fotográficas, Manejo Comunitário da Horta e Reuniões com a SubPrefeitura.

 

Encontros de Co-Criação: 05/03, 12/03 e 18/03, sempre às 19hs, na Semente Una (Avenida Pompeia, 984).

Foto-ouvinte: sem-teto criam condomínio no Campo Belo

 

Sem Teto no Campo Belo

 

A moradia é em área nobre e valorizada de São Paulo, próximo da avenida Roberto Marinho, onde passará o monotrilho, facilitando o deslocamento na cidade. Desde 2012, esta turma está acampando na rua João Álvares Soares, no Campo Belo, e tem recebido agregados nos últimos dias. Passam o dia por ali, brigam, fazem sexo, usam drogas, e se precisarem de banheiro se socorrem no jardim de um condomínio residencial na mesma rua. De acordo com o autor das fotos, Régis Gonzaga Barbosa, vizinho deles, a subprefeitura de Santo Amaro, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar já foram procuradas mas nenhum providência foi adotada até agora.

Desculpa da licitação é "pra boi dormir", diz Voto Consciente

 


Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

A luta pela maior participação da sociedade e a transparência nos atos públicos, na Câmara Municipal de São Paulo, sofreu revés no início da atual legislatura, com o fechamento das reuniões da Mesa Diretora e a proibição de transmissão na internet. As discussões da reunião de Líderes também estão sob ameaça de ser fechada, não tendo sido, por exemplo, anunciada publicamente, semana passada. As medidas foram defendida pelo presidente da Casa, vereador José Américo (PT), com o apoio de todos os integrantes da Mesa Diretora que tem vereadores do PSDB (2), PR, PSD, PMDB, PV e PTB.

 

 

Nesta semana, a coordenadora do Movimento Voto Consciente, Sonia Barboza, que atua na Câmara Municipal, divulgou nota com o título “Para boi dormir !”, criticando o comportamento dos vereadores e mostrando que as justificativas feitas por José Américo para impedir a participação popular não se sustentam

 

Reproduzo a seguir, o que pensa o Voto Consciente sobre o assunto:

O presidente da Câmara, José Américo, para justificar fechar as reuniões da Mesa Diretora ao público, acabando com a transparência delas, no dia mesmo em que fechou a primeira, declarou que queria ter liberdade para chamar atenção de seus funcionários, sem constrangê-los perante uma plateia.

 

Depois, talvez achando que a desculpa não “pegou”, resolveu usar como justificativa o sigilo que as licitações impõem. Disse inclusive que antigos presidentes tinham atitude hipócrita ao permitir a entrada da imprensa e dos membros da sociedade que compareciam às reuniões.

 

Tanto uma como a outra são razões inaceitáveis. Quanto à primeira, bastaria que tivesse cuidado com suas palavras ao se dirigir aos seus funcionários. Não estamos falando aqui de funcionários quaisquer, somente o alto escalão da Casa participa daquelas reuniões, alguns deles doutores e de muita competência.

 

A segunda também não procede. As licitações são feitas na Câmara pela Comissão de Julgamento de Licitações (CJL). Ela as prepara, em qualquer modalidade, e pede autorização à Mesa para dar-lhes prosseguimento. Recebida esta autorização, a CJL finaliza a preparação e lança um edital. Só então aparecem as propostas, que a Comissão recebe fechadas dos concorrentes. No dia marcado para a abertura destas propostas, a Comissão as abre em sessões públicas, terminando aí qualquer sigilo. As licitações são então adjudicadas, isto é, o vencedor e os preços de todos já são conhecidos. A CJL pede então à Mesa que as homologue (ou não) a licitação. Para isso não há sigilo. Quem faz todo o trabalho é a Comissão, que o faz de portas abertas.

 

Então, senhor presidente, procure outra razão para eliminar a transparência das reuniões da Mesa, porque estas só são boas para boi dormir!!!

 

Sonia Barboza
Coordenadora dos voluntários na CMSP
Movimento Voto Consciente